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sexta-feira, 28 de junho de 2024

O senso comum, o TDAH e outros transtornos

Para aceitação, o tratamento psiquiátrico do TDAH recorre ao senso comum para se firmar. A percepção leiga da grande maioria das pessoas é que sucesso escolar é uma questão de atenção, inteligência e boa saúde cerebral. Esses requisitos são tomados como capacidades biológicas que estão dentro da pessoa. É mais desafiador compreender as relações (com o meio) de construção  dessas características.

Seria interessante aprofundar na temática do senso comum e aceitação de tratamentos psiquiátricos ou tratamentos mais comuns. O uso do senso comum para aceitação de tratamentos envolve limitações de percepção mais comuns presentes na grande maioria das pessoas. Essas percepções são resultados de limitações estruturais de aprendizagem presentes na sociedade e cultura.

segunda-feira, 24 de junho de 2024

Coleta de dados individualizante e medicalização

A coleta de dados de depoimentos a partir de perspectiva individualizante (pessoa separada do seu meio) é um dos raciocínios da medicalização e patologização. O ponto de partida são os sinais de estranhamento que são interpretados a partir de um modelo organicista. Um coleta de dados não individualizante com foco no ambiente distribuído da pessoa é desafiadora de ser realizada através de conversa com uma pessoa dentro de um consultório.

Obs: Esse texto foi censurado pelo facebook.

domingo, 16 de junho de 2024

Behaviorismo e controle artificial por tecnologia

É geralmente difundido no imaginário social que o behaviorismo está associado com controle artificial do comportamento por meio de tecnologia (principalmente implantes cerebrais ou outras tecnologias). Esse discurso contribui para a percepção de que a questão dos determinantes do comportamento não está presente de forma abrangente e pervasiva no mundo natural e social (cotidiano). Esse forma de percepção contribui para que convivamos com problemas sem solução ou com "soluções" muito insuficientes, assim como a percepção insuficiente das relações de construção do cotidiano, sua manutenção e suas possibilidades de alteração. O tratamento abstrato dos fatos do ser humano implica em não percepção de eventos materiais que seriam acessíveis e modificáveis para uma vida e sociedade melhores.

quinta-feira, 6 de junho de 2024

Indústria do autismo vs indústria da esquizofrenia

Por que é bom que haja uma indústria do autismo? Caso não houvesse dinheiro circulando no mercado do autismo não haveria pesquisa em quantidade e qualidade para ofertar tratamentos de sucesso nem pessoas dispostas a ofertar os serviços. O tratamento do autismo de acordo com a análise do comportamento aplicada está bem estabelecido como evidência de padrão-ouro e essa qualidade de oferta movimenta dinheiro pela demanda social e disposição a pagar pelo serviço. Se há exageros ou não, o importante é que ainda há crianças com necessidades de aprendizagem e desenvolvimento. Não há mal nisso. Essa circulação toda da economia cria uma identidade positiva para o autismo e espaço na sociedade.

A circulação de dinheiro na esquizofrenia/loucura está em manter a cronicidade através de tratamento farmacológico vitalício e no gerenciamento de crises periódicas através de hospitais psiquiátricos. Houveram propostas interessantes de tratamentos, mas esses precisaram entrar na contramão e na desconstrução de um sistema de atenção altamente lucrativo. Além disso, esse diagnóstico não parece ter um padrão unívoco e homogêneo a partir do qual seria formulado um pacote de tratamento padrão ouro de evidências. Os tratamentos tem suas particularidades e necessidades próprias. Na época da contracultura foi conquistada uma certa identidade positiva para a loucura. Penso que isso também era uma tentativa de criar uma indústria mesmo que alternativa.

O ponto é que não se resolve problemas e demandas sociais sem indústrias. A reforma psiquiátrica também é um mercado e uma indústria. Acontece de o sucesso nos tratamentos criarem indústrias grandes e isso não é uma forma de capitalismo destrutivo nesses casos. Uma indústria de sucesso gera disputas econômicas com outras formas de indústria e não é por uma proposta ter inserção no setor público que esta esteja justificada como a mais desinteressada e benéfica.

[Esse texto foi censurado pelo Facebook]

terça-feira, 4 de junho de 2024

Probabilidade de falso positivo de diagnósticos

Peça para o ChatGPT 4 versão gratuita calcular a probabilidade bayesiana (de Bayes) de falso positivo de um diagnóstico psiquiátrico para a população em um país. O cálculo irá considerar a prevalência do diagnóstico na população definida. A probabilidade de falso positivo calculada resultará alta quanto mais rara for a prevalência. A maioria dos diagnósticos psiquiátricos terá probabilidade alta de falso positivo. A esse valor de probabilidade ainda é possível adicionar a porcentagem de concordância de diagnósticos entre psiquiatras diferentes (confiabilidade), a diferença de formação entre médicos e a subjetividade envolvida na tarefa.

Depois faça o mesmo para calcular a probabilidade bayesiana de falso negativo de um diagnóstico psiquiátrico em uma população definida. O resultado irá ser uma probabilidade muito baixa.

No entanto, esse cálculo é a probabilidade a posteriori (empírico) inicial. Novas evidências são incorporadas em cálculos a posteriori(s). É importante essa distinção para evitar confusão.