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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Um conceito mentalista de normalidade

Um conceito de normalidade do mentalismo é a não-problematicidade da ausência de comportamento operante que seja diferente do repertório estável já estabelecido como confortável. Logo, as inferências de que o comportamento de fala por conteúdo proposicional equivale a normalidade tranquila de mente/cérebro e de que a apresentação de comportamento operante em frequência e diversidade maior é problemático.
Eduardo Popinhak Franco às 2/21/2026 08:32:00 PM Nenhum comentário:
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terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Comportamento conceitual: teoria e prática

Todo comportamento não aleatório, se não agrupar e não diferenciar estímulos de nenhuma forma for possível, é comportamento conceitual no sentido biológico da análise experimental do comportamento. Isso inclui desde o nível mais alto de abstração até o nível mais primitivo. Exemplos são tanto comportamento de domínio epistêmico, ontológico, lógico como protocolos de obtenção de sucesso prático. O teórico perde o status de abstração ao obter sucesso prático e obtém status de realidade prática. Derrogar o teórico-conceitual por preferência pelo operacional faz sentido científico e pragmático. No entanto, conceitos permitem ampliar os limites do possível de ser concretizado em realidade prática.

Eduardo Popinhak Franco às 2/10/2026 07:45:00 PM Nenhum comentário:
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Heteronomia e adaptação social

A heteronomia é uma estratégia de adaptação social que funciona em muitas situações. Pelo menos para seguir o modo de funcionamento social sem atritos. Uma vez que a heteronomia não resolva os desafios, a autonomia exige habilidades de entendimento em grau difícil de efeitos eficazes, implicando em riscos decisórios. Por isso, a autonomia geralmente é restringida ou vista como um problema.

Histórico da discussão:

1) Immanuel Kant: O Que é o Esclarecimento?

https://ppgfil.propesp.ufpa.br/ARQUIVOS/Processo%20Seletivo/2019.2/KANT,%20Immanuel.%20Que%20%C3%A9%20Esclarecimento.pdf

2) Declarações de Thomas Szasz sobre autonomia.

Eduardo Popinhak Franco às 2/10/2026 07:48:00 AM Nenhum comentário:
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domingo, 8 de fevereiro de 2026

Tratamento combinado e validade

O tratamento combinado (psiquiatria e psicoterapia) tem como ponto de partida o uso de variáveis intervenientes entre ambiente e resposta. Uma consequência disso é negar a validade de relações operantes com o mundo que prescinde de variáveis intervenientes para previsão, controle ou justificativa de limitações já que tais variáveis são caracterizadas como ontologicamente fundamentais. Logo, um tratamento eficaz com base em princípios do comportamento operante não terá seus efeitos inequivocamente demonstrados e a percepção será (predição) de que não há mérito de tal tratamento sem as fundamentais variáveis intervenientes. Por isso, o tratamento contínuo e vitalício para problemas caracterizados como crônicos é validado.


Eduardo Popinhak Franco às 2/08/2026 02:15:00 PM Nenhum comentário:
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sábado, 7 de fevereiro de 2026

O que é um "louco"?

Na perspectiva manicomial, o "louco" no sentido depreciativo é a pessoa cujo comportamento operante, cujos determinantes são inteiramente orgânicos e internos e portanto tornam o comportamento inteiramente subordinado causalmente, "cria" problemas pela produção de consequências. O "louco" está fadado a criar problemas devido a suas variáveis constitutivas ou essenciais, as quais são definidas como centrais, e insensível a variáveis determinantes ou relativamente insensível a tais variáveis, as quais são definidas como secundárias. Logo, não há previsibilidade e controlabilidade fundamental possível para o "louco".

Eduardo Popinhak Franco às 2/07/2026 09:22:00 AM Nenhum comentário:
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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Pós-modernidade, tradição e medicalização

https://eduardopopinhakfranco.substack.com/p/pos-modernidade-tradicao-e-medicalizacao


Trabalho feito em 2013 durante a graduação em psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina.

Objetivo: refletir criticamente sobre a adequação de posturas oficialistas, normativas e ortodoxas a respeito de conhecimento, profissão e sociedade como defesa do tradicionalismo e da tradição os quais pressupõem conceitos implícitos da perspectiva histórica moderna. O tradicionalismo e a tradição funcionam como regimes de verdade que legitimam posicionamentos de medicalização e imposição de práticas socioculturais.

A constituição da identidade do sujeito e das subjetividades na pós-modernidade

Para Moreira, Romagnoli & Neves (2007 apud Araújo) a psicologia precisa entender o contexto social e histórico em que o indivíduo se insere para que o psicólogo dê conta das características de seu tempo e da vida cotidiana a qual é o contexto em que os indivíduos sofrem e constroem sua identidade e suas vidas: “o contexto social passou a adentrar os consultórios de forma a convocar os psicólogos a saírem dele, ou seja, para responder às novas formas de subjetivação e de adoecimento psíquico, o psicólogo deveria compreender a realidade local. A Psicologia “tradicional” é “obrigada” a se redesenhar, tornando-se mais crítica e engajada socialmente”.

Segundo Pereira (2013): “A chamada crise de identidade pode ser compreendida num processo mais amplo de deslocamento e mesmo de fragmentação do indivíduo moderno. Os quadros de referência que davam ao indivíduo uma certa sensação de pertinência em um universo centrado, de alguma forma, entram em crise, e passam a se constituir em algo descentrado e fragmentado.”

Conforme Pereira (2013): “A nova concepção do sujeito se caracteriza pelo provisório, variável e problemático, alguém como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente. É uma fantasia, afirma Hall (2003, p.13), considerar a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente.”

Segundo alguns autores a pós-modernidade se caracteriza por instantaneidade, velocidade de informações, liquidez assim como perda da historicidade e falta de profundidade (Bauman 2005 e Jameson,2002 apud Machado e Olekszechen,2013)

De acordo com Machado e Olekszechen (2013): “É de extrema complexidade o entendimento de um contexto que se altera a todo instante, que não é estático e, sendo assim, a experiência de viver e de se relacionar com o outro e com o mundo se apresenta como um desafio constante”.

Para Machado e Olekszechen (2013), a identidade pessoal foi substituída por uma identidade múltipla que se dá por múltiplas identificações e por isso o sujeito se tornou fragmentado e superficial.

Segundo GIDDENS (2002 apud Mocellim) na modernidade a constituição do sujeito é um projeto reflexivo de responsabilidade do indivíduo, cabe ao indivíduo fazer suas escolhas sobre quem deseja tornar-se, o que se identifica e sua inserção em ideologias e grupos sociais. Outra característica do sujeito é construir sua identidade elaborando o passado e vislumbrando um futuro para si. A construção da identidade depende de uma narrativa sobre si a partir da história de vida do sujeito e sua socialização prévia.

Segundo GIDDENS (2002 apud Mocellim) o sujeito se vê deparado com a necessidade de escolher um projeto de vida ou estilo de vida: “(...) nas condições da alta modernidade, não só seguimos estilos de vida, mas num importante sentido somos obrigados a faze-lo – não temos escolha senão escolher. Um estilo de vida pode ser definido como um conjunto mais ou menos integrado de práticas que um indivíduo abraça, não só porque essas práticas preenchem necessidades utilitárias, mas porque forma material a uma narrativa particular da auto-identidade.”

Segundo Giddens (2002 apud Mocellim), os tempos pós-modernos no ocidente não oferecem autoridades definitivas ou quadros de referências estáveis e indubitáveis, as tradições já não são fonte principal de autoridade, as grandes metanarrativas cederam lugar às fragmentações e à multiplicidade. Portanto, nos dias de hoje há um pluralismo de autoridades, oferecendo à dispor do indivíduo diversas escolhas opostas e incompatíveis entre si, tornando a constituição de si e da própria vida um processo mais complexo, incerto, inseguro e múltiplo.

Segundo Araújo o referencial do sujeito e a constituição de sua identidade não é mais a realidade, mas o seu discurso, a sua imagem, a sua virtualidade. Na época atual o psicólogo deve atender às necessidades de sujeitos hiperindividualistas e pragmáticos que usam o consumo como compensação de sua angústia existencial e seu vazio sobre o presente e o futuro.

De acordo com Debord (2006 apud Araújo) na sociedade do espetáculo, a exibição é a razão da existência dos homens. Por conseguinte, para Birman (2003 apud Araújo) atualmente o autocentramento é grande por parte de indivíduos que recorrem à estetização da existência, exaltando o próprio eu e manifestando a hegemonia da aparência e da imagem.

Nos tempos atuais a construção de si, por ser responsabilidade do sujeito, é algo que demanda escolhas pessoais sobre estilos de vida, ideologias, profissões, temáticas como sexualidade e relacionamentos, religiões, gostos, opiniões. Assim sendo, num mundo onde as referências externas e autoridades para a subjetivação não estão dadas e definidas universalmente nem de forma unânime o sujeito pós-modernos depara-se diante de uma série de escolhas sobre quem deseja ser e seus projetos de futuro. Como as incertezas, dúvidas, multiplicidade, fragmentações são evidentes a angústia existencial passa a se exacerbar pois não existem papéis pré-definidos e um mundo rigidamente definido para se inserir.

O sujeito deve inventar a si mesmo e seus modos de existência, sendo um artista de si mesmo, construindo sua individualidade, seu estilo de vida, seus projetos de vida. Mesmo compreender como são ou devem ser as coisas é questão de muita reflexão, opções pessoais e negociações pois vivemos em tempos de pluralidade e maior liberdade de escolha.

Essa responsabilização para construir a própria vida e a si mesmo faz com que as pessoas se sintam sem referências, perdidas no mundo e aos poucos elas devem descobrir suas preferências pessoais ou descobrir que existem muitas diferenças entre grupos e maneiras de pensar e viver e que por isso esse pode avaliar, comparar, refletir, percebendo que uma verdade final e pré-estabelecida não está dada. A verdade passa a ser mesmo questão de gosto ou preferência como indica um dizer presente entre os jovens afirmando entre si que esses não ditam as regras e cada um pensa do jeito que quiser.

Uma das prerrogativas do projeto moderno de racionalização do mundo, do homem e da sociedade é facilitar a vida das pessoas e controlar a natureza para construir a felicidade no planeta terra. A pós-modernidade ou modernidade tardia enfrenta essa crise no projeto moderno em que o ser humano não conseguiu dar conta dos problemas e sofrimentos na condição humana, da eliminação das dores e melhora indefinida nas condições sociais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PEREIRA, Helder Rodrigues. A crise da identidade na cultura pós-moderna. Mental, Barbacena, v. 2, n. 2, jun. 2004 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-44272004000100007&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 15 jun. 2013.

ARAÚJO, Renata Castelo Branco. O sofrimento psíquico na pós-modernidade: uma discussão dos sintomas atuais na clínica psicológica. Monografia. O portal dos psicólogos. Disponível em: <http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/TL0311.pdf> Acesso em: 19 jun 2013.

MACHADO, Letícia Vier; OLEKSZECHEN, Nikolas. Uma discussão sobre a constituição da identidade na pós-modernidade. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=uma%20discuss%C3%A3o%20sobre%20a%20constitui%C3%A7%C3%A3o%20da%20identidade%20%20na%20p%C3%B3s-modernidade&source=web&cd=1&ved=0CCoQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.cesumar.br%2Fcurtas%2Fpsicologia2008%2Ftrabalhos%2FUMA_DISCUSSAO_SOBRE_A_CONSTITUICAO_DA_IDENTIDADE_NA_POS-MODERNIDADE.pdf&ei=vSbCUa-RL8LD4AOkxoH4BA&usg=AFQjCNELEgEsys45lKZkrkNNwtaKwkeF7A&cad=rja>. Acesso em: 19 jun 2013.

Eduardo Popinhak Franco às 2/01/2026 10:22:00 AM Nenhum comentário:
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