Menu

domingo, 29 de março de 2026

Discursos estabelecidos de (i)legitimidade

A estrutura de regras discursivas de críticas à noção (ou fenômeno se preferir) de reforço e condicionamento.

É feita uma equivalência de autonomia com determinação voluntária de condições e comportamento e uma equivalência de "condicionamento" com ter condições e comportamento alienadamente determinados. Uma leitura de legitimidade ideológica ou condições de legitimidade conceitual definem qual fato do comportamento será classificado como equivalente a autonomia ou equivalente a ser determinado. A visibilidade de condições de determinação do comportamento é uma das formas de deslegitimação de fatos do comportamento. O dinheiro é um exemplo estereotipado de conceito social estabelecido de ter comportamento determinado de forma ilegítima.

sexta-feira, 27 de março de 2026

Propriedades disposicionais e virtualidade

Uma vez que se naturalize culturalmente um modelo de explicação, é assumido que é preciso agir de acordo com propriedades disposicionais em termos de eventos potenciais entendidos como problemas possíveis preditos, postular modos contrafactuais de prever fenômenos e rejeição de modos contrafactuais de postulados alternativos de fenômenos. Dito de outro modo, assumir um modelo como explicação ontológica fundamental é produzir virtualidades como realidades construídas uma vez que não haja compromisso ontológico com a verdade do modelo científico, sua adequação empírica e outros valores cognitivos e sociais impregnados no mesmo.

domingo, 22 de março de 2026

A base cultural do tratamento usual em SM

O tratamento usual em saúde mental é constituído, para fins dessa análise, de componentes culturais e técnicos. A discussão técnica  não é resolvida cientificamente apenas, uma vez que há preferências políticas e divergência entre posicionamentos conflitantes e tais fatores levam a um impasse estável a respeito de tratamentos em saúde mental. Já o componente cultural é a base de conceitos, sentimentos e comportamentos distribuídos na cultura como uma compreensão pública e interpretação cultural das questões de saúde mental, comportamento, cérebro e sociedade. Essa base cultural do tratamento usual tem uma qualidade conceitual discutível e possivelmente frágil a partir de uma perspectiva de rigor metodológico de exame conceitual e de práticas de saúde. No entanto, a base cultural do tratamento é bastante arraigada na cultura e na mentalidade social. O fato da base cultural estar arraigada é caracterizado de acordo com condicionantes políticos e socioculturais como uma necessidade natural por um grupo e como práticas historicamente constituídas, logo contingentes, por outro grupo.

terça-feira, 17 de março de 2026

Adesão farmacológica e não farmacológica

A adesão ao tratamento de saúde mental, nesse caso o psiquiátrico, tem dois tipos ou níveis: a) o farmacológico cuja aceitabilidade e exequibilidade é mais simples e acessível, e b) o não farmacológico cuja aceitabilidade e exequibilidade é mais difícil e inacessível. Como as famílias, o usuário e o psiquiatra se relacionam com esses conceitos? Geralmente a adesão farmacológica é entendia como única possibilidade na psiquiatria dado o conceito de correção neurobiológica. Essa configuração de preferência por um tipo mais simples é entendida como padrão de excelência. Uma preferência pela adesão não farmacológica, cuja adesão é mais difícil, sofre com atitudes intransigentes e discriminatórias por implicar em contrafactualidade indesejada dos atores sociais relacionados. A adesão não farmacológica é um campo com necessidade de abertura de possibilidades por produção de conhecimento já que a psiquiatria não deveria ser tratada como um tipo especialmente pessimista de medicina.

segunda-feira, 16 de março de 2026

Desenvolvimento e TDAH

De uma perspectiva de desenvolvimento infantil como aprendizagem por fenômenos do comportamento operante, as dificuldades de adaptação que estão sujeitas a diagnóstico de transtorno por déficit de atenção e hiperatividade estão possivelmente relacionadas com a descontinuidade entre contingências familiares no início da vida antes da escola e o aumento de exigências de estudos e bom comportamento na escola com a progressão dos anos escolares em que a exigência ambiental de agir por obrigação acontece com maior frequência e generalização no ambiente escolar. Uma vez que se tenha o repertório pré-requisito de agir por obrigação em uma etapa anterior à escola, a adaptação escolar com o aumento de exigência de controle de estímulos de agir por obrigação é facilitada e desenvolvida de forma gradual à medida que o sucesso no controle de estímulos de agir por obrigação torna esse tipo de satisfação de contingências de reforçamento um reforço positivo natural. Por outro lado, a frequência alta de diversão e mobilização de emoções estabelecida no repertório de comportamentos é possivelmente incompatível com uma adaptação escolar sem choque de esforço pela ausência de descontinuidade abrupta entre contingências de reforçamento familiares e escolares.

domingo, 15 de março de 2026

Correção neurobiológica e críticas à reforma psiquiátrica

As críticas de que a reforma psiquiátrica é irresponsável, negacionista, anticientífica, criminosa, fundada em conhecimento arcaico, ideológica, expõe a sociedade a riscos e induz omissão de socorro parte do conceito de alta correção neurobiológica de transtornos mentais, principalmente os graves. Mesmo uma problematização científica das possibilidades e limitações do conteúdo empírico, domínio empírico e social do conceito tem alta probabilidade de ser classificado como um desvio científico. Se um usuário de saúde mental demonstra posição crítica desse fundamento da psiquiatria biológica, é apenas um elo inferior das hierarquias no sistema de saúde mental, judiciário, de produção de conhecimento e de produção econômica e de legitimidade/prestígio social.

quinta-feira, 12 de março de 2026

Polilaminina e evidências

As pesquisas sobre polilaminina estão atraindo críticos que partem do modelo de saúde baseada em evidências e de metodologia de estudos clínicos. As críticas tomam o grupo controle como única forma de demonstração de relações inequívocas entre variáveis causais e variáveis de efeito. Esse entendimento sobre ciência e metodologia é superficial pois demonstra um desconhecimento de formas não estatísticas e sem amostragem por grupo de verificação de relações de determinação. Uma pesquisa promissora está sendo praticamente atacada e caracterizada como controversa. Se estendermos esse raciocínio para a avaliação que o modelo de saúde baseada em evidências faz de outras pesquisas, é possível concluir que existe uma área de omissão e detração de conhecimento potencialmente válido e útil com métodos que não estão sob o escopo dos juízes "últimos" de evidências.

segunda-feira, 2 de março de 2026

Correção neurobiológica e adesão medicamentosa

Por que a rejeição momentânea de tratamento farmacológico por pessoas em diagnósticos graves é um risco para a possibilidade de alta?

Como a perspectiva manicomial é baseada em problemas e complicações com fundamento no conceito explicativo de correção neurobiológica, a não adesão momentânea ao tratamento farmacológico em circunstâncias difíceis é suficiente para uma confirmação permanente de expectativa de impossibilidade de alteração de comportamentos com base em ambiente, aprendizagem e sociedade sem uma base de correção neurobiológica. Por isso, caso haja desejo em pleitear uma alta psiquiátrica através de reconhecimento de erro diagnóstico ou através de remissão, as condições ambientais e de aprendizagem teriam que ser próximas de impecáveis na direção de fazer tudo funcionar com sucesso. Isso é altamente improvável. Como o conceito de correção neurobiológica implica em progressão de doença por tempo sem tratamento, a cada ocorrência de recusa de tratamento há uma predição dos responsáveis pelo tratamento psiquiátrico e muitas vezes psicológico de prejuízo ao prognóstico.