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sexta-feira, 26 de abril de 2013

A psiquiatria tem que ser abolida, assim como a escravidão". Entrevista especial com Thomas Szasz

A psiquiatria tem que ser abolida, assim como a escravidão". Entrevista especial com Thomas Szasz

Psiquiatria e Estado precisam ser separados. Além disso, o sujeito deve decidir, ou não, se deve tomar medicamentos psiquiátricos, afirma o professor emérito Universidade do Estado de Nova Iorque.

http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/509220-qapsiquiatriatemqueabolidaassimcomoaescravidaoqentrevistaespecialcomthomasszasz

quinta-feira, 25 de abril de 2013

A fabricação da loucura: contracultura e antipsiquiatria

História, Ciências, Saúde-Manguinhos

Print version ISSN 0104-5970

Hist. cienc. saude-Manguinhos vol.18 no.1 Rio de Janeiro Mar. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0104-59702011000100009 

ANÁLISE

A fabricação da loucura: contracultura e antipsiquiatria

The making of madness: counterculture and anti-psychiatry


William Vaz de Oliveira
Doutorando em História Social pela Universidade Federal Fluminense. Rua Olegário Maciel, 530/1402, 38400-084 - Uberlândia - MG - Brasil, willianvaz@yahoo.com.br



RESUMO
A década de 1950 e sobretudo a de 1960 foram marcadas por constantes revisões dos valores e costumes sociais. Foi nesse contexto que os movimentos de juventude ocuparam a cena, sendo a contracultura o maior deles. Os mantenedores do poder, entretanto, classificaram como loucura os comportamentos e as atitudes de seus adeptos. Contra essa forma de fabricação da loucura surgiu uma corrente de pensamento denominada antipsiquiatria, que questionaria a psiquiatria em seu cerne. Este artigo critica os modelos psiquiátricos daquele momento, estabelecendo relação entre os movimentos de contracultura e de antipsiquiatria.
Palavras-chave: poder; loucura; contracultura; antipsiquiatria.

ABSTRACT
The 1950s and especially the 1960s saw constant revisions of social values and customs, with young people's movements playing a major role, above all the so-called counter-culture. The powers-that-be categorized the behavior and attitudes of the movement's followers as constituting madness. This making of madness gave rise to a stream of thought known as anti-psychiatry, which calls into question the very essence of psychiatry. The present article criticizes the psychiatric models of that era and draws links between counter-culture movements and anti-psychiatry.
Keywords: power; madness; counterculture; anti-psychiatry.



Talvez a característica mais central da liderança autêntica consista na renúncia ao impulso de dominar os outros ... . No hospital de doenças mentais, os corpos são assiduamente cuidados, mas personalidades individuais são assassinadas.
David Cooper

Ao longo de toda a modernidade, o espaço da loucura e dos loucos foi, por excelência, o da exclusão. Considerados inaptos, desrazoados, imorais, indisciplinados ou loucos, desde a fundação do Hospital Geral, em 1652, foram mantidos fora do convívio social. Na passagem do século XIX para o XX, no entanto, as formas de classificação e tratamento dos doentes mentais foram objeto de duras críticas por parte de médicos, psiquiatras, filósofos, historiadores, sociólogos, entre outros profissionais. No período pós-Segunda Guerra Mundial, essas críticas se intensificaram, intimamente relacionadas às questões dos direitos humanos e dos direitos à cidadania.

http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702011000100009

Citação thomas szasz


"If you talk to God, you are praying;
If God talks to you, you have schizophrenia.
If the dead talk to you, you are a spiritualist;
If God talks to you, you are a schizophrenic."
--The Second Sin, by Thomas Szasz, (Anchor/Doubleday,
Garden City, NY. 1973, Page 113.)



"Inasmuch as we have words to describe medicine as a healing art,
but have none to describe it as a method of social control or political rule,
we must first give it a name. I propose that we call it pharmacracy, from the
Greek roots pharmakon, for ‘medicine' or ‘drug,' and kratein, for ‘to rule' or
‘to control.' ... As theocracy is rule by God or priests, and democracy is rule
by the people or the majority, so pharmacracy is rule by medicine or physicians."
--Ceremonial Chemistry: The Ritual Persecution of Drugs, Addicts, and Pushers,
by Thomas Szasz, (Garden City, NY: Doubleday, 1974), p. 139.)



"Although we may not know it, we have, in our day,
witnessed the birth of the Therapeutic State."
--Law, Liberty, and Psychiatry:
An Inquiry Into the Social Uses of Mental Health Practices,

by Thomas Szasz, (New York: Macmillan, 1963, p. 212;
Chapter 18, title: "Toward the Therapeutic State.").