Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

segunda-feira, 4 de agosto de 2014

Indicação de filme: Terapia de risco

Terapia de risco


Side Effects
EUA , 2013 - 106 minutos
Suspense
Direção:
Steven Soderbergh
Roteiro:
Scott Z. Burns
Elenco:
Jude Law, Rooney Mara, Chaning Tatum, Catherine Zeta-Jones, Polly Draper, Vinessa Shaw

Sinopse Emily (Rooney Mara) e Martin (Channing Tatum) formam um bem-sucedido casal de Nova York, cuja a vida social sofre um revés quando ele é preso por revelar informações privilegiadas da companhia onde trabalha. Quando está prestes a sair da cadeia, quatro anos depois, Emily é acometida por uma crise de ansiedade e é tratada pelo psiquiatra Jonathan Banks (Jude Law), sob supervisão da Dra. Victoria (Catherine Zeta-Jones), com um novo medicamento chamado Ablixa. Durante o tratamento, uma morte acontece e a situação si do controle.



Emily Hawkins (Rooney Mara) não responde bem ao retorno de seu marido (Channing Tatum) à sociedade, depois que ele termina de cumprir pena por favorecimento ilícito em um negócio na Bolsa de Valores de Nova York. Deprimida, ela consegue com um psiquiatra (Jude Law) uma receita para testar um novo remédio contra ansiedade. Medicada, Emily sofre os tais efeitos colaterais do título original de Terapia de Risco (Side Effects).
No papel e durante a sua primeira metade, o novo filme do diretor Steven Soderbergh parece misturar elementos dos dois anteriores, Contágio e Magic Mike. O monocromatismo (tirando os tubos laranjas dos remédios tudo no filme são variações de cinza), o linguajar técnico e o estilo seco (poucos tempos mortos, muita coisa filmada só com plano geral->médio->close-up) formam um drama de procedimento parecido com o de Contágio. Já o recorte moral da realidade lembra Magic Mike (e um pouco deTraffic), tendo a atual recessão nos EUA como pano de fundo e com personagens vitimizados pelas opressões do sistema e pelo estado das coisas.
Então a expectativa que Soderbergh e o roteirista Scott Z. Burns (o mesmo de Contágio) criam é muito específica - particularmente quem viu os dois longas anteriores pode achar que dá pra antever todas as viradas de Terapia de Risco em poucos minutos. Como o cineasta já decretou sua aposentadoria, e seus longas recentes automaticamente se tornam uma contagem regressiva, fica fácil ver nesse corpo de filmes um objeto só. Mas daí vem a segunda metade de Terapia de Risco...
As cenas em cartões-postais de uma Nova York moderna - o High Line Park, as portas giratórias do Le Cirque, os janelões do consultório - davam a entender que Emily e seu marido, esse ex-casal-modelo de um sonho americano falido, foram engolidos pelas ilusões das luzes da cidade (a Manhattan vista de longe, do barco, parece maior e mais inacessível). Mas quando vem a virada, fica claro que toda a primeira metade de Terapia de Risco era feita de "arenques vermelhos" (falácias como recurso literário são conhecidas em inglês como red herrings), pistas falsas que sugeriam que as pressões, na história de Emily, vinham de fora para dentro, quando na verdade operam de dentro para fora.
O drama macro, que parecia analítico e distante, dá lugar a um suspense micro, em que os zooms nas janelas (imagens que abrem e encerram o filme) servem de aparadores desse micromundo. Na segunda metade, Soderbergh deixa de filmar tudo sem foco e passa a usar um recurso parecido com o tilt-shift do Instagram: o monocromatismo continua mas objetos e rostos entram em foco em hipercloses, como se passassem a ser reais, palpáveis, dentro da proposta de Terapia de Risco, que não é ser um exercício de observação isento mas sim um filme de plotde fato - mais próximo de um thriller erótico à moda Joe Eszterhas, com seus jogos de poder e inversões do machismo, do que se poderia supor.

O prazer ao fim de Terapia de Risco então é ver que Soderbergh, nesse prometido final de carreira, recusa a grandiloquência de um filme-denúncia - um discurso sobre o estado das coisas que a primeira metade sugeria - e encontra um agradável equilíbrio entre o cinema comercial, de gênero, de seus maiores sucessos de bilheteria, e o cinema de autor dos seus filmes-de-festival. Se ele parar mesmo de filmar, Terapia de Risco servirá como fiel testamento dessa versatilidade, pela qual Soderbergh sempre foi conhecido.

domingo, 3 de agosto de 2014

Recuperação sem Remédios

"Pegue essas Asas Partidas", Documentário sobre Esquizofrenia, Recuperação sem Remédios (Portuguese)


https://www.youtube.com/watch?v=SAaVWb2Xlpc#t=34

Publicado em 08/04/2014
http://www.wildtruth.net/dvdsub/pt ••• "Pegue Essas Asas Partidas" é um documentário de 75 minutos sobre a recuperação da esquizofrenia sem uso de remédios, com Joanne Greenberg (autora do best-seller "Nunca lhe prometi um jardim de rosas") e recuperada há mais de cinquenta anos, e Catherine Penney, recuperada há mais de trinta anos. Entrevistas com Peter Breggin, Robert Whitaker e Bertram Karon. Dirigido por Daniel Mackler.

sexta-feira, 1 de agosto de 2014

Esquizofrenizar é...

pra esquizofrenizar é preciso desumanizar ... não há devir-esquizo sem "o mais severo exercício de despersonalização" (deleuze)

melhor dizendo: esquizofrenizar é náo humanizar : "estar vivo é inumano... sinto que "não humano" é uma grande realidade, e que isso não significa "desumano", pelo contrário: o não humano é o centro irradiante de um amor neutro em ondas hertzianas." (clarice lispector, a paixão segundo gh, p.171)

quinta-feira, 31 de julho de 2014

Livro: A medicina e a realidade brasileira

Livro: A medicina e a realidade brasileira. Autor: Carlos Gentile de Mello. Ano: 1983.


Trechos - A industria farmaceutica (p. 63):

"A importancia da industria farmaceutica na pratica da medicina, no Brasil, como em muitos outros paises do mundo, e muito maior do que pode parecer a primeira vista. Nao apenas atraves da acao especifica dos medicamentos na cura das doencas como, tambem, no comportamentos dos profissionais de saude em relacao a seus pacientes, bem como no emprego dos recursos financeiros que a sociedade destina ao setor".

"Nao se trata de um exagero a afirmacao de que vivemos em um regime de completa anarquia farmaceutica e em um mundo selvagem de medicamentos".

"Um dos maiores e mais conceituados farmacologistas brasileiro e professor da Universidade Federal de Minas Gerais, Jose Elias Murad, certa feita, em 1979, declarou que do total de medicamentos comercializados e consumidos no Brasil, 30% efetivamente beneficiam a saude da populacao; 20%, pelos seus efeitos colaterais, prejudicam mais do que beneficiam; e 50% se destinam, unica e exclusivamente, a produzir lucros financeiros para os seus fabricantes. O professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro, Paulo de Carvalho, confirma, em grande medida, esse ponto de vista dizendo que "cerca de 50% dos remedios existentes a venda no mercado poderiam ser retirados de circulacao sem prejuizo para a pratica medica".

"Falar sobre as industrias farmaceutica e quimica instaladas no Brasil implica na obrigacao de denunciar a acao nefasta das multinacionais que nos envenenam vendendo produtos fraudados, ineficazes e ate proibidos de consumo em seu pais de origem. A AMERJ ja divulgou, amplamente, nada menos de que uma duzia de listas de medicamentos nao-recomendaveis, sem qualquer repercussao na esfera governamental, continuando esses medicamentos a venda no mercado".

"Nao se trata, no caso, de uma questao relacionada a uma conjuntura de ordem social ou politica, eis que o diretor-geral da Organizacao Mundial da Saude, um dinamarques, Halfdan Mahler, confirma a denuncia: "Os produtos que nao atendem as exigencias de qualidade dos paises exportadores sao plenamente aceitos pelos paises subdesenvolvidos, que nao tem condicoes de exigir qualidade, e esta pratica e amplamente difundida entre as industrias farmaceuticas que exportam para os paises subdesenvolvidos".

"O professor da UNICAMP, Geraldo Giovanni, em 1981, denunciou a existencia de "acordos imorais entre medicos e laboratorios, para esses profissionais receitarem, mediante pagamento mensal, especial ou exclusivamente, determinados produtos".

"Os fabricantes de medicamentos conquistam o mercado com a utilizacao das tecnicas das mais tradicionais aos metodos mais modernos. Oferecem financiamentos e custeiam congressos, seminarios, simposios, reunioes, jornadas medicas, de enfermagem, de odontologia, de farmaceuticos. Produzem, editam e fornecem literatura, nacional e estrangeira demonstrando as vantagens e inocuidade dos novos medicamentos. Publicam livros escritos pelos medicos e custeiam revistas de medicina, farmacia, odontologia e enfermagem. Distribuem brindes e amostras gratis. Organizam concursos e instituem premios em que os participantes, julgadores e laureados sao medicos".

"O representante da Fundacao Kellogg na America Latina, Mario M. Chaves, no seu mais recente livro, encara o problema com visao abrangente quando explicita que "A sociedade moderna e uma sociedade medicalizada. Tem fe cega na ciencia e na tecnologia. O melhor tratamento e aquele que envolve a tecnologia mais complexa, o medicamento mais caro que chegou por ultimo as prateleiras da farmacia. Do mesmo modo que os figurinistas devem produzir novos modelos a cada mudança de estacao, tambem se espera que os grandes laboratorios farmaceuticos lançam, periodicamente, sua nova linha de produtos. Corre a voz rapidamente, e se o medico nao receitar produtos da nova linha corre o risco de parecer desatualizado".

"A irracionalidade do emprego de medicamentos, no nosso meio, constitui a regra".

"A solucao definitiva do problema da indústria farmacêutica no Brasil, que tanto compromete e desgasta o setor saúde, consiste na criação de uma Indústria Química de Base".



terça-feira, 29 de julho de 2014

Neurophenomenology in Psychiatry


Critical Neuroscience #8 Neurophenomenology in Psychiatry


https://www.youtube.com/watch?v=PsubfDIKgUw

Dr. Laurence Kirmayer speaks on phenomenology and the ways in which it has mutated in a North American context. How are people framing the nature of their mental illness? How can we think of embodied experience (such as sleep paralysis) through metaphor as a bridge between neurology and a cultural point of view? Part of the Summer Programme in Social and Cultural Psychiatry from the Division of Social and Transcultural Psychiatry at McGill University.

Critical Neuroscience

Critical Neuroscience #2 An overview


https://www.youtube.com/watch?v=MKTeELTa2EU

Dr. Laurence Kirmayer gives an overview on the field of Critical Neuroscience, covering varieties of critical neuroscience, cultural constructions of the brain, the social brain, cultural neuroscience and neurodiversity. Part of the Critical Neuroscience course at McGill University.

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Por que psiquiatras não admitem erros?

"Aqueles que pensam ter sozinhos os dons da inteligência e da palavra, e um espírito superior, quando os vemos de perto mostram-se inteiramente vazios! Mesmo que nos tenhamos por muitos sábios, é sempre proveitoso aprender ainda mais, e não teimar em juízos errôneos"

(Sófocles: Antígona)

terça-feira, 15 de julho de 2014

Efeito da Medicação Neuroléptica Socian (100mg) na Variabilidade da Frequência Cardíaca

Efeito da Medicação Neuroléptica Socian (100mg) na Variabilidade da Frequência Cardíaca

Eduardo Popinhak Franco

Resumo

A variabilidade da frequência cardíaca é um indicador de saúde do sistema vago, de saúde mental e resiliência. Efeito da Medicação Neuroléptica Socian (100mg) na Variabilidade da Frequência Cardíaca. A metabolização do neuroléptico Socian reduziu a variabilidade da frequência cardíaca. Confirmando os relatos de experiência subjetiva negativa relacionada ao uso de neuroléptico. A qualidade da experiência subjetiva é um aspecto que deve ser considerado ao avaliar a efetividade de um medicamento psicoativo.

1. Introdução

A partir de pesquisas que indicam o prejuízo da medicação antipsicótica à reabilitação de pacientes diagnosticados com esquizofrenia, psicose e diagnósticos semelhantes julga-se necessário avaliar formas de demonstrar esses efeitos e encontrar meios de retirada de medicação eficazes. Um desses meios é o uso da técnica de treinamento por biofeedback. Com o controle da fisiologia do sistema nervoso autônomo simpático e parassimpático viabilizado pelo biofeedback cardiovascular é possível reduzir sintomas incômodos sem que haja o prejuízo que a medicação antipsicótica produz.

2. Justificativa

É preciso buscar avaliar a eficácia dos tratamentos farmacológicos nas variáveis psicofisiológicas da neurociência. Dessa forma, as decisões e os tratamentos podem ser individualizados pelo psicólogo por meio do biobeedback cardiovascular. Por existirem outras possibilidades de intervenção além do medicamento farmacológico a efetividade de cada tipo de tratamento pode ser verificada por meio da monitoração da psicofisiologia do Sistema Nervoso Autônomo.
O tratamento de pacientes psicóticos/esquizofrênicos por meio de biofeedback contribuiria bastante para redução de custos do tratamento e das perdas sociais relacionadas às doenças mentais. Assim como seria possível comprovar o efeito do medicamento em cada paciente e julgar a necessidade de mantê-lo ou retirá-lo.
A saúde pública e o tratamento dos transtornos mentais ganharia muito em efetividade se fosse ampliado o alcance e conhecimento desse tipo de tratamento e monitoração.

3. Objetivo geral:

Verificar o efeito da medicação antipsicótica na ativação autonômica (SNC) através do biofeedback cardiovascular mais especificamente a Variabilidade da Frequência Cardíaca.

3.1. Objetivos específicos:

- Medir o valor de VFC (Variabilidade da Frequência Cardíaca) antes e depois da ingestão de 100mg do neuroléptico Amissulprida no período de 24 horas.
- Medir o valor de VFC relativo ao metabolismo nos períodos da manhã, tarde e noite.
- Medir o efeito da metabolização do medicamento no primeiro pico de 1 hora após a ingestão.

4. Revisão de Literatura

Segundo Seigman, Pepple, Faraone, Kremen, Green, Brown, Tsuang (1993): “a melhora de sintomas negativos como um resultado da redução de neurolépticos provê algum apoio ao argumento de que disfunções lobo frontrais podem ser, em parte, um efeito iatrogênico das medicações antipsicóticas”.
Medalia, Gold, Merrian (1988) afirmam que:

Essa interpretação da literatura apoia a hipótese de Goldberg (1985) de que há efeitos iatrogênicos frontais dos neurolépticos com base no bloqueio dopaminérgico nas projeções mesocorticais, uma vez que o prejuízo cognitivos pode também derivar de disfunção no lobo frontal independente de medicação, a contribuição relativa à disfunção lobo frontal integral e parcial na esquizofrenia necessita ser delineada.
De acordo com Seigman, Pepple, Faraone, Kremen, Green, Brown, Tsuang (1993):

uma abordagem potenciamente útil seria uma tentativa de encontrar a menor dose de manutenção que o paciente poderia tolerar sem recaída. (Marder et al 1987). Porque existem alguns dados sugerindo que neurolépticos prejudicam aprendizado humano por incentivo, Cutmore and Beninger (1990) sugerem que doses mais baixas de neurolépticos podem permitir que aconteça maior aprendizagem por incentivo (ex: rehabilitação social).

Conforme Medalia, Gold, Merrian (1988):

Os achados dessa revisão argumentam contra noções de que uma desordem de excitação fisiológica é central na esquizofrenia. De acordo com essa teoria, superexcitação fisiológica é a deficiência central e os antipsicóticos agem de forma a reduzir a atividade autonômica centralmente mediada, com o resultado de que o funcionamento da atenção melhora. Apesar disso, nossa síntese dos resultados nessa área não indica que o funcionamento da atenção melhora. Há evidência fortes de que o prejuízo da atenção existe e pode ser um traço da esquizofrenia que pode ser exacerbado durante estados psicóticos. Apesar disso, as medicações não parecem afetar a atenção mesmo quando estudos de eficácia clinica indicam que melhoram a sintomatologia psicótica

Segundo Medalia, Gold, Merrian (1988) com o uso de neurolépticos a memória, coordenação motora fina e habilidade de planejamento são negativamente afetadas frequentemente.

Segundo Medalia, Gold, Merrian (1988) anos de documentação clinica e pesquisas indicam que a esquizofrenia é caracterizada por sintomas psicóticos e prejuízo de habilidades cognitivas básicas.

Conforme Kaplan, Kotler, Cohen, Loewenthal (1999): “Nossos estudos preliminares mostraram que pacientes esquizofrênicos tratados com Clozapina tiveram um valor menor significativo de HF e valor maior de LF em comparação com pacientes tratados com Haloperidol”.

De acordo com Yeragani, 1995; Korpelainen et al., 1996; Haapaniemi et al., 2001; Ansakorpi et al., 2002 (apud Jh, Sh, Cs, Sa, Sc, Ky, Ym, Ug, Ys, 2004): “Recentemente, tem sido demonstrado que as medidas de VFC, que são conhecidas por ter significância diagnóstica e prognóstica na cardiopatia, estão significativamente diminuídas em várias doenças não-cardíacas incluindo transtornos psiquiátricos”.
Para Agelink et al., 2001; Eschweiler et al., 2002: “Também foi relatado que sujeitos esquizofrênicos tratados com drogas antipsicóticas, particularmente clozapina, apresentam os parâmetros de VFC reduzidos (apud Jh, Sh, Cs, Sa, Sc, Ky, Ym, Ug, Ys, 2004). Para Eschweiler et al., (2002) (apud Jh, Sh, Cs, Sa, Sc, Ky, Ym, Ug, Ys, 2004). “Esses resultados foram interpretados principalmente como sendo uma consequência dos efeitos do medicamento, como os efeitos colinérgicos da clozapina”. De acordo com Zahn, 1977; Malaspina et al. (2002) (apud Jh, Sh, Cs, Sa, Sc, Ky, Ym, Ug, Ys, 2004) “Além disso, há um número de relatórios mostrando disfunção autonômica em pacientes esquizofrênicos que nunca foram medicados”.

Uma relação entre modulação cardiovagal e estado psicótico em pacientes com esquizofrenia paranóide. Nossos dados fornecem evidências para uma modulação cardiovagal reduzida em pacientes esquizofrênicos não medicados que podem ser mostrados pelo uso de registros de VFC rotineiros. Nós também encontramos que pacientes apresentando sintomas psicóticos mais intensos segundo o escore total de BPRS exibem mais distúrbios autonômico cardíacos severos em comparação com controles como indicado por uma redução no poder de HF e uma proporção aumentada de LF/HF, refletindo uma mudança na regulação autonômica cardíaca distante de uma modulação predominantemente parassimpática. Para Pagani et al. (1986) apud Jh, Sh, Cs, Sa, Sc, Ky, Ym, Ug, Ys (2004) poder de baixa frequência, principalmente refletindo modulação simpática, não foi diferente dos controles. Isso implica uma influência indubitável da árvore simpática na regulação cardíaca na esquizofrenia.


5. Metodologia

Pesquisa descritiva quantitativa.

Instrumentos de coleta de dados: cinta de monitoramento cardíaco, os programas biomind e kubios.

Amostra: 1 usuário do antipsicótico Amissulprida.

Procedimento: 1) medição dos batimentos cardíacos uma hora antes de ingerir medicamento neuroléptico. 2) Medição dos batimentos cardíacos uma hora após ingestão de neuroléptico. 3) Medição dos batimentos cardíacos durante os período da manhã, tarde e noite no dia seguinte.

Resultados e Discussão



RMSSD D2 LF/HF
1. Antes (21:05) 26192 -1,3998 1,9622
2. Antes 2 (21:41) 35644 -1,3998 2,5467
3. Antes (22:20) 25566 1,3998 0,99539
4. Depois (22:45) 18936 -6,9992 2,8005


5. Depois (23:27) 19297 -6,9992 1,8510
6. Depois (12:33) 10256 6,9992 7,2563
7. Depois (13:34) 15420 6,9992 4,2441
8. Depois (17:30) 34340 6,9992 1,1651
9. Depois (18:15) 24570 6,9992 5,7755
10. Depois (22:14) 29611 6,9992 1,8789
11. Depois (23:09) 31059 6,9992 2,7340

Tabela 1.


O parâmetro RMSDD indica o grau de Variabilidade da Frequência Cardíaca no sentido de valor crescentes. O parâmetro D2 indica a resiliência do Sistema Nervoso Autônomo e do sistema vagal ou a capacidade de se adaptar a novas situações. O parâmetro LF/HF indica uma predominância de ativação simpática versus uma predominância de ativação parassimpática se os valores forem maior que 1 e menor que 1 respectivamente.
A tabela indica os horários antes da ingestão da medicação e depois da ingestão da medicação e os horários dos períodos da manhã, tarde e noite. Tanto o metabolismo quanto o efeito do medicamento neuroléptico precisam ser avaliados à medida que 24 horas se passaram.
A metabolização do medicamento Amissulprida tem o primeiro pico uma hora depois da ingestão e o segundo pico de 3 a 4 horas depois da ingestão. As medições procuraram ser feitas em cada etapa dentro de uma hora.
Os valores de RMSDD diminuíram após a ingestão da medicação indicando uma redução na Variabilidade da Frequência Cardíaca. Os valores de RMSDD aumentaram na medida em que o horário se aproximava da noite indicando um metabolismo que facilita as atividades durante a noite.
Os valores de LF/HF estão quase todos acima de 1 indicando uma predominância simpática na ativação do sistema nervoso autônomo. Apenas no momento pouco antes de ingestão da medicação houve um valor abaixo de 1 ou praticamente equivalente a 1.
Os valores negativos de D2 após a ingestão da medicação indicariam que a metabolização do medicamento neuroléptico estaria reduzindo a resiliência do sistema nervoso autônomo e do sistema vagal. Os valores de D2 permaneceram constantes e positivos ao longo do dia seguinte.

Conclusão

A metabolização do medicamento neuroléptico reduz a Variabilidade da Frequência Cardíaca, reduz a resiliência do Sistema Nervoso Autônomo indicando também que contribui para o valor de ativação simpática predominante registrado.
Esse trabalho comprovou os artigos que indicam efeito iatrogênico do medicamento neuroléptico e tendo como consequência o prejuízo da saúde mental.


7. Referências

Medalia, A., Gold, J., & Merriam A. (1988). The Effects of Neuroleptics on Neuropsychological Test Results of Schizophrenics. Journal of Clinical Neuropsychology, 3, 249-271.

Seidman LJ, Pepple JR, Faraone SV, Kremen WS, Green AI, Brown WA, Tsuang MT. Neuropsychological performance in chronic schizophrenia in response to neuroleptic dose reduction. Biol Psychiatry. 1993 Apr 15-May 1; 33(8-9):575-84.

Kim JH, Yi SH, Yoo CS, Yang SA, Yoon SC, Lee KY, Ahn YM, Kang UG, Kim YS. Heart rate dynamics and their relationship to psychotic symptom severity in clozapine-treated schizophrenic subjects. Prog Neuropsychopharmacol Biol Psychiatry. 2004 Mar;28(2):371-8.

U. Loewenthal, H. Cohen, Z. Kaplan, M. Kotler. Abnormal heart rate variability in clozapine treated patients. European Neuropsychopharmacology. 01/1999; 9:256-256.

domingo, 6 de julho de 2014

Cómo suenan las alucinaciones auditivas de las personas que sufren esquizofrenia


http://tecnoculto.com/2012/12/21/cmo-suenan-las-alucinaciones-auditivas-de-las-personas-que-sufren-esquizofrenia/


¿Cómo suenan las alucinaciones auditivas de las personas que sufren esquizofrenia?

by ANDRÉS BORBÓN on 21 DECEMBER, 2012
Uno de los síntomas más prominentes de la esquizofrenia son las alucinaciones auditivas que, aunque se pueden presentar en otros tipos de psicosis, suelen ser un signo predominante y la fuente del comportamiento errático que tienen estos pacientes.
En el presente video, un grupo de personas en contacto directo con gran cantidad de pacientes con esquizofrenia decidió, con la colaboración de estos, tratar de reproducir la manera en que se escuchan las alucinaciones auditivas en esta enfermedad, donde muchas veces las voces ordenan, se burlan, ofenden o amenazan al paciente.
El resultado de este trabajo es el video que acompaña a estas líneas y que puede darnos una idea bastante cercana a la realidad del mundo en el que vive el esquizofrénico y por qué es tan importante el tratamiento.

LER POESIA É MAIS ÚTIL PARA O CÉREBRO QUE LIVROS DE AUTOAJUDA


http://lounge.obviousmag.org/cafe_nao_te_deixa_mais_cult/2014/01/ler-poesia-e-mais-util-para-o-cerebro-que-livros-de-autoajuda-dizem-cientistas.html


LER POESIA É MAIS ÚTIL PARA O CÉREBRO QUE LIVROS DE AUTOAJUDA, DIZEM CIENTISTAS

publicado em literatura por Marcelo Vinicius

Você já podia imaginar, mas agora está evidenciado cientificamente: ler poesia pode ser mais eficaz em tratamentos psicológicos do que livros de autoajuda. E mais: textos de escritores clássicos como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, mesmo quando de difícil compreensão, estimulam a atividade cerebral de modo muito mais profundo e duradouro do que textos mais simples e coloquiais.

Um texto já publicado pela agência EFE, mas que poderia ser revisto, afinal estamos comentando sobre a velha história da análise crítica sobre Literatura tida como de qualidade e a Literatura tida como de entretenimento, e mais, auto-ajuda: a leitura de obras clássicas estimula a atividade cerebral e ainda pode ajudar pessoas com problemas emocionais, diz estudo.
Ler autores clássicos, como Shakespeare, Fernando Pessoa, William Wordsworth e T.S. Eliot, estimula a mente e a poesia pode ser mais eficaz em tratamentos do que os livros de autoajuda, segundo um estudo da Universidade de Liverpool.
Especialistas em ciência, psicologia e literatura inglesa da universidade monitoraram a atividade cerebral de 30 voluntários que leram primeiro trechos de textos clássicos e depois essas mesmas passagens traduzidas para a "linguagem coloquial".
Os resultados da pesquisa, antecipados pelo jornal britânico "Daily Telegraph", mostram que a atividade do cérebro "dispara" quando o leitor encontra palavras incomuns ou frases com uma estrutura semântica complexa, mas não reage quando esse mesmo conteúdo se expressa com fórmulas de uso cotidiano.
Esses estímulos se mantêm durante um tempo, potencializando a atenção do indivíduo, segundo o estudo, que utilizou textos de autores ingleses como Henry Vaughan, John Donne, Elizabeth Barrett 

Os especialistas descobriram que a poesia "é mais útil que os livros de autoajuda", já que afeta o lado direito do cérebro, onde são armazenadas as lembranças autobiográficas, e ajuda a refletir sobre eles e entendê-los desde outra perspectiva.
"A poesia não é só uma questão de estilo. A descrição profunda de experiências acrescenta elementos emocionais e biográficos ao conhecimento cognitivo que já possuímos de nossas lembranças", explica o professor David, encarregado de apresentar o estudo.
Após o descobrimento, os especialistas buscam agora compreender como afetaram a atividade cerebral as contínuas revisões de alguns clássicos da literatura para adaptá-los à linguagem atual, caso das obras de Charles Dickens.


© obvious: http://lounge.obviousmag.org/cafe_nao_te_deixa_mais_cult/2014/01/ler-poesia-e-mais-util-para-o-cerebro-que-livros-de-autoajuda-dizem-cientistas.html#ixzz36jq0UsRz
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domingo, 29 de junho de 2014

Suicídios dos índios


Bob Fernandes/ 863 índios se suicidam... e quase ninguém viu




Minha professora de antropologia disse que os índios se suicidavam pois não tinham mais formação para viver na própria sociedade quando iam se educar fora da aldeia.

Embora não seja óbvio para nossa sociedade a mesma causa de suicídios e doença mental é o principal: despreparação para viver bem em sociedade.


sexta-feira, 27 de junho de 2014

Trecho predileto (Open Dialogue)

Mnhas frases prediletas do documentário open dialogue: "se você não for honesto não vai curar ninguém." 

"é preciso ser honesto"

"ele não estava preocupado em considerarem o tratamento dele negativo. Ele disse que podia haver dialogo aberto sobre tudo. Ele é corajoso!"


OPEN DIALOGUE (melhor tratamento de psicose do mundo na finlandia)

OPEN DIALOGUE: an alternative Finnish approach to healing psychosis (COMPLETE FILM)


https://www.youtube.com/watch?v=HDVhZHJagfQ

OPEN DIALOGUE: 74-minute documentary film on the Western Lapland Open Dialogue Project, the program presently getting the best results in the developed world for first-break psychosis -- approximately 85% full recovery, a far majority off antipsychotic medication.

For more info, and DVDs for purchase:http://wildtruth.net/dvd/opendialogue/

Filmed in Finland. Directed by Daniel Mackler.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

O caso de Lucia Joyce (Filha de James Joyce)

http://wapol.org/ornicar/articles/lsr0076.htm

O caso de Lucia Joyce (Filha de James Joyce)

E com surpresa e mesmo um certo espanto que os meios literarios acolhem
a associacao entre Joyce e loucura.

Sabe-se, sem duvida, da marca - tambem ressaltada e comentada por Lacan
no Seminario 23 - que o desencadeamento da psicose de Lucia, filha de
Joyce, deixou tanto em sua vida quanto em sua obra. Joyce chegou
inclusive a se desdobrar para cuidar, ele mesmo, de sua filha e, entre
as varias e perturbadoras dificuldades que atravessaram sua vida, a
psicose dela foi a unica que o impediu por algum tempo de dar
continuidade ao trabalho que ele estava entao realizando ("Finnegans
Wake"). Por outro lado, esse ultimo livro de Joyce incorpora - mas
sempre transformando - uma serie de marcas relativas as situacoes
vividas durante as primeiras crises de Lucia.

Muitas vezes contra a vontade dele proprio, Joyce levou a filha a varios
medicos e relutava em concordar com os diagnosticos e mesmo com os
tratamentos que propunham para ela. Quando o agravamento progressivo e
intenso de Lucia o obrigou a acatar de vez sua internacao em clinicas
psiquiatricas, me parece que Joyce cedeu para proteger Lucia dela mesma
e nao porque concordasse integralmente com esse encaminhamento (5). Em
algumas ocasioes, Joyce chegou a acreditar e defender que Lucia tinha
poder de clarividencia que ele, inclusive, reconhecia tambem em si
proprio (6). Numa outra situacao, quando o tratamento de Lucia estava
sob a cargo de Jung, este tentou argumentar que havia "elementos
esquizoides" nos poemas que ela escrevia. Joyce, no entanto, via uma
proximidade entre os escritos da filha e o que ele fazia - tratava-se da
antecipacao de uma "nova literatura... nao compreendida, ainda (7)".

Por sua vez, Jung defendia que, embora fossem notaveis alguns dos
neologismos e aglutinacoes de palavras criados por Lucia, ela -
diferente do que acontecia com Joyce - o fazia aleatoriamente, sem
qualquer controle (8). Mais tarde, Jung explica a relutancia de Joyce em
aceitar a esquizofrenia da filha como uma dificuldade de ele se
confrontar com sua propria "psicose latente" - "seu estilo 'psicologico'
e sem duvida esquizofrenico", mas com "a diferenca de que o paciente
comum nao pode se abster de falar e de pensar desse modo enquanto Joyce
queria isso e, alem do mais, desenvolveu isso com todas as sua forcas
criativas, o que incidentalmente explica por que ele proprio nao foi
alem da borda (9)".

Algumas breves indicacoes que encontramos na exaustiva biografia que
Ellmann consagrou a Joyce poderiam referendar o diagnostico junguiano de
uma "psicose latente": faz-se uma rapida alusao a algumas alucinacoes
auditivas que teriam perturbado Joyce quando o estado de Lucia se
agravou, mas tambem somos informados de que ele havia ficado seis ou
sete noites sem conseguir dormir - um medico atestou seu estado como
nervosismo e o orientou a voltar a se dedicar a seu livro (10). Outras
referencias - bem mais discutiveis - seriam o que o proprio Ellmann
chama de "tendencia para o litigio" (que poderia evocar a querulancia
presente em alguns delirios de perseguicao (11)) e os curtos episodios
depressivos, vividos por Joyce sobretudo por ocasiao da ameacas de
censura e de nao publicacao da sua obra ou mesmo devido a ma acolhida
que "Working in progress" e, depois, o proprio "Finnegans Wake"
receberam da parte de amigos que antes exaltavam as mudanças e rupturas
que sua escritura imprimia na literatura.

No entanto, quando Lacan nos autoriza a pensar que
a loucura inspira a obra joyceana, isso nao que dizer necessariamente
que Joyce tenha, como avaliou Jung, uma "psicose latente" que não se
manifesta gracas a sua obra e a seu genio. 

Filha de James Joyce foi musa de "Finnegan's Wake"


http://www1.folha.uol.com.br/folha/ilustrada/ult90u69761.shtml

Filha de James Joyce foi musa de "Finnegan's Wake"

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da Ansa, em Londres

Uma musa mentalmente perturbada, Lucia, filha de James Joyce, foi a inspiração para a protagonista feminina, Anna Livia Plurabelle, de "Finnegan's Wake" (1939), o romance mais obscuro do grande escritor irlandês, segundo uma especialista na sua obra, a professora da universidade norte-americana de Stanford, Carol Schloss. 

A pesquisadora agora terá a chance de provar sua teoria graças a um acordo com os herdeiros de Joyce, que aprovaram a citação em sua tese de passagens do romance "Finnegans's Wake" e trechos das cartas entre James e Lucia Joyce, as quais, para Schloss, provariam que a menina, que sofria de problemas mentais, foi a fonte de inspiração para o autor. O material, segundo o acordo, estará disponível apenas nos Estados Unidos.

Scholls havia pedido há 16 anos para utilizar os trechos na fundamentação de sua tese, segundo a qual Lucia --que nasceu em Trieste (Itália) em 1907 e morreu em um manicômio, onde foi reclusa aos 28 anos (1982)-- foi a musa criativa do complicado texto escrito em "fluxo de consciência".

Diante da negativa da família Joyce e de ameaças de processo, Schloss foi obrigada a publicar o volume "Lucia Joyce: To Dance in The Wake" (2003) sem os trechos. A pesquisadora afirma que ao ler as cartas entre pai e filha --e algumas anotações de Joyce, que falam sobre Lucia--, o texto de "Finnegan's Wake" fica muito mais claro. Schloss acredita que a obra seja "um retrato em código de uma verdadeira família" (a de Joyce).

Quando seu ensaio foi destruído pela crítica devido à falta de provas documentais, Schloss denunciou o sobrinho de Joyce, Stephen James Joyce, e o responsável pela fundação que detém os direitos, Sean Sweeney, acusando-os de terem destruído documentos e intimidado os pesquisadores. Agora, sob o novo acordo, a pesquisadora parece agradar a todos, e, espera-se, esclarecerá a obscura obra-prima de Joyce.

Lucia Joyce


http://noticiasdehontem.net/materias/anoIV/XXIV/lucia_joyce.html

Lucia Joyce

Elísio Augusto de Medeiros e Silva

Empresário, Escritor, Presidente da Fundação Amigos da Ribeira
elisio@mercomix.com.br



Em 1933, quando a obra Ulisses do escritor James Joyce foi absolvida das acusações de obscenidade nos Estados Unidos, o telefone da casa do escritor não parava de tocar, com as ligações de congratulações. A sua filha, Lucia Joyce, berrava histérica ao telefone: “C’est moi qui est l’artiste!” (Eu sou o artista!), até o momento em que perdeu a cabeça e cortou o fio do aparelho. Depois, quando a linha foi restabelecida novamente, as chamadas constantes a enfureceram e, então, mais uma vez, o fio foi cortado por ela.
Mesmo vivendo à sombra do seu pai, Lucia sentia uma necessidade de ser enxergada como artista. Ela foi uma aluna de dança habilidosa, até sua instabilidade mental a fazer abandonar o balé.
Joyce estimulou a filha a criar um conjunto de lettrines, desenhos de letras adornadas, que seriam usados como ilustrações, pois seria uma forma de terapia para as fobias de Lucia.
Para muitas pessoas, Lucia Joyce parecia frequentemente estar alheia a tudo, e uma médica após vê-la em certa ocasião comentou: “Se eu fosse a mãe da filha de James Joyce e a visse olhando fixo dessa maneira para o ar, ficaria muito preocupada”.
Contudo, sua mãe Nora Barnacle, no início, estava mais interessada em achar um rapaz adequado para a filha. Porém, com o passar do tempo e evolução da doença, começou a temer o pior.
Lucia era bem bonita, mas não se achava atraente e constrangia-se com uma pequena cicatriz no queixo; além do estrabismo em um dos olhos, que o mantinha ligeiramente mais fechado.
Certa ocasião, quando comemoravam o aniversário de Joyce, Lucia ficou descontrolada e jogou uma cadeira na mãe, que, por pouco, não foi atingida gravemente.
Ela tinha convicção de que sua mãe era a responsável pelo término de seu namoro com Samuel Beckett, quando, na verdade, o namoro nunca acontecera e o interesse havia sido apenas por parte de Lucia, fruto da sua imaginação.
O comportamento desequilibrado e a persistente melancolia de Lucia eram tão evidentes que interná-la parecia ser a única solução possível, o que Joyce não aceitava de jeito nenhum. Ele acataria qualquer sugestão que lhe fosse dada – inclusive, ingestão de água do mar – tudo, menos a internação da filha. Eles eram profundamente ligados.
Quando Lucia completou 25 anos de idade recebeu uma série de injeções destinadas a curar sua apatia. Em 1935, seu pai a enviou a Londres para um tratamento glandular com soro bovino – mas, sem efeito.
Os indícios da doença mental de Lucia tornaram-se claros para todo mundo, exceto para Joyce, que admitia sua filha estar deprimida e sujeita a esporádicos ataques de histeria, mas, insana, nunca!
O escritor Thomas Wolfe em uma viagem de ônibus para a Bélgica observou a família Joyce e teceu o seguinte comentário sobre Lucia: “A menina era bem bonita. Achei, de início, que era uma garota americana afetada”.
No período da adolescência, os seus acessos poderiam, assim Joyce considerava, ser ataques de fúria adolescente, provocados pelo despertar da consciência sexual. Mas, e depois da faixa dos vinte anos, quando os ataques aumentaram? Joyce justificava o padrão inquieto como comportamento da natureza feminina.
Certa vez, Joyce comentou com amigos que acreditava que a conduta estranha da filha poderia ser decorrente de uma infecção dentária. Para ele, qualquer desculpa servia!
Fora os médicos suíços que trataram e realizaram cirurgias em seus olhos, Joyce desconfiava da profissão médica e desdenhava particularmente da psicanálise.
Em julho de 1933, o professor Hans Maier diagnosticou Lucia Joyce como esquizofrênica (psicose hebefrênica com um prognóstico grave) e aconselhou à família que ela fosse entregue aos cuidados do Dr. Oscar Forel, na clínica Les Rives de Prangins em Nyon, na Suíça, local onde três anos antes havia sido internada Zelda Fitzgerald, praticamente com o mesmo diagnóstico.
Porém, Joyce preferiu tratar Lucia em casa e, em certa ocasião, deu-lhe quatro mil francos para comprar um casaco de peles. “Acho que isso fará mais bem ao seu complexo de inferioridade do que a ida a um psicanalista”, ele confidenciou à esposa.
O tradutor de Ulisses para o italiano, Nino Frank, escreveu: “Certa manhã, por volta de 1933, no Champs-Elysées, esbarrei com Lucia. Nunca a tinha visto tão bonita, tão alegre, tão estranhamente tranquila, e observei-a afastar-se com passos ágeis, incrivelmente leves”.
Porém, logo depois, Frank ficou sabendo pelo próprio Joyce que Lucia estava no sanatório – no dia em que a avistara tão bem, deveria estar no limiar da loucura.
Apesar dos inúmeros esforços e tentativas contrárias do seu pai, Lucia Joyce terminou os seus dias internada em uma casa de doentes mentais, onde recebeu a visita dele várias vezes. No entanto, Nora nunca mais a veria!
Lucia faleceu em 12 de dezembro de 1982, aos 75 anos de idade.