No senso comum ocorre uma divisão entre produtos de saúde benignos (medicamentos, suplementos e produtos naturais) e produtos malignos (qualquer coisa que recebe o rótulo de "fazer mal"). A classificação de produtos dessa forma induz a uma quase santificação ingênua dos produtos classificados como benignos e negligência do potencial de risco e de danos de fato e uma atitude de eliminação dos produtos classificados como malignos. A percepção do potencial de risco do efeito cumulativo e atrasado dos produtos de saúde classificados como benignos necessita de uma compreensão maior de seus efeitos. Por isso, o uso racional desses produtos (redução de uso desnecessário ou prejudicial) não é levado adiante. Esses produtos de consumo recebem a aura de salvadores da saúde, dos problemas e desafios. Essa compreensão é estimulada comercialmente, há omissão de informações educativas de efeitos de forma equilibrada e a apresentação dessas informações educativas frequentemente é rechaçada como se fosse equivalente a atacar alguém de prestígio (um salvador, um herói).
Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Aviso!
quinta-feira, 10 de abril de 2025
Produtos de saúde benignos e produtos malignos
terça-feira, 11 de fevereiro de 2025
Economia nos EUA na era hippie
Nos anos 60 e 70 nos Estados Unidos, época do movimento hippie ou desbunde, o retorno em termos de renda para educação formal adicional não tinha um diferencial de resultados. Essa tendência econômica de larga escala poderia ser uma parte da explicação pela qual as pessoas não se interessavam pela educação formal e adotaram tais comportamentos.
terça-feira, 5 de novembro de 2024
Liberdade, determinantes e reforma psiquiátrica
A questão da dificuldade de apoio público aos equipamentos de álcool e drogas da reforma psiquiátrica está relacionado com a simplicidade que envolve o modelo de coerção manicomial, a percepção de que louco e drogado não tem real liberdade ou capacidade de liberdade e a ausência de uma resposta na reforma psiquiátrica dentro de uma base naturalista de explicação dos comportamentos. Intuitivamente, a grande maioria das pessoas entende que a noção de determinantes, mesmo que de forma paternalista, do comportamento tem validade maior do que a liberdade para pessoas em situação precária ou a todo custo. A direita e o modelo manicomial obtém influência política porque esse reconhecimento dos determinantes, apesar de serem modelos precários de influência sobre o comportamento, obtém ganhos segundo a sociedade ou evita riscos percebidos pela sociedade. Se as leis sociais e biológicas conservadoras não forem substituídas por propostas de maior qualidade e sofisticação de forma que inclua a diversidade de valores e preocupações sociais a reforma psiquiátrica dificilmente vai obter apoio além dos gabinetes políticos e de gestão da saúde.
terça-feira, 16 de abril de 2024
Usuários de drogas nas ruas e farmacologia comportamental
"Sem dúvida, existem múltiplos caminhos para a dependência de drogas. Um dos quais estou seguro de que existe é o seguinte. Considere um homem empobrecido e sem-teto vivendo nas ruas de qualquer centro urbano no mundo. Suponha que ele não seja um usuário de drogas. À medida que o tempo passa, seu desespero aumenta. Ele não tem comida suficiente nem mesmo água. Ele não tem condições de cuidar de suas necessidades pessoais. Sua saúde começa a se deteriorar. Ele é espancado e roubado de suas escassas posses com regularidade previsível. Ele vive em um ambiente que oferece pouco em termos de reforço. Seu horizonte de tempo é severamente reduzido. Ele não planeja para o futuro; apenas tenta sobreviver ao dia, ou momento. Ele vive em um ambiente que tem poucas, se houver, fontes alternativas de reforço. Se ele for introduzido às drogas, acredito que é quase certo que ele se torne dependente delas. Quando ele coloca uma agulha no braço e injeta heroína, será uma fonte de reforço extremamente poderosa que ele pode acessar. Poder-se-ia até sugerir que, sob as circunstâncias descritas, é compreensível do ponto de vista evolutivo por que alguém se envolveria em comportamentos de abuso de drogas. A droga fornece uma fonte confiável de reforço em um ambiente com pouca ou nenhuma chance de obter outras fontes de reforço.
A solução social óbvia para esse dilema seria para agentes externos fornecerem ao homem estabilidade, fornecendo-lhe as necessidades básicas da vida e oportunidades para se afastar do ambiente caótico. Se esse esforço for bem-sucedido, as fontes alternativas de reforço aumentarão em seu ambiente e a eficácia de reforço da droga diminuirá. Este é um dos métodos usados por agências de serviços sociais em grande parte do mundo com algum sucesso (por exemplo, Thompson, Sowell & Roll, 2009). Infelizmente, essas agências muitas vezes são subfinanciadas e incapazes de alcançar muitos daqueles que mais precisam de seus serviços. No entanto, dados epidemiológicos apoiam a ideia de que, se pudermos impedir que indivíduos entrem no caos do nosso homem hipotético, podemos evitar que eles se envolvam em um estilo de vida caracterizado pela dependência (por exemplo, Chilcoat & Johanson, 1998). Como mencionado anteriormente, este é apenas um dos muitos caminhos potenciais para a dependência de drogas. Pessoas que vivem em ambientes ricos em reforço potencial ainda podem desenvolver dependências. No entanto, só porque seu ambiente tem reforço disponível não garante que você terá as habilidades necessárias para acessar os reforços. O que foi mencionado acima é destinado a ser ilustrativo de um caminho para a dependência e o papel que o reforço desempenha nesse caminho. Acredito que seja um caminho comum, mas claramente não é o único caminho."
John M. Roll - Behavioral Pharmacology.A Brief Overview. Do livro "The Wiley Blackwell Handbook of Operant and Classical Conditioning" Edited by Frances K. McSweeney and Eric S. Murphy
quinta-feira, 7 de setembro de 2023
Comportamento manicomial (atualizado 2)
Provavelmente central nos comportamentos nomeados manicomiais seriam crenças rígidas todas associadas a riscos e por isso tornadas coerção dirigida a outras pessoas. Isso vai além de características de sistema de saúde e está no repertório das pessoas.
Com os processos comportamentais de regras verbais rígidas sobre como funciona o mundo com implicações do que deve ser feito e esquiva de riscos relacionada a essas regras rígidas, a aprendizagem se torna quase estagnada pois não haverá contato direto com o modo como funciona o mundo (contingências de reforçamento) devido à atuação dos dois processos. O comportamento ativo diretamente em relação aos eventos que poderiam testar as regras rígidas e a esquiva não ocorre. Por isso, modificar os comportamentos manicomiais individualmente e socialmente se torna mais desafiador. Um exemplo de alteração é quando políticas de reforma psiquiátrica antimanicomial mostram que pessoas antes consideradas irrecuperáveis, incapazes, irresponsáveis e perigosas se recuperam e vivem em sociedade de forma livre.
[Adicionar citação sobre alegações médicas de risco de ruína]
[Completar título: Comportamento manicomial em relação à risco e ruína]
segunda-feira, 30 de janeiro de 2023
Livre arbítrio discriminativo e coerção manicomial (behaviorismo)
Na análise do comportamento há algo chamado comportamento operante discriminado que se refere a se comportar diferentemente em algumas situações de acordo com as suas características ou propriedades.
Em contato com o modo de pensar de senso comum de certas pessoas a respeito de temas relacionados a problemas biológicos pode se notar que são consideradas condições que afetariam o comportamento livre (drogas e doença mental). Esse discurso é a base da justificativa usada para uso de coerção e intervenções biológicas (drogas psiquiátricas, psicocirurgia, eletroconvulsoterapia, estimulação magnética transcraniana, internação).
Numa descrição comportamental, o livre arbítrio seria comportamento discriminativo aplicado a situações de biologia intacta. O determinismo seria comportamento discriminativo aplicado a situações de alteração da biologia.
O comportamentalismo defende que o determinismo do comportamento é aplicado a todas as pessoas (intactas e não intactas) e portanto a coerção seria só uma das formas de intervenção sobre o comportamento sendo possível usar outras formas que reduziria o uso de coerção.
Essa forma de comportamento conceitual é um dos fundamentos na justificativa da medicalização e das práticas manicomiais.
segunda-feira, 18 de abril de 2022
Redução de danos e análise do comportamento
Internação de adictos em lugares fechados e redução de danos.
Era uma aula de análise experimental do comportamento sobre ressurgência (recaída). Ressurgência é quando um comportamento anteriormente gratificado deixa de ser fortalecido e um comportamento anterior na história do indivíduo se recupera (o segundo mais gratificante). Ele disse que quando o contexto de tratamento é diferente do contexto de vida onde acontece os comportamentos indesejados (seja uso abusivo de drogas ou outros comportamentos). O contexto fechado fortalece comportamentos incompatíveis com a recaída. Mas quando a pessoa sai do lugar fechado esses comportamentos desejados podem se enfraquecer e os comportamentos antigos se recuperam. O que favorece isso é estar num ambiente aberto nada gratificante, pouco gratificante, ser punido, a demora para ser gratificado e o estresse. Acredito que também vale para internação psiquiátrica. Isso tudo descrito em linguagem experimental de laboratório com animais e com humanos. Já sobre a redução de danos os experimentos de laboratório mostram que uma dose pequena da droga faz com que comportamentos de recaída não se recuperem.
Resurgence of alcohol seeking produced by discontinuing non-drug reinforcement as an animal model of drug relapse
Christopher A. Podlesnik, Corina Jimenez-Gomez and Timothy A. Shahan
Findings from basic behavioral research suggest that simply discontinuing reinforcement for a recently reinforced operant response can cause the recurrence (i.e. resurgence) of a different previously reinforced response. The present experiment examined resurgence as an animal model of drug relapse. Initially, rats pressed levers to self-administer alcohol during baseline conditions. Next, alcohol self-administration was discontinued and non-drug reinforcers (food pellets) were presented contingent on an alternative response (chain pulling). Finally, when the non-drug reinforcer was discontinued, alcohol seeking recurred even though alcohol was still unavailable for lever pressing. These results suggest that simply discontinuing non-drug reinforcement for a behavior may be sufficient to produce relapse to drug seeking. The resurgence procedure could provide a method to examine environmental, pharmacological, and neurobiological factors that lead to relapse following the loss of a non-drug source of reinforcement. Behavioural Pharmacology 17:369–374 c 2006 Lippincott Williams & Wilkins.
Loss of Alternative Non-Drug Reinforcement Induces Relapse of Cocaine-Seeking in Rats: Role of Dopamine D1 Receptors
Stacey L Quick1,2, Adam D Pyszczynski1 , Kelli A Colston1 and Timothy A Shahan*,1 1 Department of Psychology, Utah State University, Logan, UT, USA; 2 Department of Psychiatry, Yale University, New Haven, CT, USA
Animal models of relapse to drug seeking have focused primarily on relapse induced by exposure to drugs, drug-associated cues or contexts, and foot-shock stress. However, relapse in human drug abusers is often precipitated by loss of alternative non-drug reinforcement. The present experiment used a novel ‘resurgence’ paradigm to examine relapse to cocaine seeking of rats as a result of loss of an alternative source of non-drug reinforcement. Rats were first trained to press a lever for intravenous infusions of cocaine. Next, cocaine deliveries were omitted and food pellets were provided for an alternative nose-poke response. Once cocaine seeking was reduced to low levels, food pellets for the alternative response were also omitted. Cocaine seeking increased with the loss of the alternative non-drug reinforcer (ie, resurgence occurred) despite continued extinction conditions. The increase in cocaine seeking did not occur in another group of rats injected with SCH 23390 before the loss of the alternative reinforcer. These results suggest that removal of an alternative source of reinforcement may induce relapse of cocaine seeking and that the dopamine D1 receptor may have a role in this effect. Neuropsychopharmacology (2011) 36, 1015–1020; doi:10.1038/npp.2010.239; published online 12 January 2011 Keywords: relapse; cocaine; dopamine; resurgence; alternative reinforcement
quinta-feira, 6 de fevereiro de 2020
"drogas ilegais causam transtornos crônicos"
É uma oferta tentadora para alguém que gosta de se drogar e de não ser produtivo a proposta de se aposentar por transtorno mental crônico.
É a mesma estória do acordo social implícito da loucura.
sábado, 25 de janeiro de 2020
"o estado natural do homem é o conforto"
O médico e o drogado acham que o normal é todo mundo se sentir confortável sempre e não sofrer nunca.
segunda-feira, 5 de novembro de 2018
Discurso psicofarmacológico do usuário de drogas ilegais
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Rens fica sem expressão ao usar Xanax (Alprazolam) - Drugslab - Legendado
Rens fica sem expressão ao usar Xanax (Alprazolam) - Drugslab - Legendado
https://www.youtube.com/watch?v=a4joFzMfptY
Neste episódio, Rens toma Alprazolam (Xanax). Então ele fica maçante e sem emoção.
USO:
Xanax está em uma forma de pílula e tem que ser tomado por via oral com um copo de água.
Xanax só está disponível sob receita médica.
DOSAGEM:
Uma dose leve: 0,25 - 0,5 mg.
Uma dose média: 0,5 - 1,5 mg.
Uma dose forte: 1,5 - 2 mg.
RISCOS:
Vício.
Perda de memória.
Overdose.
domingo, 26 de novembro de 2017
DRUGSLAB: JOVENS SÃO PAGOS PELO GOVERNO PARA TESTAR DROGAS
DRUGSLAB: JOVENS SÃO PAGOS PELO GOVERNO PARA TESTAR DROGAS! | EP. 5 | CAIO NA ESTRADA HOLANDA
https://www.youtube.com/watch?v=HaSRFHU6_fUVocê já ouviu falar no Drugslab (youtube.com/drugslab)? Este canal é uma iniciativa do governo Holandês para educar melhor sua população sobre o uso de drogas, e acabou virando um sucesso global e impactando jovens do mundo inteiro! Confira esta entrevista exclusiva
sábado, 24 de junho de 2017
Crack, repensar
Em uma sociedade de dependentes, questões como a redução de danos, internação compulsória e regulação das drogas precisam ser repensadas. Essa é a proposta do documentário Crack, repensar, que reúne depoimentos de usuários, ex-usuários, especialistas em saúde pública, acadêmicos, gestores e profissionais que atuam na promoção da justiça em um polêmico debate sobre como conviver com as drogas uma sociedade dependente.
produção: Doctela
direção: Felipe Crepker Vieira e Rubens Passaro
distribuição: VideoSaúde Distribuidora da Fiocruz
ano da produção: 2015
Prêmio de Melhor Curta-Metragem pelo Júri Popular do RECINE - Festival Internacional de Cinema de Arquivo 2015
O vídeo está disponível em DVD na Livraria Virtual da Editora Fiocruz: http://goo.gl/DowQic
