Psiquiatria crítica

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Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
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segunda-feira, 20 de julho de 2026

A autonomia do orgânico vs. comportamento

A discussão feita anteriormente sobre no modelo biomédico o comportamento operante ser um subconjunto restrito de estados orgânicos diz respeito o quanto o comportamento operante é um fenômeno primário autônomo diante da fisiologia e do orgânico. No modelo biomédico, o comportamento operante é fenômeno secundário e derivado. Logo, nessa perspectiva a análise experimental do comportamento seria um campo auxiliar da paramedicina. Apesar de ser mercadologicamente adaptativa, como afirmado anteriormente, essa caracterização não utiliza o conhecimento e capacidade de previsão e controle da análise experimental do comportamento em toda a sua extensão. A questão da autonomia dos fenômenos do comportamento operante tem relevância para o quanto a análise experimental do comportamento tem reconhecimento para desenvolver explicações e aplicações além de apenas prática subordinada a outras áreas de conhecimento. A autonomia de fenômenos de áreas de conhecimento implica em questões de epistemologia e ontologia. A compreensão profissional e popular da neurociência como hierarquicamente determinista de manifestações do comportamento tem implícita questões de epistemologia e ontologia. Uma forma mais simples e popular de descrição é o entendimento de que o comportamento observável é apenas a expressão externa de fisiologia e estados orgânicos internos caracterizados como fenômenos autônomos diante do ambiente, isto é, a correção neurobiológica.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/20/2026 11:31:00 PM Nenhum comentário:
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Marcadores: análise do comportamento, behaviorismo radical, Filosofia, Medicalização, Modelo biomédico, neurociência, neuropsicologia, psicobiologia, psicofarmacologia, Reforma psiquiátrica

terça-feira, 23 de junho de 2026

Modelos normais e não normais de mundo

No mundo normalmente comportado o sinal é que nada é e nem deve ser insólito. Qualquer coisa insólita, fato, informação ou conhecimento por isso devem ser descartados como ruído.

Nos modelos de comportamento de mundo normalmente comportado, as probabilidades estatisticamente normais são sinal e as probabilidades baixas são ruído. Nos modelos de mundo não normalmente comportados, as baixas probabilidades não são necessariamente ruído. Logo, os mundos ou fatos acessíveis e mundos ou fatos inacessíveis são diferentes. A relação entre ambos os tipos de modelos de comportamento de mundo são definíveis contingentemente. Teorias assumiriam um dos tipos de modelos de comportamento de mundo como sua definição e interpretação de dados que contam como sinal e como ruído.

Modele isso a partir de lógica modal e estipule as relações possíveis entre os dois tipos de modelos de comportamento do mundo e acesso a mundos (fatos normais ou não normais).

Resultado de IA:

O resultado é acessibilidade somente ao mundo normal para o modelo de comportamento de mundo normal e acessibilidade aos dois tipos de mundo no modelo de comportamento de mundo não normal.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 6/23/2026 09:26:00 AM Nenhum comentário:
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Marcadores: Doença mental, Filosofia, lógica, Loucura, Medicalização, Modelo Asilar, Modelo biomédico, modelo social da deficiência, normalidade, Reforma psiquiátrica, riscos, transtorno mental

segunda-feira, 15 de junho de 2026

Postura prática, predicados teóricos e negação de fenômenos

Existe um discurso relativamente frequente de posicionamento pragmático e antiteórico a respeito de conceitos menos difundidos. Esse ceticismo em si não é equivocado em princípio. Acontece que a observação apenas pela prática se restringe às práticas que já tiveram seus predicados teóricos retirados para demonstração pragmática. A consequência de negar a postulação de predicados teóricos implica em negação de fenômenos estudados pragmaticamente e com possibilidade ou efetiva demonstração prática. Certas demonstrações pragmáticas tem maior necessidade de postular predicados teóricos para efetivação. Logo, a inovação ou mesmo práticas usuais são dessa maneira constrangidos.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 6/15/2026 09:12:00 PM Nenhum comentário:
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Marcadores: divulgação científica, Filosofia

sábado, 6 de junho de 2026

Demanda por soluções técnicas e medicalização

A demanda por conhecimento psi geralmente é apresentada pela população como uma demanda técnica do que fazer para resolver um problema. A maior capacidade de prontidão de resposta para questões formuladas dessa maneira são os produtos tecnológicos da indústria de saúde mental (fármacos, eletroconvulsoterapia, estimulação magnética transcraniana, psicocirugia) assim como técnicas de neurociência, internações psiquiátricas e tratamentos protocolares em psicologia. Como já afirmado em outros textos, uma vez que se queira trabalhar com desmedicalização a demanda pelo como fazer para resolver uma questão prática já não tem como receber uma resposta com prontidão uma vez que o entendimento é pré-requisito para elaboração de intervenções. A resposta à demanda técnica pela indústria prescinde de entendimento pois propõe apenas fazer algo proposto como resolutivo.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 6/06/2026 09:13:00 AM Nenhum comentário:
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Marcadores: economia, ECT, ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA, Filosofia, indústria de equipamentos, Internação psiquiátrica, Medicalização, psicologia baseada em evidências, Reforma psiquiátrica, técnica

sexta-feira, 15 de maio de 2026

Pressupostos de sistemas físicos na psiquiatria biológica

Assumindo que o comportamento é somente um subconjunto restrito do cérebro (ontologia), que o reducionismo parte de sistemas físico-biológicos-químicos com elementos constitucionais do comportamento (modelo fisicalista-reducionista), que sistemas físicos estáveis são predizíveis, que sistemas físicos instáveis são impredizíveis (modelo de estabilidade/instabilidade de sistemas) e que o cérebro com doença mental é um sistema físico instável e que o cérebro intacto ou saudável é um sistema físico estável, então os pressupostos dos tratamentos biológicos em psiquiatria, sendo o mais comum o farmacológico (tecnologia/intervenção), são esses, com a consequência lógica interna ao modelo de que transformam sistemas físicos instáveis em sistemas físicos estáveis. Uma segunda consequência lógica é que os sistemas físicos estáveis de cérebros saudáveis tem possibilidade de predição e controle e os sistemas físicos instáveis de cérebros não saudáveis não tem possibilidade de predição e controle (epistemologia e modelo implícito de controle e predição).

Tais práticas tratam apenas de fatos empíricos a partir de pragmatismo e realismo ingênuo?

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 5/15/2026 07:59:00 PM Nenhum comentário:
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Marcadores: adesão ao tratamento, crise, Doença mental, Filosofia, internação involuntária, manicômio, Modelo Asilar, neurociência, neuropsicologia, psicologia cognitiva, Psiquiatria, Reforma psiquiátrica, riscos

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Capacitismo, eugenia, habitat e arbitrariedade

Capacitismo e eugenia tem como semelhança que ambos elegem características arbitrariamente usadas como critério de seleção e valorização ou o seu inverso negativo. Dentro de uma ampliação e variação de contextos, é possível dizer que toda pessoa tem sensibilidade aumentada das características do próprio habitat e tendem a ser desadaptadas e ineficientes em habitats diferentes. Nesse sentido, surgem etnocentrismo a respeito de diferenças de habitat e hierarquização entre ajustes a habitats com graus diferentes de valorização e de privilégios.
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 4/23/2026 01:14:00 AM Nenhum comentário:
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Marcadores: antropologia, construção social, cultura, deficiência psicossocial, etnocentrismo, eugenia, expectativas sociais, Filosofia, história, Medicalização, modelo social da deficiência, preconceito, Reforma psiquiátrica

quarta-feira, 22 de abril de 2026

Conceitos, compto. pragmático e cont. de estímulos

Comportamento pragmático com identificação de reforço positivo e controle aversivo tem maior probabilidade de estabelecer controle de estímulos na interação entre pessoas do que a exposição de controle de estímulos de contingências de reforçamento que afetam uma pessoa por apresentação de pensamento conceitual já que por definição as contingências de reforçamento e controle de estímulos são diferentes entre pessoas.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 4/22/2026 10:10:00 AM Nenhum comentário:
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Marcadores: análise do comportamento, behaviorismo radical, crise, Doença mental, Filosofia, Loucura, Medicalização, Modelo Asilar, Modelo biomédico, preconceito, Reforma psiquiátrica, transtorno mental

Correlatos de pensamento positivo e negativo

A noção de pensamento positivo e pensamento negativo na terapia cognitiva é teoricamente correlacionável com função de comportamento por reforço positivo e por controle aversivo. No entanto, uma correlação direta é imprecisa já que o positivo pode ter consequências prejudiciais, o negativo ter consequências benéficas em certos contextos delimitados e ambos serem controle de estímulos imprecisos para satisfação de contingências de reforçamento.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 4/22/2026 09:39:00 AM Nenhum comentário:
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Marcadores: análise do comportamento, behaviorismo radical, Filosofia, Modelo biomédico, neurociência, psicologia cognitiva, psicoterapia, Reforma psiquiátrica, terapia cognitiva, Terapia comportamental, terapia médica

sábado, 18 de abril de 2026

Autonomia: organicismo vs aprendizagem

A seletividade de fatos de programas de pesquisa, nesse caso o organicismo, produz a forma de tratamento segundo o qual estar num estabelecimento fechado tomando medicação é a forma mais apropriada para tratamento em saúde mental. Para realizar isso, a autonomia da pessoa em tratamento psiquiátrico é restringida já que estabelecimentos fechados são a configuração mais favorável a manter controle sobre tratamento farmacológico.

Em contraste, um programa de pesquisa com base em seleção de fatos de aprendizagem produz uma forma de tratamento com potencial de autonomia respeitada já que o tratamento visa o treinamento para o ambiente natural de vida da pessoa sob interesse de tratamento psiquiátrico ou de saúde mental.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 4/18/2026 09:22:00 AM Nenhum comentário:
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Marcadores: adesão ao tratamento, autonomia, Filosofia, internação involuntária, Internação psiquiátrica, Modelo Asilar, Modelo biomédico, organismo, psicofarmacologia, Reforma psiquiátrica, tratamento involuntário

sexta-feira, 27 de março de 2026

Propriedades disposicionais e virtualidade

Uma vez que se naturalize culturalmente um modelo de explicação, é assumido que é preciso agir de acordo com propriedades disposicionais em termos de eventos potenciais entendidos como problemas possíveis preditos, postular modos contrafactuais de prever fenômenos e rejeição de modos contrafactuais de postulados alternativos de fenômenos. Dito de outro modo, assumir um modelo como explicação ontológica fundamental é produzir virtualidades como realidades construídas uma vez que não haja compromisso ontológico com a verdade do modelo científico, sua adequação empírica e outros valores cognitivos e sociais impregnados no mesmo.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 3/27/2026 12:22:00 PM Nenhum comentário:
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Marcadores: dano prescrito, Filosofia, manicômio, Modelo Asilar, Modelo biomédico, realidade, Realismo, Reforma psiquiátrica

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Comportamento conceitual: teoria e prática

Todo comportamento não aleatório, se não agrupar e não diferenciar estímulos de nenhuma forma for possível, é comportamento conceitual no sentido biológico da análise experimental do comportamento. Isso inclui desde o nível mais alto de abstração até o nível mais primitivo. Exemplos são tanto comportamento de domínio epistêmico, ontológico, lógico como protocolos de obtenção de sucesso prático. O teórico perde o status de abstração ao obter sucesso prático e obtém status de realidade prática. Derrogar o teórico-conceitual por preferência pelo operacional faz sentido científico e pragmático. No entanto, conceitos permitem ampliar os limites do possível de ser concretizado em realidade prática.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 2/10/2026 07:45:00 PM Nenhum comentário:
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Marcadores: análise do comportamento, aprendizagem, behaviorismo radical, dopamina, Filosofia, normalidade, sucesso

Heteronomia e adaptação social

A heteronomia é uma estratégia de adaptação social que funciona em muitas situações. Pelo menos para seguir o modo de funcionamento social sem atritos. Uma vez que a heteronomia não resolva os desafios, a autonomia exige habilidades de entendimento em grau difícil de efeitos eficazes, implicando em riscos decisórios. Por isso, a autonomia geralmente é restringida ou vista como um problema.

Histórico da discussão:

1) Immanuel Kant: O Que é o Esclarecimento?

https://ppgfil.propesp.ufpa.br/ARQUIVOS/Processo%20Seletivo/2019.2/KANT,%20Immanuel.%20Que%20%C3%A9%20Esclarecimento.pdf

2) Declarações de Thomas Szasz sobre autonomia.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 2/10/2026 07:48:00 AM Nenhum comentário:
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Marcadores: acordo social, adesão ao tratamento, Ajuste social, antipsiquiatria, autonomia, ciências sociais, crise, cultura, Filosofia, Loucura, Medicalização, normalidade, normopatia, Psiquiatria, Reforma psiquiátrica, szasz

domingo, 1 de fevereiro de 2026

Pós-modernidade, tradição e medicalização

https://eduardopopinhakfranco.substack.com/p/pos-modernidade-tradicao-e-medicalizacao


Trabalho feito em 2013 durante a graduação em psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina.

Objetivo: refletir criticamente sobre a adequação de posturas oficialistas, normativas e ortodoxas a respeito de conhecimento, profissão e sociedade como defesa do tradicionalismo e da tradição os quais pressupõem conceitos implícitos da perspectiva histórica moderna. O tradicionalismo e a tradição funcionam como regimes de verdade que legitimam posicionamentos de medicalização e imposição de práticas socioculturais.

A constituição da identidade do sujeito e das subjetividades na pós-modernidade

Para Moreira, Romagnoli & Neves (2007 apud Araújo) a psicologia precisa entender o contexto social e histórico em que o indivíduo se insere para que o psicólogo dê conta das características de seu tempo e da vida cotidiana a qual é o contexto em que os indivíduos sofrem e constroem sua identidade e suas vidas: “o contexto social passou a adentrar os consultórios de forma a convocar os psicólogos a saírem dele, ou seja, para responder às novas formas de subjetivação e de adoecimento psíquico, o psicólogo deveria compreender a realidade local. A Psicologia “tradicional” é “obrigada” a se redesenhar, tornando-se mais crítica e engajada socialmente”.

Segundo Pereira (2013): “A chamada crise de identidade pode ser compreendida num processo mais amplo de deslocamento e mesmo de fragmentação do indivíduo moderno. Os quadros de referência que davam ao indivíduo uma certa sensação de pertinência em um universo centrado, de alguma forma, entram em crise, e passam a se constituir em algo descentrado e fragmentado.”

Conforme Pereira (2013): “A nova concepção do sujeito se caracteriza pelo provisório, variável e problemático, alguém como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente. É uma fantasia, afirma Hall (2003, p.13), considerar a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente.”

Segundo alguns autores a pós-modernidade se caracteriza por instantaneidade, velocidade de informações, liquidez assim como perda da historicidade e falta de profundidade (Bauman 2005 e Jameson,2002 apud Machado e Olekszechen,2013)

De acordo com Machado e Olekszechen (2013): “É de extrema complexidade o entendimento de um contexto que se altera a todo instante, que não é estático e, sendo assim, a experiência de viver e de se relacionar com o outro e com o mundo se apresenta como um desafio constante”.

Para Machado e Olekszechen (2013), a identidade pessoal foi substituída por uma identidade múltipla que se dá por múltiplas identificações e por isso o sujeito se tornou fragmentado e superficial.

Segundo GIDDENS (2002 apud Mocellim) na modernidade a constituição do sujeito é um projeto reflexivo de responsabilidade do indivíduo, cabe ao indivíduo fazer suas escolhas sobre quem deseja tornar-se, o que se identifica e sua inserção em ideologias e grupos sociais. Outra característica do sujeito é construir sua identidade elaborando o passado e vislumbrando um futuro para si. A construção da identidade depende de uma narrativa sobre si a partir da história de vida do sujeito e sua socialização prévia.

Segundo GIDDENS (2002 apud Mocellim) o sujeito se vê deparado com a necessidade de escolher um projeto de vida ou estilo de vida: “(...) nas condições da alta modernidade, não só seguimos estilos de vida, mas num importante sentido somos obrigados a faze-lo – não temos escolha senão escolher. Um estilo de vida pode ser definido como um conjunto mais ou menos integrado de práticas que um indivíduo abraça, não só porque essas práticas preenchem necessidades utilitárias, mas porque forma material a uma narrativa particular da auto-identidade.”

Segundo Giddens (2002 apud Mocellim), os tempos pós-modernos no ocidente não oferecem autoridades definitivas ou quadros de referências estáveis e indubitáveis, as tradições já não são fonte principal de autoridade, as grandes metanarrativas cederam lugar às fragmentações e à multiplicidade. Portanto, nos dias de hoje há um pluralismo de autoridades, oferecendo à dispor do indivíduo diversas escolhas opostas e incompatíveis entre si, tornando a constituição de si e da própria vida um processo mais complexo, incerto, inseguro e múltiplo.

Segundo Araújo o referencial do sujeito e a constituição de sua identidade não é mais a realidade, mas o seu discurso, a sua imagem, a sua virtualidade. Na época atual o psicólogo deve atender às necessidades de sujeitos hiperindividualistas e pragmáticos que usam o consumo como compensação de sua angústia existencial e seu vazio sobre o presente e o futuro.

De acordo com Debord (2006 apud Araújo) na sociedade do espetáculo, a exibição é a razão da existência dos homens. Por conseguinte, para Birman (2003 apud Araújo) atualmente o autocentramento é grande por parte de indivíduos que recorrem à estetização da existência, exaltando o próprio eu e manifestando a hegemonia da aparência e da imagem.

Nos tempos atuais a construção de si, por ser responsabilidade do sujeito, é algo que demanda escolhas pessoais sobre estilos de vida, ideologias, profissões, temáticas como sexualidade e relacionamentos, religiões, gostos, opiniões. Assim sendo, num mundo onde as referências externas e autoridades para a subjetivação não estão dadas e definidas universalmente nem de forma unânime o sujeito pós-modernos depara-se diante de uma série de escolhas sobre quem deseja ser e seus projetos de futuro. Como as incertezas, dúvidas, multiplicidade, fragmentações são evidentes a angústia existencial passa a se exacerbar pois não existem papéis pré-definidos e um mundo rigidamente definido para se inserir.

O sujeito deve inventar a si mesmo e seus modos de existência, sendo um artista de si mesmo, construindo sua individualidade, seu estilo de vida, seus projetos de vida. Mesmo compreender como são ou devem ser as coisas é questão de muita reflexão, opções pessoais e negociações pois vivemos em tempos de pluralidade e maior liberdade de escolha.

Essa responsabilização para construir a própria vida e a si mesmo faz com que as pessoas se sintam sem referências, perdidas no mundo e aos poucos elas devem descobrir suas preferências pessoais ou descobrir que existem muitas diferenças entre grupos e maneiras de pensar e viver e que por isso esse pode avaliar, comparar, refletir, percebendo que uma verdade final e pré-estabelecida não está dada. A verdade passa a ser mesmo questão de gosto ou preferência como indica um dizer presente entre os jovens afirmando entre si que esses não ditam as regras e cada um pensa do jeito que quiser.

Uma das prerrogativas do projeto moderno de racionalização do mundo, do homem e da sociedade é facilitar a vida das pessoas e controlar a natureza para construir a felicidade no planeta terra. A pós-modernidade ou modernidade tardia enfrenta essa crise no projeto moderno em que o ser humano não conseguiu dar conta dos problemas e sofrimentos na condição humana, da eliminação das dores e melhora indefinida nas condições sociais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PEREIRA, Helder Rodrigues. A crise da identidade na cultura pós-moderna. Mental, Barbacena, v. 2, n. 2, jun. 2004 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-44272004000100007&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 15 jun. 2013.

ARAÚJO, Renata Castelo Branco. O sofrimento psíquico na pós-modernidade: uma discussão dos sintomas atuais na clínica psicológica. Monografia. O portal dos psicólogos. Disponível em: <http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/TL0311.pdf> Acesso em: 19 jun 2013.

MACHADO, Letícia Vier; OLEKSZECHEN, Nikolas. Uma discussão sobre a constituição da identidade na pós-modernidade. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=uma%20discuss%C3%A3o%20sobre%20a%20constitui%C3%A7%C3%A3o%20da%20identidade%20%20na%20p%C3%B3s-modernidade&source=web&cd=1&ved=0CCoQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.cesumar.br%2Fcurtas%2Fpsicologia2008%2Ftrabalhos%2FUMA_DISCUSSAO_SOBRE_A_CONSTITUICAO_DA_IDENTIDADE_NA_POS-MODERNIDADE.pdf&ei=vSbCUa-RL8LD4AOkxoH4BA&usg=AFQjCNELEgEsys45lKZkrkNNwtaKwkeF7A&cad=rja>. Acesso em: 19 jun 2013.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 2/01/2026 10:22:00 AM Nenhum comentário:
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segunda-feira, 26 de janeiro de 2026

Usualidade normativa, patologia e contrafactualidade

O conceito de usualidade normativa tem base no conceito de que os fatos que geralmente ocorrem representam uma normatividade de leis naturais e leis sociais e que acontecer algo diferente é sinal de perturbação de leis naturais e leis sociais e por isso patologia. Como explicação alternativa não baseada em patologia, é possível a estrutura conceitual de explicação segundo a qual a contrafactualidade de leis naturais e leis sociais exige estratégias diferentes de influência sobre variáveis naturais e sociais. A complexidade da base diferente de variáveis naturais e sociais e insuficiência do repertório de usualidade normativa é sinal de incompletude de influência sobre variáveis, necessidade de curva de aprendizagem de estabelecimento de novo repertório e portanto poderia significar um estado natural e social de menores problemas ao invés dos maiores problemas que surgem uma vez que a usualidade normativa é perturbada.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 1/26/2026 08:12:00 PM Nenhum comentário:
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Marcadores: desmame, desmedicalização, Filosofia, ideologia, Medicalização, normalidade, normopatia, política, psicologia, Psiquiatria, Reforma psiquiátrica

sábado, 10 de janeiro de 2026

Fazer pesquisa por olhar disciplinado

O processo de fazer pesquisa, principalmente em questões de campos com múltiplas contribuições de perspectivas teóricas, não necessariamente precisa acontecer por definição de uma metodologia de definição de procedimento típico. Esse tipo de procedimento é eficaz na obtenção de confiabilidade e validade. No entanto, o núcleo do processo de fazer pesquisa é o conceito de identificação de determinantes e não o conceito de método. Com isso, a pesquisa poderia ocorrer, por exemplo, por preparação de um olhar disciplinado através do aprofundamento em um domínio de conceitos e fenômenos e o relacionamento sistemático com tais conceitos e fenômenos que induziriam a discriminação e generalização a respeito de identificação de determinantes e formação de conceitos correspondentes a tais determinantes. Logo, a definição de método seria a programação de condições de interação sistemática com um domínio empírico. Por isso, através de um olhar disciplinado e a interação sistemática com um domínio empírico é possível que pessoas imersas em problemas sociais sistêmicos possam contribuir com o conhecimento mesmo sem inserção dos resultados em ambientes acadêmicos.

  

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 1/10/2026 10:39:00 AM Nenhum comentário:
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2025

Sinais clínicos superficiais e universais

Por que reduções explicativas universais ou abrangentes de propriedades visíveis de comportamento tem baixa validade e confiabilidade?

Conceitos clínicos sobre o comportamento são agregadores de determinantes, fenômenos, mecanismos orgânicos e fisiológicos, mecanismos, fenômenos e processos de aprendizagem, outros esquemas explicativos com pressupostos e conceitos teóricos diversos assim como circunstâncias bastantes diversas  embora organizáveis em classes. Logo, a redução explicativa automática de impressões estereotipadas sobre o comportamento a categorias explicativas e suas etiologias correspondentes são antes indicadores de influência de certos modelos científicos já que a diversidade de explicações não reconhecida por pessoas com afinidade exclusiva a uma forma de redução explicativa levaria a uma saudável postura de ceticismo ou relativismo. Logo, conceitos clínicos são o ponto inicial de um funil mercadológico que seleciona clientes interessados. Uma vez que haja um público interessado uma realidade social construída se forma em torno de determinadas preferências e interesses. Logo, uma parte de fé e interesse existe em explicações tratadas como dogmas impositivos e hegemônicos ou outras explicações. Esse questionamento tem como base o fato de que há baixa confiabilidade e validade na identidade unívoca de sinais clínicos superficiais e universais atribuídos através de interpretação teórica com seus correspondentes etiológicos categóricos já que além da necessidade de delimitação de domínios empíricos de validade e confiabilidade, a interpretação dos domínios empíricos é mediada por conceitos teóricos ou conceito teóricos com pretensão de realidade não teórica que estão sujeitos a formação profissional prévia, preferências e interesses. Logo, a conexão entre real e observado não é necessariamente óbvia.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 12/11/2025 12:51:00 PM Nenhum comentário:
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domingo, 30 de novembro de 2025

Definição de mentalismo por extensão

Uma possibilidade de definição por extensão análoga a definição de mentalismo obtida por exame conceitual de relações empíricas com o mundo implica em descrever conceitos e processos sociais, modelos científicos e práticas correspondentes que tem como princípio pragmático de funcionamento a negação de relações com o mundo, isto é, o domínio empírico do conceito de comportamento operante.


Postado por Eduardo Popinhak Franco às 11/30/2025 12:52:00 PM Nenhum comentário:
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quinta-feira, 27 de novembro de 2025

Fichamento sobre ciência e valores

"Utilizaremos dois autores importantes que irão direcionar o presente estudo: Thomas Kuhn, que apresenta uma abordagem científica baseada na emergência de um paradigma fruto de uma revolução científica e Hugh Lacey, que possui uma compreensão do desenvolvimento científico baseado na atuação de múltiplas estratégias no interior de uma determinada pesquisa.

Segundo Lacey, a estratégia constitui uma modificação da noção de paradigma de Kuhn. Enquanto o paradigma restringe os fatos que serão considerados por uma determinada comunidade científica para que esta possa conhecê-los mais profundamente, a estratégia possui o papel de restringir o tipo de teoria considerada e selecionar os dados empíricos a serem considerados para o fim de testar as várias teorias provisoriamente mantidas (LACEY, 2009). Considerada a ligação entre os dois elementos é possível afirmar que enquanto Kuhn apresenta uma ciência normal baseada em um paradigma vigente, Lacey admite a ação de múltiplas estratégias que poderão atuar simultaneamente, sendo a questão fundamental a escolha e compatibilidade entre elas (LACEY, 2001)

Em primeiro lugar, Lacey define o lugar e o papel que os valores ocupam em seu modelo de desenvolvimento científico. Os valores cognitivos possuem importância fundamental na escolha de teorias científicas e são constitutivos da ciência. Eles representam as propriedades das teorias que julgamos serem constituintes de uma boa teoria, por exemplo: adequação empírica, consistência, simplicidade, fecundidade, eficácia, poder explicativo, verdade e certeza. Os valores não cognitivos são aqueles que não possuem relação com a aceitabilidade de uma teoria científica como, por exemplo: valores éticos, sociais, políticos, religiosos, etc.

A tese de uma ciência livre de valores constitui uma das bases das discussões propostas por Lacey. Tendo sua base em Galileu Galilei, esta tese possui três elementos importantes: a imparcialidade, a neutralidade e autonomia (LANTIMAN, 2015, p. 18).

Em Valores e Atividade Científica, volumes 1 (LACEY, 2008) e 2 (LACEY, 2010), ele defende que a imparcialidade é a única que pode ser sustentada no interior das práticas científicas, uma vez que é baseada apenas em valores cognitivos. A imparcialidade sustenta que a teoria, para que seja corretamente aceita, deve manifestar critérios cognitivos em grau suficientemente elevado, a luz dos dados empíricos. Ela forma um escudo que impede que valores não cognitivos sejam inseridos ou desempenhem algum papel no momento de avaliação de teorias.

A autonomia está relacionada principalmente aos membros de determinada pesquisa, a pesquisa científica em si e suas metodologias e ao modo pelo qual são guiadas. É cada vez mais evidente que os anseios das grandes indústrias e corporações estão fundamentados em interesses econômicos (visando principalmente o lucro e o aumento do capital) e de mercado (onde há forte investimento na expansão de seus poderes e negócios). A determinação de prazos, muitas vezes reduzidos, impede o desenvolvimento das possibilidades que podem ser alcançadas pela ciência e suplantam os interesses de formação de conhecimento e entendimento de novos fenômenos.

A neutralidade, de modo geral, informa que os resultados produzidos pela pesquisa científica, avaliados e aceitos de acordo com a imparcialidade, não possuem implicação lógica para qualquer perspectiva valorativa, seja ela política, ética, social, etc. Ao mesmo tempo, promove que as teorias, quando corretamente aceitas, podem se adequar a qualquer perspectiva de valor, ideologia ou visão de mundo

Lacey proporciona uma variação do modelo kuhniano de desenvolvimento científico, onde a pesquisa científica é guiada pelo que ele denomina estratégias de restrição e seleção. A adoção de uma estratégia, segundo Lacey, define os tipos de fenômenos e as possibilidades que serão consideradas interessantes à pesquisa. A estratégia possui o papel de restringir os tipos de teorias que serão consideradas em determinada pesquisa e selecionar os dados empíricos relevantes (LACEY, 2008, p.109)

Durante muito tempo a ciência tendeu a utilizar um tipo específico de estratégias consideradas como exemplares às práticas científicas: as estratégias materialistas de restrição e seleção ou de abordagem descontextualizadas (LACEY, 2010, p. 91). Esse tipo de estratégia restringe a teoria de modo que esta represente os fenômenos de acordo com as leis da natureza, nos termos de sua geração, ordem, estrutura, processos e leis subjacentes. Os objetos dessa ordem subjacente são caracterizados em termos quantitativos e, assim, não podem ser interpretados tendo como base perspectivas valorativas, pois consideradas enquanto valores relativos à experiência humana, não são oriundas da ordem subjacente do mundo e, desta forma, são abstraídas do desenvolvimento da pesquisa científica.

Se, de acordo com Kuhn, o alvo da ciência é a resolução de quebra cabeças a sua verdadeira definição é demarcada por estratégias. Quando fenômenos e teorias aspirantes a paradigma são confrontados é necessário que, antes de o cientista se engajar na investigação, seja adotada uma estratégia de restrição e seleção que irá selecionar e restringir os tipos de dados e teorias aceitáveis (LACEY, 2010, p. 69)

No modelo de atividade científica proposto por Kuhn, a ciência opera com a utilização de um paradigma. Este é adotado para beneficiar a caracterização e solução dos quebra-cabeças que se apresentam à pesquisa. Enquanto permanecer fecundo o paradigma (ou a estratégia) obterá exclusividade dentro da pesquisa que será conduzida com base nele. (LACEY, 2010, p. 69).

Este fato configura um problema do processo de especialização e se torna claro na exposição de Lacey acerca das estratégias materialistas ou de abordagem descontextualizada. Não podemos negar que as pesquisas baseadas em tais estratégias geraram enorme quantidade de descobertas cientificas e inovações tecnológicas, mas também é necessário ponderar que as estratégias materialistas possuem um caráter limitador para a pesquisa, pois analisam os fenômenos nos termos de sua geração, sua estrutura, processos e leis subjacentes, dissociando-os de seus contextos sociológicos, históricos, da experiência humana e vinculação com valores externos a ciência (LACEY, 2006, p. 17).

A pluralidade apresentada deve ser fecunda, constituída por estratégias que se complementem a fim de atingir certa “democracia” no interior da pesquisa e na aplicação de seus resultados. Lacey afirma:

Em geral, as possibilidades encapsuladas pelas teorias desenvolvidas sob diferentes estratégias sobrepõem-se, no máximo, por sugerirem que um “entendimento completo” dos fenômenos do mundo da experiência vivida não pode ser obtido (mesmo a princípio) se for submetido a apenas um dos tipos de estratégias. Essa é a base para a complementariedade das estratégias (LACEY, 2012).

Para garantir a abrangência de entendimento sobre os fenômenos é importante que a pesquisa seja conduzida por uma multiplicidade de abordagens, uma vez que há diversas questões, interesses e valores envolvidos desde o momento do estabelecimento das metodologias, que serão a base dos estudos sobre determinado objeto, até a aplicação dos resultados obtidos pela pesquisa.

O que observamos nos dias atuais é que a ciência e a sua prática estão cada vez mais apressadas, sujeitas a prazos e a investimentos corporativos, institucionais e governamentais que visam, principalmente o lucro e o bem-estar de um pequeno grupo. O conhecimento científico obtido pode ser utilizado tanto para fins pacíficos quanto para fins hostis. Este fato não constituiria a própria ciência como ré, mas sim os indivíduos responsáveis pelo desenvolvimento e aplicação do conhecimento obtido através da pesquisa (LACEY, 2010, p. 95)."

Referência:

LANTIMAN, Camila. Pluralidade de estratégias e adoção de um paradigma: Hugh Lacey, Thomas Kuhn e as abordagens da pesquisa científica. Em Construção. ano 1, n. 1, 2017, pp. 69-80. DOI:10.12957/emconstrucao.2017.28125


Postado por Eduardo Popinhak Franco às 11/27/2025 03:20:00 PM Nenhum comentário:
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quinta-feira, 11 de setembro de 2025

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A compatibilização de modelo biomédico e desmedicalização na rede de atenção psicossocial em lógica paraconsistente/defeasible

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segunda-feira, 30 de junho de 2025

Série: Saúde mental e equilíbrio de Nash


Estabilidade de saúde mental e equilíbrio de Nash nas teorias dos jogos

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Fase aguda, fase crônica e recaída (redefinição)

Bloggers pagos e mídia paga

"Também existem mensagens plantadas. A indústria tem exércitos de bloggers remunerados que distribuem material de indústria farmacêutica disfarçado como opinião na Internet, e a maior parte das mais importantes empresas da mídia tem laços com esse ramo. Por exemplo, James Murdoch, filho de Joseph Murdoch, estava na diretoria da ########, e a CEO da Time Inc's, Laura Lang, trabalhou anteriormente na ##### e na ########. Isso ajuda a explicar por que vemos com tanta frequência artigos completamente acríticos na mídia, que são copia-e-cola de comunicados de imprensa da empresa sobre seus medicamentos maravilhosos. Igual à indústria de medicamentos, a mídia é muito poderosa e, quando as duas juntam forças, as inverdades são piores. A indústria também tenta conseguir acesso para fazer mudanças na Wikipedia para garantir que mensagens amigáveis às empresas farmacêuticas apareçam lá também." Livro Medicamentos mortais e crime organizado

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    Referências principais do blogue

    • A arte perdida de curar (Bernard Lown)
    • A conquista da supersaúde - Uronal Zancan
    • A construção social da realidade (livro)
    • A Medicina E A Realidade Brasileira (Carlos Gentile De Mello)
    • A palestra no youtube chamada Myth of chemical cure (Joanna Moncrieff).
    • A pílula mais amarga. A história problemática dos antipsicóticos. (livro de Joanna Moncrieff)
    • A Verdade Sobre os Laboratórios Farmacêuticos (Marcia Angell)
    • ABC do charlatão (livro)
    • Anatomia de uma epidemia (livro de Whitaker)
    • Cruel compaixão (livro de Thomas Szasz)
    • Deadly psychiatry and organized denial (livro)
    • Desvio e divergência - Gilberto Velho (Org.) (livro)
    • Escritos selecionados de Basaglia
    • Esquizofrenia (livro de Thomas Szasz)
    • Estigma. Goffman
    • Loucos pela Vida - Paulo Amarante
    • Medicalização em psiquiatria (livro de Amarante e Freitas)
    • Medicamentos mortais e crime organizado (livro)
    • MEDICINA DEMAIS: O USO EXCESSIVO PODE SER NOCIVO À SAÚDE (Marco Bobbio)
    • O doente imaginado (livro)
    • O homem e a serpente - Paulo Amarante
    • O Medicamento como Mercadoria Simbólica - Fernando Lefèvre
    • O mito da doença mental (livro de Thomas Szasz)
    • O que é psiquiatria alternativa (Alan Serrano)
    • Psiquiatria e antipsiquiatria (Cooper)
    • Psiquiatria sob influência (livro de Whitaker)
    • Recovery: an alien concept (Ronald Coleman)
    • Sanidade, loucura e família (livro de Laing)
    • São e salvo. E livre de intervenções médicas desnecessárias (livro)
    • Teses da ABRASME
    • Uma sala tranquila (Neurolépticos para uma biopolítica da indiferença) - Sandra Caponi

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