A tese implícita de que "a mente não pode ser treinada" é um postulado básico da medicalização e da medicamentalização como único caminho pensável para intervenção sobre problemas de comportamento. Esse postulado é consequência dedutiva do modelo organicista segundo o qual as expressões externas da mente/comportamento são um subconjunto restrito e secundário de estados orgânicos entendidos como fenômenos primários e autônomos diante do ambiente. O conceito de mente como equivalente imaterial de estados orgânicos é outra formulação da mesma tese. Por outro lado, no modelo comportamentalista não há inviabilidade de treino da "mente" e logo não há um caminho único de medicalização e medicamentalização uma vez que a "mente" e suas supostas consequências são descritas como comportamento material tangível em interação organizada com o meio ambiente tangível. Logo, ao invés de dizer que o comportamentalismo é parte do modelo médico entendido por viés crítico, é mais correto dizer que a tangibilidade de descrição de variáveis no comportamentalismo fornece possibilidades de explicações substitutivas para o organicismo e suas consequências nos tratamentos biológicos em saúde mental.
Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Aviso!
sábado, 8 de agosto de 2026
domingo, 2 de agosto de 2026
Aprendizagem: ativação neural versus reforço
A neurociência cognitiva explica a aprendizagem como repetição de ativação neuronal que cria um hábito. Isso é correto para informações e hábitos físicos. No entanto, a partir da biologia do reforço positivo não há meramente uma repetição de ativação neuronal mas uma ativação neuronal associada a reforço, preferencialmente positivo, o que realmente cria o caminho neuronal com o sucesso e repetição do sucesso. Logo, produzir efeito de aprendizagem é mais efetivo através de princípios biológicos do comportamento operante do que a mera repetição de ativação neuronal.
sábado, 18 de julho de 2026
Definição auxiliar de conceito
Um conceito é uma relação com o mundo estabilizada, é observável e descritível por discriminação e generalização e é um resultado final de fenômenos de aprendizagem e não apenas determinante de comportamento. A intervenção em conceitos deve partir de fenômenos operantes e suas relações com os conceitos estáveis e não necessariamente nos conteúdos conceituais estáveis.
sexta-feira, 15 de maio de 2026
Pressupostos de sistemas físicos na psiquiatria biológica
Assumindo que o comportamento é somente um subconjunto restrito do cérebro (ontologia), que o reducionismo parte de sistemas físico-biológicos-químicos com elementos constitucionais do comportamento (modelo fisicalista-reducionista), que sistemas físicos estáveis são predizíveis, que sistemas físicos instáveis são impredizíveis (modelo de estabilidade/instabilidade de sistemas) e que o cérebro com doença mental é um sistema físico instável e que o cérebro intacto ou saudável é um sistema físico estável, então os pressupostos dos tratamentos biológicos em psiquiatria, sendo o mais comum o farmacológico (tecnologia/intervenção), são esses, com a consequência lógica interna ao modelo de que transformam sistemas físicos instáveis em sistemas físicos estáveis. Uma segunda consequência lógica é que os sistemas físicos estáveis de cérebros saudáveis tem possibilidade de predição e controle e os sistemas físicos instáveis de cérebros não saudáveis não tem possibilidade de predição e controle (epistemologia e modelo implícito de controle e predição).
Tais práticas tratam apenas de fatos empíricos a partir de pragmatismo e realismo ingênuo?
quarta-feira, 22 de abril de 2026
Correlatos de pensamento positivo e negativo
A noção de pensamento positivo e pensamento negativo na terapia cognitiva é teoricamente correlacionável com função de comportamento por reforço positivo e por controle aversivo. No entanto, uma correlação direta é imprecisa já que o positivo pode ter consequências prejudiciais, o negativo ter consequências benéficas em certos contextos delimitados e ambos serem controle de estímulos imprecisos para satisfação de contingências de reforçamento.
sábado, 21 de fevereiro de 2026
Um conceito mentalista de normalidade
quinta-feira, 8 de janeiro de 2026
Flow/Fluxo em linguagem comportamental
O processo de fluxo (flow) em psicologia cognitiva como uma forma de atividade fluente e satisfatória seria descritível em uma linguagem de comportamento operante como um resultado de realizar atividades que exigem pré-requisitos com disponibilidade de pré-requisitos o suficiente para obter reforço positivo na forma de sucesso na própria atividade ou domínio da mesma. O fato de serem atividades que sejam valorizadas e reconhecidas pela cultura contribui para o estabelecimento e manutenção de repertório sofisticado por reforço positivo de atividade custosa. O fato de já ter conquistado bom grau de nível de proficiência contribui para que a atividade não seja sentida emocionalmente como custosa.
terça-feira, 30 de dezembro de 2025
Medicalização: versão popular e científica
Os entendimentos sobre medicalização e desmedicalização tem base conceituais equivalentes expressas em manifestações populares e científicas.
No entendimento intuitivo sobre medicalização há duas versões:
1a) Popular: qualquer erro além de uma margem de erros comuns e toleráveis é falha do cérebro e circunstâncias não são inteligíveis ou relevantes.
1b) Científica: erros de apresentação de comportamentos entendidos como corretos são resultado um subconjunto restrito de alterações cerebrais orgânicas tomadas como explicação fundamental e central, isto é, comportamento é subconjunto restrito do cérebro.
No entendimento intuitivo não medicalizante há duas versões:
2a) Popular: os erros são resultado de circunstâncias inteligíveis e relevantes.
2b) Científica: os erros são resultado de desafios de aprendizagem inseridos em circunstâncias tomadas como explicação fundamental e central, isto é, de contingências de reforçamento que configuram aprendizagem de relações com o mundo, isto é, comportamentos.
quinta-feira, 13 de novembro de 2025
Explicação cognitiva de resposta/cérebro
O conceito cognitivista de explicação da interface resposta/cérebro é de que não são os fatos do mundo que explicam o comportamento e sim a representação cerebral dos fatos do mundo. Nessa perspectiva, as representações do mundo são variáveis dependentes ou resultantes das variáveis independentes de estados do cérebro. As respostas são tratadas teoricamente como variáveis dependentes da variável independente capacidade orgânica de responder. Logo, a terapia cognitiva envolve cortar o efeito da determinação de representações mentais pelo cérebro através da mudança de cognições no aspecto psicológico e cortar o efeito da "patologia cerebral" através de medicações ou outras intervenções cerebrais.
domingo, 26 de outubro de 2025
Produtividade, o cérebro e a aprendizagem
Registros audiovisuais de pessoas estudando por longos períodos tem probabilidade aumentada de serem interpretados como resultado de um cérebro bem utilizado ou um cérebro impressionante. No entanto, tal conceito altamente difundido é uma interpretação imprecisa da produtividade intelectual e profissional pois a real "boa utilização do cérebro" depende de boa manipulação de variáveis de aprendizagem funcional de aquisição de repertório de comportamentos operantes de produtividade e histórico de sucesso. Tal manipulação não é replicável apenas com linguagem fisicalista de neurobiologia em nível reducionista sobre variáveis de modificação do cérebro.
sexta-feira, 5 de setembro de 2025
A política da ciência técnica pura
A ciência clássica tem grande valor. No entanto, seus defensores a conceituam como um núcleo de valores cognitivos imparcial, o qual deveria ser o único critério para o conhecimento científico. A ciência descrita dessa maneira desconhece os valores dos sistemas sociais de sua justificação e fomento, os quais participam da construção de ciência. O mercado é capaz de ser flexível politicamente mas há uma política de crescimento de mercado que define posicionamentos. A crítica à uma ciência politizada e social é uma defesa da técnica alienada de seus determinantes sociais e impactos. Posicionamento limitado em relação à capacidade crítica e de contrafactualidade social. A ciência politizada e social geralmente tem perspectiva temporal de longo prazo e passa por decisões governamentais assim como aumenta as chances de inadaptação mercadológica. Então é de se esperar que os defensores da técnica pura tenham suas indisposições políticas.
domingo, 10 de agosto de 2025
Psicologia cognitiva como ideologia
quinta-feira, 7 de agosto de 2025
O espantalho da "indústria ABA" do autismo
A crítica à medicalização do diagnóstico de autismo pelas áreas socialmente críticas costuma ser direcionada à construção de uma indústria da análise do comportamento aplicada no Brasil. No entanto, essa área de conhecimento é a parte menos problemática da cadeia produtiva em torno do autismo. Enquanto a disputa ocorre em torno da preferência de tratamento e suas implicações para o financiamento de saúde, é menos discutido sobre os fundamentos teóricos do diagnóstico de autismo sem uma distinção necessária de ser feita a respeito de compromissos com o organicismo e a psiquiatria biológica das áreas de neuropsicologia, neurociência cognitiva e cognitivismo de um lado e o comportamentalismo de outro lado. Os responsáveis pelo diagnóstico em parceria com a psiquiatria biológica são pessoas da vertente cognitivista e portanto os responsáveis pela introdução das pessoas no sistema de saúde e seu contato com possíveis aspectos problemáticos do mesmo. A análise do comportamento aplicada tem potencial de ser resolutiva independentemente de diagnóstico ou medicamentalização já que seu referencial é o comportamento operante sem necessidade de compromisso com o modelo biomédico em saúde mental. Basicamente, a crítica que está sendo feita é um argumento de espantalho que se aproveita do mau entendimento público da área de análise experimental do comportamento.
segunda-feira, 30 de junho de 2025
Série: Hierarquia entre AEC e Modelo Biomédico
Implicações do Modelo biomédico e Análise do Comportamento
Resultado de análise em lógica adaptativa LATAr
https://eduardopopinhakfranco.substack.com/p/implicacoes-do-modelo-biomedico-e
Pressupostos ontológicos e propriedades lógicas do texto Implicações da análise experimental do comportamento e modelo biomédico
ChatGPT
https://eduardopopinhakfranco.substack.com/p/pressupostos-ontologicos-e-propriedades
Axiomatização de “Implicações da Análise do Comportamento e Modelo biomédico”
https://eduardopopinhakfranco.substack.com/p/axiomatizacao-de-implicacoes-da-analise
Modelo biomédico como explicação fundamental e análise experimental do comportamento como auxiliar
ChatGPT - Esclarecimento de prática social usual
Contingências de reforço subordinadas: crítica behaviorista à hierarquia biomédica em saúde mental
ChatGPT
ChatGPT
ChatGPT
Dedução: de modelos científicos organicistas e neurocomportamental integrado a percepções sociais e discursos/atitudes eugenistas
ChatGPT
Modelo organicista hierárquico: conflitos de interesses no conceito de determinantes ambientais secundários
ChatGPT
A autonomia e a independência segundo os modelos organicista hierárquico e neurocomportamental integrado: dedução a partir de axiomas
ChatGPT
Modelo organicista-cognitivista, testes neuropsicológicos e diagnósticos medicalizantes em parceria com psiquiatria biológica
ChatGPT
O modelo organicista-cognitivista hierárquico, o modelo neurocomportamental integrado e o diagnóstico de autismo sutil: dedução
ChatGPT
Axiomatização da noção de remissão espontânea no modelo organicista
ChatGPT
Implicações Bioéticas dos Modelos Organicista Hierárquico e Neurocomportamental Integrado na Saúde Mental
ChatGPT
Axiomatização das Funções Executivas no Contexto Organicismo + Cognitivismo (A-Cog) como operador técnico da noção de frontalização
https://eduardopopinhakfranco.substack.com/p/axiomatizacao-das-funcoes-executivas
Organicismo Hierárquico, implicação de Vazio Operante e resultado de Heteronomia Crônica em lógica de predicados de primeira ordem
quarta-feira, 14 de maio de 2025
O negacionismo mente/cérebro
De acordo com as concepções mais tradicionais de psicologia humana, tudo o que existe é conteúdo e cérebro. É um negacionismo forte em relação a análise experimental do comportamento.
sexta-feira, 14 de março de 2025
"Behaviorismo" p/ Juliana Diniz (Folha de SP)
A participação de Juliana Belo Diniz no Ilustríssima Conversa fez algumas caracterizações imprecisas do comportamentalismo. No trecho que menciona modelos animais de dopamina e sua generalização para a clínica reconhece a relevância da dopamina mas o raciocínio de mudança epistemológica para um modelo menos reducionista, social e psicanalítico, o qual é típico da área de saúde mental, tem um tom de redução da importância do biológico e do "behaviorismo". No final da entrevista, segue o mesmo tipo de raciocínio, faz uma caracterização equivocada das terapias cognitivas de terceira onda (as quais só são comportamentais no sentido usado nos Estados Unidos como um termo amplo que inclui terapias cognitivas e as terapias comportamentais) para reduzir a importância e aplicabilidade do conhecimento experimental para a clínica de saúde mental. Não há cisão de aplicabilidade entre conhecimento experimental e clínica de saúde mental pois as áreas conversam, se fomentam e acumulam evidências conjuntamente e progressivamente.
terça-feira, 11 de março de 2025
Psicologia "com evidências" e planos de saúde
domingo, 16 de fevereiro de 2025
Terapia sem evidências: inversão de conceito
Se inverter o bordão de psicologia baseada em evidências para terapias sem evidências se torna mais claro que ao invés de uma falta de evidências o que está sendo discutido é falta de validação de evidências dentro de uma linha de produção industrial em saúde. Não se descartaria com confiabilidade terapias como sem evidências se essas apenas não são financiadas pela indústria farmacêutica e não estão formalizadas e padronizadas como um produto de saúde economicamente calculado.
sexta-feira, 7 de fevereiro de 2025
Modelo de mente e de comportamento
Modelo científico do fenômeno mente
1) Atitudes proposicionais são fundamentais para explicar a aprendizagem, como as pessoas são e agem
2) As leis não materiais da mente, da cognição e do inconsciente são explicações que respeitam a perspectiva de entendimento das pessoas
3) As leis não materiais da mente, da cognição e do inconsciente não são redutíveis ao cérebro ou estão além das leis materiais do cérebro.
4) As leis não materiais da mente, da cognição e do inconsciente são integráveis ao discurso cotidiano e áreas de conhecimento tradicionais.
5) As leis não materiais da mente, da cognição e do inconsciente respeitam o entendimento de agência e de livre-arbítrio das pessoas
Modelo científico do fenômeno comportamento operante
1) A materialidade dos eventos é mais importante para explicar a aprendizagem e probabilidade de comportamentos do que as atitudes proposicionais
2) As leis do comportamento operante respeitam a perspectiva das pessoas mas as insere em princípios explicativos biológicos
3) As leis do comportamento operante são um nível diferente de organização em relação ao cérebro e estão em continuidade explicativa, mas têm abertura grande para a grande relevância dos eventos ambientais na explicação da aprendizagem.
4) As leis do comportamento operante explicam o cotidiano de forma rigorosa e poderosa, traduzindo o conhecimento disponível em eventos e fenômenos tangíveis
5) As leis do comportamento operante são uma mudança revolucionária em relação ao conceito de agência, de iniciativa e de livre-arbítrio mas respeitam o papel ativo dos agentes e sua necessidade de determinação sobre a própria vida.
As cincos proposições de cada modelo são mutuamente contraditórias. No entanto, as leis da mente consideram a materialidade do comportamento e dos eventos dispensáveis, se posicionando pela negação de fatos científicos verificados e replicados e a favor de sua compatibilidade com entendimentos leigos, tradicionais e não científicos. As leis do comportamento operante afirmam a traduzilibilidade dos fenômenos do cotidiano em eventos tangíveis e modificáveis, ampliando o leque de possibilidades contrafactuais da realidade construída pelos conceitos e comportamentos.