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Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
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sábado, 6 de junho de 2026

Sucesso econômico e sinalização social

Existe um argumento a respeito da superioridade de práticas hegemônicas de que o sucesso econômico e influência social é uma sinalização de superioridade científica e técnica. No entanto, um exame de como práticas hegemônicas estabelecem e mantém seu sucesso econômico e influência é desejável. O sucesso econômico e influência social é um resultado final de adoção de práticas e existem diferentes caminhos para uma prática se estabelecer socialmente, ou dito de outra maneira, existem múltiplas causas para o resultado de adoção de práticas. Uma das formas da adoção de práticas acontecer realmente é o sucesso técnico. Mas reduzir toda adoção frequente de práticas ao sucesso técnico é ingênuo e tem semelhança conceitual com um darwinismo social, ou pelo menos um evolucionismo, em relação ao funcionamento social. Apenas o entendimento direto permitiria entender como uma prática adotada recorrentemente não seria a prática de maior capacidade de predição e controle. Na falta de um entendimento direto, o que resta é a sinalização social das práticas padrão com sucesso econômico e influência social. O mesmo raciocínio tem alguma probabilidade de ser transferido e aplicado às identidades sociais de maior ou menor prestígio.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 6/06/2026 12:33:00 PM Nenhum comentário:
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sexta-feira, 5 de junho de 2026

"Doença mental" e manutenção de ideologias

Em termos de percepções sociais e relações sociais, a "doença mental" e as identidades sociais que a personificam representariam uma antítese de ideologias sociais prestigiadas. É possível tal antítese seja uma fonte importante de preconceitos, atitudes e de definição de práticas sociais de maior frequência, não necessariamente as mais positivas e eficazes, em relação à saúde mental.
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 6/05/2026 10:50:00 AM Nenhum comentário:
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quinta-feira, 23 de abril de 2026

Capacitismo, eugenia, habitat e arbitrariedade

Capacitismo e eugenia tem como semelhança que ambos elegem características arbitrariamente usadas como critério de seleção e valorização ou o seu inverso negativo. Dentro de uma ampliação e variação de contextos, é possível dizer que toda pessoa tem sensibilidade aumentada das características do próprio habitat e tendem a ser desadaptadas e ineficientes em habitats diferentes. Nesse sentido, surgem etnocentrismo a respeito de diferenças de habitat e hierarquização entre ajustes a habitats com graus diferentes de valorização e de privilégios.
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 4/23/2026 01:14:00 AM Nenhum comentário:
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domingo, 1 de fevereiro de 2026

Pós-modernidade, tradição e medicalização

https://eduardopopinhakfranco.substack.com/p/pos-modernidade-tradicao-e-medicalizacao


Trabalho feito em 2013 durante a graduação em psicologia na Universidade Federal de Santa Catarina.

Objetivo: refletir criticamente sobre a adequação de posturas oficialistas, normativas e ortodoxas a respeito de conhecimento, profissão e sociedade como defesa do tradicionalismo e da tradição os quais pressupõem conceitos implícitos da perspectiva histórica moderna. O tradicionalismo e a tradição funcionam como regimes de verdade que legitimam posicionamentos de medicalização e imposição de práticas socioculturais.

A constituição da identidade do sujeito e das subjetividades na pós-modernidade

Para Moreira, Romagnoli & Neves (2007 apud Araújo) a psicologia precisa entender o contexto social e histórico em que o indivíduo se insere para que o psicólogo dê conta das características de seu tempo e da vida cotidiana a qual é o contexto em que os indivíduos sofrem e constroem sua identidade e suas vidas: “o contexto social passou a adentrar os consultórios de forma a convocar os psicólogos a saírem dele, ou seja, para responder às novas formas de subjetivação e de adoecimento psíquico, o psicólogo deveria compreender a realidade local. A Psicologia “tradicional” é “obrigada” a se redesenhar, tornando-se mais crítica e engajada socialmente”.

Segundo Pereira (2013): “A chamada crise de identidade pode ser compreendida num processo mais amplo de deslocamento e mesmo de fragmentação do indivíduo moderno. Os quadros de referência que davam ao indivíduo uma certa sensação de pertinência em um universo centrado, de alguma forma, entram em crise, e passam a se constituir em algo descentrado e fragmentado.”

Conforme Pereira (2013): “A nova concepção do sujeito se caracteriza pelo provisório, variável e problemático, alguém como não tendo uma identidade fixa, essencial ou permanente. É uma fantasia, afirma Hall (2003, p.13), considerar a identidade plenamente unificada, completa, segura e coerente.”

Segundo alguns autores a pós-modernidade se caracteriza por instantaneidade, velocidade de informações, liquidez assim como perda da historicidade e falta de profundidade (Bauman 2005 e Jameson,2002 apud Machado e Olekszechen,2013)

De acordo com Machado e Olekszechen (2013): “É de extrema complexidade o entendimento de um contexto que se altera a todo instante, que não é estático e, sendo assim, a experiência de viver e de se relacionar com o outro e com o mundo se apresenta como um desafio constante”.

Para Machado e Olekszechen (2013), a identidade pessoal foi substituída por uma identidade múltipla que se dá por múltiplas identificações e por isso o sujeito se tornou fragmentado e superficial.

Segundo GIDDENS (2002 apud Mocellim) na modernidade a constituição do sujeito é um projeto reflexivo de responsabilidade do indivíduo, cabe ao indivíduo fazer suas escolhas sobre quem deseja tornar-se, o que se identifica e sua inserção em ideologias e grupos sociais. Outra característica do sujeito é construir sua identidade elaborando o passado e vislumbrando um futuro para si. A construção da identidade depende de uma narrativa sobre si a partir da história de vida do sujeito e sua socialização prévia.

Segundo GIDDENS (2002 apud Mocellim) o sujeito se vê deparado com a necessidade de escolher um projeto de vida ou estilo de vida: “(...) nas condições da alta modernidade, não só seguimos estilos de vida, mas num importante sentido somos obrigados a faze-lo – não temos escolha senão escolher. Um estilo de vida pode ser definido como um conjunto mais ou menos integrado de práticas que um indivíduo abraça, não só porque essas práticas preenchem necessidades utilitárias, mas porque forma material a uma narrativa particular da auto-identidade.”

Segundo Giddens (2002 apud Mocellim), os tempos pós-modernos no ocidente não oferecem autoridades definitivas ou quadros de referências estáveis e indubitáveis, as tradições já não são fonte principal de autoridade, as grandes metanarrativas cederam lugar às fragmentações e à multiplicidade. Portanto, nos dias de hoje há um pluralismo de autoridades, oferecendo à dispor do indivíduo diversas escolhas opostas e incompatíveis entre si, tornando a constituição de si e da própria vida um processo mais complexo, incerto, inseguro e múltiplo.

Segundo Araújo o referencial do sujeito e a constituição de sua identidade não é mais a realidade, mas o seu discurso, a sua imagem, a sua virtualidade. Na época atual o psicólogo deve atender às necessidades de sujeitos hiperindividualistas e pragmáticos que usam o consumo como compensação de sua angústia existencial e seu vazio sobre o presente e o futuro.

De acordo com Debord (2006 apud Araújo) na sociedade do espetáculo, a exibição é a razão da existência dos homens. Por conseguinte, para Birman (2003 apud Araújo) atualmente o autocentramento é grande por parte de indivíduos que recorrem à estetização da existência, exaltando o próprio eu e manifestando a hegemonia da aparência e da imagem.

Nos tempos atuais a construção de si, por ser responsabilidade do sujeito, é algo que demanda escolhas pessoais sobre estilos de vida, ideologias, profissões, temáticas como sexualidade e relacionamentos, religiões, gostos, opiniões. Assim sendo, num mundo onde as referências externas e autoridades para a subjetivação não estão dadas e definidas universalmente nem de forma unânime o sujeito pós-modernos depara-se diante de uma série de escolhas sobre quem deseja ser e seus projetos de futuro. Como as incertezas, dúvidas, multiplicidade, fragmentações são evidentes a angústia existencial passa a se exacerbar pois não existem papéis pré-definidos e um mundo rigidamente definido para se inserir.

O sujeito deve inventar a si mesmo e seus modos de existência, sendo um artista de si mesmo, construindo sua individualidade, seu estilo de vida, seus projetos de vida. Mesmo compreender como são ou devem ser as coisas é questão de muita reflexão, opções pessoais e negociações pois vivemos em tempos de pluralidade e maior liberdade de escolha.

Essa responsabilização para construir a própria vida e a si mesmo faz com que as pessoas se sintam sem referências, perdidas no mundo e aos poucos elas devem descobrir suas preferências pessoais ou descobrir que existem muitas diferenças entre grupos e maneiras de pensar e viver e que por isso esse pode avaliar, comparar, refletir, percebendo que uma verdade final e pré-estabelecida não está dada. A verdade passa a ser mesmo questão de gosto ou preferência como indica um dizer presente entre os jovens afirmando entre si que esses não ditam as regras e cada um pensa do jeito que quiser.

Uma das prerrogativas do projeto moderno de racionalização do mundo, do homem e da sociedade é facilitar a vida das pessoas e controlar a natureza para construir a felicidade no planeta terra. A pós-modernidade ou modernidade tardia enfrenta essa crise no projeto moderno em que o ser humano não conseguiu dar conta dos problemas e sofrimentos na condição humana, da eliminação das dores e melhora indefinida nas condições sociais.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

PEREIRA, Helder Rodrigues. A crise da identidade na cultura pós-moderna. Mental, Barbacena, v. 2, n. 2, jun. 2004 . Disponível em <http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1679-44272004000100007&lng=pt&nrm=iso>. acessos em 15 jun. 2013.

ARAÚJO, Renata Castelo Branco. O sofrimento psíquico na pós-modernidade: uma discussão dos sintomas atuais na clínica psicológica. Monografia. O portal dos psicólogos. Disponível em: <http://www.psicologia.com.pt/artigos/textos/TL0311.pdf> Acesso em: 19 jun 2013.

MACHADO, Letícia Vier; OLEKSZECHEN, Nikolas. Uma discussão sobre a constituição da identidade na pós-modernidade. Disponível em: <http://www.google.com.br/url?sa=t&rct=j&q=uma%20discuss%C3%A3o%20sobre%20a%20constitui%C3%A7%C3%A3o%20da%20identidade%20%20na%20p%C3%B3s-modernidade&source=web&cd=1&ved=0CCoQFjAA&url=http%3A%2F%2Fwww.cesumar.br%2Fcurtas%2Fpsicologia2008%2Ftrabalhos%2FUMA_DISCUSSAO_SOBRE_A_CONSTITUICAO_DA_IDENTIDADE_NA_POS-MODERNIDADE.pdf&ei=vSbCUa-RL8LD4AOkxoH4BA&usg=AFQjCNELEgEsys45lKZkrkNNwtaKwkeF7A&cad=rja>. Acesso em: 19 jun 2013.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 2/01/2026 10:22:00 AM Nenhum comentário:
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quarta-feira, 1 de outubro de 2025

Releitura crítica de "surto"

Se definirmos a noção social de "surto" por seus elementos constituintes, isto é, não pela aceitabilidade do comportamento, definição que tem viés de poder social e econômico nas relações sociais, mas pela apresentação de comportamentos com alta dificuldade de manejo, tal definição comportaria maior equitatividade e inclusividade em diversidade de valores sociais implícitos, já que incluiria circunstâncias em que há apresentação de comportamentos-problemas em manutenção de boas condições sociais da pessoa que os apresenta mesmo que não seja evidente, esse geralmente é o critério de confirmação, a topografia (forma) de comportamento de aparência de "surto". O significado disso é a demonstração de que a noção social de surto é baseada em observações e descrições mal feitas do comportamento que confirmam ou reproduzem hierarquias sociais. Essa definição tem a virtude de permitir contrafactualidade entre condições sociais favoráveis e adversas.

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 10/01/2025 11:27:00 AM Nenhum comentário:
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quarta-feira, 22 de janeiro de 2025

Manicomialidade (Definição autoral)

Manicomialidade são as circunstâncias sociais prejudiciais, hostis e difíceis de resolver dentro de relações de poder desequilibradas nos diversos âmbitos da sociedade (jurídico, econômico, social, sistema de saúde, etc).

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 1/22/2025 09:34:00 AM Nenhum comentário:
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sábado, 26 de agosto de 2023

Conclusão fundamental: tudo é remédio

Tales de Mileto foi o primeiro filósofo da Grécia (da história). Ao afirmar que tudo é água, deu a primeira explicação do mundo de cunho não mítico. No caso dos discursos sobre a saúde uma analogia pode ser feita. As pessoas crescem tomando remédios para seus problemas de saúde e então chegam a uma conclusão fundamental: em matéria de saúde, tudo é remédio. Isto é, qualquer benefício à saúde é explicado por remédios, os quais são as únicas estratégias factíveis e sempre necessários. Qualquer malefícios à saúde são explicados pela falta de remédio. Uma pessoa com formação em saúde sabe como isso é ingênuo, estrutural e planejado por forças econômicas. Esse tema se chama representação simbólica do medicamento na cultura. É tema difícil de intervir. Descrições desse tema em termos de espaço e tempo e pragmatismo seriam úteis [contingências de reforçamento / análise do comportamento].
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 8/26/2023 10:45:00 AM Nenhum comentário:
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quarta-feira, 10 de julho de 2019

Sociologia da psicologia

Vale a pena ler sobre teorias psicológicas e sociologia no livro A construção social da realidade.  Nas seções Teorias da identidade / organismo e identidade. (p. 228 até 241)

O livro está em pdf na internet.

https://cristianorodriguesdotcom.files.wordpress.com/2013/06/bergerluckman.pdf
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/10/2019 11:22:00 AM Nenhum comentário:
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Orientação na realidade

Se o psiquiatra for sensível ao contexto sócio-cultural das condições psicológicas chegará a diagnósticos diferentes do indivíduo que conversa com os mortos, dependendo desse indivíduo vir, por exemplo da cidade de Nova Iorque ou de uma zona rural do Haiti. Dito diferentemente, as perguntas relativas ao estados psicológico não podem ser decididas sem o reconhecimento das definições da realidade admitidas como verdadeiras na situação social do indivíduo. Expressando-nos de maneira mais precisa, o estado psicológico é relativo às definições sociais da realidade em geral, sendo ele próprio socialmente definido.

Do livro A construção social da realidade (p.231)



Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/10/2019 11:09:00 AM Nenhum comentário:
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sábado, 6 de julho de 2019

Realidade, psiquiatria biológica e sociologia do conhecimento

A realidade é socialmente definida segundo a sociologia do conhecimento. Estar dentro da realidade consiste em seguir prescrições de conduta dessa sociedade. Esses padrões variam segundo grupos, sociedade e contextos.

Falar em capacidade biológica de apreender imediatamente a realidade como faz a psiquiatria não faz sentido. O conceito de realidade da psiquiatria biológica é ingênuo. Não resiste a um confronto com a sociologia do conhecimento.

Estar dentro da realidade é seguir conduta socialmente definida.
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/06/2019 08:20:00 PM Nenhum comentário:
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quinta-feira, 4 de julho de 2019

Rotinas sociais e soluções de problemas


A realidade social do cotidiano é construída a partir de objetivações de percepções subjetivas em produtos de atividades. A realidade é construída socialmente de acordo com o acervo social de conhecimento de senso comum e técnico/intelectual. O senso comum da vida cotidiana é o acervo comum de conhecimento necessário para lidar com a rotina da vida cotidiana. Algo que apresenta como problemático quando sai da rotina da vida cotidiana e é preciso colocar o conhecimento do senso comum em dúvida e procurar conhecimento mais sofisticado. Os acontecimentos e as pessoas são tipificadas em classificações relacionadas ao acervo social de conhecimento.

Os problemas de saúde mental surgem ao se sair da rotina da vida cotidiana (quando a diferença se apresenta). Nos casos de problemas de saúde mental a diferença se apresenta como problemática devido à ausência de capacidade do acervo social de conhecimento do senso comum de lidar com essa diferença de forma rotineira. As tipificações ou classificações para entender acontecimentos sociais, naturais e pessoas estabelecem interações sociais de acordo ou podem também estabelecer acontecimentos e características das pessoas. As construções sociais podem ocasionar problemas de saúde mental ao classificar certas pessoas e acontecimentos como problemáticos a partir da intolerância à diferença ou estabelecer interações sociais que não são positivas para todos apesar de serem entendimentos rotineiros para um dos lados.

Nisso entra o entendimento médico/manicomial da diferença ou o entendimento psicossocial da diferença e como essas classificações das diferenças produzem realidades melhores ou piores. O entendimento do modelo médico em saúde mental envolve responsabilizar a suposta doença biológica pelas incapacidades construídas por esse entendimento. O entendimento médico/manicomial da diferença se mantém pelo autoritarismo de não permitir as pessoas escaparem a esse entendimento na prática. Com isso, impede de estabelecer um acervo social de conhecimento no senso comum que lidaria com a diferença de maneira rotineira (Reforma Psiquiátrica) e não problemática ou que dispensaria a psiquiatria biomédica em favor de intervenções psicossociais.

Resenha do começo do livro A construção social da realidade.
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/04/2019 08:52:00 AM Nenhum comentário:
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quarta-feira, 3 de julho de 2019

Intimidação médica e conhecimento exclusivo

O crescente número de complexidade dos subuniversos fazem com que se tornem cada vez mais inacessíveis aos estranhos. Passam a ser enclaves esotéricos, "hermeticamente vedados" (no sentido de classicamente ligado ao corpo hermético o conhecimento secreto) a todos exceto àqueles que foram devidamente iniciados em seus mistérios. A crescente autonomia dos subuniversos contribui para criar problemas especiais de legitimação tanto para os estranhos quanto para os íntimos. Os estranhos tem de ser impedidos de entrar, e mesmo conservados na ignorância da existência do subuniverso. Se, porém, não chegam a ignorá-lo e se o subuniverso requer vários privilégios e reconhecimentos especiais da sociedade mais ampla, existe o problema de manter de fora os estranhos e ao mesmo tempo fazer com que admitam a legitimidade deste procedimento. Isto é realizado por meio de várias técnicas de intimidação, propaganda racional e irracional (apelando para os interesses dos estranhos e para suas emoções), mistificação e, em geral, a manipulação dos símbolos de prestígio. Os íntimos, por outro lado, têm de ser mantidos dentro. Isto exige a criação de procedimentos práticos e teóricos pelos quais é possível reprimir a tentação de escapar do sub-universo. Examinaremos mais adiante com alguns detalhes este duplo problema da legitimação. De momento, basta-nos dar uma ilustração. Não é suficiente instituir um subuniverso esotérico na medicina. É preciso convencer o público leigo de que isto é correto e benéfico e a fraternidade médica deve ser conservada nos padrões deste subuniverso. Assim a população geral é intimidada pelas imagens da ruína física que se segue à atitude de "opor-se aos conselhos do médico". É persuadida a não fazer isso pelos benefícios práticos da obediência e pelo seu próprio horror da doença e da morte. Para sublinhar sua autoridade, a profissão médica recobre-se com os velhos símbolos de poder e mistério, das vestimentas à linguagem incompreensível, tudo isso naturalmente legitimado para o público e para ela própria em termos práticos. Enquanto isso, os habitantes devidamente credenciados do mundo médico são preservados do "charlatanismo" (isto é, pisarem fora do subuniverso médico em pensamento ou na ação) não só pelos poderosos controles externos de que a profissão dispõe, mas também por todo um corpo de conhecimento profissional que lhes oferece a "prova científica" de loucura, e até da maldade, deste desvio. Em outras palavras, entra em ação uma maquinaria inteira de legitimação, como o fim de manter os leigos como leigos e os médicos como médicos, e  (se possível) que ambos assim procedam com satisfação.

Do livro: A construção social da realidade. (p. 121)

Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/03/2019 03:53:00 PM Nenhum comentário:
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Loucura e sociologia do conhecimento

A partir da sociologia do conhecimento é simples o problema da doença mental. A realidade é construída pelo conhecimento social. Logo, negar ou apresentar discurso incompatível com o que o conhecimento define como real é considerado loucura. Mesmo que o conhecimento seja relativo e natural a grupos específicos. O prestígio ou benefícios concedidos a quem reproduz o conhecimento é suficiente para motivar as pessoas a serem típicas dentro de um grupo.

O conhecimento adotado para produzir a realidade no entanto nem sempre é da melhor qualidade disponível.
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/03/2019 01:10:00 PM Nenhum comentário:
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Marcadores: ciências sociais, construção social, Loucura, realidade

Inteligência socialmente descomprometida

e (aqui, segundo pensou Manheim, indo além de Marx) a ideologia caracterizando não somente o pensamento do adversário mas também o do próprio pensador. Com o conceito geral de ideologia alcança-se o nível da sociologia do conhecimento, a compreensão de que não há pensamento humano (apenas com exceções antes mencionadas) que seja imune às influências ideologizantes de seu contexto social.

Seja como for, Manheim acreditava que as influência ideologizantes, embora não pudessem ser completamente erradicadas, podiam ser mitigadas pela análise sistemática do maior número possível de posições variáveis socialmente fundadas. Em outras palavras, o objeto do pensamento torna-se progressivamente mais claro com esta acumulação de diferentes perspectivas a eles referentes. Nisso deve consistir a tarefa da sociologia do conhecimento, que se torna assim uma importante ajuda na procura de qualquer entendimento correto dos acontecimentos humanos.
Manheim acreditava que os diferentes grupos sociais variam enormemente sua capacidade de transcender deste modo sua própria estreita posição. Depositava a maior esperança na "inteligência socialmente descomprometida", uma espécie de estrato intersticial que acreditava estar relativamente livre de interesse de classe.

No livro A construção social da realidade (p. 22-23)
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/03/2019 10:46:00 AM Nenhum comentário:
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segunda-feira, 1 de julho de 2019

Conhecimento institucional e "doença mental"

O conhecimento primário relativo à ordem institucional é o conhecimento situado no nível pré-teórico. É a soma de tudo aquilo que "todos sabem", a respeito do mundo social, um conjunto de máximas, princípios morais, frases proverbiais de sabedoria, valores e crenças, mitos, etc., cuja integração teórica exige considerável força intelectual, conforme comprova a longa linha de heróicos integradores, de Homero aos últimos construtores de sistemas sociológicos. No nível pré-teórico, porém, toda instituição tem um corpo de conhecimento transmitido como receita, isto é, conhecimento que fornece as regras de conduta institucionalmente adequadas.

Este conhecimento constitui a dinâmica motivadora da conduta institucionalizada. Define as áreas institucionalizadas da conduta e designa todas as situações que se localizam dentro destas áreas. Define e constrói os papéis que devem ser desempenhados no contexto das instituições em questão. Ipso facto, controla e prediz todas estas condutas. Sendo este conhecimento socialmente objetivado como conhecimento, isto é, um corpo de verdades universalmente válidas sobre a realidade, qualquer desvio radical da ordem institucional toma caráter de um afastamento da realidade. Este desvio pode ser designado como depravação moral, doença mental ou simplesmente ignorância crassa. Emboras essas delicadas distinções tenham consequências óbvias para o tratamento do indivíduo que se desviou, todas elas participam de um status cognoscitivo inferior no particular mundo social. [Entendi que essas distinções são subprodutos do conhecimento institucional e sua violação]

Do livro A construção social da realidade (p. 93)
Postado por Eduardo Popinhak Franco às 7/01/2019 11:09:00 PM Nenhum comentário:
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Série: Hierarquia entre AEC e Modelo Biomédico

Implicações do Modelo biomédico e Análise do Comportamento Resultado de análise em lógica adaptativa LATAr   https://eduardopopinhakfranco.s...

  • Substack: Uma discussão sobre as relações entre a reforma psiquiátrica brasileira e a análise do comportamento
"Embora a situação de opressão em relação ao "paciente psiquiátrico" seja singular, pois ele está amarrado a um sistema teórico e social de rotulação e desqualificação frente à sociedade, essa condição de exclusão no planejamento, nas decisões e nas próprias análises acadêmicas, atinge a maioria dos setores sociais oprimidos". 'Dizem que sou louco': um estudo sobre identidade e instituição psiquiátrica Tânia Maris Grigolo GRIGOLO, T. M. (2000). “Dizem que sou louco” - um estudo sobre identidade e instituição psiquiátrica. Revista de Ciências Humanas (Série Especial Temática). Florianópolis: UFSC.

Fase aguda, fase crônica e recaída (redefinição)

Bloggers pagos e mídia paga

"Também existem mensagens plantadas. A indústria tem exércitos de bloggers remunerados que distribuem material de indústria farmacêutica disfarçado como opinião na Internet, e a maior parte das mais importantes empresas da mídia tem laços com esse ramo. Por exemplo, James Murdoch, filho de Joseph Murdoch, estava na diretoria da ########, e a CEO da Time Inc's, Laura Lang, trabalhou anteriormente na ##### e na ########. Isso ajuda a explicar por que vemos com tanta frequência artigos completamente acríticos na mídia, que são copia-e-cola de comunicados de imprensa da empresa sobre seus medicamentos maravilhosos. Igual à indústria de medicamentos, a mídia é muito poderosa e, quando as duas juntam forças, as inverdades são piores. A indústria também tenta conseguir acesso para fazer mudanças na Wikipedia para garantir que mensagens amigáveis às empresas farmacêuticas apareçam lá também." Livro Medicamentos mortais e crime organizado

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