O ajuste simples, fácil e neutro à sociedade é geralmente o curso natural da saúde mental. Essas características de ajuste são favoráveis ao entendimento de desenvolvimento do maturacionismo segundo o qual o desenvolvimento é um processo interno que ocorre naturalmente. Por outro lado, o desenvolvimento em termos de aprendizagem por interações com o meio (fenômeno do comportamento operante) é compatível com o ajuste não simples, não fácil e não neutro à sociedade em que o planejamento de condições de aprendizagem visto como desnecessário e desconsiderado tem efeitos demonstráveis no desenvolvimento de repertório de comportamentos operantes, sendo esse um processo necessariamente com manejo de eventos externos. O fato de que o desenvolvimento possa não ocorrer naturalmente como um processo de maturação interna, ao não ser reconhecido pela sociedade, tem consequências para a qualidade da promoção de condições de aprendizagem em geral e impacto nas possibilidades de reversibilidade de desenvolvimento e condições de vida insatisfatórios, sendo tais condições institucionalmente legitimadas como padrão típico de desenvolvimento de pessoas com transtornos mentais pela psiquiatria biológica e neurociências.
Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Aviso!
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
terça-feira, 23 de junho de 2026
Modelos normais e não normais de mundo
No mundo normalmente comportado o sinal é que nada é e nem deve ser insólito. Qualquer coisa insólita, fato, informação ou conhecimento por isso devem ser descartados como ruído.
Nos modelos de comportamento de mundo normalmente comportado, as probabilidades estatisticamente normais são sinal e as probabilidades baixas são ruído. Nos modelos de mundo não normalmente comportados, as baixas probabilidades não são necessariamente ruído. Logo, os mundos ou fatos acessíveis e mundos ou fatos inacessíveis são diferentes. A relação entre ambos os tipos de modelos de comportamento de mundo são definíveis contingentemente. Teorias assumiriam um dos tipos de modelos de comportamento de mundo como sua definição e interpretação de dados que contam como sinal e como ruído.
Modele isso a partir de lógica modal e estipule as relações possíveis entre os dois tipos de modelos de comportamento do mundo e acesso a mundos (fatos normais ou não normais).
Resultado de IA:
O resultado é acessibilidade somente ao mundo normal para o modelo de comportamento de mundo normal e acessibilidade aos dois tipos de mundo no modelo de comportamento de mundo não normal.
sexta-feira, 19 de junho de 2026
Categorias diagnósticas, erros, sofrimento e consequências
Categorias diagnósticas e entidades biológicas correspondentes são empregados como explicações para erros, sofrimento e consequências prejudiciais. Erros, sofrimento e consequências prejudiciais são questões de aprendizagem sem que haja necessidade de serem postuladas explicações de entidades biológicas internas para alterações na condição humana caracterizada como naturalmente não problemática, confortável e fácil. Aquilo que é não problemático, confortável e fácil é resultado de condições de promoção de aprendizagem efetiva de acordo com exigências ambientais.
segunda-feira, 4 de maio de 2026
Psicanálise e probabilidades comuns
O posicionamento ideológico da psicanálise contra a vida normativa é uma forma de reconhecer a baixa probabilidade de fazer tudo de acordo com o script normativo. Isso é seguir probabilidades já disponíveis no repertório de muitas pessoas. Logo, o mérito na posição é de reconhecer as limitações da sua atuação clínica de produzir o difícil de ocorrer.
quarta-feira, 29 de abril de 2026
O desinteresse médico por causas
A experiência de ir no médico geralmente é tomar uma medicação com base num exame. O médico geralmente sequer faz uma pergunta sobre causas. De onde vem esse desinteresse por causas e determinantes da saúde? A investigação de causas é difícil, trabalhosa e inatingível no tempo de uma consulta e uma consulta com preço acessível. No entanto, o ponto principal possivelmente é que identificar causas implica em responsabilidade, polêmicas, emoções fortes, complicações econômicas, sociais e políticas para os agentes implicados no prejuízo à saúde. Um medicina alienada de causas é muito mais compatível com a sociedade de mercado sem impedimentos e constrangimentos. Até porque implicaria em custos e dificuldades de execução de projetos de ESG.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Comportamento conceitual: teoria e prática
Todo comportamento não aleatório, se não agrupar e não diferenciar estímulos de nenhuma forma for possível (o que sempre acontece de alguma forma), é comportamento conceitual no sentido biológico da análise experimental do comportamento. Isso inclui desde o nível mais alto de abstração até o nível mais primitivo. Exemplos são tanto comportamento de domínio epistêmico, ontológico, lógico como protocolos de obtenção de sucesso prático. O teórico perde o status de abstração ao obter sucesso prático e obtém status de realidade prática. Derrogar o teórico-conceitual por preferência pelo operacional faz sentido científico e pragmático. No entanto, conceitos permitem ampliar os limites do possível de ser concretizado em realidade prática.
Heteronomia e adaptação social
A heteronomia é uma estratégia de adaptação social que funciona em muitas situações. Pelo menos para seguir o modo de funcionamento social sem atritos. Uma vez que a heteronomia não resolva os desafios, a autonomia exige habilidades de entendimento em grau difícil de efeitos eficazes, implicando em riscos decisórios. Por isso, a autonomia geralmente é restringida ou vista como um problema.
Histórico da discussão:
1) Immanuel Kant: O Que é o Esclarecimento?
https://ppgfil.propesp.ufpa.br/ARQUIVOS/Processo%20Seletivo/2019.2/KANT,%20Immanuel.%20Que%20%C3%A9%20Esclarecimento.pdf
2) Declarações de Thomas Szasz sobre autonomia.
sábado, 7 de fevereiro de 2026
O que é um "louco"?
Na perspectiva manicomial, o "louco" no sentido depreciativo é a pessoa cujo comportamento operante, cujos determinantes são inteiramente orgânicos e internos e portanto tornam o comportamento inteiramente subordinado causalmente, "cria" problemas pela produção de consequências. O "louco" está fadado a criar problemas devido a suas variáveis constitutivas ou essenciais, as quais são definidas como centrais, e insensível a variáveis determinantes ou relativamente insensível a tais variáveis, as quais são definidas como secundárias. Logo, não há previsibilidade e controlabilidade fundamental possível para o "louco".
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
Usualidade normativa, patologia e contrafactualidade
O conceito de usualidade normativa tem base no conceito de que os fatos que geralmente ocorrem representam uma normatividade de leis naturais e leis sociais e que acontecer algo diferente é sinal de perturbação de leis naturais e leis sociais e por isso patologia. Como explicação alternativa não baseada em patologia, é possível a estrutura conceitual de explicação segundo a qual a contrafactualidade de leis naturais e leis sociais exige estratégias diferentes de influência sobre variáveis naturais e sociais. A complexidade da base diferente de variáveis naturais e sociais e insuficiência do repertório de usualidade normativa é sinal de incompletude de influência sobre variáveis, necessidade de curva de aprendizagem de estabelecimento de novo repertório e portanto poderia significar um estado natural e social de menores problemas ao invés dos maiores problemas que surgem uma vez que a usualidade normativa é perturbada.
domingo, 26 de outubro de 2025
Produtividade, o cérebro e a aprendizagem
Registros audiovisuais de pessoas estudando por longos períodos tem probabilidade aumentada de serem interpretados como resultado de um cérebro bem utilizado ou um cérebro impressionante. No entanto, tal conceito altamente difundido é uma interpretação imprecisa da produtividade intelectual e profissional pois a real "boa utilização do cérebro" depende de boa manipulação de variáveis de aprendizagem funcional de aquisição de repertório de comportamentos operantes de produtividade e histórico de sucesso. Tal manipulação não é replicável apenas com linguagem fisicalista de neurobiologia em nível reducionista sobre variáveis de modificação do cérebro.
sábado, 27 de setembro de 2025
Padrões não responsivos a argumentação
domingo, 6 de julho de 2025
Neurotípicos e neurodiversos (releitura)
Nós estamos enquanto sociedade elencando repertórios de comportamento operante de fácil adaptação social como norma, normais ou neurotípicos e classificando repertórios de comportamento operante com cuidados adicionais como anormais ou neurodiversos. Isso é científicamente incorreto com base na área de neurociência e comportamento pois repertórios de comportamento operante são formados pelo histórico de interação com o meio e não são redutíveis a meros subconjuntos de características cerebrais orgânicas. Essa é uma mudança de ênfase de explicação proveitosa e necessária de ser realizada ainda no âmbito das ciências naturais e que não é a mudança epistemológica para as ciências humanas e sociais que a reforma psiquiátrica tradicionalmente propõe. É provável que as pessoas classificadas como neurotípicas tenham alterações cerebrais orgânicas e as pessoas classificadas como neurodiversas tenham características cerebrais comuns. Repertórios de comportamento operante não são perfeitamente correlacionáveis com estado orgânico cerebral. Esse é o mesmo erro da redução da repertórios de comportamento operante a subconjuntos de características orgânicas do cérebro.
Ver mais:
Em postagem fixada no topo do blogue de série sobre hierarquia entre análise experimental do comportamento e modelo biomédico
sábado, 21 de junho de 2025
Assimetria de sensibilidade e tolerância a padrões
As categorias nosológicas da psiquiatria tornam a sociedade altamente sensível a "desvios" de padrões almejados ou impositivos. Pessoas com características de comportamentos e fenômenos de aprendizagem diferentes dos padrões pré-estabelecidos de desvio tem um âmbito de liberdade que escapa ao escopo de avaliação. Por isso, a sociedade se torna altamente intolerante e reguladora de alguns padrões impositivos, por motivos e condições sociais não examinados, e são tolerantes e garantem a baixa regulação para pessoas para qual a sociedade não tem sistemas culturais de classificação sensíveis ou estereotipados a suas características de comportamento. A impositividade de certos padrões é determinante do grau de avaliação, controle, regulação, crítica, intolerância, discriminação, hostilidade, condições desfavoráveis, pressões sociais, exigência, etc.
sexta-feira, 23 de maio de 2025
A falsa segurança corretiva em saúde
Comportamentos corretivos de saúde e corretivos em geral tem aspectos emocionais de possível falsa segurança que num exame mais aprofundado poderiam se demonstrar prejudiciais e irracionais.
quarta-feira, 14 de maio de 2025
O negacionismo mente/cérebro
De acordo com as concepções mais tradicionais de psicologia humana, tudo o que existe é conteúdo e cérebro. É um negacionismo forte em relação a análise experimental do comportamento.
sexta-feira, 2 de maio de 2025
Modelo clínico de Kraeplin: reinterpretação comportamental
O modelo clínico de Kraeplin, criador das bases da psiquiatria moderna e biológica contemporânea, tem uma base factual em circunstâncias: fazer alterações difíceis (Definição de difícil: insuficiência de aprendizagem operante) em contingências de reforçamento ocasiona problemas e tem baixa viabilidade. Por isso, contingências de reforçamento estabelecidas pelas pessoas com poder devem ser respeitadas, legitimadas e apoiadas. A pessoa que não satisfaz as contingências de reforçamento estabelecidas pelas pessoas com poder está clinicamente doente por alteração orgânica. Inversamente, a saúde mental é o valor reforçador do repertório de comportamentos para as contingências de reforçamento vigentes, as quais devem ser respeitadas ou alteradas sem problemas significativos.
segunda-feira, 9 de setembro de 2024
Estratégias básicas de normalidade
As estratégias básicas e simples de ajuste de normalidade ou de "senso das coisas" são:
1) Imitar o que a maioria das pessoas fazem
2) Confiar no que é dito sem necessidade de reflexão
3) Proteger-se repetindo o que todos dizem
4) Fuga-Esquiva de agir diferente de padrões hegemônicos
5) Evitar lidar com questões complexas e sistêmicas
6) Seguir tradições e conformar-se
7) Rejeitar inovações
8) Utilizar-se de formas de poder ao próprio alcance
A mudança dessas estratégias para estratégias mais refinadas envolve uma curva de aprendizagem desafiadora.
terça-feira, 9 de abril de 2024
A formação da percepção de normalidade
quarta-feira, 30 de novembro de 2022
Curva de aprendizagem e difusão de perspectivas
É uma "lei" da difusão: perspectivas ou qualquer coisa que requer maior curva de aprendizagem tende probabilisticamente a ter menor difusão. E o inverso: perspectivas ou qualquer coisa com menor curva de aprendizagem tende probabilisticamente a ter maior difusão.
Por que isso é interessante? Porque quebra um pouco a mentalidade inspirada em Quetelet que diz que o indivíduo médio é a maior perfeição, a qual é uma perspectiva teológica que tem implicações na medicina e sociedade.
quinta-feira, 14 de julho de 2022
O rotineiro, a crise e o corpo
Culturalmente os eventos sociais se dividem em 1) rotineiros, ordinários ou aquilo que e planejado para evitar acidentes e 2) o extraordinário, o não rotineiro, o acidente, a crise.