Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
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quarta-feira, 29 de abril de 2026

O desinteresse médico por causas

A experiência de ir no médico geralmente é tomar uma medicação com base num exame. O médico geralmente sequer faz uma pergunta sobre causas. De onde vem esse desinteresse por causas e determinantes da saúde? A investigação de causas é difícil, trabalhosa e inatingível no tempo de uma consulta e uma consulta com preço acessível. No entanto, o ponto principal possivelmente é que identificar causas implica em responsabilidade, polêmicas, emoções fortes, complicações econômicas, sociais e políticas para os agentes implicados no prejuízo à saúde. Um medicina alienada de causas é muito mais compatível com a sociedade de mercado sem impedimentos e constrangimentos. Até porque implicaria em custos e dificuldades de execução de projetos de ESG.

terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Solidão do idoso e problemas físicos e mentais

As relações estatísticas entre isolamento e condições de saúde mental e física não devem ser tratadas como as variáveis independentes e variáveis dependentes do método experimental. Não é porque uma relação é comum que é necessariamente causal por si só. Existem diferentes maneiras de viver só. A estatística é um método sócio-científico e por isso seus resultados descrevem influências de condições sociais.

quarta-feira, 7 de junho de 2023

Intervenção precoce: única opção de bons resultados?

Como a psiquiatria alega que depois da "lesão" não há mais o que fazer e que não há cura, recorre ao discurso do diagnóstico e intervenção precoce para poder alegar conseguir bons resultados.

É algo a ser analisado.


 

sábado, 9 de julho de 2022

Perdas funcionais e tratamento psiquiátrico (reformulado 2)

Perdas funcionais e tratamento psiquiátrico (reformulado)

A linguagem psiquiátrica se refere à "perdas funcionais" quando os usuários param suas drogas psiquiátricas ou se envolvem em situações nomeadas como crise. 
 
A noção de "perdas funcionais" supõe uma etiologia conhecida (origem) e uma inferência a partir dessa etiologia. Se as evidências dessa etiologia tiverem baixa evidência, as inferências sobre "perdas funcionais" progressivas devido à duração do tempo sem tratamento psiquiátrico devem ser revistas.

Uma etiologia conhecida também é suposta para se propor uma definição operacional das perdas funcionais de um transtorno mental específico. A definição operacional de perdas funcionais envolveria a definição de um instrumento de observação e uma escala de mensuração para os componentes do conceito: estruturas cerebrais que são inferidas ou "observadas" (nem sempre de forma rigorosa ou correta) e que afetariam as realizações sociais (produto das estruturas). As realizações sociais seriam o componente de consequência desses comportamentos. Uma forma de evidência de produto. O componente de repertório comportamental aprendido, implícito em realizações sociais, seria um aspecto chave para reverter o que a psiquiatria chama de "perdas funcionais" decorrentes de alterações orgânicas, isto é, modificando comportamentos para obter consequências socialmente valorizadas. No momento de escrever a primeira versão do texto optei por não falar em estruturas pois isso é mentalismo orgânico (fazer inferências não observadas de estruturas orgânicas como uma explicação a partir dos comportamentos) e também porque duvido da etiologia suposta. A definição de "perdas funcionais" na área de psiquiatria envolveria apenas o impacto de estruturas orgânicas na qualidade do repertório comportamental, avaliado com estatísticas. Mas a aprendizagem de repertório comportamental e sua qualidade envolve muito mais variáveis, com destaque para variáveis ambientais. Além disso, o objetivo não era a coerência com o pensamento teórico sistemático da psiquiatria.

Uma alteração cerebral ou biológica alteraria o padrão dos parâmetros da aprendizagem de comportamentos. Um princípio pouco aceito da análise do comportamento é tomar como funcional todos os comportamentos (análise funcional sistemática). É possível que haja um ambiente hostil. Além disso, parece inverossímil tomar como funcional descrições de pessoas que estão longe das expectativas sociais ou dos gabaritos sociais e não atribuir disfuncionalidade orgânica (modelo sócio-científico com metodologia estatística). É possível que os padrões dos parâmetros de aprendizagem de comportamento estejam alterados. A análise funcional na biologia (função do comportamento) não permite afirmar algo sobre a estruturas biológicas, apesar de ser possível aumentar o peso do fator ambiental. É possível que seja necessário uma complementação com uma análise etiológica. Mas tomar os comportamentos como funcionais (modelo naturalista com metodologia que toma o indivíduo como própria referência) é assumir a responsabilidade em compreender comportamentos e promover a aprendizagem.
 
A descrição da realidade concreta dos usuários a partir de observação e relatos sem recorrer à expressão "perdas funcionais"  leva à delimitação de que são circunstâncias de perdas de realizações sociais nas áreas educacional, afetiva, profissional e social, isto é, perder emprego, interromper cursos e perder matrícula, terminar relacionamentos afetivos e a qualidade das interações sociais. Essa é a base de fatos da alegação de que a doença progride a cada crise e a aplicação de um cálculo aritmético a priori (não empírico) de progressão de doença. A consequência do modelo de "perdas funcionais" é uma dedução teórica e contrafactual de afirmar que o paciente poderia ter sido mais saudável e tido a vida melhor e mais bem sucedida.

Estudos demonstraram que drogas psiquiátricas são danosas para a saúde física, cerebral e comportamental e para a funcionalidade global. Também demonstraram que a melhora da funcionalidade global sem as drogas psiquiátricas é possível e que os transtornos mentais não são tóxicos para o cérebro. Mas sem entrar nessas pesquisas, fazendo uma leitura do componente social, pode-se descrever essas "perdas funcionais" ou perdas de realizações sociais como a quebra de expectativas sociais ou de contratualidade social que podem não ser reversíveis.

Uma leitura social das perdas funcionais a descreve como desacreditação social que acontece após um diagnóstico que usa linguagem psiquiátrica (estigma), as instituições sociais que produzem falta de acesso a direitos sociais e civis e produção de vida para a circunstância de histórico de usuária da psiquiatria mas não somente (o que é institucionalização) e a perda de funcionalidade global resultante dos efeitos das drogas psiquiátricas ou outros tratamentos psiquiátricos. A palavra saúde pode sugerir outro significado, o de saúde biológica, e não ficarem claro os aspectos circunstanciais ou sociais.

Os comportamentos e situações conflituosas ou não esperadas não são necessariamente degenerativas no sentido médico (etiológico), embora a aprendizagem de comportamentos altere o cérebro no sentido positivo e negativo.

sábado, 4 de junho de 2022

Invalidez iatrogênica

"Concordo com Whitaker e Breggin que muitas, ou provavelmente a maioria das pessoas com deficiência sofrem de danos induzidos por drogas, não de uma doença mental. Nunca vimos uma catástrofe tão gigantesca de produção de doenças iatrogênicas antes."

Peter C. Gøtzsche no livro Psiquiatria mortal e negação organizada

terça-feira, 14 de dezembro de 2021

Psiquiatria preventiva e resistência à desprescrição

Lendo sobre psiquiatria preventiva no livro Loucos pela Vida entendi porque a resistência dos psiquiatras com a desprescrição é tão grande e porque é tão fácil hoje em dia ser considerado um 'doente mental incurável'.

A psiquiatria preventiva identifica suspeitos de potencialmente causar mal social com a finalidade de sanar males sociais. Então se a pessoa não agrada todo mundo ou não se comporta segundo um tipo psicossociológico elegido como ideal ela está basicamente condenada. A patologia é considerada sinônimo de inadequação, desvio, distúrbio, inadaptação. Então parar com medicamentos seria realizar o potencial de causar mal social.

A cada crise ou situação de confusão se considera que a doença está evoluindo linearmente segundo uma perspectiva de história natural da entidade patológica. O desenvolvimento das patologias ocorre de forma a-histórica, ou seja, independentemente de tempo e espaço.

O nome do autor é Caplan.

segunda-feira, 28 de dezembro de 2020

Responsabilidade é assustar familiares?

 Em livros de medicina sóbria que li dizia que o médico que assusta é considerado responsável pela população. Qual é a responsabilidade de assustar familiares para vender tratamento excessivo?

sexta-feira, 10 de julho de 2020

Precoce não é necessariamente melhor

http://pt.testingtreatments.org/tt-main-text/earlier-is-not-necessarily-better/

Pontos-chave

  • O diagnóstico precoce não conduz necessariamente a melhores resultados; por vezes, até piora as situações.
  • Os programas de rastreamento deveriam ser introduzidos somente com base em evidência sólida relativa aos seus efeitos.
  • A não introdução de um programa de rastreamento pode ser a melhor escolha.
  • As pessoas convidadas para fazer um rastreamento precisam de informação equilibrada.
  • Os benefícios do rastreamento são muitas vezes exagerados. • Os prejuízos do rastreamento são muitas vezes minimizados ou ignorados.
  • A boa comunicação sobre os benefícios, prejuízos e riscos do rastreamento são essenciais.

segunda-feira, 6 de abril de 2020

Prevenção e fabricação de loucura (atualizado)

Se um psiquiatra biológico investiga a fundo para procurar detalhes que interpreta como sinais de "doença mental" e prevê que o cliente vai piorar e que precisa de prevenção através de drogas psiquiátricas, a tendência é que essa profecia autorrealizadora se cumpra tanto por causa dos efeitos negativos das drogas psiquiátricas (neurotoxinas) quanto pelo inculcamento de interpretações psiquiátricas (pessimistas) da vida do cliente pela família, paciente e sociedade.

Quando o cliente propõe um desmame contra a opinião do médico isso também acontece. O médico prevê uma piora em 6 meses e uma interpretação da abstinência como recaída da "doença mental" que leva a sociedade a reagir à situação de maneira a pressionar o cliente para tomar a droga psiquiátrica ou responder com internação involuntária (interpretação psiquiátrica tradicional).

O pesquisador Peter C. Gøtzsche afirma algo semelhante no livro dele Deadly Psychiatry and Organized Denial

"O sobrediagnóstico e o tratamento excessivos generalizados são outro problema que eu trato. Lá há um superdiagnóstico enorme de transtornos mentais e, depois que você recebe um exame psiquiátrico diagnóstico tudo o que você faz ou diz torna-se suspeito, pois agora você está  observação, o que significa que o diagnóstico inicial, talvez experimental, também torna-se facilmente uma profecia auto-realizável (ver Capítulo 2)."

"Rosenhan explicou que o diagnóstico se torna uma profecia auto-realizável. Eventualmente, o paciente aceita o diagnóstico e se comporta de acordo. Rosenhan argumenta que não devemos rotular todos os pacientes esquizofrênicos com base em comportamentos ou cognições, mas limitar nossas discussões a comportamentos, os estímulos que os provocam e seus correlatos. Ele descobre que as forças psicológicas que resultam em despersonalização são fortes e imaginam como seria se o os pacientes fossem mais poderosos do que impotentes. Se eles fossem vistos como interessantes indivíduos em vez de entidades de diagnóstico; se eles fossem socialmente significativos do que leprosos sociais; e se a angústia deles verdadeira e totalmente compeliu nossas simpatias e preocupações; não procuraríamos contato com eles, apesar da disponibilidade de medicamentos? Talvez pelo prazer de tudo isso? Infelizmente, essas palavras sábias foram esquecidas na psiquiatria atual onde as histórias pessoais dos pacientes contam tão pouco que os psiquiatras geralmente falham em desvendá-los."

"Não é tão estranho quanto parece que muitas pessoas são diagnosticadas incorretamente com esquizofrenia. A psiquiatria é radicalmente diferente de outras áreas da medicina, pois pessoas normais têm sintomas e sentimentos semelhantes aos dos pacientes; é principalmente um questão de grau. Mesmo para a esquizofrenia, este é o caso. A psicose não é uma doença biológica como artrite, e muitas pessoas normais têm experiências de psicose  - incluindo delírios e alucinações - de tempos em tempos."

"Os demônios te atacam

Quando fizemos um diagnóstico, certo ou errado, jogamos uma vida em nossa construção social, por exemplo a equipe da Clínica Mayo disse que o distúrbio afeta você, como se tivesse alguma existência independente. Os sintomas do paciente são reais, mas o rótulo de diagnóstico não é real no sentido que define algo que existe independentemente de nós. Um elefante realmente existe e pode nos atacar se chegarmos muito perto. Também dizemos que doenças nos atacam, por exemplo. "ela
teve um ataque de asma ", como se a asma tivesse alguma existência real na natureza, como um elefante.

Você pode sentir que estou ficando muito filosófico, portanto, explicarei Capítulo 5, sobre o TDAH, por que essas distinções podem ser muito importantes. Aqui está outro exemplo. Quando um amigo meu foi internado no hospital em seus vinte anos com psicose aguda, o psiquiatra disse: "Você é esquizofrênico!" Nesse ponto, ela sentiu que deixou de existir como pessoa, com autonomia e dignidade. Ela não era mais alguém que seus cuidadores precisavam respeitar, ela era um saco de sintomas que eles assumiu o controle e os anos seguintes foram devastadores para ela.

Diferenças sutis podem ser importantes. Se o psiquiatra dela dissesse: “Você é um pessoa que atualmente tem sintomas, que costumamos chamar de esquizofrenia ", teria indicado que a pessoa ainda estava lá e era muito mais do que sintomas e que a doença não duraria necessariamente pelo resto vida, que, infelizmente, é frequentemente como os psiquiatras percebem essa doença. Eles não perceberam que são eles, com seus medicamentos antipsicóticos, que fez os problemas durar ao longo da vida (ver Capítulo 11)."

Bob Dylan - Not Dark Yet - Legendado





sexta-feira, 21 de fevereiro de 2020

"Benefícios" da intervenção precoce [ironia]

Os "benefícios" da intervenção precoce são danificar o cérebro, estragar a qualidade de vida e o futuro, ficar extremamente pessimista, começar a entender a própria vida como uma questão psiquiátrica, virar um zumbi, ser tratado como um lixo e se sentir mal com os remédios.

sexta-feira, 26 de abril de 2019

Prevenção ou recuperação

Não faz sentido considerar o tratamento de recuperação de saúde como algo preventivo. Prevenção de psicose deveria ser feita con promoção de saúde e longe da lógica diagnóstica.

sábado, 7 de abril de 2018

Prevenção em excesso e criação de doenças imaginárias

"O comportamento ético básico da microgestão é evitar a consulta do saudável (p. ex., com check-ups), pois um único erro na administração da prevenção pode levar a mudança de saudável para saudável preocupado (pelos fatores de risco e pela probabilidade de estar doente). Sem freio, convertemos os saudáveis preocupados em saudáveis estigmatizados, marcados com um fator de risco, como osteoporose e hipertensão, que os obriga a levar um comportamento de doentes (mudanças na rotina, consultas e reconsultas, exames e provas, medicação, etc.). Finalmente, o saudável estigmatizado acaba convertido em doente, real ou imaginário, por uma "não doença" (efeitos adversos químicos, físicos e psicológicos da prevenção), como consequência de uma administração deficiente da prevenção, por abandono da microgestão. Para evitar tudo isso, nada como a prevenção quaternária, evitar o dano que uma atividade médica desnecessária pode causar (em prevenção, cura ou reabilitação)." 

Do livro São e Salvo. E livre de intervenções médicas desnecessárias

sexta-feira, 9 de março de 2018

Os riscos da prevenção em excesso

http://www.sbmfc.org.br/media/file/documentos/EXCESSO%20DE%20PREVENÇÃO%20ZH.pdf

09 de julho de 2011 | N° 16754 PALAVRA DE MÉDICO | JOSÉ MAURO CERATTI LOPES*

 *Médico de Família e Comunidade

Os riscos da prevenção em excesso 

Nos tempos do Jeca Tatu, prevenção era usar botinas, lavar as mãos, tomar biotônico com prazer, beber Emulsão de Scott fazendo careta, fazer abreugrafia, tomar poucas vacinas, pegar sol, tomar leite em pó e, ainda, fazer simpatias. Lavar as mãos e vacinas continua em alta. Hoje, estamos na Era da Informação, após grande desenvolvimento social, tecnológico e científico. Cuidar da saúde virou uma operação complexa e perigosa. O arsenal terapêutico e diagnóstico disponível é imenso. É preciso porte e treinamento para usá-lo adequadamente. Leavel & Clark criaram níveis de prevenção: primária é evitar doenças. Secundária é evitar as complicações das doenças. Terciária, é reabilitar. O objetivo quando se pensa em saúde é a “saúde top”, e na ânsia de buscá-la, pode-se reagir em excesso. A tecnologia propõe exames, procedimentos, medicamentos e aconselhamentos que podem ajudar ou causar danos. Ampliar o espectro conceitual da doença transforma o normal em anormal, e trata como doença os estados de pré-doença ou fatores de risco. Comercializar a saúde advém de medicar a normalidade ou intervir sem certeza. Ritalina, estatina, fluoxetina, eco, densitometria e ressonância são personagens do cotidiano muitas vezes sem papel definido. Mocinhos ou vilões? Surge com Mark Jamoulle a prevenção quaternária, um quarto tipo de prevenção, alertando para uma aplicação cautelosa do conhecimento médico, evitando os excessos no rastreamento de doenças e solicitação de exames, e os abusos na medicalização desnecessária de fatores de risco. Estes excessos e abusos são um risco para o adoecimento. A prevenção quaternária atenua ou evita as consequências do intervencionismo, valorizando a individualização dos protocolos médicos às pessoas. Sim, às pessoas, não mais aos pacientes, que hoje cuidam de sua saúde com autonomia e participam na tomada de decisões, buscando informações, argumentando e questionando, antes de submeterem-se aos pacotes preventivos ou tratamentos compulsórios. Hoje, os médicos é que devem ser pacientes. Para cuidar da saúde, o principal é uma relação entre médico e pessoa baseada em comunicação, confiança e parceria. O aparelho essencial utilizado pelo médico deve ser, antes de todos, o auditivo.


quarta-feira, 28 de fevereiro de 2018

"Malícia" na saúde e prevenção quaternária


"Malícia" na saúde e prevenção quaternária

"E, sendo sincero, não se sabe o que é pior, seja a malícia, a ingenuidade, a ignorância ou a imprudência, tudo o que pode levar à arrogância, à falta de humildade, ao desprezo da incerteza e ao esquecimento da dúvida sistemática (7) ".

"Nossos pacientes são pessoas e merecem atenção personalizada, prudente e positiva". A medicalização do cotidiano está se tornando um problema em relação aos direitos humanos, e é surpreendente ver isso na era da refinação da demanda, da autonomia do paciente e da liberdade de escolha, a sociedade aceita quase sem protesto que o abuso contra os direitos das pessoas (30) ".


"A medicina pode fazer muito bem, mas também pode causar muito mal, mais por ação do que por omissão. Nesse sentido, o médico bem treinado, com seu comportamento correto e com sua consciência viva, é a última barreira deixada para o paciente e a sociedade diante de uma pressão que "explora" o desejo inveterado da eterna juventude (que já consiste no poema Gilgamesh, 2000BC), com a demanda de "tudo, aqui e agora". Falamos de prevenção quaternária para designar o conjunto de atividades de saúde que atenuam ou evitam as conseqüências de intervenções desnecessárias ou excessivas do sistema de saúde (27,28). Fazer a prevenção quaternária está dizendo "não" a muitas propostas francamente indecentes e oferecendo alternativas prudentes e científicas (a ética do negativo e a ética de compartilhar a ignorância). Fazer a prevenção quaternária está mudando o medo que explora a malícia sanitária para o bem-estar de saber que o importante é a qualidade de vida."

domingo, 25 de fevereiro de 2018

Prevenção quaternária

https://pt.wikipedia.org/wiki/Preven%C3%A7%C3%A3o_quatern%C3%A1ria

Prevenção quaternária

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Prevenção quaternária é o conjunto de ações que visam evitar danos associada às intervenções médicas e de outros profissionais da saúde como excesso de medicação ou cirurgias desnecessárias (iatrogenias).[1] Assim, quando o tratamento for considerado pior que a doença, deve-se buscar uma alternativa a esse tratamento.[2]
A prevenção quaternária deve prevalecer em qualquer outra opção preventiva, diagnóstico e terapêutica, segundo o princípio hipocrático:primun non nocere (em primeiro lugar, não prejudicar [o paciente]).[3]

 [...]

quarta-feira, 19 de julho de 2017

certezas, incertezas, ciência, prevenção, medicalização

O combate à Medicalização vai contra toda a tendência de securitização e hiperprevenção.

 Luis David Castiel
 
cabe acrescentar ainda que apesar da separação entre ris-
co e incerteza ser ainda dominante, pode-se considerar que ela
é difícil de ser sustentada. risco e incerteza se embricam: riscos
são incertos, incertezas seguras.
van asselt e vos
25
afirmam
que, no contexto do princípio da precaução, a incerteza é muitas
vezes, implícita ou explicitamente, percebida como algo que po-
de ser erradicada. Ou, pelo menos, reduzida pela pesquisa, pela
monitoração ou, simplesmente, pelo passar do tempo. algumas
incertezas podem ser estimadas, pois resultam de sistemas ou
processos bem conhecidos. porém, muitas incertezas relevan-
tes no contexto do princípio da precaução não podem ser redu-
zidas e muito menos exorcizadas.
O “paradoxo da incerteza” se refere à adoção de uma me-
dida preventiva diante da insuficiência de provas científicas. em
outras palavras, quando o princípio da precaução é utilizado pa-
ra lidar com incertezas, o seu emprego acaba por demonstrar os
limites da ciência em proporcionar evidências “confiáveis” dos
riscos potenciais.
Todavia, sempre que se estabelece uma ação preventiva,
a ciência é chamada a fim de avaliar/avalizar os riscos poten-
ciais.
em suma, trata-se de uma configuração paradoxal: por
um lado, reconhece-se que a ciência não pode trazer as ansia-
das evidências decisivas sobre riscos incertos, enquanto, por
outro, recorre-se à ciência para procurar estabelecer-se algum
nível de certeza. assim, o conhecimento ocupa um lugar alta-
mente paradoxal, se não contraditório, na essência do princípio
da precaução.

 http://www.ihu.unisinos.br/images/stories/cadernos/ideias/188cadernosihuideias.pdf