Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação.
Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes.
Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica.
Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco.
Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica.
Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro
Aviso!
Aviso!
A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las.
Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias.
Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente.
Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente.
A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível.
https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
quinta-feira, 20 de agosto de 2015
ciencia e filosofia
"A ciência é o que você sabe, a filosofia é o que você não sabe" - Bertrand Russell.
terça-feira, 18 de agosto de 2015
Jogos familiares - Nós (Laing)
Os outros disseram que ela era estúpida. então ela
se fez a si própria estúpido para não ver como
estúpido
eles estavam a pensar que ela era estúpida,
porque era ruim pensar que eles eram
estúpido.
Ela preferiu ser estúpido e bom,
em vez de ruim e inteligente.
É ruim ser estúpido: ela precisa ser
inteligente
para ser tão bom e estúpido.
É ruim ser inteligente, porque isso mostra
como eles eram estúpidos
para lhe dizer como ela era estúpida.
se fez a si própria estúpido para não ver como
estúpido
eles estavam a pensar que ela era estúpida,
porque era ruim pensar que eles eram
estúpido.
Ela preferiu ser estúpido e bom,
em vez de ruim e inteligente.
É ruim ser estúpido: ela precisa ser
inteligente
para ser tão bom e estúpido.
É ruim ser inteligente, porque isso mostra
como eles eram estúpidos
para lhe dizer como ela era estúpida.
Ronald Laing. Knots.
segunda-feira, 17 de agosto de 2015
rd laing
Ele também assumiu o desafio diagnóstico psiquiátrico, argumentando que o diagnóstico de um transtorno mental contradisse aceito procedimento médico: diagnóstico foi feito com base no comportamento ou conduta, e análise e exames complementares que tradicionalmente preceder o diagnóstico de patologias viáveis (como ossos quebrados ou pneumonia) ocorreu após o diagnóstico de transtorno mental (se em tudo). Assim, de acordo com Laing, psiquiatria foi fundada em uma epistemologia falsa: doença diagnosticada pela conduta, mas tratados biologicamente.
Laing sustentou que a esquizofrenia era "uma teoria não um fato"; ele acreditava que os modelos de esquizofrenia herdada geneticamente que está sendo promovido pela psiquiatria base biológica não foram aceites pelos principais médicos geneticistas [15] Ele rejeitou o "modelo médico de doença mental."; de acordo com o diagnóstico de doença mental Laing não seguiu um modelo médico tradicional; e isso o levou a questionar o uso de medicação, como os antipsicóticos de psiquiatria. Sua atitude para com drogas era muito diferente; em particular, ele defendia uma anarquia de experiência. [16]
quarta-feira, 5 de agosto de 2015
sábado, 1 de agosto de 2015
DSM ateorético?
Far from genuinely atheoretical, the Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders sys-
tem (DSM; American Psychiatric Association, 1994) fosters a crude biological view (Horwitz, 2002).
longe de genuinamente ateorético, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais sis-
TEM (DSM; American Psychiatric Association, 1994) promove um concepção cruamente biológica
(Horwitz, 2002).
tem (DSM; American Psychiatric Association, 1994) fosters a crude biological view (Horwitz, 2002).
longe de genuinamente ateorético, o Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais sis-
TEM (DSM; American Psychiatric Association, 1994) promove um concepção cruamente biológica
(Horwitz, 2002).
terça-feira, 30 de junho de 2015
Podemos falar em uma 'química da qualidade de vida'?
Coluna (Edição nº 24)
"Podemos falar em uma 'química da qualidade de vida'?", por Rogério Lopes Azize (*)
"Podemos falar em uma 'química da qualidade de vida'?", por Rogério Lopes Azize (*)
Os corpos contemporâneos carregam o peso de grandes expectativas e muitas ansiedades. Especialmente em uma cultura que pode ser chamada “de classe média urbana”, o corpo está cercado de regras e constrangimentos no que se refere à sua estética, formato, virilidade, desempenho físico, saúde adequada e performance social. As possibilidades técnicas de intervenção do indivíduo sobre o seu próprio corpo multiplicam-se em diversas frentes. Das salas de cirurgia às salas de musculação, passando pelas farmácias, busca-se aprimorar a performance do corpo em campos tão diferentes quanto a estética corporal, a sexualidade e a saúde psíquica.
Essa coluna propõe uma breve reflexão a respeito de um aspecto específico dessa cultura que reserva grande atenção ao corpo e à saúde: o consumo de medicamentos. Parto da percepção de que vivemos hoje uma “cultura medicamentosa” entre as classes médias urbanas, que justifica e incentiva o consumo de medicamentos. Vou me concentrar no discurso dos laboratórios farmacêuticos a respeito de certos medicamentos que foram reunidos sob um mesmo rótulo pelos meios de comunicação de massa: os “medicamentos do estilo de vida” ou “life-style drugs”. Apesar de terem funções muito diferentes, o discurso dos laboratórios farmacêuticos a respeito de medicamentos de grande sucesso comercial – destaco aqui pílulas como Viagra, Xenical e Prozac, que tratam, nessa ordem, da disfunção erétil, da obesidade e da depressão – possui pontos em comum que me chamaram atenção.
Essa coluna propõe uma breve reflexão a respeito de um aspecto específico dessa cultura que reserva grande atenção ao corpo e à saúde: o consumo de medicamentos. Parto da percepção de que vivemos hoje uma “cultura medicamentosa” entre as classes médias urbanas, que justifica e incentiva o consumo de medicamentos. Vou me concentrar no discurso dos laboratórios farmacêuticos a respeito de certos medicamentos que foram reunidos sob um mesmo rótulo pelos meios de comunicação de massa: os “medicamentos do estilo de vida” ou “life-style drugs”. Apesar de terem funções muito diferentes, o discurso dos laboratórios farmacêuticos a respeito de medicamentos de grande sucesso comercial – destaco aqui pílulas como Viagra, Xenical e Prozac, que tratam, nessa ordem, da disfunção erétil, da obesidade e da depressão – possui pontos em comum que me chamaram atenção.
Mais do que as marcas específicas, interessa-me a cultura que cerca o consumo destes medicamentos, o sentido atribuído ao seu consumo e o cruzamento desta prática terapêutica com outros hábitos que circulam no espaço urbano ocidental contemporâneo. Trabalho com a hipótese de que os usuários das pílulas Viagra, Xenical e Prozac dividem um campo semântico comum, um idioma que faz uso freqüente e peculiar das idéias de saúde e qualidade de vida. Nas fronteiras de uma cultura de classe média, percebe-se uma noção de saúde que já não mais ocupa o posto de contrário à idéia de doença; e uma noção de qualidade de vida que se tornou uma espécie de chave-mágica da sociedade contemporânea, uma palavra-chave que pode justificar mudanças no cotidiano, consumo, novos hábitos e mudanças marcantes no estilo de vida. Se uma ação qualquer vai trazer ao seu agente mais qualidade de vida, então esta ação é socialmente justificável; apesar da categoria apresentar um significado nebuloso, seu reconhecimento é imediato na cultura de classe média urbana e o seu uso é bastante freqüente.
Trago abaixo trechos de peças de marketing (anúncios, sites) dos laboratórios farmacêuticos a respeito das doenças citadas que ilustram essa percepção:
Conversar com um médico sobre desempenho sexual é mais fácil do que conviver com o problema. Quem já teve dificuldades de ereção sabe como isso pode prejudicar a qualidade de vida. (Trecho do texto de um anúncio da Pfizer, laboratório fabricante da pílula Viagra, veiculado na revista Veja)
Doença dispendiosa, de alto risco, crônica e reincidente, a obesidade afeta milhões de pessoas em todo o mundo, inclusive crianças. Embora não seja nova, ela assume agora proporções epidêmicas e está aumentando. Esta tendência é, sem dúvida, alarmante em virtude das doenças associadas à obesidade. (...) A obesidade é sinônimo de perda da qualidade de vida. (Trecho retirado do site www.obesidade.com.br, mantido pelo laboratório Roche, fabricante da pílula Xenical)
Diagnosticar com precisão e tratar adequadamente um estado depressivo são procedimentos fundamentais para evitar riscos decorrentes da doença, e devolver ao paciente uma boa qualidade de vida (...) À volta de um paciente deve haver a compreensão de que a depressão não é preguiça, nem falta de caráter ou de vontade. Não adianta pedir ao paciente que reaja, pois ele precisa de medicamentos. (Trechos retirados de informes publicitários que se propunham a prestar esclarecimentos sobre a depressão, parte de uma campanha do laboratório Wyeth, veiculados no Caderno Folha Equilíbrio da Folha de São Paulo)
O campo biomédico nos oferece, através de uma racionalidade própria, uma forma de encarar os sintomas considerados patológicos e o tratamento adequado para tais patologias. É verdade que muitas vezes o consumo de medicamentos responde a necessidades incontestáveis, se abordarmos a questão do ponto de vista biomédico. Mas a idéia que fica no ar aqui é a de que talvez possamos falar sobre um outro uso possível dos medicamentos, como o que pode ser percebido no caso das “drogas do estilo de vida”. A medicalização da vida tornou o consumo de remédios ato bastante corriqueiro. No que se refere às “pílulas do estilo de vida”, o marketing dos laboratórios farmacêuticos parece agregar ao discurso a respeito de “doenças” um novo argumento que não somente o da “saúde”. Não se trata mais simplesmente de combater “doenças”, mas de manter ou conquistar mais “qualidade de vida”, expressão bastante utilizada, mas cujo significado permanece pouco claro no caso do uso feito pelos laboratórios farmacêuticos. O público leigo de classe média, demandante de bens de saúde, não ignora, por certo, esta forma de falar a respeito de certas doenças e da justificativa para o tratamento. Não estaríamos, então, frente a uma espécie de “química da qualidade de vida”?
(*) Rogério Lopes Azize é doutorando em Antropologia Social (Museu Nacional-UFRJ), mestre em XX Congresso Antropologia Ibero-AmericanaSocial (UFSC).
A química da qualidade de vida: um olhar antropológico sobre o uso de medicamentos e saúde em classes médias urbanas brasileiras
| A química da qualidade de vida: um olhar antropológico sobre o uso de medicamentos e saúde em classes médias urbanas brasileiras | |
| Autor: | Azize, Rogerio Lopes |
| Resumo: | Nesta dissertação, parte-se da idéia de que os conceitos de saúde e doença, além dos limites entre estados considerados normais ou patológicos, têm grande interface com a cultura na qual estão sendo veiculados. Tomo como objeto etnográfico tanto o discurso dos agentes da biomedicina ocidental como o discurso leigo referente aos chamados "remédios do estilo de vida"; a partir deste rótulo veiculado pelos meios de comunicação de massa, selecionei os medicamentos de maior visibilidade, a saber, as pílulas Viagra, Prozac e Xenical, mas sem desprezar pílulas fabricadas por laboratórios concorrentes, com o mesmo objetivo. Procuro demonstrar que, dentro do sistema biomédico, diferentes significados podem ser atribuídos às idéias de doença/saúde, cura e medicamento; esta diferença fica dependente de quem emite o discurso, do lugar social a partir do qual está falando, com quem e com quais fins. Tento colocar em prática a idéia de que os discursos de todos os agentes que circulam dentro do sistema biomédico são passíveis de análise simbólica e discursiva. Isto vale para os usuários das pílulas, como para os médicos e indústrias farmacêuticas. Enquanto o discurso dos agentes da biomedicina concentra-se em uma definição e divulgação das doenças obesidade, depressão e disfunção erétil, os usuários que entrevistei tendem a apresentar um discurso não-patologizado, que prioriza uma história de si. Apesar desta diferença, os diferentes discursos não devem ser analisados de uma forma maniqueísta, visto que estão em constante tensão e se influenciam mutuamente. Trabalho com a hipótese de que expressões nativas como qualidade de vida e estilo de vida, constantemente utilizadas pelos usuários dos medicamentos e pelos agentes da biomedicina ocidental, remetem a um mesmo campo semântico. Tal campo semântico seria delimitador de uma fronteira cultural nas sociedades urbanas ocidentais contemporâneas. |
| Descrição: | Dissertação (mestrado) - Universidade Federal de Santa Catarina, Centro de Filosofia e Ciências Humanas. Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social. |
A nova ordem cerebral: a concepção de 'pessoa' na difusão neurocientífica
A nova ordem cerebral: a concepção de 'pessoa' na difusão neurocientífica
Autor:
Rogerio Lopes Azize
Categoria:
Teses e Dissertações
Resumo
A neurociência contemporânea tem uma pretensão bilíngue: a de investigar a fisiologia cerebral, ao mesmo tempo em que se debruça sobre o que considera ser epifenômenos deste órgão, o que inclui as emoções, os sentimentos, as escolhas e as mais simples ações da vida cotidiana. Em formatos e através de veículos os mais diversos, esta idéia, que constrói uma equivalência entre cérebro e indivíduo, tem sido alvo de intensa divulgação por parte de pesquisadores da área entre o público leigo. Emana daí, para além de saberes sobre o cérebro, uma noção de 'pessoa', tema que esta tese se propõe a investigar. Com este objetivo, articula-se aqui um material etnográfico amplo, que passa pela popularização de neurociência propriamente dita (em livros, teatro, televisão), a publicidade de psicofármacos por parte de laboratórios farmacêuticos (onde se divulgam as 'doenças do cérebro') e representações que atravessam a cosmologia espontânea da cultura ocidental moderna, o que pode ser observado através da presença marcante de um vocabulário cerebralista na mídia em geral, na publicidade e no cinema. O trabalho filia-se à tradição dos estudos de construção social da pessoa, focando em um tema de reflexão que ganhou nuances peculiares nas últimas décadas: uma noção dualista, no formato cérebro/mente, ou corpo/mente, passa a conviver com um dualismo fisicalista, no formato cérebro/corpo.
Autor:
Rogerio Lopes Azize
Categoria:
Teses e Dissertações
Resumo
A neurociência contemporânea tem uma pretensão bilíngue: a de investigar a fisiologia cerebral, ao mesmo tempo em que se debruça sobre o que considera ser epifenômenos deste órgão, o que inclui as emoções, os sentimentos, as escolhas e as mais simples ações da vida cotidiana. Em formatos e através de veículos os mais diversos, esta idéia, que constrói uma equivalência entre cérebro e indivíduo, tem sido alvo de intensa divulgação por parte de pesquisadores da área entre o público leigo. Emana daí, para além de saberes sobre o cérebro, uma noção de 'pessoa', tema que esta tese se propõe a investigar. Com este objetivo, articula-se aqui um material etnográfico amplo, que passa pela popularização de neurociência propriamente dita (em livros, teatro, televisão), a publicidade de psicofármacos por parte de laboratórios farmacêuticos (onde se divulgam as 'doenças do cérebro') e representações que atravessam a cosmologia espontânea da cultura ocidental moderna, o que pode ser observado através da presença marcante de um vocabulário cerebralista na mídia em geral, na publicidade e no cinema. O trabalho filia-se à tradição dos estudos de construção social da pessoa, focando em um tema de reflexão que ganhou nuances peculiares nas últimas décadas: uma noção dualista, no formato cérebro/mente, ou corpo/mente, passa a conviver com um dualismo fisicalista, no formato cérebro/corpo.
sábado, 20 de junho de 2015
Coming Off Psychiatric Drugs: A Harm Reduction Approach to Medication Withdrawal | Will Hall
https://www.youtube.com/watch?v=O4bdG601k4k&app=desktop
Coming Off Psychiatric Drugs: A Harm Reduction Approach to Medication Withdrawal | Will Hall
sexta-feira, 12 de junho de 2015
Antipsiquiatria
Antipsiquiatria
Nascida junto à grande corrente de contestação cultural e política dos anos 60, esse movimento tinha como ponto estratégico críticas ao objeto, às teorias e aos métodos da Psiquiatria e Psicopatologia, proporcionando uma profunda revolução nesse campo. Seus principais autores, Ronald Laing, David Cooper e Aaron Esterson insistiram na idéia de que as concepções "científicas" da loucura e seus recursos de tratamento eram invariavelmente violentas e seriam apenas eufemismos da alienação política, econômica e cultural da sociedade moderna. No período de 1962 a 1966 inicia-se um trabalho independente em uma ala denominada de "Pavilhão 21", com clientela que não havia sido tratada em nenhuma ocasião anterior, seguindo uma nova forma de comunidade terapêutica. Organizavam reuniões que buscavam subverter a hierarquia e disciplina hospitalar, buscando quebrar possíveis resistências às mudanças. Segundo Amarante:
"A Antipsiquiatria busca um diálogo entre a razão e loucura, enxergando a loucura entre homens e não dentro do homem. Critica a nosografia que estipula o ser neurótico, denuncia a cronificação da instituição asilar e considera até a procura voluntária do tratamento psiquiátrico uma imposição do mercado ao indivíduo que se sente isolado da sociedade." (1995, p. 47)
"A psiquiatria tem que ser abolida, assim como a escravidão
http://www.ihu.unisinos.br/entrevistas/509220-qapsiquiatriatemqueabolidaassimcomoaescravidaoqentrevistaespecialcomthomasszasz
Defensor da separação entre psiquiatria e Estado, Szasz é conhecido mundialmente por ser adversário da psiquiatria coercitiva. Escreveu livros como O mito da doença mental (Rio De Janeiro: Zahar, 1979), originalmente publicado em 1960, e A fabricação da loucura: um estudo comparativo da Inquisição e do Movimento de Saúde Mental (Rio de Janeiro: Zahar, 1976), cuja primeira edição veio a público em 1970. Nasceu em Budapeste em 1920 e continua em franca atividade intelectual. Para conhecer seus textos e ideias, acesse www.szasz.com.
"A psiquiatria tem que ser abolida, assim como a escravidão". Entrevista especial com Thomas Szasz
Psiquiatria e Estado precisam ser separados. Além disso, o sujeito deve decidir, ou não, se deve tomar medicamentos psiquiátricos, afirma o professor emérito Universidade do Estado de Nova Iorque.
A “loucura” não é silenciada pela “razão”, rebate Thomas Szasz. “Ela é silenciada por pessoas chamadas de ‘psiquiatras’”. Para o professor emérito da Universidade do Estado de Nova Iorque em Siracusa, “a psiquiatria, intrinsecamente ligada à lei e à execução da lei, não pode ser reformada. Como a escravidão, ela precisa ser abolida”. As declarações foram dadas por Szasz à IHU On-Line na entrevista que concedeu por e-mail. Crítico ferrenho da psiquiatria desde os anos 1950, ele discorda peremptoriamente da legitimidade intelectual-médica dessa área da medicina, assim como da Associação Psiquiátrica Americana e do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês). “Qual é a validade do DSM? É zero, digo eu”. Em seu ponto de vista, a psiquiatria cumpre a função excludente antes ocupada pela religião, e o “controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como mentalmente doentes é análogo ao controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como escravas”. Ele tece duras críticas à luta antimanicomial: “Em vez de enfocar a abolição da ‘escravidão psiquiátrica’, os indivíduos identificados com a ‘luta antimanicomial’ enfocaram – equivocadamente, penso eu – a natureza da doença justificando ostensivamente o uso de força psiquiátrica”.
A “loucura” não é silenciada pela “razão”, rebate Thomas Szasz. “Ela é silenciada por pessoas chamadas de ‘psiquiatras’”. Para o professor emérito da Universidade do Estado de Nova Iorque em Siracusa, “a psiquiatria, intrinsecamente ligada à lei e à execução da lei, não pode ser reformada. Como a escravidão, ela precisa ser abolida”. As declarações foram dadas por Szasz à IHU On-Line na entrevista que concedeu por e-mail. Crítico ferrenho da psiquiatria desde os anos 1950, ele discorda peremptoriamente da legitimidade intelectual-médica dessa área da medicina, assim como da Associação Psiquiátrica Americana e do Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM, na sigla em inglês). “Qual é a validade do DSM? É zero, digo eu”. Em seu ponto de vista, a psiquiatria cumpre a função excludente antes ocupada pela religião, e o “controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como mentalmente doentes é análogo ao controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como escravas”. Ele tece duras críticas à luta antimanicomial: “Em vez de enfocar a abolição da ‘escravidão psiquiátrica’, os indivíduos identificados com a ‘luta antimanicomial’ enfocaram – equivocadamente, penso eu – a natureza da doença justificando ostensivamente o uso de força psiquiátrica”.
Defensor da separação entre psiquiatria e Estado, Szasz é conhecido mundialmente por ser adversário da psiquiatria coercitiva. Escreveu livros como O mito da doença mental (Rio De Janeiro: Zahar, 1979), originalmente publicado em 1960, e A fabricação da loucura: um estudo comparativo da Inquisição e do Movimento de Saúde Mental (Rio de Janeiro: Zahar, 1976), cuja primeira edição veio a público em 1970. Nasceu em Budapeste em 1920 e continua em franca atividade intelectual. Para conhecer seus textos e ideias, acesse www.szasz.com.
Confira a entrevista.
IHU On-Line – Desde que escreveu O mito da doença mental, há 51 anos, houve alguma mudança na forma como a psiquiatria trata o “doente mental”? O que permanece o mesmo?
IHU On-Line – Desde que escreveu O mito da doença mental, há 51 anos, houve alguma mudança na forma como a psiquiatria trata o “doente mental”? O que permanece o mesmo?
Thomas Szasz – Houve muitas mudanças. A principal mudança é que agora os psiquiatras sustentam, e a maioria das pessoas acredita, que as chamadas doenças mentais são causadas por “desequilíbrios químicos” no cérebro, ou são manifestações deles e que esses desequilíbrios fictícios são tratados com medicamentos.
IHU On-Line – Em que medida o estigma da doença mental continua sendo um rótulo importante para compreendermos a sociedade segregatória e excludente em que vivemos?
IHU On-Line – Em que medida o estigma da doença mental continua sendo um rótulo importante para compreendermos a sociedade segregatória e excludente em que vivemos?
Thomas Szasz – Todas as sociedades (grupos) são, por definição, “excludentes” pelo fato de incluírem algumas pessoas e excluírem outras. Anteriormente, as religiões cumpriam essa função social. Hoje em dia, a medicina-psiquiatria a cumpre.
IHU On-Line – Quais são os principais avanços que percebe a partir da luta antimanicomial pelo mundo?
IHU On-Line – Quais são os principais avanços que percebe a partir da luta antimanicomial pelo mundo?
Thomas Szasz – Em minha opinião, a questão principal – ou talvez até a única – referente à luta antimanicomial é o poder de exercer coerção, isto é, a legitimação do uso de força contra pessoas chamadas “loucas”, isto é, “diagnosticadas” como “mentalmente doentes”. Considero o controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como mentalmente doentes análogo ao controle-confinamento forçado-involuntário de pessoas identificadas como escravas. Em vez de enfocar a abolição da “escravidão psiquiátrica”, os indivíduos identificados com a “luta antimanicomial” enfocaram – equivocadamente, penso eu – a natureza da doença justificando ostensivamente o uso de força psiquiátrica. Creio que o controle psiquiátrico à força de indivíduos inocentes é sempre moralmente errado.
IHU On-Line – No Brasil, há uma grande influência de Franco Basaglia na reforma psiquiátrica. Hoje, a desinstitucionalização da loucura tem no agente comunitário e nos Centros de Atenção Psicossocial – CAPs elementos importantes de uma nova prática da saúde mental. Qual é a situação nos EUA no que diz respeito à luta antimanicomial?
IHU On-Line – No Brasil, há uma grande influência de Franco Basaglia na reforma psiquiátrica. Hoje, a desinstitucionalização da loucura tem no agente comunitário e nos Centros de Atenção Psicossocial – CAPs elementos importantes de uma nova prática da saúde mental. Qual é a situação nos EUA no que diz respeito à luta antimanicomial?
Thomas Szasz – A situação é semelhante. Basaglia adorava a associação entre a política (o Estado) e a psiquiatria (coerção médica). Ele queria ser – e a certa altura foi – uma espécie de comissário psiquiátrico – do tipo benevolente, bondoso, é claro. Discordo radicalmente das concepções e políticas dele. Creio que a psiquiatria, intrinsecamente ligada à lei e à execução da lei, não pode ser reformada. Como a escravidão, ela precisa ser abolida, e não reformada.
IHU On-Line – Os doentes mentais continuam sendo os grandes bodes expiatórios da sociedade? Que outros párias estão ao seu lado em nossos dias?
IHU On-Line – Os doentes mentais continuam sendo os grandes bodes expiatórios da sociedade? Que outros párias estão ao seu lado em nossos dias?
Thomas Szasz – Sim e não. Eles geralmente são vistos como “doentes” e necessitados de “cuidados médicos”, quer gostem, quer não.
IHU On-Line – “Se você fala com Deus, você está rezando. Se Deus falar com você, você é esquizofrênico”. Em que medida essa ideia continua atual num mundo que insiste em diagnosticar e medicalizar o sujeito em suas mínimas “dissidências”?
IHU On-Line – “Se você fala com Deus, você está rezando. Se Deus falar com você, você é esquizofrênico”. Em que medida essa ideia continua atual num mundo que insiste em diagnosticar e medicalizar o sujeito em suas mínimas “dissidências”?
Thomas Szasz – A confusão dos sentidos literal e metafórico das palavras – especialmente de termos como “doença”, “tratamento”, “cura”, etc. (e deus, diabo, inferno...) – é essencialmente a mesma que havia nas décadas de 1950 e 1960.
IHU On-Line – Em que sentido a doença mental continua sendo uma metáfora?
IHU On-Line – Em que sentido a doença mental continua sendo uma metáfora?
Thomas Szasz – Oficialmente – do ponto de vista jurídico, médico – ela é literal. Eu sustento que é metafórica. Os chamados antipsiquiatras – Laing, Foucault, Basaglia – a tratam como literal e “tratavam” o “paciente” com drogas, por exemplo, com LSD. Isso é ilustrado pelo apoio que deram à hospitalização involuntária em instituições de saúde mental bem como pela defesa do réu mediante alegação de insanidade, práticas às quais me oponho.
IHU On-Line – O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais aumenta com frequência a catalogação de doenças apontadas como mentais. Qual é a sua validade?
IHU On-Line – O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais aumenta com frequência a catalogação de doenças apontadas como mentais. Qual é a sua validade?
Thomas Szasz – Qual é a validade do DSM? É zero, digo eu. Qual é a legitimidade intelectual-médica da psiquiatria – daAssociação Psiquiátrica Americana e de outras? É zero, digo eu.
IHU On-Line -“Em que sentido a psiquiatria é um braço coercitivo do aparato de Estado?”
IHU On-Line -“Em que sentido a psiquiatria é um braço coercitivo do aparato de Estado?”
Thomas Szasz – Num sentido literal, obviamente. Milhões de pessoas são, e foram, presas em prédios dos quais não podem sair. “Por que os tratamentos médicos dessa especialidade são, em última instância, controle político?” Eles não o são sempre. Milhões de pessoas acreditam que têm doenças mentais e ingerem medicamentos psiquiátricos voluntariamente. Elas são, e deveriam ser, livres para fazer isso. Vejo esse fenômeno como semelhante à crença de milhões de pessoas de que houve um judeu que viveu na Palestina da época bíblica e que foi crucificado e se tornou deus. As pessoas são, e deveriam ser, livres para “ingerir” os sacramentos. Chamamos isso de “liberdade religiosa”. Eu defendo a “liberdade psiquiátrica”. Só me oponho à tirania psiquiátrica, assim como só me oponho à tirania religiosa. É por isso que tenho defendido a separação entre a psiquiatria e o Estado.
IHU On-Line – Nietzsche e Foucault compreendiam a loucura como experiência originária, silenciada pela razão e seu “monólogo”. Qual é o seu ponto de vista?
IHU On-Line – Nietzsche e Foucault compreendiam a loucura como experiência originária, silenciada pela razão e seu “monólogo”. Qual é o seu ponto de vista?
Thomas Szasz – Eu rejeito esse tipo de retórica. A “loucura” não é silenciada pela “razão”. Ela é silenciada por pessoas chamadas de “psiquiatras”.
IHU On-Line – Gostaria de acrescentar algum outro aspecto não questionado?
IHU On-Line – Gostaria de acrescentar algum outro aspecto não questionado?
Thomas Szasz – Sinto-me contente e satisfeito por ter tido a oportunidade de expressar profissional e politicamente opiniões não convencionais e ter atraído certo grau de interesse e concordância com elas. Atribuo isso em grande parte à relativa abertura e tolerância da sociedade americana apoiada por uma tradição jurídica anglo-americana que valoriza a liberdade pessoal e a responsabilidade individual.
Por Márcia Junges
quinta-feira, 28 de maio de 2015
domingo, 24 de maio de 2015
Franny e Zooey - J.D. Salinger
"Eu só estou cansado de ego, ego, ego. Minha própria e de todo mundo. Estou cansado de todo mundo que quer chegar a algum lugar ... "
30: "Estou cansado de não ter a coragem de ser um ninguém absoluta. Estou farto de mim e toda a gente que quer fazer algum tipo de coisa especial" Franny e Zooey - J.D. Salinger
30: "Estou cansado de não ter a coragem de ser um ninguém absoluta. Estou farto de mim e toda a gente que quer fazer algum tipo de coisa especial" Franny e Zooey - J.D. Salinger
Senso Comum e características
Sociologia 1º Ano - Senso Comum e características
"O
senso comum é um saber que está presente em todas as
sociedades e em todos os indivíduos (todos são dotados de senso
comum). Mas o senso comum é plural, variando de sociedade para
sociedade e modificando-se com o decorrer dos tempos.
O
senso comum, enquanto princípio de sociabilidade,
constitui o acordo mínimo exigível para que qualquer sociedade
funcione como tal; ele assegura a coesão indispensável para que se
possa falar de comunidade e de vida coletiva.
Ele
é princípio de equilibração, essencial a toda
a sociedade, entre a dimensão do indivíduo e a dimensão do
coletivo ou dito de outra forma, da sujeição do indivíduo às
normas da vida coletivo.
O
senso comum é também o senso tradicional.
Costumamos dizer: "sempre foi assim" para justificar um
procedimento que nos criticam.
O
senso comum transporta e naturaliza um conjunto de convenções
implícitas ou intrínsecas ao agir humano coletivamente
dimensionado. Neste sentido, ele é conducente ou solidário de uma
aceitação que assinala uma passividade inerente e
indispensável face às exigências práticas e pragmáticas da
vida. Como se adquire o senso comum? Ele é fruto da
aprendizagem e educação que espontânea e/ou institucionalmente
recebemos enquanto membros de uma comunidade."
José
Manuel Girão e Rui Alexandre Grácio
As
principais características do senso comum
Caráter
empírico – o senso comum é um saber que deriva
diretamente da experiência quotidiana, não necessitando, por isso
de uma elaboração racional dos dados recolhidos através dessa
experiência.
Caráter
acrítico – não necessitando de uma elaboração
racional, o senso comum não procede a uma crítica dos seus
elementos, é um conhecimento passivo, em que o
indivíduo não se interroga sobre os dados da experiência, nem se
preocupa com a possibilidade de existirem erros no seu conhecimento
da realidade.
Caráter
assistemático – o senso comum não é estruturado
racionalmente, tanto ao nível da sua aquisição, como ao nível da
sua construção, não existe um plano ou um projeto racional que
lhe dê coerência.
Caráter
ametódico – o senso comum não tem método, ou seja, é
um saber que não segue nenhum conjunto de regras formais. Os
indivíduos adquirem-no sem esforço e sem estudo. O senso comum é
um saber que nasce da sedimentação casual da experiência captada
ao nível da experiência quotidiana ( por isso se diz que o senso
comum é sincrético).
Caráter
aparente ou ilusório – Como não há a preocupação de
procurar erros, o senso comum é um conhecimento que se contenta com
as aparências, formando por isso, uma representação ilusória,
deturpada e falsa, da realidade.
Caráter
coletivo – O senso comum é um saber partilhado pelos
membros de uma comunidade, permitindo que os indivíduos possam
cooperar nas tarefas essenciais à vida social.
Caráter
subjetivo – O senso comum é subjetivo, porque não é
objetivo: cada indivíduo vê o mundo à sua maneira, formando as
suas opiniões, sem a preocupação de as testar ou de as
fundamentar num exame isento e crítico da realidade.
Caráter
superficial – O senso comum não aprofunda o seu
conhecimento da realidade, fica-se pela superfície, não procurando
descobrir as causas dos acontecimentos, ou seja, a sua razão de ser
que, por sua vez, permitiria explicá-los racionalmente.
Caráter
particular – o senso comum não é um saber universal,
uma vez que se fica pela aquisição de informações muito
incompletas sobre a realidade ( por isso também se diz que ele
éfragmentário ), não podendo, assim, fazer
generalizações fundamentadas.
Caráter
prático e utilitário – O senso comum nasce da prática
cotidiana e está totalmente orientado para o desempenho das tarefas
da vida quotidiana, por isso as informações que o compõem são o
mais simples e diretas possível.
Fonte:
http://www.espanto.info/
http://sociologialimite.blogspot.com.br/2009/03/senso-comum-e-suas-caracteristicas.html
sábado, 23 de maio de 2015
quinta-feira, 21 de maio de 2015
Dá pra fazer (filme)
Dica de filme:
(Si può fare)
1h47min – Comédia Dramática - 2008
Direção: Giulio Manfredonia
Elenco: Claudio Bisio, Anita Caprioli, Giuseppe Battiston...
País de origem: Itália
1h47min – Comédia Dramática - 2008
Direção: Giulio Manfredonia
Elenco: Claudio Bisio, Anita Caprioli, Giuseppe Battiston...
País de origem: Itália
Sinopse: "Nello, um sindicalista afastado do sindicato por suas ideias avançadas, se vê dirigindo uma cooperativa de doentes mentais, ex pacientes dos manicômios fechados pela Lei Basaglia. Acreditando firmemente no trabalho, ele convence os sócios a substituir as esmolas assistencialistas por um trabalho de verdade, inferindo para cada um, uma atividade incrivelmente adaptada às respectivas capacidades, mas indo também de encontro às inevitáveis e humanas contradições."
Retrata vários aspectos da transição ainda vigente dos manicômios para sistemas abertos de atenção às pessoas com transtornos mentais graves e/ou persistentes, tanto os positivos, quanto os negativos e sua complexidade. A começar pela temática, uma cooperativa de geração de renda, que existe hoje em vários serviços substitutivos, mas em muitos deles a renda não vai para o usuário que trabalha, mas para a instituição, no caso do filme a renda se transforma nos salários dos usuários, os sócios. Há impasses como o olhar repressor de um poder médico que crê na não socialização das pessoas que convivem com transtornos mentais, que no filme criticam a Lei Basaglia, marco importantíssimo e referencial para a Reforma Psiquiátrica brasileira. Mostra também a questão da medicação exagerada das pessoas, os impedindo de exercer quaisquer atividades que não seja perambular pelo ambiente, reforçando seu estigma de "louca". Também o oposto disso, quando entendem que o melhor é a diminuição da medicação, há a pressão dos laboratórios com mimos para os médicos que prescrevem seus produtos. O filme também trata da sexualidade dos usuários de serviços de saúde mental, com altas doses de medicação, sem altas doses. A descoberta do sexo, a vivência das paixões, do apaixonar-se, do frustrar-se. A visão da família, representando uma esfera da sociedade que consideram os usuários de serviços de saúde mental como crianças, "anjos". Expõe também, de forma bastante interessante, as nuances das crises e surtos psíquicos, os modos de atenção a eles e as consequências quando há falhas, quando escapam detalhes. Inseridas às questões de saúde mental, a temática do sindicalismo, pressão do mercado, exploração de trabalhadores e greves são trazidas pelo filme, mesmo que de forma leve. É um belíssimo filme. Dos que já vi sobre saúde mental, é o que abarca mais temáticas e de forma incrivelmente sensível e prática. Recomendadíssimo!
quarta-feira, 20 de maio de 2015
Uma Crítica da Hipótese dopaminérgica de esquizofrenia e psicose
Uma Crítica da Hipótese dopaminérgica
de esquizofrenia e psicose
Joanna Moncrieff, MBBS, MSc, MD, MRCPsych
Finalmente, o conceito de causa e efeito tem de ser cuidadosamente
explorado. Anormalidades de neurotransmissores pode ser
melhor entendida como correlações de estados psicológicos
do que como causas dos mesmos. Por exemplo, o surto de adrenalina
que acompanha uma experiência assustadora em si, não
produzir medo. É o acompanhamento fisiológico para
a reacção emocional. Pode ser difícil para esclarecer experimentalmente
se os estados bioquímicos qualificar como causas de
mental, experiências ou como sintomas. Para estabelecer causalidade,
estudos longitudinais em indivíduos assintomáticos seria
necessária para ver se uma anomalia bioquímica, tais como excesso
dopamina, precedido o aparecimento de sintomas psicóticos. Coortes
de alto risco e indivíduos prodrômicos recentemente identificado
para outras pesquisas podem proporcionar tais oportunidades, mas
assegurar a cooperação com testes repetidos é provável que seja
difícil.
No geral, apesar da popularidade ressurgente da dopamina
hipótese de esquizofrenia ou psicose, a evidência permanece
contraditória. O estado actual da investigação faz
não nos permite decidir se, independente de sua outra
funções, a dopamina tem um papel causal em psicose específica
ou esquizofrenia.
de esquizofrenia e psicose
Joanna Moncrieff, MBBS, MSc, MD, MRCPsych
Finalmente, o conceito de causa e efeito tem de ser cuidadosamente
explorado. Anormalidades de neurotransmissores pode ser
melhor entendida como correlações de estados psicológicos
do que como causas dos mesmos. Por exemplo, o surto de adrenalina
que acompanha uma experiência assustadora em si, não
produzir medo. É o acompanhamento fisiológico para
a reacção emocional. Pode ser difícil para esclarecer experimentalmente
se os estados bioquímicos qualificar como causas de
mental, experiências ou como sintomas. Para estabelecer causalidade,
estudos longitudinais em indivíduos assintomáticos seria
necessária para ver se uma anomalia bioquímica, tais como excesso
dopamina, precedido o aparecimento de sintomas psicóticos. Coortes
de alto risco e indivíduos prodrômicos recentemente identificado
para outras pesquisas podem proporcionar tais oportunidades, mas
assegurar a cooperação com testes repetidos é provável que seja
difícil.
No geral, apesar da popularidade ressurgente da dopamina
hipótese de esquizofrenia ou psicose, a evidência permanece
contraditória. O estado actual da investigação faz
não nos permite decidir se, independente de sua outra
funções, a dopamina tem um papel causal em psicose específica
ou esquizofrenia.
sexta-feira, 15 de maio de 2015
Conflitos de interesse na pesquisa, produção e divulgação de medicamentos
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-59702012000300008&lng=pt&nrm=iso
Conflitos de interesse na pesquisa, produção e divulgação de medicamentos
Conflicts of interest in the research, production and dissemination of medicines
Alexandre PalmaI; Murilo Mariano VilaçaII
IProfessor do Programa de Pós-graduação em Educação Física Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). Av. Carlos Chagas Filho, 540 21941-599 - Rio de Janeiro - RJ - Brasil palma_alexandre@yahoo.com.br
IIDoutorando do Programa de Pós-graduação em Filosofia/UFRJ. Largo de São Francisco, nº 1, sala 303-C 20051-070 - Rio de Janeiro - RJ - Brasilcontatoacademico@hotmail.com
IIDoutorando do Programa de Pós-graduação em Filosofia/UFRJ. Largo de São Francisco, nº 1, sala 303-C 20051-070 - Rio de Janeiro - RJ - Brasilcontatoacademico@hotmail.com
RESUMO
Analisa o debate sobre os conflitos éticos dos artifícios utilizados pela indústria farmacêutica na pesquisa, produção e divulgação dos medicamentos. Três aspectos são examinados: o envolvimento dos profissionais de medicina com os representantes das indústrias farmacêuticas; o conflito de interesses quanto a sua atuação como patrocinadora de pesquisas científicas; a avaliação de fármacos em seres humanos. Verifica-se que a mensagem para promoção da saúde advém da medicalização; as grandes indústrias farmacêuticas não produzem exclusivamente mercadorias, mas, sobretudo, subjetividades. Dessa forma, descortina-se o tipo de ordem por elas estabelecida.
Palavras-chave: indústria farmacêutica; medicamentos; bioética; conflito de interesses.
segunda-feira, 20 de abril de 2015
Exclusão social do doente mental: discursos e representações no contexto da reforma psiquiátrica
Exclusão social do doente mental: discursos e representações no contexto da reforma psiquiátrica
RESUMO
Este trabalho visa conhecer como os profissionais da saúde mental e os familiares de doentes mentais que se encontram em instituições psiquiátricas representam, por meio de seus discursos, a doença mental e a reforma psiquiátrica. Para tanto, foram realizadas, na cidade de João Pessoa-PB, entrevistas semi-estruturadas com 25 profissionais, dentre eles psiquiatras, psicólogos, enfermeira-chefe, técnicos de enfermagem e assistente social; e 24 familiares de pacientes institucionalizados. Tais entrevistas foram analisadas segundo a análise de conteúdo temática. Os dados encontrados mostram que ainda há um predomínio de visões pejorativas e estereotipadas acerca do doente mental, vendo-o como um ser sem razão ou sem juízo e como uma criança que precisa ser cuidada e protegida. Por outro lado, o hospital psiquiátrico é visto positivamente, enquanto a reforma psiquiátrica é representada como algo negativo, que deixará o doente mental livre para afligir a população e os familiares.
Palavras-chave: Exclusão social, Doença mental, Reforma psiquiátrica, Família, Profissionais.
quinta-feira, 16 de abril de 2015
Discurso funcional psiquiatria
O discurso funcional em psiquiatria, que tem alimentado principalmente
debate importado da filosofia da biologia, não pode ser
condenado a permanecer em tal estado de indeterminação. Somente
devemos considerar que seu uso atual para a psiquiatria é
como negativo: sugere corretamente que a psiquiatria
não tem de ser. Mas certamente lhe dá nenhum meio em
o estado atual do conhecimento, reforçar a científica
de seus negócios. Demanda mais dele é arriscar
substituir os excessos de anti-psiquiatras, que suspeita sistemáticamente
o exercício de uma polícia insidiosas realizados por trás de tudo
rótulo psiquiátrico, para o extremo oposto, o de superestimar o
peso de intuições naturalistas científicos que estão por detrás
a grande maioria dos rótulos introduzidas por psiquiatras. Em frente
isso, talvez seja melhor para abandoná-la completamente para
perspectiva de estabelecer um critério biológico geral e definitiva do normal
e patológico válido para todos os transtornos mentais.
Talvez reflexão filosófica sobre psiquiatria vai ganhar
para se concentrar mais na complexidade das razões sempre
singulares e regionais, como clínico, científico e sócio-político,
que motivar a inclusão de sofrimento psicológico dado em
longos processos de transtornos mentais.
Steeves Demazeux
Le concept de fonction dans le discours
psychiatrique contemporain
debate importado da filosofia da biologia, não pode ser
condenado a permanecer em tal estado de indeterminação. Somente
devemos considerar que seu uso atual para a psiquiatria é
como negativo: sugere corretamente que a psiquiatria
não tem de ser. Mas certamente lhe dá nenhum meio em
o estado atual do conhecimento, reforçar a científica
de seus negócios. Demanda mais dele é arriscar
substituir os excessos de anti-psiquiatras, que suspeita sistemáticamente
o exercício de uma polícia insidiosas realizados por trás de tudo
rótulo psiquiátrico, para o extremo oposto, o de superestimar o
peso de intuições naturalistas científicos que estão por detrás
a grande maioria dos rótulos introduzidas por psiquiatras. Em frente
isso, talvez seja melhor para abandoná-la completamente para
perspectiva de estabelecer um critério biológico geral e definitiva do normal
e patológico válido para todos os transtornos mentais.
Talvez reflexão filosófica sobre psiquiatria vai ganhar
para se concentrar mais na complexidade das razões sempre
singulares e regionais, como clínico, científico e sócio-político,
que motivar a inclusão de sofrimento psicológico dado em
longos processos de transtornos mentais.
Steeves Demazeux
Le concept de fonction dans le discours
psychiatrique contemporain
quarta-feira, 15 de abril de 2015
The Truth About the Drug Companies Lecture - Dr. Marcia Angell
https://www.youtube.com/watch?v=uDbQNBla6aU
The Truth About the Drug Companies Lecture - Dr. Marcia Angell
The Truth About the Drug Companies Lecture - Dr. Marcia Angell
http://www.michaelberrydc.com
Katella Chiropractic and Laser Center
2901 East Katella Ave. Suite H
Orange,CA 92867
Michael D. Berry, D.C. (714) 639-4640 Americans spend more than $200 billion a year on prescription drugs. What are they getting for their money? Dr. Marcia Angell, senior lecturer of Harvard Medical School's Department of Social Medicine and former editor-in-chief of the New England Journal of Medicine, answers that question and more in this installment of the President's Lecture Series at The University of Montana. This presentation, "The Truth About the Drug Companies,"
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terça-feira, 7 de abril de 2015
Abordagens biológicas, fenomenológicas e antropológicas da esquizofrenia
Abordagens biológicas, fenomenológicas e antropológicas da esquizofrenia - Stephan M. Oliveira
https://www.youtube.com/watch?v=UbDzGKtHc4gdomingo, 5 de abril de 2015
Documentário - Saúde Mental e Dignidade Humana
Documentário - Saúde Mental e Dignidade Humana
https://www.youtube.com/watch?v=Ult9ePwpvEYMedicalização da saúde mental
Medicalização da saúde mental - Profa. Dra. Sandra Caponi
https://www.youtube.com/watch?v=u-S7Oy4eQkoquinta-feira, 2 de abril de 2015
Vídeos sobre medicalização
http://medicalizacao.org.br/videos/
Vídeos
Acesse o canal do Fórum sobre Medicalização da Educação e da Sociedade no Youtube https://www.youtube.com/user/forummedicalizacao
quarta-feira, 1 de abril de 2015
Afete-se! Ocupa Nise 2014
https://vimeo.com/123523362
Afete-se! Ocupa Nise 2014
O Ocupa Nise 2014, IV Congresso da Universidade Popular de Arte e Ciência sediada no Hotel e Spa da Loucura e XV encontro da Rede Brasileira de Teatro de Rua ocorreu nos dias 1 a 7 de setembro de 2014 no Centro Psiquiátrico Pedro II.
Câmeras: Gê Vasconcelos
João Pedro Gasparian
Edição: Antonio Porto Equi
João Pedro Gasparian
Som Direto: Liz Tibau
Lucas Noleto
Produção: Pororoca
João Pedro Gasparian
Edição: Antonio Porto Equi
João Pedro Gasparian
Som Direto: Liz Tibau
Lucas Noleto
Produção: Pororoca
terça-feira, 31 de março de 2015
Assimetria de poder na relação médico-paciente
Assimetria de poder na relação médico-paciente
“Talvez, se o objetivo da medicina for a diagnose e o tratamento da doença, a qualidade da comunicação entre o médico e o paciente faz pouca diferença, conquanto se obtenha um histórico médico adequado e a necessária cooperação do paciente, para fazer ou deixar de fazer certas coisas. Mas se o objetivo da medicina for interpretado mais amplamente, se a preocupação for com a pessoa que está doente, e o objetivo for aliviar, reassegurar e restaurar o paciente – como parece que deve ser o caso – então a qualidade da comunicação assume uma importância instrumental e tudo o que interferir com ela precisa ser observado, e se possível, removido.” Samora (1961)
Em um nível microssociolinguístico, a assimetria no discurso médico-paciente, por exemplo, resulta de diferenças de status socioeconômico, papéis, objetivos e expectativas, bem como de seus valores e atitudes. O discurso reflete, cria, dissemina e perpetua esta assimetria no discurso e através da fala dos participantes. No discurso institucionalizado, a assimetria pode ser mensurada por parâmetros interacionais, discursivos e lingüísticos.
- No nível interacional, por exemplo, há o controle da organização tática da interação. No caso da comunicação médico-paciente, o médico controla o turno da ala e as estruturas de participação dos outros participantes. Desta forma, é o médico quem decide não somente quem fala, mas também quando e como se fala.
- No nível discursivo, não somente o que se fala, i.e. o conteúdo, mas também em que ordem se fala, i.e., a seqüência tópica e a organização do discurso são decididas pelo médico que tem o poder hegemônico de conduzir a interação.
- No nível lingüístico, a especialização técnica do médico e o jargão técnico do seu vocabulário podem constituir uma causa adicional de discrepância e divergência na comunicação, tanto no nível conceitual quanto no nível lexical.
No discurso assimétrico, os participantes não compartilham do mesmo conhecimento, interesses, objetivos e estratégias conversacionais. Porque os médicos e os pacientes geralmente não compartilham das mesmas bases sócio-culturais para conhecer, dizer e entender, eles têm acesso diferenciado ao conhecimento.
No entanto, porque a comunicação face a face é reflexiva, i.e., mutuamente constitutiva, os participantes são conjuntamente responsáveis pelo fluxo de atividades.
No caso da comunicação médico – paciente, assim também como nas interações em sala de aula, os médicos operam como diretores do discurso, mantendo o controle durante a consulta, e conduzindo a interação, sinalizando o começo, o meio e o fim dos diferentes estágios ou atividades bem como o começo e o fim das falas. É dentro deste contexto interacional que o médico e o paciente tem que negociar o significado, i.e., fazer sentido um para o outro, por que a fala é ambígua e vaga e deve ser interpretada. Além do mais, a interpretação compartilhada depende do contexto compartilhado, mutuamente constituído pelos e para os participantes, e realizado interacionalmente.
Desta forma sua atenção aos aspectos orgânicos das queixas do paciente, sua paráfrase técnica da narrativa do paciente, seu uso recorrente de perguntas para solicitar informação específica são estratégias pelas quais a consulta é objetificada e enquadrada no modelo biomédico da doença.
Esta abordagem clínica ou orgânica distante, objetiva, “cautelosa”, do médico, é resultado do treinamento profissional. No seu treinamento pré – serviço é-lhes ensinado que o envolvimento com o paciente deve não ser só evitado mas é quase proibido e anti-ético. Porque eles vão ter que enfrentar a dor, o sofrimento e a morte dos seus pacientes, é-lhes ensinado que trabalhando neste esquema institucional eles vão ficar protegidos dos perigos do envolvimento e da compaixão e desta forma permanecer mais livres para agir e tomar decisões que às vezes podem ir contra seus sentimentos e emoções.
O seguinte trecho tirado do filme Golpe do Destino é ilustrativo:
Dr Mackee – Há perigo em se envolver com os seus pacientes. É muito perigoso. Cirurgia exige julgamento. E um juiz deve ser distante.
Aluno – Não é antinatural não se envolver com os pacientes?
Esta abordagem impessoal é também conseqüência da visão profissional da prestação do serviço médico como uma atividade burocrática de rotina, em que o paciente é apenas mais um em uma fileira de pacientes, mais uma doença em uma fileira de doenças.
Em resumo, durante a consulta médica, o médico que está no controle interacional, busca e
requer informação do paciente. Ele aborda a consulta dentro de um esquema clínico de referência enquanto o paciente a encara como uma oportunidade personalizada e experiencial para falar sobre suas mazelas. Este desencontro de estilos e estratégias conversacionais pode causar ansiedade, frustração e conflito; ele pode impedir os participantes de atingir um consenso sobre o significado da interação e/ou atingir os objetivos pretendidos. Em última instância, isto pode levar a mal entendidos e insatisfação interacional.
O fato de o paciente falar mais poderia nos induzir a concluir que o paciente domina a interação. Todavia a tabela 2, que indica quem introduziu os tópicos na conversação, deixa claro que é o médico que domina a conversação.
Em resumo, embora o médico fale menos, interacionalmente ele tem mais influência no desenho da estrutura do discurso. É ele quem abre e fecha a conversa (cf.Tabela 1:00 e 22); quem termina a discussão sobre um tópico, muda para um novo tópico conforme sua vontade; ou ignora as observações do paciente.
A fala do paciente é altamente avaliativa e envolvida, como se pode ver pelo número de intensificadores que abundam no texto, e.g. mal (09); sempre (20); pausas, hesitações, pedidos de confirmação e outros marcadores discursivo-conversacionais, e.g., cê vê(04);sabe? (08, 10,14); né (06). As queixas do paciente são vagas e difusas (e.g.13-16). O médico, então, tenta medicalizar estas queixas em sintomas, atendendo aos aspectos orgânicos ou clínicos da narrativa do paciente.
A reciclagem do tópico é uma estratégia que o paciente usa para enfrentar o controle da consulta pelo médico e para criar o máximo possível de oportunidades para falar sobre o tópico de seu interesse.
Neste trabalho, convergência e divergência referem-se respectivamente à unilateralidade ou bilateralidade na introdução de propostas, isto é, propostas que obtiveram consenso e propostas que foram do interesse de somente um dos participantes. Em outras palavras, convergência de interesse ou expectativas significa que os participantes estão sintonizados na mesma onda. Divergência, por outro lado, sinaliza que os participantes estão fora de sincronia um com o outro. Isto é, eles estão ou falando fora de turno ou fora do tópico.
No conjunto, os tópicos divergentes perfazem 38 por cento do total da fala da consulta. Estes tópicos foram trazidos principalmente pelo médico, através de perguntas que tencionavam coletar fatos para especificar a estória do paciente e informação biomédica que sugerisse sintomas que pudessem servir de base para o seu diagnóstico (=transformar em doença).
Este estudo demonstrou o modo como o significado é negociado entre o médico e o paciente na consulta médica. A análise quantitativa dos padrões de gestão de tópicos pelos participantes na consulta revelou que o médico detém o controle hegemônico da conversa. Embora ele fale menos em termos do tempo total da consulta, é o médico quem regula as estruturas de participação, o conteúdo e a organização seqüencial ou progressão temática dos tópicos na conversação. Embora o paciente fale mais que o médico em termos do tempo total da conversa, ele o faz somente em resposta às perguntas e tópicos impostos pelo médico, que estruturam não somente o que o paciente fala, mas também quando, como e em que ordem ele fala.
A análise qualitativa focalizou a evidência lingüística das estratégias conversacionais usadas pelos participantes na consulta. Porque o médico está interessado em obter informação biomédica relevante e suficiente para um diagnóstico preciso e tratamento adequado, a sua estratégia conversacional é atentar para os itens orgânicos ou biomédicos de informação e tratar os problemas de vida real do paciente como irrelevantes à consulta. Ele se apóia, principalmente em perguntas específicas na busca de sintomas para transformar em seu diagnóstico. O seu estilo de gestão de tópico pode ser caracterizado como o estilo falando sobre um determinado tópico, em vez de falando topicamente.
A estratégia do paciente, por outro lado, consiste em evitar falar sobre os tópicos que são introduzidos pelo médico. Para tanto, ele usa digressões, autodiagnose e associação de tópicos. Desta forma, ele evita não só falar sobre os tópicos escolhidos pelo médico, mas ele consegue reciclar e falar mais sobre os tópicos de seu interesse pessoal e assim comunicar o que ele acha relevante à consulta. Desta forma, embora semi-analfabeto, o paciente revela possuir as habilidades conversacionais necessárias para fazer uma exposição de sua doença. O seu estilo de gestão de tópico caracteriza-se por falar topicamente, isto é, falar centradamente sobre um tópico.
Como conseqüência desta divergência em estratégias conversacionais e estilo de gestão de tópicos, os tópicos introduzidos pelo médico são breves e permanecem sem avaliação, e são rapidamente descartados pelo paciente. Os tópicos bilaterais, ou convergentes, por outro lado, são amplamente desenvolvidos e avaliados, proporcionando assim, ao médico, uma oportunidade de coletar informação mais relevantes para a diagnose e o tratamento. Prestando atenção aos mecanismos lingüísticos de envolvimento e avaliação que o paciente usa, ele pode aprender não somente o que é de interesse para ele médico, mas o que preocupa o paciente.
Conclusão comum: a importância da qualidade da comunicação na relação que se estabelece entre o médico e o paciente na consulta e uma visão consoante com a qualidade em serviços de que a própria conversa já é parte do processo de cura, pois atender o cliente é, principalmente entender o seu pedido, o seu desejo e a sua necessidade. Quase sempre, ao fazer uma demanda, direta ou indireta, o cliente pede uma coisa, quer outra e precisa de uma outra. Desta forma, a melhor forma de garantir as condições para um bom atendimento é investir na qualidade da relação e dos vínculos com o cliente, pois a qualidade do atendimento é diretamente proporcional à qualidade do relacionamento que se estabelece.
Citamos aqui as palavras de um praticante da medicina da pessoa, em vez da medicina da doença: “As dificuldades na relação médico-paciente geralmente comprometem o êxito dos resultados das consultas e do tratamento, por duas razões. Primeiro, a inabilidade do médico de abordar o paciente e, segundo, a resistência do paciente em aceitar o que lhe é proposto.” Para resolver este problema, o autor sugere que “a consideração dada à receita é proporcional à preocupação do médico com as emoções do paciente”, observando ainda: “O bom médico deve se interessar pela estória do paciente, não somente de onde vem as suas dores, ou seja, o problema é descobrir o que é importante para a pessoa doente e não só para o médico.”
Sugere-se, então, que os profissionais médicos desenvolvam um conhecimento consciente das características e complexidades do discurso da cura. Isto demandaria que os médicos aprendessem mais a ouvir para aprender, do que ouvir para interrogar. Na verdade, sua habilidade de interrogar seria otimizada pela sua habilidade de ouvir e identificar pistas contextuais, tais como a avaliação e o envolvimento, que sinalizam os verdadeiros problemas de seus pacientes. Esta consciência os equiparia com ferramentas mais poderosas para apontar os problemas de seus pacientes mais facilmente. Todavia, como Shuy (1976) evidencia, as atitudes estão profundamente enraizadas na prática diária e não são muito fáceis de mudar. O autor do artigo para o jornal brasileiro mencionado acima afirma que a resistência dos médicos à mudança se deve principalmente a “... uma mistura de preconceito e falta de conhecimento sobre as mudanças”. De acordo com este mesmo autor, os médicos vão ter que enfrentar os seus próprios preconceitos e orgulho se eles quiserem melhorar a relação com os seus pacientes. O mero conhecimento do problema não garante a mudança.
Esta profunda mudança, porém, demandaria um projeto integrado de pesquisa em análise do discurso a longo prazo, envolvendo pesquisadores lingüistas e profissionais médicos na pesquisa colaborativa das suas culturas de trabalho e da natureza da interação médico- paciente. As descobertas de tais destas pesquisas serviriam de base para o treinamento de outros profissionais, tanto em programas de pré-serviço quanto em programas em-serviço.
Assim, sugere-se que, como pesquisadores da sua própria cultura de trabalho, os médicos comecem a estranhar o familiar e familiarizar o estranho em seu próprio contexto. Então, tendo chegado a esta atitude crítica através da visão perspectiva interna e externa da sua prática,eles poderão se tornar os principais agentes de transformação de sua própria prática social.
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