Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Brasil Trocou os Manicômios Pelos Remédios Psiquiátricos?

http://www.vice.com/pt_br/read/o-brasil-trocou-os-manicomios-pelos-remedios-psiquiatricos

Brasil Trocou os Manicômios Pelos Remédios Psiquiátricos?

Repórter
abril 30, 2015


Mesmo com um dos sistemas públicos mais progressistas na saúde mental, os brasileiros dependem cada vez mais de medicamentos psicotrópicos. O país iniciou sua reforma psiquiátrica no fim dos anos 70, a partir do processo de redemocratização, substituindo a atuação dos hospitais psiquiátricos por outras formas de atendimento a pacientes com transtornos, mas, ainda assim, o uso de substâncias controladas segue crescendo entre a população – e não são apenas os adultos.
Um fenômeno que exemplifica essa hipermedicação brasileira pode ser facilmente identificado ao analisarmos o aumento considerável do consumo de Ritalina por crianças. Segundo Walter Oliveira, médico com prática em psiquiatria, professor na UFSC e vice-presidente da Abrasme (Associação Brasileira de Saúde Mental), houve um crescimento considerável nos últimos cinco anos dos diagnósticos de déficit de atenção. "Com isso, começamos a prestar mais atenção e entender por que isso está acontecendo. Será que existe mesmo uma epidemia de transtorno de atenção? Acontece que, quando começamos a olhar o que está acontecendo nas escolas, percebe-se uma pressão muito grande para pegar uma criança mais agitada e que não se conforma com as regras da escola, diagnosticá-la e medicá-la com um remédio psiquiátrico", explica.
De fato, o brasileiro toma muito remedinho. Em 2013, nós gastamos R$ 1,8 bilhão com antidepressivos e estabilizadores de humor. E isso pode vir de maneiras diversas: do lobby de indústrias farmacêuticas, da glamourização de doenças psiquiátricas e também porque viver nas metrópoles deixa a gente mais infeliz e abre mais possibilidades de incidências de transtornos psiquiátricos. Um artigo publicado em 2014 concluiu que, nas cidades analisadas, o aparecimento de transtornos mentais são de 51,9% no Rio de Janeiro, 53,3% em São Paulo, 64,3% em Fortaleza e 57,7% em Porto Alegre.
Se você considerar de maneira geral, ainda estamos considerando o atendimento psicossocial em segmentos do vasto território brasileiro. Há ainda lugares em que amarram os pacientes no pé da cama, que o cara é mandado para um hospital psiquiátrico, porque o CAPS não dá conta.
"Não estou dizendo de maneira alguma que não existem pessoas com depressão ou ansiedade, mas sim que há um exagero de diagnóstico para pessoas que não possuem transtornos graves e que estão tomando medicação controlada", frisa Walter. "Hoje, a pessoa passa seis meses tomando um remédio após ter passado por apenas uma consulta."
Assim como no resto do Ocidente, o Brasil participa do boom de diagnósticos e do acesso a remédios controlados para se tratar de problemas da vida cotidiana. "Isso começou na década de 50 com os barbitúricos, ansiolíticos, e muita gente começou a tomar medicamentos para tudo." Silvio acrescenta que a crescente procura por esse tipo de remédios também se deve a uma tendência contemporânea de procurarmos respostas mais rápidas para o que nos aflige.
O cenário da loucura no Brasil dos anos 50 ainda era tomado pela única solução possível: internação e medicação por parte da psiquiatria. O louco era um pária e, por isso, era internado em manicômios onde os maus-tratos e tratamentos duvidosos eram alguns dos meios que o Brasil da época encontrava para retirar de circulação cidadãos indesejados. Um dos maiores exemplos do tratamento manicomial do país é o Hospital Colônia de Barbacena, onde ocorreu o Holocausto Brasileiro, e também o Hospital Psiquiátrico Juquery, localizado na cidade de Franco da Rocha . Tudo isso começou a ser percebido após o lento e gradativo processo de redemocratização nos anos 1970.
"Na época, o Brasil era, aos olhos dos estudiosos do mundo, um país interessante de ser observado, pois tinha acabado de sair de uma ditadura", relembra Silvio Yasui, psicólogo e professor da Unesp que também atuou na área da saúde mental pública. Foram dois intelectuais que deram força para a reforma da saúde mental no país: Foucault e, o mais importante, o italiano Franco Basaglia. "Basaglia tinha a experiência de mudar o sistema de saúde mental. Quando ele chegou aqui em 1977/78, tinha acabado de aprovar uma lei italiana que determinava o encerramento de hospitais psiquiátricos. A presença dele aqui falando que é possível fazer algo do tipo foi bastante determinante para a reforma psiquiátrica no Brasil", explica.
As visões de Basaglia deram espaço para a criação de uma nova rede de saúde mental com mecanismos mais progressistas e fundamentalmente contra a internação em manicômios como primeira opção. Com isso, foi criada a primeira unidade do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) em 1987, na Rua Itapeva, no município de São Paulo, onde inicia-se na prática a nova postura do país com a saúde mental. O CAPS é uma das soluções da rede de saúde mental (formalizada com a lei nº 10.216/2001) oferecidas pelo SUS.
Sofremos o preço de sermos jovens enquanto política.
Segundo o Ministério da Saúde, são 2.209 CAPS espalhados pelo país, dos quais 201 são especializados em crianças e adolescentes. As unidades fazem cerca de 44,9 milhões de atendimentos por ano que visam ao "atendimento próximo da família, assistência médica e cuidado terapêutico conforme o quadro de saúde do paciente". Para Silvio, a qualidade do atendimento nos CAPS depende da região onde a pessoa está. "Você tem alguns lugares com ofertas interessantes para a reinserção do sujeito na sociedade. Se você considerar de maneira geral, ainda estamos considerando o atendimento psicossocial em segmentos do vasto território brasileiro. Há ainda lugares em que amarram os pacientes no pé da cama, que o cara é mandado para um hospital psiquiátrico, porque o CAPS não dá conta."
O psicólogo continua: "Atenção psicossocial é um cuidado que se faz em rede e em território. O CAPS em Perdizes vai ser diferente do de Itaquera, que vai ser diferente do CAPS de Parelheiros. Se for pensar em outras regiões e em outras culturas, a abordagem terá a cara do seu território. Cada lugar vai ter um jeito de lidar com a loucura e com o sofrimento".
Já Walter Oliveira destaca que a função do CAPS acabou se perdendo e se tornando um meio prioritário de atendimento. "O Brasil não investe em uma rede de saúde mental no geral: o CAPS foi a solução mais viável de se implantar, mas ainda não atende todas as necessidades da população. Aqui em Florianópolis existe apenas uma unidade que atende cerca de 1 milhão de pessoas."
É muito difícil falar em números de diagnósticos por conta do envolvimento do médico, do remédio com a indústria farmacêutica.
Os dois especialistas frisam que a própria contratação de profissionais do CAPS é problemática, pois muitos carregam ainda a mentalidade manicomial. Isso se deve principalmente pela política de saúde mental ainda ser uma novidade e também pela formação acadêmica continuar focada numa corrente mais tradicional. "Sofremos o preço de sermos jovens enquanto política", conta Silvio.
Enquanto a rede de saúde mental brasileira pena para se adaptar às novas tendências da psiquiatria, resta saber se estamos mesmo mais infelizes e doentes, ou se realmente usamos os medicamentos como válvula de escape para os problemas que não queremos enfrentar.
"É muito difícil falar em números de diagnósticos por conta do envolvimento do médico, do remédio com a indústria farmacêutica. Há também uma ausência de posição por parte do governo sobre essa questão", explica Walter. Por isso, o psiquiatra destaca que sempre é preciso olhar para os números com muita cautela, justamente por muitas pesquisas no campo serem patrocinadas por indústrias farmacêuticas .
"Temos um excesso de diagnósticos que patologizam a vida cotidiana. Hoje, não existe mais uma criança arteira, existe uma criança com DDA; da mesma forma que não há mais pessoas tristes, mas sim depressivas", finaliza Silvio.
Resta saber se é pior ficar preso em um hospício ou preso em nós mesmos por conta do excesso de medicamentos psiquiátricos.

Antidepressivos e suicídio

http://www.revistavidaesaude.com.br/sala-de-espera/antidepressivos-e-suicidio/

Antidepressivos e suicídio

Pasme! Mas os antidepressivos, além de não prevenirem o suicídio, podem acabar aumentando as chances de que ele ocorra. A informação parece estranha, por isso pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, explicam que ainda não há consenso se os antidepressivos podem prevenir suicídios ou tentativas dele, especialmente durante uso em longo prazo desses medicamentos.
Pode ser que o medicamento não cause o suicídio, mas o problema é que ele também não evita o mesmo. Após a revisão de mais de 800 artigos científicos sobre o tema e uma pesquisa que abrangeu alguns anos dos pesquisados, verificou-se que sete de cada oito suicídios e 13 de cada 14 tentativas de suicídio ocorreram entre os pacientes que estavam tomando antidepressivos, resultando em índices de incidência de 5,03 para os suicídios e de 9,02 para as tentativas de suicídio.
Apesar de ainda não haver um estudo conclusivo, é preciso ficar atento à suspeita. Além disso, não se deve abrir mão da psicoterapia, especialmente porque os antidepressivos não podem resolver todos os problemas.
A análise foi publicada na revista médica Psychotherapy and Psychosomatics.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Desamparo Aprendido (Modelo comportamental da depressão)


Distinguindo dos teóricos do “stress” entendo que o “burnout”, depressão mais recorrente no trabalho docente não se constitui numa reação crônica de “stress”, pois essa síndrome insere-se no conceito de depressão reativa por situações aprendidas de desamparo diante dos acontecimentos. De acordo Seligman (1977), é desmedida a confusão existente na bibliografia médica sobre a depressão; no entanto, a maneira melhor e mais útil de verificar as tipologias de depressão é classificá-las em depressões endógenas e depressões reativas.
Para o autor, as depressões endógenas se constituem em resposta a um processo interno ou endógeno desconhecido. Essas depressões não são desencadeadas por algum processo externo, simplesmente tomam conta do sujeito, são cíclicas e se repetem regularmente. Elas respondem a tratamentos com drogas, e suas causas são de natureza orgânica, como a hormonal, podendo também, ser predispostas geneticamente. As depressões reativas, por sua vez, são as mais comuns e são causadas por acontecimentos externos aos sujeitos, não apresentam ciclos regulares, não respondem a tratamentos com drogas, não têm caráter genético e seus sintomas são mais leves do que o das depressões endógenas.

O dia-a-dia do professor – ensinando a amparar e apreendendo o desamparo
Na obra “Desamparo: sobre depressão, desenvolvimento e morte” (1977), Seligman desenvolve a intrigante tese de que as depressões reativas podem ser explicadas a partir do desamparo aprendido. Segundo o autor, o desamparo aprendido se caracteriza pela lentidão do indivíduo em dar início a respostas voluntárias, acreditando-se impotente e desesperançado, situação que se inicia como uma reação à perda de controle sobre gratificações e sobre a minoração do sofrimento. Não é um pessimismo generalizado; é antes um pessimismo dirigido para as suas próprias ações. O indivíduo aprende que responder é independente de reforço; assim, o modelo sugere que a causa da depressão decorre da constatação de que toda a ação é inútil.
Sendo assim, não é a perda de reforçadores gratificantes que causa depressão nos indivíduos, mas a perda do controle sobre os reforçadores. Essa perda é um fenômeno que decorre de fatores externos ao sujeito; desse modo, quando este é submetido a situações constantes de estímulos incontroláveis, aprende que responder se torna inútil, desencadeando-se a sensação de desamparo.

http://www.ambientelegal.com.br/a-loucura-no-trabalho-docente/

domingo, 21 de agosto de 2016

Drogas DOC

Primeiro documentário brasileiro que levantou a discussão da política de drogas no Brasil e no mundo, com participação de vários profissionais das mais diversas áreas de autuação.
O filme, gravado em diversos paíse do mundo, discute a relação histórica da humanidade com as drogas, o uso industrial e medicinal da maconha e a política de guerra nas grandes cidades, em particular no Rio de Janeiro.
O documentário teve papel fundamental no movimento político brasileiro relacionado ao tema e viajou o mundo em dezenas de festivais de cinema. Foi eleito, ao lado de Food Inc, Ilha das Flores e The Corporation, como um dos 11 documentários que podem mudar a sua visão de mundo.
https://www.youtube.com/watch?v=K_N1q5DAri4

sábado, 20 de agosto de 2016

A indústria do mal-estar



http://www.extraclasse.org.br/edicoes/2016/08/a-industria-do-mal-estar/

A indústria do mal-estar

Por Grazieli Gotardo
ENTREVISTA | ROBERT WHITAKER

A indústria do mal-estar

Por Grazieli Gotardo
Foto: Reprodução
Há mais de 25 anos, o jornalista norte-americano Robert Whitaker escreve sobre medicina e ciência para diversas publicações. Em 1998, ao fazer uma série investigativa para o Boston Globe (o mesmo jornal da série de reportagens que deu origem ao roteiro do filme Spotlight), observou que alguns estudos sobre a utilização de medicamentos psiquiátricos apresentavam resultados que não condiziam com o entendimento que se cristalizava na sociedade: de que doenças como depressão, ansiedade e esquizofrenia seriam causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que poderiam ser corrigidos pelas novas drogas. A série de reportagens foi finalista do prêmio Pulitzer de Serviço Público. Depois disso, ele mergulhou na investigação de estudos científicos e constatou várias contradições e interesses de um mercado bilionário, a indústria farmacêutica de drogas psiquiátricas. Seu livro mais comentado Anatomy of an Epidemic – ainda sem tradução para o português, a ser publicado no Brasil em 2017, pela Editora Fiocruz – foi premiado como o melhor livro investigativo de 2010 por editores e jornalistas norte-americanos. Desde então, ele vem sendo convidado para apresentar seus dados em faculdades de Medicina, bem como tem sido confrontado por psiquiatras. Nesta entrevista concedida por e-mail, o jornalista detalha suas descobertas.
Extra Classe – Como teve início a sua pesquisa sobre as drogas psiquiátricas?
Robert Whitaker – Em 1998, fui coautor de uma série para o jornal Boston Globe sobre abusos contra pacientes psiquiátricos em ambientes de pesquisa. Naquela época, tive uma compreensão completamente convencional das drogas psiquiátricas, de que elas corrigiam os desequilíbrios químicos no cérebro e que seu uso contínuo era essencial para as pessoas com diagnóstico de esquizofrenia e outros transtornos mentais graves. Após isso, eu comecei a observar que a ciência não sustentava esse entendimento convencional. Foi isso que guiou minha curiosidade para investigar.

Foto: reprodução
EC – O que o motivou a escrever contra essas drogas?
Whitaker – Ao pesquisar essa história para o Boston Globe, deparei-me com dois estudos que me fizeram questionar esse entendimento convencional. A primeira foi a pesquisa pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que, por duas vezes, relatou que os resultados de longo prazo para as pessoas diagnosticadas com esquizofrenia eram muito melhores em “países em desenvolvimento” do que nos países “desenvolvidos”. De fato, os pesquisadores da OMS concluíram que quem vive em um país desenvolvido era um forte candidato a não ter um bom resultado se diagnosticado com esquizofrenia. Isso me surpreendeu, e depois eu descobri que, nos países pobres, onde os resultados foram muito melhores, eram usados antipsicóticos muito diferentes. Mantinham-se as pessoas com esses medicamentos no curto prazo, e não por longos períodos. Apenas 16% dos pacientes eram regularmente mantidos com os medicamentos. E assim eu me perguntei: por que os resultados do tratamento da esquizofrenia seriam melhores em países que não mantêm regularmente seus pacientes com as drogas que eu entendi que seriam essenciais para a doença? Outro estudo, feito por pesquisadores da Harvard, relatou, em 1994, que os resultados dos tratamentos para pacientes com esquizofrenia estavam se reduzindo nos últimos anos, estando inclusive abaixo dos índices de resultados do primeiro terço do século 20, muito antes da chegada dos medicamentos antipsicóticos. Isso desmentia o entendimento convencional de que a chegada de antipsicóticos na medicina representou um grande avanço. Isso me motivou a olhar mais a fundo sobre a literatura científica em relação aos méritos dos medicamentos psiquiátricos. Eu não estava motivado a favor ou contra as drogas. Só queria investigar mais sobre seus efeitos, se as histórias que haviam sido divulgadas sobre esses medicamentos, de que eles corrigiam desequilíbrios químicos no cérebro, eram verdadeiras. E quando descobri que a literatura científica realmente contou uma história diferente do que o que nós acreditamos convencionalmente, me motivei a escrever sobre o assunto. EC – Em que momento de suas pesquisas você percebeu que as drogas psiquiátricas faziam parte de um mercado rentável e quem são os interessados nesse mercado? Essa realidade se mantém nos dias de hoje?
Whitaker – Eu já sabia há algum tempo que as drogas psiquiátricas eram parte de um mercado rentável. Em 1994, cofundei uma editora, que publicou sobre o desenvolvimento da indústria de novas drogas e o mercado crescente. Esta foi uma época em que antidepressivos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina) estavam se popularizando e os novos antipsicóticos atípicos (segunda geração) estavam chegando ao mercado. Escrevi sobre essa comercialização na investigação do Boston Globe em 1998. A indústria farmacêutica continua muito interessada em vender drogas psiquiátricas, uma vez que foi um mercado em franco crescimento nos últimos 30 anos.
EC – Como ocorreu esse crescimento da indústria farmacêutica de remédios psiquiátricos nos últimos anos?
Whitaker – Em 1987, os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 800 milhões com drogas psiquiátricas. Os EUA agora gastam mais de US$ 35 bilhões em drogas psiquiátricas a cada ano. Isso é um aumento de 40 vezes nos gastos. Não sei os números para o crescimento no mercado global, mas o mercado tem se expandido drasticamente nos últimos 30 anos.
EC – O senhor diz que as pesquisas comprovam que doenças como a depressão e esquizofrenia não são causadas por desequilíbrios químicos, como sustentam a indústria farmacêutica e a classe médica. O que comprova isso?
Whitaker – A teoria do desequilíbrio químico surgiu a partir de um entendimento de como as drogas psiquiátricas agem no cérebro, e não a partir de investigações de pessoas diagnosticadas com um determinado distúrbio. Por exemplo, os pesquisadores passaram a entender que os antidepressivos aumentam a atividade serotoninérgica no cérebro. Isso os levou à hipótese de que a depressão é devido à pouca atividade serotoninérgica (pouca serotonina no cérebro). Mas quando os pesquisadores estudaram se pacientes diagnosticados com depressão antes de serem submetidos à medicação sofriam com baixos níveis de serotonina, não encontraram nada. Os sistemas serotoninérgicos estavam normais. Essa é a prova. Quando os pesquisadores analisaram se os pacientes diagnosticados com depressão ou algum outro transtorno mental tinham um desequilíbrio químico específico, eles não encontraram nada. Em relação à saúde dos pacientes, isso significa que muitos tomam antidepressivos e outras drogas psiquiátricas com base em uma falsa compreensão. Eles acreditam que têm um desequilíbrio químico que está sendo corrigido pela droga, e, assim, a droga é tal como a insulina para o diabetes. Mas isso não é verdade. Na verdade, a biologia dos distúrbios psiquiátricos permanece desconhecida, e psicofármacos “trabalham” para perturbar o funcionamento normal dos neurotransmissores no cérebro. As drogas são agentes que alteram as funções do cérebro, em vez de agentes normalizadores. Assim, a “medicalização” significa que a prescrição dessas drogas está sendo feita em um contexto que dá às pessoas uma falsa compreensão de seus próprios cérebros. Elas são levadas a acreditar que as suas lutas contra a depressão, ansiedade ou algum outro problema são devido a um problema químico conhecido, quando isso não é verdade. Na realidade, o cérebro humano é incrivelmente complexo e muito do seu funcionamento é um mistério. E quando ingerimos agentes que alteram a função do cérebro, que é o que as drogas psicotrópicas fazem, isso pode ser um problema para nossa saúde física e mental a longo prazo.
Foto: Acervo pessoal
“A indústria farmacêutica quer convencer as pessoas de que é melhor viver com drogas, já que isso constrói grandes mercados para os seus medicamentos. E a psiquiatria é sua aliada: a especialidade médica tem motivos para promover ouso das drogas de curto e de longo prazo”
EC – O que está por trás do interesse em convencer as pessoas de que é melhor viver com drogas de uso contínuo?
Whitaker – Dois interesses: a indústria farmacêutica quer convencer as pessoas de que é assim, já que isso constrói grandes mercados para os seus medicamentos. E a psiquiatria é sua aliada. Pelo menos nos Estados Unidos, grande parte dos psiquiatras deixa de lado a terapia da conversa e manda seus pacientes para psicólogos e outros terapeutas. Seu “produto” no mercado são as drogas. E assim a especialidade médica tem motivos para promover o uso das drogas de curto prazo e de longo prazo.
EC – O que comprova que as doenças mentais estão se tornando muito mais crônicas atualmente do que na era pré-drogas psiquiátricas?
Whitaker – Esta evidência é demonstrada em vários estudos e eles estão todos no meu livro Anatomy of an Epidemic (em tradução livre: anatomia de uma epidemia). Mas, por exemplo, na era pré-antidepressivos, a depressão costumava ocorrer em episódios, e uma alta porcentagem de pessoas que sofriam um primeiro episódio de depressão grave o suficiente para ser hospitalizada jamais teria outro. Apenas algumas poucas pessoas diagnosticadas com um episódio depressivo inicial iriam se tornar cronicamente doentes. Hoje, pelo menos nos Estados Unidos, um elevado número de pessoas diagnosticadas com depressão torna-se depressivo crônico. É possível ver esta mudança no curso da depressão na era moderna das drogas no livro da Associação Psiquiátrica Americana (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM). O livro diz que os estudos apontavam que a depressão ocorria por episódios e que a maioria das pessoas se recuperava desse episódio inicial. Agora, a publicação afirma que a depressão segue um curso crônico. E hoje, se você estudar o curso da depressão em pacientes não medicados e pacientes medicados, o grupo de não medicados tem melhores resultados a longo prazo. Eles são muito menos propensos a acabar cronicamente deprimidos.
EC – Por que é um mito que todas as pessoas com esquizofrenia precisam de medicação para toda a vida?
Whitaker – Estudos após estudos comprovam que uma porcentagem significativa de pacientes com diagnóstico de esquizofrenia pode ficar muito bem, a longo prazo, sem antipsicóticos, e é este grupo sem medicação que tem os melhores resultados no longo prazo. Isso foi mostrado no estudo de Martin Harrow (PhD em Psiquiatria na Universidade de Illinois) com pacientes esquizofrênicos nos Estados Unidos e em um estudo de Courtenay Harding (PhD em Psiquiatria, especialista em esquizofrenia, com passagem pelas principais universidades norte-americanas e hoje consultora internacional para programas de reabilitação mental). Ambos concluíram em suas pesquisas que era um “mito” que todas as pessoas com diagnóstico de esquizofrenia precisavam estar em uso de antipsicóticos por toda a vida e que, aparentemente, apenas uma minoria necessita usar medicamentos no longo prazo.
EC – Qual é a relação entre o uso de drogas ilícitas e antidepressivos e o aumento dos casos de bipolaridade?
Whitaker – É bastante claro que os estimulantes e antidepressivos aumentam o risco de uma pessoa sofrer um episódio maníaco e ser diagnosticada com transtorno bipolar. Com pessoas deprimidas, verifica-se que, quando se dá um antidepressivo, duplica o risco de a pessoa se tornar bipolar. E existem drogas ilícitas que aumentam o risco de uma pessoa ser diagnosticada como bipolar. Por exemplo, adolescentes que fumam maconha regularmente aumentam consideravelmente o risco de desenvolverem a bipolaridade. O problema pode ser resumido da seguinte maneira: drogas psicotrópicas, particularmente quando usadas de forma contínua, podem induzir problemas de humor que levam a um diagnóstico bipolar.
EC – O que concluem os estudos sobre o uso de medicação para depressão ou déficit de atenção em crianças e jovens por longos períodos?
Whitaker – Estudos de longo prazo de jovens diagnosticados com TDAH e tratados têm apontado que os medicamentos não fornecem benefício em nenhuma área. O único resultado é que o uso prolongado pode conduzir a problemas físicos e aumentar o risco de desenvolver bipolaridade.
EC – Ao longo de suas pesquisas e matérias publicadas, você sofreu algum tipo de pressão ou represália?
Whitaker – Houve algumas coisas bastante negativas escritas sobre mim por psiquiatras que são líderes em seu campo. O meu comentário favorito foi o de Jeffrey Lieberman, ex-presidente da Associação Americana de Psiquiatria, que disse a uma estação de rádio canadense que eu era uma “ameaça para a sociedade”. Mas eu, realmente, não tenho enfrentado retaliações, apenas críticas.
EC – Como vem sendo a inserção da sua investigação nas faculdades de Medicina?
Whitaker – Tenho sido chamado por um bom número de escolas médicas para dar palestras e apresentar minhas pesquisas. Ao mesmo tempo, acho que a maioria das escolas médicas simplesmente ignora meus livros e investigações.
EC – Depois dessas constatações, você é contra a utilização de drogas para doenças mentais? Por quê?
Whitaker – Não sou nem a favor nem contra o uso de drogas para transtornos mentais. Sou a favor de serem prescritas dentro de um contexto, o que significa que a sociedade deve compreender que a biologia das perturbações mentais permanece desconhecida, que as drogas não corrigem desequilíbrios químicos no cérebro; que, em geral, a sua eficácia a curto prazo é baixa; que estas drogas vão induzir alterações no cérebro que podem provocar dependência do medicamento e que existem evidências consideráveis de que, a longo prazo, os medicamentos aumentam a cronicidade de distúrbios mentais e o risco de uma pessoa se tornar funcionalmente prejudicada. Se as pessoas tiverem essa informação, então a sociedade e os indivíduos podem usar esses agentes com conhecimento, que, creio eu, envolveria muito mais cautela, e, em geral, por curtos períodos de tempo.

http://www.extraclasse.org.br/edicoes/2016/08/a-industria-do-mal-estar/

Vendedores de (neuro)ilusões

Vendedores de (neuro)ilusões

Existem duas coisas que nunca deixam de me surpreender: 1) como é fácil enganar as pessoas e 2) como as pessoas se deixam enganar tão facilmente. Por toda parte onde olho, vejo picaretas e charlatões vendendo todos os tipos de ilusões e fantasias que se puder imaginar. E vejo também pessoas, muitas pessoas, comprando tais ilusões - e o pior: ficando contentes e satisfeitas de estarem sendo iludidas. Não digo que estou imune a isso. De forma alguma! Todos estamos sujeitos, em alguma medida, a sermos enganados. Mas o que me impressiona de fato é a facilidade com que algumas pessoas são seduzidas por discursos atraentes porém absurdamente inconsistentes e até ridículos. Desde minha adolescência observo, sempre com muita curiosidade e espanto, o bizarro mundo dos vendedores (e compradores) de ilusão. Vários anos mais tarde, no mestrado, pude me aproximar de um tipo específico de bobagens, as neurobobagens, e pude confirmar a visão de que é realmente muito fácil enganar as pessoas - o que me faz pensar que as pessoas, em alguma medida, desejam ser enganadas.

No caso das neurobobagens, a receita para enganar é simples - e extremamente eficaz. Em primeiro lugar, coloque a expressão "neuro" em tudo o que você disser - assim, vai parecer que o que você diz é baseado em estudos científicos (mesmo que você nunca tenha lido um artigo neurocientífico sequer e no máximo algum livro de divulgação da Suzana Herculano-Houzel ou do neurocirurgião do programa da Fátima Bernardes). Assim, se for falar em liderança, diga "neuroliderança"; se o assunto for inovação, diga "neuroinovação"; ao invés de educação prefira "neuroeducação" - ou "neuropedagogia" ou "neuropsicopedagogia". Da mesma forma diga "neuromarketing", "neurobusiness" e "neurocoaching"; se for dar uma dica, dê uma "neurodica"; no intervalo sirva "neurodrinks"; na despedida dê um "neurotchau" mandando "neurobeijinhos" para a "neuroplateia". As neuropessoas que assistirem sua neuroapresentação sairão neuroencantadas - e neuroconvencidas de que o que você diz é "verdadeiramente" neurocientífico - quando, de fato, tudo não passou de uma grade neurobobagem. Enfim, o segredo é dizer as mesmas coisas que você sempre diz ou que os vendedores de ilusão sempre disseram (faça exercícios físicos, se alimente de forma equilibrada, não se estresse, cultive amizades, tenha sempre pensamentos positivos, etc.) com uma roupagem "neuro". Não importa se o que você disser não tiver qualquer embasamento científico (e esqueça o fato de que a ciência, e, no caso, as neurociências, estão recheadas de controvérsias e dissensos). O que importa, no fundo, é que as pessoas acreditem que você passou horas e horas lendo complexos artigos e livros de neurociências quando, de fato, você "aprendeu" sobre o cérebro lendo livros ou vendo videos produzidos por outros neuropicaretas como você.

Em segundo lugar, em qualquer apresentação que você fizer, use e abuse de imagens coloridas do cérebro. As pessoas vão ficar simplesmente deslumbradas! Ignore o fato de que as imagens produzidas pelas ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas não são, nem de longe, fotografias do cérebro, mas sim o resultado de complexo processo que envolve desde decisões técnicas e metodológicas, convenções visuais até cálculos matemáticos e testes estatísticos. Ignore tudo isso e aponte para as belas e pretensamente esclarecedoras "fotografias do cérebro" em seu slide do Power Point - ou, se você quiser parecer mais moderno, do Prezi. Se puder acrescente também tabelas e gráficos coloridos (que nem você nem sua neuroplateia precisam entender) e muitas, muitas muitas, imagens de cérebros e neurônios humanizados - de preferência escolha imagens animadas do tipo gif que retratem cérebros e neurônios dançando, andando de skate ou malhando. As pessoas vão rir e se divertir! (e, é claro, também vão esquecer da total falta de embasamento e coerência de sua apresentação, o que é absolutamente imprescindível). 

Não se esqueça também acrescentar as clássicas imagens do cérebro dividido em dois hemisférios (de preferência com o lado esquerdo colorido de azul e o direito de rosa). Então traga à tona a famosa teoria dos dois cérebros (ou teoria do cérebro duplo) segundo a qual o hemisfério direito corresponde ao cérebro emocional, criativo e visual, enquanto que o esquerdo ao cérebro racional, lógico e verbal. Ignore o fato de que grande parte dos neurocientistas contemporâneos considera esta teoria uma completa bobagem, e prossiga sua neuroapresentação extrapolando esta teoria para explicar o motivo de homens serem de marte e mulheres de vênus. Ignore a construção social dos papeis de gênero e a fundamental importância das expectativas na produção das masculinidades e feminilidades, e vomite para sua neuroplateia pseudoexplicações como a de que as mulheres são piores do que os homens em matemática em função de terem o lado esquerdo do cérebro menos desenvolvido ou em decorrência da atuação de hormônios "femininos". Enfim, sempre que puder, naturalize as diferenças entre homens e mulheres dizendo que possuem cérebros essencialmente diferentes. 
Finalmente, durante toda a sua neuroapresentação, exalte as neurociências como se elas já tivessem as respostas para todas as perguntas. Simplesmente desconsidere toda a enorme ignorância que ainda persiste sobre o funcionamento do cérebro humano, fingindo que todo o conhecimento almejado já está disponível. Além disso, faça continuamente afirmações pomposas e filosoficamente controversas como "entender o cérebro é entender a nós mesmos" ou "você é o seu cérebro". Ignore todas as reflexões do campo da filosofia da mente que problematizam sobre a relação entre a mente e o cérebro, e simplesmente reduza a mente ao cérebro. Na verdade, reduza tudo ao cérebro. Se puder, e isto aumentará consideravelmente sua credibilidade perante a neuroplateia, cite a famosa frase do Prêmio Nobel Francis Crick (aliás, é sempre bom, citar um prêmio Nobel, mesmo que você não tenha lido nada dele), segundo o qual "você, suas alegrias e tristezas, suas lembranças e ambições, seu senso de identidade pessoal e livre-arbítrio, não são mais do que o comportamento de um imenso conjunto de células nervosas e suas moléculas associadas". Ignore o imenso e controverso reducionismo explícito nesta frase e siga adiante vomitando todo tipo de palavras "neuro", expressões pseudocientíficas e discurso de auto-ajuda. E pronto! Seguindo todas, ou pelo menos algumas, destas etapas você estará mais do que preparado para se tornar, oficialmente, um neuropicareta - para alegria dos neuroentusiastas ingênuos. Neuroabraços para você.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Nós (poesia Laing)

Os outros disseram que ela era estúpida. então ela
se fez a si própria estúpido para não ver como
estúpido
eles estavam a pensar que ela era estúpida,
porque era ruim pensar que eles eram
estúpido.
Ela preferiu ser estúpido e bom,
em vez de ruim e inteligente.
É ruim ser estúpido: ela precisa ser
inteligente
para ser tão bom e estúpido.
É ruim ser inteligente, porque isso mostra
como eles eram estúpidos
para lhe dizer como ela era estúpida.

Ronald Laing. Nós.

sexta-feira, 12 de agosto de 2016

Harvard Professor Says Prescription Drugs Are Killing Population



Harvard Professor Says Prescription Drugs Are Killing Population

Harvard Professor claims that prescription drugs are killing the population
A Harvard Professor has claimed that prescription drugs are not only ineffective at treating most illnesses, but are actually killing the population. 
Arnold Seymour Relman, professor of Medicine at Harvard University and former Editor-in-Chief of the New England Medical Journal says:
“The medical profession is being bought by the pharmaceutical industry, not only in terms of practice of medicine, but also in terms of teaching and research. The academic institutions of this country are allowing themselves to be the paid agents of the pharmaceutical industry. I think it’s disgraceful.”
Trueactivist.com reports:
The pharmaceutical industry is the most prevalent medicine industry worldwide, as it is hypothesized that the medicines provided by it quickly gives respite from ailments and treats a person, despite of the fact that thousands of people die every year from prescription drug use.

According to a new study, almost 80 percent of meta–analyses had some sort of industry tie-up, either through sponsorship or speaking fees, research grants and things like that, which again leads to the fact that drugs may help someone by giving some sort of relief or lowering pain, but they can also cause a large amount of harm.
These drugs can instantly relieve acute pain and distress. But the treatment of chronic diseases poses a grave problem. Thus, in relieving a diseased condition, other abnormal physiological and pathological problems may develop. The side effects from these drugs can range from mild side effects like fatigue and constipation, to strong side effects like suicidal thoughts, insomnia, coma, severe infection and so on.
“Any drug causing more side effects than benefits will not be called a medicine. It would rather be called a poison.”
Here, we are talking about antidepressants. Dr. Peter Gotzsche, co-founder of Cochrane Collaboration (the world’s foremost body in assessing medical evidence), is currently working to make the world aware of the fact that the side effects associated with the several pharmaceutical grade drugs are actually killing people all over the world. According to his research, 100,000 people in the United States alone die each year from the side effects of correctly-used prescription drugs. He published many papers reasoning the fact that antidepressants are making people suffer with its harmful effects to a large extent.
In context of antidepressants, recent example is a study published in the British Medical Journal by researchers at the Nordic Cochrane Centre in Copenhagen. It states that the pharmaceutical companies are not disclosing all information regarding the results of their drug trials.
Tamang Sharma, a PhD student at Cochrane and lead author of the study, said:
“We found that a lot of appendices were often only available upon request to the authorities, and the authorities had never requested them. I’m actually kind of scared about how bad the actual situation would be if we had the complete data.”
This is not the first time that the pharmaceutical companies are portraying only the half truth of their drug trials to get the antidepressants on to the shelves. There are many other examples where we can see that the drug companies are selling their drugs on the basis of a bunch of lies and half-told truths.

quarta-feira, 10 de agosto de 2016

CUIDADO COM A RITALINA

http://www.compartilhandosaberes.com.br/ministerio-da-saude-adverte-muito-cuidado-com-a-ritalina/

MINISTÉRIO DA SAÚDE ADVERTE: MUITO CUIDADO COM A RITALINA!

No dia 1º de outubro de 2015 o Ministério da Saúde publicou um documento denominado “Recomendações do Ministério da Saúde para adoção de práticas não medicalizantes e para publicação de protocolos municipais e estaduais de dispensação de metilfenidato para prevenir a excessiva medicalização de crianças e adolescentes”.
Neste documento são apresentadas análises detalhadas e bem fundamentadas sobre a fragilidade do diagnóstico de TDAH, a inconsistência metodológica da maior parte dos estudos realizados que recomendam o uso do metilfenidato (sem contar o fato de que muitos destes estudos foram financiados por indústrias farmacêuticas que fabricam o medicamento), os indícios que apontam para a veiculação de índices superestimados de prevalência do suposto transtorno, os questionamentos acerca da eficácia e segurança do tratamento que apresenta alto potencial de abuso e dependência além de reações adversas e graves efeitos colaterais, o aumento crescente do consumo (o Brasil já é o segundo país onde mais se consome o metilfenidato!) e destaca ainda a existência de denúncias de abuso do medicamento em creches, escolas e centros de assistência social.
Em defesa do rompimento com o processo de medicalização que transforma problemas produzidos socialmente em questões médicas, responsabilidade dos indivíduos e suas famílias, o documento afirma a necessidade do uso racional e cauteloso e afirma categoricamente que “do ponto de vista clínico é muito complexa a diferenciação dos casos de TDAH, da maioria das dificuldades de escolarização decorrentes de modelos pedagógicos inadequados ao contexto atual das crianças, das dificuldades familiares, cada vez mais complexas e do contexto sócio-cultural altamente competitivo, estigmatizante e excludente”.
Ao final recomendam “a publicação de protocolos municipais e estaduais de dispensação de metilfenidato, seguindo recomendações nacionais e internacionais para prevenir a excessiva medicalização de crianças e adolescentes”
Com certeza, este documento representa um grande avanço e pode ser utilizado como um instrumento importante para fomentarmos um amplo processo de discussão sobre a medicalização em todos os municípios brasileiros.
Vamos defender nossas crianças e jovens!
Para ler o documento na íntegra clique aqui
Recomenda—-es-para-Prevenir-excessiva-Medicaliza—-o-de-Crian–a-e-Adolescentes

sexta-feira, 29 de julho de 2016

The Myth of Schizophrenia as a Progressive Brain Disease

https://recoverynet.ca/2012/11/28/the-myth-of-schizophrenia-as-a-progressive-brain-disease/

The Myth of Schizophrenia as a Progressive Brain Disease

Psiquiatria, locura y sociedad. Saberes imperfectos | Laura Martin Lopez-Andrade | TEDxValladolid

https://www.youtube.com/watch?v=slQQQQSVyJw

Psiquiatria, locura y sociedad. Saberes imperfectos | Laura Martin Lopez-Andrade | TEDxValladolid

Canal Paulo Amarante youtube

https://www.youtube.com/channel/UCYonSb6o7hbT2vGCup6Ypkw

OLGA RUNCIMAN - 01- SOBREVIVENTE DA PSIQUIATRIA

OLGA RUNCIMAN - 01- SOBREVIVENTE DA PSIQUIATRIA

https://www.youtube.com/watch?v=nncdjbwkwvU

OLGA RUNCIMAN 02 - SOBREVIVENTE DA PSIQUIATRIA

https://www.youtube.com/watch?v=obuLAuuB7AQ

Coming Off Psych Drugs (English subtitles)

https://www.youtube.com/watch?v=5RSNBQ0YfLs

Coming Off Psych Drugs (English subtitles)

quinta-feira, 28 de julho de 2016

terça-feira, 26 de julho de 2016

O poder da psiquiatria Por Vladimir Safatle

https://vozesdavoz.wordpress.com/2016/07/26/o-poder-da-psiquiatria/


O poder da psiquiatria


O que está por trás do DSM-5 e sua tentativa de transformar a experiência do sofrimento em patologia a ser tratada
Quando confrontados a categorias como “saúde”, “doença”, “normal” e “patológico”, a maioria dos psiquiatras atuais tenderá a aceitar que tais definições são, basicamente, objetos de um “discurso científico”. Isso significa, grosso modo, que a pretensa objetividade de suas distinções deve estar assegurada por um discurso que privilegia fenômenos mensuráveis, quantificáveis e claramente diferenciáveis através de um conjunto finito e operacional de caraterísticas de base. Esta seria a melhor maneira de impedir que tais metaconceitos fossem tragados por uma interminável discussão ideológica, com suas querelas sem fim de escolas a respeito da natureza do que orienta nossa atividade na clínica do sofrimento psíquico.
Foi com essa crença em vista que a psiquiatria dos últimos quarenta anos desenvolveu um dos mais impressionantes esforços de classificação de doenças e homogeneização de diagnósticos que se tem notícia. Desde o advento do DSM-3, a psiquiatria teria, enfim, encontrado o caminho em direção a sua segurança ontológica, deixando para trás décadas de imprecisão. Uma imprecisão que seria fruto do uso de vocabulários extremamente valorativos, em vez de meramente descritivos, assim como da fascinação por etiologias fantasistas. Pois, ao invés de se preocupar com a definição de causas dificilmente observáveis (como, por exemplo, afirmar que certa fobia de animal é resultado de conflitos inconscientes com a figura paterna), melhor seria privilegiar um pensamento categorial que organiza distinções a partir de uma certa lógica de conjuntos no qual o esforço clínico fundamental consiste em definir sintomas e condições que, se colocados em relação, podem individualizar um comportamento patológico. Desta forma, nasceria o milagre de um saber, para além de disputas teóricas, observável, imune aos juízos subjetivos do médico-observador e, acima de tudo, eficaz.
Esta história da marcha irresistível da psiquiatria em direção à ciência é normalmente contada em tons edificantes. A partir do início dos anos 1970, vários psiquiatras começaram a fazer testes, demonstrando a incrível variação de diagnósticos entre os profissionais. Por outro lado, a própria psiquiatria era bombardeada de todos os lados por aqueles irresponsáveis que tentavam demonstrar que categorias clínicas eram mitos ou, no mais das vezes, mecanismos de exclusão e controle social. Neste ambiente hostil, psiquiatras como Robert Spitzer e John Feighner teriam sido capazes de tirar a psiquiatria da defensiva por meio de uma profunda reforma metodológica que, em um curto espaço de tempo, modificou radicalmente o que entendíamos até então por “clínica”.
Pois tal reforma metodológica teria sido acompanhada pelo desenvolvimento exponencial do saber neurológico, assim como do desenvolvimento de medicamentos capazes de combater com eficácia aquilo que, erroneamente, entendíamos fluidamente por “impasses existenciais” capazes de afetar nossa performance no trabalho, nossos papéis sociais e nossa autonomia do desejo. A clínica aparecerá, então, cada vez mais submetida a uma farmacologia em vias irresistíveis de aprimoramento. Neste sentido, não haveria razão alguma para se inquietar do fato de que por volta de 70% dos experts que trabalharam para o DSM-5 terem, em sua carreira recente, vínculos financeiros com a indústria farmacêutica. A comunidade entre indústria farmacêutica e comunidade psiquiátrica seria exclusivamente fundada nas promessas abertas pelo progresso da ciência.
Também não haveria razão alguma para se perguntar se não haveria uma articulação perversa entre o fechamento dos asilos, a redução dos gastos públicos em saúde mental e um triplo processo de reforço da posição da psiquiatria. Processo triplo marcado pela medicalização, pela institucionalização crescente das discussões através da hegemonia da American Psychiatry Association (APA) e pela tecnicização crescente dos diagnósticos.
Doença e política
Tudo isso poderia interessar apenas à uma comunidade limitada, composta por todos aqueles profissionais designados para tratar de problemas de saúde mental (psicólogos, psiquiatras, psicanalistas, entre outros). Mas talvez seja o caso de colocar algumas questões. Pois, e se categorias como “saúde”, “doença”, “normal” e “patológico”, principalmente quando aplicadas ao sofrimento psíquico, não forem meros conceitos de um discurso científico, mas definições carregadas de forte potência política?  Por um lado, uma sociedade organiza seus modos de intervenção nas populações, nos corpos e nos afetos por meio da definição do campo das doenças e das patologias. No interior desses modos de intervenção, não é apenas a experiência subjetiva do sofrimento do paciente que orienta a clínica, mas também padrões esperados de conduta social de forte conotação moral (ou mesmo estética e política). Por exemplo, quando o DSM-4 descrevia o transtorno de personalidade narcísica, ele não temia descrever tal transtorno, apelando, entre outras coisas, para quadros morais do tipo: “Eles esperam ser adulados e ficam desconcertados ou furiosos quando isto não ocorre. Eles podem, por exemplo, pensar que não precisam esperar na fila, que suas prioridades são tão importantes que os outros lhes deveriam mostrar deferência e ficam irritados quando os outros deixam de auxiliar em ‘seu trabalho muito importante’”. O mínimo que se pode dizer é que tal quadro nada diz sobre o sofrimento psíquico, mas diz muito a respeito dos padrões disciplinares e morais que nossa sociedade tenta elevar à condição de normalidade médica.
Exemplo ainda mais caricato são os oito critérios fornecidos para definir o transtorno de personalidade histriônica: 1) desconforto em situações nas quais não se é o centro das atenções; 2) comportamento inadequado, sexualmente provocante ou sedutor; 3) superficialidade na expressão das emoções; 4) constante utilização da aparência física para chamar a atenção sobre si próprio; 5) discurso excessivamente impressionista; 6) teatralidade e expressão emocional exagerada; 7) ser facilmente sugestionável; 8 ) considerar os relacionamentos mais íntimos do que realmente são. Em um manual que se vangloriava pela clareza de seus “critérios específicos”, impressiona exatamente a falta de especificidade de um quadro clínico tão amplo que poderia englobar praticamente qualquer pessoa com o mínimo de senso de autocrítica. Há de se perguntar se estamos diante de uma falha ou da exposição sintomática de uma lógica que perpassa, em maior ou menor grau, todo o poder psiquiátrico atual com sua tendência muda, como vemos no texto de Gilson Ianinni e Antonio Teixeira,  de “psiquiatrização da vida cotidiana”.
Se nos perguntarmos sobre a natureza de tal lógica, valeria a pena lembrar como a experiência da doença, ou seja, a experiência de se compreender como doente, não é apenas o resultado da descrição de variações em marcadores biológicos específicos. Nem é a doença a mera definição de situações de sofrimento. Há várias experiências de sofrimento que não vivenciamos como doença, mas como conflitos relativamente naturais em processos globais de transformação e de desenvolvimento. Na verdade, há uma dimensão na qual estar doente, no que diz respeito à saúde mental, aparece como o sofrimento advindo da limitação na capacidade de ação e da fixidez em certos comportamentos. O que não poderia ser diferente se aceitarmos que estar doente é, a princípio, assumir uma identidade com forte força performativa. Ao compreender-se como “neurótico”, “depressivo” ou portador de “transtorno de personalidade borderline”, o sujeito nomeia a si através de um ato de fala capaz de produzir performativamente efeitos novos, de ampliar impossibilidades e restrições. Uma patologia mental não descreve uma espécie natural (natural kind), como talvez seja o caso de uma doença orgânica, como câncer ou mal de Parkinson. Como nos lembra Ian Hacking, ela cria performativamente uma nova situação na qual os sujeitos se veem inseridos.
Neste sentido, há de se perguntar o que está por trás dessa tendência de psiquiatrização da vida cotidiana levada a cabo pelo DSM-5. Tendência que realiza uma progressão presente na própria base dos DSMs. A partir de agora, o número de patologias mentais se eleva a 450 categorias diagnósticas. Elas eram 265 no DSM-3, lançado em 1980, e 182 no DSM-2, de 1968.
De fato, com modificações, como as que diminuem o luto patológico de dois meses para 15 dias ou que cria categorias bisonhas como o transtorno disruptivo de desregulação de humor, o vício comportamental (behavioral addiction) ou o transtorno generalizado de ansiedade, dificilmente alguém que passa por conflitos psíquicos e períodos de incerteza entrará em um consultório psiquiátrico sem um diagnóstico e uma receita médica.
Por trás desta estratégia clínica, com sua negação de perspectivas etiológicas, há a tentativa equivocada de transformar toda experiência de sofrimento em uma patologia a ser tratada. Mas uma vida na qual todo sofrimento é sintoma a ser extirpado é uma vida dependente de maneira compulsiva da voz segura do especialista, restrita a um padrão de normalidade que não é outra coisa que a internalização desesperada de uma normatividade disciplinar decidida em laboratório. Ou seja, uma vida cada vez mais enfraquecida e incapaz de lidar com conflitos, contradições e reconfigurações necessárias. Há de se perguntar se tal enfraquecimento não será, ao final, o resultado social dessas modificações no campo da saúde mental patrocinadas pelo DSM. Há de se perguntar também a quem tal situação interessa.
Por Vladimir Safatle, professor livre-docente no Departamento de Filosofia da USP

quinta-feira, 21 de julho de 2016

Reclaiming Humanity: Building a Post-Psychiatry, Post Mental Health World

https://www.youtube.com/watch?v=b6ZljUs4Xos

Laura Delano plenary talk "Reclaiming Humanity: Building a Post-Psychiatry, Post Mental Health World" from 2014 UCLA/ISEPP Conference "Transforming Mad Science" in Los Angeles, CA.

domingo, 17 de julho de 2016

Psiquiatria vive crise por falta de provas científicas, diz Nobel

http://abp.org.br/portal/clippingsis/exibClipping/?clipping=14944

Psiquiatria vive crise por falta de provas científicas, diz Nobel
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A psiquiatria está em crise porque falta comprovação biológica para seus conceitos. Essa é a opinião do neurobiólogo Eric Kandel, 81, ganhador do Prêmio Nobel de Medicina de 2000.

O cientista da Universidade Columbia, de Nova York, premiado por seus estudos com memória, desembarca nesta semana no Rio de Janeiro para participar do Congresso Brasileiro de Psiquiatria.

Em entrevista à Folha, Kandel condenou o uso de remédios como a ritalina (droga para tratar deficit de atenção) para melhorar a concentração de pessoas saudáveis.

Ele falou também sobre a validade da psicanálise, que pode cobrir lacunas da psiquiatria, caso adote padrões científicos mais rígidos. O pesquisador comentou também sobre sua nova invenção: um camundongo "esquizofrênico" para testar medicamentos.

Folha - Psiquiatras estão debatendo mudanças no manual de diagnósticos de transtornos mentais. Muitos acham que o livro não pode tentar ser muito objetivo. O que o sr. acha?

Eric Kandel - A preocupação com a objetividade foi introduzida há uns 20 anos quando houve uma tentativa de validar os critérios do manual para descrever transtornos. Isso foi extremamente importante para que diferentes psiquiatras pudessem dar o mesmo diagnóstico a um mesmo paciente.

O que é triste é que não houve muitos avanços desde então. Uma das razões para isso é que os psiquiatras não têm os chamados "marcadores biológicos" à disposição. Se você diagnostica diabetes ou hipertensão, pode usar medições objetivas, independentes. Não precisa se basear apenas naquilo que o paciente lhe conta. Nós, psiquiatras, ainda temos que recorrer à história do paciente.

O único grande avanço foi o trabalho de Helen Mayberg sobre depressão e a área chamada 25 do córtex cerebral. Ela descobriu que pessoas deprimidas tendem a ter hiperatividade nesta área. Quando os pacientes são tratados e os sintomas revertem, isso pode ser observado na área 25. Em pacientes para os quais drogas ou psicoterapia não haviam funcionado, ela descobriu que a estimulação cerebral [com sinais elétricos] poderia ter sucesso.

Mas, à exceção do trabalho de Mayberg, não temos outros exemplos.

Precisamos desesperadamente de bons marcadores biológicos. Sem isso, podemos publicar quantas edições quisermos do manual, que não chegaremos a lugar nenhum.

Algumas pesquisas pioneiras sugerem que vítimas de estresse pós-traumático poderiam se beneficiar de drogas que apaguem suas memórias ruins. Isso já foi feito em ratos. O que o sr. acha disso?

É assustador. Não gosto nem um pouco dessa idéia. Eu gosto da idéia de drogas que estimulem a memória. Se você tem problemas de memória, não há razões para não tomar algo para melhorar. Livrar-se de memórias é muito perigoso. Eu lido melhor com a idéia de que as pessoas tentem se acostumar com suas memórias. Há varios tipos de tratamento para essa dessensibilização. Acho OK tentarem se livrar da ansiedade associada à memória.

Acho aceitável também, que, em uma guerra, soldados tomem drogas betabloqueadoras para que não tenham uma reação excessivamente emocional com a experiência. Mas aniquilar memórias é uma coisa ruim. Você é quem você é por causa das memórias. O caráter das pessoas não deve ser submetido a cirurgias farmacológicas.

Houve progresso no entendimento dos mecanismos biológicos de algum outro transtorno psicológico?

Acho que houve no próprio caso do transtorno do estresse pós-traumático. Nós sabemos alguma coisa sobre a atividade da amígdala cerebral, que fica hiperativa nessas pessoas. Algumas pessoas estão desenvolvendo interessantes tratamentos de dessensibilização em conjunto com o uso de fármacos. É possível ver algum progresso nisso no futuro.

Isso é importante hoje, pois vivemos num momento em que há mais incidentes e mais vítimas entre soldados aqui nos EUA do que havia na Segunda Guerra Mundial. Por que o numero aumenta? Uma das razões pode ser a maior facilidade de se fazer diagnósticos, mas outra coisa é que, naquela época, havia um programa americano que enviava psiquiatras para servir nos campos de batalha. E eles estavam à disposição dos soldados quando estes precisavam. Isso pode ter feito diferença.

O sr. vei aqui para apresentar um camundongo geneticamente modificado que seu grupo criou para o estudo da esquizofrenia. A esquizofrenia afeta capacidades mentais humanas. Como é possível usar um camundongo para estudá-la?

A esquizofrenia tem três classes de sintomas. Há os "positivos" ilusões, alucinações e loucura, os "negativos" _reclusão, isolamento social e falta de motivação --e os "cognitivos"-- a dificuldade de organizar as ideias e trabalhar. É difícil criar um modelo para estudar os sintomas positivos em cobaias, mas podemos modelar os cognitivos e negativos.

Criamos um camundongo cujo corpo estriado [estrutura no núcleo do cérebro] produz em excesso uma proteína que os neurônios usam para captar o neurotransmissor dopamina. Essa é uma lesão genética que ocorre em parte dos pacientes com esquizofrenia e, funcionalmente, leva a uma característica compartilhada pela maioria dos esquizofrênicos. Nós obtivemos então camundongos que claramente têm problemas de memória de curto prazo e em funções cognitivas. Os mesmos roedores têm dificuldade de interação social e baixa motivação.

A falta motivação não é um sintoma mais característico da depressão do que da esquizofrenia?

É um sintoma compartilhado pelas duas doenças, mas é um aspecto muito importante da esquizofrenia. Nós encontramos um medicamento que supera essa deficiência e a restaura ao normal. Achamos que isso poderá ser útil para tratamentos de depressão também.

Quão longe essa droga está de chegar ao mercado?

Nós fizemos só os testes em camundongos. Estamos agora conversando com empresas farmacêuticas em busca de alguma que esteja interessada em experimentá-la em pessoas. Ainda é uma fase bem inicial.

O que o sr. acha de usar drogas, como a ritalina (receitada para deficit de atenção) para "turbinar" a inteligência, aumentando a concentração?

Não acho que seja boa ideia para pessoas saudáveis. Essas drogas devem ser prescritas para pessoas com problemas cognitivos. Não devem nunca ser vendidas sem receita. Não são vitaminas.

O sr. vem falar no Brasil, onde a psicanálise é relativamente bem aceita. Nos EUA, não é assim. Que papel o sr. vê para as ideias de Freud hoje?

Não vejo problema em ler Freud da mesma forma que lemos Nietzche, Dostoiévski ou Shakespeare --grandes pensadores que escreveram sobre a mente humana. Mas se você quer que a psicanálise seja uma terapia eficaz, é preciso ter estudos que mostrem resultado. É necessário explicar o que ocorre no cérebro. Isso seria e trabalhoso, mas é precisa ser feito.

O maior problema não é com Freud, mas com aqueles que o sucederam. Eles não desenvolveram uma tradição científica na psicanálise. O treinamento para psicanálise deveria mudar, de forma que uma parte das pessoas formadas se dedicasse exclusivamente à pesquisa.

Como será possível provar a eficácia da psicanálise em termos objetivos? Seria como comparar a eficácia de uma droga a um placebo?

Você conhece Aaron Beck? Ele era um psiquiatra da Universidade da Pensilvânia, uma pessoa incrível, que já estava interessado em testar as idéias de Freud 40 anos atrás. Freud afirmava que pessoas deprimidas têm uma grande carga de ira que se volta contra elas mesmas, de maneira inconsciente.

Ele ouvia então os relatos de sonhos dos pacientes --pois os sonhos são "a estrada de ouro" para se acessar o inconsciente-- e descobriu que esses pacientes não estavam mais irados que qualquer outra pessoa. Essas pessoas, porém, tinham uma distinção característica: elas se consideravam "perdedoras" na vida. Achavam que tinham falhado no casamento e no trabalho, que não eram bons pais etc.

Quando Beck tentou olhar para o que estava acontecendo, ele viu que muitos deles na verdade estavam se saindo bastante bem em suas vidas. Beck, então, apontou a discrepância entre como esses pacientes achavam que estavam se saindo e como eles realmente funcionavam na vida. Ele os ajudou a mudar a maneira de pensar e de funcionar, e isso foi possível com umas 20 sessões de terapia.

Ele escreveu então um livro com sua "receita", e outras pessoas seguiram seu método, com sucesso.

Depois disso Beck criou grupos para comparação: um grupo de pessoas que não recebiam nada além de medicamentos antidepressivos e um de pessoas que passaram por seu método, a terapia cognitivo-comportamental. Depois, comparou o desempenho de cada um com placebo.

Ele viu que em casos de depressão suave ou moderada, esse tipo de psicoterapia era tão bom quanto inibidores seletivos de recaptação de serotonina [principal classe de drogas antidepressivas]. Em casos de depressão severos a diferença não era tanta, mas o efeito da psicoterapia combinado com os medicamentos era melhor que o das pílulas sozinhas.

Isso foi um marco sobre como estudos podem avaliar os resultados da psicoterapia. É por isso hoje que o sistema de saúde britânico reembolsa gastos de pacientes de terapia cognitivo-comportamental, mas não os de outros tipos de psicoterapia.

É isso que precisa ser feito com a psicanálise. É preciso ter um grupo de controle, um grupo experimental, um placebo. É preciso comparar a psicanálise à terapia cognitivo comportamental.

Já existem algumas tentativas de se fazer isso hoje, e elas parecem encorajadoras. É possível imaginar que alguns pacientes precisem de uma abordagem que os ajude a olhar melhor para si próprios, algo que a terapia cognitivo-comportamental não faz. Ela é um tipo de terapia que não discute com você como sua mãe e seu pai te tratavam. Ela lida com o aqui e agora.

Em algumas circunstâncias, ela pode funcionar bem, mas em outras talvez seja preciso explorar melhor o passado da pessoa, onde a psicanálise ajudaria. É preciso descobrir quais são essas circunstâncias.

Não existe hoje uma aceitação maior de que a mente descrita por Freud possui estruturas correlatas no cérebro, como o id, o ego e o superego?

Sim. O córtex pré-frontal está muito relacionado à moralidade e ao julgamento de valores, por exemplo. Uma lesão nessa região do cérebro pode tornar uma pessoa amoral, um psicopata.

Mas acima disso, a ideia geral de Freud sobre processos mentais inconscientes é muito importante para nossas vidas. Boa parte de nossa atividade mental é inconsciente. Isso acabou se mostrando uma verdade universal.

Por que os EUA não se encorajaram com as idéias de Freud?

Há muitas razões. A principal delas é que psicanálise é absurdamente cara e leva muito tempo. Hoje, todos nós temos menos tempo do que dispúnhamos duas décadas atrás. Isso é verdade para acadêmicos, para homens de negócios e para pessoas que poderiam pagar pela psicanálise.

Um outro problema é que, nos círculos médicos, a psicanálise havia prometido algo que não poderia cumprir.

Greta Bibring, uma charmosa vienense discípula de Freud, foi chefe do departamento de psiquiatria na Escola Médica de Harvard entre as décadas de 1950 e 1960. Ela era muito admirada lá e convenceu as pessoas de que a psicanálise iria solucionar todos os problemas que a medicina não conseguia resolver naqueles dias.

Isso foi antes de existirem tratamentos eficientes para hipertensão, por exemplo, e outros tipos de problema que só vieram a ser mais bem compreendidas depois. A promessa de Bibring é que várias dessas doenças eram psicossomáticas e poderiam ser resolvidas com psicanálise.

Quando ficou claro que nenhuma dessas doenças reagia à psicanálise, houve uma grande decepção, e isso desencorajou muitos médicos acadêmicos que antes apoiavam Freud. Foi uma grande perda.

Depois disso veio a pressão do dinheiro, a pressão do tempo, vieram as psicoterapias de curto prazo e as vieram as drogas psiquiátricas _Prozac e companhia limitada. As pessoas começaram buscar a saúde mental de outras maneiras.

O sr. passou também passou a infância em Viena, quando Freud ainda vivia lá, e também teve de fugir do nazismo. Isso o influenciou em sua maior aceitação à psicanálise?

Isso teve efeitos positivos e negativos em mim. De um lado, parte de minha vida era superar o transtorno do estresse pós-traumático, porque foi uma experiência terrível. Mas eu fui influenciado pela cultura de Viena, tinha muitos amigos cujos pais eram psicanalistas, e tinha interesse nisso. Só desisti da psicanálise quando me apaixonei pela neurobiologia.

Eu deixei Viena aos nove anos com meu irmão de catorze. Nós cruzamos o Atlântico depois, cada um de nós sozinho. Talvez eu estivesse aterrorizado, mas não me lembro muito bem disso. Meus pais vieram para cá alguns meses depois. Houve um estranhamento. Eu era um forasteiro aqui nos EUA, usava roupas europeias não falava inglês, não tinha dinheiro...

Mas acho que a origem do meu interesse em transtorno pós-traumático é diferente. Eu me interessava por psicanálise e me interessei pelos mecanismos de armazenamento de memória porque é um assunto central da psicanálise.

Acabo de finalizar meu novo livro "The Age of Insight", que tenta combinar neurociência e arte, do século 19 até aqui. Está previsto para sair em março. É uma tentativa minha de passar isso a limpo.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Los cerebros esquizofrénicos tienen la capacidad de regenerarse

http://www.muyinteresante.com.mx/ciencia/16/05/31/cerebro-esquizofrenia-regeneracion-enfermedad-cura/

Los cerebros esquizofrénicos tienen la capacidad de regenerarse

 

Los cerebros esquizofrénicos tienen la capacidad de regenerarse
Ciencia 31/05/16
Científicos han encontrado nuevas pruebas de cómo los cerebros afectados por la esquizofrenia son capaces de reorganizarse y luchar contra la enfermedad. Es una nueva vía prometedora para nuestra comprensión de la esquizofrenia, y se podría hallar cura para una enfermedad que se estima que afecta a más de 21 millones de personas en todo el mundo.

El estudio encontró que, cuando se trata de volumen  gris de la materia, el efecto reparador con el tiempo en realidad hace que el cerebro de los pacientes esquizofrénicos llegue a ser más como el cerebro de las personas sin la enfermedad, lo que podría ayudar a encontrar nuevas formas de desarrollar tratamientos para la condición.

Durante éste, se analizó a 98 personas con esquizofrenia, y 83 personas que no tienen. Encontraron un pequeño aumento en el tejido en ciertas partes del cerebro en el grupo de la esquizofrenia después se tomaron imágenes por resonancia magnética. Esos pequeños incrementos se observaron junto con cantidades reducidas de materia gris en otras áreas. Este descubrimiento va en contra de la opinión establecida y generalmente aceptada de la esquizofrenia como una enfermedad que daña el tejido cerebral permanente en sus etapas iniciales, que no se puede revertir.

Si bien es sólo un pequeño estudio con una relativamente pequeña muestra de pacientes examinados, pero si los resultados pueden ser replicados, podría señalar un cambio serio en la forma en que los científicos y los médicos piensan en la enfermedad.

"Nuestros resultados ponen de manifiesto que a pesar de la gravedad del daño a los tejidos, el cerebro de un paciente con esquizofrenia está constantemente tratando de reorganizarse, posiblemente para rescatarse a sí mismo o limitar los daños", explicó Lena Palaniyappan del Instituto de Investigación de la Salud Lawson en Canadá.

Palaniyappan y sus colegas utilizaron una técnica llamada análisis de covarianza para estudiar los cerebros de esquizofrénicos más ampliamente de lo que se estudiaron en el pasado, encontrando que los cerebros dañados se desvían de la norma más importante desde el principio en el progreso de la enfermedad.

"Los resultados sugieren que en términos de volumen de materia gris, los cerebros de pacientes esquizofrénicos se vuelven " normales" son el tiempo," aseguró Rhodi Lee.

Todavía no se sabe qué causa la esquizofrenia, y la mayoría de las medicinas y terapias están diseñadas para reducir los efectos y permitir que los pacientes vivan una vida más normal.

 

terça-feira, 5 de julho de 2016

FALSAS PROMESSAS FARMACÊUTICAS

FALSAS PROMESSAS FARMACÊUTICAS

Acaba de surgir mais uma falsa promessa da indústria farmacêutica; o Modafinil, que prega conseguir uma melhor performance do cérebro e ainda não ter efeitos colaterais. Mais uma farsa para produzir consumidores em larga escala.

http://hypescience.com/remedio-que-melhora-cerebro/

segunda-feira, 4 de julho de 2016

Psychiatric Drug Withdrawal A Guide for Prescribers, Therapists, Patients and their Families

Dr. Breggin's book, Psychiatric Drug Withdrawal, is the best resource he recommends for considering how to taper off psychiatric drugs and actions one can take to improve one's life and health. Dr. Breggin says: "Nothing in the field of mental health will do more good and reduce more harm than encouraging withdrawal from psychiatric drugs."

http://breggin.com/index.php?option=com_content&task=view&id=296&Itemid=129

Psychiatric Drug Withdrawal
A Guide for Prescribers, Therapists,
Patients and their Families
 
By Peter Breggin, M.D.
  

Springer Publishing Co. 2013

quarta-feira, 29 de junho de 2016

Smart drugs não existem!

http://www.ihuonline.unisinos.br/index.php?option=com_content&view=article&id=6486&secao=487

Smart drugs não existem!

Ahmed Dahir Mohamed é crítico contumaz à ideia de “drogas inteligentes”. Para ele, são medicamentos para outros fins que acabam tendo outros usos por pressão social

Por: Ricardo Machado | Edição João Vitor Santos | Tradução Moisés Sbardelotto

O professor Ahmed Dahir Mohamed, da Universidade de Nottingham, acredita que discutir o conceito de smart drugs é como construir um castelo de areia, passível de vir abaixo com qualquer brisa. Ele vai direto ao ponto: “Não há tais coisas chamadas de “drogas inteligentes” [smart drugs], porque elas não existem”. Sua crítica começa desde a conceituação semântica. “O problema é que as pessoas usam a expressão smart drugs na mídia e na literatura. Como jornalista, você sabe que a linguagem é importante, por isso temos de ter cuidado ao usar as palavras erradas para descrever um fenômeno”, dispara, na entrevista concedida por e-mail à IHU On-Line.
Na perspectiva de Mohamed, “o que as pessoas têm chamado de smart drugs são drogas que são medicamente reguladas para o tratamento de problemas clínicos”. Entretanto, por uma espécie de pressão social, essas drogas passam a ser administradas por indivíduos saudáveis a fim de potencializar sua capacidade cognitiva. “Esses medicamentos podem ajudar pessoas com problemas clínicos, o que é uma coisa inteligente que eles se destinam a fazer, mas não fazem coisas ‘inteligentes’ em prol ou para a pessoa saudável”, explica. “Há um potencial considerável para a coerção indireta resultante de uma ‘sociedade 24/7’ [24 horas, sete dias por semana] altamente exigente, em que indivíduos saudáveis se sentem compelidos a tomar esses medicamentos, a fim de atender as demandas sociais e do trabalho”, completa.
Para o pesquisador, é preciso não ceder a esse apelo, pois “o indivíduo ainda tem a escolha de participar ou não dessa cultura”. Além disso, seus estudos comprovam que o uso desses remédios sem necessidade clínica pode causar efeito contrário, comprometendo capacidades cognitivas. É o caso dos trabalhos com o modafinil. “Tomar modafinil parece reduzir a criatividade ou o pensamento ‘fora da caixa’ em pessoas saudáveis que normalmente são criativas”, aponta.
Ahmed Dahir Mohamed é psicólogo licenciado e registrado no Reino Unido e membro associado da Sociedade Britânica de Psicologia. Atualmente, é membro do pós-doutorado e professor adjunto de Psicologia (Neurociência do Desenvolvimento Cognitivo e Afetivo) na Escola de Psicologia no campus da Malásia da Universidade de Nottingham. Ainda possui licenciatura em Psicologia pela Universidade de Reading, Reino Unido. Obteve seu doutorado no Departamento de Psiquiatria da Escola de Medicina Clínica da Universidade de Cambridge. Também é professor visitante de Neurociências e Ética no Centro de Bioética da Universidade de Otago, Nova Zelândia. Tem publicações na área de neurociências e neuroética do melhoramento cognitivo e do bem-estar subjetivo. Acaba, agora em 2015, de completar a coedição de um livro pela Oxford University Press, intitulado Rethinking Cognitive Enhancement: The Neuroscience of Cognitive and Physical Enhancement, com o professor Wayne Hall (Universidade de Queensland, Austrália) e o professor Ruud Ter Meulen (Universidade de Bristol, Reino Unido). 

Confira a entrevista.

IHU On-Line – O que são as smart drugs?
Ahmed Dahir Mohamed – Não há tais coisas chamadas de “drogas inteligentes” [smart drugs], porque elas não existem. O que as pessoas têm chamado de smart drugs são drogas que são medicamente reguladas para o tratamento de problemas clínicos, tais como a narcolepsia, o transtorno do déficit de atenção com hiperatividade e assim por diante. Quando as pessoas usam essas drogas medicamente reguladas para outros fins, tais como tentar ficar acordado por mais tempo ou tentar fazer mais festa, a mídia e o público desinformado, assim como os pesquisadores, que têm uma agenda, rotulam essas drogas como “drogas inteligentes”.
Um exemplo disso é a droga chamada de Modafinil . Esta é uma droga sobre a qual eu fiz uma extensa pesquisa. É uma droga clinicamente regulada e está licenciada para o tratamento da narcolepsia. Muitas pessoas pensam que é uma droga inteligente, porque elas pensam que, se ela deixa uma pessoa com narcolepsia acordada, ela vai ajudar a me manter alerta e focado como uma pessoa saudável. Então, rotulam essa droga e outras como ela como smart drugs, mas elas não são realmente “drogas inteligentes”, são apenas medicamentos controlados que já existem há muito tempo.
Esses medicamentos podem ajudar pessoas com problemas clínicos, o que é uma coisa inteligente que eles se destinam a fazer, mas não fazem coisas “inteligentes” em prol ou para a pessoa saudável. Então, para responder a suas perguntas, eu não sei o que são smart drugs dentro do contexto que você está me pedindo para descrevê-las, como a melhoria da cognição em pessoas saudáveis, simplesmente porque elas não existem.

IHU On-Line – Que tipo de pesquisa tem sido feito sobre esse tema?
Ahmed Dahir Mohamed – Têm sido realizados estudos para investigar se as substâncias médicas que estão licenciadas para distúrbios clínicos podem, de fato, melhorar ou aumentar a cognição e a emoção em indivíduos saudáveis. Essa pesquisa é feita mediante ensaios duplo-cego controlados com placebo. No entanto, a maior parte dessa pesquisa, se não toda ela, é feita com uma dose única, de modo que os participantes tomam uma substância ativa uma vez, e, depois, os pesquisadores avaliam seus desempenhos em várias tarefas.
É importante saber que os resultados da pesquisa, quando avaliados objetivamente, mostram que essas drogas não melhoram a cognição e a emoção em indivíduos saudáveis. A pesquisa também mostra que os estudos que são realizados são de fraca potência. Isso significa que os próprios estudos não são grandes o suficiente para gerar resultados que sejam significativos no mundo real e que não se pode confiar nos resultados. Mesmo quando você olha para esses estudos, os resultados não são promissores. Essas drogas não ajudam indivíduos saudáveis, muito menos os tornam “inteligentes”. Esses resultados não são surpreendentes, porque essas drogas são feitas para distúrbios clínicos, não para o indivíduo saudável que quer ficar “inteligente”.

IHU On-Line – De acordo com essa pesquisa, quais são os medicamentos mais usados como drogas inteligentes?
Ahmed Dahir Mohamed – Entre os indivíduos saudáveis, as drogas mais populares que as pessoas relatam que estão tomando incluem o metilfenidato (Ritalina)  e a dextroanfetamina (ou Adderall) , que são ambos medicamentos controlados e licenciados para o tratamento da ADHD [transtorno do déficit de atenção com hiperatividade], e o modafinil (ou rProvigil), que também é um medicamento controlado e licenciado para a narcolepsia.

IHU On-Line – O que faz as pessoas usarem smart drugs?
Ahmed Dahir Mohamed – Em primeiro lugar, o problema é que as pessoas usam a expressão smart drugs na mídia e na literatura. Como jornalista, você sabe que a linguagem é importante, por isso temos de ter cuidado ao usar as palavras erradas para descrever um fenômeno. Como eu disse anteriormente, as smart drugs não existem. O que existe são substâncias médicas controladas que são reguladas e licenciadas para problemas clínicos ou médicos particulares.
Agora, respondendo à sua pergunta sobre por que as pessoas (saudáveis) tomam tais substâncias: é porque elas querem obter uma vantagem — isso significa que elas querem obter um melhor desempenho em uma determinada tarefa. Por exemplo, há uma forte evidência para sugerir que jovens saudáveis que não têm um bom desempenho no colégio ou na universidade tomam essas drogas porque pensam que o fato de tomá-las vai fazer com que eles tenham um melhor desempenho academicamente. Outros tomam esses medicamentos porque querem fazer festa por mais tempo e sentem que vão receber um impulso de energia.
Há todos os tipos de razões pelas quais as pessoas tomam essas drogas, mas quando você olha para as evidências, não é bem o caso de que elas fazem uso dessas drogas porque querem ser “inteligentes” ou “ficar mais inteligentes”. Ao longo da história, o caso é que camadas da população tomam drogas para fins recreativos, e isso não mudou. A sociedade e a natureza humana não mudaram de repente de modo que as pessoas estão pensando que vão ficar mais inteligentes “tomando comprimidos”. É provável que as pessoas tomem esses medicamentos para ficarem “chapadas” [get “high”]. Essa é a prova que é atualmente disponibilizada pelas pesquisas feitas nos EUA. A evidência de que pessoas saudáveis que já têm um bom desempenho querem tomar essas drogas para ficarem “mais inteligentes” simplesmente não existe.

IHU On-Line – Quais são os efeitos reais das drogas contra a narcolepsia, como o Modafinil?
Ahmed Dahir Mohamed – O Modafinil é uma droga médica controlada, que é licenciada para o tratamento da narcolepsia, mas não está muito claro como ela funciona no cérebro e no corpo. Vários estudos indicam que o modafinil aumenta vários neurotransmissores no cérebro, incluindo a dopamina , a noradrenalina , a serotonina  e o glutamato , e em várias regiões do cérebro, incluindo o córtex pré-frontal, o hipocampo, o hipotálamo e o corpo estriado.
Essas são grandes áreas no cérebro que estão associadas com muitas funções, incluindo o aumento da atenção e da vigilância, a recompensa, o prazer e outras diversas ações complexas. É provável que essa droga esteja melhorando alguns déficits em pacientes narcolépticos ao melhorar algumas funções cerebrais que já não estão funcionando bem nesses pacientes. No momento, não sabemos como isso afeta a pessoa saudável.

IHU On-Line – Podemos dizer que as “vantagens” que os usuários de modafinil atribuem à droga são efeitos placebo?
Ahmed Dahir Mohamed – Talvez, embora eu não esteja certo disso. O que eu sei, a partir da minha pesquisa, é que o modafinil é outra forma de psicoestimulante e que, pelo fato de aumentar a dopamina – que é um neurotransmissor produtor de recompensa –, o modafinil pode ter um efeito psicoestimulante e pode gerar uma sensação recompensadora para indivíduos saudáveis que o tomam, mesmo que, na realidade, ele não os torne melhores na realização de tarefas laboratoriais objetivas. Isso é o que demonstramos nos nossos estudos de pesquisa.

IHU On-Line – Qual é o funcionamento químico-cerebral desse tipo de medicamento?
Ahmed Dahir Mohamed – Vários estudos indicam que essas drogas aumentam diversos neurotransmissores no cérebro, incluindo a dopamina, a noradrenalina, a serotonina e o glutamato, em várias regiões do cérebro. Existem evidências de que essas drogas também têm um efeito sobre o corpo e, como sempre há uma conexão corpo e mente, não está claro como essas drogas têm um efeito sobre o corpo.

IHU On-Line – Que efeitos colaterais podem ser atribuídos ao uso desse tipo de drogas?
Ahmed Dahir Mohamed – Estudos experimentais mostraram que o modafinil, por exemplo, pode causar sérios efeitos colaterais, que incluem um prurido e reações alérgicas. Esses efeitos colaterais incluem boca seca, restrição do apetite, perturbações gastrointestinais, incluindo náuseas, diarreia, constipação e dispepsia, dor abdominal, taquicardia, vasodilatação, dor no peito, palpitações, dor de cabeça, incluindo enxaqueca, ansiedade, distúrbios do sono, tonturas, sonolência, depressão, confusão, parestesia, astenia, perturbações visuais, síndrome de Stevens-Johnson  e necrólise epidérmica tóxica.
As contraindicações dessas drogas incluem problemas cardíacos e deficiências hepáticas. Além disso, se alguém estiver tomando outros medicamentos, poderá haver interações farmacológicas, que poderiam ser perigosas em alguns casos. É importante notar que a Ritalina, por exemplo, tem sido associada com o crescimento atrofiado e a impotência em homens. Por favor, é sempre importante consultar o Formulário Nacional Britânico  e as bulas fornecidas pelos fabricantes. Elas vão dizer a você quais são os potenciais efeitos colaterais.

IHU On-Line – Até que ponto medicamentos como a Ritalina, dirigida aos vários tipos de déficit de atenção, também são considerados como drogas inteligentes?
Ahmed Dahir Mohamed – Eu já respondi à sua pergunta. Essas drogas são substâncias médicas. Não são, na minha opinião, “drogas inteligentes”. Elas são drogas médicas controladas que só podem ser acessadas através de um médico que tem a autoridade para prescrevê-las.

IHU On-Line – É a pessoa ou o modelo hegemônico de sociedade que, em última análise, precisa de medicamentos?
Ahmed Dahir Mohamed – Não tenho certeza se entendi a sua pergunta, mas, se você está perguntando se é o indivíduo ou a sociedade que está dirigindo esse novo fenômeno, então eu diria que tem a ver com ambos. Também há um potencial considerável para a coerção indireta resultante de uma “sociedade 24/7” [24 horas, sete dias por semana] altamente exigente, em que indivíduos saudáveis se sentem compelidos a tomar esses medicamentos, a fim de atender as demandas sociais e do trabalho. Por exemplo, estamos trabalhando mais horas. Temos filhos para criar e queremos fazer inúmeras coisas. Portanto, indivíduos saudáveis podem recorrer à automedicação por causa do sono inadequado ou do esforço excessivo no trabalho.
Por exemplo, 33% dos entrevistados de uma recente pesquisa feita pela prestigiada revista científica Nature indicaram que se sentiriam pressionadas a dar medicamentos para seus filhos se outras crianças na escola os estivessem tomando. Ainda pode haver pressões sociais para usar drogas médicas, particularmente entre os jovens. Uma recente pesquisa realizada nos EUA revelou que os estudantes universitários são mais propensos a tomar medicamentos se tais drogas forem eficazes e enquadradas como não ameaçadoras à sua individualidade, que as tomariam se elas os tornassem mais competitivos e lhes dessem uma vantagem. Portanto, isso levanta a questão ética que surge a partir do uso de medicamentos por causa da pressão social indireta da sociedade, que exige que constantemente nos demos bem em todas as tarefas em todas as áreas das nossas vidas. No entanto, o indivíduo ainda tem a escolha de participar ou não dessa cultura.

IHU On-Line – Há algo que você gostaria de acrescentar?
Ahmed Dahir Mohamed – Na Universidade de Cambridge, realizamos diversos ensaios clínicos controlados com placebo, randomizados, adequadamente potencializados e de efeito de tamanho para investigar os efeitos do modafinil em funções executivas, na memória de trabalho, na criatividade e na motivação em indivíduos “normais” saudáveis. Os resultados desses ensaios sugerem que o modafinil não melhora a cognição nesse grupo, mas faz com que eles respondam de forma mais lenta a tarefas que medem funções executivas (isto é, planejamento e tarefas de resolução de problemas) e de aprendizado por reforço motivacional.
Além disso, tomar modafinil parece reduzir a criatividade ou o pensamento “fora da caixa” em pessoas saudáveis que normalmente são criativas, ao mesmo tempo que aumenta a criatividade naquelas pessoas que são menos criativas. Tomados em conjunto, nossos resultados sugerem que o modafinil pode beneficiar pessoas que têm déficits cognitivos, mas pode prejudicar o funcionamento psicológico complexo naquelas que já são capazes. Como esses resultados são de uma única dose de ensaios de modafinil como medicamento psicoestimulante, o potencial aditivo do modafinil em pessoas saudáveis é desconhecido e precisa ser cuidadosamente investigado.
É importante notar que nós usamos algumas das mais sofisticadas e desafiadoras tarefas cognitivas e de criatividade disponíveis na neurociência. Os nossos resultados mostram que essas tarefas, que são altamente válidas e confiáveis, não foram impulsionadas pela administração do modafinil em indivíduos “normais” saudáveis. De fato, os nossos resultados mostram o oposto: que o modafinil prejudica a cognição e a criatividade em adultos jovens saudáveis. Também é importante notar que o modafinil é usado como medicamento substitutivo para pacientes com vício em cocaína, porque a droga ativa áreas do cérebro similares assim como a cocaína e possui propriedades semelhantes à cocaína. Portanto, os indivíduos saudáveis precisam ter cuidado e levar em consideração a sua segurança antes de tomá-lo. Dado esse ponto e a partir dos nossos resultados negativos, eu não recomendaria esse medicamento para pessoas saudáveis e não o rotularia como “droga inteligente”. ■