Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

sexta-feira, 27 de julho de 2018

Choices Beyond Medication

Perigos das Drogas Psiquiátricas compartilhou um vídeo.

https://www.facebook.com/NowThisOpinions/videos/1986349291455185/?hc_ref=ARRUYIkbq0MeN232p2QwBYf3vFuAO3tpcDdW35pzbDTyycAxNr3DYSIx5j1dwxpEvh8

Op-Ed: U.S. Mental Health Industry Should Embrace Choices Beyond Medication

Buscar ajuda pode ser prejudicial

Buscar ajuda em saúde mental é prejudicial se o psicoterapeuta não souber o que fazer e indicar psiquiatra. Seria melhor não buscar ajuda em saúde mental. O diagnóstico psiquiátrico é feito simplesmente porque alguém está buscando "ajuda" - seja voluntariamente ou não. Seja o diagnóstico honesto ou não ninguém vai desconfiar. A significância clínica é um conceito que desapareceu com a noção de espectro de um "transtorno". Qualquer pessoa que sofre pode ser diagnosticada com um "transtorno". O diagnóstico psiquiátrico cria muitos "transtornos" sociais.

Quem achar isso um completo absurdo não entende de saúde mental. Para ver demonstração leiam: 

Recovery: An Alien Concept 
por

Conteúdos do Daniel Mackler

quinta-feira, 26 de julho de 2018

reducionismo econômico

https://pt.wikipedia.org/wiki/Economicismo

Economicismo
Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
Economicismo é um termo utilizado para criticar o reducionismo econômico, que é a redução de todos os fatos sociais a dimensões econômicas. Também é usado para criticar a economia enquanto uma ideologia, na qual a oferta e a demanda são os únicos fatores importantes na tomada de decisões, e literalmente se sobrepõe ou permite ignorar todos os outros fatores.
O economicismo parte da premissa de que os factores económicos são os factores decisivos, os mais importantes e fundamentais para a vida individual e social. É a crença infundada no primado do económico, na transformação deste factor na chave explicativa única de todos os acontecimentos da vida humana. Desse modo, todas as demais actividades e valores que escapam ao império da lógica económica são considerados como secundários, acessórios e até mesmo supérfluos[1].
O economicismo reinante estimula o pragmatismo e o utilitarismo.
Segundo o Professor Cesar Ranquetat Júnior: os agentes do domínio economicista desdenham do ócio, da contemplação, da vida intelectual. Por consequência, o bem-estar material, a busca a qualquer custo do prazer, da segurança, da protecção e da comodidade acabam por atrofiar e corroer as capacidades mais elevadas do espírito humano. Os interesses superiores e mais altos que transcendem a esfera da existência meramente material são deixados de lado. Conforme alertara o filósofo Marcel de Corte, consequência inevitável deste processo é a negação da inteligência especulativa que repousa na contemplação da verdade e no conhecimento da realidade[2].
Esta tendência atinge seu clímax e alcança o posto de verdade absoluta, para Marcel de Corte, no marxismo como ponto de convergência ao ser legitimada e justificada intelectualmente por Karl Marx na sua famosa máxima de que os filósofos se limitaram a interpretar o mundo, sendo agora necessário transformá-lo[3].

terça-feira, 24 de julho de 2018

saúde substitui medicamentos

Isso é um princípio que funciona em outras áreas da medicina. Produzir saúde substitui a necessidade de medicamentos (ou melhor: drogas psicoativas). 

Mas psiquiatras biomédicos e quem acredita neles abomina isso em parte por conta de concepções manicomiais de periculosidade, incapacidade e irresponsabilidade. Eu já ouvi um psiquiatria biomédico dizer que pensar assim devia ser crime (ser antimanicomial e a favor da reforma psiquiátrica).

sábado, 21 de julho de 2018

o "bom" paciente esquizofrênico

Recovery: An Alien Concept
Livro
Resultado de imagem para recovery and alien concept
Eu passaria seis dos próximos dez anos como paciente internado quase todos em uma Seção 3. Nessa época, eu tinha quase quarenta sessões de terapia eletroconvulsiva (ECT), tentei praticamente todos os neurolépticos no mercado, e foi negado intervenções psicológicas em numerosas ocasiões. Apesar dos regimes de tratamento mais vigorosos, as vozes que ouvi continuavam tão virulentas como sempre. A medicação não me dava descanso, e eventualmente o volume de medicação que eu estava tomando era tão alto que me tornei um pouco melhor do que um zumbi que via a vida através de uma poluição legalizada induzida por drogas.

O sistema me ensinou coisas, a principal delas sendo como ser um bom esquizofrênico. Eu acredito que aprendemos muito sobre estar mentalmente doentes no sistema. Dez anos se passariam antes que eu encontrasse uma maneira de sair do sistema, e nessa época o sistema havia criado um esquizofrênico perfeito.


Esse comportamento aprendido é comum. Ainda hoje encontro pessoas que aprenderam que suas vidas estão quase no fim. Os graduados que são informados de que devem desistir de qualquer pensamento de uma carreira, jovens que são informados de que não vão conseguir nada em suas vidas. Ao mesmo tempo, a sociedade está tentando entender por que tantos jovens se matam. Essa falha em relacionar a forma como tratamos as pessoas com qualquer tipo de resultado negativo é talvez a acusação mais contundente de nosso atual sistema.

Essa falta de esperança me consumiu enquanto eu me sentava dia após dia sem conseguir nada, sem querer nada, sem esperar nada e sem receber nada em troca. Então, um dia, tudo mudou.

sexta-feira, 20 de julho de 2018

The Doctor Who Gave Up Drugs

The Doctor Who Gave Up Drugs: Episode 1 (Medical Documentary) - Real Stories

https://www.youtube.com/watch?v=g_ggnhpGvvA

Dr Chris Van Tulleken is embarking on a daring medical experiment that could change the way we think about our health forever. Britain is addicted to prescription drugs. They’re doing us more harm than good, the evidence for their efficacy is wafer-thin and they’re costing the NHS a fortune. It’s a medical crisis – and Chris is determined to do something about it. So he’s setting up a radical new drug-free clinic in a busy GP surgery. For three months, he’s going to treat illnesses without antibiotics, control pain without painkillers, and wean some of Britain’s most drug-dependent patients off their “life-saving” drug regimes. Instead of giving his patients medicine, he’s going to take their medicine away.


terça-feira, 17 de julho de 2018

Erro de diagnóstico

O erro de diagnóstico em psiquiatria é dificilmente percebido pelos familiares ou médicos. Os familiares tem fé cega na palavra do médico e os médicos não tem interesse em negar nenhum diagnóstico porque não ganham nada com isso. Médicos só ganham algo diagnosticando.

Basta consultar um psiquiatra para automaticamente receber um diagnóstico simplesmente por demandar cuidados em saúde mental e escolher a psiquiatria como primeira opção de tratamento.

Basta sofrer com alguma dificuldade e consultar um psiquiatra. Isso muda o resto da vida para pior.

Caso o paciente não concorde com o diagnóstico seu prognóstico piora. Mas isso poderia ser um sinal de que a pessoa deseja ser normal e por isso está disposta a cumprir as exigências da normalidade. O pior é aceitar as incapacidades relacionadas com um diagnóstico e as baixas expectativas.

sexta-feira, 13 de julho de 2018

Prevenção de psicose

Physis Revista de Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, 24 [ 3 ]: 741-763, 2014
755
O DSM-V como
dispositivo de segurança
| 1 Sandra Caponi |
Departamento de Sociologia,
Universidade Federal de Santa
Catarina. Florianópolis-SC,
Brasil. Endereço eletrônico:
sandracaponi@gmail.com

Antes da publicação do DSM-V, Frances dirigiu sua crítica, fundamentalmente,
a uma categoria que considerava particularmente frágil e problemática: Psychosis Risk Syndrome (síndrome de risco de psicose). Esta categoria será de fato excluída do DSM-V, porém, como afirma o próprio Frances, retornará com as mesmas fragilidades e os mesmos problemas, como uma categoria que se inscreve no grupo abrangente do Schizoprenia Spectrum, com uma nova denominação, Attenuated Psychosis Syndrome, uma nova sigla (APS). Assim, no texto recentemente publicado, “Psychosis risk syndrome is back to haunt us”, lemos que:

A única maneira de evitar os perigos do DSM-V é estar plenamente conscientes deles. Não faz absolutamente nenhum sentido fixar o rótulo enganoso e estigmatizante “Other Specified Schizophrenia Spectrum Disorder”’em alguém que, em configurações típicas, terá apenas cerca de 10% de chance de se tornar psicótico. E, certamente, não faz sentido seguir esse diagnóstico errado com tratamentos antipsicóticos sem comprovação e potencialmente muito prejudiciais (FRANCES, 2013b, p. 1).

O DSM5 poderia criar dezenas de milhões de novos mal identificados pacientes “falso positivos” exacerbando assim, em alto grau, os problemas causados por um já demasiado inclusivo DSM-IV. Haveria excessivos tratamentos massivos com medicações desnecessárias, de alto custo e frequentemente bastante prejudiciais (FRANCES, 2010, p. 2).

É possível afirmar que uma das estratégias indispensáveis para garantir a indefinida ampliação de diagnósticos e categorias psiquiátricas é a obsessão por identificar pequenas anomalias, angústias cotidianas, pequenos desvios de conduta como indicadores de uma patologia psiquiátrica grave por vir.

Os psiquiatras esperam identificar pacientes mais cedo e criar tratamentos efetivos para reduzir a cronicidade das patologias. Desafortunadamente, os membros do Grupo de Tarefas usualmente cometem o erro de esquecer que qualquer esforço por reduzir as taxas de falsos negativos deve elevar as taxas de falsos positivos de modo dramático e com fatais consequências. Se alguma vez será possível chegar à esperada vantagem da detecção precoce de casos, deveremos ter provas diagnósticas específicas e tratamentos seguros. Em contraste, as propostas do DSM-V, levam à uma perigosa combinação de iagnósticos não específicos, inadequados, e a tratamentos não aprovados e danosos (FRANCES, 2010, p. 6).

Em 2010 Frances afirmava, por referência à síndrome de risco de psicose, que a existência desse diagnóstico provocaria uma alarmante taxa de falsos positivos de 70 a 75%, levando milhares de adolescentes e jovens a receber, sem necessidade, a prescrição de antipsicóticos atípicos que causam efeitos colaterais sérios como aumento de peso, impotência sexual e redução da expectativa de vida. Após a edição do manual, esses mesmos problemas permanecem. Entende-se que o diagnóstico de Attenuated Psychosis Syndrome (APA, 2013, p. 785) não é mais que outro nome para o risco de psicoses. Poderíamos acrescentar também que o código (298.8) referido a Other Psychotic Disorders (APA, 2013, p. 87) poderia vir a substituir também a categoria Síndrome de risco de psicose. Frances afirma:

A prevenção da psicose seria uma ótima ideia se realmente fosse possível fazê-la, mas não há nenhuma razão para se pensar nisso. Ir além de nossa compreensão provavelmente afetará aqueles que esperávamos ajudar. O Risco de Psicose não deve ser usado como um diagnóstico clínico, pois estará quase sempre errado. A estrada para o inferno está pavimentada de boas intenções e de más consequências não intencionais. Primeiro, não causar dano. (FRANCES, 2013c, p. 1).

Saber antecipar os riscos, estar devidamente informado e agir de acordo às exigências impostas pelos últimos estudos epidemiológicos, psiquiátricos e médicos, se impõe como um dever moral a todos nós e de maneira idêntica. Se
o dispositivo de segurança pode articular-se com o modo liberal de governar, é porque este tipo de gestão biopolítica das populações se baseia na confiança absoluta, na difusão de informações que se apresentam como neutrais e objetivas, e que sutilmente somos levados a aceitar e a integrar a nossas vidas.

A múltiplas categorias diagnósticas que aparecem nos sucessivos DSM a partir do ano 1980 fazem parte desta lógica securitária que promete antecipar o risco de sofrer uma patologia mental grave no futuro.

O que Frances parece esquecer é que a mesma estratégia de antecipação de riscos que se aplica no caso do Attenuated Psychosis Syndrome possibilitou que o DSM-IV participasse ativamente do crescente processo de multiplicação de patologias mentais na infância (TDAH, dislexia, ansiedade, dentre outras). Em ambos os casos, opera-se uma mesma lógica securitária de identificação precoce de riscos que, supostamente, permitiria antecipar a emergência de patologias mentais irreversíveis, assim como permitiria prevenir atos de violência dirigidos aos outros ou a si mesmo, podendo chegar a limites como o homicídio ou o suicídio.
Acredito que, como afirmam Elisabeth Roudinesco (2013) ou Phylippe Pignarre (2006), dentre outros, é necessário abandonar o DSM como modelo hegemônico de diagnóstico no campo da psiquiatria. O manual necessariamente reduz os sofrimentos individuais a uma lista de sintomas ambíguos e pouco claros para um conjunto, cada vez maior, de patologias mentais. É preciso inventar estratégias que nos permitam compreender que os sofrimentos psíquicos só podem tornar-se inteligíveis no interior de uma história de vida. Somente a escuta atenta das narrativas de nossos ódios e amores, de nossos medos, conquistas e fracassos poderá nos auxiliar na difícil e infinita tarefa de construção e reconstrução de nossa subjetividade.

segunda-feira, 9 de julho de 2018

Diferenças entre medicina e psiquiatria


O tratamento de transtornos mentais com drogas não é o mesmo tipo de atividade que é o uso de drogas na medicina. Drogas psiquiátricas não têm como alvo uma doença subjacente ou mecanismos produtores de sintomas; elas criam um estado alterado de funcionamento mental que é sobreposto a sentimentos e comportamentos subjacentes. Por conseguinte, as implicações éticas das duas situações são diferentes.

Tratamento Medicamentoso em Medicina e em Psiquiatria: Encobrindo Diferenças Importantes



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Joanna



sexta-feira, 6 de julho de 2018

Ciência digna vs. Ciência do mercado

Ciência digna vs. Ciência do mercado

Em junho de 2014, dias após a morte de Carrasco, a Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Rosário escolheu em 16 de junho (data de seu nascimento) como o Dia da Ciência Digna. Alicia Massarini enfatiza que existem muitas maneiras de se fazer ciência. "A ciência hegemônica é mercenária, financiada por empresas e organizações internacionais que marcam as tendências impostas pelos países ricos. Muitos cientistas trabalham nessa linha. Andrés achou que, trabalhando em conjunto com organizações sociais, interpelava seus pares. É por isso que as reações foram tão fortes ", explica ele.

Salienta que outros cientistas levaram (e levam) a bandeira de Carrasco, caminham com os vizinhos, conhecimento científico como mais um, a serviço da sociedade. Ele pede para não discutir apenas o financiamento das universidades e dos campos científicos, mas que ciência é desejada e para quem, para as multinacionais ou para o povo. "Andrés levantou essas questões, como cientista, como médico, como professor. E ele questionou a ciência hegemônica ", diz Massarini.

O establishment científico, com Barañao à frente, não o perdoou.

http://www.biodiversidadla.org/Principal/Secciones/Noticias/Argentina_-_El_legado_de_Carrasco_homenaje_al_cientifico_en_la_escuela_que_lleva_su_nombre

quinta-feira, 5 de julho de 2018

saúde mental e qualidade de vida

http://magdazurba.com.br/2018/990/

saúde mental e qualidade de vida

magda zurba

Entrevista à TV Justiça – Programa Saúde do Trabalho na TV

 

questão de dinheiro

Na economia se aprende que nem sempre o aumento de um mercado e da produção econômica é uma boa coisa.

Há profissionais que recebem bastante dinheiro para prejudicar os clientes e fabricar doenças.

A internação psiquiátrica privada custa bastante dinheiro e poderia ser evitada se houvesse interesse em outros recursos alternativos. É também discutível se muitas internações são necessárias ou úteis.

Ás vezes não fazer parte do sistema de saúde mental é melhor que entrar no sistema de saúde mental. Mas do ponto de vista corporativista é sempre melhor entrar no sistema de saúde mental porque vai sempre ajudar.

O serviço privado não é melhor que o público.

Quem cobra mais caro não é necessariamente melhor do que quem cobra mais barato.

Por interesse corporativista é que a medicina prejudica. Isso está bem documentado.

Esse blogue não vai me ajudar em nada profissionalmente. Talvez até atrapalhe ou já tenha atrapalhado. Mas se esse blogue reduzir a produção econômica está ótimo. Também não me traz dinheiro.

Já conheci profissionais de sucesso que são muito ruins. E profissionais muito bons que não tem a mesma aceitação mercadológica.

Há também o problema de deixar de investir no que é necessário para investir em serviços desnecessários, prejudiciais ou que trazem pouco retorno.

segunda-feira, 2 de julho de 2018

Today’s Takeaway: Dont Be A Passive Patient

Não seja um paciente passivo! O médico trabalha pra você, exija saber os efeitos adversos dos medicamentos que estão sendo receitados! busque uma segunda opinião se não sentir melhora!

Today’s Takeaway: Dont Be A Passive Patient

https://youtu.be/wmQyfYoOm0E


paciente psiquiátrico como pessoa

The last thing psychiatrists (as opposed to psychoanalysts) want to know is their patients as persons.

A última coisa que os psiquiatras (em oposição aos psicanalistas) querem saber é seus pacientes como pessoas.

Essence or Existence: The Problem of Psychiatry-Schizophrenia Thomas Szasz

Szasz essência ou existência

Phenomenology is one of those erudite terms the cognoscenti like to use to impress common folk. Although the term has many uses, some rather obscure, its basic meaning is simple and important: it refers to a method of study and reasoning that emphasizes concrete observable “existence,” as opposed to speculation about abstract unobservable “essences” that lie behind our limited human capacity to know the external world. In that sense, phenomenology is related to empiricism and existentialism and may be contrasted with Platonic idealism and other philosophies of “essentialism.” The history of schizophrenia -- from Eugen Bleuler’s invention of the “diagnosis” in 1911 to the present “treatments” of it -- is an example of the futility of trying to solve a problem defined in essentialist terms by empirical means. Andreasen’s claims notwithstanding, an unbiased look at the history of psychiatry shows that psychiatrists never adopted an empiricist-phenomenological approach to their own practices or to the problems of the persons they ostensibly studied.

A fenomenologia é um desses termos eruditos que os cognoscentistas gostam de usar para impressionar as pessoas comuns. Embora o termo tenha muitos usos, alguns bastante obscuros, seu significado básico é simples e importante: refere-se a um método de estudo e raciocínio que enfatiza a “existência” concreta observável, em oposição à especulação sobre “essências” abstratas inobserváveis ​​que estão por trás de nossa capacidade humana limitada para conhecer o mundo externo. Nesse sentido, a fenomenologia está relacionada ao empirismo e ao existencialismo e pode ser contrastada com o idealismo platônico e outras filosofias do “essencialismo”. A história da esquizofrenia - da invenção de Eugen Bleuler do “diagnóstico” em 1911 aos atuais “tratamentos” de é um exemplo da futilidade de tentar resolver um problema definido em termos essencialistas por meios empíricos. Apesar das alegações de Andreasen, um exame imparcial da história da psiquiatria mostra que os psiquiatras nunca adotaram uma abordagem empirista-fenomenológica para suas próprias práticas ou para os problemas das pessoas que ostensivamente estudaram.

Essence or Existence: The Problem of Psychiatry-Schizophrenia Thomas Szasz

sábado, 23 de junho de 2018

Mara Gabrilli Esquizofrenia



-13:39
1.228 visualizações
Luciene Redondo está participando de Semana Da Pessoa Com Esquizofrenia - O Que Eu Posso Fazer?
Confira o vídeo de apoio da Deputada Federal , sobre o 24 De Maio - Dia da Pessoa com Esquizofrenia.
Dia histórico para o empoderamento da pessoa com Esquizofrenia, para a saúde mental no Brasil, para trajetória dos direitos à pessoa com esquizofrenia e ao combate dos estigmas.

Saúde mental (Bernard Guerin)


[...]

6 – Você acabou de publicar o terceiro livro “How to Rethink Mental Illness” (Como repensar as doenças mentais, sem tradução para o Brasil). Você poderia nos contar sobre as suas concepções sobre saúde mental?
Esse livro segue os outros dois livros ao expandir o que nós entendemos pelo ambiente em que as pessoas estão inseridas e aplicamos isso às questões de saúde mental. O comportamento das pessoas é modelado pelos seus ambientes, então os comportamentos relativos às doenças mentais são presumivelmente modelados por ambientes ruins. Se nós queremos mudar esses comportamentos, nós temos que mudar os ambientes em que esses ocorrem. O conceito é antigo: os comportamentos considerados doença mental são apenas comportamentos normais que todos nós fazemos, mas eles se tornaram errados ou exagerados por conta de ambientes ruins e em algum momento se tornaram disfuncionais.
Por isso, os truques são primeiro descrever os comportamento tipicamente rotulados como sendo “problemas de saúde mental”, depois descrever os ambientes nos comportamentos comuns de “doença mental” surgem e, por último, descrever as relações funcionais comuns que existem entre esses dois.
Para esses comportamentos, eu “desconstruí” o DSM para encontrar todos os comportamentos que são listados como critério diagnóstico das principais doenças do DSM. Isso me possibilitou ver os comportamentos que realmente são observados e usados nos diagnósticos. Como o esperado, a maioria deles são comportamentos comuns, mas que estão em um ambiente conflituoso e também se apresentam de forma crônica ou se tornam exagerados. Também fui capaz de sugerir a tentativa de um novo caminho para agrupar esses comportamentos “brutos”: em 9 grupos funcionais ao invés de agrupamentos baseados na doença ou na topografia dos comportamentos como acontece no DSM.
Para os ambientes, eu olhei para uma ampla gama de ambientes naturais ou contextos: relações sociais, culturais, históricas, econômicas e as oportunidades disponíveis para as pessoas (Capítulo 2). Esse são todos contextos vitais para a modelagem de qualquer dos nossos comportamentos. Então explorei alguns contextos mais específicos em que as pessoas podem estar vivendo e ter seus comportamentos modelados: opressão (mulheres, pessoas em situação de pobreza, refugiados), devastação (populações indígenas) e a modernidade.
O último contexto é interessante porque a modernidade é o maior contexto em que todos nós vivemos e eu sugiro que muitas das doenças mentais comuns vem puramente dessas condições novas em que nós somos forçados a viver. As contingências da modernidade vem:
  • de mudarmos de uma situação em que a maioria das nossas relações sociais são baseadas na família para uma situação em que a maioria das nossas relações são com estranhos que não tem nenhum obrigação ou responsabilidade conosco, e que nós podemos influenciar pelo dinheiro ou por meio de outros estranhos (polícia, tribunais, etc.);
  • da imposição da forma capitalista de distribuir recursos em todas as facetas das nossas vidas, mudando todas as contingencia entre os nossos comportamentos e seus resultados;
  • do uso de burocracias artificiais que modelam 90% do nosso comportamento dentro de padrões específicos;
  • da mudança de contextos patriarcais baseados na família (como os descritos por Freud no início do século XX) para sociedades patriarcais baseadas em relações com estranhos.
Para as relações funcionais entre esses ambientes e os comportamentos eu notei que a maioria dos problemas de saúde mental envolvem relações funcionais que por várias razões não são fáceis de serem observadas. Isso significa que psiquiatras e outros simplesmente não têm procuraram o suficiente pelas relações funcionais e não têm métodos para fazê-lo (a antropologia social faz um trabalho melhor na observação de ambientes reais). A armadilha é que quando você não consegue facilmente observar as relações funcionais então a explicação é atribuída a construtos hipotéticos tais como personalidade, cérebro, DNA, evolução, raça, etc, ou, no caso aqui analisado, a uma doença metal fictícia subjacente.
Então o que isso significa é que psiquiatras e psicólogos desde o final do séc. XIX têm se deparado apenas com aqueles casos em que as relações funcionais são difíceis de observar e não têm gastado muito tempo observando essas pessoas nos seus contextos naturais. Esse profissionais não tem tido tempo de fazer isso (e isso não é culpa deles) então “causas” e teorias abstratas tem sido inventadas pela psicologia e pela psiquiatria. Outros casos de conflitos e problemas da vida são dados a assistentes sociais, coaches, conselheiros, autoridades religiosas ou são apenas contornados pelos amigos e pela família.
Eu vou dar alguns exemplos para deixar isso claro. Se a pessoa está em uma crise (chorando normalmente e ansioso) porque ele tem uma grande dívida, então as relações funcionais são fáceis de ser observadas  e então esses casos serão encaminhados a uma assistente social ou a um consultor financeiro, provavelmente. Se uma pessoa está ansiosa demais para sair de casa porque tem um cachorro perigoso solto na rua, então parece haver uma relação funcional fácil para esse conflito e nós podemos chamar a carrocinha da prefeitura para resolver o problema ou então pedir ao dono que mantenha o cachorro preso. Mas se uma pessoa chora muito sem nenhuma razão aparente e está ansiosa demais para sair de casa mas não consegue dizer o porquê, então nós não conseguimos identificar facilmente as relações funcionais e esse comportamentos serão encaminhados a um psicólogo ou um psiquiatra.

7 – Como essa análise nos faz repensar a saúde e a doença mental?
Questões de saúde mental, dessa forma, são meramente essas tentativas de resolver os problemas normais da vida que com comportamentos que se tornaram exagerados ou presos em ambientes ruins e que são difíceis de ter as suas relações funcionais descritas. De outra maneira, eles não são diferentes dos outros comportamentos: ainda são apenas comportamentos modelados pelas relações funcionais em nossos mundos. Eles não formam uma classe especial de comportamentos de forma nenhuma e não há nenhuma “doença” especial subjacente. Se há padrões nesses comportamentos, então é porque o ambiente tem padrões ou é estruturado.
Uma situação ubíqua, de difícil observação, das relações funcionais são aquelas em que a linguagem é usada. Nós raramente sabemos ou podemos observar a relações funcionais sociais que nos levam a dizer o que dizemos, então usos de linguagem que se tornaram disfuncionais serão comuns e serão encaminhado para os psiquiatras e psicólogos para tratamento. Isso mostra o porquê do grande crescimento das terapias cognitivas (da linguagem) e a ênfase das terapias de terceira onda em lidar com os usos da linguagem normal que de alguma forma deram errado. Nesses casos nós precisamos de longas e difíceis observações das relações sociais que estão modelando o que nós falamos e pensamos; quem são as audiências para nossos pensamentos? Quem modelou os nossos pensamentos?
A mensagem para nós de tudo isso é que casos de “doença mental” são precisamente aqueles com relações de contingência difíceis de observar, então muito tempo e observação participante é necessária para desvendar as relações funcionais advindas desses comportamentos normais que estão em ambientes ruins e por isso se tornam crônicos ou exagerados assim que a função inicial do comportamento se tornou disfuncional. Analistas do comportamento têm as análises para lidar com isso de uma forma melhor, contudo eles têm estado muito imersos em analises de micro relações funcionais e não dos amplos contextos da vida humana, e eles não têm usado os métodos participantes para uma melhor observação contextual.

8 – Recentemente você publicou um artigo na Revista Perspectivas em Análise do Comportamento, que é um periódico brasileiro, sobre como diferentes psicoterapias funcionam. Nesse artigo você olhou para o comportamento dos psicoterapeutas e descobriu que as diferentes terapias são muito parecidas. Baseado nos seus estudos de saúde mental, você acha que deveríamos mudar a nossa forma de fazer psicoterapia? E, em caso positivo, em que caminhos deveriam acontecer essas mudanças?
Esse artigo segue a linha do livro sobre saúde mental e poderia ter sido incluído nele se eu tivesse feito essa análise anteriormente. A questão foi: se comportamentos de “doença mental” são apenas comportamento normais modelados por ambientes ruins que não deram certo (se tornando crônicos ou exagerados) e se tornaram disfuncionais, então o que os psicoterapeutas fazem para mudar isso? Parti da premissa de que a maioria das psicoterápicas são efetivas de algumas formas (elas não podem ser totalmente equivocadas!) , mas que as “teorias” e palavras ditas sobre o que acontece na terapia são provavelmente fictícias em grande parte (mas de uma forma bem intencionada).
O que eu fiz foi similar com a “desconstrução” do DSM que descrevi antes nessa entrevista. Peguei dois dos mais conhecidos livros didáticos dessas psicoterapias e listei todos os objetivos de cada terapia e todos os comportamentos feitos na terapia. Isso me deu uma grande lista para cada uma delas e então adicionei na leitura mais alguns livros didáticos sobre psicoterapia, livros escritos pelos próprios terapeutas, li transcrições de sessões e assisti a um grande número de vídeos dessas psicoterapias acontecendo.
Então, compilei um grande número de objetivos terapêuticos e comportamentos de 19 das mais conhecidas terapias, incluindo psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, ACT (terapia de aceitação e compromisso), terapia narrativa, terapia feminista, etc. Depois discuti como essas “teorias” e “conceitos” de cada uma das terapias poderiam ser vistos por uma mesma moldura comportamental/contextual. O que encontrei foi que havia uma grande quantidade de semelhanças depois que você tira as elucubrações teóricas das palavra que estavam sendo usadas e olhava para os comportamentos concretos.
Para dar um exemplo, a terapia existencial fala sobe conquistar um importante objetivo pela terapia: a “autenticidade”. De um ponto de vista contextual, isso significa que a pessoa deveria ter uma forma de pensar (isso é, uma forma de falar) sobre si mesmo e sua vida que seja mais aceitável ou explicável pelas suas principais audiências. Isso se torna conceitualmente idêntico à ênfase das terapias narrativas em construir e modificar as histórias que as pessoas contam sobre elas mesmas para as suas audiências e também à ênfase junguiana de encontrar novas formas de pensar e falar o “self” durante o processo de “individuação”. Em todos esses casos, e em alguns mais, isso é o processo de remodelar a linguagem que uma pessoa usa para falar sobre si mesmo então isso será mantido pelas suas principais audiências (que não precisam concordar com isso, perceba, apenas modelá-las; você pode modelar as crenças de alguém ao discordar delas). Essa remodelagem social na terapia é realizada por seu terapeuta, é claro.
Segundo esse exemplo para a fase de intervenção, a maioria das pessoas tem conflitos e problemas com as suas “histórias sobre si mesmos” nesses contextos de vida:
  • quando a história não e congruente com a realidade
  • quando a pessoa está tentando lidar com audiências múltiplas e contraditórias (pessoas importantes na sua vida que esperam – consequenciam – diferentes histórias sobre quem você é)
  • ou quando as histórias são boas, mas não conduzem aos recursos necessários para viver (contar uma história sobre quem você é em uma entrevista de emprego sendo honesto; ou histórias antigas da sua vida que já não são mais úteis no contexto atual)
Então essas palavras diferentes da Psicoterapia Existencial, Psicoterapia Analítica e da Terapia Narrativa são na verdade sobre remodelar comportamento verbal sobre o “self” por meio do uso do terapeuta como uma nova audiência. Trabalhar com o terapeuta nisso é bom porque é uma nova audiência com quem trabalhar para que a mudança aconteça, mas isso também é ruim porque as audiências naturais “em casa” pode ser mais poderosa e então a modelagem da terapia falha em sua manutenção ou podem mesmo se tornar a causa de mais conflito.
O que eu encontrei fazendo esse tipo de trabalho de tradução foi que todas as terapias – quando nós ignoramos todas as teorias, palavras, o marketing, e as explicações – eram muito similares tantos em seus objetivos quanto nos comportamentos que os terapeutas emitiam dentro da terapia. Na sequência, estudei os focos principais de todas as terapias e, ainda que elas tivessem alguns procedimentos diferentes e que usassem palavras e teorias muito diferentes para “explicar”, os principais focos eram:
  • A relação social entre o cliente e o terapeuta
  • Modelação, role-play e tarefas para casa
  • Resolução de problemas
  • Lidar com as relações sociais
  • Lidar com o pensando
  • Lidar com a fala
  • Olhar para contextos mais amplos
Todas as terapias estão fazendo essas coisas em um grau maior ou menor e de diferentes maneiras. O terapeuta era a audiência para modelar a maioria desses comportamentos, o que novamente levanta a questão de como esses comportamentos são mantidos quando o cliente volta para as suas velhas audiências e contextos de vida. Vou falar mais sobre isso abaixo.
Vou terminar com outra grande consideração sobre esse artigo e sobre o livro, colocando a terapia em uma perspectiva histórica. O artigo termina comparando os objetivos e comportamentos que acontecem na prática dos assistentes sociais e encontrou que assistentes sociais estão usando procedimentos quase iguais aos dos psicólogos, contudo de maneiras diferentes e descrevendo-os com palavras diferentes (o termos deles “reestruturação” abrange uma boa parte do trabalho da Terapia Cognitivo Comportamental). O que eles fazem melhor  que os psicoterapeutas é que: eles vão mais até os contextos de vida das pessoas observar, participar e intervir ao invés de apenas ficar no consultório; e eles consideram as questões econômicas, políticas, patriarcais e as oportunidades no contexto analisado muito mais do que a maioria dos terapeutas (exceto das terapeutas feministas em alguns casos).
O que isso sugere é que não há mais um lugar ou papel “especial” para a psicologia e a psiquiatria, pois as minhas análises comportamentais/contextuais apontam que:
  • esses profissionais não fazem nada de especial ou único na terapia
  • não há mais nenhum domínio especializado da mente, alma ou psique
  • não há mais nenhuma “doença” especial que leva a comportamentos de doença mental, apenas ambientes ruins que precisam ser mudados
Isso pode sugerir que as psicoterápicas tem uma ênfase importante nas questões do uso da linguagem pois a Terapia Cognitivo Comportamental (Cognitiva = uso da linguagem) e as terapias de terceira onda focam nisso. Contudo, eu também sugiro no artigo que essa ênfase no uso da linguagem pode ter sido modelada por outra razão: para lidar com o problema de como o comportamento que é modelado pelo terapeuta pode ser mantido fora do consultório, quando o cliente volta para casa. Se o terapeuta participasse mais na vida concreta dos clientes, como os assistentes sociais fazem, então seriam capazes de modelar os comportamentos diretamente nesses ambientes e pelas pessoas que são mais prováveis de o cliente estar envolvido normalmente. A ênfase na cognição ou na modelagem da linguagem deve ser na verdade apenas uma forma de tentar garantir a manutenção fora do consultório do terapeuta.
Outro resquício histórico é também a grande ênfase de todas as terapias na relação terapeuta-cliente. É óbvio que ela é importante, mas na verdade ela apenas surge porque são dois estranhos que estão em uma relação contratual – eles não se conhecem. Quando a família, a comunidade ou a igreja estava lidando com os problemas eles envolviam pessoas que já possuíam um relacionamento e realmente conhecem muito uns dos outros. Isso é, a ênfase em construir uma relação entre o terapeuta e o cliente é um artefato da modernidade em si mesmo.
Assim, o futuro que eu prevejo é esse: que as pessoas vão continuar a ter problemas nos seus ambientes e tentar mudar esses ambientes com comportamentos normais que se tornarão crônicos ou distorcidos e levarão a mais problemas e disfunções. Para mudar essas questões de “saúde mental”, contudo, nós precisamos de especialistas que sejam especializados em ambientes de vida comum e como eles conduzem (pelas suas relações funcionais) a problemas. Nós não precisamos de especialistas em psicologia geral, psiquiatria, assistentes sociais ou ainda de analistas do comportamento. Essa conclusão decorre das análises comportamentais/contextuais em que eu acredito.
Por exemplo, se uma pessoa jovem tem problemas com drogas então ela não precisa de um “especialista” que entenda genericamente de comportamento humano ou da mente, o que ela precisa é de um especialista nesses ambientes que levam as pessoas jovens a terem problemas com drogas e como nós podemos mudar esses ambientes. Isso vai envolver alguém com bom conhecimento participativo de problemas da cultura, econômicos e relacionamentos baseados em uma boa compreensão da modernidade, ao invés de alguém com conhecimento genérico de uma “mente” humana abstrata ou teorias da cognição.

quinta-feira, 21 de junho de 2018

descrição indireta do comportamento

"Talvez não haja um campo em que o comportamento seja habitualmente descrito de forma mais indireta do que na psiquiatria."

B. F. Skinner - Um relato de caso no método científico

quarta-feira, 20 de junho de 2018

biopolítica do psicoativo


Carolina Geneyro: " usar um psicoativo para resolver uma descompesación espiritual e / ou do pensamento, é transformar um problema político em um problema técnico. Seu uso põe em destaque o exercício biopolítico que a psiquiatria por intermédio dos psicofármacos leva a cabo "

terça-feira, 19 de junho de 2018

Experiência dos sobreviventes da psiquiatria

Experiência dos sobreviventes da psiquiatria - Laura Delano

https://www.youtube.com/watch?v=8oBYx2sik4w&t=14s

A Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca recebeu a escritora e ex-paciente psiquiátrica Laura Delano para participar da mesa “Experiência dos sobreviventes da psiquiatria: como deixar de ser paciente psiquiátrico?”. Laura é uma liderança do movimento dos “Sobreviventes da Psiquiatria” nos Estados e dá suporte técnico aos que querem se livrar do sistema psiquiátrico. O evento foi coordenado pelos pesquisadores Paulo Amarante e Fernando Freitas, do Laboratório de Estudos e Pesquisas em Saúde Mental e Atenção Psicossocial (LAPS), com apoio da Abrasme e da Asfoc.

sexta-feira, 15 de junho de 2018

tomada de decisão compartilhada

http://www.lowcarb-paleo.com.br/2018/06/editorial-do-dr-malhotra-ignorancia-nao.html

tomada de decisão compartilhada

Trata-se de texto importante para reflexão, abordando um dos mais cruciais - e mais negligenciados - aspectos das práticas de saúde baseadas em evidência - a preferência do paciente. Esta, por sua vez, está inexoravelmente ligada à tomada de decisão compartilhada. Ou seja, cabe ao profissional informar o paciente dos riscos e benefícios de tratar, bem como de NÃO tratar, determinada condição - e COMPARTILHAR com o mesmo a decisão. Decisões sobre saúde não devem e não podem ser impositivas e paternalistas. O paciente - devidamente informado - é parte ativa nas decisões que o afetam - e tem o direito de buscar um profissional que pense assim.

racional e irracional

Um último ponto
destacado por Moscovici é que, dentro de es-
truturas socialmente construídas, não se po-
deria falar no fracasso em agir racionalmente
como sendo agir de forma irracional. Ele ar-
gumentou que outras formas de pensamento
social existentes não são erradas, nem o que
se chama usualmente de “irracional” (Mos-
covici & Hewstone, 1983). Como mostrarei
adiante neste artigo, colocar limites dentro do
escopo das representações sociais clarifica a
distinção entre racional e irracional.

Análise do comportamento e a construção social do conhecimento

Bernard Guerin
UNIVERSITY OF WAIKATO – NOVA ZELÂNDIA

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Saúde Mental - Medicalização

O psiquiatra Ricardo Lugon fala sobre a tendência de transformarmos problemas cotidianos em transtornos mentais.

https://youtu.be/vl5KrLa3DJ0

[Transcrição] Meu nome é ricardo lugon.  Eu sou psiquiatra
da infância adolescência. Trabalho no
Caps infantil de novo hamburgo e
queria dividir com vocês um pouquinho
das idéias que estão circulando aqui no
evento. Também da importância da gente
estar atento à escutar o sujeito na sua
experiência e não necessariamente ficar
focado em descobrir o nome da
patologia . Esse um dos trechos muito
importante do trabalho. A gente tomar por
exemplo as pessoas que ouvem vozes como
uma experiência radical de existência a
qual a gente cria pra ela
possibilidades de ser escutada: é o elemento
terapêutico mais importante do que
necessariamente ter uma boa
classificação diagnóstica. ou de pensar em intervenções medicamentosas
Outro trabalho também bem importante que eu
queria dividir com vocês a gente começa
a trabalhar com a idéia de escutar e
negociar com sujeitos a autonomia (...) a decisão do uso de medicações ou não.
Esse é um tema ainda é delicado
na nossa cultura mas é muito importante
a gente fazer valer dentro dos próprios
princípios do SUS de que o sujeito tem
autonomia e que a gente parte da autonomia
para operar clínica.
Se a gente parte do princípio que o
sujeito não sabe o que está dizendo ou
não pode a gente está produzindo tutela.
O que é muito perigoso produzir tutela. Produzir tutela é
reviver os manicômios. A gente trabalha
justamente numa clínica ampliada em uma
clínica aberta.

quarta-feira, 13 de junho de 2018

Taxas crescentes de suicídio: quando reconhecemos que algo não está funcionando ?


“É sobre doença mental”!
Dizer a uma pessoa que ela está ‘doente’ por sofrer ou por estar triste serve para alienar ainda mais o indivíduo. Muitas vezes a pessoa se sente defeituosa e coloca o problema dentro dela própria, ao em vez de reconhecer que fatores culturais e circunstanciais são o problema. Estudos demonstraram repetidas vezes que uma perspectiva de doença biológica para o sofrimento humano leva à diminuição da empatia, ao aumento do desejo por distância social e ao aumento do preconceito e da discriminação.
Pior ainda, esse foco nas doenças mentais e no sofrimento individual pode às vezes levar aqueles que são diagnosticados a desenvolver uma falta de responsabilidade sobre como tratar os outros, a falta de empatia por aqueles que não são vistos como doentes e a preocupação com o próprio estado interno em detrimento da conexão com os outros. Internalizar uma explicação de doença para o sofrimento de si próprio  leva a alterações na identidade, reforço de dinâmicas abusivas, diminuição da esperança e da auto-estima e diminuição da probabilidade de procurar ajuda.
Em outras palavras: nós, como sociedade, somos informados de que, se alguém está sofrendo, a abordagem correta é convencê-los de idéias que provavelmente as levarão a se sentirem marginalizadas, desamparadas, sem esperança, piores consigo mesmas, envergonhadas, retraumatizadas e com menos possibilidades que cheguem aos outros em busca de conexão e suporte quando, de fato, a conexão e o suporte são as coisas mais prováveis para se curar.
As taxas de suicídio, de fato, são mais altas em áreas que relatam os mais altos níveis de felicidade. Talvez fazer uma pessoa se sentir diferente e anormal por sofrer profundamente não seja tão útil!

segunda-feira, 11 de junho de 2018

sexta-feira, 8 de junho de 2018

Tristeza, ansiedade e depressão

Tristeza, ansiedade e depressão

 https://www.youtube.com/watch?v=ucL5Zq2HXpE

Roberto Alves Banaco, Denis Zamignani e Maria Helena Hunziker falam sobre tristeza, ansiedade e depressão e dão dicas de como enfrentá-las.

quarta-feira, 6 de junho de 2018

Eutanásia doença mental

 Eutanásia para "doença mental" só faz sentido dentro do modelo médico. Modelo o qual é muito discutível.

https://www1.folha.uol.com.br/mundo/2018/05/holanda-tem-aumento-de-eutanasia-em-pacientes-com-doencas-mentais.shtml?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compfb


Holanda tem aumento de eutanásia em pacientes com doenças mentais

Legislação do país europeu não proíbe o procedimento nesses casos, mas assunto divide médicos

sexta-feira, 1 de junho de 2018

psiquiatra da saúde mental

Psiquiatra da saúde mental problematiza questões psicossociais de acordo com a reforma psiquiátrica. A reforma psiquiátrica defende que o sofrimento psicológico não são de natureza médica mas principalmente psicossociais. Nisso está incluído uma crítica ao modelo biomédico da psiquiatria.


sábado, 26 de maio de 2018

Models of Madness: Psychological, Social and Biological Approaches to Psychosis

http://library1.org/_ads/898F3572FBCC04A90C70A6D6234660F7


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Models of Madness: Psychological, Social and Biological Approaches to Psychosis


Author(s): John Read (ed.), Jacqui Dillon (ed.)
Series: The International Society for Psychological and Social Approaches to Psychosis Book Series
Publisher: Routledge, Year: 2013
ISBN: 041557952X,9780415579520
Description:
Are hallucinations and delusions really symptoms of an illness called ‘schizophrenia’? Are mental health problems really caused by chemical imbalances and genetic predispositions? Are psychiatric drugs as effective and safe as the drug companies claim? Is madness preventable?
This second edition of Models of Madness challenges those who hold to simplistic, pessimistic and often damaging theories and treatments of madness. In particular it challenges beliefs that madness can be explained without reference to social causes and challenges the excessive preoccupation with chemical imbalances and genetic predispositions as causes of human misery, including the conditions that are given the name 'schizophrenia'. This edition updates the now extensive body of research showing that hallucinations, delusions etc. are best understood as reactions to adverse life events and that psychological and social approaches to helping are more effective and far safer than psychiatric drugs and electroshock treatment. A new final chapter discusses why such a damaging ideology has come to dominate mental health and, most importantly, how to change that.
Models of Madness is divided into three sections:
  • Section One provides a history of madness, including examples of violence against the ‘mentally ill’, before critiquing the theories and treatments of contemporary biological psychiatry and documenting the corrupting influence of drug companies.
  • Section Two summarises the research showing that hallucinations, delusions etc. are primarily caused by adverse life events (eg. parental loss, bullying, abuse and neglect in childhood, poverty, etc) and can be understood using psychological models ranging from cognitive to psychodynamic.
  • Section Three presents the evidence for a range of effective psychological and social approaches to treatment, from cognitive and family therapy to primary prevention.
This book brings together thirty-seven contributors from ten countries and a wide range of scientific disciplines. It provides an evidence-based, optimistic antidote to the pessimism of biological psychiatry. Models of Madness will be essential reading for all involved in mental health, including service users, family members, service managers, policy makers, nurses, clinical psychologists, psychiatrists, psychotherapists, counsellors, psychoanalysts, social workers, occupational therapists, art therapists.

Who is Right, Psychiatrists or Patients?

John Read: Who is Right, Psychiatrists or Patients? - Oct.20, 2015 - CPH-U

https://www.youtube.com/watch?v=e-u_CGtUUZk