Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

segunda-feira, 29 de julho de 2019

Internação usuários de drogas

Outra conseqüência direta desse condicionamento é no tratamento dos usuários.
Um tratamento que retire o indivíduo do seu meio, afastando-o da visão da droga ou injeção, etc (tipo internação em clínicas especializadas), não coloca em extinção os estímulos condicionados: eles só deixariam de ter controle sobre as respostas condicionadas, opostas às produzidas pela droga, se fossem apresentados repetidamente sem paramento com a droga (extinção operante). Assim, após um longo e penoso tratamento numa clínica para eliminar a síndrome de abstinência (ou seja, a dependência lísica), o indivíduo volta ao seu meio, onde possivelmente vai se defrontar com alguns daqueles estímulos condicionados (local e pessoas associadas ao uso da droga, etc). Estes eliciarão as respostas condicionadas uma vez que elas não foram submetidas à extinção. Como tais respostas são opostas às eliciadas pela droga, elas produzem os mesmos sintomas da síndrome de abstinência cujo término, a curto prazo, depende da administração da droga. Ou seja, essas respostas condicionadas aumentam, e muito, a probabilidade do indivíduo a recorrer novamente à droga (comportamento que será reforçado negativamente). Sabe-se hoje, graças a esses estudos, que o efeito de produzir síndrome de abstinência também pode ser esperado de fotos ou outdoors que mostrem seringas, ironicamente utilizados nas campanhas contra as drogas (Siegel, 1979)

Capítulo 32
O mundo dentro e fora do laboratório: duas faces de uma mesma realidade 1
Hunziker

quinta-feira, 25 de julho de 2019

Refém econômico

Os pais tem satisfação em manter os filhos como reféns econômicos. Não admitem nem diálogo e escuta. Acham que tem o direito de subjugar, calar e dominar porque têm dinheiro.


Curva normal e modelo médico

Chiesa (1994), no entanto, aponta para o fato de que por mais sofisticadas que sejam as técnicas estatísticas, elas esquecem algo fundamental: a curva normal [modelo médico] e o caso da média simplesmente documentam que a variação é a regra na natureza, não algo indesejável a ser evitado.

Variabilidade Comportamental e Adaptabilidade: da Pesquisa à Análise Comportamental Clínica

Joâo Vicenle de Sousa Marçal1
Paula Carvalho Natalino*

quarta-feira, 24 de julho de 2019

HOSPITAL PSIQUIÁTRICO | EUA x Brasil

HOSPITAL PSIQUIÁTRICO | EUA x Brasil

https://www.youtube.com/watch?v=wAFBl89Kdlc

Progresso e piora no tratamento

O psiquiatra biológico tem controle sobre a regressão e a progressão no tratamento. Não percebem. Mas o paciente piora por conta do excesso de drogas psicoativas e atitude social frente a um  diagnóstico. Quando a dose é reduzida o paciente melhora. O problema é leva anos para o psiquiatra sentir que a pessoa está mais estável. Ou está mais acostumada e conformada com a parte desagradável do tratamento médico e da sociedade.

terça-feira, 23 de julho de 2019

liberdade e angústia

a angústia é a vertigem da liberdade

kierkegaard

A instituição inventada

Para nós, o objeto sempre foi a “existência-sofrimento dos pacientes e sua relação com o corpo social1. O mal obscuro da Psiquiatria está em haver constituído instituições sobre a separação de um objeto fictício - a doença - da existência global, complexa e concreta do paciente e do corpo da sociedade

http://www.oriundi.net/files/istituz.invent_po.pdf

segunda-feira, 22 de julho de 2019

Aceite seu lugar

Algumas ideias são inovadoras e incômodas demais.
Que um louco se torne saudável. Isso é inadmissível.
Ou que tenha se tornado louco por conta de um ambiente insalubre.
Simplesmente está além da capacidade de imaginação de certas pessoas.

Que um médico desça do pedestal. Inadmissível.
Que um bosta de um louco esteja mais certo que um médico. Inadmissível.
Que um bosta de um psicólogo esteja mais certo que um médico. Inadmissível.

Que um louco não aceite seu lugar inferior na sociedade. Inadmissível.
Pare de incomodar.

Por mais que alguém desenvolva 20 vezes mais habilidades para lidar com isso.
O desafio é desproporcional.
A incapacidade da sociedade é muito grande.

Cabe ao louco aceitar ter uma saúde inferior.
Cabe ao louco ser inválido e aposentado.
Cabe ao louco não opinar no tratamento.
Cabe ao psicólogo ser ajudante de médico.
Cabe ao louco aceitar ser humilhado.

Crises e degeneração cerebral

Crises são apenas comportamentos operantes indesejados evocados por circunstâncias.

Dizer que a cada crise o cérebro se degenera é apenas uma meritocracia negativa do tratamento psiquiátrico.

Doses equivalentes neurolépticos

 RESULTADOS:

Foram incluídos 75 estudos com 16 555 participantes. As doses equivalentes a 1 mg / d de olanzapina foram: amisulprida 38,3 mg / d, aripiprazole 1,4 mg / d, asenapina 0,9 mg / d, clorpromazina 38,9 mg / d, clozapina 30,6 mg / d, haloperidol 0,7 mg / d, quetiapina 32,3 mg / D, risperidona 0,4 mg / d, serindol 1,1 mg / d, ziprasidona 7,9 mg / d, zotepina 13,2 mg / d. Para a iloperidona, lurasidona e paliperidona, não havia dados disponíveis.

https://www.epistemonikos.org/pt/documents/e3125ddf050a2f26554bc4262d08f9fefc3c577e

quinta-feira, 18 de julho de 2019

Observação e teoria

Popper destaca que “todo o nosso conhecimento é impregnado de teoria, inclusive nossas observações” (Popper, 1975, p. 75). Não existem dados puros, fatos neutros (livres de teoria).

https://www.ebah.com.br/content/ABAAAANkAAC/karl-popper?part=2

quarta-feira, 17 de julho de 2019

Eugenia e Sloterdijk

Nesta peça filosófica, Sloterdijk dizia que o projeto eugênico ocidental é filho de Platão ("A República", por exemplo), e que se ele não deu certo nas engenharias político-sociais utópicas modernas, nem na educação formal propriamente, estava dando certo na biotecnologia e nas tecnologias de otimização da saúde.

Esta palavra feia era sua recusa em negar nossa natureza eugênica e a opção contemporânea pós-nazismo por realizar a eugenia no silêncio de uma razão cínica que nega suas motivações morais: tornar a vida perfeita sem dizer que está fazendo isso.

Sua intenção é trazer à luz aquilo que não se quer trazer à luz, ou seja, que nossa cultura e nossa ciência são eugênicas apesar de dizer que não são. A palavra feia aqui é um grito contra o cinismo dos que negam a intenção eugênica.

https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/40077-a-palavra-feia.shtml

segunda-feira, 15 de julho de 2019

Descontinuação de Antipsicóticos e Funcionamento Cognitivo

Descontinuação de Antipsicóticos Melhora o Funcionamento Cognitivo

Em pessoas com esquizofrenia, interromper os antipsicóticos não piora o funcionamento cognitivo; em vez disso, pode realmente melhorar a cognição.

https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=auto&tl=pt&u=https%3A%2F%2Fwww.madinamerica.com%2F2019%2F07%2Fdiscontinuation-antipsychotics-improves-cognitive-functioning%2F

“Os resultados sugerem que o uso de antipsicóticos de dose prolongada ou mais alta está associado a resultados cognitivos adversos. Isso poderia, pelo menos em parte, ser explicado por confundimento por indicação, o que significa que os pacientes tratados com antipsicóticos de alta dose por um longo período provavelmente também têm a pior trajetória de doença ”.

Neste estudo, aqueles que descontinuaram o antipsicótico apresentaram melhores escores cognitivos no início do estudo e no acompanhamento do que aqueles que continuaram o uso do antipsicótico. O grupo de descontinuidade viu uma melhoria ao longo do tempo, enquanto o grupo de continuação piorou ao longo do tempo.

quinta-feira, 11 de julho de 2019

quarta-feira, 10 de julho de 2019

Sociologia da psicologia

Vale a pena ler sobre teorias psicológicas e sociologia no livro A construção social da realidade.  Nas seções Teorias da identidade / organismo e identidade. (p. 228 até 241)

O livro está em pdf na internet.

https://cristianorodriguesdotcom.files.wordpress.com/2013/06/bergerluckman.pdf

Orientação na realidade

Se o psiquiatra for sensível ao contexto sócio-cultural das condições psicológicas chegará a diagnósticos diferentes do indivíduo que conversa com os mortos, dependendo desse indivíduo vir, por exemplo da cidade de Nova Iorque ou de uma zona rural do Haiti. Dito diferentemente, as perguntas relativas ao estados psicológico não podem ser decididas sem o reconhecimento das definições da realidade admitidas como verdadeiras na situação social do indivíduo. Expressando-nos de maneira mais precisa, o estado psicológico é relativo às definições sociais da realidade em geral, sendo ele próprio socialmente definido.

Do livro A construção social da realidade (p.231)



sábado, 6 de julho de 2019

Realidade, psiquiatria biológica e sociologia do conhecimento

A realidade é socialmente definida segundo a sociologia do conhecimento. Estar dentro da realidade consiste em seguir prescrições de conduta dessa sociedade. Esses padrões variam segundo grupos, sociedade e contextos.

Falar em capacidade biológica de apreender imediatamente a realidade como faz a psiquiatria não faz sentido. O conceito de realidade da psiquiatria biológica é ingênuo. Não resiste a um confronto com a sociologia do conhecimento.

Estar dentro da realidade é seguir conduta socialmente definida.

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Terapêutica/aniquilação da dissidência

Mas há duas aplicações do mecanismo conceitual de conservação do universo que ainda resta discutir no contexto da teoria geral: a terapêutica e a aniquilação. A terapêutica acarreta a aplicação do mecanismo conceitual a fim de assegurar que os discordantes atuais ou potenciais se conservem dentro das definições institucionalizadas da realidade, ou, em outras palavras, Impedir que os "habitantes" de um dado universo "emigrem". Realiza isso aplicando o aparelho legitimador aos "casos" individuais. Desde que, conforme Vimos, toda sociedade enfrenta o perigo de dissidência individual, podemos admitir que a terapêutica, de uma forma ou de outra é um fenômeno social global. Seus dispositivos institucionais específicos, do exorcismo à psicanálise, da assistência pastoral aos programas de aconselhamento pessoal, pertencem naturalmente à categoria do controle social. Aqui interessa-nos, porém, o aspecto conceitual da terapêutica. Tendo a terapêutica de ocupar-se com os desvios das definições "oficiais" da realidade, deve criar um mecanismo conceitual para explicar esses desvios e conservar as realidades assim ameaçadas. Isto requer um corpo de conhecimento que inclui uma teoria da dissidência, um aparelho de diagnóstico e um sistema conceitual para a "cura das almas". 

Por exemplo, numa coletividade que institucionalizou a homossexualidade militar, o indivíduo obstinadamente heterossexual é um candidato seguro à terapêutica, não somente porque seus interesses sexuais constituem evidente ameaça à eficiência de combate de sua unidade de guerreiros-amantes, mas também porque seu desvio é psicologicamente subversivo para a virilidade espontânea dos outros. Afinal de contas, alguns destes, talvez "subconscientemente", podem ser tentados a seguir seu exemplo num nível mais fundamental, a conduta do dissidente desafia a realidade social como tal, pondo em questão seus procedimentos operatórios cognoscitivos admitidos como certos ("os homens viris por natureza amam uns aos outros"), e os procedimentos normativos "os homens viris devem amar uns aos outros"). De fato , o dissidente provavelmente representa um insulto vivo aos deuses, que amam uns aos outros no céu, assim como seus devotos na terra. Este desvio radical requer uma prática terapêutica solidamente fundada numa teoria terapêutica. É preciso haver uma teoria do desvio (uma "patologia") que explica esta condição chocante (digamos, postulando a possessão demoníaca). É preciso haver um corpo de conceitos diagnósticos (digamos, uma sintomatologia, com práticas apropriadas para aplicá-Ia em julgamentos por ordálio), que não somente permita de maneira ótima a precisa especificação das condições agudas mas também descobre a heterossexualidade latente" e a rápida tomada de medidas preventivas. Finalmente, deve haver uma conceituação do processo curativo (digamos, um catálogo de técnicas de exorcismos, cada qual com adequada fundamentação teórica). 

Este mecanismo conceitual permite sua aplicação terapêutica pelos especialistas adequados e pode também ser interiorizado pelo indivíduo que sofre da condição dissidente. A interiorização em si mesmo terá eficácia terapêutica. Em nosso exemplo, o mecanismo conceitual pode ser organizado de tal maneira que desperte a culpa no indivíduo (digamos, um "pânico heterossexual"), façanha não demasiado difícil se sua socialização primária teve ao menos um êxito mínimo. Sob a pressão desta culpa, o indivíduo chegará a aceitar subjetivamente a conceitualização. de sua condição com a qual os profissionais terapêuticas· o fazem defrontar-se. Cria uma "visão interior", e' o diagnóstico torna-se subjetivamente real para ele. O mecanismo conceitual pode ser ainda mais desenvolvido a fim de permitir a conceitualização (e assim a liquidação conceitual) de quaisquer dúvidas a respeito da terapêutica sentida ou pelo terapeuta ou pelo "paciente". Por exemplo, pode haver uma teoria da "resistência" para explicar as dúvidas deste último, e uma teoria da "contra-transferência", para explicar as dúvidas do primeiro. A terapêutica eficaz estabelece uma simetria entre o mecanismo conceitual e sua apropriação subjetiva pela consciência do indivíduo. Ressocializa o transviado, reintroduzindo-o na realidade objetiva do universo simbólico da sociedade. Evidentemente existe uma grande satisfação subjetiva por motivo deste. retorno à "normalidade". O indivíduo pode agora retornar ao amoroso abraço do comandante de seu pelotão com o feliz conhecimento de se ter "encontrado a si mesmo", c de mais uma vez estar certo aos olhos dos deuses. 

A terapêutica usa o mecanismo conceitual para manter todos dentro do universo em questão. A aniquilação por sua vez usa um mecanismo semelhante para liquidar conceitualmente tudo que está situado fora deste mesmo universo. Este procedimento pode também ser considerado uma espécie de legitimação negativa. A legitimação conserva a realidade do universo socialmente construído; a aniquilação nega a realidade de qualquer fenômeno ou interpretação de fenômenos que não se ajustam nesse universo. Isto pode ser realizado de duas maneiras. Primeiramente, é possível dar um status ontológico negativo aos fenômenos de desvio, com ou sem intenção terapêutica. A aplicação aniquiladora realizada pelo mecanismo conceitual é em geral mais usada com indivíduos ou grupos estranhos à sociedade em questão e por isso inelegíveis para a terapêutica. A operação conceitual nesse caso é bastante simples. A ameaça às definições sociais da realidade é neutralizada atribuindo-se um status ontológico inferior, e com isso um status cognoscitivo que não deve ser levado a sério, a todas as definições existentes fora do universo simbólico. Assim, a ameaça da vizinhança de grupos anti-homossexuais pode ser conceitualmente liquidada por nossa sociedade homossexual considerando esses vizinhos como seres inferiores aos homens, inatamente desnorteados a respeito da correia ordem das coisas, vivendo em uma insanável obscuridade cognoscitiva. O silogismo fundamental é o seguinte: os vizinhos são uma tribo de bárbaros. Os vizinhos são anti-homossexuais. Por conseguinte, sua anti-homossexualidade é um absurdo bárbaro, que não deve, ser tomado a sério por homens. razoáveis. O mesmo procedimento conceitual pode sem dúvida ser também aplicado aos transviados dentro da sociedade. Quer se passe da aniquilação à terapêutica, quer se empreenda a liquidação física do que se liquidou conceitualmente, isto é apenas uma questão de política prática. O poder material do grupo conceitualmente liquidado na maioria dos casos não será um fator insignificante. Às vezes, infelizmente, as circunstâncias nos.. forçam a manter relações cordiais com bárbaros. 

Em segundo lugar, a aniquilação implica a tentativa mais ambiciosa de explicar todas as definições dissidentes da realidade em termos, de conceitos pertencentes ao nosso próprio universo. Num quadro de referência teológico isto acarreta a transição da heresiologia à apologética. As concepções transviadas não recebem simplesmente um status negativo, são atacadas teoricamente em detalhes. O objetivo final deste procedimento é incorporar as concepções dissidentes ao nosso próprio universo, e com isso em última análise liquidá-Ias. As concepções dissidentes devem portanto ser traduzidas em conceitos derivados de nosso próprio universo. Desta maneira, a negação de nosso universo transmuta-se sutilmente na afirmação dele. Há sempre a pressuposição de que o negador não sabe realmente o que está dizendo. Suas afirmações só adquirem sentido quando são traduzidas em termos mais "corretos", isto é, em termos derivados do universo por ele negado. Por exemplo, nossos teóricos homossexuais podem argumentar que todos os homens são por natureza homossexuais. Os que negam isto, em virtude de estarem possuídos por demônios ou simplesmente por serem bárbaros, estão negando sua própria natureza. Bem no fundo de si mesmos, sabem que isto é assim. Basta, portanto, investigar cuidadosamente seus enunciados para descobrir o caráter defensivo e a má fé da posição deles. Seja lá o que for que digam neste assunto, isso pode assim ser traduzido em uma afirmação do universo homossexual, que eles ostensivamente negam. Num quadro de referência teológico o mesmo procedimento demonstra que o demônio involuntariamente glorifica Deus, que toda descrença é apenas desonestidade inconsciente, até mesmo que o ateu é realmente um crente. 

As aplicações terapêutica e aniquiladora dos mecanismos conceituais são inerentes ao universo simbólico enquanto tal. Se o universo simbólico tem de abranger a realidade, não é possível deixar que alguma coisa fique fora de seu âmbito conceitual. Em princípio, de qualquer maneira suas definições da realidade devem abranger a totalidade do ser. Os mecanismos conceituais com os quais se tenta fazer esta totalização variam historicamente em grau de complexidade. In nuce aparecem logo que o universo simbólico cristalizou-se.

Do livro A construção social da realidade


Rotinas sociais e soluções de problemas


A realidade social do cotidiano é construída a partir de objetivações de percepções subjetivas em produtos de atividades. A realidade é construída socialmente de acordo com o acervo social de conhecimento de senso comum e técnico/intelectual. O senso comum da vida cotidiana é o acervo comum de conhecimento necessário para lidar com a rotina da vida cotidiana. Algo que apresenta como problemático quando sai da rotina da vida cotidiana e é preciso colocar o conhecimento do senso comum em dúvida e procurar conhecimento mais sofisticado. Os acontecimentos e as pessoas são tipificadas em classificações relacionadas ao acervo social de conhecimento.

Os problemas de saúde mental surgem ao se sair da rotina da vida cotidiana (quando a diferença se apresenta). Nos casos de problemas de saúde mental a diferença se apresenta como problemática devido à ausência de capacidade do acervo social de conhecimento do senso comum de lidar com essa diferença de forma rotineira. As tipificações ou classificações para entender acontecimentos sociais, naturais e pessoas estabelecem interações sociais de acordo ou podem também estabelecer acontecimentos e características das pessoas. As construções sociais podem ocasionar problemas de saúde mental ao classificar certas pessoas e acontecimentos como problemáticos a partir da intolerância à diferença ou estabelecer interações sociais que não são positivas para todos apesar de serem entendimentos rotineiros para um dos lados.

Nisso entra o entendimento médico/manicomial da diferença ou o entendimento psicossocial da diferença e como essas classificações das diferenças produzem realidades melhores ou piores. O entendimento do modelo médico em saúde mental envolve responsabilizar a suposta doença biológica pelas incapacidades construídas por esse entendimento. O entendimento médico/manicomial da diferença se mantém pelo autoritarismo de não permitir as pessoas escaparem a esse entendimento na prática. Com isso, impede de estabelecer um acervo social de conhecimento no senso comum que lidaria com a diferença de maneira rotineira (Reforma Psiquiátrica) e não problemática ou que dispensaria a psiquiatria biomédica em favor de intervenções psicossociais.

Resenha do começo do livro A construção social da realidade.

quarta-feira, 3 de julho de 2019

Dúvida sobre os genéricos

Raramente um psiquiatra passa a dose mínima "necessária". Quase sempre o paciente psiquiátrico toma mais do que o necessário. Portanto, não faz sentido dizer que tomar 70% da dose anterior ao trocar para um genérico provoque crises.

Além disso, há uma descontextualização da vida do paciente. Está sempre fazendo ajustes no medicamento. Então quando acontece algo diferente na vida atribui a alguma mudança na prescrição (dose, retirada, princípio ativo).

O paciente não deveria acreditar apenas no medicamento como solução para tudo. Esse negócio de ficar eternamente ajustando prescrição é um lixo.

A ideia do genérico é algo bacana, seguro e eficaz.

Intimidação médica e conhecimento exclusivo

O crescente número de complexidade dos subuniversos fazem com que se tornem cada vez mais inacessíveis aos estranhos. Passam a ser enclaves esotéricos, "hermeticamente vedados" (no sentido de classicamente ligado ao corpo hermético o conhecimento secreto) a todos exceto àqueles que foram devidamente iniciados em seus mistérios. A crescente autonomia dos subuniversos contribui para criar problemas especiais de legitimação tanto para os estranhos quanto para os íntimos. Os estranhos tem de ser impedidos de entrar, e mesmo conservados na ignorância da existência do subuniverso. Se, porém, não chegam a ignorá-lo e se o subuniverso requer vários privilégios e reconhecimentos especiais da sociedade mais ampla, existe o problema de manter de fora os estranhos e ao mesmo tempo fazer com que admitam a legitimidade deste procedimento. Isto é realizado por meio de várias técnicas de intimidação, propaganda racional e irracional (apelando para os interesses dos estranhos e para suas emoções), mistificação e, em geral, a manipulação dos símbolos de prestígio. Os íntimos, por outro lado, têm de ser mantidos dentro. Isto exige a criação de procedimentos práticos e teóricos pelos quais é possível reprimir a tentação de escapar do sub-universo. Examinaremos mais adiante com alguns detalhes este duplo problema da legitimação. De momento, basta-nos dar uma ilustração. Não é suficiente instituir um subuniverso esotérico na medicina. É preciso convencer o público leigo de que isto é correto e benéfico e a fraternidade médica deve ser conservada nos padrões deste subuniverso. Assim a população geral é intimidada pelas imagens da ruína física que se segue à atitude de "opor-se aos conselhos do médico". É persuadida a não fazer isso pelos benefícios práticos da obediência e pelo seu próprio horror da doença e da morte. Para sublinhar sua autoridade, a profissão médica recobre-se com os velhos símbolos de poder e mistério, das vestimentas à linguagem incompreensível, tudo isso naturalmente legitimado para o público e para ela própria em termos práticos. Enquanto isso, os habitantes devidamente credenciados do mundo médico são preservados do "charlatanismo" (isto é, pisarem fora do subuniverso médico em pensamento ou na ação) não só pelos poderosos controles externos de que a profissão dispõe, mas também por todo um corpo de conhecimento profissional que lhes oferece a "prova científica" de loucura, e até da maldade, deste desvio. Em outras palavras, entra em ação uma maquinaria inteira de legitimação, como o fim de manter os leigos como leigos e os médicos como médicos, e  (se possível) que ambos assim procedam com satisfação.

Do livro: A construção social da realidade. (p. 121)

Loucura e sociologia do conhecimento

A partir da sociologia do conhecimento é simples o problema da doença mental. A realidade é construída pelo conhecimento social. Logo, negar ou apresentar discurso incompatível com o que o conhecimento define como real é considerado loucura. Mesmo que o conhecimento seja relativo e natural a grupos específicos. O prestígio ou benefícios concedidos a quem reproduz o conhecimento é suficiente para motivar as pessoas a serem típicas dentro de um grupo.

O conhecimento adotado para produzir a realidade no entanto nem sempre é da melhor qualidade disponível.

Inteligência socialmente descomprometida

e (aqui, segundo pensou Manheim, indo além de Marx) a ideologia caracterizando não somente o pensamento do adversário mas também o do próprio pensador. Com o conceito geral de ideologia alcança-se o nível da sociologia do conhecimento, a compreensão de que não há pensamento humano (apenas com exceções antes mencionadas) que seja imune às influências ideologizantes de seu contexto social.

Seja como for, Manheim acreditava que as influência ideologizantes, embora não pudessem ser completamente erradicadas, podiam ser mitigadas pela análise sistemática do maior número possível de posições variáveis socialmente fundadas. Em outras palavras, o objeto do pensamento torna-se progressivamente mais claro com esta acumulação de diferentes perspectivas a eles referentes. Nisso deve consistir a tarefa da sociologia do conhecimento, que se torna assim uma importante ajuda na procura de qualquer entendimento correto dos acontecimentos humanos.
Manheim acreditava que os diferentes grupos sociais variam enormemente sua capacidade de transcender deste modo sua própria estreita posição. Depositava a maior esperança na "inteligência socialmente descomprometida", uma espécie de estrato intersticial que acreditava estar relativamente livre de interesse de classe.

No livro A construção social da realidade (p. 22-23)

segunda-feira, 1 de julho de 2019

Conhecimento institucional e "doença mental"

O conhecimento primário relativo à ordem institucional é o conhecimento situado no nível pré-teórico. É a soma de tudo aquilo que "todos sabem", a respeito do mundo social, um conjunto de máximas, princípios morais, frases proverbiais de sabedoria, valores e crenças, mitos, etc., cuja integração teórica exige considerável força intelectual, conforme comprova a longa linha de heróicos integradores, de Homero aos últimos construtores de sistemas sociológicos. No nível pré-teórico, porém, toda instituição tem um corpo de conhecimento transmitido como receita, isto é, conhecimento que fornece as regras de conduta institucionalmente adequadas.

Este conhecimento constitui a dinâmica motivadora da conduta institucionalizada. Define as áreas institucionalizadas da conduta e designa todas as situações que se localizam dentro destas áreas. Define e constrói os papéis que devem ser desempenhados no contexto das instituições em questão. Ipso facto, controla e prediz todas estas condutas. Sendo este conhecimento socialmente objetivado como conhecimento, isto é, um corpo de verdades universalmente válidas sobre a realidade, qualquer desvio radical da ordem institucional toma caráter de um afastamento da realidade. Este desvio pode ser designado como depravação moral, doença mental ou simplesmente ignorância crassa. Emboras essas delicadas distinções tenham consequências óbvias para o tratamento do indivíduo que se desviou, todas elas participam de um status cognoscitivo inferior no particular mundo social. [Entendi que essas distinções são subprodutos do conhecimento institucional e sua violação]

Do livro A construção social da realidade (p. 93)

Injeção de depósito: apenas propaganda

Um Guia para os Neurolépticos de Longa Duração: Educação ou Promoção?


Mas nós sabemos o que aconteceu depois que o decanoato de flufenazina [Injeção] foi comercializado. Continuamos a observar a “porta giratória”, onde as pessoas dispensadas do hospital retornavam com frequência. Embora haja divergências profundas sobre como consertar o sistema comunitário de saúde mental, parece claro que as drogas neurolépticas de ação prolongada não oferecem o tipo de benefícios que foram previstos na década de 1960. Ao contrário da crença popular, há uma falta de evidências em apoio à hipótese central de que essas drogas melhoram a adesão ( Leucht 2011 ). Uma vez que a adesão melhorada é presumida como o mecanismo pelo qual eles melhoram o resultado, isso levanta um sério desafio para as vantagens dessas drogas. Em 2015, Castillo e Stroup publicaram um artigo em Saúde Mental Baseada em Evidência, revisando este tópico. Eles admitem que “as evidências [a favor de formulações de longa duração] são conflitantes e mais fracas do que o esperado”. É importante ressaltar que não parece haver nenhuma vantagem para as drogas mais novas do que para as mais antigas. Assim, enquanto o panfleto do Conselho Nacional promove “O que a ciência nos diz”, os autores parecem seletivos no que parecem ouvir.

No entanto, há uma implicação mais ampla desse tipo de panfleto que vai além de minhas conclusões diferentes sobre o papel dos neurolépticos de ação prolongada no tratamento clínico. Em Psychiatry Under the Influence , Cosgrove e Whitaker ofereceram um modelo, chamado economias de influência, para entender as forças complexas que poderiam levar as instituições acadêmicas e de associações da psiquiatria a agir de maneiras que não são consistentes com suas missões declaradas. Eu acredito que essas influências estão em jogo aqui.

Nos anos 90 e início dos anos 2000, vários novos medicamentos antipsicóticos foram introduzidos e altamente promovidos. Eles rapidamente se tornaram tratamentos de primeira linha baseados na crença de que eles tinham menos efeitos colaterais. O marketing desta época é o que me levou ao caminho da psiquiatria crítica. Ficou claro para mim que a promoção não correspondia aos dados. Por exemplo, a principal conclusão dos estudos de pré-marketing que levaram à aprovação deles foi que os novos medicamentos causaram menos sintomas de parkinsonismo do que os mais antigos. No entanto, nesses estudos iniciais, as drogas foram comparadas ao haloperidol prescrito em doses muito altas. Havia outras alegações de que as novas drogas tinham benefícios para problemas cognitivos e motivação, mas essas alegações eram geralmente desprovidas de apoio probatório substancial e, na medida em que havia apoio, provavelmente secundário às altas doses de haloperidol usadas nos estudos (altas doses). Espera-se que o haloperidol cause problemas cognitivos e apatia, para que as novas drogas pareçam ser melhores em comparação). Os efeitos que as novas drogas tiveram sobre o ganho de peso foram óbvios para mim depois de alguns anos e agora são amplamente reconhecidos, mas esses efeitos foram subestimados nos círculos acadêmicos e de marketing por muitos anos. De fato, o que foi desconcertante é que a separação entre marketing e academia tornou-se tão próxima a ponto de ser indetectável.

Nos anos posteriores - muitas vezes coincidentes com os medicamentos que não têm mais proteção de patente - há um recuo; as drogas são consideradas não tão efetivas quanto se pensava inicialmente. Problemas com as drogas ganham maior atenção. Nesse ponto, entretanto, as drogas estão entrincheiradas na prática clínica. Apesar das evidências emergentes questionarem sua eficácia e destacarem os efeitos colaterais preocupantes, elas continuam sendo amplamente prescritas.


Tudo isso aconteceu com os neurolépticos. Em 2005, um estudo financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental foi publicado. Chamado de estudo do CATIE , ele comparou a maioria dos neurolépticos mais recentes com a perphenazine, um medicamento mais antigo. Não encontrou vantagem para as novas drogas. No entanto, a prática clínica muda lentamente ou a promoção [de mercado] é difícil de ignorar; Quando o CATIE foi publicado, os medicamentos mais antigos raramente eram usados ​​como tratamento de primeira linha.Isso não mudou.

 O estudo constatou que, em média, 3,5 mg foi tão eficaz quanto doses mais altas; as doses mais altas só produziram mais sintomas neurológicos, mas não conferiram vantagem clínica. Muitos dos piores problemas associados ao haloperidol são moderados pela dose - parkinsonismo, discinesia tardia. Se usado em doses baixas, um forte argumento poderia ser feito de que ele tem menos toxicidade - particularmente no que diz respeito à obesidade e problemas metabólicos - do que as novas drogas.

No entanto, em sua conclusão, eles apontam as desvantagens das drogas mais novas por razões que mencionei acima: “nós advertimos que essa [psicose de início recente] também é um tempo para usar medicações judiciosamente. . . como as dosagens dos antipsicóticos de IAF não são imediatamente alteráveis, são menos convenientes. 

"Estranhamente, apesar deste artigo deixar claro que há poucas evidências sugerindo que as novas drogas têm alguma vantagem sobre as mais antigas, os autores não apontam que o haloperidol permite a dosagem flexível.



Ignorar o problema implicitamente favorece a prática como de costume, que é uma prática que favorece os interesses financeiros das empresas farmacêuticas em detrimento dos interesses de nossos pacientes.

quinta-feira, 27 de junho de 2019

Dopamina e teoria do erro de previsão


Para entender essa questão, primeiro precisamos saber um pouco sobre a própria teoria do erro de previsão. A teoria diz que os neurônios da dopamina disparam para coisas inesperadamente boas. Se de repente eu lhe dou um tapinha no ombro e te dou um doce, seus neurônios de dopamina vão pingar! para o doce.

Se eu continuar batendo no seu ombro e continuar lhe dando um doce, seus neurônios dopaminérgicos vão parar de pingar pelo doce - conseguir um doce é ótimo, mas não é mais inesperado (e francamente você prefere que eu respeite seu espaço pessoal). um pouco mais). Em vez disso, os neurônios da dopamina vão pingar! para a torneira em si. Essa é a parte inteligente: o neurônio vai pingar! porque o toque no ombro agora prevê que um doce está chegando (uma coisa boa), mas é inesperado porque você não sabe quando a torneira está chegando - então o toque no ombro se torna algo inesperadamente bom.

A teoria também diz que os neurônios da dopamina, como as pessoas, estão profundamente perturbados por suas rotinas sendo violadas. Tendo estabelecido essa relação de confiança - eu repetidamente batendo em você no ombro e você, pelo menos, recebendo uma série de doces com essa violação das normas sociais - o que acontece se eu bater em você no ombro e não lhe der um doce? Seus neurônios de dopamina então se desligam completamente, parem de disparar por um breve período.

Em suma, os neurônios dopaminérgicos enviam um sinal rápido que cobre todos os três possíveis erros na previsão de uma recompensa: que a recompensa foi melhor que a esperada (um erro positivo); que a recompensa era exatamente como esperada (sem erro); ou que a recompensa foi menor que a esperada (um erro negativo). Podemos rotular tudo isso usando um desses nomes compostos e tortuosos, adorados por cientistas: os neurônios da dopamina enviam um erro de previsão de recompensa.

O que levanta a possibilidade de que, no curto prazo, o cérebro pode querer proteger suas apostas, alterando suas estimativas do valor de uma ação sem alterar as forças de conexão. E isso pode fazer isso mudando a forma como os neurônios responsivos são para suas entradas. Se você tornar o neurônio de ação mais provável de disparar, aumentará seu valor previsto; e vice versa. Adivinhe qual transmissor no cérebro tem centenas de documentos mostrando que ele altera a capacidade de resposta dos neurônios que controlam a ação? Sim, dopamina.

Juntos, o argumento aqui é que o sinal de erro explícito existe para permitir que o cérebro controle as mudanças do valor previsto em duas escalas de tempo. E faça isso usando um sinal de erro codificado por dopamina: para permitir a alteração das forças de conexão a longo prazo e mudar a responsividade dos neurônios a curto prazo.

[Comentário: É interessante devido a um conceito mais operacional do funcionamento da dopamina. Pode explicar o barato de pensar coisas incríveis, de buscar novidades/excitação e de se sentir perturbação com mudanças negativas ou situações de vida muito ruins. A questão é se o repertório mobilizado para buscar excitação ou contrabalancear situações negativas é apropriado ou inapropriado. A responsividade maior não é um problema com repertório apropriado. Só é um problema com repertório inapropriado.]

quarta-feira, 26 de junho de 2019

Nicolelis e Jesus esquizofrênico

Neurocientista ateu afirma que Jesus, Abraão e Maomé sofriam de esquizofrenia

https://noticias.gospelmais.com.br/neurocientista-afirma-jesus-abraao-maome-sofriam-esquizofrenia-34422.html

[Comentário: Essa maneira de pensar dos neurocientistas de acordo com o reducionismo biológico mostra um desconhecimento muito grande de saúde mental. Se a sociedade acredita nos profetas aquilo passa a ser realidade social construída e deixa de ser loucura. O que a sociedade considera comum ou valida o discurso deixa de ser loucura. Também já coloquei no blog que existem pesquisadores muito bons que não acreditam que a esquizofrenia seja um construto real ou uma doença biológica. Na época histórica antiga o pensamento religioso desse tipo era comum. Fica claro as consequência lógicas absurdas possíveis da neurociência e psiquiatria. Em todo caso é um bom experimento de pensamento. Nicolelis também não sabe que neuroléptico não resolve delírio nem alucinação. Apenas reduz reações exacerbadas como tranquilizante maior.]

Por que dormimos?

https://www.ted.com/talks/russell_foster_why_do_we_sleep?language=pt-br#t-69556

Russell Foster é um neurocientista circadiano: ele estuda os ciclos de sono do cérebro. E pergunta: o que sabemos sobre o sono? Não muito, parece, para algo que fazemos durante um terço de nossas vidas. Em sua palestra, Foster compartilha três teorias populares sobre por que dormimos, destrói alguns mitos sobre quanto sono precisamos em diferentes idades -- e nos dá dicas sobre algumas aplicações ousadas do sono como um indicador de saúde mental.

O problema do lazer (Skinner)

Nós vemos o problema no mundo em geral. Nós desenvolvemos mais e mais maneiras eficientes de obter as coisas que precisamos, e ao fazê-lo temos privado nós mesmos de alguns poderosos reforçadores. Nós construímos um mundo em que nós menos e menos freqüentemente se envolvemos em um comportamento fortemente reforçado. Nós sentimos a condição resultante e chamamos de tédio. É o problema do lazer. Quando não "temos" nada para fazer, nós parecemos ser livre para se envolver em arte, música, literatura e ciência, mas é muito mais provável que caiamos sob o controle de outros tipos de reforços fracos que têm sua chance quando os poderosos reforçadores foram atenuados. Nossos antepassados ​​colocam isso na forma de um aforismo: "O diabo sempre tem algo para mãos ociosas fazer." As classes do lazer caracteristicamente têm jogado, usado álcool e drogas, e se divertido vendo outras pessoas se comportarem seriamente. O problema é particularmente agudo em uma instituição, onde aqueles que “não têm” nada fazem (em parte porque eles estão sendo cuidados) não têm nada para fazer e são, portanto, susceptíveis de se comportar de maneiras particularmente problemáticas. O cumprimento caridoso das necessidades pode ser justificado somente para aqueles que não podem satisfazer suas necessidades. A ajuda é caridade apenas para o desamparado. Nós não ajudamos aqueles que podem se ajudar quando os tornamos desnecessários para eles fazerem isso. Em vez disso, nós os privamos da chance de nos comportarmos de maneiras que são ditas mostrar um interesse na vida ou possivelmente até mesmo excitação ou entusiasmo.

Outros "valores" que podem nos ajudar a decidir o que o retardado deve fazer também é derivado de práticas relativas a pessoas normais. O que uma pessoa faz quando ele não "tem" para fazer nada pode ser julgado em termos da medida em que ele exibe todo o comportamento do qual ele é capaz. Os comportamentos mais característicos do lazer tende a ser repetitivo (como no jogo), estupefação (como no uso de álcool ou outras drogas), e passivo (como em ser um mero espectador). Eles são característicos de lazer só porque exigem muito pouco de uma pessoa. Uma pessoa pode passar a vida toda fazendo essas coisas e mudando muito pouco no final. Tanto o indivíduo quanto sua cultura sofre. Outras atividades características do lazer, no entanto, levam à desenvolvimento de repertórios extensos, variados e sutis - entre eles, as artes e artesanato, esportes, academicismo, investigação científica, exploração e manutenção de boas relações com os outros que também estão mudando. Quando atividades desse tipo são encorajadas, o retardado leva a vida mais plena da qual ele é capaz.

Do livro Cumulative Record. Skinner

sexta-feira, 21 de junho de 2019

Maus tratos em instituições (skinner)

Considere, em primeiro lugar, o cuidado de crianças pequenas em orfanatos ou em escolas para as quais as crianças são enviadas por pessoas que logo perdem contato com elas. Charles Dickens descreveu exemplos típicos do abuso que tem sido característico de tais instituições ao longo de sua longa história, e ele foi responsável em uma certa medida por reforma, mas ainda há muito a ser feito. O problema surge porque aqueles que exercem controle estão sujeitos a pouco ou nenhum contracontrole. As crianças são muito pequenas e fracas para protestar e só podem ocasionalmente se voltar para essa resposta arquetípica aos maus-tratos, escapar. Na ausência de um contracontrole efetivo, os responsáveis ​​começam a mudar de ser talvez meramente descuidado a ser insensível ou mesmo cruel. No final eles quase necessariamente se comportam de maneiras que chamamos de eticamente erradas. Eles não fazem isso porque eles não têm compaixão, mas porque a ação recíproca tem sido fraca ou ausente. o que eles podem, a princípio, ter sentido como a compaixão se torna fraca ou desaparece completamente. O cuidado do doente crônico ou do idoso está sujeito à mesma deterioração. Os lares de idosos e lares para idosos são frequentemente apoiados pelo Estado ou por parentes que pouco se interessam pelo que acontece neles. O doente ou o idoso não podem protestar eficazmente, nem podem escapar, e pouco ou nenhum contracontrole é portanto exercido. Sob essas condições, os responsáveis ​​começam a se comportar de maneiras que chamar eticamente errado. Eles fazem isso não porque eles não têm compaixão, mas porque há nenhum contracontrole adequado, e como o seu comportamento se deteriora, nada é deixado para ser sentido como compaixão.

As prisões oferecem um exemplo bastante diferente. Uma prisão é em si um dispositivo para o contracontrole de comportamento ilegal, e suas práticas são no início quase sempre punitivo. Aqueles que estabelecem prisões e encarceram pessoas geralmente tomam pouco mais interesse no que acontece, e as prisões têm sido notórias por tratamento desumano. O prisioneiro escapa se puder, mas nenhuma outra ação é possível a não ser a violência extrema, que tende a ser reprimida por meios ainda mais violentos. isto é geralmente óbvio que o mau trato de um prisioneiro é devido à incapacidade de protestar, e não é provável que olhemos para a compaixão das autoridades prisionais para reforma. O cuidado dos psicóticos também mostrou uma longa história de tratamento desumano. Seria difícil para qualquer pessoa sensata evitar tornar-se psicótica sob muitas formas do cuidado institucional. As instituições são geralmente administradas pelo estado, e aquelas que cometem pacientes para eles muitas vezes perdem o interesse ou aceitam os cuidados que prestam como de alguma forma inevitável. O psicótico não pode protestar de forma eficaz e, se ele escapa, ele é geralmente facilmente capturado. O contra-controle é insignificante e o comportamento dos responsáveis portanto, tende a se tornar descuidado, insensível ou cruel. Os sentimentos mudam de acordo. Estamos especialmente preocupados aqui com um quinto campo em que também tem havido uma longa história de maus-tratos, o cuidado com os retardados. Seria difícil para uma criança normal  a desenvolver-se normalmente sob muitas formas de cuidados institucionais. Como o psicótico, o retardado não pode escapar ou protestar efetivamente. Os responsáveis ​​caem facilmente nos modos de conduta que chamamos de eticamente errado, e seus sentimentos presumivelmente mudam de acordo.

Felizmente, há aqueles que estão inclinados a fazer algo sobre os maus-tratos de crianças, idosos, prisioneiros, psicóticos e retardados. Nós dizemos que eles se importam, mas é importante esclarecer que o cuidado é, antes de tudo, uma questão de agir e secundariamente, uma questão de sentimento. De tempos em tempos, ações enérgicas foram tomadas, mas a reforma permaneceu, no entanto, episódica. Programas projetados para corrigir maus-tratos crescem e minguam, e a compaixão aumenta e diminui também. O problema está na fraqueza das contingências que induzem um terceiro a empreender uma reforma. Éticas profissionais (uma expressão significativa!) mostra o problema. Um código de ética afirma que está errado para uma pessoa profissional se comportar de certas maneiras e que aqueles que o fizerem serão censurado ou despojado de privilégios profissionais. As pessoas protegidas por tal código não não exercem o contracontrole porque não sabem que foram feridos. Uma terceira parte entra porque o bem da profissão sofre; mas o bem da profissão é um ganho remoto, e apenas profissões bem organizadas são capazes de fazê-lo funcionar conduta de seus membros. Mais remota e mais difícil de tornar efetiva é o “bem” que induz um terceiro a agir no interesse das crianças, dos idosos, prisioneiros, psicóticos e retardados.

Um passo que pode ser dado para corrigir as contingências sob as quais o tratamento tende a deteriorar-se é garantir que o cuidado dos outros seja adequadamente apoiado. Os maus-tratos são frequentemente uma questão de más condições e de pessoal mal pagos e sobrecarregados de trabalho. Mas cuidar bem da maneira mais fácil não irá corrigir o desequilíbrio que está causando problemas. Afluência por si só nunca fez as pessoas particularmente preocupado com o bem-estar dos outros.

Outra possibilidade é recrutar pessoas que já tendem a tratar bem as outras pessoas. Eles fazem isso, e presumivelmente também sentem compaixão, não porque são pessoas compassivas, mas porque eles foram expostos a contingências de contracontrole em outros lugares. Nós os recrutamos na esperança de que eles continuem a se comportar bem, mesmo sob as contingências eficazes de uma instituição de custódia. Mas infelizmente os efeitos das contingências não são permanentes. Quando não há contracontrole verdadeiro, pessoas compassivas muitas vezes se acham descuidadas ou cruéis, freqüentemente para seu desânimo. O bom comportamento emprestado de outros ambientes não durará; nós precisamos contingências sustentadas que continuam a induzir as pessoas a se comportarem bem.

Um passo óbvio é corrigir o desequilíbrio exercendo o contracontrole em nome de aqueles que não podem exercê-lo. Podemos agir em direção aos responsáveis ​​pelas crianças idosos, prisioneiros, psicóticos e retardados como se estivéssemos prejudicados ​e sujeite-os assim ao contracontrole normal. Mas precisamente o que devemos fazer? Uma versão da regra de ouro pode ser relevante: podemos insistir que aqueles que estão no comando dos outros faça-os como devemos fazer com eles. Mas a regra não é infalível; faz não especificar, por exemplo, o grau de contracontrole a ser fornecido. O que é manter o equilíbrio de balançar muito longe do outro lado? Dado o poder ilimitado, é possível que todos nós nos tornemos monstros egoístas. O principal problema com a regra, no entanto, é que nem sempre sabemos o que devemos querer se fôssemos crianças, velhos, na prisão, ou, em particular, psicótico ou retardado. “Sentimentos compartilhados” não ajudará. A regra pode servem para evitar maus tratos grosseiros, mas não prescreverão um plano de ação detalhado. Afinal, qual é a boa vida dessas pessoas?

Do livro Cumulative record p. 310-311 (Skinner)

Homeopatia

Assim como as pessoas acreditam em homeopatia por ser especialidade médica reconhecida socialmente e não se perguntam sobre o porque do mecanismo de ação e se realmente há fundamentos científicos para isso... as pessoas acreditam em psiquiatria biológica pelos mesmos motivos.

Apesar disso, o pessoal da homeopatia podem ser aliados na desmedicalização.

quinta-feira, 20 de junho de 2019

Criar dados na psicoterapia (Skinner)

Aqueles de nós que trabalham com comportamento verbal per se, e não com a expressão de significados, desconfiam de esforços para melhorar vocabulários para falar sobre o que está acontecendo dentro do indivíduo. Recorde-se que a velha introspecção psicólogo tinha um observador treinado, mas agora está claro que, ao treiná-lo, o psicólogo definitivamente moldou a maneira pela qual o observador reagiu a estímulos e foi, em certa medida, criando os próprios dados que ele estava tentando coletar. Algo do mesmo tipo pode muito bem acontecer no treinamento de análise. Isto é necessário estar em guarda para que o intercâmbio entre o paciente e o terapeuta resultará na construção de um vocabulário muito particular que levará a resultados espúrios [falsos].

Do livro Cumulative Record. Skinner.

[O que também vale para rastreamento psiquiátrico. Pode fabricar problemas.]

Doença mental (Skinner)

A doença mental parece referir-se a modos de comportamento que são problemáticos ou perigoso para o próprio indivíduo ou para os outros. O comportamento pode ser problemático ou perigoso pela sua própria natureza ou por causa das circunstâncias em que ocorre. isto não é estritamente correto descrever tal comportamento como “atípico”, desde Valores não representativos de muitas propriedades do comportamento nem sempre apresentam problemas apropriadamente descrito como o resultado da doença. O gênio é atípico, mas, presumivelmente, saudável. Provavelmente também não é de grande valor caracterizar problemas ou comportamento perigoso como "não-adaptativo", ou como violar algum princípio de "homeostase" ou “equilíbrio”. Os problemas de doença mental surgem quando um indivíduo comportamento que, devido ao seu caráter ou às circunstâncias em que aparece, causa problemas. Um problema é explicar esse comportamento e outro é alterá-lo.

O comportamento do doente mental é muitas vezes tão obviamente problemático ou perigoso que a medição precisa é sentida como desnecessária, mas é possível que tal comportamento difere do que poderia ser chamado de normal apenas pela ocupação de um posição extrema em um continuum. Condições menores, não tão facilmente detectadas, podem oferecer pistas aos fatores causais envolvidos. Mais avanços no estudo do mentalmente doente pode criar uma demanda para o tipo de descrição que só pode ser estabelecida por uma medição mais cuidadosa.

Fatores causais importantes na compreensão da doença mental são, no entanto, encontrados entre as variáveis ​​independentes para as quais o psicólogo caracteristicamente se transforma. A condição emocional excessiva, um modo perigoso de escapar da ansiedade, um preocupação incômoda com o sexo, ou um entusiasmo excessivo pelo jogo pode ser nada mais do que casos extremos dos efeitos das condições ambientais. Estes aspectos da história pessoal e do ambiente atual do indivíduo são comumente tomado para estar no reino da psicologia e ao alcance do técnicas do psicólogo. Modos de comportamento característicos da doença mental podem ser simplesmente o resultado de uma história de reforço, uma condição incomum de privação ou saciedade, ou uma circunstância emocionalmente excitante. Exceto pelo fato de que eles são problemático ou perigoso, eles podem não ser distinguíveis do resto do comportamento do indivíduo. Na medida em que este é o caso, a etiologia da doença mental e a possibilidade de análise e terapia está no campo da psicologia propriamente dita.

Embora fatores genéticos e orgânicos possam ser eficientemente avaliados apenas mantendo os fatores ambientais constantes e, embora fatores ambientais podem ser corretamente avaliados apenas contra uma genética e condição orgânica estáveis, provavelmente é uma prática útil explorar os fatores ambientais primeiro para ver se quaisquer manifestações comportamentais permanecem a ser atribuída a genética e causas orgânicas.

Algumas  condições emocionais e motivacionais que são tomadas por ser sintomas de doença mental podem ser nada mais do que valores extremos dos efeitos das variáveis encontradas na análise e controle do organismo normal. Comportamento que é tão problemático ou perigoso a ponto de ser dito caracterizar a doença mental também pode ser simplesmente aprendido - isto é, pode ser o produto de reforçar as contingências que afetam o organismo de acordo com processos de aprendizagem encontrados no comportamento do indivíduo normal.

Do livro Cumulative Record. Skinner.

Discurso psi potencialmente discriminatório

Há algo no discurso psi (seja psicológico ou psiquiátrico) que pode ter implicações discriminatórias. A partir do momento que uma pessoa é classificada de acordo com uma categoria clínica, a cultura passa a lidar com aquela pessoa de acordo com o que a categoria significa na cultura. Mesmo o discurso "científico" das áreas psi pode ter implicações de que aquela pessoa é fundamentalmente diferente (para pior). O conhecimento de outras áreas pode muitas vezes ser mais apropriado para entender desafios das pessoas, ou mesmo uma abordagem não clínica. Há um potencial maior em se relacionar com pessoas de outras áreas ou outros ambientes para desenvolver ou expor um lado mais positivo do próprio repertório do que pensar e discursar sobre "problemas".

Me refiro à psicologização e psiquiatrização.  A psicologia crítica e a psiquiatria crítica têm consciência desse tipo de coisa.

terça-feira, 18 de junho de 2019

Pressentimento da vitória final

[comentário: um poema que combina com o caminho até a pessoa descobrir a alternativa da psiquiatria crítica]
 
Sísifo
empoeirado
e fartado
da farinha
de sua pedra
teme:
a pedra
se desgasta

A ausência de sentido
o eterno
maldito
sentido do seu trabalho
em si
amaldiçoado

Menor
igual à pedra minguante
a compaixão das sombras
que lhe deu força
para ser impotente

Logo rolará
apenas um cascalho
pelo penhasco torturado
Que resta?

Nada além do martírio
de ter ao seu martírio
sobrevivido

(Poema de Erich Fried)
Do livro: Seis décadas de poesia alemã. Do pós-guerra ao início do século XXI

sexta-feira, 14 de junho de 2019

Corpo hegemônico e sucesso

Não é necessário um corpo hegemônico (intacto e perfeito) para cumprir os requisitos do mercado de trabalho. A crença na necessidade de um corpo perfeito infla a quantidade de pessoas que se julgam incapazes. O modelo biomédico reforça essa crença ao falar de transtornos incapacitantes.

Infelicidade e demanda por ação

Comentar sobre a própria infelicidade para os pais provavelmente vai ser interpretado como demanda por ação. A ação do senso comum é psiquiatrização.

quarta-feira, 12 de junho de 2019

Normopatia

https://amenteemaravilhosa.com.br/normopatia-ser-como-os-demais/

A normopatia é um termo que demonstra que não há nada mais anormal do que uma obsessão por ser normal, por ser exatamente como os demais.

Soluções como experimentos

Soluções ou respostas são sempre experimentos e o conhecimento sempre falível (segundo o filósofo da ciência Karl Popper). Não tem porque acreditar numa autoridade se essa solução não funciona na prática. Isso é autoritarismo e é uma atitude anti-conhecimento.

Um psiquiatra biológico chamado Valentim Gentil disse que a reforma psiquiátrica é um experimento social. A prescrição de drogas psicoativas em larga escala também. Todas as respostas são experimentos.

Basta fazer os testes e comparar os resultados.

terça-feira, 11 de junho de 2019

Manutenção de práticas sem base sólida

A mais importante lição que tirei dessa experiência foi, talvez, que muitas práticas médicas não têm base sólida. Continuam em uso, como acontece com outras atividades humanas, pela inércia amparada pela moda, os hábitos e a palavra da autoridade. A segurança que inspira um sistema que mereceu longos anos de fé, mesmo que seus fundamentos sejam falhos, é um forte empecilho ao progresso. A aceitação generalizada de um hábito torna-se prova de sua validade, apesar de lhe faltarem outros méritos. Nas palavras do grande fisiólogo francês do século passado, Claude Bernard, o talento do inovador consiste em "ver o que todo mundo viu e pensar o que ninguém pensou". Assim que um paradigma se firma, sua aceitação é extraordinariamente rápida e é difícil encontrar gente que continue fiel a um método abandonado. Esse pensamento foi sucintamente captado por Schopenhauer, que afirmava que cada verdade passava por três fases: na primeira, é ridicularizada; na segunda, é violentamente combatida; e na última passa a ser aceita como evidente.

Bernard Lown - A arte perdida de curar

Adesão ao tratamento

Outro aspecto é a necessidade de persuadir um paciente de tal ou qual opção terapêutica. Para reter o controle, o médico comumente recorre ao estratagema de pintar um quadro com cores escuras (ver capítulo 5). O horrível resultado prognosticado bem como o severo regime terapêutico garantem que o médico está a par da mais moderna ciência e isso lhe dá um ar de autoridade. A gravidade do diagnóstico assusta pacientes e familiares, levando-os ao mudo assentimento. Em contraste, se a situação for dada como menos ameaçadora, o médico é crivado de perguntas. Porque muitas delas são irrespondíveis, põem a nu as pretensões científicas do profissional. A atual tendência de fazer os pacientes tomar parte nas decisões não dissipou o dogmatismo médico. O dogma terapêutico, porém, já não é a cidadela inexpugnável dos dogmáticos.

Bernard Lown - A arte perdida de curar

segunda-feira, 10 de junho de 2019

Esquizofrenia: perspectiva crítica (docx)

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Objetivo da revisão

O termo "esquizofrenia" tem sido muito contestado nos últimos anos. A revisão atual explora os significados do termo, se é válido e útil e como concepções alternativas de distúrbio mental grave moldariam a prática clínica.

Descobertas recentes

A esquizofrenia é um rótulo que implica a presença de uma doença biológica, mas nenhum distúrbio corporal específico foi demonstrado, e a linguagem da "disease" e "illness"1 é inadequada para as complexidades dos problemas de saúde mental. O conceito de esquizofrenia também não delineia um grupo de pessoas com padrões semelhantes de comportamento e trajetórias de resultado. Isso não é negar que algumas pessoas apresentam fala e comportamento desordenados e sofrimento mental associado, mas termos mais genéricos, como 'psicose' ou apenas 'loucura', seriam preferíveis porque estão menos fortemente associados ao modelo de doença, e permitem a singularidade da situação de cada indivíduo a ser reconhecida. 

Resumo

O modelo de doença implícito nas atuais concepções de esquizofrenia obscurece as funções subjacentes do sistema de saúde mental: o cuidado e a contenção de pessoas que se comportam de maneira angustiante e perturbadora. É necessário um novo quadro social que torne os serviços de saúde mental transparentes, justos e abertos ao escrutínio democrático.

Palavras-chave

Modelo ddoença, modelo de doença dos transtornos, esquizofrenia, diagnóstico de esquizofrenia


Palavras-chave

Modelo de doença, modelo de doença dos transtornos, esquizofrenia, diagnóstico de esquizofrenia

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, vários comentaristas desafiaram o conceito de esquizofrenia, e argumentaram
para diferentes maneiras de enquadrar a variedade de problemas que o termo designa atualmente. Uma perspectiva de psiquiatria crítica tenta esclarecer essas visões e explorar suas implicações para a prática, clínica e gestão destes problemas.

ESQUIZOFRENIA COMO DOENÇA

Szasz [1] referiu-se à esquizofrenia como o ‘sagrado símbolo da psiquiatria moderna’. Como todos os outros diagnósticos psiquiátricos que carecem de uma base histopatológica confirmada, a esquizofrenia, para Szasz, é um termo inventado aplicado a uma variedade de comportamentos que a sociedade considerou anormal e indesejável.
Szasz é bem conhecido por suas críticas à ideia que aquilo a que nos referimos como "doença mental [mental illness]" [percepção subjetiva de mal-estar] é uma "doença" (disease) [biológica] como qualquer outra ', e por seus pontos de vista que o medicalização dos 'problemas de vida' age como um mecanismo para o controle social de comportamento [2]. Muitas pessoas podem concordar que a psiquiatria tem mostrado uma tendência, exagerada nos últimos anos, pela inadequada medicalização de comportamentos e emoções normais, como tristeza, tristeza, timidez e problemas de comportamento na infância, mas o discurso comum e o consenso acadêmico continuam a se referir à esquizofrenia como uma "doença" genuína no sentido de que Szasz usa o termo "doença" (um condição que surge de uma anormalidade confirmada da função corporal) [2]. De fato, Kraeplin formulou o conceito de demência praecox (demência precoce) com o objetivo de delinear algo cujas origens biológicas poderia então ser descoberta [1]. Da mesma forma, as versões modernas do Manual Diagnóstico e Estatístico, a partir da terceira edição de 1980, objetivaram produzir um diagnóstico confiável que ajudaria a identificar a pesquisa a patologia subjacente. Nesse sentido, portanto, a ideia de que a esquizofrenia é uma doença é inerente ao conceito.

PONTOS CHAVE

# O modelo de doença da esquizofrenia não é apoiado por evidência e obscurece a verdadeira função do cuidado em psiquiatria
# O rótulo 'esquizofrenia' não está associado a um padrão consistente de comportamento desviante ou resultados.
# Historicamente, o cuidado e a contenção de pessoas com problemas mentais e comportamentais foram abordados sem recorrer ao quadro da doença.
# Precisamos abandonar o modelo da doença para desenvolver serviços de saúde mental mais transparentes e democráticos.

Como outros críticos apontaram, no entanto, 100 anos de pesquisa não conseguiram produzir evidências de qualquer defeito na estrutura ou função do cérebro, ou qualquer outra parte do corpo, que seja específica para esquizofrenia [3]. A evidência mais consistente apresentado como discriminando pessoas diagnosticadas com esquizofrenia vem de estudos mostrando redução tamanho do cérebro e cavidades cerebrais maiores em comparação com ' controles normais'. Essas diferenças começaram a ser identificado em exames cerebrais quando a tomografia computadorizada foi desenvolvida na década de 1980 e replicado usando a tecnologia MRI na década de 1990. Entretanto, como em outras áreas da pesquisa bioquímica e fisiológica, diferenças importantes entre pessoas com esquizofrenia e controles foram não adequadamente contabilizado. Em particular, a maioria estudos não levaram em consideração o fato de que pessoas com esquizofrenia têm um quociente de inteligência menor, que é conhecido por estar associado a tamanho menor do cérebro [4]. Além disso, os efeitos do tratamento com antipsicóticos e outras drogas foram ignoradas, até recentemente, quando foi confirmado em animais e estudos em humanos que a exposição a drogas antipsicóticas pode reduzir o tamanho do cérebro [5,6].
Apesar das repetidas afirmações de que a esquizofrenia é uma doença neurológica, não há evidências de particular característica biológica que distingue pessoas diagnosticadas com esquizofrenia. Esquizofrenia assim continua a ser uma condição que é definida por conversa e comportamento incomuns. Embora Szasz fosse amplamente criticado durante sua vida porque sua posição foi entendida como uma negação das realidades do sofrimento, angústia e agravamento que podem acompanhar a ocorrência de fenômenos que geralmente identificar como 'esquizofrenia', ele, de fato, reconhecer que 'essas diferenças de comportamento e discurso pode, além disso, ser gravemente perturbador para as chamadas pessoa esquizofrênica, ou para aqueles ao seu redor, ou para todos os interessados »([1], p. 191).
O fato de algumas pessoas desenvolverem interpretações injustificadas de suas próprias experiências e mostram e comportamentos preocupantes e bizarros associados é inegável. A posição ocupada por muitos que se identificariam com psiquiatria 'não é uma negação da' realidade 'de preocupantes estados mentais, mas a adequação de identificá-los, quando ocorrem, com terminologia médica. Os termos 'illness' e 'disease'1 tem significados e implicações bem desenvolvidas, que pode não ser útil aplicar-se a estados de espírito problemáticos [7] Quando usado em seu habitat nativo, isso é medicina física, 'illness', por exemplo, refere-se a um estado de incapacidade e desconforto geralmente atribuídos a causas do mundo natural além do controle da vítima; 'disease' refere-se a uma explicação do doença empregando conhecimentos derivados de ciências, que permite que a doença seja entendida como resultado de anatomia ou fisiologia perturbada [8,9].
A suposição de que os transtornos mentais representam entidades de doenças atrai os arranjos específicos do papel de doente tanto para quem sofre como para quem ajuda. A pessoa que sofre é justificada como responsável suas ações, mas obrigados a renunciar a agência [senso de agência ou responsabilidade] e submeter-se ao paternalismo [10]. Embora isso possa ser um resposta útil a uma doença corporal, especialmente se agudas e com risco de vida, as obrigações e consequências do papel de doente são menos adequadas para as dificuldades de saúde mental [11].

ESQUIZOFRENIA COMO DESVIO COMPORTAMENTAL

Alternativamente, o termo “esquizofrenia” poderia derivar sua legitimidade, não por referência à seu presumido status de doença, mas encapsulando um padrão reconhecível padrão de comportamento desviante. Vários estudiosos têm, no entanto, salientado que não há padrão de anormalidades entre pessoas rotuladas como tendo esquizofrenia que os distingue pessoas com outros problemas de saúde mental ou pessoas sem. Notavelmente Bentall [3] descreve a esquizofrenia como uma condição com "nenhum sintoma em particular, nenhum curso particular, nenhum resultado particular e que não responde a nenhum tratamento em particular "([3], p. 33).
O conceito original de 'dementia praecox' (demência precoce) de Kraeplin consistia, por definição, em uma condição que um curso progressivamente deteriorante. Uma situação que resolvida, ou resolvida e recidivada, era uma condição diferente, mesmo que fosse caracterizada pelos mesmos recursos [12]. Em contraste, o conceito de Bleuler de ' esquizofrenia' foi definida não pela sua trajetória, mas por sua fenomenologia, e foi associado, como Bleuler apontou, com resultados amplamente diferentes. [13] A fenomenologia Bleuler considerou como característica da esquizofrenia ser vaga e subjetiva e, com foco no que faríamos agora chamamos de 'sintomas negativos', excluiria a maioria das pessoas que atualmente desenvolvem sintomas psicóticos. Tentativas subseqüentes de refinar a fenomenologia da esquizofrenia para delinear um conjunto distinto de pessoas ou resultou em critérios tão estreitos que eles excluem todas, mas uma pequena minoria daqueles com perturbação mental grave (sintomas de primeiro grau de Schneider), ou tão amplos que incluam todos as as situações que enfrentam os serviços de saúde mental e que não pode ser categoricamente definido como algo diferente. Apesar de décadas de esforço para produzir critérios replicáveis para a sua aplicação, o diagnóstico da esquizofrenia é tão um saco de trapos hoje como nos anos 70, quando variações nas taxas de diagnóstico em todo o mundo causaram preocupação.
Critérios diagnósticos para esquizofrenia explicitamente descartam o padrão de sintomas identificados separadamente como transtorno bipolar clássico ou depressão maníaca, com períodos de excitação severamente aumentada (mania) ou depressão grave seguida de remissão e situações em que a psicose é um resposta direta e previsível à ingestão de substâncias psicoativas, como cannabis ou anfetaminas. O diagnóstico de "transtorno esquizoafetivo", no entanto, incorpora pessoas com sintomas associados a tanto depressão maníaca e esquizofrenia. Isso foi necessário inventar este diagnóstico por causa da não especificidade destes sintomas. Os diagnósticos de esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo combinado, portanto, designar mais ou menos todos que mostra um distúrbio psicótico, além de um pequena minoria que pode ser rotulada categoricamente como com transtorno bipolar ou episódio discreto de indução por drogas.
Apesar da heterogeneidade dos problemas abraçados pelo diagnóstico de esquizofrenia, continua a transmitir uma mensagem de que a condição é vitalícia, e implica uma necessidade contínua de tratamento e supervisão. Um "episódio psicótico" pode ou não ocorrer, mas uma vez decidido que alguém tem ' esquizofrenia', a expectativa é de certa forma de comprometimento contínuo ou recorrente. Este tem sido um fonte de reclamação para o movimento dos usuários dos serviços, entre outros, que sentem que o diagnóstico, por consigna as pessoas a uma vida inteira de déficit e dependência [14].
Não é claro, portanto, que o termo "esquizofrenia" acrescente alguma coisa ao uso de termos que descrevem comportamento não inteligível como "psicose" e termos anteriores, incluindo loucura e insanidade. Tais conceitos podem incorporar variedade de sintomas, e não exclui uma diversidade dos resultados. Na lei medieval, por exemplo, o conceito de "insanidade" distinguia situações que foram pensados para envolver a possibilidade de recuperação, da "imbecilidade", que foi reconhecida como um condição para a vida toda [15].

IMPLICAÇÕES E ALTERNATIVAS

Aceitando as críticas ao conceito de “esquizofrenia”, mas reconhecendo que algumas pessoas às vezes agem de maneira bizarra, irracional e por vezes perigosas e perturbadoras, os defensores da psiquiatria crítica estão tentando explorar o significado de chamar essas situações de uma doença, e considerar maneiras menos prejudiciais em que uma sociedade civilizada pode responder a eles.
Por um lado, a orientação médica tem acarretado alguns avanços humanitários no cuidado do louco. Assim, é geralmente entendido como humano e caridade para desculpar suas ações uma pessoa profundamente confusa ou angustiada, da mesma forma que uma condição médica séria desculpa as pessoas afetadas de suas responsabilidades normais. No entanto, como Szasz freqüentemente protestou, o modelo médico que sustenta o moderno mental sistema de saúde também disfarça o verdadeiro grau em que continua a funcionar como uma instituição de controle, fornecendo “métodos socialmente aceitáveis para lidar com certas questões econômicas, políticas e problemas pessoais que teriam de ser tratado em maneiras inexperientes e desconhecidas ”([1], p. 141).
A autoridade da medicina, que deriva de acesso privilegiado ao conhecimento científico, produz desequilíbrio de poder inevitável entre médico e paciente. Na psiquiatria, no entanto, falta a justificativa usual para esse desequilíbrio, já que conhecimento científico não amplia a compreensão das dificuldades que uma pessoa apresenta, mas apenas fornece uma descrição alternativa daqueles dificuldades expressas em linguagem aparentemente técnica.
Desta forma, o enquadramento médico da perturbação mental e seu manejo funciona como uma cortina de fumaça atrás da qual o controle e manipulação de algumas pessoas por outros pode acontecer sem escrutínio. Intervenções destinadas a controlar comportamento, incluindo os numerosos sedativos e drogas tranqüilizantes que são prescritos nos serviços de saúde mental, pode ser renomeado como endossado por especialistas médicos, que podem ser aplicados em destinatários involuntários com impunidade. Mesmo aqueles pessoas que não são abertamente coagidas a aceitar 'tratamento' muitas vezes percebem-se a não ter escolha por causa da possibilidade sempre presente de medidas obrigatórias aplicadas [16]. Além disso, a abordagem pseudo-médica pode fomentar frustradas expectativas de sucesso terapêutico, dependência e outras características da agência pessoal [senso de agência ou responsabilidade] prejudicada, estigmatização e reclamações questionáveis por responsabilidade mitigada.
Arranjos sociais para o cuidado e contenção da desordem mental são muito anteriores ao paradigma médico. Platão propôs que 'se algum fosse um louco, ele não aparecerá abertamente na cidade; a parentes dessas pessoas devem mantê-los dentro de casa, empregando os métodos que saibam...' ([17], p. 443, citado em [18]). Na Inglaterra do século 17, funcionários locais foram autorizados a garantir que um indivíduo mentalmente perturbado e que se sentisse perigoso fosse trancado até que ele ou ela se recuperasse. Eles poderiam exigir que a família fizesse isso, eles poderiam fazer arranjos para outra pessoa local fazer isso, ou eles poderiam ordenar que a pessoa fosse encarcerada na prisão local ou a Casa da Correção [18].
Os mesmos funcionários que supervisionavam a segurança e segurança da comunidade também administraram impostos (recolhidos nos termos da Lei dos Pobres) e distribuíram comida, roupas e dinheiro para aqueles que precisam urgentemente de assistência, incluindo as pessoas afetadas por desordem e suas famílias. Mais uma vez, os vizinhos foram ocasionalmente alistados para prestar cuidados onde a família era incapaz de fazê-lo [19]. Famílias mais ricas fizeram seus próprios arranjos privados para o cuidado de seus parentes, recorrendo cada vez mais a asilos privados do século XVIII.
Claramente muitos desses arranjos eram duros e não estamos recomendando que os formuladores de políticas abraçar um retorno às condições pré-século XIX. Eles indicam, no entanto, que existem outras formas de fornecer apoio em momentos difíceis do que aplicando o papel de doente.
Além de assistência financeira, cuidados pessoais e instituições bloqueadas, hoje temos drogas que podem suprimir e reduzir as manifestações mais dramáticas de distúrbios mentais para a maioria das pessoas, embora com algum custo em termos de conforto pessoal, saúde física, qualidade de vida e possivelmente funcionamento [20]. Nenhuma dessas medidas requer esse distúrbio mental ser considerado como um doença. De fato, muitas instituições de caridade contemporâneas que trabalham neste campo tentam fornecer apoio de formas que evitam o paternalismo opressivo dos serviços médicos compulsoriamente [statutory] orientados.

CONCLUSÃO

O atual conceito de esquizofrenia não é nem válido nem útil, pois não mapeia para um condição corporal identificada (doença) e não não descreve um padrão previsível de comportamento. Sugerimos um retorno a um termo mais genérico, como como "loucura" ou "psicose", que não tem o implicação de que a condição que rotula é uma doença, e que permite a natureza única de cada dificuldades do indivíduo para ser reconhecido. Apesar certos padrões podem ser reconhecidos dentro deste grupo, como um quadro psicótico paranóide em idosos, mulheres isoladas (aquela que costumava ser referida como paraphrenia), e uma pequena minoria de casos onde as pessoas mostram sintomas negativos proeminentes e comprometimento cognitivo em linha com a imagem de Kraeplin de demência precoce, estas seriam reconhecidas meramente como padrões, sem poder de previsão preditiva definitiva, e sem implicações etiológicas.
Divorciando o conceito de loucura da ideia que é uma doença exigiria legislação que seja transparente sobre seus motivos. O controle social de comportamento indesejado teria que ser abertamente e democraticamente debatido, ao invés de escondido embora atrás da linguagem da medicina e 'tratamento'. Seria necessário um maior escrutínio do uso de drogas e outras intervenções, pois estas não seriam automaticamente justificadas como tratamento para doenças. Até que ponto os medicamentos são usados para modificar comportamento indesejado no interesse de outras pessoas que não o paciente teria que ser reconhecido, e cuidadosamente circunscrito/[limitado].
As sociedades modernas tornaram-se dependentes usando uma estrutura médica para gerenciar os problemas decorrentes do comportamento irracional e perturbador, mas outros arranjos são possíveis. Abandonando o conceito de esquizofrenia e a teoria da doença incorporada dentro dele, permitiria à sociedade desenvolver uma abordagem mais honesta, mais justa e mais transparente.

Agradecimentos
Nenhum.

Suporte financeiro e patrocínio
Nenhum.

Conflitos de interesse
Os autores não têm conflitos financeiros de interesse. Ambos
autores são membros da Rede de Psiquiatria Crítica.

REFERÊNCIAS E LEITURA RECOMENDADA

Os trabalhos de interesse particular, publicados no período anual de revisão,
destacado como:
& de interesse especial
&& de interesse extraordinário
1. Szasz T. Schizophrenia: o símbolo sagrado da psiquiatria. Nova Iorque: Siracusa
Jornal universitário; 1988.
2. Szasz T. Insanity: a idéia e suas conseqüências. Nova Iorque: Siracusa
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1[Nota do tradutor] “Dois termos ganharam destaque nas discussões sociais sobre doença: Disease e Illness. Significa dizer: A primeira refere-se usualmente à doença como um processo patológico concebido por um determinado modelo institucionalizado ou profissional da medicina. Enquanto illness, doença diz respeito à percepção subjetiva dos indivíduos e, nesse sentido, envolve questões morais, sociais, psicológicas e físicas (ALVES, 2006).” http://revistas.cesmac.edu.br/index.php/psicologia/article/view/43/22