Quem argumenta fora de ambientes acadêmicos e fora de contextos de cooperação é facilmente chamado de nervoso e desequilibrado por pessoas de má vontade. Pois a pessoa de má vontade com argumentos não admite ser questionada.
Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação.
Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes.
Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica.
Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco.
Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica.
Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro
Aviso!
Aviso!
A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las.
Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias.
Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente.
Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente.
A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível.
https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
sexta-feira, 22 de maio de 2020
A associação brasileira de psiquiatria (ABP) no youtube
Dificilmente eu tenho paciência para ouvir o conteúdo do canal do YouTube deles. Isso porque é muito pobre de argumentos. As pessoas parecem ser frustradas e falam argumentos pouco articulados. Ficam felizinhas quando se fala em abrir leitos em hospital psiquiátrico. Falam com má vontade da reforma psiquiátrica. Falam de desmedicalizar como um absurdo autoevidente. O coordenador de saúde mental do ministério da saúde acha pretextos para desfinanciar os CAPS. Falam de avaliar hospitais de acordo com direitos humanos como um absurdo. Falam de ideologia sem desenvolver o assunto. Quase nenhum assunto é desenvolvido. Pelo menos na palestra sobre financiamento da saúde mental. Que pessoal estranho. O programa tem cara de programa comercial vagabundo de televisão local. Dizem que estão do lado da ciência e defendem ciência de má qualidade.
A estratégia de convencimento é: confie em nós que só nós podemos saber esse conhecimento e também não discutir fundamentos. Apenas partir para implicações.
quarta-feira, 20 de maio de 2020
"Encontradas alterações cerebrais" (não sistemáticas)
Nos manuais de psiquiatria e neurociências se afirma ao mesmo tempo que não se sabe os determinantes fisiopatológicos e etiológicos e também que não há um exame objetivo, e nem que a lista de sintomas permita definições de estados de doença que permitam uma verificação científica.
Mas ao mesmo tempo apresenta "alterações cerebrais encontradas" dentro de uma classificação diagnóstica sem mencionar que estas não podem ser consideradas sistemáticas e universais dentro de uma classe diagnóstica pois não foram encontradas em todos os casos e nem apenas dentro de uma classe específica.
Livro: Princípios de neurociência (Manual de psiquiatria e neurociências)
Autor: 1) Kandel
A opção medicalizante na análise do comportamento
Há um analista do comportamento que faz parceria com a Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) que medica todos os clientes e afirma que há grandes nomes na análise do comportamento no Brasil que são "atrasados" porque afirmam que psicofarmacologia é dispensável. O rogresso" seria rejeitar a tradição de Ullman e Krasner e adotar a "novidade como progresso", a "quarta onda", a última novidade.
Eu já vi analistas do comportamentos induzirem ou inculcarem o modelo médico no cliente através de indicação de psiquiatra organicista e que depois não identifica em toda extensão porque o cliente está falando em incapacidade e aposentadoria. Se há dificuldades de ajuste às exigências ambientais isso por si só não levaria à crença na incapacidade e necessidade de aposentadoria. É só somente com a inculcação do modelo médico no cliente (intraverbal) que o paciente chegaria a essa conclusão.
A percepção dos prejuízos da medicalização, dos conceitos do modelo médico ou dos efeitos negativos dos psicofármacos, é amenizada pela terapia comportamental. Por um lado prejudica com a medicalização e do outro lado ameniza.
Série de análise conceitual de manual de psiquiatria e neurociências
A psiquiatria não sabe as causas do transtornos
Na medicina, o entendimento de uma doença e, portanto, de seu diagnóstico baseiam-se fundamentalmente na identificação de (1) fatores etiológicos, como microorganismos, toxinas ou riscos genéticos, e (2) patogênese, ou seja, os mecanismos pelos quais os agentes etiológicos produzem a doença. Infelizmente, a etiologia e patogênese de muitos transtornos mentais não foram determinadas. Por isso, os diagnóstico psiquiátricos ainda têm como base a descrição dos sintomas do paciente, as observações do examinador, uma história natural detalhada (o curso da doença no decorrer do tempo) e a resposta ao tratamento.
É claro, a apresentação de único sinal ou sintoma não é em si evidência de doença, podendo ocorrer em pessoas saudáveis.
Livro: Princípios de neurociência (Manual de psiquiatria e neurociência)
Autor: 1) Kandel
Comentário:
1) A psiquiatria organicista ainda não sabe as causas dos transtornos mentais. Mas quase todas as pessoas acreditam que sim.
2) O diagnóstico é feito com base em comportamentos e por isso não necessariamente indica uma causa orgânica subjacente mas uma correlação. A não ser que haja o desejo e interesse nesse raciocínio.
3) "O diagnóstico se baseia em observações do examinador". Portanto, o diagnóstico se baseia em interpretação subjetiva do examinador. Pelo menos a filosofia da ciência acredita ser ingênuo defender que observações são feitas sem modelo conceitual prévio. Apenas pela naturalização cultural de um construto baseado no modelo médico como socialmente evidente em si mesmo é que se pode falar em observação de fatos sem modelo conceitual prévio.
4) O diagnóstico se baseia na resposta ao tratamento. No final do capítulo os autores admitem que a resposta ao tratamento ainda deixa bastante a desejar.
"Encontradas alterações cerebrais" (não sistemáticas)
Nos manuais de psiquiatria e neurociências se afirma ao mesmo tempo que não se sabe os determinantes fisiopatológicos e etiológicos e também que não há um exame objetivo, e nem que a lista de sintomas permita definições de estados de doença que permitam uma verificação científica.
Mas ao mesmo tempo apresenta "alterações cerebrais encontradas" dentro de uma classificação diagnóstica sem mencionar que estas não podem ser consideradas sistemáticas e universais dentro de uma classe diagnóstica pois não foram encontradas em todos os casos e nem apenas dentro de uma classe específica.
Livro: Princípios de neurociência (Manual de psiquiatria e neurociências)
Autor: 1) Kandel
Outras formas de excitação fisiológica na psicose (crítica)
Comentário:
1) Parece que há margem dizer que eles chamam a excitação psicofisiológica excessiva de psicose.
2) Não há necessariamente uma relação direta com a dopamina pois o efeito da redução ou aumento de outros neurotransmissores também pode excitar excessivamente a psicofisiologia.
3) O tratamento psiquiátrico poderia ser feito com outras formas de redução da excitação da psicofisiologia e não necessariamente usando a a alegada redução da dopamina como um antídoto à psicose. Inclusive maneiras não farmacológicas como alterar o ambiente e o comportamento, ou o biofeedback.
Livro: Princípios de neurociência (Manual de neurociência e psiquiatira)
Autor: 1) Kandel
Neurolépticos ainda deixam seriamente sintomáticos [Fracasso]
"Apesar desse progresso, os fármacos existentes para tratar a esquizofrenia, tão úteis quanto possam ser, ainda deixam os pacientes seriamente sintomáticos aguardando novas descobertas da neurociência."
[Comentário: Admitindo o fracasso do tratamento psiquiátrico e esperando por um futuro que nunca chega mas fomenta pesquisas infinitas]
Livro: Princípios de neurociências (Manual de psiquiatria e neurociências)
Autores: 1) Kandel
Reações de parkinson ao iniciar neurolépticos
No início do "tratamento" com neurolépticos se produz sintomas de parkinson (deficiência de dopamina). Não dá nem para imaginar porque... talvez seja porque se está produzindo uma deficiência real e artificial de dopamina e não uma regulação do desequilíbrio químico para um nível "ótimo".
"b) Reações parkinsonóides
Após a primeira semana de uso de antipsicótico. Há um tremor de extremidades,
discreta hipertonia com rigidez muscular, hipercinesia e facies inexpressiva. Pode
haver desaparecimento dos sintomas após 3 meses de utilização do neuroléptico,
como por tolerância ao uso."
Síndromes tóxicas por neurolépticos
Loucura como "o não esperado"
Se o conceito de loucura for entendido comportamentalmente como comportamentos inapropriados pode-se dizer que significa não fazer o esperado segundo um grupo de pessoas (família, médicos, grupos sociais, etc.). Principalmente se esse grupo de pessoas for fechado, intolerante, medicalizante, exigente e controlador.
Inapropriado significando o não esperado. Mas esse não esperado supõe um grupo com características particulares que espera algo. O esperado pode ser se ajustar a injustiças e limitações de um grupo particular.
Inapropriado significando o não esperado. Mas esse não esperado supõe um grupo com características particulares que espera algo. O esperado pode ser se ajustar a injustiças e limitações de um grupo particular.
DSM ateorético?! (2)
Em filosofia da ciência se afirma que é ingênuo dizer que se pode fazer observações independentemente de modelos conceituais prévios. O Manual Diagnóstico e Estatístico de transtornos mentais sugere uma observação, descrição e interpretação baseada no modelo médico em sua formulação. Dessa maneira, se inculca em toda a sociedade a mentalidade e o olhar do modelo médico em saúde mental.
Se fosse um modelo psicológico, antipsiquiátrico ou comportamental levaria a outras observações, descrições e interpretações. Já existem outras propostas mais recentes de modelo diagnóstico.
Outras formas de excitação fisiológica na psicose (crítica)
Comentário:
1) Parece que há margem dizer que eles chamam a excitação psicofisiológica excessiva de psicose.
2) Não há necessariamente uma relação direta com a dopamina pois o efeito da redução ou aumento de outros neurotransmissores também pode excitar excessivamente a psicofisiologia.
3) O tratamento psiquiátrico poderia ser feito com outras formas de redução da excitação da psicofisiologia e não necessariamente usando a a alegada redução da dopamina como um antídoto à psicose. Inclusive maneiras não farmacológicas como alterar o ambiente e o comportamento, ou o biofeedback.
Autor: 1) Kandel
"Novos antipsicóticos são decepcionantes"
Obs: Em outra parte do texto ele equipara eficácia com potência do efeito da droga em quantidades menores, fazendo efeito potente com doses menores.
Livros: Princípios de neurociências (Manual de psiquiatria e neurociências)
Autores: 1) Kandel
terça-feira, 19 de maio de 2020
Proporção genes e ambiente (crítica)
Stephen Jay Gould afirma:
A pesquisa tem mostrado que os humanos são ineptos para tratar de problemas que envolvem probabilidades e as interações de variáveis complexas - como a natureza e a criação. "As pessoas não compreendem que, se os genes e a cultura interagem - e eles certamente interagem -, não se pode dizer que a proporção seja 20% de genes e 80% de meio ambiente. Não se pode afirmar uma coisa dessas. Não tem sentido. A propriedade emergente é a propriedade emergente, é só o que se pode dizer a respeito."
No livro O fim da ciência
Autor: John Horgan
Comentário anônimo:
Na química, um interacionista a moda do interacionismo genes - culturas, diria a mistura entre ouro, hidrocloreto e ácido cítrico, desembocaria numa mistura de modo a poder medir quantidade de ouro, de hidrocloreto e ácido... Não poderiam estar mais do que errado. Pois o resultado dessa mistura não é uma substância comensurável atomistamente a partir das prioridades das substancias somados e combinados, mas uma nova substancia não previsível: o cloreto.
Do mesmo jeito que essa coisa que é fruto de muitas fontes tais como genes, carbono, água, bactérias... cultura...e que eu posso chamar de Pedro Lallo ou num conceito mais bruto e menos concreto : self. Não dá para dizer que Pedro Lallo tem 35,5 % de genes, 42% de bactérias, 12% de cultura.
Os genes não funcionam assim. Não li muito Gould, mas provavelmente sua concepção de genes é a mesma do lewontin em especial quando ele explica que não há genes homossexual e nunca terá pq genes não funciona desse modo que podemos chamar de problema simples da complexidade segundo Weaver capaz de ser explicado pela mecânica clássica.
Não faz sentido pressupor que são coisas separadas que agem de modo somatório, analítico, ou pressupor um monismo mas poder separar metodologicamente de modo a compreender o seu resultado que seria somatório. Para a teoria dos sistemas complexos isso não faz o menor sentido, é como querer entender o "vivo" do organismo vivo separando o organismo vivo e depois somar achando que compreendeu algumas coisa. Mas o organismo esta morto. Por isso o 'Not in our genes'.
Comentário anônimo:
Na química, um interacionista a moda do interacionismo genes - culturas, diria a mistura entre ouro, hidrocloreto e ácido cítrico, desembocaria numa mistura de modo a poder medir quantidade de ouro, de hidrocloreto e ácido... Não poderiam estar mais do que errado. Pois o resultado dessa mistura não é uma substância comensurável atomistamente a partir das prioridades das substancias somados e combinados, mas uma nova substancia não previsível: o cloreto.
Do mesmo jeito que essa coisa que é fruto de muitas fontes tais como genes, carbono, água, bactérias... cultura...e que eu posso chamar de Pedro Lallo ou num conceito mais bruto e menos concreto : self. Não dá para dizer que Pedro Lallo tem 35,5 % de genes, 42% de bactérias, 12% de cultura.
Os genes não funcionam assim. Não li muito Gould, mas provavelmente sua concepção de genes é a mesma do lewontin em especial quando ele explica que não há genes homossexual e nunca terá pq genes não funciona desse modo que podemos chamar de problema simples da complexidade segundo Weaver capaz de ser explicado pela mecânica clássica.
Não faz sentido pressupor que são coisas separadas que agem de modo somatório, analítico, ou pressupor um monismo mas poder separar metodologicamente de modo a compreender o seu resultado que seria somatório. Para a teoria dos sistemas complexos isso não faz o menor sentido, é como querer entender o "vivo" do organismo vivo separando o organismo vivo e depois somar achando que compreendeu algumas coisa. Mas o organismo esta morto. Por isso o 'Not in our genes'.
A psiquiatria não sabe as causas do transtornos
Na medicina, o entendimento de uma doença e, portanto, de seu diagnóstico baseiam-se fundamentalmente na identificação de (1) fatores etiológicos, como microorganismos, toxinas ou riscos genéticos, e (2) patogênese, ou seja, os mecanismos pelos quais os agentes etiológicos produzem a doença. Infelizmente, a etiologia e patogênese de muitos transtornos mentais não foram determinadas. Por isso, os diagnóstico psiquiátricos ainda têm como base a descrição dos sintomas do paciente, as observações do examinador, uma história natural detalhada (o curso da doença no decorrer do tempo) e a resposta ao tratamento.
É claro, a apresentação de único sinal ou sintoma não é em si evidência de doença, podendo ocorrer em pessoas saudáveis.
Livro: Princípios de neurociência (Manual de psiquiatria e neurociência)
Autor: 1) Kandel
Comentário:
1) A psiquiatria organicista ainda não sabe as causas dos transtornos mentais. Mas quase todas as pessoas acreditam que sim.
2) O diagnóstico é feito com base em comportamentos e por isso não necessariamente indica uma causa orgânica subjacente mas uma correlação. A não ser que haja o desejo e interesse nesse raciocínio.
3) "O diagnóstico se baseia em observações do examinador". Portanto, o diagnóstico se baseia em interpretação subjetiva do examinador. Pelo menos a filosofia da ciência acredita ser ingênuo defender que observações são feitas sem modelo conceitual prévio. Apenas pela naturalização cultural de um construto baseado no modelo médico como socialmente evidente em si mesmo é que se pode falar em observação de fatos sem modelo conceitual prévio.
4) O diagnóstico se baseia na resposta ao tratamento. No final do capítulo os autores admitem que a resposta ao tratamento ainda deixa bastante a desejar.
Neurolépticos ainda deixam seriamente sintomáticos [Fracasso]
"Apesar desse progresso, os fármacos existentes para tratar a esquizofrenia, tão úteis quanto possam ser, ainda deixam os pacientes seriamente sintomáticos aguardando novas descobertas da neurociência."
[Comentário: Admitindo o fracasso do tratamento psiquiátrico e esperando por um futuro que nunca chega mas fomenta pesquisas infinitas]
Livros: Princípios de neurociências (Manual de psiquiatria e neurociências)
Autores: 1) Kandel
Reações de parkinson ao iniciar neurolépticos
No início do "tratamento" com neurolépticos se produz sintomas de parkinson (deficiência de dopamina). Não dá nem para imaginar porque... talvez seja porque se está produzindo uma deficiência real e artificial de dopamina e não uma regulação do desequilíbrio químico para um nível "ótimo".
"b) Reações parkinsonóides
Após a primeira semana de uso de antipsicótico. Há um tremor de extremidades,
discreta hipertonia com rigidez muscular, hipercinesia e facies inexpressiva. Pode
haver desaparecimento dos sintomas após 3 meses de utilização do neuroléptico,
como por tolerância ao uso."
Síndromes tóxicas por neurolépticos
Manuais de farmacologia a-históricos e a-contextuais (antropologia)
A farmacologia, ciência que estuda a ação de substâncias endógenas e exógenas no organismo, teve sua segunda grande expansão nessa época. Como ciência, está sujeita a valores próprios do conhecimento científico, assim como aos valores pessoais e sociais dos pesquisadores e do momento histórico. Desde os primórdios, uma das influências que recebeu foi da indústria farmacêutica, pois parte do seu desenvolvimento ocorreu dentro dela. Além de oferecer um produto para o tratamento de problemas de saúde, a indústria farmacêutica visa ao lucro, e esse aspecto não pode ser dissociado do desenvolvimento dos medicamentos.
Essa indústria se expandiu, ganhou espaço na prática biomédica e trouxe riscos para ela, como afirmam Goodman e Gilman na segunda edição do livro-texto (1955). Eles referem, também, que a farmacologia é área do conhecimento que interage com outras, influenciando e recebendo contribuições de diversas ciências básicas e da prática clínica. Embora hipóteses teóricas e pesquisas com drogas influenciem o desenvolvimento de novos fármacos, quem determina quais situações são de sofrimento e merecem ser tratadas ou não com medicamentos ainda é a prática clínica. Conforme nos lembra Canguilhem (2006, p.170-171), “a distinção entre a fisiologia e a patologia só tem, e só pode ter, um valor clínico”, ou seja, são os critérios clínicos que impulsionam o desenvolvimento da farmacologia.
Os aspectos históricos foram tema valorizado por Goodman e Gilman quando escreveram as primeiras edições. No decorrer dos anos, essa abordagem foi perdendo espaço até desaparecer quase completamente em sua última edição. Este estudo reafirma a importância desses aspectos na divulgação científica da farmacologia, que, no caso do livro-texto analisado, é parte da formação dos profissionais médicos e da área da saúde. A ‘não presença’ nas últimas edições dos aspectos históricos referentes à descoberta dos medicamentos, assim como a exclusão de aspectos sociais e econômicos que envolvem o desenvolvimento da farmacologia e dos medicamentos, pode estar refletindo a interferência de fatores externos à própria farmacologia, como, por exemplo, a crescente influência da indústria farmacêutica, ainda que essa relação não apareça explicitamente na análise do livro-texto.
A abordagem do contexto histórico e social, assim como a valorização da relação da farmacologia com as ciências básicas e clínicas, relativizando o papel dessa ciência frente a outras áreas do conhecimento, como acontecia nas publicações iniciais do livro de Goodman e Gilman, certamente pode contribuir para uma terapêutica médica mais humanizada e mais completa. Este estudo chama a atenção para o desaparecimento desses aspectos nas últimas edições do livro-texto, tornando a apresentação da farmacologia isolada de um contexto social mais amplo, algo que na vida prática dificilmente ocorre.
Farmacologia no século XX: a ciência dos medicamentos a partir da análise do livro de Goodman e Gilman
BITTENCOURT, Silvia Cardoso; CAPONI,
Sandra; MALUF, Sônia. Farmacologia no
século XX: a ciência dos medicamentos
a partir da análise do livro de Goodman
e Gilman. História, Ciências, Saúde –
Manguinhos, Rio de Janeiro, v.20, n.2,
abr.-jun. 2013, p.499-519.
Resumo
Analisa a apresentação da farmacologia
como ciência a partir do livro-texto
de Louis Goodman e Alfred Gilman
reeditado e reimpresso inúmeras vezes
entre 1941 e 2006. Nas primeiras edições,
a farmacologia é caracterizada como
a ciência das drogas, relacionando-se
com outras áreas do conhecimento; a
história do desenvolvimento das drogas,
a inserção dessa ciência no contexto
social e suas relações com a indústria
são destacadas. Nas outras edições,
esses aspectos são menos pontuados,
quase desaparecendo na 11 a (2006).
A abordagem dos aspectos históricos
pode contribuir para a compreensão do
desenvolvimento da farmacologia, assim
como a abordagem das relações com a
indústria e a sociedade é importante para
refletir sobre os critérios de utilização dos
medicamentos.
Palavras-chave: história dos
medicamentos; história da farmacologia;
ensino de farmacologia; análise de
discurso; indústria de medicamentos.
Os "bons" psi folclóricos
O etnocentrismo é tão grande que certas pessoas avaliam a qualidade do profissional pelo quanto concorda com concepções folclóricas de senso comum.
segunda-feira, 18 de maio de 2020
Dica: Não usar/comprar a linguagem psiquiátrica
Percebo que quem usa ou compra a linguagem psiquiátrica tem mais expressão na mídia e entre pacientes psiquiátricos e familiares. Mas isso não é aconselhável. A linguagem da psiquiatria é feita para legitimar suas práticas e se inculcada nas pessoas e na construção da experiência psicológica faz muito mal.
Quando se fala em histórias de vida, situações sociais e comportamentos isso não parece ter o mesmo grau de credibilidade perante a sociedade em geral. Mas é preferível ao modelo médico em saúde mental.
A linguagem psiquiátrica é cheia de substantivos criados a partir do modelo médico (reificações). As pessoas passam a observar a realidade a partir de um modelo conceitual pressuposto como se fosse a própria realidade. Isso leva inclusive a sociedade a pressionar o usuário de serviços psiquiátricos que quer terminar o tratamento.
A psiquiatria se equipara à neurologia?!
Um
estudante de medicina que faz vídeos sobre psicofarmacologia veio me
insultar no meu canal do YouTube dizendo que a psiquiatria se equipara à
neurologia porque eles monitoram sinais vitais e também prescrevem
drogas psiquiátricas para pacientes neurológicos.
A
psiquiatria sempre foi considerada medicina de segunda categoria entre
médicos e se depender dos fundamentos atuais vai continuar sendo. Ele
deve ter aprendido isso no curso de medicina. O que sugere que é um
discurso ideológico de defesa de interesses.
A
neurologia estuda os danos estruturais reais e comprovaveis e é uma
area muito mais rigorosa que a psiquiatria. A psiquiatria afirma que
estuda alterações funcionais e tenta convencer que é medicina de
verdade.
Aprendi
com um maravilhoso professor de análise do comportamento que a
psiquiatria atualmente atua de forma psicológica. Não atua realmente
como medicina. Além disso, quem for estudar fundamentos da psiquiatria
de forma ampla e crítica vai achar muitas mas muitas limitações.
Szasz
afirmava que se os problemas psiquiátricos fossem doencas cerebrais se
tornariam neurologia. Ao mesmo tempo se forem mentais ou comportamentais
pertenceriam à psicologia.
sábado, 16 de maio de 2020
Trechos Entrevista Saúde mental Paulo Amarante
http://www6.ensp.fiocruz.br/visa/?q=node/13
Paulo Amarante - O tratamento convencional ainda se
baseia no conceito de alienação, criado por Philippe Pinel, o pioneiro
da psiquiatria, o que significa estar fora de si, incapaz de perceber a
realidade. No período do revolucionário francês Pinel essa condição era
muito importante. Era a época do Iluminismo. Esse conceito foi criado
para proteger, mas, na prática, ele discriminava porque dizia: “esse
sujeito não é um sujeito da razão”, já que distúrbio na razão o impedia
de ser cidadão. E essa idéia ainda é a base da psiquiatria. Depois, veio
o conceito de doença mental, que significa desordem de algum órgão, mas
qual é esse órgão? “Doença mental” é o oposto de Saúde Mental? É
complicado. Há 20 anos esse conceito também foi abandonado porque ele
faz referência a uma idéia de doença que se compara à medicina física e
não tem similar, embora a psiquiatria ainda busque um distúrbio no nível
neurotransmissores, mas não encontra. E às vezes, encontra esse mesmo
distúrbio em pessoas ditas normais, o que complica mais ainda. Agora o
termo oficialmente adotado é transtorno mental.
Mas o que é transtorno? É estar fora de si. Voltamos ao termo que
lembra a exclusão. Para tratá-lo, é necessário usar um modelo
correcional com tratamentos punitivos, coercitivos, próprios das
instituições carcerárias. Os hospitais psiquiátricos e as instituições
carcerárias são praticamente iguais. Uma visa à restauração moral, a
penitência. São reformas de comportamentos, de penitência, restauração
moral. Dessa forma, discurso se baseia na segregação do indivíduo, cuja
recuperação estaria numa instituição que por si só é terapêutica. Então,
o argumento é que a ordem moral, a penitência, a disciplina, o respeito
à hierarquia, todo esse ritual de submissão (você sabe com quem está
falando?) ajuda o indivíduo.
Paulo Amarante - Hoje ainda permanecem o eletrochoque, a intervenção medicamentosa,
etc. A resisência à mudança desse comportamento é a resistência
conservadora. É a que defende a segregação, a discriminação do outro
pela cor, pela sexualidade, pela religião. E o ideal psicológico,
social, biológico de divisão da sociedade. Eu aproximaria essa visão da
eugenia, das visões racista e fascista onde você tem um mundo em que o
diferente ou algo que ameace uma certa norma social é segregado. E há os
interesses que se organizaram em torno desse mercado: é a indústria da
loucura, como chamava o Carlos Gentile de Mello, num país que teve a
medicina privatizada depois do golpe militar de 1964. A questão da
indústria farmacêutica é muito complexa. Por um lado, interessa esse
novo modelo. Por quê? Existem os medicamentos que nós chamamos de DEPOT
que evitam a internação. Existem também os que eles chamam na propaganda
de medicamentos de ressocializantes, que incentivam a automedicação
(estresse, transtorno de pânico, etc). Por outro lado, eles precisam da
categoria médica, seus prescritores. As alianças que em boa parte estão
vinculadas aos centros acadêmicos conservadores ligados à linha
tradicional e que fazem seus congressos, seus livros e até suas
pesquisas acadêmicas financiados pela indústria farmacêutica. E a
aliança cria essa contradição.
Paulo Amarante - Há também algumas universidades
que apresentam uma visão conservadora. Não é a maioria, porque estamos
conseguindo entrar nesses espaços. Existe um saber dentro desses espaços
que está por trás do pensamento conservador. Diz que o transtorno
mental é, em última instância, um transtorno orgânico - discussão
presente no embate ideológico entre a luta antimanicomial e a psiquiatria
organicista.).
O que é manicômio
Tem sido feita uma postagem por aí propondo uma distinção entre hospital psiquiátrico e manicômio, mas,...
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO = MANICÔMIO
A origem etimológica
do termo manicômio significa casa de loucos (mani vem de maníacos,
genericamente "loucos" e "comios" de casa = casa de loucos, casa de
maníacos). No Brasil o termo manicômio ficou muito tempo reservado aos
manicômios judiciários porque eram locais aonde as pessoas eram
internadas por ação judicial. Mas a partir da reforma psiquiátrica o
termo manicômio passou a ser adotado para significar qualquer hospital
psiquiátrico, uma vez que a pessoa internada perde seus direitos de
cidadania, seu direito de ir e vir seu direito de escolha. O internado
no hospital psiquiátrico, geralmente involuntariamente ou
compulsoriamente, não pode decidir pela sua alta mesmo que sua
internação tenha sido voluntária. No hospital ele não escolhe os
tratamentos que recebe ou os profissionais que cuidam dele. Sua voz não é
ouvida e seus direitos não são respeitados! A internação em um hospital
psiquiátrico é um ato de interdição! Portanto, manicômio e hospital
psiquiátrico são a mesma coisa!
Paulo Amarante
Neurogênese
Neurogênese é o processo de formação, migração e diferenciação de novos neurônios. Este é um conceito que vem sendo debatido há muito tempo, pois cientistas acreditavam ser impossível a neurogênese em adultos. Mas, estudos científicos mostram que neurônios são formados todos os dias em locais específicos do nosso cérebro, ao longo de toda a vida do indivíduo.
O estudo da morfologia, da neuroregeneração e neuroplasticidade do tecido nervoso é antigo, um dos grandes pesquisadores na área foi o médico espanhol ganhador do prêmio Nobel, Santiago Ramón y Cajal. Pai da neurociência moderna, Cajal elaborou o conceito da doutrina neuronal em 1894. Conforme seus estudos, Cajal também defendia a ideia de que o sistema nervoso era uma estrutura fixa e imutável, sendo portanto, impossível a formação de novos neurônios e/ou a regeneração após a sua maturação completa. Para a comunidade científica, a neurogênese era um processo que apenas ocorria no período fetal e pouco depois do período pós-natal.
O estudo da morfologia, da neuroregeneração e neuroplasticidade do tecido nervoso é antigo, um dos grandes pesquisadores na área foi o médico espanhol ganhador do prêmio Nobel, Santiago Ramón y Cajal. Pai da neurociência moderna, Cajal elaborou o conceito da doutrina neuronal em 1894. Conforme seus estudos, Cajal também defendia a ideia de que o sistema nervoso era uma estrutura fixa e imutável, sendo portanto, impossível a formação de novos neurônios e/ou a regeneração após a sua maturação completa. Para a comunidade científica, a neurogênese era um processo que apenas ocorria no período fetal e pouco depois do período pós-natal.
Sabe-se que o processo de neuroregeneração é diferente entre o sistema nervoso central (SNC) e periférico (SNP). Isso ocorre principalmente em virtude da diferença do microambiente da matriz extracelular frente a lesões ou doenças. A regeneração no SNP é muito mais rápida e simples de acontecer, na maioria das vezes a depender da gravidade e extensão da lesão no SNP é possível que ele volte ao seu estado original. No entanto, por outro lado lesões no SNC são mais difíceis de se regenerar, por esse motivo em muitos casos após o paciente sofrer traumas no crânio seja ele mecânico ou mediante acidente vascular cerebral, resulta em sequelas gravíssimas, a citar, dificuldade na fala, perda de controle do corpo ou dos movimentos dos membros, entre outros.
Também é conhecido pela comunidade científica a capacidade plástica do sistema nervoso, neuroplasticidade. Em 1909 que o termo neuroplasticidade foi empregado pela primeira vez por Minea para atribuir à capacidade em que as células nervosas têm de se adaptar ao meio em que se encontram. Em síntese, a plasticidade neuronal ou simplesmente neuroplasticidade pode ser definida como a capacidade que o sistema nervoso tem de se moldar às adversidades do meio em que se apresenta. Para tanto, promove alterações biológicas, bioquímicas e fisiológicas com a finalidade de se adaptar aos estímulos por ele recebidos. Suas alterações permitem que os ramos axonais possam ser substituídos, aumentados ou diminuídos a fim de formar novas sinapses e um novo circuito neural, processo conhecido como sinaptogênese.
Entretanto, há muito tempo é questionado a capacidade do SN de formar novas células. Para tanto, os primeiros pesquisadores a desafiarem o estudo de Cajal foram os neurocientistas norte-americano Joseph Altman e o indiano Gopal Das. No final da década de 60 e início dos anos 70, Altman e Das encontraram as primeiras evidências da neurogênese em adultos, principalmente em duas regiões específicas, o giro denteado do hipocampo e o bulbo olfatório.
Eles perceberam que algumas células-troncos neuronais (CTNs) presentes nessas regiões apresentavam a capacidade de se dividir e se diferenciar em morfologias semelhantes aos neurônios. No entanto, seus estudos feitos em ratos não eram suficientes para serem considerados pelas comunidade científica. Apenas em 1980, Fernando Nottebohm da Universidade de Rockefeller, encontrou fortes evidências para comprovar a existência da neurogênese por meio de estudo do canto dos pássaros.
A CTNs são células-tronco multipotentes capazes de se diferenciar em neurônios e células da glias. Elas foram encontradas em diversas espécies de animais: rato, coelhos, camundongos, gato, pássaros, primatas e humanos. Segundo estudos científicos, os neurônios são formados ao longo de toda a vida do indivíduo. Logo, o conceito de neurogênese em adultos humanos foi proposto em 1998 por meio dos estudos de Eriksson et al. após estudar cérebros post mortem de pacientes com câncer terminal.
A neurogênese em adultos pode ser estimulada por fatores ambientais, fisiológicos e comportamentais. Estudos indicam que o aumento da neurogênese pode estar relacionado ao processo de aprendizado, memória e a prática de atividades físicas, pois liberam substâncias que estimulam a fase de proliferação e diferenciação neuronal, tais como, o neurotransmissor serotonina, a proteína neurotrofina, fatores neurotróficos derivados do cérebro (BDNF), fator de crescimento de fibroblastos (FGF) e o fator de crescimento epidérmico (EGF). Conhecer pessoas novas, ler livros, fazer atividade física, se expor em lugares diferentes contribuem para o processo de formação de novos neurônios.
No entanto, o estresse físico e mental, a ansiedade, sedentarismo, consumo de álcool e drogas, mau hábito alimentar, distúrbios do sono são fatores que reduzem a neurogênese hipocampal, pois estimulam a liberação de radicais livres, substâncias neurotóxicas e hormônios corticoesteróides, produzidos pelas glândulas supra-renais, liberados em situações de estresse.
Com as descobertas e os estudos na área de neurogênese abrem-se perspectivas para estratégias terapêuticas para patologias que acometem o SN, tais como distúrbios psiquiátricos e doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson.
Longo, fica evidente os avanços na pesquisa sobre a neurogênese em adultos e a forma como o nosso cérebro continua o seu processo de desenvolvimento. Para tanto, é aconselhado a prática de atividades saudáveis, bem como, aumentar ao longo da rotina estímulos sensoriais, visuais, auditivos que possam contribuir para o processo de memória e aprendizado, favorecendo cada vez mais o processo de formação de novas células até a terceira idade.
Também é conhecido pela comunidade científica a capacidade plástica do sistema nervoso, neuroplasticidade. Em 1909 que o termo neuroplasticidade foi empregado pela primeira vez por Minea para atribuir à capacidade em que as células nervosas têm de se adaptar ao meio em que se encontram. Em síntese, a plasticidade neuronal ou simplesmente neuroplasticidade pode ser definida como a capacidade que o sistema nervoso tem de se moldar às adversidades do meio em que se apresenta. Para tanto, promove alterações biológicas, bioquímicas e fisiológicas com a finalidade de se adaptar aos estímulos por ele recebidos. Suas alterações permitem que os ramos axonais possam ser substituídos, aumentados ou diminuídos a fim de formar novas sinapses e um novo circuito neural, processo conhecido como sinaptogênese.
Entretanto, há muito tempo é questionado a capacidade do SN de formar novas células. Para tanto, os primeiros pesquisadores a desafiarem o estudo de Cajal foram os neurocientistas norte-americano Joseph Altman e o indiano Gopal Das. No final da década de 60 e início dos anos 70, Altman e Das encontraram as primeiras evidências da neurogênese em adultos, principalmente em duas regiões específicas, o giro denteado do hipocampo e o bulbo olfatório.
Eles perceberam que algumas células-troncos neuronais (CTNs) presentes nessas regiões apresentavam a capacidade de se dividir e se diferenciar em morfologias semelhantes aos neurônios. No entanto, seus estudos feitos em ratos não eram suficientes para serem considerados pelas comunidade científica. Apenas em 1980, Fernando Nottebohm da Universidade de Rockefeller, encontrou fortes evidências para comprovar a existência da neurogênese por meio de estudo do canto dos pássaros.
A CTNs são células-tronco multipotentes capazes de se diferenciar em neurônios e células da glias. Elas foram encontradas em diversas espécies de animais: rato, coelhos, camundongos, gato, pássaros, primatas e humanos. Segundo estudos científicos, os neurônios são formados ao longo de toda a vida do indivíduo. Logo, o conceito de neurogênese em adultos humanos foi proposto em 1998 por meio dos estudos de Eriksson et al. após estudar cérebros post mortem de pacientes com câncer terminal.
A neurogênese em adultos pode ser estimulada por fatores ambientais, fisiológicos e comportamentais. Estudos indicam que o aumento da neurogênese pode estar relacionado ao processo de aprendizado, memória e a prática de atividades físicas, pois liberam substâncias que estimulam a fase de proliferação e diferenciação neuronal, tais como, o neurotransmissor serotonina, a proteína neurotrofina, fatores neurotróficos derivados do cérebro (BDNF), fator de crescimento de fibroblastos (FGF) e o fator de crescimento epidérmico (EGF). Conhecer pessoas novas, ler livros, fazer atividade física, se expor em lugares diferentes contribuem para o processo de formação de novos neurônios.
No entanto, o estresse físico e mental, a ansiedade, sedentarismo, consumo de álcool e drogas, mau hábito alimentar, distúrbios do sono são fatores que reduzem a neurogênese hipocampal, pois estimulam a liberação de radicais livres, substâncias neurotóxicas e hormônios corticoesteróides, produzidos pelas glândulas supra-renais, liberados em situações de estresse.
Com as descobertas e os estudos na área de neurogênese abrem-se perspectivas para estratégias terapêuticas para patologias que acometem o SN, tais como distúrbios psiquiátricos e doenças neurodegenerativas como o Alzheimer e o Parkinson.
Longo, fica evidente os avanços na pesquisa sobre a neurogênese em adultos e a forma como o nosso cérebro continua o seu processo de desenvolvimento. Para tanto, é aconselhado a prática de atividades saudáveis, bem como, aumentar ao longo da rotina estímulos sensoriais, visuais, auditivos que possam contribuir para o processo de memória e aprendizado, favorecendo cada vez mais o processo de formação de novas células até a terceira idade.
Países com falta de psiquiatras
Há artigos na internet afirmando que é necessariamente uma tragédia que faltem psiquiatras em alguns países. Mas é pura propaganda da psiquiatria biológica e interesses monetários com ares de humanismo. É necessário ter consciência de que muito esforço é feito no sentido de evitar o prejuízo que a psiquiatria biológica produz nos países com número suficiente de psiquiatras biológicos. A psiquiatria biológica não é necessária se houver boa capacidade de cuidados psicossociais. É possível mesmo evitar a necessidade de cuidados psicossociais mudando a cultura para que a a população tenha conceitos corretos e convenientes para promover, prevenir e restaurar a saúde mental. O bom funcionamento de uma sociedade previne muitos problemas de saúde mental que são individualizados como um defeito biológico.
sexta-feira, 15 de maio de 2020
Discussões infrutíferas? (Karl Popper)
No texto O mito do contexto (não o livro) o filósofo da ciência Karl Popper afirma que muitas discussões parecem infrutíferas porque esperamos muito da razão. Isso pode levar a desacreditar a razão.
Popper defende que quando uma discussão leva a esclarecer os argumentos dos dois lados ele considera a discussão frutífera e satisfatória. Dificilmente uma discussão levará a mudanças de opinião de forma imediata. Isso geralmente leva tempo.
quarta-feira, 13 de maio de 2020
O papel da psiquiatria no holocausto
Peter R. Breggin Center para o Estudo de Psiquiatria, Bethesda, MD, EUA, e George Mason University, Fairfax, VA, EUA (aceito em 12 de março de 1993)
Palavras-chave: Eutanásia; Psiquiatria geral; Holocausto; Psiquiatria biológica
A psiquiatria germânica propõe o extermínio de pacientes mentais antes de Hitler chegar ao poder. Na Alemanha do Norte, a psiquiatria organizada implementou esterilização e eutanásia cirúrgicas involuntárias, matando até 100.000 pacientes gerais. Os seis centros de eutanásia psiquiátrica usaram médicos, certificados falsos, certidões de óbito falsas, câmaras de gás disfarçadas de chuveiros, e a queima de massa de cadáveres. A psiquiatria é parte do programa de eutanásia, que também participou dos primeiros casos de homicídios formalizados nos campos de concentração. Os internos foram "diagnosticados" em todos os formulários de eutanásia e enviados para os centros de eutanásia psiquiátrica. Essas instalações forneceram mais tarde treinamento e tecnologia de ponta para os grandes campos de extermínio.
Observadores médicos dos Estados Unidos e da Alemanha concluíram que o holocausto poderia não ter ocorrido sem a psiquiatria. Esse documento resume a participação psiquiátrica em eventos que levaram ao holocausto e analisa os princípios psiquiátricos subjacentes que anteciparam, incentivaram e pavimentaram o programa de extermínio nazista.
O incomum dá barato
Com a experiência acumulada do mundo nossa percepção sabe o que esperar de como as coisas funcionam. Quando surge algo inesperado a quebra de expectativa dá um certo barato. O louco gosta da quebra de expectativas ou do barato do incomum.
terça-feira, 12 de maio de 2020
As quatro palavras mais perigosas da medicina
Quem tem mais experiência não necessariamente é quem irá determinar a conduta mais correta
https://www.revistaamalgama.com.br/05/2020/as-quatro-palavras-mais-perigosas-da-medicina/?fbclid=IwAR1nE6uoaopCN8QWwwW3f63-owxAsRN-qFaMAs8Z1ELR7CR9RmOaBYt7MMo
Decadência (Heidegger)
Decadência
Para Heidegger é o estado de queda da existência humana no nível da banalidade cotidiana. Isso, porém, não supõe um estado original superior nem é um estado negativo e provisório que possa ser um dia eliminado. O estado de Decadência é aquele em que a existência se alheia de si, esconde de si mesma sua possibilidade própria (que é a da morte) e entrega-se ao modo de ser impessoal que é caracterizado pela tagarelice, pela curiosidade e pelo equívoco.
Náusea (sartre)
Náusea
Experiência emocional de gratuidade da existência. Essa noção foi introduzida na filosofia por Jean-Paul Sartre e por ele ilustrada principalmente no romance intitulado A Náusea.
http://www.filosofia.com.br/vi_dic.php?palvr=N
Experiência emocional de gratuidade da existência. Essa noção foi introduzida na filosofia por Jean-Paul Sartre e por ele ilustrada principalmente no romance intitulado A Náusea.
http://www.filosofia.com.br/vi_dic.php?palvr=N
segunda-feira, 11 de maio de 2020
Genética/determinação e responsabilidade
Se é genético, não sou responsável: Qualquer influência ou determinação no comportamento levanta a questão do livre-arbítrio e responsabilidade, mas explicar não é justificar, e entender não é perdoar. As propensões mentais, genes ou neurônios não são desculpa para nenhum ato danoso, por menos premeditado que sejam. Nossa culpabilidade e tendência a culpar são possibilitadas pelo nosso senso moral evoluído (cf., Wilson, Dietrich, & Clark, 2003). Portanto, inferir que se o comportamento é influenciado por genes, os indivíduos não podem ser responsabilizados por suas ações, é um equívoco.
MANUAL DE PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA
Determinismo genético
Determinismo genético: Na verdade, os genes não são deterministas totalitários, pois seus produtos e expressão durante o desenvolvimento e funcionamento do cérebro mudam em resposta a estímulos fora e dentro do corpo (cf., Ridley, 2004). Os genes guiam a construção dos mecanismos cognitivos plásticos que nos capacitam a obter informações do ambiente e algumas ações do ambiente podem alterar mecanismos de regulação desses mesmos genes (Box 2; Fig. 2). Então, concluir que nossas tendências comportamentais evoluídas seriam controladas exclusivamente pelos genes, e não pelo ambiente é tão errado quanto achar o contrário.
MANUAL DE PSICOLOGIA EVOLUCIONISTA
domingo, 10 de maio de 2020
Conflitos de interesse nas revistas médicas e na Cochrane
https://youtu.be/Mx_IkTJhY28
O professor Tom Jefferson, Oxford, é médico, pesquisador e ativista pelo acesso a dados de ensaios clínicos randomizados.
Por muitos anos, Tom foi negado o acesso a dados regulatórios nos quais basear as análises da Cochrane de que ele é co-autor.
Atualmente, Tom é o primeiro autor da única revisão da Cochrane baseada apenas em dados regulatórios não publicados.
O professor Tom Jefferson, Oxford, é médico, pesquisador e ativista pelo acesso a dados de ensaios clínicos randomizados.
Por muitos anos, Tom foi negado o acesso a dados regulatórios nos quais basear as análises da Cochrane de que ele é co-autor.
Atualmente, Tom é o primeiro autor da única revisão da Cochrane baseada apenas em dados regulatórios não publicados.
"Se ajustar ao louco?! Que absurdo!"
Os rótulos de normal e louco definem quem tem que se ajustar a quem. Quando se questiona a validade dos rótulos de normal e louco pode-se descrever de maneira mais clara e concreta os comportamentos envolvidos nas interações entre psiquiatrizados e não psiquiatrizados.
A pessoa rotulada como normal pode pensar que é um absurdo ajudar na psicoterapia pois isso seria exigir que ela fizesse o absurdo de se ajustar ao louco. Mas é basicamente isso que se exige do psiquiatrizado: se ajustar aos comportamentos não saudáveis da pessoa rotulada como normal.
Apenas na psiquiatria biológica se rotula um organismo globalmente como saudável ou não saudável. A realidade tem mais nuances: ambas as pessoas na interação podem ter comportamentos benéficos ou prejudiciais, ou saudáveis e não saudáveis.
É preciso superar o etnocentrismo, que supõe que as próprias concepções de mundo são superiores, impecáveis e naturais, das pessoas rotuladas como normais. Isso é bastante difícil pois essas pessoas se sentem apoiadas pela sociedade e psiquiatras.
sexta-feira, 8 de maio de 2020
Saúde mental e modelo social da deficiência
Uma aproximação da saúde mental com o modelo social da deficiência
O modelo social da deficiência se contrapõe ao modelo médico que afirma que a deficiência tem origem na lesão. O modelo social da deficiência defende que a a deficiência surge quando a sociedade não está preparada para os deficientes. A experiência de deficiência é uma relação de dificuldade experimentada devido a diversos tipos de atitudes sociais ou características ambientais. Existe uma classificação dessas características ambientais.
Normocentrismo: tudo é preparado para a pessoa média e normal.
É interessante relacionar o modelo social da deficiência com transtornos mentais porque no modelo médico ou psiquiátrico toda a responsabilidade pelas dificuldades do paciente é atribuída ao próprio organismo com defeito. Isso é uma forma de culpar a vítima que se percebe muito bem com o modelo social da deficiência. As famílias e sociedade não se implicam no sofrimento da pessoa diagnosticada e ela tem que se virar sozinha para se ajustar. Dessa maneira, é muito mais difícil conseguir se adaptar socialmente. As atitudes sociais de crença no modelo médico da deficiência ocultam todas as dificuldades ambientais que na grande maioria dos casos é a real origem do sofrimento ou diagnóstico psiquiátrico.
A deficiência psicossocial tem origem na percepção social da sociedade sobre o paciente psiquiátrico.
A deficiência psicossocial tem origem na percepção social da sociedade sobre o paciente psiquiátrico.
Genética básica: Poligenia, epigenética e polimorfismo
Conceitos básicos de genética para entender a literatura:
Poligenia significa que os genes e o ambiente interagem para produzir as características do organismo. Os transtorno mentais são poligênicos.
Epigenética significa que além do nível dos genes, há um processo de regulação da expressão do genes relativo ao ambiente que pode ativar ou desativar a expressão de genes. Existem pesquisas sobre epigenética e transtornos mentais que enfatizam quais eventos ambientais e de que maneira afetam o organismo.
"Esquizofrenia" altamente poligênica
As principais descobertas são que a esquizofrenia é um distúrbio (?!) altamente poligênico, com uma gama complexa de locais de risco, muitos incluem genes implicados também em deficiência intelectual, distúrbios do espectro do autismo, transtorno bipolar e transtorno depressivo maior. [Não são necessariamente genes específicos de um transtorno]
Interesses privados na saúde mental
http://www.epsjv.fiocruz.br/noticias/reportagem/interesses-privados-na-saude-mental
As contradições que perseguem a efetividade da Política de Saúde Mental no Brasil
As contradições que perseguem a efetividade da Política de Saúde Mental no Brasil
quinta-feira, 7 de maio de 2020
Dr David Healy sobre corrupção nas diretrizes
https://youtu.be/frABkuNh4jc
David Healy MD FRCPsych é um psiquiatra, psicofarmacologista, cientista e autor internacionalmente respeitado.
“Donald Trump está errado ao pensar que as piores notícias falsas do mundo são dirigidas a ele - centra-se, de fato, nos medicamentos que um médico pode lhe dar.
Como sei disso - porque sou uma das poucas pessoas que visualizaram dados de ensaios clínicos. Se você é uma testemunha especializada em uma ação legal contra uma empresa farmacêutica - nos EUA - vê coisas que ninguém mais vê.
Em alguns casos, os dados foram totalmente compostos - os pacientes não existem. Uma das coisas úteis sobre pacientes inexistentes é que eles nunca morrem ou têm efeitos colaterais no tratamento. A outra coisa que você vê é que os problemas que você reporta aos médicos, que as empresas negam totalmente que possam estar acontecendo, estão de fato nos dados que ninguém vê.
Não se trata de responsabilizar alguém - é uma questão de fazer com que pessoas honradas percebam que podem e devem mudar o sistema "
David Healy MD FRCPsych é um psiquiatra, psicofarmacologista, cientista e autor internacionalmente respeitado.
“Donald Trump está errado ao pensar que as piores notícias falsas do mundo são dirigidas a ele - centra-se, de fato, nos medicamentos que um médico pode lhe dar.
Como sei disso - porque sou uma das poucas pessoas que visualizaram dados de ensaios clínicos. Se você é uma testemunha especializada em uma ação legal contra uma empresa farmacêutica - nos EUA - vê coisas que ninguém mais vê.
Em alguns casos, os dados foram totalmente compostos - os pacientes não existem. Uma das coisas úteis sobre pacientes inexistentes é que eles nunca morrem ou têm efeitos colaterais no tratamento. A outra coisa que você vê é que os problemas que você reporta aos médicos, que as empresas negam totalmente que possam estar acontecendo, estão de fato nos dados que ninguém vê.
Não se trata de responsabilizar alguém - é uma questão de fazer com que pessoas honradas percebam que podem e devem mudar o sistema "
The Problem of Psychiatry-Schizophrenia (szasz)
Essence or Existence: The Problem of Psychiatry-Schizophrenia Thomas Szasz
http://www.szasz.com/schizophrenia1.pdf
http://www.szasz.com/schizophrenia1.pdf
Users and Abusers of Psychiatry (livro)
Users and Abusers of Psychiatry: A Critical Look at Psychiatric Practice
Author(s): Lucy Johnstone
Publisher: Routledge, Year: 2000
ISBN: 0415211557,9780415211550
Description:
Users and Abusers of Psychiatry is a radically different, critical account of the day-to-day practice of psychiatry. Using real-life examples and her own experience as a clinical psychologist, Lucy Johnstone argues that the traditional way of treating mental illness can often exacerbate people's original difficulties leaving them powerless, disabled and distressed.
In this completely revised and updated second edition, she draws on a range of evidence to present a very different understanding of psychiatric breakdown than that found in standard medical textbooks.
Users and Abusers of Psychiatry is a challenging but ultimately inspiring read for all who are involved in mental health - whether as professionals, students, service users, relatives or interested lay people.
Users and Abusers of Psychiatry is a challenging but ultimately inspiring read for all who are involved in mental health - whether as professionals, students, service users, relatives or interested lay people.
quarta-feira, 6 de maio de 2020
Diversionismo
1. Diversionismo
Significado de Diversionismo
Por Dicionário inFormal (SP) em 20-11-2012
Tentar escapar dos assuntos que causam desconforto aos seus interesses, desviando o foco das atenções do assunto principal (assunto ingrato ao sujeito) para um outro assunto menos polêmico ao mesmo, ou mais polêmico para outrem.
https://www.dicionarioinformal.com.br/diversionismo/
Tentar escapar dos assuntos que causam desconforto aos seus interesses, desviando o foco das atenções do assunto principal (assunto ingrato ao sujeito) para um outro assunto menos polêmico ao mesmo, ou mais polêmico para outrem.
https://www.dicionarioinformal.com.br/diversionismo/
terça-feira, 5 de maio de 2020
Solidão afetiva do homem (poesia T.S. Elliot)
[...]
- Ousarei
- Ousarei
Perturbar o universo?
[...]
Respeitoso, contente de ser útil,
Político, prudente e meticuloso ;
Cheio de máximas e aforismos, mas algo obtuso ;
As vezes, de fato, quase ridículo
Quase o Idiota, às vezes .
Envelheci . . . envelheci . . .
[...]
Ouvi cantar as sereias , umas para as outras .
Não creio que um dia elas cantem para mim .
[...]
[...]
A CANÇÃO DE AMOR DE J . ALFRED PRUFROCK
T.S. Elliot
Observação: A poesia é sobre a experiência de um homem.
segunda-feira, 4 de maio de 2020
Antipsicóticos eliminam ou reduzem a psicose?
https://pdfs.semanticscholar.org/e098/42483630a696050c26b1d6d4983878ec66b0.pdf
O tratamento da esquizofrenia com medicamentos antipsicóticos eliminam ou reduz a psicose? Um estudo de acompanhamento de 20 anos
O tratamento da esquizofrenia com medicamentos antipsicóticos eliminam ou reduz a psicose? Um estudo de acompanhamento de 20 anos
Os resultados mostram que pacientes com diagnóstico de esquizofrenia não entram realmente em remissão quando tratados com antipsicóticos/neurolépticos por um longo prazo e que as pessoas que descontinuam o tratamento tem taxas de remissão maiores.
M. Harrow *, T. H. Jobe e R. N. Faull Departamento de Psiquiatria, Faculdade de Medicina da Universidade de Illinois, Chicago, IL, EUA.
Recebido em 6 de agosto de 2013; Revisado em 30 de outubro de 2013; Aceito em 2 de novembro de 2013
Palavras-chave: Medicamentos antipsicóticos longitudinais, psicose, esquizofrenia, tratamento.
M. Harrow *, T. H. Jobe e R. N. Faull Departamento de Psiquiatria, Faculdade de Medicina da Universidade de Illinois, Chicago, IL, EUA.
Esta pesquisa avalia se o tratamento plurianual com medicamentos antipsicóticos reduz ou elimina a psicose na esquizofrenia. Ele fornece 20 anos de dados longitudinais sobre a frequência e gravidade da atividade psicótica em amostras de pacientes com esquizofrenia (SZ) tratados versus aqueles não tratados com medicamentos antipsicóticos. Método. Um total de 139 jovens com esquizofrenia e pacientes com distúrbios de humor foram avaliados por índice de internação e depois reavaliados seis vezes ao longo de 20 anos para psicose e outras variáveis importantes. Resultados. Em cada avaliação de acompanhamento ao longo dos 20 anos, uma porcentagem surpreendentemente alta de SZ tratada com antipsicóticos longitudinalmente apresentava atividade psicótica. Mais de 70% dos SZ prescritos continuamente antipsicóticos experimentaram atividade psicótica em quatro ou mais das seis avaliações de acompanhamento ao longo de 20 anos. Longitudinalmente, os SZ não prescritos antipsicóticos apresentaram atividade psicótica significativamente menor do que os antipsicóticos prescritos (p <0,05). Conclusões: Os dados de 20 anos indicam que, longitudinalmente, após os primeiros anos, os medicamentos antipsicóticos não eliminam ou reduzem a frequência da psicose na esquizofrenia, nem reduzem a gravidade da psicose pós-aguda, embora seja difícil chegar a conclusões inequívocas sobre a eficácia do tratamento em pesquisas puramente naturalistas ou observacionais. Longitudinalmente, com base em sua atividade psicótica e na disrupção do funcionamento, a condição da maioria dos SZ que foram prescritos antipsicóticos por vários anos levantaria questões sobre quantos deles estão realmente em remissão.
Palavras-chave: Medicamentos antipsicóticos longitudinais, psicose, esquizofrenia, tratamento.
domingo, 3 de maio de 2020
Discordância como o não entendível
That there may be important ideas worth understanding with which one cannot at once agree or disagree is to them un-understandable.
Que podem haver ideias importantes que vale a pena entender com a qual alguém não pode concordar ou discordar prontamente é para eles não entendível.
Karl Popper
Reason or Revolution?
segunda-feira, 27 de abril de 2020
"Terapia médica" ou aprendizagem?
A palavra terapia não é apropriada para nomear trabalho do analista aplicado de comportamento. Não se trabalha com doenças (termo médico) comportamentais, mas com contingências que produzem comportamentos e sentimentos classificados como indesejados. Uma pessoa não “sofre de depressão”, mas é afetado por contingências que produzem comportamentos e sentimentos, aos quais se denomina de depressão. A pessoa que procura ajuda não é paciente (termo médico) e quem provê ajuda não é terapeuta (termo médico). Aquilo que se chama de processo terapêutico dever-se-ia chamar processo de desenvolvimento de comportamentos, no qual duas pessoas se influenciam reciprocamente, com papéis definidos e específicos, porém em interação eficaz, que produz mudanças comportamentais em ambos. O “cliente” (na falta de melhor termo) é parte ativa do processo de desenvolvimento: é influenciado pelo “terapeuta” (na falta de melhor termo) e o influencia. Não cabe falar em “alta” (termo médico). Como qualquer processo de desenvolvimento, ele pode ser interrompido; nunca encerrado. Não há critérios pré-determinados para interromper o processo. Qualquer uma das partes envolvidas pode tomar a iniciativa de interrupção. Tal iniciativa é comportamento. Para compreendê-lo, é necessário saber de que contingências ele é função. O comportamento de interromper o processo de desenvolvimento, portanto, deve ser avaliado e compreendido – à luz das contingências que o determinam – como qualquer comportamento. A interrupção da interação entre os pares do processo de desenvolvimento é o produto final da análise e da atuação das contingências de reforçamento em operação.
ALGUMAS DIRETRIZES PARA MELHOR AÇÃO TERAPÊUTICA
HÉLIO JOSÉ GUILHARDI
Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento
Campinas - SP
HÉLIO JOSÉ GUILHARDI
Instituto de Terapia por Contingências de Reforçamento
Campinas - SP
domingo, 26 de abril de 2020
Medicalização da "depressão" (Szasz e moncrieff)
A medicalização da "depressão" como um fenômeno médico é generalizada. O psiquiatra Thomas szasz defendia que a depressão é uma ideia moderna recente que sugere que a vida deveria ser fácil e agradável. Existem maneiras plurais de ser infeliz e essa ideia é mais próxima da realidade para se fazer algo a respeito.
Mais recentemente a psiquiatra crítica Joanna Moncrieff defende que a depressão não é doença.
Comportamentos desejáveis como cura (Szasz)
Thomas Szasz defendia que o que é considerado cura na verdade são comportamentos desejáveis.
Referência:
Referência:
Thomas Szasz on Socialism in Health Care
sábado, 25 de abril de 2020
Ideologia, análise do discurso e reforma psiquiátrica
Segundo a análise do discurso e a sociologia do conhecimento todo grupo é ideológico, isto é, adota discursos que defendem interesses de grupo. A diferença é se essa defesa do interesse de grupo também beneficia a sociedade de verdade ou se usa de estratégias discursivas de defesa do próprio interesse como se fosse a defesa do interesse da sociedade.
A partir disso é possível refletir se os interesses financeiros ligado à Associação Brasileira de Psiquiatria (indústria farmacêutica, hospitais, serviços médicos e equipamentos) também se reflete em benefícios sociais ou se a defesa da reforma psiquiátrica como política pública beneficia só os funcionários públicos da saúde e os políticos de esquerda ou se defende também o interesse público.
sexta-feira, 24 de abril de 2020
Cura como nova forma de vida (Canguilhem)
Como
afirma Canguilhem, na já referida obra, "a vida não conhece
reversibilidade". Quando, por exemplo, nos recuperamos de determinada
doença, não voltamos ao estado anterior pois nos tornamos outros - assim
como nossos corpos. Para Canguilhem não é possível falar em cura como
um retorno à uma “inocência orgânica”, mas como um rearranjo. Curar, em
sua visão, é criar para si novas normas e formas de vida, às vezes
superiores às antigas. Da mesma forma, se desejamos "curar" o mundo e a
nossa própria vida precisamos pensar em como reorganizá-los e não como
fazê-los retornar ao que era antes.
https://psicologiadospsicologos.blogspot.com/2020/04/sera-que-um-dia-voltaremos-ao-normal.html
Lacan e a psiquiatria
luta antimanicomial e experiência da loucura
Por Márcio Mariguela Psicanalista e Professor de Filosofia.
Postado por Lucio Costa em http://bocaquefala.blogspot.com/
http://antimanicomial.blogspot.com/2010/07/luta-antimanicomial-e-experiencia-da.html
Por Márcio Mariguela Psicanalista e Professor de Filosofia.
Postado por Lucio Costa em http://bocaquefala.blogspot.com/
“Numa entrevista ao jornal Corriere della Sera, em 11/set./1981, quando
da morte do psicanalista Jacques Lacan, Michel Foucault afirmou: “ser
psicanalista para Lacan supunha uma ruptura violenta com tudo o que
tendia a fazer depender a psicanálise da psiquiatria, ou fazer dela um
capítulo sofisticado da psicologia. Ele queria subtrair a psicanálise da
proximidade da medicina e das instituições médicas, que considerava
perigosa. Ele buscava na psicanálise não um processo de normalização dos
comportamentos, mas uma teoria do sujeito”.
Cuidar dos pais na velhice (enfoque econômico)
Tanto os filhos quanto os pais estariam melhor se os pais concordassem em investir mais nas crianças em troca de um compromisso de as crianças cuidarem delas quando precisarem de ajuda. Mas como pode um compromisso seja cumprido? Economistas e advogados geralmente recomendam emendar um contrato por escrito para garantir o compromisso, mas você pode imaginar uma sociedade que aplicará contratos entre adultos e crianças de 10 anos ou adolescentes?
É muito menos apreciado que pais altruístas que deixam heranças também tendem a investir mais nas habilidades, hábitos e valores de seus filhos. Pois eles ganham com o financiamento de todos os investimentos em educação e habilidades das crianças que produzem uma taxa de retorno mais alta do que o retorno em economia. Eles podem indiretamente economizar para a velhice investindo em crianças e, em seguida, reduzir a herança quando idosos. Os pais e os filhos estariam melhor quando os pais fazem todos os investimentos em crianças que produzem um retorno maior que o da poupança e, em seguida, ajustar as doações ao nível eficiente de investimento (ver seção A do Apêndice para uma demonstração formal).
As atitudes e comportamentos dos pais têm uma enorme influência sobre seus filhos. Pais alcoólatras ou viciados em crack criam uma atmosfera bizarra para jovens impressionáveis, enquanto pais com valores estáveis que transmitem conhecimento e inspiram suas crianças influenciam favoravelmente tanto o que seus filhos são capazes e o que eles querem fazer. A abordagem econômica pode contribuir insights sobre a formação de preferências por meio de experiências na infância sem necessariamente adotar a ênfase freudiana nos princípios do que aconteceu durante os primeiros meses de vida.
Com sua suposição de comportamento prospectivo, o ponto de vista da economia implica que os pais tentam antecipar o efeito daquilo que acontece com as crianças em suas atitudes e comportamento quando adultos. Esses efeitos ajudam a determinar o tipo de assistência que os pais prestam. Por exemplo, pais preocupados com o apoio à velhice podem tentar incutir nos filhos, sentimentos de culpa, obrigação, dever e amor filial que indiretamente, mas ainda com muita eficácia, pode "comprometer" as crianças a ajudar eles.
Os pais que não deixam heranças podem estar dispostos a fazer as crianças se sentirem mais culpadas justamente porque ganham mais utilidade com maior consumo na velhice do que perdem com uma redução igual no consumo infantil. Esse tipo de comportamento pode ser consideravelmente mais comum do que o sugerido pelo número de famílias que realmente deixam heranças, pois pais com filhos pequenos geralmente não sabem se eles estarão financeiramente seguros quando forem idosos. Eles podem tentam se proteger contra problemas de saúde, desemprego e outras riscos da velhice, incutindo em seus filhos a vontade de ajudar se isso se tornar necessário.
Muitos economistas, inclusive eu, confiaram excessivamente no altruísmo para amarrar os interesses dos membros da família. Reconhecimento do conexão entre experiências da infância e comportamento futuro reduz a necessidade de confiar no altruísmo nas famílias. Mas não volta
a análise para um foco estreito no interesse próprio, pois substitui parcialmente altruísmo por sentimentos de obrigação, raiva e outras atitudes geralmente negligenciada por modelos de comportamento racional.
Se se espera que as crianças ajudem na velhice, talvez por causa de culpa ou motivações relacionadas - mesmo pais que não são muito amorosos investiriam mais no capital humano das crianças e economizaria menos para a velhice. (Para uma prova, consulte a seção C do apêndice.) Mas a equação (A12) do apêndice mostra que pais altruístas sempre preferem pequenos aumentos em seu próprio consumo em relação a aumentos iguais em seus filhos se eles tiverem feito seus filhos sentir-se culpado. Isso significa que esses pais sempre investem pouco no capital humano das crianças. Isso mostra diretamente por que a criação de culpa tem custos e não é totalmente eficiente.
Os chefes de família altruístas que não planejam deixar legados tentam criar uma atmosfera "acolhedora" em suas famílias, para que os membros sejam dispostos a ajudar aqueles que enfrentam dificuldades financeiras e outras dificuldades. Esta conclusão é relevante para discussões de chamados valores familiares, assunto que recebeu atenção durante a campanha presidencial dos Estados Unidos. Os pais ajudam a determinar minar os valores das crianças, incluindo seus sentimentos de obrigação, dever e amor - mas o que os pais tentam fazer pode ser grandemente afetado por políticas públicas e mudanças nas condições econômicas e sociais.
Considere, por exemplo, um programa que transfira recursos para o idosos, talvez especialmente para famílias mais pobres que não deixam heranças, que reduz a dependência dos idosos em relação às crianças. De acordo com a análise anterior que dei, pais que não precisam de apoio quando a envelhecem, não se esforçam para tornar as crianças mais leais ou mais culpados ou sentem-se bem dispostos em relação aos pais. Isto significa que programas como a previdência social que ajudam significativamente a idosos encorajariam os membros da família a se separarem emocionalmente, não por acidente, mas como respostas maximizadoras a essas políticas.
Outras mudanças no mundo moderno que alteraram os valores da família incluem maior mobilidade geográfica, maior riqueza que vem com crescimento econômico, melhores mercados de capital e seguros, taxas mais altas de divórcio, famílias menores e cuidados de saúde pública. Esses desenvolvimentos geralmente melhoraram as pessoas, mas eles também enfraqueceram as relações pessoais nas famílias entre entre maridos e esposas, pais e filhos, e entre outros parentes distantes, em parte reduzindo os incentivos para investir na criação de relações mais próximas.
Referência:
Palestra de recebimento do Nobel de Economia de 1992 (Gary Becker)
Capital humano (enfoque econômico)
A análise do capital humano começa com a suposição de que indivíduos decidem sobre sua educação, treinamento, assistência médica e outras adições ao conhecimento e à saúde, ponderando os benefícios e custos. Benefícios incluem ganhos culturais e outros ganhos não monetários, juntamente com melhorias de ganhos e ocupações, enquanto os custos geralmente dependem principalmente no valor perdido do tempo gasto nesses investimentos. O conceito de capital humano também abrange trabalho acumulado e outros hábitos, inclusive vícios prejudiciais, como fumar e uso de drogas. Capital humano na forma de bons hábitos de trabalho ou dependência as bebidas alcoólicas pesadas têm efeitos positivos ou negativos importantes produtividade nos setores de mercado e não-mercado.
Os vários tipos de comportamento incluídos na rubrica de capital humano ajuda a explicar por que o conceito é tão poderoso e útil. Isso também significa que o processo de investir ou desinvestir em capital humano muitas vezes altera a própria natureza de uma pessoa: o treinamento pode mudar o estilo de vida de um com desemprego perene para um com estável e bons ganhos ou bebida acumulada podem destruir uma carreira, saúde, e até a capacidade de pensar direito.
A teoria do investimento em capital humano relaciona a desigualdade de as diferenças de talentos, antecedentes familiares e heranças e outros ativos (ver Becker e Tomes 1986). Muitos estudos empíricos sobre desigualdade também depende de conceitos de capital humano, especialmente diferenças na educação e treinamento (ver Mincer 1974). O crescimento considerável em desigualdade de ganhos nos Estados Unidos durante os anos 80, que animou tanto debate político é explicado em grande parte por maior retorno aos mais instruídos e melhor treinados (veja, por exemplo, Murphy e Welch 1992).
Referência:
Palestra de recebimento do Nobel de Economia de 1992 (Gary Becker)
Criminalidade (enfoque econômico)
Nas décadas de 1950 e 1960, as discussões intelectuais sobre o crime eram dominantes. pela opinião de que o comportamento criminoso fosse causado por doenças e opressão social, e que os criminosos eram impotentes " "Um livro de um conhecido psiquiatra foi intitulado O crime da Punição (ver Menninger 1966). Tais atitudes começaram a exercer um maior influência na política social, à medida que as leis mudavam para expandir direitos dos criminosos. Essas mudanças reduziram a prisão e condenação de criminosos e proporcionou menos proteção à população de cumpridores da lei.
Eu não era solidário ao pressuposto de que os criminosos tinham radicalmente motivações diferentes de todos os outros. Eu explorei as implicações teóricas e empíricas da suposição de que o comportamento dos criminosos o comportamento é racional (veja o trabalho pioneiro de Bentham [1931]e Beccaria [(1797) 1986]), mas novamente "racionalidade" não implicava materialismo estreito. Reconheceu que muitas pessoas estavam constrangidas por considerações éticas e morais, e não cometeram crimes mesmo quando estes eram rentáveis e não havia perigo de detenção. Entretanto, polícia e cadeias seriam desnecessárias se tais atitudes sempre prevalecessem. A racionalidade implicava que alguns indivíduos se tornassem criminosos por causa das recompensas financeiras e outras da criminalidade em comparação com o trabalho honesto, tendo em conta a probabilidade de prisão e condenação, e a severidade da punição.
A quantidade de crimes é determinada não apenas pela racionalidade e preferências dos supostos criminosos, mas também pelas questões econômicas e sociais no ambiente criado por políticas públicas, incluindo gastos com policiais, punições por diferentes crimes e oportunidades para programas de emprego, educação e treinamento. Claramente, os tipos de empregos legais disponíveis, bem como lei, ordem e punição, são uma parte essencial da abordagem econômica do crime.
Referência:
Palestra de recebimento do Nobel de Economia de 1992 (Gary Becker)
Inspeção hospitais psiquiátricos
https://www1.folha.uol.com.br/equilibrioesaude/2019/12/inspecao-aponta-falta-de-estrutura-castigo-e-ate-estupro-em-hospitais-psiquiatricos.shtml
Inspeção aponta falta de estrutura, castigo e até estupro em hospitais psiquiátricos
Fiscalização ocorreu em 40 instituições de grande porte que respondem por 36% dos leitos do SUS
Inspeção aponta falta de estrutura, castigo e até estupro em hospitais psiquiátricos
Fiscalização ocorreu em 40 instituições de grande porte que respondem por 36% dos leitos do SUS
quinta-feira, 23 de abril de 2020
Discriminação (enfoque econômico)
Um novo desenvolvimento teórico nos últimos anos é a análise de consequências do raciocínio estereotipado ou da discriminação estatística (veja Phelps 1972; Arrow 1973). Esta análise sugere que as crenças de empregadores, professores e outros grupos influentes de que membros de minorias são menos produtivos podem ser auto-realizáveis, pois essas crenças pode fazer com que as minorias invistam menos em educação, treinamento e habilidades para o trabalho, como pontualidade. O subinvestimento os torna menos produtivos (veja uma boa análise recente de Loury [1992]).
A teoria econômica da discriminação baseada no preconceito implica que a discriminação real por empresas ou trabalhadores é medida pela forma como muitos lucros ou salários que se perdem para evitar contratar ou trabalhar com membros de um grupo que não gosta. A discriminação por parte dos consumidores é medidos pelos preços mais altos que pagam para evitar produtos ou serviços produzido por esses membros. Evidências sobre lucros, salários ou preços normalmente não está disponível, então a discriminação contra um grupo é geralmente medido pela comparação dos ganhos dos membros do grupo com ganhos da "maioria" que têm os mesmos anos de escolaridade, experiência profissional e outras características mensuráveis. Como essa abordagem indireta apresenta defeitos óbvios, esses estudos não dissipou algumas das controvérsias sobre a fonte de rendimentos mais baixos das minorias.
A teoria econômica da discriminação baseada no preconceito implica que a discriminação real por empresas ou trabalhadores é medida pela forma como muitos lucros ou salários que se perdem para evitar contratar ou trabalhar com membros de um grupo que não gosta. A discriminação por parte dos consumidores é medidos pelos preços mais altos que pagam para evitar produtos ou serviços produzido por esses membros. Evidências sobre lucros, salários ou preços normalmente não está disponível, então a discriminação contra um grupo é geralmente medido pela comparação dos ganhos dos membros do grupo com ganhos da "maioria" que têm os mesmos anos de escolaridade, experiência profissional e outras características mensuráveis. Como essa abordagem indireta apresenta defeitos óbvios, esses estudos não dissipou algumas das controvérsias sobre a fonte de rendimentos mais baixos das minorias.
Referência:
Palestra de recebimento do Nobel de Economia de 1992 (Gary Becker)
quarta-feira, 22 de abril de 2020
Dois loucos no bairro (Paulo Leminski)
dois loucos no bairro
um passa os dias chutando postes
para ver se acendem
o outro as noites apagando palavras
contra um papel branco
todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também
Paulo Leminski
http://antimanicomial.blogspot.com/2007/08/dois-loucos-no-bairro-um-passa-os-dias.html
um passa os dias chutando postes
para ver se acendem
o outro as noites apagando palavras
contra um papel branco
todo bairro tem um louco
que o bairro trata bem
só falta mais um pouco
pra eu ser tratado também
Paulo Leminski
http://antimanicomial.blogspot.com/2007/08/dois-loucos-no-bairro-um-passa-os-dias.html
Ciência e exigências sociais (citação Basaglia)
Basaglia (2005) relata que a realidade é própria de uma ideologia, pois não corresponde ao concreto. A ideologia é utilizada como instrumento de domínio. Assim, usar a ciência e a tecnologia sem levar em consideração a classe a quem pertence o internado psiquiátrico e a evidente função do controle social por parte das instituições e de quem as gerencia, deixa explícita a função política da ideologia psiquiátrica, que tem como finalidade primeira a tutela da ordem pública e não o tratamento. Pois, ao utilizar o positivismo como âncora para explicar de maneira racional e cientifica a condição da loucura, só pode dizer que é doença, a palavra doença, nada mais. É como ocupar lugar num saco vazio através de um sopro. Os serviços psiquiátricos permanecem inseridos na lógica cientifica e econômica de responder a doença mental com a segregação. A doença é incurável e incompreensível, seu sintoma é a periculosidade ou obscenidade, onde a resposta cientifica é o manicômio, onde a doença mental pode ser tutelada e controlada. A norma é representada pela eficiência e produtividade, quem não produz, deve se encontrar num espaço que não atrapalhe o ritmo social. A ciência serve assim para confirmar a diversidade patológica que é instrumentalizada segundo as exigências da ordem pública, da economia e do controle social.
http://antimanicomial.blogspot.com/2008/11/basaglia-2005-relata-que-realidade.html
Morte por sindrome neuroléptica maligna
só sei que em novembro faz 2 anos que meu irmão de 18 (na época) morreu
de síndrome neuroléptica malígna, provocada por doses elevadas do
antipsicótico haldol.
Sendo que ele recebeu a medicação em um hospital psiquiátrico.
Comentário anônimo encontrado na internet
Sendo que ele recebeu a medicação em um hospital psiquiátrico.
Comentário anônimo encontrado na internet
Anulação de poder de contrato e estigma
Quando o sujeito recebe o estigma de “louco” ou é diagnosticado como psicótico, e por isso é internado e conseqüentemente isolado em relação ao meio familiar e social de origem, ou mesmo quando é tratado exclusivamente com medicamentos em casa, ainda se evidencia o lugar de invalidação como sujeito, decorrente da anulação do seu poder de contrato. Essa invalidação do sujeito faz parte das representações sociais dominantes associadas à loucura, desta forma considera-se que “os bens dos loucos tornam-se suspeitos, as mensagens incompreensíveis, e os afetos desnaturados, tornando praticamente impossível qualquer possibilidade de trocas” qualificadas e qualificadoras ”(Tikanori, 2001, p.55-6).
terça-feira, 21 de abril de 2020
Psicocirurgia em líderes negros
https://youtu.be/TV3RiJpJJM8
Trecho do documentário Minds of men
Disponível gratuitamente
O movimento negro ajudou a mobilizar a população contra a psicocirurgia
Trecho do documentário Minds of men
Disponível gratuitamente
O movimento negro ajudou a mobilizar a população contra a psicocirurgia
Cuidados ou intromissão?
Em algum lugar ouvi que é difícil saber o limite aceitável entre cuidados e intromissão.
segunda-feira, 20 de abril de 2020
Ter filho para quê? (e síndrome de Münchhausen)
http://revistaepoca.globo.com/Epoca/0,6993,EPT357630-1666,00.html?fbclid=IwAR1U7k9KwUzKE_y88DUnulIVtquDt_EVrCFiZMFt-Y9wa7X_X81PNMsIgIQ
Professor canadense diz que os casais procriam por inércia e uniões sem filhos são mais felizes e fazem bem ao planeta
Paula Mageste
Professor canadense diz que os casais procriam por inércia e uniões sem filhos são mais felizes e fazem bem ao planeta
Paula Mageste
[Comentário: Esclarecedor dos motivos dos pais que parecem querer que os filhos sejam doentes mentais e inválidos. Possivelmente vários casos não reconhecidos de síndrome de Münchhausen por procuração ou transtorno factício imposto a outro. Ou pelo menos alguma forma de ganho secundário. Imagino que uma variação mais sutil e amena desse transtorno seja mais comum do que seja reconhecido atualmente.]
Cultura e instinto
Cultura - Laraia
Rafael Becker*
LARAIA, Roque de Barros. Cultura: um conceito antropológico. 20. ed. Rio de Janeiro: ZAHAR, 2006. Cap 4 (final).
Inicia-se
com a contribuição de Kroeber para o conceito de cultura. O homem,
inserido em um ambiente ecológico, por adaptação gera cultura. A cultura
é um processo cumulativo que centraliza, pois, o elemento da
aprendizagem determinando o comportamento do homem. Há grande
controvérsia entre o que é cultural e o que é instintivo. Vamos refletir
um
pouco sobre isso iniciando o que o livro comenta sobre o assunto. Ele
diz que instinto de conservação, instinto materno, instinto filial e
instinto sexual ‘’exprimem um erro semântico, pois não se referem a
comportamentos determinados biologicamente, mas sim a padrões culturais.
Pois se prevalecesse o primeiro caso, toda a humanidade deveria agir
igualmente diante das mesmas situações, e isto não é verdadeiro (p.
50)’’.
Apresenta alguns casos culturais para comprovar a colocação: os camicases
–contra o instinto de conservação-, o infanticídio –contra o instinto
materno-, o abandono dos pais velhos pelos esquimós –contra o instinto
filial-, o fato de jovens que cresceram em contextos puritanos
desconhecerem o que fazer em relação ao outro sexo. ‘’Concluindo, tudo
que o homem faz, aprendeu com os seus semelhantes e não decorre de
imposições originadas fora da cultura (p. 51)’’.
Agora
partimos da premissa de que instinto é o dado, o comportamento a partir
de impulsos biológicos. A cultura é o construído, mediante o uso da
capacidade racional do homem. É complicado, pois, distinguir cultura de
instinto pragmaticamente, pois: a) um, no conceito comum, anula o outro;
b) o instinto, não se pode a ele chegar, pois um ser humano necessita
de cuidados, ao menos ao nascer, posto que sozinho não sobrevive, o que
implica em uma incidência cultural desde o princípio; c) a cultura é
influenciada pela composição biológica do homem; d) não se costuma
abstrair que o instinto não necessita chegar à consciência para existir,
ou seja, vincula-se necessariamente o instinto a uma ação impulsiva
quando este pode ser apenas o impulso para uma ação. Logo: a) instinto e
cultura assumem uma relação multidialética; b) essa relação
assemelha-se à questão da cultura e linguagem.http://investidura.com.br/biblioteca-juridica/resumos/antropologia-juridica/81-cultura.html?fbclid=IwAR1_LZOcdHelQcdW_ryEgZwQtF9xd3uLW5wqqtKtSNoD9-YT6IgSATBHywo
Rebeldia e saúde mental
Finalmente, a rebeldia é um direito que como pessoa nos damos, e em contexto de abuso, é um sinal de saúde mental.
https://madinbrasil.org/2020/04/o-suporte-familiar-as-medidas-sanitarias-com-o-coronavirus/
https://madinbrasil.org/2020/04/o-suporte-familiar-as-medidas-sanitarias-com-o-coronavirus/
quarta-feira, 15 de abril de 2020
Irracionalidade não existe na etnografia
Para a etnografia a irracionalidade não existe. Sempre há alguma forma de organização ordenando a experiência ou a expressão cultural. Acredito que seja um princípio metodológico.
Na lógica da racionalidade se opondo à irracionalidade, pode-se afirmar que para a área de saúde mental qualquer coisa que não seja um ajuste custoso à organização familiar ou social vai ser tachado de irracionalidade (pois é negação de uma organização de expressão cultural) e portanto doença mental. Nesse sentido, a saúde mental pode manter hierarquias de poder ao rotular de racional a organização familiar e de irracional quem não se submete à racionalidade familiar.
Mas como a irracionalidade é apenas a negação de uma forma de organização de uma expressão cultural e a irracionalidade não existe para a etnografia, pode-se afirmar que a violência simbólica da área de saúde mental é desnecessária pois seria possível compreender a organização daquilo que é rotulado como irracional e colocar as duas formas de organização de expressões culturais em diálogo e negociação.
Por outro lado, a antropólogo ou sociólogo não abre mão da racionalidade da própria cultura. Mas ter algum senso crítico da racionalidade social e ter a atitude etnográfica em relação ao diferente é bastante desejável.
Por outro lado, a antropólogo ou sociólogo não abre mão da racionalidade da própria cultura. Mas ter algum senso crítico da racionalidade social e ter a atitude etnográfica em relação ao diferente é bastante desejável.
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