O blogger vai desativar o recurso seguir por e-mail.
Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Aviso!
quarta-feira, 14 de abril de 2021
segunda-feira, 12 de abril de 2021
Reducionismo biológico - Allen Frances
Excelente artigo sobre como recuperar o equilíbrio de que precisamos para melhor servir nossos pacientes:
https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/article-abstract/2770563?utm_source=twitter&utm_campaign=content-shareicons&utm_content=article_engagement&utm_medium=social&utm_term=041021#.YHGZO1YJ8oQ.twitter
sábado, 10 de abril de 2021
Grau de responsividade intelectual relativo e diagnóstico de esquizofrenia
sexta-feira, 9 de abril de 2021
Direitos, família, psiquiatria e conceito de prisão
terça-feira, 6 de abril de 2021
Crítica aos ambulatórios
- psicoterapia acessível para poucas pessoas - enche o consultório facilmente
- incentiva medicamentalização
- atenção à crise deixa a desejar porque a consulta é de 3 em 3 meses
Poderia ser repensada a forma de trabalho. Fazer grupos operativos ou de ajuda mútua. A atenção básica e ambulatórios repensados trabalhar em conjunto com os Centros de Atenção Psicossocial (CAPS). Discussão deveria ser aprofundada na reforma psiquiátrica.
Eduardo Mourão Vasconcelos. Comunicação Oral para o MONULA.
[Comentário: Também são as limitações da prática privada na saúde mental.]
domingo, 4 de abril de 2021
Difamação por diagnóstico
Ninguém se preocupa com um ex-alérgico ou com uma cirurgia de apendicectomia, pois ninguém jamais será lembrado por violar as regras de trânsito. Em outros casos, porém, o médico atua como atuário e o diagnóstico por ele emitido pode difamar o paciente e, às vezes, até seus filhos e pelo resto da vida. Ao atribuir uma degradação irreversível à identidade de uma pessoa, ele a marca para sempre com um estigma indelével. A condição objetiva pode ter desaparecido há muito tempo, mas o rótulo iatrogênico permanece colado. Como ex-presidiários, todos os que sofreram de transtornos mentais, tiveram um primeiro infarto e passaram pelo alcoolismo, os portadores do Gene da Anemia Falciforme e até recentemente os ex-tuberculóticos se transformam em diferentes para o resto da vida. A suspeita profissional por si só é suficiente para legitimar o estigma, mesmo que a condição suspeita nunca tenha existido. [...] O diagnóstico sempre agrava o estresse, estabelece uma incapacidade, impõe uma atividade, focaliza o pensamento do sujeito na não cura, na incerteza e na sua dependência de futuras descobertas médicas: tudo o que equivale a uma perda de autonomia em si mesmo. Além disso, isola a pessoa em uma função especial, separa-a do normal e da sanidade e exige submissão à autoridade de pessoal especializado. Ivan Illich, Medical Nemesis
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Estabilidade de dose: grande avanço terapêutico?
quinta-feira, 1 de abril de 2021
Erros médicos no Canadá
3 bilhões de dólares de dinheiro público para defender médicos na justiça. Os paciente tem que pagar a conta dos erros sozinhos.
quarta-feira, 31 de março de 2021
Reação adversa Invega Trinza
https://www.youtube.com/watch?v=NtY8HjvuvTY
Possivelmente se chama discinesia tardia. Se não for algo parecido. Provavelmente distonia.
sábado, 27 de março de 2021
"Doença mental": destino biológico versus contingências
Quando um paciente psiquiátrico fracassa profissionalmente isso é visto como um destino biológico que reflete a aptidão inferior. As contingências que tornam esse suposto destino biológico real não são consideradas. Isso porque quem pensa em termos de "doença mental" não enxerga contingências mas apenas algo dentro do organismo.
"Doença mental" e aprendizagem (Análise do comportamento)
De acordo com a análise do comportamento raiz os problemas dos "transtornos mentais" ou "doenças mentais" são questões de aprendizagem. Portanto, a solução é a educação de comportamentos.
sexta-feira, 26 de março de 2021
Causas da "esquizofrenia" (psiquiatra Breggin)
Causas da "esquizofrenia" para o psiquiatra Breggin (um dos poucos psiquiatras no mundo contra intervenções cerebrais)
- Condições sociais adversas
- Ser criativo numa família de pessoas comuns/fechadas
quinta-feira, 25 de março de 2021
Puritanismo e prazer (Skinner)
Reforma
Eu frequentemente me perguntei como uma pessoa pode desistir da vida licenciosa e adotar o puritanismo, como a Inglaterra no século 17. Em Adam Bebe, Dinah termina um sermão evangélico dessa maneira: "Eu sou pobre, como você: eu tenho que conquistar minha vida com minhas mãos; mas nenhum senhor ou dama pode ser tão feliz como eu, se eles não tem o amor de Deus em suas almas."
Não todos foram capazes de serem licenciosos. A descoberta de que a pessoa poderia ser feliz de uma maneira superior através da desistência de prazeres pode ser a pista. Religião como o prazer do povo?
Notebooks, Skinner (1980, p. 201)
Frase Einstein Ciência cidadã
Albert Einstein ([1924] 2013)
segunda-feira, 22 de março de 2021
ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA
Esse circuito é responsável pelas funções executivas
que envolvem planejamento, organização e execução
de ações, avaliação de suas consequências e capacidade
de alterá-las. A área pré-frontal dorsolateral também
é responsável pela memória operacional, um tipo de
memória de curto prazo, e está intimamente conectada
ao sistema límbico. Dessa forma, além de suas duas
funções principais, a executiva e a memória operativa, o
CPFDL está implicado na regulação das emoções 6,22 .
[Alterar consequências de ações é trabalho da análise do comportamento. Não é preciso intervir no cérebro para isso. Tratar o corpo é uma forma indireta de alterar isso. Isso é um pressuposto reducionista biológico (que é um nível de análise possível mas não explica tudo). O cérebro não causa a própria ativação cerebral e isso depende da relação com o mundo ou o histórico de relação com o mundo que alterou o corpo. As consequências das ações continuam mantendo e alimentando a depressão. Alterar a área de planejamento e execução de ações por si só não vai alterar a relação com o mundo (contingências de reforçamento).]
Além de todos os parâmetros de estimulação, os
efeitos da EMTr vão depender da idade, do gênero e dos
aspectos genéticos de cada indivíduo 1 .
[Blindagem contra alegações de ineficácia. A variável idade sugere um pressuposto de progressividade da "doença mental". O que é algo discutível. A variável gênero é uma variável social. A variável genética também depende de relação com o ambiente (não deve ser vista de maneira tão determinista) e também é uma forma de blindagem.]
É um procedimento seguro, quase isento de efeitos
adversos. O risco de convulsão acidental é a complicação
mais preocupante.
[O raciocínio médico envolve considerar normal as intervenções drásticas (bastante dano). É dentro desse contexto discursivo que se está trabalhando. É um padrão consistente das pesquisas psiquiátricas a minimização de efeitos negativos dos tratamentos. Inclusive com pesquisas desonestas e patrocinadas pelas indústria. Nem a Cochrane (referência em avaliação de tratamentos de saúde) é confiável. Ela mostrou indisposição de relatar resultados negativos que contrariem fortemente os interesses da indústria. Foi preciso criar um outro instituto mais confiável. Instituto que defende a liberdade acadêmica/científica.]
Portanto, o risco de convulsões aumenta à medida
que frequência, intensidade e duração dos estí mulos
são aumentados. A fi m de diminuir os riscos, limites
de segurança foram estabelecidos para a duração em
segundos das séries, de acordo com cada frequência e
intensidade (porcentagem do LM) 6,17 .
[Relação paramétrica entre variáveis: quanto mais o valor introduzido maior o dano como efeito.]
A síncope é um dos efeitos adversos comuns
durante o procedimento, normalmente desencadeada
pela ansiedade. Manifestações como posição tônica,
vocalizações, automati smos orais e motores, revirada
dos olhos e fenômenos alucinatórios podem confundir a
síncope com uma crise convulsiva 6,18 .
Relatos de desconforto e dor facial acontecem com
frequência após o procedimento. A cefaleia é, na
maioria das vezes, transitória e responsiva a analgésicos
simples 6,27,28 . A sensação cutânea causada pela EMTr
esti mula o escalpo a produzir contrações musculares em
face e pescoço, responsáveis pelo desconforto e a dor 17 .
Sensação de fraqueza inespecífica também foi relatada
nos estudos 6 . Uma metanálise sobre segurança da EMTr
na depressão, publicada em 2008, mostrou que 39%
dos pacientes apresentaram desconforto e dor durante
a EMTr ati va, e 28%, cefaleia 27 .
[Isso parece ser alguma forma de dano. Mesmo que não seja perceptível como permanente.]
Viradas maníacas podem ocorrer em pacientes
submeti dos ao tratamento e, quando ocorrem, geralmente
estes têm história prévia de transtorno bipolar 5,28 . Xia
et al. publicaram uma revisão sobre o tema em 2008 29 .
Episódios de mania que surgiram após o tratamento
foram relatados tanto na EMTr-AF quanto na EMTr-BF,
em pacientes com depressão unipolar e bipolar, depois
da estimulação do CPFDL esquerdo. A taxa média, 13
casos, entre 53 estudos randomizados controlados em
depressão, parece ser um valor baixo (0,84% mania
para EMTr ativa versus 0,73% para o placebo) e não foi
estatisticamente significativo. A maioria desses pacientes
foi diagnosticada com transtorno bipolar 18,29 .
Estudos divergem quanto ao encontro de alterações
cognitivas. Quando relatadas, a maioria era transitória:
cansaço excessivo e dificuldade de concentração e
memória 17 .
[Há recuperação do dano. Mas há dano.]
Entre as causas psiquiátricas, o efeito antidepressivo
utilizando EMTr-AF no CPFDL esquerdo possui nível
A de evidência de acordo com o guideline. No nível B
de evidência (provável eficácia), estavam os efeitos
antidepressivos da EMTr-BF no CPFDL direito e os da
EMTr-AF no CPFDL esquerdo nos sintomas negativos
da esquizofrenia 1 .
[Diretrizes nem sempre são confiáveis. Como já comentado. Alguém que relate resultados negativos corre risco profissional.]
EMTr na depressão
Um terço dos pacientes com depressão não responde
ao tratamento inicial após 4-8 semanas, mesmo tomando
os devidos cuidados após o primeiro episódio depressivo,
e 50-85% dos casos apresentam recorrência ou tornam-
se crônicos (20%). Aproximadamente 10% dos pacientes
que sofrem de depressão maior são cronicamente
resistentes a várias intervenções psicofarmacológicas.
Nesses casos, intervenções como aumento de doses,
troca ou combinação de anti depressivos (associados
ou não à psicoterapia) e ECT são uti lizadas para tentar
resolver os casos resistentes ou refratários 1 .
[Há dúvidas sobre a eficácia dos antidepressivos em geral. Não apenas para algumas pessoas. A psiquiatra crítica Joanna Moncrieff afirma que depressão não é uma doença.]
Apesar de todo esse arsenal terapêuti co para
depressão, alguns pacientes não respondem. Na busca
de atender essa parcela de não respondedores, a EMTr
surge trazendo efeitos benéfi cos anti depressivos. No
entanto, o papel dessa técnica na árvore terapêuti ca
ainda não está bem defi nido até a presente data.
Geralmente, a EMTr tem maiores taxas de sucesso
quando aplicada em casos agudos de depressão maior
unipolar (episódio depressivo atual há menos de 1 ano),
em pacientes jovens (idade abaixo de 65 anos), com um
nível limitado de resistência a tratamento (uma ou duas
intervenções médicas sem sucesso associadas ou não a
psicoterapia) ou com resposta parcial a tratamento 1 .
[Funciona nos casos mais simples. Há o pressuposto reducionista biológico de que o problema é necessariamente de origem cerebral. O que é diferente de dizer que há uma resposta cerebral a algo. Como já comentado, o cérebro não causa a própria atividade.]
O princípio do tratamento da EMTr na depressão
é baseado em imagens funcionais do cérebro, que
mostram uma diminuição do fl uxo cerebral em pacientes
depressivos na região frontal esquerda do córtex.
Há também uma diminuição do consumo de glicose e
oxigênio na mesma localização, traduzindo um estado de
hipometabolismo; concomitantemente, existe um estado
de hipermetabolismo na região pré-frontal direita 1 .
Estudos eletroencefalográfi cos revelaram assimetria
inter-hemisférica da ati vação frontal, principalmente a
favor do hemisfério esquerdo. O CPFDL é facilmente
acessado pela EMTr e conectado sinapti camente com o
sistema límbico. A EMTr frontal é capaz de afetar vários
sistemas neurotransmissores e fatores neurotrófi cos
e de alterar fl uxo sanguíneo cerebral e excitabilidade
cortical 1 .
[Esse princípio de compensação entre áreas do cérebro é válido. É até possível ser reducionista biológico. Mas não ficar somente nisso. Provavelmente essa causa da depressão foi relatada a partir do efeito do tratamento. O que prova uma mediação biológica mas não a origem da depressão.]
Um desses grandes estudos foi publicado em 2007
por O’Reardon et al. e se tornou o responsável pela
aprovação do tratamento da EMTr para uso na depressão
maior pelo Food and Drug Administrati on (FDA). Foi um
estudo patrocinado pela indústria (Neuroneti cs trial),
multi cêntrico (envolvendo EUA, Austrália e Canadá),
duplo-cego, randomizado, placebo-controlado, com
301 pacientes livres de medicação portadores de
depressão maior, segundo os critérios da 4a edição
do Manual Diagnósti co e Estatí sti co de Transtornos
Mentais (grupo ati vo = 155; grupo controle = 146).
[Como mais tarde o artigo comenta, os estudos serem patrocinados pela indústria é uma forma de limitação.]
Os autores concluíram
que a EMT como monoterapia no CPFDL esquerdo produz
efeitos terapêuticos clínicos antidepressivos significativos
maiores do que o placebo 31,32 .
[Resposta maior que o placebo apenas prova algum efeito de forma estatística (uma média). O tamanho do efeito tem que ser levado em consideração.]
EMTr versus antidepressivos
Dois estudos compararam diretamente EMTr e
antidepressivos 1 . Um comparou EMTr-BF no CPFDL
direito com o uso da venlafaxina (150-375 mg) 1,35 ; o outro,
a EMTr-AF no CPFDL esquerdo com a fluoxetina 1,36 . Os
estudos não mostraram diferença em termos de eficácia
entre os dois grupos, porém tiveram uma amostra
pequena, e não havia grupo-controle 1 .
[Porque os estudos relatados são mal conduzidos? Será que há interesse o suficiente para realizar estudos bem conduzidos?]
EMTr versus ECT
Problemas metodológicos importantes, como a falta de
estudos placebo-controlados, tornam difícil a comparação
da eficácia entre as duas técnicas. Algumas metanálises
mostraram que a EMTr tem uma eficácia menor do
que a ECT, especialmente em pacientes portadores de
depressão com sintomas psicóticos 1,37-40 . Em pacientes
com depressão sem sintomas psicóticos, os estudos são
insuficientes para concluir a superioridade de qualquer
um desses métodos de tratamento 1,40 .
[Porque os estudos relatados são mal conduzidos? Será que há interesse o suficiente para realizar estudos bem conduzidos?]
Os pacientes com depressão não respondedores a uma
droga antidepressiva por um período de 4 semanas já
têm direito ao procedimento. I
[Fácil de satisfazer o critério. O que permite fazer a inferência de que psicoterapia baseada em evidências não foi considerada. Como já comentado, há dúvidas em relação à eficácia dos antidepressivos.]
Considerando os conflitos de interesse, vale salientar
que dois dos estudos multicêntricos, randomizados e
placebo-controlados que comprovaram a eficácia da TMS
na depressão maior foram patrocinados por indústrias
envolvidas com a comercialização das máquinas utilizadas
para a EMT 32 .
[Limitações das pesquisas]
Uma lacuna importante existente nos estudos é a
determinação da duração dos efeitos terapêuticos
da EMTr a longo prazo. A manutenção do tratamento
também não tem evidência suficiente quanto ao tempo
que deve ser mantida e à frequência com que deve ser
realizada 1 .
[O importante é se o efeito do tratamento permanece a longo prazo. Geralmente há pouco interesse em realizar pesquisas de longo prazo na psiquiatria. Mas também é difícil conseguir realizá-los ou ter financiamento.]
Resultados negativos em pesquisas que avaliaram a
eficácia da EMT na esquizofrenia precisam ser revisados
considerando a idade dos pacientes incluídos nos estudos,
geralmente acima de 50 anos. Além disso, vários estudos
foram realizados com pacientes refratários à medicação
e com alucinações auditivas há bastante tempo. Talvez
uma intervenção mais precoce pudesse ter resultados
mais promissores no curso da doença 1 .
[Pressuposto discutível de progressividade da "doença mental". É uma forma de blindagem contra resultados negativos. Há um artigo no blogue que questiona a progressividade da esquizofrenia.]
A dificuldade de fazer estudos controlados com a
EMTr envolve encontrar condições ideais de placebo
e de um mascaramento eficiente, além de definir
desfechos primários e uniformizar o perfil de pacientes
para inclusão. Existe uma heterogeneidade importante
de metas e parâmetros de estimulação entre os estudos.
Dessa forma, para avaliar a eficácia da técnica, é
preciso analisar criteriosamente a metodologia de cada
pesquisa.
[A qualidade das pesquisas é bastante discutível ou as limitações significativas.]
[Em algum momento do artigo não sei se menciona o fator neurotrófico BDNF. Essa substância é produzida em resposta a dano cerebral. Mas é considerada algo saudável em pesquisas tradicionais de psiquiatria. Pessoas com Alzheimer também produzem essa substância e o cérebro está em degeneração.]
[Pelo o que vi em palestra, o efeito desse tratamento não é muito específico.]
[Notei uma certa compulsividade terapêutica em relação às alucinações auditivas (necessidade de eliminar as vozes). É possível considerar o quanto isso incomoda e se não há maneiras de se conviver bem com isso]
ESTIMULAÇÃO MAGNÉTICA TRANSCRANIANA: O
QUE O PSIQUIATRA DEVE SABER?
MARIA CRISTINA MONTENEGRO
AMAURY CANTILINO
Ambiente ruim e mérito
"Onde o meio ambiente é estúpido, preconceituoso ou cruel, é um sinal de mérito estar em desarmonia com ele." - Bertrand Russell, A conquista da felicidade (1930), cap. 9: Medo da opinião pública, p.90
Surtar é se comportar
Surtar é linguagem médica que enfatiza que o problema é algo dentro do organismo desregulado ou disfuncional. Isso leva a rotular o organismo e desconsiderar o que está acontecendo no ambiente do paciente psiquiátrico. O que leva a manejos ruins do comportamento e invalidação. Na análise do comportamento surtar é se comportar de maneiras inapropriadas, não esperadas em relação a um ambiente hostil ou desfavorável. Enfatizar a interação do organismo com o ambiente através de verbos permite descrições mais precisas do que está acontecendo.
domingo, 21 de março de 2021
Deficientes internados até morrer
“Eles ficam até morrer” Uma vida de isolamento e negligência em instituições para pessoas com deficiência no Brasil
ELES FICAM ATÉ MORRER - RELATÓRIO HUMAN RIGHTS WATCH
https://www.youtube.com/watch?v=dNREWFA6gFY
sexta-feira, 19 de março de 2021
Intuição leiga e psicologia
Em segundo lugar, ao explicar as descobertas psicológicas para o público em geral, os psicólogos devem permanecer cientes do fato de que muitas interpretações errôneas do assunto derivam do que podemos chamar de mal-entendidos compreensíveis. Como a psicologia é parte integrante de nossa vida cotidiana e é subjetivamente imediata (Keil et al., 2010), muitos leigos presumem que ela seja intuitivamente óbvia. No entanto, essa intuitividade é frequentemente enganosa, porque pode estar associada a várias ilusões de compreensão marcadas pela sensação de que compreendemos as coisas melhor do que o fazemos (Chabris & Simons, 2010). Por exemplo, Rozenblit e Keil (2002; ver também Lawson, 2006) descobriram que muitas pessoas acreditam que entendem o funcionamento dos aparelhos do dia-a-dia, como banheiros, zíperes e máquinas de costura, muito melhor do que realmente entendem. Se tais descobertas se generalizam para a mente humana, podem sugerir uma tendência semelhante por parte de muitos leigos de serem muito mais confiantes em sua compreensão dos princípios psicológicos básicos do que o justificado.
Public skepticism of psychology: why many people perceive the study of human behavior as unscientific
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/21668088/
Reducionismo ganancioso e psicologia
Reducionismo ganancioso
Nós, humanos, somos "avarentos cognitivos" (Fiske & Taylor, 1984, p. 12; ver também Ruscher, Fiske, & Schnake, 2000, p. 241, para uma discussão dos humanos como "táticos motivados"), o que significa que nós tendem a buscar simplicidade explicativa. Essa propensão é em geral adaptativa, pois nos ajuda a compreender nossos confusos mundos cotidianos. Mas pode nos desencaminhar quando nos faz simplificar demais a realidade. Uma provável manifestação de avareza cognitiva é a preferência por explicações parimônicas. Mas, como a diretriz científica da navalha de Occam nos lembra, geralmente devemos selecionar a explicação mais simples apenas quando ela dá conta das evidências, bem como explicações alternativas (Uttal, 2003). Nesse sentido, as últimas décadas testemunharam um aumento acentuado na popularidade das explicações reducionistas do comportamento humano, especialmente aquelas que se esforçam para reduzir todos os fenômenos psicológicos à neurociência (Lilienfeld, 2007). O apelo sedutor do reducionismo fevereiro-março de 2012 ● As explicações do psicólogo americano provavelmente derivam em parte de sua aparente simplicidade (Jacquette, 1994). Por sua vez, tais explicações provavelmente criaram a impressão aos olhos de leigos instruídos de que a neurociência é mais “científica” do que a psicologia. Weisberg, Keil, Goodstein, Rawson e Gray (2008, p. 471) mostraram que apenas inserir as palavras "varreduras cerebrais indicam" (junto com algumas frases de explicação neurocientífica acompanhante) em interpretações logicamente falhas de descobertas psicológicas pode render graduandos - mas não especialistas em neurociência - significativamente mais propensos a achar essas interpretações persuasivas (ver também McCabe & Castel, 2008). Se tais achados forem generalizáveis ao público em geral, eles sugerem que os achados de imagens cerebrais podem freqüentemente ser mantidos com certa reverência nas mentes dos leigos. Crítica para compreender os perigos de uma visão neurocêntrica da psicologia - aquela que considera a neurociência como inerentemente o nível mais importante de explicação para compreender o comportamento - é a distinção entre reducionismo constitutivo e eliminativo, o último denominado reducionismo ganancioso por Daniel Dennett ( 1995, p. 82). O reducionismo constitutivo, um credo relativamente não controverso subscrito por virtualmente todos os psicólogos científicos, postula apenas que todas as "coisas da mente" são, em última análise, "coisas do cérebro" (ou pelo menos coisas do sistema nervoso central) em algum nível e que tudo o que é mental é essencialmente material . Em contraste, o programa muito mais radical de reducionismo eliminativo propõe que o nível neural de explicação acabará engolindo todos os níveis superiores de explicação, incluindo o psicológico, bem como um Pac-Man computadorizado ganancioso canibalizando tudo em seu caminho. Do ponto de vista do reducionista eliminativo, a psicologia acabará sendo considerada supérflua como assunto, porque os avanços da neurociência um dia permitirão que os cientistas traduzam todos os pensamentos, emoções e comportamentos para uma linguagem estritamente neural. De acordo com os princípios do reducionismo eliminativo, alguns céticos do status científico da psicologia foram mais longe, argumentando que este campo oferece poucos insights que não podem ser reduzidos a níveis mais fundamentais de análise. Como G. A. Miller (2010) observou em uma análise provocativa repleta de dezenas de exemplos vívidos, tais pronunciamentos tornaram-se habituais na imprensa popular. Como ilustração, Miller citou um artigo de opinião do New York Times sobre a depressão de Abraham Lincoln: “Lincoln sofria de episódios recorrentes do que agora seria chamado de depressão desde a infância. À luz do que sabemos hoje, um esforço para vinculá-los a decepções emocionais ao invés de um desequilíbrio químico parece estranho, ao invés de científico ”(Schreiner, 2006, p. A19). O raciocínio aqui implica que a depressão é necessariamente melhor vista no nível de um desequilíbrio químico do que no nível de uma disfunção psicológica. Mesmo deixando de lado questões científicas incômodas sobre o modelo de desequilíbrio químico da depressão (ver Kirsch, 2010; Lacasse & Leo, 2005), a noção de que a depressão é um desequilíbrio químico em um nível de análise de forma alguma exclui a possibilidade de que seja um transtorno psicológico em um nível diferente (Lilienfeld, 2007). Fevereiro-março de 2012 ● O endosso do psicólogo americano ao reducionismo eliminativo (ver também Guze, 1989) também negligencia a possibilidade de propriedades emergentes, capacidades de nível superior que resultam de interações entre elementos de ordem inferior (Chalmers, 2006; Meehl & Sellars, 1956) . Engarrafamentos e cristais, por exemplo, são fenômenos emergentes que não podem ser reduzidos inteiramente a seus constituintes de ordem inferior: O todo difere da soma de suas partes (Calvin, 1996). Mesmo que as propriedades emergentes não existam na psicologia - e alguns estudiosos duvidam que existam (Churchland, 1984) - ainda estamos muito longe de uma redução explicativa completa das capacidades psicológicas humanas ao nível neural de análise. Em um futuro previsível, o nível psicológico de explicação oferecerá contribuições indispensáveis para a compreensão científica do pensamento, sentimento e ação (Lilienfeld, 2007).
Public skepticism of psychology: why many people perceive the study of human behavior as unscientific
quinta-feira, 18 de março de 2021
NUDEDH (Defensoria) e internações involuntárias
É possível reclamar de internações involuntárias irregulares no Núcleo de Defesa de Direitos Humanos (NUDEDH) do seu estado. O encaminhamento provavelmente vai ser um Termo de Ajuste de Conduta com a instituição que pratica internações irregulares.
terça-feira, 16 de março de 2021
Neurolépticos, acatisia e suicídio
“Com o advento dos antipsicóticos, as pessoas com esquizofrenia se matam a taxas iguais às taxas de doença maníaco-depressiva ... É principalmente devido à acatisia ... de drogas como a olanzapina, que parece ter a maior taxa de suicídios na história de ensaios clínicos” D. Healy
segunda-feira, 15 de março de 2021
Divulgação versus artigo científico
O meu artigo sobre o efeito do neuroléptico Socian na variabilidade da frequência cardíaca tem quase 600 acessos e está publicado nesse blogue. O resto das minhas postagens de divulgação tem bem menos. É um erro dizer que divulgação acessa mais pessoas. Por outro lado, conhecimento disponível de qualidade no blogue é acessado por poucas pessoas e é conhecimento científico acessível.
domingo, 14 de março de 2021
Raciocínio kraepliano
O raciocínio kraepliano, base da psiquiatria tradicional, de desconsiderar uma avaliação do contexto ou usá-lo apenas para rotular uma degeneração do organismo leva a diagnósticos absurdos, injustiças e tratamentos prejudiciais.
sábado, 13 de março de 2021
CBT is a scam and a waste of money
Os psiquiatras acreditam muito em terapia cognitiva porque usam métodos de pesquisa parecidos com os da medicina.
Atenção como comportamento (Skinner)
Um estudante no meu colóquio ontem achou que eu estava negligenciando a atenção. Era preciso atentar para se comportar com sucesso. Eu tentei mostrar como as contingências que explicam o comportamento bem-sucedido poderia explicar o atentar também, mas ele se manteve convencido de que a pessoa primeiro olha a situação antes de agir e que se não fizer isso, o comportamento fracassa. Sem dúvida situações novas e complexas nas quais isso é verdade, mas "olhar alguma coisa" é se comportar, não atentar.
Enquanto ao período de atenção, eu citei o mongolóide [deficiente intelectual] no filme de Ellen Reese Vencido para fazer sucesso (Born to Succeed) cujo período de atenção foi estendido quase sem limite quando o comportamento da tarefa era habilmente reforçado.
Notebooks, Skinner (1980, p. 344)
quinta-feira, 11 de março de 2021
Eletrochoque, lobotomia e tranquilizantes (Skinner)
domingo, 28 de fevereiro de 2021
Número de 'crises cerebrais' e prognóstico
Os psiquiatras fazem um cálculo matemático do número de 'crises' e o grau de progressão de degeneração cerebral. Cada situação de 'vexame' é somente uma 'crise cerebral'. E se a pessoa tenta parar com o tratamento psiquiátrico e não consegue, o psiquiatra conta mais uma crise e piora o prognóstico. Então você quer se libertar do tratamento e ele te aprisiona mais ainda.
sábado, 27 de fevereiro de 2021
Tdah e análise do comportamento
Eu fui fazer um curso de verao em neurociencias porque estava barato e porque tenho medo de estar afirmando algo sem nocao.
O que aprendi ou a impressao que tive a partir de minha formacao e que as funcoes cognitivas podem ser descritas em formato de classes de comportamento ou de maneira nao mentalista. Os neuropsicologos podem nao ter formacao em analise do comportamento e recorrer a explicacoes estruturais e negligenciar as funcoes dos comportamento. E possivel fortalecer classes de comportamento equivaolentes ao que a psicologia cognitiva chama de funcoes cognitivas.
Quanto ao uso de estimulantes farmacologicos eu tenho duvidas pois parece que a enfase e em mostrar de forma cor de rosa como isso funciona atraves de validade preditiva.
Fiquei surpreso com a afirmacao de que a educacao nao da conta de lidar com pessoas com esse perfil e sobra para o medico. Parece compativel com o discurso sobre a medicalizacao da educacao.
Tive contato com uma pessoa com tdah na familia. A explicacao estrutural e vista como tudo no tratamento. Seria necessario tratar o cerebro, para aumentar o QI, para entao poder estudar. Mas ha outro aspecto a ser considerado que e a consequenciacao dos comportamentos relacionados a estudar (funcao) ou a instalacao desses comportamentos e a diminuicao de comportamentos incompativeis. Tambem deve ser considerado que um historico de sucesso torna o estudar mais motivador e mais facil. Um historico de fracasso pode estar sendo atribuido exageradamende a aspectos estruturais.
sexta-feira, 26 de fevereiro de 2021
Decomposição da expressão 'saúde mental'
No final de um dos eventos chamado Epidemia das drogas psiquiátricas, Paulo Amarante diz que a palavra saúde na expressão saúde mental deveria ser substituída por outra forma de se expressar.
Mas há um problema: seria preciso decompor conceitualmente ou operacionalizar em diversos indicadores de "saúde mental". Tenho uma proposta: saúde mental significa conforto emocional, acesso a direitos e comportamento apropriado segundo valores sociais.
O que mais significa o conceito de saúde mental? Ou qual expressão poderia substituir saúde mental? Bem-estar mental?
Ou bom funcionamento físico, bom funcionamento cerebral e bom funcionamento social? Mas isso tornaria necessário um estado orgânico intacto ou uma valorização social que nem sempre está relacionado com o bem-estar mental.
terça-feira, 23 de fevereiro de 2021
segunda-feira, 22 de fevereiro de 2021
Ficções mentais e fisiológicas: assassinato em massa
Mensuração mental, racismo e seleção de pessoas
Traços
Capítulo 13 em Ciência e comportamento humano, "Função versus aspecto," pode oferecer uma saída contra as implicações racistas da mensuração mental. Seleção das pessoas certas se torna menos importante quando começamos a olhar para o controle. É o problema encontrar melhores estudantes - ou prover melhor ensino? Encontrar trabalhadores mais energéticos - ou arranjar melhores sistemas de incentivo? Se nós pudéssemos parar de olhar para a pessoa e olhar ao invés disso para histórias antecedentes, genética ou individual, nós poderíamos começar a agir mais efetivamente.
Notebooks, Skinner (1980)
Observações sobre curso de neurociência
Observações:
- Consideram que efeitos de psicofármacos provam a causa biológica. É como provar que a causa da timidez é biológica pelo uso do álcool. Certamente há um mediador fisiológico. Mas isso não prova que a origem ou etiologia é uma deficiência ou doença biológica. O que parece ser assumido pelo programa de pesquisa: o foco todo é em como a pessoa é degenerada biologicamente e em como justificar as intervenções psiquiátricas. Dizer que se prova causa de maneira indireta por provar um mediador fisiológico sem fazer estudos etiológicos é uma questão de justificar o programa de pesquisa reducionista.
- Ao mesmo tempo o tempo todo o palestrante enfatiza como os modelo animais de transtornos mentais são limitados e que precisam ser múltiplos para enfatizar aspectos limitados. Também enfatiza a necessidade de conversar com outras áreas para compor o mosaico causal. Mas isso não é feito por muitos psiquiatras. Não há necessariamente um problema com o reducionismo como método de pesquisa. Mas o conhecimento é usado na prática de forma reducionista.
- Um comentador afirma que ansiolíticos e antidepressivos "resolvem" a ansiedade por ter ficado provado nas pesquisas animais que há algum efeito dos psicofármacos para lidar com situações novas e ameaçadoras. Uma extrapolação ingênua e exagerada. Pois olhado de forma holística e em casos clínicos humanos a ansiedade não se resolve com ansiolíticos e antidepressivos pois ainda há uma relação com o ambiente alimentando a ansiedade.
- Um palestrante afirmou que psicofármacos também aumentam "sintomas" ou problemas.
domingo, 21 de fevereiro de 2021
sábado, 20 de fevereiro de 2021
Biólogos negando análise do comportamento
Usando internet de vez em quando eu me deparo com biólogos negando o valor do conhecimento da análise do comportamento. Esses biólogos nunca estudaram o assunto e seguem as linhas com maior visibilidade social em psiquiatria e psicologia como se isso fosse prova de superioridade científica. Esses biólogos que me refiro são eles próprios pessoas preocupadas com visibilidade social como sinônimo de sucesso.
Diagnósticos não são tipos naturais
Conselho Superior de Saúde da Bélgica desaconselha o uso do DSM
Melhorar casos refratários com eletrochoque
Um paciente considerado refratário provavelmente está tomando coquetel pesado de drogas psiquiátricas. O médico limitado pela própria lógica médica acha que isso deveria funcionar e que portanto o caso é gravíssimo. O eletrochoque pode fazer o tratamento do paciente refratário mudar de lógica. Ele pode quem sabe reduzir o coquetel de drogas psiquiátricas. Isso deve ser levado em consideração como uma variável adicional. Coquetéis de drogas tornam a pessoa praticamente um zumbi.
Se o paciente é considerado refratário provavelmente todo o seu ambiente social é medicalizador. O que não ajuda muito no tratamento. Ou o médico psiquiatra acredita que terapia cognitiva é o melhor tratamento que existe somente porque é um método próximo da lógica médica e que usa raciocínio estatístico. Provavelmente o médico psiquiatra não sabe o que é contingências de reforçamento ou menospreza análise do comportamento. Portanto, nem tudo foi tentado.
Voltando a prática médica, drogas psiquiátricas não tem grande eficácia. Muito menos com coquetéis pesados. Não alteram comportamentos através de contingências de reforçamento. Como o médico não sabe o que é contingência de reforçamento, não imagina que a pessoa pode começar a fazer o que é esperado dela para evitar o tratamento com o eletrochoque. Outra variável é se a ansiedade do ambiente social sobre a saúde do paciente se reduz e o ambiente social tem expectativa de melhora.
Falar em desfibrilador para o cérebro não faz muito sentido. Somente para o médico que quer simular a lógica médica da cardiologia. O cérebro age diferente do coração com a eletricidade. No cérebro a eletricidade lobotomiza as células nervosas. O coração apenas se contrai.
Dentro da lógica médica ou manicomial, o médico põe viseira teórica. Se fosse capaz de sair da lógica médica ou manicomial viria os pacientes refratários, ou que considera incuráveis e irrecuperáveis, melhorar. O pessoal da lógica manicomial ou médica acredita que não há solução fora da lógica médica e por isso defende que é negligência criticar o tratamento médico ("omissão de socorro"). Provavelmente o entusiasmo com o eletrochoque vem de reduzir a frustração dos médicos em relação aos "transtornos incapacitantes".
Obs: A única proximidade que tive com casos assim quando escrevi esse texto foi um paciente bipolar no CAPS que recebeu indicação de eletrochoque. O único problema que ele aparentava ter era que a vida profissional dele não começava.
Melhorar fora da lógica médica
Os psiquiatras biológicos falam sobre melhorar com eletrochoque como se isso fosse um fato impressionante.
Pois melhorar fugindo à lógica médica ou desconstruindo-a depois de ser considerado irrecuperável é mais impressionante.
sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021
Repertório especial de pais e parceiros e psiquiatria
Pais e parceiros apresentam repertório especial com filhos e parceiros. Nesse sentido, um psiquiatra pode julgar que se o filho está incomodado ou sofrendo deve haver algo errado com o organismo do filho. Pois os pais vão parecer bem ajustados e adaptados à sociedade enquanto o filho vai parecer mal ajustado e mal adaptado. Mesmo se os pais apresentarem comportamentos complicados em outras situações isso dificilmente vai ser levado em consideração.
Inspirado em Skinner - Notebooks (1980). (Seria melhor colocar essa citação)
Obs: A maior chance é que o psiquiatra fique do lado de quem paga a consulta e contra a pessoa com menos poder.
quinta-feira, 18 de fevereiro de 2021
Autopermissão para danificar até estado crítico
Danos no fígado e psicofármacos
Uma das causas de insuficiência hepática aguda que podem originar encefalopatia hepática é a hepatite medicamentosa. Contudo, em algumas situações não é possível evitar a doença hepática, sendo que quando ela já estiver instalada, deve-se tomar algumas precauções ao prescrever medicamentos à esses pacientes. CONCLUSÃO: Conclui-se, portanto, que o uso de psicofármacos tem a possibilidade de causar hepatopatias, necessitando então de grande discernimento para prescrevê-los, cuidado para associá-los e precaução com a realização de exames, tanto antes do início da terapia quanto durante ela, para monitorização do funcionamento do organismo do paciente. Caso já haja doença hepática instalada, os cuidados com a administração devem ser ainda maiores, para que o quadro do paciente não progrida, levando ao aumento da morbimortalidade.
quarta-feira, 17 de fevereiro de 2021
Razão definida (para Skinner/comportamentalmente)
"Como C.S. Lewis afirmou, a razão é um desses traços não analisáveis, porque na tentativa de derivá-la de fatores irracionais nós destruímos suas reivindicações de correspondência com a verdade objetiva." (Carta para o editor, The sciences, Janeiro/Fevereiro 1976.)
"Um traço derivado de fatores reivindicando correspondência com a verdade objetiva" - o que isso pode ser?
O raciocínio como uma atividade pode ser definido. Não é um traço, um fator, ou um correspondedor com a verdade objetiva. É a análise de contingências de reforçamento, com a ajuda do qual o raciocinador pode satisfazer as contingências sem ser diretamente afetado por elas. Ao invés de jogar dados com uma probabilidade surgindo das frequências encontradas numa longa história jogando, a pessoa "examina o espaço da amostra" e age "racionalmente" a respeito de um dado cenário.
Livro Notebooks (1980), Skinner
quarta-feira, 10 de fevereiro de 2021
Skinner sobre o eletrochoque
domingo, 7 de fevereiro de 2021
A linguagem psiquiátrica é avaliativa/normativa
A linguagem psiquiátrica é discurso avaliativo e normativo em relação a ideais, costumes, valores, normas e preferências e portanto expressa mais um julgamento social do que uma descrição. É possível descrever a partir de modelos conceituais diferentes e prescindindo do modelo médico em saúde mental. A observação não ocorre sem a formação prévia de conceitos, ou seja, é mediada por conceitos. A linguagem psiquiátrica é uma abstração que define a forma de lidar com fatos diversificados entre si que poderiam ser descritos sob outras abstrações. A sociedade se ilude achando que está lidando com a realidade da condição médica das pessoas. Na verdade está abstraindo a condição humana como condições médicas.
Banalização e abusos de psicofármacos (resumo)
Artigo de farmacêuticos mostra práticas irregulares comuns de médicos como problema de saúde pública
"A experiência trazida pelos anos de contato com a dispensação de psicofármacos no serviço público possibilitou a constatação de que há um uso indiscriminado dessa classe de medicamentos. Na busca por uma maior resolutividade para os problemas que envolvem a saúde mental dos pacientes, os médicos mantêm muitas vezes tratamentos que se estendem por anos a fio. Outras vezes, na clínica médica, prescrevem medicamentos psicoativos sem sequer escutar de forma mais atenciosa as queixas dos pacientes. Percebeu-se que, entre farmacêuticos consultados em conversas informais, o relato desse uso indiscriminado não é raro.
A carência de soluções que possibilitem alívio aos sintomas de pacientes portadores de transtornos psicológicos ou psiquiátricos tem contribuído sobremaneira para o uso de medicamentos psicoativos. Da vivência com a dispensação de medicamentos no serviço público surgiu a constatação de que, apesar dos bons resultados nos tratamentos propostos, esse tipo de medicamento nem sempre é prescrito com base na relação risco-benefício e isso aponta para seu uso indiscriminado.
Desse total, há uma maior incidência sobre as mulheres e também com elas está o maior número de utilização de psicofármacos. Isso pode ser atribuído, segundo eles, a uma maior preocupação feminina com relação à sua saúde e, consequentemente, maior frequência nas visitas médicas.
Nos atendimentos realizados na Atenção Primária à Saúde, responsável pelo tratamento dos Transtornos Mentais Comuns, não raro são encontradas prescrições repetidas de atendimentos anteriores, muitas vezes feitas por outros especialistas, sem que se revisem as causas ligadas ao diagnóstico. Essa poderia ser apontada também como uma causa que explique a utilização indevida.
Silva (2001), no sentido de abordar o paciente em seu contexto holístico, aponta para a prática da medicalização sem que sejam contempladas questões outras que interferem na saúde mental do paciente, sobre as quais muitas vezes ele não tem a oportunidade de se expressar: Ao passo que a medicina busca instantaneamente medicar o mal-estar, ou seja, a dor de existir, a psicanálise abre a possibilidade de o sujeito remediar o próprio sofrimento com a palavra, fazendo emergir a falta que o constitui enquanto sujeito. Atualmente, o uso indiscriminado de medicamentos está colocando o sujeito como espectador dos fatos em que ele transita a cada dia. Estes servem como uma tampa para remediar o que acredita não ter mais a oportunidade e a disponibilidade para solucionar. O sujeito não agride só fisicamente o seu corpo, mas também a sua alma, porque permanece em uma angústia existencial que o estabiliza e não corresponde a seus anseios.
Dentre esses “impactos” de que trata a autora na citação acima, encontram-se o consumo de drogas e medicamentos psicoativos que tratam os sintomas já apresentados, mas limitam a vida dos jovens.
Para Teixeira (2010) a prevalência do uso de substâncias psicoativas entre jovens de 18 a 25 anos tem aumentado, o que faz desse assunto uma questão de saúde pública. Nos casos em que esses jovens são estudantes de cursos na área de saúde, o comprometimento pode ser ainda maior, em função da facilidade de acesso a esse tipo de droga, tornando esse grupo ainda mais vulnerável. A preocupação deve aumentar quando se observa que estes estudantes serão profissionais responsáveis por orientações básicas de saúde. Kimura (2005), discorrendo sobre a visão de psicólogos no tratamento com psicofármacos, aponta para uma espécie de mudança de rumo que a terapêutica medicamentosa sofreu.
O que antes seria uma alternativa de tratamento para o sofrimento psíquico e seus sintomas de difícil manejo, transformou-se com o passar do tempo em “pílula da felicidade”, prometendo acabar com todos os incômodos psicológicos da existência humana. Para a autora, existe um forte apelo da propaganda para promover os medicamentos, passando a falsa ideia de solução mágica para os conflitos, desprezando, inclusive, o atendimento psicanalítico.
O uso de metáforas – paisagens, natureza, animais – e cenas de família ideal são bastante presentes na promoção dos psicofármacos. Estas imagens sugerem a possibilidade da medicação propiciar até mesmo a reintegração familiar e dissolução de conflitos.
Não menos preocupante, com o avanço dos diagnósticos em psiquiatria e neurologia, surge a necessidade da medicalização de crianças e adolescentes. Nesse contexto, Brasil (2000) esclarece: A indicação de psicofármacos para o tratamento de problemas de saúde mental em crianças e adolescentes traz preocupação mas também esperanças. Preocupação pelo risco dessas indicações tenderem a banalizar o uso como solução imediata e não como um recurso possível a partir da avaliação risco-benefício.
Sobre a questão da dependência, Forsan (2010) aponta para uma abordagem interessante em que, o uso de benzodiazepínicos para tratar sintomas da ansiedade não trata a ansiedade. O que acontece é uma falsa sensação de dependência, assim explicada pela autora: Os casos de dependência aos Benzodiazepínicos relatados na literatura ou constatados na clínica se prendem, na grande maioria das vezes, ao uso muito prolongado e com doses acima das habituais.
Antes de se considerar a dependência, pura e simples, deve-se ter em mente que, se o Benzodiazepínico não foi bem indicado e estiver sendo usado como paliativo de uma situação emocional não resolvida, como atenuante de uma situação vivencial problemática, como corretivo de uma maneira ansiosa de viver, enfim, como um “tapa-buracos” para alguma circunstância existencial anômala, então a sua supressão colocará à tona a penúria situacional em que se encontra a pessoa, dando assim a falsa impressão de dependência ou até de síndrome de abstinência.
Os autores apresentam sinais e sintomas que podem apontar para crises de abstinência, dividindo-os em físicos e psíquicos (sinais menores). Como sinais físicos os pacientes podem apresentar, tremores, sudorese, palpitações, letargia, náuseas, vômitos, anorexia, sintomas gripais, cefaléia e dores musculares. Os sinais psíquicos aparentes na crise de abstinência são insônia, irritabilidade, dificuldade de concentração, inquietação, agitação, pesadelos disforia, prejuízo da memória, despersonalização/desrealização. Os sinais maiores são convulsões, alucinações e delirium. Diante do exposto, os autores orientam no sentido da necessidade da retirada dos benzodiazepínicos, apesar da abstinência.
Não se deve esperar que o paciente preencha todos os critérios da síndrome de dependência para começar a retirada, uma vez que o quadro típico de dependência química – com marcada tolerância, escalonamento de doses e comportamento de busca pronunciado - não ocorre na maioria dos usuários de benzodiazepínicos, a não ser naqueles que usam altas dosagens. É importante salientar que mesmo doses terapêuticas podem levar à dependência.
A partir da experiência adquirida ao longo dos anos através do contato com pacientes do serviço público, a ideia de que a prática da medicação com psicofármacos se dava de forma indiscriminada tomou consistência. O comparecimento frequente de pacientes ao serviço, por um período de tempo prolongado, em busca dos mesmos medicamentos despertou a curiosidade sobre a abordagem desse fenômeno na literatura. Muitos são os trabalhos e pesquisas realizados neste sentido e, ao final das leituras realizadas, pode-se perceber que o uso indiscriminado de psicofármacos não é privilégio do serviço público ou apenas de consultórios psiquiátricos.
Médicos generalistas, de atenção básica ou não, prescrevem psicofármacos para tratar as mais variadas queixas dos pacientes relacionadas ao seu bem estar psíquico. Sensações como medo, angústia, ansiedade, insônia pós-traumática, tão próprios da natureza humana passaram a ser tratados como sintomas de alguma patologia, sobre a qual não se realiza uma boa anamnese, não se faz uma investigação mais profunda, nem o devido acompanhamento, seja clínico ou farmacoterapêutico. Com isso, os indivíduos que, momentaneamente, façam uso de medicamentos sedativos ou hipnóticos seguirão como usuários vida afora, até que decidam ou sejam instruídos por outro profissional a retirarem o psicofármaco utilizado.
Outra questão que pôde ser confirmada, após o confrontamento dos textos, é o uso de psicofármacos entre os idosos. Numa faixa etária em que a saúde já necessita de intervenções medicamentosas de várias ordens, a chamada polifarmácia, medicamentos com ação sobre o SNC podem, em certos casos, piorar ainda mais o estado geral do paciente, seja por interação com outros, seja por diminuir o ritmo de suas atividades, provocar mudanças na fala, nos reflexos, na marcha. Sem considerar os riscos de quedas decorrentes de tonturas, vertigens e hipotensão ortostática. Contudo, os medicamentos seguem sendo prescritos nessa população sem que haja cuidado e acompanhamento.
No que concerne à Atenção Básica à Saúde, vários são os programas de atendimento a determinados grupos, inclusive os de saúde mental, sem que sejam, contanto, elaboradas estratégias para redução do uso dessa classe de medicamentos. Os pacientes seguem sendo tratados e não há revisão das causas do diagnóstico e medicamentos prescritos por outros médicos, ou seja, os prescritores tendem a manter o medicamento se o paciente já usa, mesmo não conhecendo exatamente em que se circunstâncias ele foi prescrito, não se dando ao trabalho de reavaliar as condições do paciente e tentar uma nova conduta, caso necessário. Em se tratando de consultórios de atendimento a convênios ou particulares a utilização indevida dos psicofármacos é fruto também da pressão que a indústria farmacêutica exerce sobre os médicos. Um forte apelo nas propagandas, conhecimento das atualizações que muitas vezes o médico não possui são suficientes para a adesão dos prescritores às novidades apresentadas.
Diante de todas as situações apresentadas, é notório que há um problema grave, que pode inclusive ser considerado de saúde pública, para o qual os profissionais da área precisam lançar um olhar mais cuidadoso. É necessário mais empenho e cuidado com o manejo dessa classe de medicamentos que tanto pode solucionar problemas para quem usa como ser uma fonte de problemas. Uma ação conjunta de vários profissionais de saúde poderia ser um passo rumo ao uso racional de psicofármacos. O farmacêutico habilitado para a Atenção Farmacêutica e Farmácia Clínica pode dar o suporte farmacoterapêutico necessário a essa prática, colaborando com outras ações de saúde, inclusive medidas não farmacológicas. Substâncias psicoativas são cada vez mais utilizadas e tornam-se, na proporção de seu uso, cada vez mais imprescindíveis para os pacientes quando se busca um equilíbrio satisfatório dasaúde psíquica e manutenção do bem estar dos indivíduos. Resta aos profissionais de saúde buscarem conhecimento para promover seu uso racional, garantindo sua segurança e eficácia nos tratamentos a que se submete o paciente."
Abusos e banalização na prescrição de psicofármacos - uma revisão da literatura
Cuidados com saúde e psicofármacos
Além do número de medicamentos prescritos, a ocorrência e a gravidade das interações estão relacionadas com a duração do tratamento, idade e sexo do paciente, estado da doença, fatores genéticos, consumo de álcool, tabagismo, tipo de dieta e fatores ambientais.
Prejuízos psicofármacos
"As referidas alterações do componente morfológico podem se tornar preocupantes, pois, além de acarretarem a diminuição da sensação de bem-estar, favorecendo a deterioração progressiva dos mecanismos de controle, e reduzindo a capacidade de adaptação ao meio, promovendo a perda da auto-estima, também representam um importante fator de risco para o desenvolvimento de doenças crônico degenerativas9."
Prejudica mas como tem um nome médico inventado e um nome de um antídoto inventado na verdade faz bem.
sábado, 6 de fevereiro de 2021
Psicofármacos são psicológicos?!
"Os psico-fármacos (também chamados de fármacos psicotrópicos ou psicoativos), são medicamentos com predomínio de ações sobre o psiquismo, as emoções, as atitudes mentais e o comportamento dos seres humanos, resultando, dessa forma, as suas potencialidades terapêuticas."
O que isso que os psicofármacos afetam tem de natureza médica necessariamente? Apenas um nome inventado e vendido por razões comerciais.
Exames de sangue e psicofármacos
Discinesia tardia - Só questão de tempo
A discinesia tardia é uma síndrome extrapiramidal de início tardio que pode ser desde reversível a parcialmente reversível a irreversível. A observação clínica sugere que, se os pacientes tomam essas medicações por tempo suficiente, a maioria desenvolve o distúrbio. A discinesia tardia é caracterizada por movimentos repetitivos e estereotipados das estruturas orofaciais. Pode haver protrusão ocasional da língua, batida dos lábios, caretas faciais e coreoatetose do tronco e dos membros.
Embora a discinesia tardia possa ocorrer com qualquer agente antipsicótico, é mais comum com os agentes típicos. Em jovens, a taxa de ocorrência anual de discinesia tardia é de 3 a 5% com os antipsicóticos típicos. Em idosos, a discinesia tardia pode desenvolver-se em até 25% dos casos durante o primeiro ano de terapia com haloperidol. A taxa de ocorrência de discinesia tardia com os agentes atípicos é cerca de um décimo da dos antipsicóticos de primeira geração.
http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/7402/intoxicacao_por_medicacoes_anti_psicoticas.htm
Síndrome neuroléptica maligna - risco real
http://www.medicinanet.com.br/conteudos/revisoes/7402/intoxicacao_por_medicacoes_anti_psicoticas.htm
1 a 2 casos por 10 mil pacientes tratados de algo potencialmente fatal não me parece tão raro assim. Os médicos prescrevem como se não acontecesse e as pessoas tomam acreditando que nada acontece.
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
Representações mentais como causa e diagnósticos absurdos
O uso do conceito de representação mental como causa da ação (mentalismo) leva a diagnósticos absurdos da parte de psiquiatras por se supor que o comportamento desajustado tem que ter como causa uma cognição bizarra e logo a inferência de um cérebro deficiente incapaz de produzir representações mentais fidedignas com a realidade. Essa cognição bizarra pode nem ter sido identificada ou observada mas é suposta e portanto assumida como presente e real.
O diagnóstico de esquizofrenia, por exemplo, pode ter sido feito por razões pouco justificáveis fora desse quadro conceitual. Isso desconsidera uma descrição do contexto e dos comportamentos descritos como verbos. Pressupondo-se que os comportamentos descritos como verbos sempre tem funções, os acontecimentos se tornam mais claros sem precisar recorrer ao conceito de representações mentais bizarras mediando a ação.
O transtorno de pânico ou a ansiedade generalizada é outro exemplo.
Loucos desaparecidos - Análise do discurso
Rapper de São José, Leonardo Irian é encontrado após cinco dias desaparecido
Trechos:
Sofre de esquizofrenia
(linguagem passiva)
está bem de saúde, em casa e medicado
(É preciso medicar para evitar a progressão da doença. Deve estar com a família sem autonomia. Só pode estar bem seguindo o tratamento psiquiátrico.)
Ele teria se perdido na volta.
(Ele se perdeu por estar desorientado)
Análise: A linguagem da matéria toda é na linguagem passiva, com o paciente psiquiátrico sofrendo de algo passivamente, sem capacidade de decisão e sem agência. Outras pessoas fazem algo ativamente mas o paciente não. Ele precisa que algo seja feito a ele. Ele é basicamente um objeto em deterioração e desorientado.
Paciente com esquizofrenia desaparece após fugir de hospital na Serra
Trechos:
Fugiu e desapareceu.
já que, em função do transtorno psiquiátrico, caracterizado principalmente por alucinações visuais e auditivas, Marcos tornou-se muito agressivo. Por isso, ele pode representar um risco não só para si próprio como também para outras pessoas.
Ela mostrou que ele era incapaz. Ou seja, todos ali corriam perigo. Eu falei pra médica que eles foram irresponsáveis porque todos estavam correndo perigo, porque ele é capaz de matar. Isso é um perigo para a população
Eu tenho medo de ficar com ele. Ele vive em uma casa gradeada e, quando ele está bem, com a medicação, a gente solta ele, então ele circula pelo quintal, dentro da casa dele, faz o que ele quer
Análise: família com linguagem completamente manicomial (“incapaz e perigoso”) e a família é tão manicomial que até faz cárcere privado. A única razão para agressividade é a entidade patológica e a única razão para ele ficar bem e ter um pouco de liberdade é a medicação. Quem não segue tratamento é um grande risco para si e para os outros.
Linguagem na voz ativa mas agressivo. Não tem condições de ser autônomo por ser incapaz e perigoso (linguagem manicomial). Afirmar a própria autonomia é uma afronta agressiva. É possuído passivamente por uma entidade patológica que desorienta. A família lida com a entidade patológica e não com a pessoa por inteiro enquanto humana (desumanização). Com essa linguagem a família parece estar invalidando as necessidades do paciente enquanto ser humano pois não respeita os direitos humanos do paciente como mostra a linguagem manicomial e o cárcere privado.
Mulher está desaparecida em Marcelino Ramos
Trechos:
Senhora com esquizofrenia (A senhora tem uma entidade patológica externa a ela que a possui).
já saiu outras vezes, devido sua doenças (A moradora de residência terapêutica só usufrui da própria autonomia sem avisar outras pessoas por conta de uma entidade patológica).
Fugiu (Então devia estar muito bom na residência terapêutica mas como ela tem uma entidade patológica externa a ela não conseguiu perceber isso. A linguagem desresponsabiliza os responsáveis pela qualidade de vida na residência terapêutica.)
Marcos Alexandre Cruz, de 38 anos, saiu de casa no sábado (9) e não voltou mais; segundo a família, homem tem esquizofrenia
Trechos:
Ainda segundo Leila, essa não é a primeira vez que Marcos sai de casa. Em outros episódios ele chegou a ir para as cidades de Valinhos e Porto Feliz. No entanto, diferente desta vez, Marcos sempre retornava para a casa no mesmo dia.
Ainda de acordo com ela, os desaparecimentos acontecem em virtude da esquizofrenia. "Ele tem que tomar remédio, mas nega o tratamento. Foi diagnosticado ainda na adolescência. Ele está há 4 meses sem tomar a injeção", disse.
Análise: Sem seguir o tratamento psiquiátrico não é seguro sair de casa e ter autonomia.
Jovem com esquizofrenia que estava desaparecido é encontrado em Alumínio
Trechos:
"Ele estava muito confuso e só soube responder falando da clínica aonde ele estava em tratamento. Foi o que morador fez, pesquisou nas redes sociais e encontrou o telefone da clínica, eles já estavam ciente do desaparecimento dele", explicou.
O rapaz foi resgatado pelos funcionários da clínica e, segundo a irmã, vai retomar o tratamento.
Análise: A única razão pela qual ele fugiu da clinica (a palavra fugiu nem é usada) é porque ele estava confuso. A qualidade da clínica não tem relação nenhuma com os pacientes fugirem. A internação também foi apenas devido a confusão e a família não tem relação nenhuma com isso.
Os heróis da clínica resgataram o rapaz e ele voltou a fazer tratamento involuntário/forçado. O que é irregular segundo a Convenção da ONU de pessoas com deficiência.
Jovem com esquizofrenia é encontrada após desaparecer por oito dias
Trechos:
Ela teria fugido de casa após sofrer um surto.
Em casa, Érica deixou uma carta para a família, dizendo que estava indo para o interior, à procura de emprego, e que voltaria quando estivesse estabilizada.
Análise: A única razão pela qual ela fugiu de casa foi a entidade patológica. A entidade patológica mesmo que seja duvidosa na pesquisa psiquiátrica possui realidade social. Aparentemente tentar ser independente é sinal de surto psicótico para a família (paciente psiquiátrica desacreditada socialmente).
Família procura por mulher com esquizofrenia que desapareceu em Belo Horizonte
Trechos:
Estudante, Mariana é portadora de esquizofrenia e recebe tratamento psiquiátrico no Hospital Espírita André Luiz na região Oeste de Belo Horizonte, como conta a tia dela, Vânia de Freitas Drumond. “Ela ficou internada por dois meses no André Luiz e recebeu alta uma semana antes de desaparecer, no dia 17. No dia em que ela desapareceu, ela estava falando coisas desconexas com o pai e com a mãe. Saiu e não voltou mais, era o dia do atendimento com o psiquiatra”. À data em que desapareceu, Mariana chegou a dizer à família que iria até a polícia e saiu sem levar quaisquer documentos e até mesmo o celular.
Análise: Por ter falado que ia na polícia e ter sido internada provavelmente estava ruim a situação com a família. Mencionar coisas desconexas é relativo à interpretação da família. Alguém que sabe escutar consegue encontrar algum significado contextual. Provavelmente estava insatisfeita com o tratamento psiquiátrico involuntário – o que é irregular segundo a Convenção da ONU sobre pessoas com deficiência.
Família procura por idosa desaparecida há 12 dias em Sorocaba
Trecho:
Sem os remédios, se comporta de forma agressiva.
Análise: A única razão possível para ela ficar agressiva é a falta de remédios, isto é, o desequilíbrio químico. Desequilíbrio químico é uma hipótese que nunca foi provada.
Conclusão geral
Poucas reportagens se referem à perspectiva do paciente e todas enfatizam o discurso médico e da família. Portanto, isso indica o silenciamento da perspectiva do paciente psiquiátrico. Conclui-se que seria necessário fazer reportagens com foco em discurso psicossocial e que o discurso psiquiátrico empregado torna uma questão sensível e potencialmente constrangedora num assunto aparentemente impessoal: a condição médica da pessoa. É tanto possível ter um repertório inapropriado generalizado quanto melhorar de saúde mental em um contexto menos complicado. Mas as reportagens assumem que os comportamentos inapropriados nomeados como a entidade esquizofrenia tem origem dentro da pessoa (internalismo). Isso é modelo médico em saúde mental. Jornalistas comprometidos com a reforma psiquiátrica enfatizariam o lado humano e contextual/cultural.
domingo, 31 de janeiro de 2021
Medicalização estrutural e sociedade
O ladro negro dos antipsicóticos
Os medicamentos antipsicóticos são geralmente considerados um dos maiores avanços médicos do século XX. Freqüentemente, acredita-se que eles sejam tão eficazes que ocasionaram o fechamento de antigos asilos para doentes mentais e permitiram que os doentes mentais retornassem à comunidade.
Mas os antipsicóticos mais novos, como o Zyprexa e o Seroquel, não são mais usados apenas para tratar distúrbios mentais graves, mas entraram no mercado e se tornaram alguns dos medicamentos mais lucrativos da história.
Eles agora rivalizam com as estatinas (usadas para reduzir o colesterol) e os antidepressivos em termos da receita que geram. E na Inglaterra, seu uso aumentou em dois terços nos últimos anos. O mercado mais lucrativo é o do tratamento do diagnóstico recentemente em voga do transtorno bipolar.
Mas, longe de normalizar essas drogas, devemos nos preocupar com seu uso crescente. Embora os antipsicóticos possam ser úteis para aqueles que são gravemente psicóticos, essas drogas perigosas devem ser consideradas com uma grande dose de cautela.
Práticas Bizarras
A primeira droga considerada antipsicótica foi a clorpromazina, também conhecida como Largactil ou Thorazine, introduzida na psiquiatria no início dos anos 1950.
Mesmo desde os primeiros dias, quase nada sobre a história dos antipsicóticos é como contado.
Henri Laborit, o cirurgião francês proclamado herói por apresentá-lo a colegas psiquiatras, o estava usando em um procedimento altamente perigoso que idealizou chamado de “hibernação artificial” ou “sedação sem narcose”. Mas o procedimento matou a maioria dos cães em que foi demonstrado durante a viagem do Laborit aos Estados Unidos.
Os psiquiatras que usaram clorpromazina e outros antipsicóticos nos primeiros dias os consideraram como tipos especiais de sedativos e documentaram a capacidade de resposta reduzida e as reações que faziam parte do estado artificial que produziam. Eles sugeriram que as drogas funcionavam induzindo uma inibição do sistema nervoso e que reduziam as preocupações psicóticas ao desacelerar os processos de pensamento e achatar as emoções.
Pessoas (com doenças mentais e voluntários) que tomaram antipsicóticos também relatam um estado de supressão física, mental e emocional. Aqueles que sofrem de transtornos mentais descrevem como as drogas podem ajudar a diminuir pensamentos e experiências perturbadoras, mas ao custo de sufocar aspectos importantes de sua personalidade, como iniciativa, motivação, criatividade e impulso sexual.
Como Richard Bentall, um especialista em psicose e um voluntário em um estudo de Droperidol, descreveu:
Durante a primeira hora, não me senti muito mal. Eu pensei que talvez estivesse tudo bem. Eu posso aguentar isso. Eu me senti um pouco tonto ... [Depois de ser solicitado a preencher um formulário] Eu não poderia ter preenchido para salvar minha vida. Teria sido mais fácil escalar o Monte Everest ... Foi acompanhado por uma sensação de que eu não podia fazer nada, o que é realmente angustiante. Eu me senti profundamente deprimido. Eles tentaram me persuadir a fazer esses testes cognitivos no computador e eu simplesmente comecei a chorar.
Os antipsicóticos ganharam fama de “camisa de força química” e ainda são usados para o controle de comportamento perturbado e agressivo em unidades de saúde mental - e como tranquilizantes animais em medicina veterinária.
Efeitos colaterais
Tem havido muito debate mais recentemente sobre o valor do tratamento antipsicótico, mas há evidências razoáveis de que eles podem reduzir os sintomas de um episódio psicótico agudo em curto prazo. É mais difícil julgar seus benefícios de longo prazo.
Por outro lado, as drogas podem suprimir os processos mentais em pessoas presas a um estado psicótico persistente, apenas o suficiente para permitir que recuperem um ponto de apoio na realidade. Mas, para alguns, os benefícios podem não superar os consideráveis prejuízos mentais e físicos que as drogas podem produzir: danos neurológicos, diabetes, doenças cardíacas, impotência e diminuição do cérebro.
Os efeitos graves foram obscurecidos porque as descrições francas fornecidas pelos primeiros médicos foram substituídas por uma visão das drogas como um tratamento inteligente, sofisticado e essencialmente benigno. E apesar de nenhuma evidência convincente para apoiar a teoria, surgiu a visão de que eles funcionam revertendo um “desequilíbrio químico” subjacente ou outra anormalidade, em vez de induzir um estado anormal ou alterado.
Essa ideia tem um enorme apelo para psiquiatras, políticos, consumidores e a indústria farmacêutica. A crença de que eles revertem um desequilíbrio químico tem sido particularmente útil para desviar a atenção dos graves danos que podem causar.
Também permitiu que os antipsicóticos fossem comercializados para um segmento mais amplo da população e fomentou um movimento de que os antipsicóticos deveriam ser iniciados o mais cedo possível, sem esperar por um diagnóstico definitivo. Ainda mais preocupante, tem havido uma tendência de prescrevê-los como medida preventiva em jovens que não são psicóticos, mas podem estar “em risco”.
O Mercado Bipolar
A popularidade dos antipsicóticos ocorreu em parte por meio da transformação do conceito de transtorno bipolar nos últimos anos. Antes considerado raro, episódico e gravemente incapacitante, o transtorno bipolar se expandiu - sob a influência da indústria farmacêutica - na vaga noção de “oscilações de humor” que pode se aplicar a quase qualquer pessoa.
Embora medicamentos como os antipsicóticos só tenham sido testados adequadamente em pessoas com bipolaridade clássica (anteriormente conhecida como depressão maníaca) e nunca tenham se mostrado úteis para as variações cotidianas do humor, as pessoas que antes podiam ser caracterizadas como "deprimidas" podem agora ser encorajados a se verem como bipolares. Desse modo, os antipsicóticos podem monopolizar parte do vasto mercado de medicamentos antidepressivos.
A maneira como os antipsicóticos foram mal representados - seus benefícios aumentados, seus perigos minimizados - ilustra como o que é apresentado como “ciência” neutra e objetiva pode de fato ocultar toda uma gama de interesses políticos e comerciais. A profissão psiquiátrica queria apresentar uma nova imagem à sociedade e os políticos desejavam substituir as instituições mentais caras por cuidados comunitários mais baratos.
Tudo isso ajudou a transformar os medicamentos antipsicóticos das temidas camisas de força químicas em chupetas modernas, enchendo os cofres da indústria farmacêutica ao longo do caminho. É hora de acordarmos.
Joanna Moncrieff é conferencista clínica sênior na University College London. Ela recebe financiamento do Instituto Nacional de Pesquisa em Saúde e é afiliada à Rede de Psiquiatria Crítica.
