Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

domingo, 31 de outubro de 2021

Sintomas leves de parkinson e "antipsicóticos"

Qualquer semelhança entre os efeitos dos "antipsicóticos" com sintomas leves de parkinson não é coincidência.

"A ausência de dopamina causa movimentos involuntários de braços, pernas e cabeça, os chamados tremores, que nem sempre são o primeiro sintoma de Parkinson. Na maioria das vezes, antes desses tremores, a pessoa desenvolve bradicinesia. "É a lentificação dos movimentos, quase sempre de um lado só do corpo, geralmente nas extremidades, como mãos e pés. Já é um sinal motor", explica Hélio Osmo, presidente da Sociedade Brasileira de Medicina Farmacêutica"."

"Como o diagnóstico é essencialmente clínico, feito após o descarte de outras patologias, o conselho é procurar o neurologista sempre que surgirem tremores involuntários (mesmo em repouso), rigidez muscular, andar mais lento e arrastado, perda de expressão facial, depressão, ansiedade, dores musculares e constipação."



quinta-feira, 28 de outubro de 2021

Contenção, tratamento involuntário e concepções sociais

O uso da força nos hospitais contribui para manter a concepção de usuário da saúde mental perigoso, prática que não se vê necessidade nos CAPS.

O tratamento psicofarmacológico involuntário e para a vida toda contribui para manter a concepção social de transtorno crônico e sem cura, fonte de muito lucro para a indústria farmacêutica.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Psiquiatria e conflito (Szasz)

Psiquiatria: conflito sem adversários reconhecidos.

Thomas Szasz - Palavras para os sábios. Dicionário médico-filosófico

Filhos e sentido na vida (Szasz)

Crianças não pedem para nascer. Os pais criam filhos para dar sentido às suas vidas, não vidas aos filhos.

Thomas Szasz - Palavras para os sábios. Dicionário médico-filosófico

Drogas ilícitas, lícitas: euforia e disforia (Szasz)

A psiquiatria execra a euforia química auto-induzida como "abuso de substâncias" e exalta a disforia (sofrimento) química induzida por medicamentos como "tratamento psiquiátrico".

Thomas Szasz - Palavras para os sábios. Dicionário médico-filosófico

Infelicidade, psiquiatria e psicanálise (Szasz)

Freud disse que a psicanálise ajuda o paciente a trocar a miséria neurótica pela infelicidade comum. Mutatis mutandis, os tratamentos somáticos ajudam o paciente a trocar a infelicidade comum pelas misérias das curas psiquiátricas.

Thomas Szasz - Palavras para os sábios. Dicionário médico-filosófico

Nosologia psiquiátrica (Szasz)

 Nosologia psiquiátrica: um dicionário de difamações disfarçado de diagnósticos.

Thomas Szasz - Palavras para os sábios. Dicionário médico-filosófico

segunda-feira, 25 de outubro de 2021

Louco para Artaud

E o que é um autêntico louco? É um homem que preferiu ficar louco, no sentido socialmente aceito, em vez de trair uma determinada ideia superior de honra humana. Pois o louco é o homem que a sociedade não quer ouvir e que é impedido de enunciar certas verdades intoleráveis.

Antonin Artaud

domingo, 24 de outubro de 2021

terapeutismo (Szasz)

 O capitalismo gera a produção de bens e serviços; terapeutismo, produção de doenças e tratamentos.

Thomas Szasz - Palavras para os sábios. Dicionário médico-filosófico

Tratar, Tratamento (Szasz)


O verbo "tratar" pode ser usado no sentido de "considerar como" ou "lidar com", ou no sentido de "intervir para remediar uma doença".
Trate um sólido como um líquido, mas ele não se comportará como um líquido.
Trate uma pessoa saudável como um paciente com tuberculose, mas ela não terá tuberculose.
Trate uma pessoa saudável como um paciente neurológico, mas ela não terá uma doença neurológica.
Trate uma pessoa saudável como um paciente mental, e ela terá uma doença mental.
Thomas Szasz - Palavras para os sábios. Dicionário médico-filosófico

sábado, 16 de outubro de 2021

Medicalização e controle do ambiente

 "O tratamento medicalizador atua na periferia dos problemas. Seria necessário atuar nas relações econômicas, sociais e culturais mas como o médico não tem controle sobre o ambiente receita medicamentos."

José Ruben de Alcântara Bonfim

domingo, 26 de setembro de 2021

Coeficiente de parentesco e suposições genéticas

 https://pt.wikipedia.org/wiki/Coeficiente_de_parentesco

Suposições sobre genética de parentes nos transtornos mentais são feitas sem levar em conta a proporção de genes compartilhados. É bom dar uma olhada nessa tabela.

O papel da psiquiatria no holocausto alemão

Resumo do artigo de Breggin.

Link do artigo original: 

http://breggin.com/wp-content/uploads/2008/01/psychiatrysrole.pbreggin.1993.pdf

A psiquiatria moderna teve o papel de antecipar o assassinato em massa na Alemanha. Em 1920 um psiquiatra alemão famoso defendeu a esterilização, castração e eutanásia para as pessoas consideradas crônicas e inaptas para o trabalho. Hitler leu esse livro na prisão e usou esse autor no livro dele. Hitler não foi um maluco em sua época. Ele e esse tipo de prática eram respeitados pela comunidade médica alemã, americana e a comunidade internacional de médicos. A associação americana de psiquiatria e a revista científica de psiquiatria americana apoiaram esse programa. Os Estados Unidos inspiraram os alemães.

As pessoas selecionadas pelos médicos para serem esterilizadas, castradas ou sofrerem eutanásia incluíam todas as pessoas internadas em hospitais psiquiátricos e alguns autores defendiam que isso não era suficiente e que era necessário eliminar os irmãos e a família inteira devido aos genes recessivos.

Os psiquiatras alemães começaram antes da 2a. guerra por conta própria o extermínio de pacientes mentais. Depois Hitler oficializou e quando houveram reclamações e Hitler retirou o status oficial do programa eugenista os psiquiatras alemães continuaram por conta própria. Os métodos criados pelos psiquiatras alemães foram transpostos pelos próprios como consultores para os campos de extermínio. A prática de extermínio dos psiquiatras alemães foi como um projeto piloto que testou a aceitação popular dos alemães para o extermínio de pessoas do próprio país.

Os psiquiatras Kraeplin (fundador da psiquiatria moderna) e Breuler (criador do termo esquizofrenia) eram eugenistas. Breuler chegou a elogiar o programa de Hitler na propaganda de um livro. O modo de pensar da psiquiatria moderna atual tem todos os pontos da psiquiatria alemã da época menos a eutanásia. 

Na época ninguém levantou dúvidas sobre a ciência psiquiátrica, a antropologia e a ciência comportamental (psicológica). Isso foi considerado de maneira defensiva como as ações e pensamentos de alguns poucos indivíduos mas era amplamente aceito e discutido pelos médicos e cientistas sociais e outras áreas. A psiquiatria moderna enxerga o indivíduo como objeto, ou uma aberração bioquímica ou genética ou uma doença, fazendo com que este seja visto como sub-humano. Essa é a fonte do defeito moral da psiquiatria moderna segundo Breggin.

Por respeito à psiquiatria moderna historiadores não costumam comentar sobre a psiquiatria e seu papel no holocausto alemão. Os psiquiatras alemães não foram condenados no tribunal de Nuremberg porque o responsável era um psiquiatra eugenista americano.

O primeiro princípio é o tratamento involuntário. O segundo princípio o hospital psiquiátrico estatal. O terceiro princípio é a aplicação de diagnósticos médicos a problemas psicológicos, espirituais, sociais e políticos. Separando as pessoas consideradas inferiores e as consideradas superiores. O quarto princípio é o modelo médico ou biológico para as diferenças humanas ou transtornos psicológicos. O quinto princípio é o assalto físico ao corpo e ao cérebro com intervenções prejudiciais e incapacitantes. O sexto princípio é a eugenia involuntária. O sétimo princípio é a eutanásia. O oitavo princípio é a seleção médica das pessoas.

Os responsáveis pelo tribunal de Nuremberg chegaram à conclusão que o holocausto poderia não ter ocorrido se não fossem o programa de extermínio dos psiquiatras e que Hitler ter aplicado isso na Alemanha foi um acidente.

Violação de expectativas culturais e saúde

 É importante fazer engenharia reversa do que se tornou "sintomas psiquiátricos" explicitando quais expectativas culturais foram violadas quando se atribui um diagnóstico psiquiátrico a alguém. Exemplos de expectativas culturais podem ser obediência aos superiores ou aos pais, respeito ao senso comum, compostura, comedimento, etc. A real origem do diagnóstico psiquiátrico é a violação dessas expectativas culturais e se comportar de forma a respeitar essas expectativas deveria ser considerado uma reversão do problema sem precisar de inventar uma estrutura dentro do organismo que possibilita isso (mentalismo orgânico).

sábado, 25 de setembro de 2021

Cunha comportamental

 Cunha comportamental, ou behavioral cusps, é um termo cunhado por Rosales-Ruiz e Baer (1997) e traduzido por De Rose e Gil (2003, p. 375) como “um tipo de classe comportamental que expõe o indivíduo a novas contingências, as quais, por sua vez, abrem oportunidades para a aquisição de comportamentos novos e significantes que têm efeitos em longo prazo sobre o desenvolvimento comportamental”.

https://comportese.com/2011/11/11/o-brincar-e-a-analise-do-comportamento

sexta-feira, 24 de setembro de 2021

Eugenia

Geneticistas bem formados diriam que prática da eugenia não daria certo. Eugenia significa a seleção de genes superiores/saudáveis e a eliminação de doenças. Há um fenômeno chamado pleiotropia que significa que um traço influenciado geneticamente também está ligado a outros traços. Portanto, a tentativa de exacerbar alguns traços pode levar à piora de outros traços.

Outro motivo é que os genes de inteligência estão bem distribuídos na população comum.

Eu colocaria outro motivo: os estudos de gêmeos sobre genética de transtornos mentais estão equivocados. Há um trecho de um artigo no blogue sobre isso mas sem a demonstração completa.

A psiquiatria ao usar um modelo estatístico para diferenciar os superiores dos inferiores (ou os saudáveis e os doentes) através da curva normal estatística está usando o raciocínio eugenista criado por Galton (primo de Darwin). A psiquiatria biomédica acaba justificando práticas sociais nocivas a pessoas com situações sociais desfavorecidas. A sociedade também raciocina do mesmo jeito eugenista ao acreditar no modo de raciocinar da psiquiatria e há indícios claros disso no modo como as pessoas diagnosticadas são tratadas pela sociedade.

A análise do comportamento tem uma forma de raciocínio anti-eugenista porque consegue fazer até as pessoas mais deficientes aprenderem ou mostrar que alguém considerado doente na verdade é desfavorecido pelo ambiente. É possível fazer muito pela aptidão através do manejo preciso do ambiente.

A psiquiatria biomédica usa medidas estatísticas relativas chamadas vaganóticas que variam segundo a as características da população e portanto podem ser consideradas construções sociais pelo menos parcialmente. A estratégia de medida idemnótica da análise do comportamento compara o indivíduo com ele próprio.

O apêndice abaixo argumenta que medidas vaganóticas de aptidão (ou de saúde) irão variar segundo ideologias da época e que os parâmetros demandados socialmente implícito nas medidas também variarão com as épocas e sociedades. Portanto, quando a psiquiatria biomédica usa essas medidas comparativas está fazendo isso segundo ideologias sociais e não somente como uma medida de caráter natural ou biológica. Na verdade a psiquiatria biomédica estaria fazendo engenharia social ao estigmatizar e prejudicar os que considera inferiores.

Apêndice:

Estratégias vaganóticas e idemnóticas de medida:

Relacionada à Teoria da Mensuração de Stanley Smith Stevens (1906-1973), a distinção que Johnston e Pennypacker (1993a) propõem entre unidades de medida que eles denominam vaganotics e idemnotics, ou vaganóticas e idemnóticas, aportuguesando estas palavras inglesas 18 , apresentam interesse para este desenvolvimento. 

Uma unidade de medida idemnótica é aquela cuja definição está atrelada, ou deriva de uma constante absoluta do mundo físico, como por exemplo, o metro, a unidade padrão de comprimento, que é definido como sendo igual ao espaço atravessado pela luz no vácuo durante o intervalo de 1/299 792 458 de um segundo, ou o joule, a unidade padrão de trabalho ou energia, definido como a aplicação da força de um newton pela distância de um metro (Bureau International des Poid et Mesures, 2009). Desta forma, e em potência, qualquer medida executada com uma unidade de medida idemnótica produzirá sempre o mesmo resultado (idem=igual). Uma unidade de medida vaganótica é definida como o desenvolvimento de um sistema de mensuração que “implica o desenvolvimento de escalas e unidades de medida baseadas na variabilidade de um conjunto de observações entre indivíduos” (Mace & Kratochwill, 1986, p. 156). Vale dizer que uma medida vaganótica é pelo menos em parte uma construção social (White, 2001). Um exemplo clássico de uma medida vaganótica é o dos testes em psicologia, nos quais a unidade de medida deriva de uma amostra x tomada num tempo t. Todavia, as unidades e escalas obtidas nesta situação seriam diferentes caso fossem derivadas de outra amostra, digamos amostra y, ou da mesma amostra x se tomadas num tempo t +/- Δt. Em outras palavras, estas unidades de medida flutuariam (vagare) em função de variáveis estranhas ao fenômeno em si mesmo e medidas obtidas com elas não produziriam sempre, necessariamente, o mesmo resultado. Além disso, conforme observa White (2001), os parâmetros que delimitam os pontos extremos destes resultados (e que definem, por via de conseqüência, todas as demais medidas do intervalo assim estabelecido) “vagam” também em função da composição da amostra de padronização e de variáveis sociais. Por exemplo, um teste desenvolvido para classificar o nível de “aptidão” escolar de crianças em 1930 dificilmente seria apropriado para medir o mesmo construto atualmente, pois inúmeras mudanças ocorreram neste intervalo, incluindo dentre elas as diferentes demandas sociais dos parâmetros deste construto: diferentes épocas implicam diferentes habilidades julgadas necessárias para o melhor desempenho do futuro cidadão naquela sociedade, diferentes ideologias implicam igualmente diferentes conceitos de “aptidão”.

ROOSEVELT RISTON STARLING

Prática controlada: medidas continuadas e produção de evidências empíricas em terapias analítico-comportamentais

Adicionado em 29/08/2024:

Mensurações vaganóticas relativas em termos de saúde e doença populacional como representado pela porcentagem de prevalência epidemiológica de transtornos mentais tratados como primordialmente genéticos significa que a expansão da medicalização é apenas uma consequência natural dessa forma de pensar já que a saúde é relativa e isso é semelhante a práticas eugenistas.

domingo, 19 de setembro de 2021

Anatomia de uma indústria (Whitaker)

O que esta crítica também revela é que o teste de medicamentos psiquiátricos é uma farsa. É um processo concebido para não informar, mas – desde que o medicamento passe pela revisão da FDA – produzir uma mordida sonora comercialmente valiosa. Estes estudos foram repletos de elementos de má ciência. Tudo isso fala de um processo que serve a um fim comercial, em vez de fornecer à sociedade uma avaliação científica honesta dos riscos e benefícios de um medicamento, e se o benefício é clinicamente significativo. A “estrutura” da ciência é utilizada para enganar o público do que para o informar. E este é o “resultado final” quando se segue o dinheiro: Há dinheiro que flui para os psiquiatras individuais e para as empresas farmacêuticas, e no coração deste empreendimento comercial está a “ciência” destinada a enganar. https://madinbrasil.org/2021/09/__trashed-2/

Variação nas culturas e alteração na dopamina

Uma vez eu li um livro de um antropólogo da UFSC chamado Dennis Werner sobre culturas humanas. O livro mostrava que qualquer dimensão da cultura varia muito, muito mesmo. Também dizia que todas as culturas consideram algo louco (inapropriado). Mas havia algo ingênuo no livro: supunha uma correlação perfeita entre desajuste dentro da cultura e alteração na dopamina. O livro foi escrito numa época em que não se discutia isso e aceitou muito facilmente isso. Talvez para não entrar em polêmicas adicionais.

sábado, 18 de setembro de 2021

Demência, esquizofrenia, comorbidades e antipsicóticos

Taxas muitos maiores de demência para diagnosticados com esquizofrenia aos 66 anos (28%) versus 1.3% dos sem transtorno mental grave e mais altas ainda aos 80 anos (70%) versus 11.3% das pessoas sem diagnóstico mental grave. Não separaram comorbidades. Antipsicóticos uma das possíveis causas. As causas do aumento das taxas de demência entre pessoas com esquizofrenia não são totalmente compreendidas. Fatores associados à demência, como doenças cardiovasculares, hiperlipidemia, tabagismo e transtornos por uso de substâncias, são especialmente comuns entre indivíduos com esquizofrenia. 12,13 Pesquisas anteriores, no entanto, sugerem que o risco de demência entre pessoas com esquizofrenia é amplamente independente de transtornos de uso de substâncias ou condições médicas comórbidas, embora menor adesão aos tratamentos prescritos para hipertensão, diabetes e a doença vascular pode contribuir para o risco. 6 A diminuição da reserva cognitiva associada à esquizofrenia e o efeito cumulativo de fatores comportamentais e metabólicos associados à demência que são comuns em indivíduos com esquizofrenia podem acelerar a taxa em que os indivíduos neste grupo cruzam um limite de funcionamento cognitivo garantido um diagnóstico clínico de demência. Indivíduos com esquizofrenia geralmente tomam vários medicamentos psicotrópicos ao longo da vida. Se e como eles afetam o início e o curso da demência, é necessário investigar mais profundamente. Por exemplo, os benzodiazepínicos, que são comumente prescritos para pessoas com esquizofrenia, 21 estão associados à piora da cognição e podem estar associados ao aumento do risco de demência na população em geral. 22-24 Para indivíduos com esquizofrenia, os antipsicóticos estão associados a melhores desfechos clínicos [?] 25 e menores taxas de mortalidade [?], 26 mas os efeitos sobre outros desfechos e desfechos de longo prazo são menos claros. 27 Os antipsicóticos são rotulados com um aviso de advertência para uso em indivíduos com demência devido ao aumento do risco de morte. As investigações dos efeitos do tratamento antipsicótico no jamapsychiatry.com sobre a mortalidade e outros resultados clínicos importantes entre idosos com esquizofrenia e demência são urgentemente necessárias. https://jamanetwork.com/journals/jamapsychiatry/article-abstract/2777006

quarta-feira, 15 de setembro de 2021

Politica social de saúde (Dowbor)


Saúde, sem dúvida, custa. Mas é o produto que mais

desejamos. Ou seja, é um produto, e talvez o melhor de

todos. Não é uma atividade meio, é uma atividade fim.

No entanto, devemos distinguir o nível de saúde atingido

em termos de resultados e o processo que permite atingi-

-los. Como em qualquer processo produtivo, a setor deve

alcançar os melhores resultados com o mínimo de custos.

É o que se chama de produtividade da saúde. Nas últimas

décadas, o mundo ganhou uma sobrevida impressionante.

Antes, vivia-se tempo suficiente para criar os filhos. Hoje, as

pessoas vivem 80, 90 anos. O progresso é impressionante.

O Atlas Brasil 2013, na avaliação geral dos 5.565 muni-

cípios do país, mostra que, entre 1991 e 2010, o tempo

médio de expectativa de vida do brasileiro subiu nove anos,

passando de 65 para 74 anos. São resultados espetaculares. 13

As pessoas tendem a atribuir esses resultados aos pro-

dutos que vemos na publicidade, belos hospitais e novos

medicamentos. “Tomou Doril, a dor sumiu” e semelhantes.

Na realidade, o imenso avanço da humanidade em termos

de esperança de vida se deve essencialmente à vacina, ao sa-

bão, ao acesso à água tratada e ao saneamento básico. Mais

recentemente no Brasil, a redução da fome com os diversos

programas governamentais também operou milagres, o que

explica em grande parte os nove anos de vida que ganhamos.

Portanto, ainda que grande parte de mídia se preo-

cupe com o tratamento da doença, os grandes ganhos de

produtividade e de dias saudáveis se devem à saúde pre-

ventiva, ou seja, ao conjunto das medidas – muitas delas

fora do que consideramos normalmente setor de saúde –

que evitam que surjam as doenças. Prevenir é incompara-

velmente mais produtivo do que remediar.

A tensão gerada aqui, entre o conceito de serviços de

saúde e o conceito de indústria da doença, é evidente. O

sistema privado não tem interesse no sistema de prevenção

por duas razões: primeiro, porque são ações universalizadas

(como vacinas, água e saneamento etc.) que envolvem mui-

ta gente sem dinheiro para pagar e grandes esforços organi-

zacionais que resultam da capilaridade das ações universais.

A vacina tem de chegar a cada criança do país. Segundo,

porque, ao se reduzirem os problemas de saúde, reduz-se o

número de clientes. E o setor privado vive de clientes. Está

interessado em poucos que possam pagar bem. Necessida-

de e capacidade de pagamento são duas coisas diferentes.

A concentração dos recursos da saúde privada no sistema

curativo hospitalar e nas doenças degenerativas dos idosos é

um resultado direto dessa deformação.

No caso brasileiro, naturalmente, a característica bá-

sica é a desigualdade, o que faz com que se tenham gerado

dois universos de serviços de saúde: o público para a massa

de pobres e o privado para os ricos e a classe média. Na

medida em que o setor privado da saúde, com fins muito

lucrativos, tenta expandir o universo de cobertura paga, os

esforços de se generalizar o acesso a bons serviços públi-

cos e gratuitos de saúde passam a ser atacados. O fato de

a direita americana no congresso quase ter paralisado os

Estados Unidos na guerra contra a universalização desses

serviços dá uma ideia dos interesses envolvidos.

Na realidade, nos Estados Unidos a saúde representa

praticamente 20% do PIB, enquanto a indústria emprega

menos de 10% da mão de obra do país. O fato de esse se-

tor da saúde se agigantar, tornando-se o setor econômico

mais importante, ajuda a entender as articulações perver-

sas que são gerados. Os Estados Unidos gastam cerca de

US$ 7.500,00 por pessoa por ano em serviços de saúde,

e o Canadá quase exatamente a metade. No entanto, o

nível de saúde no Canadá, onde os serviços são públicos,

universais e gratuitos, é incomparavelmente superior. O

sistema americano, baseado no privado e no curativo, faz o

cidadão procurar os serviços quando o mal já aconteceu. E

os procura raramente, pois são caros. O resultado é muito

dinheiro e pouca saúde. Nas pesquisas de produtividade

dos gastos em saúde em países desenvolvidos, os Estados

Unidos aparecem em último lugar. 14

A base do raciocínio – usando de preferência o cérebro

e não o fígado, de onde os argumentos já vêm verdes e amar-

gos – é que saúde não é um produto como um chinelo, que

se produz em massa na China ou na Indonésia e se despacha

por contêiner. Uma sociedade saudável trabalha um con-

junto de frentes que incluem desde cuidados da primeira

infância até o ambiente escolar, as condições de habitação e

urbanismo, a qualidade de vida no trabalho, o controle de

agrotóxicos e semelhantes. A vida saudável resulta de um

conjunto complexo de fatores, todos densamente ligados

com a qualidade de vida em geral. Não é um produto pa-

dronizado que sai de uma máquina e resolve. Envolve, na

realidade, uma forma de organização social.

Quando pensamos em saúde, tendemos a pensar na

farmácia e no hospital, porque nos acostumamos a pensar

nela apenas quando a perdemos. E não há dúvida de que há

uma indústria da doença pronta para reforçar essa visão em

cada publicidade de um plano privado de saúde, de remé-

dios milagrosos e semelhantes. Mas, no básico, é importante

pensar que as políticas de saúde se agigantaram muito re-

centemente e constatar as diferentes formas de organização:

desde o out-of-pocket (saúde curativa paga no serviço pres-

tado) dos Estados Unidos até a medicina pública social e

universal da Inglaterra, do Canadá, dos países nórdicos e de

Cuba. No Brasil temos a convivência caótica do SUS com

os gigantes financeiros que controlam os seguros e planos de

saúde, passando por organizações sociais e sistemas coope-

rativos diversos.

É importante a visão de conjunto: temos um grande

acúmulo de experiência de gestão empresarial nos setores

produtivos tradicionais, como de automóveis, e também

na área de administração pública tradicional. Mas, no

desafio de assegurar um bom nível de saúde, que resulta

da convergência de numerosos atores, inclusive dos mo-

vimentos sociais, ainda estamos à procura de paradigmas

adequados de gestão. Os rumos mais significativos, o que

funciona efetivamente em diversos países que atingiram

excelência, apontam para sistemas dominantemente pre-

ventivos, com acesso universal e gratuito, baseados em

gestão pública mas fortemente descentralizados, com forte

capacidade de participação e controle por organizações da

sociedade civil.

Há uma dimensão ética aqui: a de que nenhum ser hu-

mano deve padecer e sofrer quando há formas simples de

resolver o problema. A indiferença é vergonhosa e injustifi-

cável. Em termos sociais e políticos, não há dúvida de que

uma das melhores formas de democratizar uma sociedade é

assegurar que todos tenham acesso à saúde, tanto preventi-

va como curativa, independentemente do nível de renda. É

uma forma essencial de redistribuição indireta de renda e de

se generalizar o bem-estar.

A falta de acesso a serviços básicos de qualidade, por

outro lado, gera um sistema quase de chantagem: as famílias

se sangram para pagar um plano privado de saúde, gastando

muito mais do que o custo dos serviços prestados, simples-

mente por insegurança, pela possível tragédia de um aciden-

te ou doença grave. Acabamos contratando um plano, e pa-

gando caro para ter um certo sentimento de tranquilidade, e

não pelos serviços de saúde efetivamente prestados. Quanto

mais inseguros, mais pagamos. A indústria da doença preci-

sa ser fortemente controlada, e um dos melhores caminhos

é a sistemática elevação da qualidade e acessibilidade dos

serviços públicos universais de saúde. 15



14. Avaliação de 2007 mostrou os Estados Unidos em último lugar entre países desenvolvidos

em eficiência de saúde: gastaram US$ 7.290,00 por pessoa. Em primeiro lugar ficou a Holanda,

apesar de gastar apenas US$ 3.837,00 (New Scientist, 26 jun.2010). Saúde privada, essencialmente

curativa e elitista, constitui um desperdício. O que não impede que os EUA sejam um destino

lógico para uma intervenção cirúrgica de ponta paga a preço de ouro.


Dowbor. O pão nosso de cada dia.

terça-feira, 7 de setembro de 2021

Voltar do inferno e felicidade (poesia bukowski)

 Velho Bukowski Ainda Vive.

 
o inferno está lotado ainda
você sempre pensa que você está
sozinho.
e você nunca pode dizer
a ninguém que
você está no inferno
ou eles vão pensar
que você está
louco.
mas ser louco é
estar no inferno
e ser sensato
também.
aqueles que escapam do inferno
nunca falam sobre
isso
e nada mais
incomoda eles
depois
disso.
Quero dizer, coisas como
falta de uma refeição,
ir para a cadeia,
bater seu carro
ou
mesmo
morrer.
quando você perguntar-lhes,
"como as coisas estão
indo? "
eles vão responder: "bem,
muito bem ... "
uma vez que você foi para o inferno
e voltou
é o bastante, é a
mais silenciosa celebração
conhecida.
uma vez que você foi para o inferno
e voltou,
você não olha para trás
quando o chão
range.
o sol está no alto a
meia-noite
e coisas como
os olhos de ratos
ou um velho pneu
em um terreno baldio
pode torná-lo
feliz.
uma vez que você foi para o inferno
e voltou.
(Poema: "o jeito que isso é") - Chaeles Bukowski

domingo, 5 de setembro de 2021

Neurociência cognitiva e patologia psiquiátrica

Resumo da palestra:

Usa as variáveis dependentes (efeito) taxa de erro e tempo de reação relacionadas a atividades progressivamente mais complexas (por adição de componentes). A grande maioria dos experimentos não trata de causas ou etiologias e se baseia em explicações reducionistas e mecanicistas. As explicações são feitas com base nos componentes ou elementos constitutivos e análise de suas funções (reducionismo vs análise funcional). Usa protocolos comportamentais da psicologia cognitiva, isto é, parte da conceito de mente ou capacidades mentais. Os protocolos de imagem cerebral tratam de diferenças de atividade cerebral no mesmo indivíduo ou entre indivíduos. Há experimentos ascendentes (bottom-up) e descendentes (top-down) de acordo com a direção da intervenção para detecção e estes são experimentos interníveis e etiológicos. Experimentos ascendentes incluem interferência no cérebro e estimulação. Limitações dos experimentos ascendentes incluem: o cérebro pode compensar interferências e a interferência pode ser indireta. Experimentos ascendentes também inclui a ampliação de uma função do cérebro com tarefas.  Uma limitação desse tipo de experimentos inclui as meras correlações e as contribuições tônicas (?). Pontos cegos dos experimentos são compensados por outros experimentos. Relevância constitutiva: mútua manipulabilidade: do todo para os elementos e dos elementos para o todo. O mecanicismo não é redutivo e também não é autonomista. Funcionalistas são fisicalistas. Não há distinção entre mental e neuronal.

A estrutura e função nunca estão separadas.

Neuronal é sempre cognitivo e cognitivo é sempre neuronal. Não há nível privilegiado.

Limitações da área: acusações de pouca validade ecológica.

Extrapolação para o raciocínio clínico psiquiátrico:

As dimensões extensão de tempo e distanciamento da resposta esperada são usadas para avaliar o quanto o cérebro de uma pessoa é disfuncional, isto é, quanto mais tempo uma pessoa faz algo fora do esperado e quanto mais fora do esperado é a atividade da pessoa mais disfuncional é considerado o cérebro dela. A complexidade da atividade exigida do ambiente também é considerada mas a psiquiatria parece considerar trivial tarefas do dia a dia como convivência social, estudar e obedecer os pais então isso é contabilizado como disfunção para realizar atividades triviais. Portanto, uma atividade mental considerada fora do esperado em certo grau por certo tempo é considerada patológica em certo grau.

Há mais um ponto: não é feita distinção entre cognição e estrutura cerebral. Portanto, se faz uma inferência de estrutura cerebral disfuncional a partir de cognição não adaptada.

Referência:

Filosofía de la Neurociencia Cognitiva

 https://www.youtube.com/watch?v=Qg8wZAnvvu0


Filosofía de la Neurociencia Cognitiva

 https://www.youtube.com/watch?v=Qg8wZAnvvu0

Filosofía de la Neurociencia Cognitiva Abel Wajnerman Universidad Alberto Hurtado, Santiago, Chile. 2 de septiembre 2021 Ciclo de Charlas Filosofía Contemporánea de la Biología 05

Al articular tradiciones de investigación en neurociencia y psicología que se habían desarrollado mayormente de manera aislada, el surgimiento de la neurociencia cognitiva a fines del siglo XX afectó profundamente la reflexión filosófica sobre aspectos epistémicos, metafísicos y éticos relacionados con la base neurobiológica de la mente. Desde el punto de vista epistémico, el comienzo del siglo XXI estuvo signado por el surgimiento del mecanicismo, un desarrollo de la tradición de sistemas en filosofía de las ciencias fuertemente anclado en la práctica experimental en neurociencias y en concepciones manipulacionistas de la relevancia explicativa. Desde el punto de vista metafísico, la discusión sobre la relación mente/cerebro estuvo atravesada por la emergencia de una tercera vía (el marco de los mecanismos multi-nivel) frente a los enfoques autonomistas en la filosofía de la psicología y a los reduccionistas/eliminativistas en la filosofía de la neurociencia. Por último, la neuroética surgió para abordar preguntas éticas planteadas por el desarrollo de las tecnologías que posibilitaron el surgimiento de la neurociencia cognitiva, preguntas que exceden el dominio de las éticas aplicadas, incluyendo cuestiones filosóficas sobre los mecanismos neurobiológicos que subyacen a capacidades o rasgos éticos fundamentales, como la agencia, la autonomía, la toma de decisiones, la conciencia y la identidad.
Organizado por Sociedad Chilena de Filosofía de las Ciencias Sociedad de Biología de Chile Departamento de Ciencias Ecológicas, Facultad de Ciencias, Universidad de Chile.

Excesso de dopamina e repertório inapropriado

Os psiquiatras fundamentam a hipótese farmacológica da esquizofrenia de excesso de dopamina na semelhança de comportamentos com o uso de anfetaminas. O problema é que com baixa dopamina a pessoa não expressa qualquer repertório, seja apropriado ou inapropriado (extinção generalizada de comportamentos) e com mais dopamina vai expressar mais o repertório já presente ou vai expressá-lo de outra maneira. Se comportando menos a pessoa interage menos com o ambiente e portanto aprende menos e por isso fica com déficit de repertório (produção de deficiência). É possível idealmente alterar o repertório inapropriado sem usar de farmacologia. A resistência mercadológica dos psiquiatras é grande.


sábado, 28 de agosto de 2021

Testes genéticos para escolher psicofármacos

É uma forma de explorar a esperança de quem se sentiu frustrado com os psicofármacos. A pessoa paga milhares de reais para escolher entre os mesmos remédios que já estavam disponíveis. Remédios que são todos parecidos em mecanismo de funcionamento que só mudam o perfil de efeitos colaterais. Uma forma de psiquiatria gourmet. A pessoa está frustrada mas tenta o mesmo tipo de intervenção. Mas a relação com o mundo (ambiente físico, social e biológico) continua lá e precisa ser alterada pois é o que alimenta a reação fisiológica do organismo.

É possível avaliar efeitos colaterais. Mas eu acho preferível escolher um tratamento com lógica diferente e retirar as drogas o quanto antes do que insistir que é seguro e tomar continuamente para a vida toda.

quarta-feira, 25 de agosto de 2021

MITO DO MODELO MÉDICO

MITO DO MODELO MÉDICO 

Nós, analistas do comportamento, estamos sempre lutando contra o mito do modelo médico. Veja como os psicólogos tradicionais aplicam o modelo médico à psicologia: eles dizem que um comportamento indesejável é um sintoma. E dizem que o sintoma sugere alguma doença psicológica subjacente, assim como uma febre pode sugerir uma infecção. Portanto, de acordo com o modelo médico, os acessos de raiva de Eric sugerem um problema psicológico subjacente mais profundo, talvez a insegurança. Nós, analistas de comportamento, não confiamos em tais interpretações. Em vez disso, suspeitamos que os acessos de raiva de Eric são um comportamento aprendido reforçado por suas consequências imediatas - por exemplo, a atenção de seus pais. A pesquisa comportamental mostra que o comportamento problemático geralmente não é um sintoma do grande negócio; é o grande negócio. O que você vê é o que você obtém. Ou talvez o que você vê é o que ele tem. Isso não significa que problemas comportamentais às vezes não resultam de problemas biológicos subjacentes - por exemplo, lesão cerebral ou síndrome de Down. Ainda assim, os psicólogos tradicionais abusam do modelo médico ao adivinhar ou inventar causas psicológicas subjacentes para o comportamento observável. Então, esses psicólogos acabam se preocupando mais com suas causas inventadas do que com o problema real - o comportamento. 

Definição: 

CONCEITO 

Mito do modelo médico 

• Uma visão errônea de que o comportamento problemático humano é um mero sintoma de uma 

• condição psicológica subjacente. 

O modelo médico sugere que o comportamento tem pouca importância por si só. Nós, analistas do comportamento, discordamos. (A propósito, estamos usando modelo mais ou menos para significar uma representação. No contexto atual, uma doença médica seria um modelo de um problema psicológico, da mesma forma que um avião de brinquedo seria o modelo de um real.) Entenda que os psicólogos tradicionais que usam um modelo médico não significam que tomar remédio vai curar o problema. Em vez disso, eles estão apenas supondo que algum problema psicológico oculto, mais profundo e subjacente causa o problema de comportamento óbvio. O problema de comportamento é apenas um sintoma do problema psicológico subjacente. Os analistas do comportamento pensam que a maioria dos usos do modelo médico em psicologia está errada; geralmente é um modelo a ser evitado. 

Presciência 

Enquanto a ciência da medicina estava se desenvolvendo, ela teve que lutar contra um modelo supersticioso: por que essa pessoa está doente? Porque ela tem espíritos malignos dentro dela. Como vamos curar sua doença? Exorcize os espíritos malignos. Hoje, a prática da medicina baseada na ciência substituiu amplamente a prática baseada na superstição. A psicologia tem o mesmo problema. À medida que a ciência da psicologia se desenvolve, ela tem que lutar contra um modelo médico mal aplicado: por que a pessoa está agindo de forma inadequada? Porque ela tem uma doença mental dentro dela. Como podemos ajudá-la a agir de maneira adequada? Cure sua doença mental. Hoje, a prática da psicologia baseada na ciência luta para substituir a prática baseada no modelo médico mal aplicado, assim como a medicina teve que substituir a prática médica baseada em um modelo supersticioso. substituir a prática baseada no modelo médico mal aplicado, assim como a medicina teve que substituir a prática médica baseada em um modelo supersticioso. 

Causas raízes 

O modelo médico trata das causas raízes dos problemas psicológicos e o modelo comportamental trata apenas dos sintomas superficiais dos problemas? Não. O modelo médico inventa a causa fictícia e o modelo comportamental trata da causa real. Acontece que as verdadeiras causas do nosso comportamento são frequentemente muito mais simples (em alguns sentidos) do que uma visão psicodinâmica (tipo de modelo médico) da psicologia nos levaria a pensar. Em outras palavras, não fumamos cigarros porque temos fixação em nosso estágio genital de desenvolvimento infantil; em vez disso, fumamos porque o comportamento de fumar é reforçado pelo resultado. Certo, descobrir exatamente o que são esses reforçadores nem sempre é simples.

RACIOCÍNIO CIRCULAR E O MITO DO MODELO MÉDICO 

Acontece que o que há de errado com a maioria das aplicações do modelo médico em psicologia é que eles se baseiam no raciocínio circular. Por que Eric faz birra? Porque ele é inseguro (condição psicológica subjacente). Como você sabe que ele é inseguro? Porque ele tem birra (um sintoma). Raciocínio circular. Por que existe esse problema de comportamento? De acordo com o modelo médico, é por causa de um problema psicológico subjacente. Como você sabe que existe esse problema psicológico subjacente? Porque existe o problema de comportamento que é um sintoma desse problema psicológico subjacente. Raciocínio circular. Por que o assistente de pós-graduação não faz as tarefas que concordou em fazer? Por causa de seu problema psicológico subjacente de agressividade passiva. Como você sabe que ele é passivo-agressivo? Porque seu fracasso em fazer o que concordou em fazer é um sintoma de sua agressividade passiva. Raciocínio circular. 

* * Acho que todas as instâncias do mito do modelo médico são instâncias de raciocínio circular, mas nem todas as instâncias do raciocínio circular são instâncias do mito do modelo médico.

Referência:

Me perdoe o Richard Mallot mas esse trecho é importante.

Principles of Behavior - Richard Malott

Divulgação científica tipo: "confie em mim"

Eu nunca gostei de montar discursos genéricos ou de segunda ordem sobre conhecimentos ou áreas acadêmicas pois esses se fundamentam em confiança. Divulgação científica que não mostre fontes ou ao menos retome os argumentos científicos dependem de confiança na autoridade e competência do divulgador. É por esse tipo de divulgação que se acredita em muita burrice e bobagem.

Estudos de genética com gêmeos idênticos

Estudos de genética com gêmeos idênticos

(Wyatt & Midkiff, 2006) A atratividade física, a taxa de maturação, a idade de separação e as práticas de adoção da família e das agência de adoção normalmente não foram explicadas por pesquisadores cujos estudos mostram até 40% de concordância para transtornos mentais em gêmeos idênticos criados separados. Ainda assim, os fatores culturais são poderosos e freqüentemente inflexíveis. Gêmeos idênticos criados “separados” são, na verdade, expostos a fluxos diários de pressões ambientais semelhantes - influências que podem muito bem ser responsáveis ​​pelos níveis relatados de concordância para distúrbios emocionais e comportamentais. Diante de tudo isso, é razoável concluir que as influências genéticas e ambientais foram irremediavelmente confundidas nos estudos com gêmeos idênticos. É provável que estudos com gêmeos idênticos tenham feito pouco mais do que confundir nossa compreensão dos transtornos mentais e comportamentais. 

Nesse aspecto, há semelhanças com outros usos indevidos de estudos genéticos. Às vezes, outros estudos genéticos desempenharam papéis injustificados em várias lutas sociais e políticas. Por exemplo, alegadas diferenças de QI de base biológica entre raças têm sido usadas para negar justiça econômica aos afro-americanos. A dominação masculina sobre as mulheres também foi justificada com base em estudos genéticos falhos. Essas questões não serão exploradas aqui. Revisões extensas estão disponíveis em outros lugares (Lewontin, 1992; Lewinton, Rose & Kamin, 1984).

[A argumentação é mais longa. Esses são trechos curtos com apenas a conclusão.]

Wyatt, W. J., & Midkiff, D. M. (2006). Biological Psychiatry: A Practice in Search of a Science. Behavior and Social Issues, 15(2), 132–151. https://doi.org/10.5210/bsi.v15i2.372

https://psycnet.apa.org/record/2007-00317-002

terça-feira, 24 de agosto de 2021

Neurotransmissores e diagnósticos: correlações

 As pesquisas sobre neurotransmissores e comportamentos/diagnósticos mostram correlações e não causas dos transtornos.

Referência:

Neurobiology Understanding the Big 6 Neurotransmitters

 https://www.youtube.com/watch?v=oV5LTOPO7rc



Dopamina - Psicofarmacologia

Dopamina: mecanismo de ação/função

movimento

memória

reforço prazeroso

comportamento e cognição

atenção

inibição da produção de prolactina

sono

humor

aprendizagem

(tudo)

Ex: Dormir mal - indisposto para estudar


Alteração

Controle cognitivo (pensamento acelerado)

controle da atenção

controle de impulsos

memória de trabalho

humor

motivação

sono


Precursos L-DOPA encontrado:

no cérebro e nos rins (hidratação pode alterar dopamina e níveis de medicamento)

sistema nervoso perfiférico

nas veias: inibe norapinefrina (motivação, atenção e excitação) e age como vasodilatador (relaxamento). (Estresse)

nos rins: aumenta a excreção de sódio e de urina (equilíbrio de sódio e rabdomiólise)

no pâncreas: reduz a produção de insulina

no sistema digestivo: reduz a motilidade gastrointestinal e protege a mucosa intestinal

no sistema imune: reduz atividades dos linfócitos (doenças autoimunes)


Excesso:

Alteração na dopamina não é o único fator na esquizofrenia. Outros neurotransmissores também.

movimentos desnecessários, tics repetitivos

psicose

hipersexualidade

náusea

drogas neurolépticas: antagonistas de dopamina (efeito anti-náusea)


Insuficiente:

Embotamento de afeto/apatia

Perda de motivação

Dor

Parkinson

Síndrome das pernas inquietas

Transtorno de déficit de atenção (TDAH)

Redução do movimento de marcha e aumento da rigidez relacionados com a idade

Alteração na flexibilidade cognitiva relacionada com a idade

Fadiga

Apatia/falta de prazer

procrastinação

libido sexual baixa

problemas de sono

alterações de humor

desesperança

perda de memória

dificuldade de se concentrar


Nutrição (produção):

magnésio e tirosina

frango

maças

abacate

bananas

chocolate


Medicamentos:

agonistas (aumento)

suplemento de dopamina não ultrapassa a barreira cérebro-sangue 

(nutrição é necessária para o corpo produzir)

para sintomas negativos (não ter vontade de falar, apatia, depressivo, catatonia)

medicamento: buspirona (para ansiedade)

Suplemento: L-teanina, chá verde, golden root, rhodiola rosea

melhora da depressão, desempenho no trabalho, eliminar fadiga, tratar sintomas resultantes de estresse físico e psicológico intenso.

Aumentar a estabilidade de dopamina: reduz depressão, ansiedade, fadiga e aumenta a habilidade de lidar com o estresse.

níveis de neurolépticos e litium sensíveis a hidratação (não demais nem pouco)

Síndrome neuroléptica maligna

Redução abrupta de dopamina, por retirada de agente dopaminérgico ou bloqueio de receptores de dopamina

sintomas: febre alta, confusão, músculos rígidos, pressão sanguínea variável, suor e batimentos cardíacos acelerados

complicações: rabdomiólise (renal), alta concentração de potássio no sangue, crise renal ou convulsões

Dopamina reduz 10% por década (declínio em desempenho motor e cognitivo)

Níveis de dopamina são impactados por níveis de estrogênio


Referência:

Neurobiology Understanding the Big 6 Neurotransmitters

 https://www.youtube.com/watch?v=oV5LTOPO7rc

Ótima aula de psicofarmacologia (em inglês)


Objectives ~ Define Neurobiology ~ For the following neurotransmitters, Dopamine, GABA, Serotonin, Acetylcholine, identify ~ Their mechanism of action/purpose ~ Where they are found ~ Symptoms of excess & insufficiency ~ Nutritional building blocks Dopamine ~ Mechanism of action/purpose ~ movement ~ memory ~ pleasurable reward ~ behavior and cognition ~ attention ~ inhibition of prolactin production ~ sleep ~ mood ~ learning Norepinepherine ~ Function ~ Fight or flight excitatory neurotransmitter ~ Implicated in motivation ~ Symptoms of Insufficiency ~ When faced with severe stress, the stress response system activates raising norepinephrine and stress hormones ~ This increases arousal, increases insomnia, anxiety, depression, irritability, or emotional instability. ~ Prolonged stress leads to underactivity of the stress response system (desensitization) ~ This lowers arousal and can result in low energy, daytime fatigue, concentration/focus issues, and general apathy. Glutamate ~ Is an amino acid (present in most high protein foods) ~ Most prevalent excitatory neurotransmitter ~ Used to make GABA (teeter-totter) ~ Facilitates learning and memory ~ Excess glutamate is associated with ~ Panic attacks / anxiety ~ Impulsivity ~ OCD ~ Depression GABA ~ Mechanism of action/purpose ~ Anti-anxiety, Anti-convulsant ~ GABA is made from glutamate ~ GABA functions as an inhibitory neurotransmitter ~ GABA does the opposite and tells the adjoining cells not to “fire” ~ Where is it found ~ Close to 40% of the synapses in the human brain work with GABA and therefore have GABA receptors Serotonin ~ Mechanism of action/purpose ~ Helps regulate ~ Mood ~ Sleep patterns ~ Appetite ~ Pain Acetylcholine ~ Mechanism of action/purpose ~ In lower amounts, ACh can act like a stimulant by releasing norepinephrine (NE) and dopamine (DA). ~ Memory ~ Motivation ~ Higher-order thought processes ~ Sexual desire and activity ~ Sleep Summary ~ There are a variety of different neurotransmitters involved in addiction and mental health disorders ~ It is not always about increasing a neurotransmitter. Sometimes you need to decrease it. ~ Human brains try to maintain homeostasis and too much or too little can be bad ~ A balanced diet will provide the brain the necessary nutrients in synergystic combinations Think about ~ A client who presents with apathy/loss of pleasure, sleep disturbances, fatigue, and difficulty concentrating

Referência:

Neurobiology Understanding the Big 6 Neurotransmitters

 https://www.youtube.com/watch?v=oV5LTOPO7rc


segunda-feira, 23 de agosto de 2021

Dopamina: locomoção e excitação (ciclo ultradiano)

A evidência oscilação dopaminérgica ultradiana  

A excitação fisiológica é controlada pelo sistema de excitação ascendente clássico, que compreende os neurotransmissores monoaminas, incluindo dopamina, histamina, norepinefrina e serotonina [85]. Destes, várias linhas de evidência apontam para o envolvimento de uma rede dopaminérgica no oscilador ultradiano. Primeiro, a perturbação dos níveis de dopamina e neurônios dopaminérgicos parece alterar o período de locomoção e excitação. Deficiência de dopamina em camundongos com deficiência de tirosina hidroxilase [86], lesões em regiões do cérebro contendo neurônios dopaminérgicos, como o núcleo arqueado, paraventricular e retrociasmático em ratos [35], ou bloqueio seletivo dos receptores de dopamina D2 com haloperidol [82], todos resultam em hipoatividade pela supressão de surtos ultradianos de locomoção. Por outro lado, o aumento da dopamina extracelular por meio do tratamento com metanfetamina [82] ou por ablação genética do transportador de dopamina, Slc6a3 [82,87-89], resulta em hiperatividade devido ao prolongamento do período ultradiano de locomoção. Além disso, o tratamento com metanfetamina prolonga o período ultradiano de uma forma dependente da dose. 

Eventos Ultradianos Episódicos - Ritmo Ultradiano

Goh, G. H., Maloney, S. K., Mark, P. J., & Blache, D. (2019). Episodic Ultradian Events-Ultradian Rhythms. Biology8(1), 15. https://doi.org/10.3390/biology8010015

[Ciclos ultradianos estão relacionados com a eficiência fisiológica do organismo para lidar com eventos imprevisíveis a curto-prazo.]


sábado, 21 de agosto de 2021

[Treta] Psicanálise versus terapia cognitiva

Em termos de mecanismo de funcionamento não vejo muita diferença entre psicanálise e terapia cognitiva pois ambas partem do pensamento como causa dos comportamentos e são mentalistas. Inclusive a terapia cognitiva se derivou da psicanálise a partir de um autor ex-psicanalista (Aaron Beck).

A psicanálise tem a vantagem de considerar a cognição social das ciências humanas. A terapia cognitiva é apenas uma psicanálise que tenta mimetizar os métodos da medicina.

Por isso, não vejo nenhum motivo pelo qual não seja possível a psicanálise funcionar ou para que funcione menos que a terapia cognitiva. A terapia cognitiva tem ambições de hegemonia e praticamente tudo o que faz tem essa finalidade em vista.

Se eu não conhecesse bem a reforma psiquiátrica eu poderia ser o estereótipo de um cientificista. 




terça-feira, 17 de agosto de 2021

Vaguidão e precisão - Bertrand Russell

Seria um grande erro supor que o conhecimento vago deva ser falso. Ao contrário, uma crença vaga tem muito mais chance de ser verdadeira do que uma crença precisa, porque há mais fatos possíveis que a verificariam. Se eu acreditar que fulano é alto, tenho mais probabilidade de estar certo do que se acreditar que sua altura está entre 6 pés e 2 polegadas e 6 pés e 3 polegadas. Em relação a crenças e proposições, embora não em relação a palavras isoladas, podemos distinguir entre exatidão e precisão. Uma crença é precisa quando apenas um fato a verificaria; é exata quando é precisa e verdadeira. A precisão diminui a probabilidade da verdade, mas muitas vezes aumenta o valor pragmático de uma crença se for verdadeira - por exemplo, no caso da água que continha os bacilos tifóides. A ciência está perpetuamente tentando substituir crenças mais precisas por outras vagas; isso torna mais difícil para uma proposição científica ser verdadeira do que para as crenças vagas de pessoas sem educação serem verdadeiras, mas torna a verdade científica mais valiosa se ela puder ser obtida.

Bertrand Russelll. Vagueness.

Definição de verbalismo

 verbalismo --- a falácia que consiste em confundir as propriedades das palavras com as propriedades das coisas

segunda-feira, 16 de agosto de 2021

Psiquiatria como conhecimento limitado

Se entendermos conhecimento de boa qualidade a capacidade de manipulação bem sucedida então podemos considerar a psiquiatria biológica um conhecimento da má qualidade pois essa área enfatiza as limitações ou o quanto os problemas de saúde mental são incapacitantes. Por outro lado, oferece o incentivo à aposentadoria para compensar isso ou para não consistir em uma área que enfatiza apenas o negativo. A psiquiatria sempre tem uma desculpa discursiva para si mesma que é a "gravidade da doença mental".


terça-feira, 10 de agosto de 2021

Maconha e psicose sem diagnósticos

 A ligação entre uso de maconha e psicose é algo que eu desconfiava que era pesquisa deturpada da psiquiatria. Mas de acordo com esse vídeo de uma organização que trabalha com desmame é verdade. Segundo esse vídeo algumas pessoas não tem genes que fazem metabolizar THC e essas pessoas tem sintomas de psicose quando usam maconha e devem parar de usar. Mas pelo o que entendi o diagnóstico de esquizofrenia ou outros parecidos é dispensável. Assim como o tratamento com antipsicóticos.

https://www.youtube.com/watch?v=Xtdh27AAPsw

segunda-feira, 2 de agosto de 2021

Epistemologia e reforma psiquiátrica

A disputa em torno da reforma psiquiátrica ou da contrarreforma psiquiátrica se pensada epistemologicamente parece ser a luta pelo financiamento público de reducionismo manicomial versus mentalismo antimanicomial. Ambos os lados tem suas limitações mas o senso comum costuma ser reducionista biológico e manicomial. Recorrer ao reducionismo manicomial parece ser um sinal de fracasso da atenção em saúde mental. Recorrer ao mentalismo antimanicomial tem suas vantagens sociais mas não é suficiente.

Disfunção cerebral como causa dos transtornos

 (Wyatt & Midkiff, 2006) Além dos estudos de autópsia, as pesquisas com imagens cerebrais se concentraram nos vivos. Esses estudos empregam tecnologias como PET scans e fMRI. Freqüentemente, eles revelam diferenças interessantes entre os cérebros dos desordenados e os cérebros das pessoas sem transtorno mental ou comportamental. Mesmo assim, não é possível inferir causalidade ambiental ou biológica de tais estudos. Em parte, isso ocorre porque a direção da causalidade permanece desconhecida. Embora seja tentador concluir que um dado transtorno mental resultou de uma anormalidade identificada na estrutura ou função do cérebro, evidências de estudos tanto em humanos quanto em subumanos deixam claro que o transtorno pode ter vindo antes da anormalidade cerebral. Valenstein (1998) revisou uma série de estudos nos quais os cérebros de espécies inferiores foram submetidos a vários fatores de estresse. Ele concluiu: “A evidência agora esmagadora de que a experiência pode alterar a estrutura e função neuronal deve deixar claro que é perigoso presumir que qualquer característica anatômica ou fisiológica encontrada nos cérebros de pessoas com transtornos mentais foi a causa desse transtorno” (p. 128). Um estudo da UCLA enfocou o funcionamento do cérebro com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). O monitoramento contínuo da atividade cerebral nos pacientes à medida que eles recebiam medicação ou terapia comportamental mostrou que ambos os tratamentos modificaram a atividade cerebral (e o funcionamento manifesto) igualmente bem (Friedman, 2002). PET scan e estudos de fMRI freqüentemente mostram que indivíduos com transtorno mental crônico têm ventrículos aumentados ou níveis incomuns de proteína no cérebro, ou metabolismo cerebral diferencial em comparação com os cérebros de quem não sofre de transtorno mental (Wyatt, 2003). Mas a causalidade não pode ser determinada com base em tais diferenças cerebrais. Essas anormalidades cerebrais causaram os transtornos mentais dos indivíduos? Ou os anos sofrendo de um distúrbio causaram mudanças em seus cérebros?

Referência:

Wyatt, W. J., & Midkiff, D. M. (2006). Biological Psychiatry: A Practice in Search of a Science. Behavior and Social Issues, 15(2), 132–151. https://doi.org/10.5210/bsi.v15i2.372


Erro metodológico nas pesquisas de desequilíbrio químico

Erro metodológico nas pesquisas de desequilíbrio químico

Além dos estudos de gêmeos idênticos, outra linha de pesquisa às vezes foi alardeada por apresentar evidências convincentes de causalidade biológica de distúrbios comportamentais. Existem dois tópicos principais para esta linha de pesquisa. O primeiro é feito na autópsia e envolve análises microscópicas da estrutura celular do tecido cerebral de indivíduos que sofreram transtornos mentais em vida. Esses estudos tendem a mostrar consistentemente a estrutura celular diferencial para aqueles que eram esquizofrênicos, deprimidos, etc., vis-à-vis aqueles que não sofreram nenhum distúrbio. Hipoteticamente, um estudo típico pode mostrar que 60% dos cérebros de esquizofrênicos continham quantidades excessivas do neurotransmissor dopamina-4, enquanto apenas 10% dos cérebros de normais continham quantidades excessivas da substância química. À primeira vista, isso pareceria fornecer evidências convincentes de que, para muitos esquizofrênicos, o excesso de dopamina-4 desempenhou um papel causal importante em seu transtorno. No entanto, há outra interpretação desses dados, que enfraquece qualquer conexão causal inferida entre o neurotransmissor e a esquizofrenia. O exame dos números absolutos refletidos pelas porcentagens acima, 60% e 10%, fornece uma imagem menos convincente. Se considerarmos que a população adulta (porque a esquizofrenia raramente é diagnosticada em crianças) dos Estados Unidos é de cerca de 200 milhões, então existem cerca de 2 milhões de esquizofrênicos no país (com base na noção comumente aceita de que cerca de 1% da população é esquizofrênico). Se 60% deles têm níveis excessivos de dopamina-4, então cerca de 1,2 milhão de esquizofrênicos americanos têm quantidades excessivas da substância química em seus cérebros. Então, sem contar os 2 milhões que são esquizofrênicos, permanecem cerca de 198 milhões de adultos americanos que não são esquizofrênicos, 19,8 milhões (10%) dos quais têm excesso de dopamina-4. Nesse cenário, os não esquizofrênicos superam os esquizofrênicos em mais de dezesseis para um. É difícil argumentar que um nível elevado de neurotransmissor é a causa de um distúrbio específico quando essa elevação é encontrada com muito mais frequência em indivíduos que nunca sofreram do distúrbio. No entanto, os pesquisadores tendem a relatar porcentagens, menos as referências extrapoladas para os números da população que seguem logicamente a partir dessas porcentagens.

Referência:

Wyatt, W. J., & Midkiff, D. M. (2006). Biological Psychiatry: A Practice in Search of a Science. Behavior and Social Issues, 15(2), 132–151. https://doi.org/10.5210/bsi.v15i2.372

Especialistas

 “Tudo é importante demais para ser confiado a especialistas profissionais, porque cada organização de tais profissionais e cada organização social estabelecida torna-se uma instituição de interesse pessoal, mais preocupada com seus esforços para se manter ou promover seus próprios interesses do que para alcançar o propósito que a sociedade espera que aconteça ”. - Carroll Quigley, The Evolution of Civilizations


Nobel de Física Feynman sobre ciência

 "Ciência é a crença na ignorância de especialistas." Dr. Richard Feynman, Prêmio Nobel de Física. 

Contexto completo: "Só a ciência de todas as disciplinas contém em si a lição do perigo da crença na infalibilidade dos maiores professores da geração anterior (...) Quando alguém diz:" A ciência ensina isso e aquilo ", ele está usando o palavra incorreta. A ciência não ensina nada; a experiência ensina. Se eles disserem a você: “A ciência mostrou isso e aquilo”, você pode perguntar: “Como a ciência mostra isso? Como os cientistas descobriram? Como? O quê ? Onde?" Não deve ser “a ciência mostrou”, mas “este experimento, este efeito, mostrou”. E você tem tanto direito quanto qualquer outra pessoa, ao ouvir sobre os experimentos - mas seja paciente e ouça todas as evidências - para julgar se uma conclusão sensata foi alcançada. (...) Os especialistas que o estão conduzindo podem estar errados. (...) Eu acho que vivemos em uma era não científica em que quase todas as batidas das comunicações e da televisão - palavras, livros e assim por diante - não são científicas. Como resultado, há uma quantidade considerável de tirania intelectual em nome da ciência . (...) Só a ciência de todas as disciplinas contém em si a lição do perigo da crença na infalibilidade dos maiores professores da geração precedente. "

Compilado Eletroconvulsoterapia

- a ciência não corporativa comprova que a alegação de que a grande maioria dos transtornos mentais são causados por disfunções cerebrais e genética e não por determinantes ambientais é falsa.

Conflito de interesses nas pesquisas

(Wong,2006) Na nossa sociedade tecnológica, a pesquisa científica é o processo que examina e valida reivindicações de eficácia terapêutica. Embora este processo seja projetado para ser imparcial e objetivo, é realizado hoje dentro de um clima em que  interesses comerciais e corporativos empunham o controle crescente sobre as atividades de universidades e cientistas (Krimsky, 2003). Isso é especialmente verdadeiro para pesquisa sobre a eficácia da droga. Companhias farmacêuticas financiam 70% dos ensaios clínicos avaliando a eficácia da droga (Bodenheimer, 2000), mas a aprovação de drogas que valem bilhões de dólares anualmente dependem inteiramente desses resultados de estudos.

Isto cria um conflito entre os motivos científicos para obter dados objetivos e motivos comerciais para legitimar um produto altamente lucrativo. Há muitas maneiras de projetar estudos de avaliação de medicamentos ou relatar dados resultantes que podem ampliar a aparente segurança e eficácia da droga. Algumas dessas formas, observados em estudos de medicamentos publicados, incluem: não comparar a droga a um tratamento que não a droga (e., comportamental), não comparando a droga a um placebo, não mantendo procedimentos duplos-cegos, medindo muitos resultados e falhar em não corrigir diferenças significativas obtidas por acaso, apresentando dados e análises enganosas, e apresentando conclusões que não concordam com os resultados (Bero & Rennie, 1996). Outro jeito que uma nova droga pode ser feita para parecer eficaz é comparando-a a uma droga antiga que é dada em altas dosagens que são quase tóxicas ou tóxicas. Numerosos estudos avaliando medicamentos antipsicóticos atípicos foram realizados desta maneira comparando a medicação atípica para haloperidol (ou uma droga equivalente) dada a dosagens mais altas do que recomendadas (Geddes et al., 2000; mais seguro, 2002).

Supressão de evidências mostrando seus efeitos adversos e a eficácia limitada também podem aumentar a ostensiva segurança e eficácia de um produto farmacêutico (mais seguro, 2002). Empresas farmacêuticas que financiam estudos muitas vezes exigem que os investigadores assinem contratos dando às empresas o direito de aprovação pré-publicação para todos os relatórios de pesquisa.

Empresas farmacêuticas obstruíram a liberação de achados desfavoráveis ​​sobre produtos potencialmente lucrativos, atrasando a aprovação de relatórios de pesquisa, retenção aprovação de tais relatórios (Vergano, 2001), ameaçando a ação legal se o investigador tentativas de publicar o relatório e ameaçando o financiamento futuro se o autor tentar publicar a pesquisa em questão (Bodenheimer, 2000). O resultado final desses seletivos processos é que os dados de pesquisa publicados disponíveis para o público podem ser tão distorcidos que pode deturpar completamente a evidência científica existente.

Influenciando o processo de aprovação do FDA

(Wong,2006) Desde a missão da administração de alimentos e drogas U.S. (FDA) é garantir que o público obtém drogas seguras e eficazes (US FDA, 2004), pode-se supor que todas as drogas que recebem aprovação da FDA e vendidas legalmente neste país atenderiam a esses critérios. No entanto, como outras agências reguladoras governamentais, a FDA é suscetível a "captura" pela indústria que se propõe a regular (Abraão, 1995). Um mecanismo de captura é a infiltração da agência reguladora por consultores de especialistas ou funcionários que têm vieses favoráveis ​investidos no setor. A indústria farmacêutica parece já ter conseguido fazer tais incursões. Uma história de manchete de uma  Edição de setembro 2000 dos EUA relatou hoje "... que mais da metade dos especialistas contratados para aconselhar o governo sobre a segurança e a eficácia da medicina tem relações financeiras com as empresas farmacêuticas que serão ajudadas ou feridas por suas decisões ... " (Cauchon, 2000). Mais importante, nos últimos anos proponentes vocais da indústria de medicamentos e ex-executivos da indústria farmacêutica foram nomeados para a posições administrativas de alto escalão dentro da FDA, reduzindo ainda mais a capacidade do FDA para monitorar a segurança, eficácia e custo-eficiência de medicamentos (Angell, 2004; Cohen, 2001). Talvez parcialmente devido a tais compromissos, a FDA foi criticada por suprimir conclusões de um dos seus próprios analistas de segurança drogas que estavam prestes a relatar que esses antidepressivos (por exemplo, Zoloft, Paxil) aumentaram o potencial de suicídio entre crianças e adolescentes. Só depois recebendo uma reavaliação independente que confirmou a conclusão do seu próprio especialista, e depois que o governo britânico proibiu o uso dessas drogas com crianças e adolescentes (Goode, 2003), e após audiências públicas em que pais e profissionais acusaram o FDA de não fornecer proteção adequada os funcionários da FDA reverteram sua inicial postura e exigiram que os fabricantes de drogas emitissem etiquetas de aviso que esses produtos poderiam fazer os pacientes se tornarem suicidas (Harris, 2004).

Diferenças em função cerebral

(Wyatt & Midkiff, 2006) Além dos estudos de autópsia, as pesquisas com imagens cerebrais se concentraram nos vivos. Esses estudos empregam tecnologias como PET scans e fMRI. Freqüentemente, eles revelam diferenças interessantes entre os cérebros dos desordenados e os cérebros das pessoas sem transtorno mental ou comportamental. Mesmo assim, não é possível inferir causalidade ambiental ou biológica de tais estudos. Em parte, isso ocorre porque a direção da causalidade permanece desconhecida. Embora seja tentador concluir que um dado transtorno mental resultou de uma anormalidade identificada na estrutura ou função do cérebro, evidências de estudos tanto em humanos quanto em subumanos deixam claro que o transtorno pode ter vindo antes da anormalidade cerebral. Valenstein (1998) revisou uma série de estudos nos quais os cérebros de espécies inferiores foram submetidos a vários fatores de estresse. Ele concluiu: “A evidência agora esmagadora de que a experiência pode alterar a estrutura e função neuronal deve deixar claro que é perigoso presumir que qualquer característica anatômica ou fisiológica encontrada nos cérebros de pessoas com transtornos mentais foi a causa desse transtorno” (p. 128). Um estudo da UCLA enfocou o funcionamento do cérebro com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC). O monitoramento contínuo da atividade cerebral nos pacientes à medida que eles recebiam medicação ou terapia comportamental mostrou que ambos os tratamentos modificaram a atividade cerebral (e o funcionamento manifesto) igualmente bem (Friedman, 2002). PET scan e estudos de fMRI freqüentemente mostram que indivíduos com transtorno mental crônico têm ventrículos aumentados ou níveis incomuns de proteína no cérebro, ou metabolismo cerebral diferencial em comparação com os cérebros de quem não sofre de transtorno mental (Wyatt, 2003). Mas a causalidade não pode ser determinada com base em tais diferenças cerebrais. Essas anormalidades cerebrais causaram os transtornos mentais dos indivíduos? Ou os anos sofrendo de um distúrbio causaram mudanças em seus cérebros?

Compêndios de psiquiatrias assumem que não conhecem a etiologia (origem) dos transtornos mentais

(Wyatt & Midkiff, 2006) Mind Freedom respondeu à Dra. Scully dez dias depois. As fontes que ele citou, apontou Mind Freedom, forneciam pouco suporte para a causa biológica dos transtornos mentais. Por exemplo, o relatório do Surgeon General contém declarações como, "As causas precisas (etiologia) dos transtornos mentais não são conhecidas" (p. 49). The Textbook of Clinical Psychiatry declara: “Embora critérios confiáveis ​​tenham sido construídos para muitos transtornos psiquiátricos, a validação das categorias diagnósticas como entidades específicas não foi estabelecida” (p. 43). The Introductory Textbook of Psychiatry declara: “Grande parte da pesquisa investigativa atual 143W YATT & M IDKIFF em psiquiatria é direcionada ao objetivo de identificar a fisiopatologia e etiologia das principais doenças mentais, mas esse objetivo foi alcançado apenas para alguns transtornos (Alzheimer doença, demência multi-infarto, doença de Huntington e síndromes induzidas por substâncias, como psicose relacionada com anfetaminas ou síndrome de Wernicke-Korsakoff) ”(p. 23). 

Estudos de genética com gêmeos idênticos

(Wyatt & Midkiff, 2006) A atratividade física, a taxa de maturação, a idade de separação e as práticas de adoção da família e das agência de adoção normalmente não foram explicadas por pesquisadores cujos estudos mostram até 40% de concordância para transtornos mentais em gêmeos idênticos criados separados. Ainda assim, os fatores culturais são poderosos e freqüentemente inflexíveis. Gêmeos idênticos criados “separados” são, na verdade, expostos a fluxos diários de pressões ambientais semelhantes - influências que podem muito bem ser responsáveis ​​pelos níveis relatados de concordância para distúrbios emocionais e comportamentais. Diante de tudo isso, é razoável concluir que as influências genéticas e ambientais foram irremediavelmente confundidas nos estudos com gêmeos idênticos. É provável que estudos com gêmeos idênticos tenham feito pouco mais do que confundir nossa compreensão dos transtornos mentais e comportamentais. 

Nesse aspecto, há semelhanças com outros usos indevidos de estudos genéticos. Às vezes, outros estudos genéticos desempenharam papéis injustificados em várias lutas sociais e políticas. Por exemplo, alegadas diferenças de QI de base biológica entre raças têm sido usadas para negar justiça econômica aos afro-americanos. A dominação masculina sobre as mulheres também foi justificada com base em estudos genéticos falhos. Essas questões não serão exploradas aqui. Revisões extensas estão disponíveis em outros lugares (Lewontin, 1992; Lewinton, Rose & Kamin, 1984).

1) Wong, S. E. (2006). Behavior Analysis of Psychotic Disorders: Scientific Dead End or Casualty of the Mental Health Political Economy? Behavior and Social Issues, 15(2), 152–177. https://doi.org/10.5210/bsi.v15i2.365

2) Wyatt, W. J., & Midkiff, D. M. (2006). Biological Psychiatry: A Practice in Search of a Science. Behavior and Social Issues, 15(2), 132–151. https://doi.org/10.5210/bsi.v15i2.372

https://psycnet.apa.org/record/2007-00317-002

- a ciência comprova que a eficácia das drogas psiquiátricas é limitada

(Wyatt & Midkiff, 2006) Mesmo quando os resultados do estudo de drogas são positivos, uma metodologia de rotina deixa a interpretação no limbo. O procedimento em questão faz com que a pesquisa seja realizada de forma a aumentar a probabilidade de o medicamento ser considerado eficaz. Antes do início de um estudo de drogas, os pesquisadores tentam ativamente selecionar do grupo de participantes todos os pacientes que possam responder favoravelmente ao placebo. Antes de colocar os pacientes no grupo do medicamento ou no grupo do placebo, todos recebem o placebo e são observados por até três semanas. Isso é denominado período de “run-in” ou “wash-out” do placebo. Aqueles que melhoraram durante o tratamento com placebo são removidos do grupo de participantes. Eles não têm mais participação no estudo. Em seguida, os participantes restantes são divididos em grupos de drogas e placebo e o estudo é conduzido. O resultado prático é que o baralho é empilhado para mostrar que o medicamento é mais eficaz do que o placebo. É difícil defendê-la como metodologia adequada, embora seja feita rotineiramente por pesquisadores de drogas. 

Mesmo assim, os resultados dos estudos de drogas são frequentemente negativos ou apenas marginalmente positivos. Por exemplo, foi realizada uma revisão de trinta e oito estudos de antidepressivos como Prozac, Zoloft, Paxil, Serzone, Celexa e Effexor que foram feitos durante 1987-1999. Na Escala de Depressão de Hamilton de 50 pontos, os estudos mostraram uma melhora média de 10 pontos no humor para pacientes que tomaram os medicamentos e uma melhora de 8 pontos para aqueles que tomaram placebo (Kirsch, Moore, Scoboria & Nicholls, 2002). É duvidoso que a vantagem média de dois pontos para os medicamentos seja significativa no mundo real, no qual os pacientes atuam todos os dias, ou que os medicamentos teriam mesmo aquela ligeira vantagem sobre o placebo se não fosse pela metodologia de eliminação.

A ausência de resultados convincentes de testes de drogas pode explicar por que as empresas farmacêuticas agora às vezes contratam escritores fantasmas (ghostwriters) para os estudos que financiam. Embora os estudos possam ser conduzidos por professores respeitados em universidades altamente conhecidas, é bastante comum que ghostwriters longe do laboratório escrevam as versões publicadas dos resultados. A escrita fantasma foi especialmente notada em periódicos de psiquiatria, e a empresa farmacêutica Pfizer emprega uma agência de redação médica de Nova York, de acordo com uma divulgação recente de um processo judicial (Barnett, 2003).

Wyatt, W. J., & Midkiff, D. M. (2006). Biological Psychiatry: A Practice in Search of a Science. Behavior and Social Issues, 15(2), 132–151. https://doi.org/10.5210/bsi.v15i2.372

https://psycnet.apa.org/record/2007-00317-002

Tendo em vista que a eletroconvulsoterapia:

- não tem mecanismo de ação conhecido

"Décadas de pesquisa em modelos animais de ECT (referido como choque eletroconvulsivo ou ECS) e ensaios clínicos em humanos contribuíram para uma vasta base de evidências de alterações neurobiológicas associadas a convulsões induzidas. Sem dúvida, os eventos biológicos que levam ao alívio da depressão com a ECT envolvem uma cascata de efeitos relacionados a moléculas, células e circuitos. Embora vários pesquisadores tenham se concentrado principalmente em um desses domínios neurobiológicos, não existe atualmente uma teoria articulada do mecanismo de ação da ECT na depressão que incorpore eventos em todos os três níveis. É provável que muitas das inúmeras alterações observadas sejam epifenômenos (Fenômeno de pouca relevância que não produz qualquer efeito sobre outro ao qual está associado) não essenciais para os efeitos terapêuticos da ECT."

https://www.psychiatrictimes.com/view/contemporary-ect-part-2-mechanism-action-and-future-research-directions

- as pesquisas em psiquiatria e sobre ECT geralmente são feitas a curto-prazo

Os resultados das pesquisas a longo-prazo de tratamentos psiquiátricos são geralmente ruins.

- o tratamento precisa de manutenção

- aumentar em quantidade causa mais prejuízos e disfunção (relação paramétrica positiva)

"A ECT intensiva envolve a administração de mais de uma ECT por dia ou um grande número de ECTs ao longo do tempo. A gravidade do dano causado a essas pessoas mostra ao extremo o que acontece durante o tratamento de rotina em um grau menos severo, mas ainda assim prejudicial." Breggin

https://breggin.com/ect-resources-center/

- causa danos neurológicos permanentes a longo-prazo

"Nós podemos apenas esperar que essas vítimas da ECT vai se recuperar com o tempo, mas o estudo mais extensivo de longo prazo de acompanhamento de resultados posteriores ao tratamento (follow-up) mostra que a maioria do pacientes de ECT nunca vão se recuperar do dano na forma de déficits mentais persistentes." Breggin

Artigo de avaliação das funções cognitivas a longo-prazo:

http://breggin.com/wp-content/uploads/2008/03/2007NeuropscychopharmacologyonElectroShock.pdf

https://breggin.com/new-study-confirms-electroshock-ect-causes-brain-damage/

Disfunção cognitiva 

"Este é um termo amplo que abrange a função de disfunção da memória, bem como prejuízo no aprendizado de novos materiais, raciocínio abstrato, resolução de problemas e outras funções superiores. A maioria dos estudos de ECT enfoca a perda de memória, mas muitos também mencionam a disfunção cognitiva."  Breggin

https://breggin.com/ect-resources-center/

- "Não há estudos para apoiar a afirmação de que a ECT reduz o suicídio. ECT não reduz suicídio e ao invés disso em alguns casos aumenta o risco. Não há razão para usar a ECT como um "último recurso". O escritor Ernest Hemingway se suicidou após o tratamento com ECT."  Breggin

"Hemingway se matou após uma série de eletrochoques involuntários (ECT) que destruíram sua habilidade de escrever, dando uma das citações mais citadas sobre lesões de ECT no processo: "O que esses médicos de choque não sabem é sobre escritores e coisas como remorso e arrependimento e o que eles fazem com eles ... Bem, qual é o sentido de arruinar minha cabeça e apagar minha memória, que é meu capital, e me colocar fora do mercado? Foi uma cura brilhante, mas perdemos o paciente. " Ernest Hemingway, Papa Hemingway, A.E. Hotchner O caso de Hemingway ainda é relevante no ano de 2020; as pessoas ainda estão perdendo seus meios de subsistência devido ao eletrochoque. Alguns pacientes, como Ernest, também se matam."

https://breggin.com/ect-resources-center/

- ECT pode causar ataque do coração. 

https://breggin.com/ect-resources-center/

- causa incapacidade laboral a longo-prazo devido aos déficits cognitivos permanentes a longo-prazo

- sua eficácia não é consenso científico fora de círculos de interesse corporativo

Eletroconvulsoterapia (ECT) / Eletrochoque: A produção de evidencias sobre seu uso, eficácia e eficiência.

Walter Ferreira de Oliveira

Universidade Federal de Santa Catarina

https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69772

- as pesquisas são produzidas tendo por fim interesses comerciais

“Há, portanto, conflitos de interesses na geração de conhecimento e informação sobre o eletrochoque, que colocam em xeque o sistema de produção deste conhecimento e a atuação de corporações de classe, como a American Psychiatric Association (APA), que avalizam e divulgam, sem revelar esses conflitos, resultados de estudos assim enviesados e as informações emanadas”

Oliveira, 2019

Eletroconvulsoterapia (ECT) / Eletrochoque: A produção de evidencias sobre seu uso, eficácia e eficiência.

Walter Ferreira de Oliveira

Universidade Federal de Santa Catarina

https://periodicos.ufsc.br/index.php/cbsm/article/view/69772

- as substâncias neurotróficas de suposto crescimento de células cerebrais novas é uma resposta ao dano cerebral

"BDNF é um fator de crescimento cuja produção é aumentada em reação à ECT. É chamado de benefício pelos defensores da ECT. Na realidade, é uma resposta ao traumatismo cranioencefálico e fornece mais evidências de que a ECT causa lesões cerebrais. Veja também Neurogênese (novo crescimento de células cerebrais), que também ocorre após a ECT como uma resposta a danos cerebrais, mas que alguns defensores da ECT afirmam ser um resultado positivo. 

Neurogênese (crescimento de novas células cerebrais) Os defensores da ECT afirmam que a recém-descoberta neurogênese induzida pela ECT é boa para o cérebro. Em vez disso, a neurogênese é uma resposta à lesão cerebral traumática. A ECT causa pequenas hemorragias, isquemia, suprimento sanguíneo inadequado, trauma elétrico e outros efeitos que podem causar neurogênese. A neurogênese induzida pela ECT é mais uma prova de que causa lesão cerebral." Breggin

https://breggin.com/ect-resources-center/

- É uma forma de lobotomia ou psicocirurgia. "Por que ao menos um eletrodo é colocado nos lobos frontais, a ECT se torna uma lobotomia com a cabeça fechada como demonstrado em estudos de função cerebral." Breggin

https://breggin.com/ect-resources-center/

- "Os inventores da ECT, Bini e Cerletti sabiam e aprovavam o fato de que eles estavam causando dano cerebral." Breggin

(Breggin, 1979, pp. 114, 140-141, 164-165, 214-215).

https://breggin.com/ect-resources-center/

- Familiares de pacientes com danos cerebrais costumam notar mais suas perdas enquanto os pacientes suas as minimizam.

"Negação ou anosognosia: A afirmação de que um grande número de pacientes com ECT exageram seus sintomas, especialmente a perda de memória, vai contra o fato clínico de que os indivíduos que perdem a função mental quase sempre negam ou minimizam suas perdas. Na minha experiência, a família está sempre mais ciente e falante sobre as perdas mentais de seus entes queridos devido a danos cerebrais do que a vítima. Vemos a mesma reação em pacientes com demência de Alzheimer ou outras causas que "confabulam" inventando respostas a perguntas como "O que você comeu no café da manhã?" ou “O que você fez ontem?” Breggin

https://breggin.com/ect-resources-center/

- efeito de lobotomia

Após a lesão cerebral - especialmente nos centros mais elevados que expressam consciência emocional, autopercepção e julgamento - os indivíduos param de relatar seus sentimentos perturbadores ou angustiantes. Eles perderam a consciência ou são apáticos demais para se importar mais. Esse, novamente, é o efeito da lobotomia.

https://breggin.com/new-study-confirms-electroshock-ect-causes-brain-damage/

- Excesso de conectividade no lobo frontal e depressão

O relatório de um defensor da eletroconvulsoterapia argumenta que esse efeito da ECT (diminuição da conectividade funcional) apóia a ideia de que pacientes depressivos têm muita atividade em seus lobos frontais e voltam ao normal por danificar a área do cérebro.

O relatório argumenta que esse efeito da ECT apóia a ideia de que pacientes depressivos têm muita atividade em seus lobos frontais e voltam ao normal por danificar a área lesiva do cérebro. Usando uma ressonância magnética funcional em nove pacientes, os autores do estudo concluem: “Nossos resultados mostram que a ECT tem efeitos duradouros na arquitetura funcional do cérebro”. O resultado desses efeitos duradouros é a “diminuição da conectividade funcional” com outras partes do cérebro. Em outras palavras, os lobos frontais são isolados do resto do cérebro. Os autores chamam isso de "desconexão". Isso soa familiar? É uma lobotomia frontal “duradoura”.

https://breggin.com/new-study-confirms-electroshock-ect-causes-brain-damage/

- argumento intuitivo

A maioria das pessoas sabe intuitivamente que dar choque nas pessoas não pode ser bom para elas.

https://www.huffpost.com/entry/electroshock-treatment_b_1273359

Tendo em vista que:

- os danos são minimizados pelos profissionais e pela indústria de equipamentos

- os pacientes não são alertados corretamente sobre os riscos da ECT

"Candidatos à ECT e suas famílias nunca são informados sobre o quão prejudicial é o tratamento ou eles não concordariam com ele. Além disso, após uma ou mais ECTs, os indivíduos ficam tão confusos e submissos que se tornam incapazes de dar consentimento racional ou informado. Portanto, após alguns tratamentos, toda ECT torna-se involuntária e, portanto, abusiva e uma violação dos direitos humanos." Breggin

https://breggin.com/ect-resources-center/

- profissionais sérios no exterior estão requerindo o banimento da ECT no Reino Unido

https://madinbrasil.org/2020/07/profissionais-e-usuarios-da-ect-solicitam-a-suspensao-da-ect-no-nhs-reino-unido/

- vitórias de processos judiciais nos Estados Unidos contra empresas de equipamentos de ECT

comprovam que as os pacientes não são alertados dos riscos

https://madinbrasil.org/2019/02/grande-avanco-em-acoes-judiciais-contra-fabricantes-de-eletroconvulsoterapia-ect/