Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

sábado, 30 de abril de 2022

Szasz sobre O mito da doença mental

"Meu grande, imperdoável pecado em O mito da doença mental foi chamar atenção pública para as pretensões linguísticas da psiquiatria e sua retórica preferida. Quem pode ser contra 'ajudar pacientes que sofrem' ou 'tratar doenças tratáveis'? Quem pode ser a favor de 'ignorar pessoas doentes' ou, pior, 'recusar tratamento que salva vidas aos pacientes'?

Rejeitando esse jargão, eu insisti que hospitais mentais são como prisões não hospitais, que a hospitalização mental involuntária é uma forma aprisionamento não cuidado médico, e que psiquiatras coercitivos funcionam como juízes e encarceradores não médicos e curadores, e sugeri que nós vejamos e entendamos 'doença mental' e respostas psiquiátricas a eles como matérias de lei e retórica, não como matérias de medicina ou ciência."

Dr. Thomas Szasz
via Telegram Antipsychiatry

sexta-feira, 29 de abril de 2022

A reforma psiquiátrica e o rótulo de loucura

A reforma psiquiátrica tem um certo cacoete de reproduzir o discurso médico. Se uma pessoa teve experiência de tratamento psiquiátrico ela é automaticamente chamada de louca. Nem todo mundo tem o senso crítico de separar percepção social de uma condição médica real.

quinta-feira, 28 de abril de 2022

Psicologia baseada em evidências e indicações

 A grande jogada da psicologia baseada em evidências parece ser a facilitação de receber indicação de clientes. De colegas, médicos e plano de saúde. Entrar na lista do plano de saúde facilita muito ser requisitado.

segunda-feira, 18 de abril de 2022

Redução de danos e análise do comportamento

Internação de adictos em lugares fechados e redução de danos. 

Era uma aula de análise experimental do comportamento sobre ressurgência (recaída). Ressurgência é quando um comportamento anteriormente gratificado deixa de ser fortalecido e um comportamento anterior na história do indivíduo se recupera (o segundo mais gratificante). Ele disse que quando o contexto de tratamento é diferente do contexto de vida onde acontece os comportamentos indesejados (seja uso abusivo de drogas ou outros comportamentos). O contexto fechado fortalece comportamentos incompatíveis com a recaída. Mas quando a pessoa sai do lugar fechado esses comportamentos desejados podem se enfraquecer e os comportamentos antigos se recuperam. O que favorece isso é estar num ambiente aberto nada gratificante, pouco gratificante, ser punido, a demora para ser gratificado e o estresse. Acredito que também vale para internação psiquiátrica. Isso tudo descrito em linguagem experimental de laboratório com animais e com humanos. Já sobre a redução de danos os experimentos de laboratório mostram que uma dose pequena da droga faz com que comportamentos de recaída não se recuperem.


Resurgence of alcohol seeking produced by discontinuing non-drug reinforcement as an animal model of drug relapse 

Christopher A. Podlesnik, Corina Jimenez-Gomez and Timothy A. Shahan 

Findings from basic behavioral research suggest that simply discontinuing reinforcement for a recently reinforced operant response can cause the recurrence (i.e. resurgence) of a different previously reinforced response. The present experiment examined resurgence as an animal model of drug relapse. Initially, rats pressed levers to self-administer alcohol during baseline conditions. Next, alcohol self-administration was discontinued and non-drug reinforcers (food pellets) were presented contingent on an alternative response (chain pulling). Finally, when the non-drug reinforcer was discontinued, alcohol seeking recurred even though alcohol was still unavailable for lever pressing. These results suggest that simply discontinuing non-drug reinforcement for a behavior may be sufficient to produce relapse to drug seeking. The resurgence procedure could provide a method to examine environmental, pharmacological, and neurobiological factors that lead to relapse following the loss of a non-drug source of reinforcement. Behavioural Pharmacology 17:369–374 c 2006 Lippincott Williams & Wilkins.


Loss of Alternative Non-Drug Reinforcement Induces Relapse of Cocaine-Seeking in Rats: Role of Dopamine D1 Receptors 

Stacey L Quick1,2, Adam D Pyszczynski1 , Kelli A Colston1 and Timothy A Shahan*,1 1 Department of Psychology, Utah State University, Logan, UT, USA; 2 Department of Psychiatry, Yale University, New Haven, CT, USA 

Animal models of relapse to drug seeking have focused primarily on relapse induced by exposure to drugs, drug-associated cues or contexts, and foot-shock stress. However, relapse in human drug abusers is often precipitated by loss of alternative non-drug reinforcement. The present experiment used a novel ‘resurgence’ paradigm to examine relapse to cocaine seeking of rats as a result of loss of an alternative source of non-drug reinforcement. Rats were first trained to press a lever for intravenous infusions of cocaine. Next, cocaine deliveries were omitted and food pellets were provided for an alternative nose-poke response. Once cocaine seeking was reduced to low levels, food pellets for the alternative response were also omitted. Cocaine seeking increased with the loss of the alternative non-drug reinforcer (ie, resurgence occurred) despite continued extinction conditions. The increase in cocaine seeking did not occur in another group of rats injected with SCH 23390 before the loss of the alternative reinforcer. These results suggest that removal of an alternative source of reinforcement may induce relapse of cocaine seeking and that the dopamine D1 receptor may have a role in this effect. Neuropsychopharmacology (2011) 36, 1015–1020; doi:10.1038/npp.2010.239; published online 12 January 2011 Keywords: relapse; cocaine; dopamine; resurgence; alternative reinforcement


quarta-feira, 13 de abril de 2022

Capacidade de acesso à realidade

A psiquiatria biológica afirma que algumas pessoas tem a capacidade de acessar a realidade e outras não tem essa capacidade por patologia.

Mas se observamos e descrevermos bem os comportamentos dessas pessoas que a psiquiatria diz que tem capacidade de acesso à realidade se percebe que elas se escondem atrás do que todo mundo diz e não tem autonomia de pensamento. Em outras palavras, elas não pensam por si mesmas. Então como podem realmente ter capacidade de acesso à realidade?

Inspirado no vídeo do youtube Filosofia da psicopatologia e em descrições de comportamentos que ouvi

Patentes, antidepressivos e psicodélicos

Post no twitter afirmando que um psiquiatra ligado à indústria farmacêutica que antes elogiava os antidepressivos de inibição de recaptação de serotonina como tratamentos incríveis hoje em dia está afirmando que os antidepressivos são pouco eficazes. Por que isso? Porque a inovação que está prometendo trazer muito lucro agora são os psicodélicos.

Quando as patentes acabam e param de trazer bastante lucro as drogas começam a ser mal faladas.

domingo, 10 de abril de 2022

Bebês psicopatas e o modelo psiquiátrico

Ela está expressando o modelo psiquiátrico clássico com outras palavras. Nesse modelo o ambiente é pouco importante e só é gatilho para predisposições biológicas ou vulnerabilidade biológicas. É importante que isso fique claro para que haja senso crítico.

https://youtu.be/9swAmCNmonI

Quando aplicado ao desenvolvimento, o neodarwinismo conduz, geralmente, a um tipo de pré-formacionismo, no qual se defende que o projeto completo do organismo, com toda informação necessária para especificá-lo, estaria contido nos genes e, portanto, o desenvolvimento seria o mero desdobramento de um programa genético inscrito no ovo fertilizado (Lewontin, 1998/2000).

Trata-se de uma teoria que originalmente defendia a tese de que um organismo completo, em miniatura, estaria presente no gameta masculino, e os ambientes intra e extrauterino forneceriam apenas as condições necessárias para o crescimento (desenvolvimento) desse ser em miniatura (Lewontin, 1998/2000)

Referência:

Elementos Neolamarckistas do Selecionismo Skinneriano

Lewontin, R. (2000). The triple helix: Gene, organism, and environment . Cambridge: Harvard University Press. (Trabalho original publicado em 1998)

Explicação psicossocial:

Comportamento antissocial infantil

http://www.uel.br/grupo-estudo/analisedocomportamento/pages/arquivos/Comportamento%20Antissocial%20-%202000_17%20set%202012.pdf


Decompondo as constelações familiares

Decompondo as constelações familiares

Antes em linguagem intensional ou mentalista, acredito que o conceito de ser relacional é a chave para os resultados positivos porque nega o ser da pessoa fechado em si mesmo e enfatiza o dialógico dentro de um sistema.

A partir de agora a tentativa de tradução numa linguagem mais extensional ou não mentalista do behaviorismo radical.

O conceito de ser relacional, que forma as constelações familiares, significa a constituição da pessoa como uma dialogicidade em relação a um sistema de interações sociais. Ser relacional pode ser traduzido como interação (ou relação) entre o organismo e o ambiente (conceito de comportamento) e dinâmicas sistêmicas pode ser traduzido como contingências de reforçamento que estabelecem relações sociais.

Já as leis do amor podem ser entendidas como maneiras de satisfazer contingências ou exigências ambientais (expectativas de reforço positivo ou de fuga e esquiva) e a descrição de que não cumprir com as exigências ambientais ou satisfazer as contingências de reforçamento pode levar a conflitos ou consequências ruins.

A Lei da ordem pode ser traduzida como um reconhecimento de quem tem poder para estabelecer as contingências de reforçamento e quem precisa satisfazer essas contingências ou exigências ambientais.
 
Lei do equilíbrio pode ser traduzida como o conceito de operante (ação e reação, resposta e consequência). 

A Lei do pertencimento pode ser traduzida como uma regra de não rejeição (aversividade) aos membros da família ou ou também uma regra que induz o reforço positivo para o membro da família antes rejeitado.

A defesa do amor e sua aplicação através de um discurso estético (percepção)  pode ser traduzido como o uso do reforço positivo nas interações sociais familiares.

Observação: Como os membros da associação de psicologia baseada em evidências tendem a ser mais cognitivistas eles enfatizam as cognições específicas das constelações familiares.

Observação 2: Embora seja possível fazer analogias ou traduções a precisão conceitual é bastante diferente mas pode indicar que esses fenômenos estejam atuando.

Referências:


quinta-feira, 7 de abril de 2022

Gêmeos e ambiente igual (genética)

JOSEPH, J. (1998). The equal environment assumption of the classical twin

method: A critical analysis. The Journal of Mind and Behavior, 19, 325-358.

https://www.jstor.org/stable/43854406


The Use of the Classical Twin Method in the Social and Behavioral Sciences: The Fallacy Continues

Jay Joseph

Journal of Mind and Behavior 34 (1):1-40 (2013)

terça-feira, 5 de abril de 2022

Transtorno de Personalidade de Psiquiatra

via Twitter Antipsychiatry

Sintomas de Transtorno de Personalidade de Psiquiatra

Forçar paciente a tomar doses não aprovadas e polifarmácia excessiva. (Comportamentos de risco, má decisões)

Afirmar que apenas psiquiatras são capazes de entender estudos, livros e fontes acadêmicas. (Delírio de grandiosidade, auto-estima inflada)

Não importa o quão trágicos os resultados que eles testemunham, ainda defendem sua prescrição. (Obsessão, psicose)

Suspeitar de pacientes que não estão satisfeitos com seu tratamento e atribuir efeitos colaterais a sua condição inicial. (Paranóia, desconfiança irracional)

Levar pacientes a erro sobre fatos científicos e enganá-los com mitos como a teoria de desequilíbrio químico. (Mitomania, mentira patológica)



quarta-feira, 30 de março de 2022

Estabilidade de dose faz sentido?

Sobre a variável estabilidade de dose
Partindo da premissa de que os psicofármacos são antídotos a doenças subjacentes ao invés de drogas psicoativas e da premissa já avaliada por mim em 2014 (ver sobre socian no blog) de que o nível dos psicofármacos no organismo é maior nas primeiras horas de metabolização e depois no fim do dia num ciclo de 24 horas o nível no organismo cai então o problema seria insuficiência de dose (de antídoto) e não uma questão de manter o mesmo nível do psicofármaco no organismo. Apenas uma descrição indireta do comportamento a partir da linguagem psiquiátrica permite esse raciocínio como quando usa expressões como estabilidade de humor ou estabilidade comportamental (da saúde mental). A partir das premissas anteriores seria esperado que as crises aconteceriam no final do período de metabolização, isto é, do fim da tarde até à noite se a pessoa toma o psicofármaco na hora de dormir e se o psicofármaco tem ciclo de metabolização de 24 horas. E os períodos de estabilidade aconteceriam no período inicial de metabolização.
Além disso pretendo avaliar se a injeção altera em mesmo grau a variabilidade da frequência cardíaca ao longo do mês como os comprimidos alteram diariamente. Se o grau for da mesma magnitude faria sentido esperar que as crises ocorreriam no final do período de metabolização também. Essa predição parece não ocorrer.

terça-feira, 1 de março de 2022

Patologia psiquiátrica: psicoterapia

Patologia psiquiátrica pode ser uma justificativa para salvar tratamentos psicológicos de questionamentos de ineficácia pois serve para justificar porque as pessoas não melhoram.

DSM: reação versus patologia vitalícia

Lane: Voltemos à questão chave da patologização e da despatologização. Voltando a 1968, se me permite, com a publicação do DSM-II, você co-editou com Paul Wilson “A Guide to the APA’s New Diagnostic Nomenclature” (Um Guia para a Nova Nomenclatura Diagnóstica da APA). O artigo é de grande interesse para mim porque nele você discute “a eliminação da palavra ‘reação’ dos rótulos como ‘reação esquizofrênica’, ‘reação paranóica'”, e assim por diante – um grande desenvolvimento, certamente, em como conceitualizamos e descrevemos o diagnóstico psiquiátrico. Houve uma longa discussão na época sobre a realização dessa mudança?

Spitzer: Sobre como fazer isso? Não, não houve nenhuma discussão. Não, não. Você tem que entender: a APA tinha decidido com o DSM-II usar o CID-8. O CID-8 foi escrito por uma pessoa, [Senhor] Aubrey Lewis no Maudsley [Instituto de Psiquiatria, Londres], e ele não apresentou a palavra reação, então, para nós, nunca houve nenhuma discussão.

Lane: Mas apagar a palavra reação de alguns tipos designados de doenças mentais – em um manual de diagnóstico que também pretende defini-los e para que os clínicos os reconheçam – ainda é uma mudança importante porque está alterando o status ontológico da condição …

Spitzer: Sim. Sim, é uma grande mudança. Acho que se houvesse alguma discussão, ela seria na ordem de “Não acrescentamos nada, apenas colocando a palavra reação a tudo”. Você ainda pode acreditar na psicobiologia sem ter a palavra [reação] ali. Esse teria sido o argumento. Mas duvido que houvesse qualquer argumento, porque, naquela época, apenas ter a palavra reação não significava muito.

Lane: Exceto que removê-la significava que se estava de fato transformando uma reação a algo como mais como um estado duradouro, possivelmente vitalício. Sem uma causa óbvia, na medida em que vocês também eliminaram os fatores de estresse que poderiam estar ligados ao meio ambiente, status econômico, dinâmica familiar e assim por diante …

Spitzer: Bem, o que estávamos dizendo é: “Deixar cair a palavra reação não significa realmente nada”. Acho que isso provavelmente é verdade – não acho que tenha significado muito. Com o DSM-III houve enormes controvérsias sobre este e outros desenvolvimentos quando ele foi lançado. Mas com o DSM-II, acho que houve um artigo, possivelmente em um jornal, onde William Menninger sugeriu que ao adotar o CID-8 [baseado na Europa], estaríamos perdendo a contribuição da psiquiatria americana. Agora se ele estava respondendo à questão da reação eu não me lembro. Eu sei que houve essa única reclamação.

https://madinbrasil.org/2022/03/robert-spitzer-no-dsm-iii-uma-entrevista-recentemente-recuperada/

quarta-feira, 16 de fevereiro de 2022

Atitudes diferenciais: tomando ou não remédios

 Seria interessante investigar atitudes e comportamentos diferentes do paciente psiquiátrico, da sociedade e familiares em situações nas quais um paciente psiquiátrico está tomando psicofármacos e quando não está tomando psicofármacos. Certamente os conceitos formados (classificação das características do organismo, comportamentos e situações) são diferentes nas duas situações e o repertório comportamental ativado também é diferente (comportamento discriminativo). Portanto a abstinência não é apenas abstinência ou recaída (como os psiquiatras entendem) mas também se comportar diferente.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Bipolaridade – Associação ABRATA

[Comentários sobre palestra de psiquiatra na associação brasileira de pacientes com transtorno afetivo bipolar. Meu objetivo foi mostrar outras possibilidades de decisões epistêmicas (de conhecimento). Não consegui formular um texto devido à característica da palestra. Minhas afirmações tem intenção de instigar curiosidade para procurar literatura científica. Infelizmente são comentários com nicho da análise do comportamento]

Entendimento da doença. Conviver. Controle total. (Aceitar tratamento / crônico / tratamento contínuo → Modelo médico / Estabelecendo repertório comportamental apropriado através de contingências de reforço é idealmente possível recuperar funcionalmente e terminar o tratamento)

Define saúde mental pelo gabarito social ou marcos sociais

(afetivas, profissionais, sociais, físicas e financeiras)

Qualidade cognitiva e emocional (sofisticação de repertório de classes de comportamentos operantes)

Implicações sociais e econômicas (consequência do repertório comportamental)

Def. Equilíbrio entre recursos internos e exigências externas (recursos internos entendido reducionisticamente como cérebro e exigências externas niveladas como semelhantes para todos) / recursos do organismo poderiam ser entendidos como classes de comportamento operante desenvolvidas a partir do ambiente externo)

Sintomas e sinais de uma causa subjacente (modelo médico)

Alteração do humor: sofrimento e prejuízo funcionamento global e habitual / leva em consideração o tempo (consequências de mais impacto do repertório comportamental ocorrem com o tempo)

Mais frequente do que se pensava antes. Consequências graves e complexas (Foi um constructo criado e que foi vendido à população / conjunto de comportamentos rotulados como bipolaridade → circularidade lógica: se tem presença ou ausência de comportamentos então tem bipolaridade e se tem bipolaridade então isso explica os comportamentos)

Problema 80% Genético (pesquisas genéticas com gêmeos podem ser questionadas e podem ser segundo alguns pesquisadores um mau uso da genética / ver no blog)

Uma doença como outra qualquer na medicina. Não é um construto (Para afirmar que um diagnóstico psiquiátrico tem o mesmo status de doenças do resto da medicina os estudos sobre validade diagnóstica da bipolaridade que avaliam a realidade e especificidade de entidade biológica precisariam ser impecáveis e não são).

Não se sabe o mecanismo fisiológico ou causa. Fisiologia básica. Predisposição genética e estresse (Todo mundo recebe a mensagem que se trata de genética e desequilíbrio químico / Pode ser explicado por contingências de reforço por não ter mecanismo fisiológico conhecido)

Condições de nascimento, uso de drogas, genética (saúde biológica é protetor mas não é suficiente pois é possível apresentar repertórios nomeados como bipolaridade apenas por contingências de reforço infelizmente estabelecidas).

Neurotransmissores (Desequilíbrio químico já foi refutado como explicação para transtornos mentais)

Substância química / drogas ilegais (induz comportamentos que conflitam com o gabarito social ou marcos sociais / e em si já seria um problema gerado por contingências de reforço)

Dormir cedo (Não teria como agir de maneira inapropriada durante a noite estando adormecido / favorece bem-estar)

Antidepressivos – risco de desencadear (Psicofármacos interagem com repertório comportamental e contingências de reforço)

Depressão – principal motivo de inaptidão na adolescência / não podemos esperar muito desse ser (Dependendo da eficácia no estabelecimento de contingências de reforçamento)

800 bilhões de dólares de custo. Médico, medicação, terapia, exercício. Potência profissional, INSS, sustentado pela família (Seria mais barato com tratamento eficaz)

Vida funcional. Dependência. (Classes de comportamento operante pré-requisitos e educação profissional competitiva)

Não são eles, é a doença (o repertório é a pessoa / não existe uma entidade análoga a um demônio que controla a pessoa)

Risco de suicídio – 20 a 30 vezes maior

Depressão: a mais incapacitante

Bipolar – crônica, cíclica e fases. Início entre 15 e 30 anos (Fase de estabelecimento de repertório de comportamentos por contingências de reforço / exigências sociais de desempenho)

13 anos para diagnóstico correto

Tipo 1 – 10 anos

Tipo 2 – 17 anos

7 psiquiatras antes

Antidepressivo – piora (uso crônico) – casos mais complexos / usar estabilizador de humor

Relações sociais inadequada / relações profissionais complicadas (Estabelecer repertório comportamental apropriado através de contingências de reforço eficazes)

Casa 3 vezes / Cônjuge não aguenta / acha que é contra ele / não enxerga a doença como um todo (Darwinismo: aptidão reprodutiva)

Doença cerebral – termo chave. Importante mercadologicamente (reducionismo biológico)

doenças clínicas - cardiovasculares, diabetes, hipertensão, colesterol, intestinal, neurológico (enxaqueca), obesidade / glicemia alterada / tireóide / autoimune / câncer / envelhecimento

(comportamentos incompatíveis com saúde física / tratamento danoso ou iatrogênico)

doença inflamatória (inflamação ocorre por outros motivos como comportamentos que não produzem saúde)

doença para toda a vida / verdades transitórias na medicina (Análise do comportamento está fora do radar ou visibilidade social e talvez não seja bem-vinda)

doenças psiquiátricas – pânico, ansiedade, TDAH. Outros diagnósticos – comorbidade

substância química TEPT fobia pânico TOC TDAH (contingências de reforço não favoráveis)

Não tratado / tratamento inadequado – 50% de tentativa de suicídio. 20% de suicídio

Adolescentes pensamento suicida – pais não sabem / Autoestima – insuficiência / doença / culpa / medo reação dos pais

prevalência - 3,3% a 8,3%

tratar cedo – melhor controle / 11 anos / faculdade e casamento / Isso tentou se matar e foi internado / ficão tão bem que param de tomar remédio / param e recaem (Ela induz a família a pressionar o paciente que faz desmame o que não contribui com o sucesso do desmame) / Quem se trata muito cedo pode não ter repertório comportamental suficientemente relevante para gerar prejuízos ao longo do tempo) / Se a aclamada terapia cognitiva não consegue estabelecer repertório comportamental para conseguir parar com os psicofármacos está faltando eficácia)

22-31% solteiros / 2-8% - viúvos / 10-28% - separados (Darwinismo: aptidão reprodutiva / pode ser revertido com boas intervenções ou condições sociais favoráveis)

início 10 a 30 anos / pico 15 a 19 anos

pico 15 e 30 anos

euforia é pouco comum

irritabilidade comum

estereótipo do bipolar

“abrir quadro” (contingência de reforçamento ou consequências mantém os comportamentos)

estimulantes / ECT – 15 e 16 anos

transtornos alimentares – antidepressivos

transtornos de personalidade

automutilação / tentativa suicídio várias vezes

menos 10 anos de vida: doenças clínicas – infarto

arritmia – ansioso / tratar chron / intestino irritável / corticóide / melhorar o cérebro com tratamento psiquátrico / enxaqueca (estabilizador de humor) / fibiomialgia (antidepressivo) / medicações pioram (isso não prova que é uma doença com validade impecável como no resto da medicina)

anos de vida útil

Ocorrência de depressão aumentando

bipolar: mais dias de internação hospitalar, desempenho, acidente, forense, suicídio, doenças crônicas, baixo funcionamento social, menos casamento, mais falta ao trabalho, morbidade (falta de contingências de reforçamento favoráveis a estabelecer repertório comportamental)

doença cara (persuasão para investir em tratamento psiquiátrico, terapia cognitiva, internações e ECT, etc.)

30% dos presos são bipolares (Conjunto de comportamentos inapropriados nomeados como bipolares)

ocasionam muitas perdas – impacto social / tratar sem medo (Conjunto de comportamentos inapropriados nomeados como bipolares)

diagnosticar (pode ser descrito como um conjunto de comportamentos)

depressão menos 25 anos – 3 vezes mais bipolar

depressão recorrente – bipolaridade

depressão unipolar – após 30 anos

Sem causa determinante ambiental – só a genética – bipolaridade (É chocante negligenciar as contingências de reforço a esse ponto)

superfeliz – hipomania induzida por antidepressivo (resposta da doença) (desencadeia uma doença ou interage com o repertório comportamental?)

desgaste de resposta – melhora não sustentada – resposta dos bipolares

cocaína/ alcólatra na família / maconha – psicose / crack, cocaína e álcool é consequência

impulsividade – área do humor, energia, impulsos, pensamento no cérebro (Classes de comportamento operante: relação entre organismo e ambiente)

beber – expressa mais os impulsos

doença neuroprogressiva – perde neurônio (O repertório comportamental acumula consequências prejudiciais ao longo do tempo / Na verdade é o inverso: o tratamento farmacológico causa danos cerebrais)

equilíbrio – potência (funcionamento bom – não ter sintomas) (Repertório apropriado)

antecedente familiar (É possível isolar genética do ambiente?)

depressivos atípicos - cansaço, hipersonia, comer mais, corpo pesado

60% dependência química – mulher alcoólatra é bipolar (todas) – automedicação – relaxa , diminui ansiedade (Ansiedade é determinada por contingências de reforço)

estável – nada demais (Uma expectativa social ou intolerância cultural inversamente)

venlafaxina / effexor – dual (o que é isso?) / arrogante na empresa e depressão com o fracasso /

de repente muda / era o remédio (Interessante interação entre psicofármacos e repertório comportamental / Descreve depressão como resultante de contingências de reforço de perda)

depressivo desencadear bipolaridade / hipomania – induzida por antidepressivos (interação entre psicofármacos e repertório comportamental)

estados mistos - ciclagem rápida – induzida por antidepressivos – impulsivo, rebelde, irritado, pensamento de morte (Classes de comportamento operante inapropriadas segundo expectativas sociais)

doença cronifica e fica resistente / resistência ao tratamento com antidepressivos (ECT) / medicações fortes / desgaste da resposta a antidepressivos /

demora tratar / diagnóstico rápido / cronificar / doença do cérebro / depressão e bipolar / ECT

(Consequências do repertório comportamental se acumulam e pode haver contingências de reforço matriciais (ainda não modificáveis segundo o estado atual de conhecimento))

hipomania - humor irritável e muita energia por 4 dias (comportamentos determinados por contingências de reforço / característica do repertório comportamental)

Prodrômicos – subclínico?

Problema está dentro de você (Reducionismo biológico e modelo médico)

Não controlar com remédio. Ideias de homicídio. ECT. Internação. Risco (Encolher o cérebro e repertório comportamental reduzido)

Mais de 2 anos é definição de crônica?

Tratar apenas pacientes e familiares obedientes / Só perdi 5 ex-pacientes / não quiseram internar / outros profissionais / não acompanha mais (Ato falho: disse perdeu 5 pacientes / Pode estar se fazendo de infalível / Maquiando) (Profissional infalível? Está maquiando?)

Ficar bem / Tirar remédio / doença crônica e resistência / falar para todo mundo (Induz a família e conhecidos a pressionar o paciente que faz desmame / Isso atrapalha bastante a “estabilidade” / Interpreta incidentes como recaída e não como abstinência)

Combinação de remédios / crônico (Renda previsível e tratamento com eficácia insuficiente)

ECT – desaparece sintomas de bipolaridade (ex-borderline) / cronificou / instabilidade / ciclar rápido / personalidade (Responsividade comportamental menor com cérebro danificado pela ECT / “cicla” de acordo com contingências de reforço)

Eu sou isso / psicofobia / complexo com doença psiquiátrica / desqualificando (Vender tratamento / Estigma real)

consequências boas do diagnóstico / má qualidade de vida (Consequências boas de repertório apropriado)

apego ao nome (rótulo do conjunto de comportamento)

doença do humor instável (descrição da “bipolaridade”)

receber diagnóstico / graças a deus / aliviar culpa / ficar triste (evitar punição social ou perder reforço social)

Recuperação funcional / funcionamento bom e desempenho (estabelecimento de repertório comportamental apropriado ou supressão de repertório comportamental com coquetéis de psicofármacos)

planejamento terapêutico precoce e adequado (evitar consequências prejudiciais dos comportamentos ao longo do tempo)

Tratamento: Terapia cognitiva (Se a terapia cognitiva não torna possível fazer desmame então é insuficientemente eficaz para estabelecer classes de comportamento operante apropriadas)

Supressão de repertório inapropriado com coquetéis de anticonvulsivantes / lítio / neurolépticos

Tempo para melhorar / medicação ou ECT (As contingências de reforço se alteram com o tempo?)

Asas para voar / corrente que puxa

Não consegue mais estudar / fracasso acadêmico depois do diagnóstico (Fora as contingências de reforço determinando comportamentos podem ser os efeitos negativos de coquetéis de psicofármacos)


Ler mais (descreve a medicalização da bipolaridade melhor): 

https://www.madinamerica.com/2018/01/make-adolescence-permanent-bipolar-disorder/

Psicanálise e reforma psiquiátrica

A reforma psiquiátrica antimanicomial é muito frequentada por psicanalistas, que têm muito prestígio na área. Isso porque a reforma psiquiátrica antimanicomial visa modificar a relação da cultura e sociedade com a loucura. Isso é um caminho que considero válido pois o ambiente é determinante importante do sofrimento psíquico. Não seria justo caber somente ao indivíduo diagnosticado fazer malabarismos habilidosos para aprender a viver em sociedade que foi o determinante de seus problemas.

Mas percebo uma limitação no discurso dos psicanalistas: se não dão conta de como otimizar aprendizagem ou modificar comportamentos de forma suficiente partem para intervenções culturais. Além disso, o discurso que critica o imediatismo nos tratamentos pode ser analisado como uma defesa de tratamentos que levam décadas para fornecer alguns resultados. Por outro lado, as leituras sociais da psicanálise considero potencialmente interessantes em suas interfaces com as ciências humanas.

quarta-feira, 9 de fevereiro de 2022

Conceito de saúde mental OMS

Análise:

Importante lembrar que a Organização Mundial da Saúde (OMS), dissemina em seus relatórios um conceito de saúde mental entendido como

“[...] um estado de bem-estar [emocional: seja físico, mental ou social]

no qual o indivíduo

perceba as suas próprias capacidades [otimização de aprendizagem, estigma e barreiras atitudinais]

possa lidar com as tensões normais da vida, [nem sempre as tensões são normais, podem ser excepcionais]

possa trabalhar de forma produtiva e frutífera e possa contribuir para a sua comunidade” 
[fornecer benefícios] [Apenas atividade remunerada ou não remunerada também?]

O termo “bem-estar” também aparece no conceito de saúde defendido pela OMS, como completo bem-estar físico, psíquico e social. Esse é o discurso da higiene, que fala Canguilhem, quando diz que a disciplina médica tradicional, para regulamentar a vida dos indivíduos, se transveste de uma ambição sociopolítico-médica.

sexta-feira, 28 de janeiro de 2022

Paciente produtor de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação.

Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. 

Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica.

Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco.

Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica.

Em termos econômicos, o médico, que vende seus serviços, ainda é um "produtor". O paciente, em contraste, não é apenas um consumidor, mas um "prosumidor" ativo também, capaz de fazer uma contribuição cada vez maior à produção econômica de riqueza ou saúde. Algumas vezes, o produtor e o prosumidor trabalham juntos; outras trabalham independentemente ou ainda com propósitos cruzados. Contudo, as estatísticas e previsões convencionais da área da saúde, em sua grande maioria, ignoram as mudanças ocorridas nesses papéis e relacionamentos.

Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

quinta-feira, 27 de janeiro de 2022

Esquizofrenia nos anos 40

Nos anos 40 a psiquiatria publicava livros em que aparecia o uso não polêmico da expressão esquizofrênicos curados. Depois da introdução dos remédios a cura se tornou polêmica ou considerada impossível.

Exame das funções mentais (Semiologia psiquiátrica) - Dr. Joubert T. Barbosa (Anos 40)

Prosumidores da saúde

Prosumidores da saúde

 https://drive.google.com/file/d/1xHj_qpLgoEPsKAbjyTXQ9-lMjJKVLGeY/view?usp=sharing

Escola anatomo-clínica (Kraeplin) - Anos 40

Exame das funções mentais (Semiologia psiquiátrica) - Dr. Joubert T. Barbosa (Anos 40)

Escola anatomo-clínica - Afim de procurar estabelecer uma relação entre a presença de determinada alteração morbida do carater e uma anomalia funcional ou determinada alteração organica, procura-se conhecer detalhadamente todos os sintomas, recorrendo-se a todos os métodos semiológicos. Citam-se como grandes defensores desta escola Kraeplin, Wernicke, Vogt, S. de Sanctis, Regis. Entre nós, destacamos H. Roxo, Adauto Botelho, Heitor Carrilho. (p. 200)

Kraeplin, um dos maiores expoentes da psiquiatria, aparece aqui também como autor principal da classificação sintomatológica.

Kraeplin agrupou as psicoses segundo os sintomas proeminentes, curso e terminação dos estados mórbidos.

Embora tal base de classificação seja a mais interessante, apresenta, entretantom algumas desvantagens: a) um sintoma proeminente póde ser comum a diversas entidades nosológicas; b) os sintomas que pertencem à perturbação mental básica pode estar mascarados por sintomas secundários; c) a terminação e o curso de um uma entidade nosológica nem sempre se processa de uma mesma forma.

Ha atualmente uma tendência a considerar a psicose, não como entidades definidas - semelhantes a tipo padrões - mas como uma complexidade de sintomas exprimindo um modo de reação em face do ambiente.

(p.201-202).


Psicodiagnótico de Rorschach (Anos 40)

Psicodiagnótico de Rorschach. Capítulo do livro Exame das funções mentais (Semiologia psiquiátrica) - Dr. Joubert T. Barbosa (Anos 40)

Um capítulo de 5 páginas. É um teste que mostra manchas de tinta. O que chamou atenção foi a confiança absoluta nos resultados do teste, o uso não polêmico da expressão esquizofrênicos curados (que depois dos remédios se tornou polêmica) e o cálculo de um índice de estereotipia nas respostas. A maneira de responder é correlacionada com diagnósticos.

As ciências sociais tem senso crítico sobre as estereotipias. O que não havia na psiquiatria dos anos 40.

sábado, 22 de janeiro de 2022

Prognósticos na década de 40

Um livro de psiquiatria da década de 40. Lá já tinha crítica sobre os prognósticos de Kraeplin: não são previsíveis como os kraeplianos previam. Hoje em dia os pacientes são condenados pelo prognóstico com uma bola de cristal mágica na tradição de Kraeplin.


Exame das funções mentais (Semiologia psiquiátrica) - Dr. Joubert T. Barbosa (Anos 40)

domingo, 16 de janeiro de 2022

Assassinato e primatologia

Para nós humanos, os autores previram uma taxa de homicídio de 2% na origem de nossa espécie. Isso está de acordo com nossos ancestrais primatas.

Link 1 (inglês):

 https://arstechnica.com/science/2016/09/controversial-study-pins-humans-murderous-ways-on-our-primate-ancestors/#:~:text=According%20to%20the%20study%2C%20the,murder%20in%20the%20300%20deaths).&text=For%20us%20humans%2C%20the%20authors,line%20with%20our%20primate%20ancestors.

Link 2 (inglês):

https://www.theguardian.com/science/2016/sep/28/natural-born-killers-humans-predisposed-to-study-suggests

Agressão e lobo frontal: estrutura e função

A literatura de neurociência enfatiza bastante que lesões na estrutura do lobo frontal/córtex frontal aumenta a probabilidade (são fatores de risco) de agressões. Ainda não encontrei críticas a essa perspectiva. Mas um foco apenas estrutural não parece ajudar a prevenir agressões por não ser explicação completa. A literatura usa estatística que indicam probabilidades. Isso não significa que haja uma relação necessária e que ocorra sempre. Também existe a explicação funcional (relação entre ambiente e organismo) da agressão na análise do comportamento. O risco é desconsiderar a função e partir para prognósticos pessimistas sobre a estrutura cerebral lesionada.


https://www.jneurosci.org/content/38/29/6505

Artigo de 2018:

DECLARAÇÃO DE SIGNIFICAÇÃO Os comportamentos agressivos representam riscos significativos para a saúde pública. Compreender a etiologia da agressão é primordial para a redução da violência. As investigações da base neural da agressão têm apoiado amplamente interpretações correlacionais, em vez de causais, e os processos mediadores subjacentes à relação pré-frontal-agressão ainda precisam ser bem elucidados.

Apesar desses achados, pouco se sabe sobre o papel causal do córtex pré-frontal no comportamento agressivo. As conclusões das pesquisas existentes sobre os fundamentos neurais da agressão têm sido amplamente correlacionais. Três estudos conhecidos testaram o efeito da regulação positiva do córtex pré-frontal na agressão usando o Taylor Aggression Paradigm e a estimulação transcraniana por corrente contínua (tDCS), uma técnica não invasiva que influencia a excitabilidade neural ao fornecer uma corrente elétrica direta, contínua e de baixa intensidade para áreas corticais entre eletrodos anodais e catódicos (Brunoni et al., 2012). No entanto, os resultados foram misturados. Um estudo documentou que a regulação positiva do CPFDL direito reduziu a agressão proativa em homens (Dambacher et al., 2015b), enquanto outro revelou que o aumento da atividade do CPFDL esquerdo resultou em comportamento mais agressivo quando os participantes estavam com raiva (Hortensius et al., 2012). Em contraste, a regulação positiva do córtex frontal inferior não teve um efeito significativo na agressão (Dambacher et al., 2015a).