Indicar psiquiatras é uma estratégia retórica de proteção da credibilidade e ego do psicoterapeuta que não está dando conta de um caso (está sendo ineficaz).
"Minha psicoterapia não tenho dúvidas que é eficaz para esse caso mas acontece que há uma deficiência biológica que não permite o cliente melhorar com minha psicoterapia".
Assim, a eficácia do psicoterapeuta fica fora de questionamento.
Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação.
Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes.
Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica.
Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco.
Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica.
Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro
Aviso!
Aviso!
A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las.
Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias.
Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente.
Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente.
A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível.
https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
quinta-feira, 31 de outubro de 2019
quarta-feira, 30 de outubro de 2019
Etimologia de fármaco
O filósofo grego Platão em um dos seus diálogos, Fedro, disse que a linguagem é um phármakon. Esta palavra grega, em português possui três sentidos: pode ser remédio, veneno ou cosmético, dependendo do modo como é empregada.
https://jornalggn.com.br/noticia/a-linguagem-como-remedio-veneno-e-cosmetico/
A linguagem como remédio, veneno e cosmético.
Livro(s) sobre produção natural de neuroquímica
Duas versões do mesmo livro.
http://93.174.95.29/_ads/4B35FF32250577C68820017A1E093C9C
Meet Your Happy Chemicals: Dopamine, Endorphin, Oxytocin, SerotoninAuthor(s): Breuning, Loretta Graziano
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Meet Your Happy Chemicals: Dopamine, Endorphin, Oxytocin, SerotoninAuthor(s): Breuning, Loretta Graziano
Publisher: CreateSpace Independent Publishing Platform;System Integrity Press, Year: 2012
ISBN: 9781463790929,1463790929
Description:
This book costs $11 with its new title: Habits of a Happy Brain: Retrain Your Brain to Boost Your Serotonin, Dopamine, Oxytocin and Endorphin Levels (http://www.amazon.com/dp/1440590508/). No need to pay more. The old edition was discontinued by the author as the self-published work got a publisher. The new edition has lots of the worksheets that readers requested. Don't even think about paying for this old edition. If you don't trust this message, contact the author. (I love to hear from my readers.) You are wired to seek more of whatever felt good before. You can re-wire yourself by repeating a new behavior for 45 days. This book helps you choose healthy ways to stimulate dopamine, serotonin, oxytocin and endorphin. Dopamine is the good feeling you get when you approach a reward. Serotonin is the good feeling of getting respect. Oxytocin is the feeling of trust, and endorphin is the euphoria that masks physical pain. These happy chemicals were not meant to surge all the time. They fall back to neutral so you’re ready to respond to new information. You can accept your natural droops instead of rushing to fix them. You have power when you know how your brain works, and it feels good
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Habits of a Happy Brain: Retrain Your Brain to Boost Your Serotonin, Dopamine, Oxytocin, & Endorphin LevelsAuthor(s): Loretta Graziano Breuning
Publisher: Adams Media, Year: 2015
ISBN: 1440590508,9781440590504
Description:
A revolutionary approach to enhancing your happiness level!
Get ready to boost your happiness in just 45 days! Habits of a Happy Brain shows you how to retrain your brain to turn on the chemicals that make you happy. Each page offers simple activities that help you understand the roles of your "happy chemicals"--serotonin, dopamine, oxytocin, and endorphin. You'll also learn how to build new habits by rerouting the electricity in your brain to flow down a new pathway, making it even easier to trigger these happy chemicals and increase feelings of satisfaction when you need them most. Filled with dozens of exercises that will help your reprogram your brain, Habits of a Happy Brain shows you how to live a happier, healthier life!
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Lógica e desconstrução do conservador
Posição conservadora: Se algo subsiste então é bom.
Comentário: Essa conclusão é apenas uma justificativa para o conformismo sem permitir uma avaliação lógica e independente de se uma prática realmente é boa. Se houver opções melhores basta ignorar e dizer que isso é perigoso.
Desconstrução da lógica (inversão da lógica): Se isso é bom ou a melhor opção então deve subsistir.
terça-feira, 29 de outubro de 2019
Etnocenologia e transtorno mental
Na etnocenologia, boa parte da percepção social de saúde e doença vem da maneira como se faz a encenação cotidiana (objeto adverbial). A problemática é a pessoa que faz encenações no cotidiano fora do comum. Isso é facilmente medicalizado.
Os médicos supõem que subjacente à uma encenação exagerada há uma causa biológica. Na análise do comportamento essa suposição é quebrada para lidar com a relação do organismo com o ambiente. O que faz com que necessariamente uma encenação exagerada seja sinal de transtorno mental? Simplesmente o olhar (percepção social) das pessoas.
Como sugere o livro A náusea do Sartre, se a pessoa tem um lugar social ou identidade ela acaba encenando isso. Mas a relação inversa também é válida.
Os médicos supõem que subjacente à uma encenação exagerada há uma causa biológica. Na análise do comportamento essa suposição é quebrada para lidar com a relação do organismo com o ambiente. O que faz com que necessariamente uma encenação exagerada seja sinal de transtorno mental? Simplesmente o olhar (percepção social) das pessoas.
Como sugere o livro A náusea do Sartre, se a pessoa tem um lugar social ou identidade ela acaba encenando isso. Mas a relação inversa também é válida.
"Na perspectiva de pensar uma organização para os objetos espetaculares da
etnocenologia, Armindo Bião propõe uma classificação em três conjuntos: objetos
substantivos (artes do espetáculo), adjetivos (ritos espetaculares) e adverbiais (formas
cotidianas). No último grupo, o autor coloca em evidência o olhar do pesquisador sobre o
objeto como viabilizador de uma interpretação do que seja ou não espetacular. É no grupo
dos adverbiais que estão “os fenômenos da rotina social que podem se constituir em
eventos, consideráveis, a depender do ponto de vista de um espectador, como
espetaculares, a partir de uma espécie de atitude de estranhamento, que os tornaria
extraordinários” (BIÃO, 2007, p. 28)."
Etnocenologia e comportamentos espetaculares: desejo, necessidade e vontade
segunda-feira, 28 de outubro de 2019
Sobre o doc Omissão de socorro
Eu lembro de assistir o documentário Omissão de Socorro. Tem muito pouco discurso no documentário. Só tentam mostrar os "fatos" da desassistência. Seria possível mostrar como esses "fatos" são construídos. Tem pouco discurso pois apenas explora o senso comum para convencer. Se houvesse mais discurso seria possível desconstruí-lo e debatê-lo. Um documentário com pouco discurso não parece disposto a uma discussão aberta do assunto. Documentário feito associado com a indústria de equipamentos, hospitais e psicofármacos. O documentário está disponível no canal do youtube da associação brasileira de eletrochoque.
Dano patrimonial com tratamento desnecessário
Dano patrimonial é um dos prejuízos do tratamento psiquiátrico desnecessário com internações e injeções. É bastante relevante pois o mesmo dinheiro poderia usado para promoção de saúde ou de educação. Muito mais proveitoso.
Psiquiatras não usam verbos
O fato de os psiquiatras usarem substantivos para entender pessoas ou organismos distorce os fatos. Usar verbos seria mais apropriado.
domingo, 27 de outubro de 2019
Situação absurda e exaltação
Não importa se tua situação de vida é absurda e a incompetência dos médicos. Se você se exaltar você confirma que é maluco.
Muitas vezes é difícil descrever as sutilezas do ambiente que produzem problemas psicológicos.
Muitas vezes é difícil descrever as sutilezas do ambiente que produzem problemas psicológicos.
sexta-feira, 25 de outubro de 2019
Contraexemplo do modelo médico em saúde mental
Daniel Dorman, autor de 'Dante's Cure' [A Cura de Dante], já foi citado como tendo dito: "Se apenas uma maçã caísse para cima, não precisaríamos pelo menos começar a questionar as leis da física?"
https://www.westernmassrlc.org/rlc-film-productions/200-beyond-the-medical-model
https://www.westernmassrlc.org/rlc-film-productions/200-beyond-the-medical-model
quinta-feira, 24 de outubro de 2019
Procura-se Janaína (DOC)
https://www.youtube.com/watch?v=IWsgu5VORTc
Documentário sobre instituições psiquiátricas e infância.
Documentário sobre instituições psiquiátricas e infância.
Discurso dos anúncios farmacêuticos
Engraçado o discurso dos anúncios farmacêuticos: sabemos que você acha inconveniente cuidar da saúde, portanto cuide através de drogas farmacêuticas.
quarta-feira, 23 de outubro de 2019
As palavras sagradas dos médicos
É incrível como algumas pessoas acreditam em tudo o que os médicos falam mesmo que estejam falando de assuntos que não precisam ou não estão usando conhecimento médico. Como homeopatia e psicossomática metafísica na constelação familiar.
Isso se reflete também na confiança em decisões baseadas em conhecimento desatualizado.
Isso se reflete também na confiança em decisões baseadas em conhecimento desatualizado.
Perfis de médicos e desmedicalização
Perfis formação de médicos que podem aceitar desmedicalizar:
- Médicos apoiadores da reforma psiquiátrica de forma completa (ABRASME)
- Que realmente lêem os artigos científicos e tem boa formação científica (medicina baseada em evidências)
- Médicos que não são prepotentes: abertos, deixar falar e questionar, humildes.
- Médicos que não tenham errado previamente com você.
- Médicos com formação em terapias alternativas (por exemplo: homeopatia)
- Médicos que também fazem psicoterapia (têm outra fonte de renda e podem ser menos reducionistas).
terça-feira, 22 de outubro de 2019
Racionalidade técnica e dominação
“O terreno no qual a técnica conquista seu poder sobre a sociedade é o poder que os economicamente mais fortes exercem sobre a sociedade. A racionalidade técnica hoje é a racionalidade da própria dominação” (ADORNO & HORKHEIMER, 1986, p. 144)
A glamourização de transtornos psicológicos na mídia
1Ana Claudia Monteiro DUTRA
2Maria Carolina Maia MONTEIRO
3Universidade Católica de Pernambuco, Recife, PE
Raciocínio psiquiátrico e ocultação de incoerências
O raciocínio psiquiátrico é feito de saltos conceituais que ocultam possíveis inconsistências através de aniquilação simbólica (subterfúgios de sustentação da coerência) e que só fazem sentido dentro dos próprios pressupostos. Mesmo com os pressupostos do modelo médico em saúde mental é possível mostrar incoerências nesse discurso barato propagado pela mídia se realmente se levar em conta todo a amplitude de pesquisas e não somente as propagandas e pesquisas a serviço da indústria farmacêutica.
Obs: Leiam sobre o conceito de aniquilação simbólica na sociologia e vocês deixarão de estar suscetíveis a muitas propagandas que se fazem a partir da mera dedução a partir de pressupostos e modelos e a aniquilação da diferença e da oposição.
Ler mais:
https://crisedapsiquiatria.blogspot.com/2019/07/campo-psi-e-terapeutica-da-dissidencia.html
Trecho:
"A aniquilação por sua vez usa um mecanismo semelhante para liquidar conceitualmente tudo que está situado fora deste mesmo universo. Este procedimento pode também ser considerado uma espécie de legitimação negativa. A legitimação conserva a realidade do universo socialmente construído; a aniquilação nega a realidade de qualquer fenômeno ou interpretação de fenômenos que não se ajustam nesse universo."
Ler mais:
https://crisedapsiquiatria.blogspot.com/2019/07/campo-psi-e-terapeutica-da-dissidencia.html
Trecho:
"A aniquilação por sua vez usa um mecanismo semelhante para liquidar conceitualmente tudo que está situado fora deste mesmo universo. Este procedimento pode também ser considerado uma espécie de legitimação negativa. A legitimação conserva a realidade do universo socialmente construído; a aniquilação nega a realidade de qualquer fenômeno ou interpretação de fenômenos que não se ajustam nesse universo."
Psicose é tóxica
É um raciocínio estranho dizer que comportamentos fora do esperado são tóxicos para o cérebro. Parece um raciocínio circular. O comportamento leva a toxicidade ou a toxicidade leva ao comportamento? É um subterfúgio para esconder que o próprio neuroleptico é tóxico para o cerebro. Já que é algo externo ao cerebro faz sentido dizer que é tóxico. Mas como o próprio cérebro pode ser tóxico a si mesmo? É um problema autoimune? Mas como um problema autoimune altera a produção de dopamina? Para o excesso de produção? Foi conclusiva mesmo a pesquisa?
Adesão ao tratamento sem sintomas
Os psiquiatras biológicos dizem que é complicado manter o cliente tomando o fármaco se a pessoa está sem sintomas. Se os psicofármacos produzissem alívio as pessoas tomariam com gosto. Mas esses fármacos produzem sofrimento.
Afeto esquizo e esquizoanálise (Deleuze)
O afeto esquizo é desterritorialização e descodificação. (Conceitos de Deleuze)
Isto é, uma linha de fuga de um território e um movimento negativo de destruição dos códigos.
A DESTERRITORIALIZAÇÃO NA OBRA DE
DELEUZE E GUATTARI
ROGÉRIO HAESBAERT E GLAUCO BRUCE1
Departamento de Geografia
Universidade Federal Fluminense
Podemos considerar como uma primeira abordagem de território aquela que denominamos de naturalista ou biologicista, discutida a partir da territorialidade dos animais. Para Deleuze e Guattari, “já nos animais sabemos da importância [das] atividades que consistem em formar territórios, em abandoná-los ou em sair deles, e mesmo em refazer território sobre algo de uma outra natureza (o etólogo diz que o parceiro ou o amigo de um animal ‘equivale a um lar’, ou que a família é um ‘território móvel’)”. (1992:90) Deleuze, em uma entrevista, comentou a importância do território para os animais, afirmando que todo animal tem “um mundo específico”, desde ambientes muito reduzidos, indispensáveis a sua reprodução, como o “território” dos carrapatos. Este “mundo específico” dos animais não seria extensível ao homem, que “não tem um mundo”, mas “vive a vida de todo mundo”. Trata-se, portanto, de uma primeira distinção entre as duas territorialidades.
Simplificadamente podemos afirmar que a desterritorialização é o movimento pelo qual se abandona o território, “é a operação da linha de fuga” e a reterritorialização é o movimento de construção do território (DELEUZE e GUATTARI, 1997:224); no primeiro movimento, os agenciamentos se desterritorializam e no segundo eles se reterritorializam como novos agenciamentos maquínicos de corpos e coletivos de enunciação. Deleuze e Guattari afirmam que a desterritorialização e a reterritorialização são processos indissociáveis. Se há um movimento de desterritorialização, teremos também um movimento de reterritorialização.
A desterritorialização absoluta refere-se ao pensamento, à criação. Para Deleuze e Guattari o pensamento se faz no processo de desterritorialização. Pensar é desterritorializar. Isto quer dizer que o pensamento só é possível na criação e para se criar algo novo, é necessário romper com o território existente, criando outro. Dessa forma, da mesma maneira que os agenciamentos funcionavam como elementos constitutivos do território, eles também vão operar uma desterritorialização. Novos agenciamentos são necessários. Novos encontros, novas funções, novos arranjos. No entanto, a desterritorialização do pensamento, tal como a desterritorialização em sentido amplo, é sempre acompanhada por uma reterritorialização: “a desterritorialização absoluta não existe sem reterritorialização” (1992:131, grifos nossos). Essa reterritorialização é a obra criada, é o novo conceito, é a canção pronta, o quadro finalizado.
Dificuldades de desmedicalizar
Para desmedicalizar seria preciso desacreditar o sistema médico da psiquiatria e o sistema familiar. E fazer isso dependendo desses sistemas.
sexta-feira, 18 de outubro de 2019
Emprego apoiado para transtornos mentais
http://www.scielo.mec.pt/pdf/aps/v28n3/v28n3a07.pdf
Os contributos do emprego apoiado para a integração das pessoas com doença mental
RESUMO
Os contributos do emprego apoiado para a integração das pessoas com doença mental
RESUMO
O objectivo deste artigo é possibilitar uma reflexão sobre os principais contributos do emprego apoiado para a integração das pessoas com doença mental grave. Recorreu-se a uma revisão da literatura com o intuito de explorar os contributos deste modelo. Neste âmbito, analisamos a evolução do modelo de emprego apoiado, as principais evidências científicas e dois conceitos adicionais. O primeiro, a educação apoiada que facilita o acesso e o sucesso do regresso à universidade, fortalecendo o emprego mais qualificado e a progressão na carreira. E o segundo, o desenvolvimento de suportes naturais que fortaleçam o papel social e o valor para o mercado de trabalho,diminuindo a dependência de suportes profissionais.Este artigo sublinha o potencial contributo da educação apoiada e dos suportes naturais para o futuro do emprego apoiado.
Palavras chave: Doença mental, Educação apoiada,Emprego apoiado, Suportes naturais
quarta-feira, 16 de outubro de 2019
Woebot (terapia cognitivo-comportamental eletrônica)
O aplicativo woebot aplica técnicas de terapia cognitivo-comportamental. Funciona para casos leves ou talvez moderado. Está em inglês. É um sinal de como essa terapia é rotineira e protocolar.
Normopatia
O que é negar a rejeição diante da construção da identidade?
Neste trecho, o psicanalista Jurandir Freire Costa traz uma reflexão sobre a normopatia, que é o desejo de ser como os demais.
Ausência de cura na psiquiatria biológica
A implicação de se dizer que não há cura em psiquiatria biológica é que a natureza do tratamento biomédico é inadequada para transtornos mentais.
terça-feira, 15 de outubro de 2019
Caso de indução de doença fictícia
https://paisefilhos.uol.com.br/noticias/mae-que-fez-o-filho-saudavel-passar-por-13-cirurgias-recebe-sentenca-e-ex-marido-desabafa/
Mãe que fez o filho saudável passar por 13 cirurgias recebe sentença e ex-marido desabafa
domingo, 13 de outubro de 2019
Nova ordem das coisas é dificílimo
Não existe nada mais difícil de conduzir nem nada mais incerto e perigoso do que iniciar uma nova ordem das coisas.
Maquiavel
sábado, 12 de outubro de 2019
Confiar cegamente no médico
Se há mais de uma posição científica (e há) a solução não pode ser simplesmente confiar cegamente no médico e não entender nada do assunto. É uma estratégia autoritária de evitar o debate.
A decisão de seguir o tratamento é sempre de quem contrata o serviço.
A esquizofrenia [na antipsiquiatria]
A esquizofrenia [na antipsiquiatria] é a própria configuração da situação social que se vai construindo: "é uma situação de crise microssocial na qual os atos e a experiência de uma certa pessoa são invalidados pelos outros por certas razões culturais e microculturais (geralmente familiares) compreensíveis que, finalmente, fazem com que esta pessoa seja eleita e identificada como 'doente mental' e em seguida confirmada na sua identidade de paciente esquizofrênico por agente médicos ou paramédicos". Dentro desta situação, ela mesma esquizofrênica [a situação], será identificado com doente o membro que assume, contra a situação, um projeto que inevitavelmente terá conotações de violência e será taxado de irracional. A "cura" será sempre uma desalienação, uma restituição ao paciente de um horizonte de possibilidades e ações responsáveis.
p. 187
No livro Matrizes do pensamento psicológico
sexta-feira, 11 de outubro de 2019
quarta-feira, 9 de outubro de 2019
Psicologia cientificista e legitimação de práticas sociais e interesses
Esse tratamento cientificista, por seu turno, devolve à sociedade uma imagem em que estas características da vida quotidiana são fixadas e exibidas como fatos naturais. Não se pode negar o caráter científico de muitas descrições e explicações da psicologia, principalmente daquelas mais profundamente inseridas no campo biológico. Argúi-se, porém, que ao estender a todas as formas e níveis de fenômenos psicológicos e comportamentais o pensamento nomotético e quantificador, o que é um objetivo legítimo, sem revelar, mediante a reflexão crítica, as origens socioculturais de suas próprias possibilidades de existência, a psicologia cientificista contribui para a legitimação de práticas sociais e dos interesses correspondentes. Assume, portanto, sem que isso venha negar seu caráter científico, uma função ideológica. Como teremos oportunidade de ver adiante, é característico de muito dos produtos das matrizes românticas confundir os dois planos de análise e rejeitar, junto com a ideologia cientificista - conservadora ou progressista - a própria ciência.
Matrizes do pensamento psicológico
p. 56
Administração dos comportamentos e psicologia científica
Sob um poder autoritário absolutista, estritamente aderido a uma lógica instrumental e porta-voz exclusivo da razão administrativa, é provável que víssemos um radical enfraquecimento das matrizes compreensivas e o apogeu das cientificistas; sob uma anarquia utópica, talvez ocorresse o contrário.
Em todas as situações vigentes e previsíveis, as relações sociais técnico-administrativas a serviço do controle, da eficiência e da solução de problemas e as relações de comunicação e diálogo não coercitivo estão presentes a cada momento na vida do indivíduo, nas suas interações com os outros e consigo mesmo.
Mas ao contrário, a exclusão das psicologias de inspiração romântica, denunciando-as como não científicas, seria excluir do campo da psicologia todas as relações baseadas no diálogo e que visam a mútua compreensão e o consenso, que também são críticos na manutenção da vida em sociedade (mesmo nas autoritárias).
p. 205-206
Matrizes do pensamento psicológico
sexta-feira, 4 de outubro de 2019
Programa para Fora de Casa [Brincadeira]
Se fizessem o Programa para Fora de Casa boa parte dos problemas de saúde mental estavam resolvidos. Conseguir algum apoio governamental para superar a sabotagem dos familiares em conquistar a independência financeira.
Seria algo mais apropriado para a situação das pessoas após a reforma psiquiátrica.
Seria algo mais apropriado para a situação das pessoas após a reforma psiquiátrica.
Alterando o cérebro para tratar a mente
Alterando o cérebro para tratar a mente: uma breve história dos remédios psiquiátricos
quinta-feira, 3 de outubro de 2019
Como não ser mais internado
A casa de sua família é como um hospital psiquiátrico em que os familiares tem controle sobre você. Você não tem liberdade de escolha nem voz. É isso que mantém a pessoa estável no hospital psiquiátrico. E é isso que mantém a pessoa "estabilizada" na família.
Texto excelente antipsiquiatria (pdf)
No livro Matrizes do Pensamento Psicológico (pdf)
https://www.mediafire.com/file/2dyvhjddk3ejt5t/matrizantipsiquiatrica.pdf/file
https://www.mediafire.com/file/2dyvhjddk3ejt5t/matrizantipsiquiatrica.pdf/file
quarta-feira, 2 de outubro de 2019
Filme direito dos pacientes
Filme direito dos pacientes
Filme 55 Passos – Imperdível sobre os Direitos dos Pacientes
O filme 55 Passos é sobre a batalha jurídica da advogada de direitos de pacientes, Colette Hughes, e do Professor de Direito Constitucional, Mort Cohen, pelo direito do paciente capaz com transtornos mentais de participar dos seus cuidados em saúde e de recusar procedimentos e medicamentos. A história real envolve a advogada e a paciente, sua cliente, Eleanor Riese, que foi submetida durante anos à medicação em excesso, o que lhe causou sérios efeitos colaterais. Eleanor Riese não foi ouvida pelos profissionais de saúde e a sua recusa de ser excessivamente medicada não foi respeitada. Além disso, foi submetida a tratamento desumano e degradante durante sua internação no hospital psquiátrico.
terça-feira, 1 de outubro de 2019
Receita com o clínico geral SUS
Se for só para pegar receita é desnecessário gastar em consultas com o setor privado. O clínico geral ou médico de família do posto de saúde (SUS) dá receita sem consulta. Outra pessoa pode ir pegar a receita.
Basta levar a receita e talvez um documento da pessoa.
Basta levar a receita e talvez um documento da pessoa.
sexta-feira, 27 de setembro de 2019
Tratamentos biomédicos e epifenomenos psicologicos
Pensando bem seria ótimo resolver epifenômenos psicológicos através de tratamentos biomédicos. O problema é se a natureza dos problemas é realmente essa e se funciona. Os psicofármacos são desnecessários, prejudiciais e não funcionam. É um sonho das pessoas resolver a própria vida de maneira simples. Que bom se fosse tão simples assim e se os deslocamentos conceituais tivessem a mesma aceitação.
Neuroléptico Latuda versus Invega Sustenna
Ouvi dizer que o neuroléptico Latuda é muito melhor que o Invega sustenna. Tem menos efeitos colaterais. Também é muito mais barato. Mas você não vai ver médicos tão empolgados com uma droga relativamente barata.
quinta-feira, 26 de setembro de 2019
"Dons" naturais e "gostos" inatos e destino social
[...] melhor que uma doutrina como a do Karma, onde Weber via a obra-prima das teodicéias sociais, já que justificava a qualidade social de cada indivíduo no sistema das castas por seu grau de qualificação religiosa no ciclo das transmigrações, a Escola consegue hoje em dia, com a ideologia dos "dons" naturais e dos "gostos" inatos, legitimar a reprodução circular das hierarquias sociais e das hierarquias escolares.
Bourdieu. A reprodução (social pelo sistema de ensino).
Correlação entre baixas expectativas e conquistas
Assim, o sistema de ensino tende objetivamente a produzir, pela dissimulação da verdade objetiva de seu funcionamento, a justificação ideológica da ordem que ele reproduz por seu funcionamento. Não é por acaso que, vítimas do efeito ideológico da Escola, tantos sociólogos são levados a separar de suas condições sociais de produção as disposições e predisposições relativas à Escola: "esperanças", "aspirações", "motivações", "vontade": esquecendo que as condições objetivas determinam simultaneamente as aspirações e o grau em que essas podem ser satisfeitas, eles se permitem proclamar o melhor dos mundos quando ao término de um estudo longitudinal das carreiras profissionais eles descobrem que, como por uma harmonia preestabelecida, os indivíduos nada esperam que não tivessem obtido e nada obtiveram que não tivessem esperado."
Bourdieu. A reprodução (social pelo sistema de ensino).
Falta de autonomia do pensamento e normalidade
A pessoa normal não sente que pode argumentar livremente ou ter autonomia de pensamento. Sua normalidade reside no pensamento tutelado.
quarta-feira, 25 de setembro de 2019
Credibilidade popular do psiquiatra medíocre
Qualquer psiquiatra medíocre tem muita credibilidade por explorar crenças populares. Quem quer realmente fazer um trabalho que vai contra o senso comum tem muita dificuldade.
Ausência de cursos de psiquiatria crítica
Por que não aparecem cursos de psiquiatria crítica no mercado? Se aparecesse não iria ter interesse mercadológico. Creio que é por que oferecer a possibilidade de sair do sistema de saúde mental não oferece lucro. Muito mais lucrativo é incentivar a entrar e ficar permanentemente no sistema de saúde mental.
domingo, 22 de setembro de 2019
Tolerância com transtorno do pensamento e arbítrio do psiquiatra
As mesmas pessoas que insistem em apoiar a psiquiatrizacao arbitrária de um familiar são supertolerantes com transtorno de pensamento não psiquiatrizado em outras pessoas.
sábado, 21 de setembro de 2019
Reações adversas e complicações
É algo que os psiquiatras, pacientes e familiares subestimam.
Ficou faltando no blogue. O problema é que dá trabalho ficar procurando e lendo artigo científico.
Ficou faltando no blogue. O problema é que dá trabalho ficar procurando e lendo artigo científico.
quinta-feira, 19 de setembro de 2019
Adequação e prestígio versus criticidade na psicologia
O interesse por adequação aos discursos vigentes ou hegemônicos na psicologia, autopromoção e prestígio dificulta bastante o pensamento crítico. Não há apenas conceitos a serem avaliados mas grupos a serem enfrentados.
quarta-feira, 11 de setembro de 2019
Falta de psiquiatras
Quem conhece a crítica aos fundamentos da psiquiatria biológica sabe que a falta de psiquiatras não impede uma boa atenção psicossocial e a melhora dos pacientes. O foco nos problemas de saúde mental como um assunto médico mais atrapalha que ajuda.
É ridículo atribuir uma vida horrível a uma causa biológica interna como mostrou o profissão repórter sobre depressão.
É ridículo atribuir uma vida horrível a uma causa biológica interna como mostrou o profissão repórter sobre depressão.
Vida social como represa
Há muitos assuntos que não são discutidos. Parece haver um pacto de conveniência. É exigido não falar de certos assuntos.
É chocante. Quem quiser entender dos assuntos tem que tomar cuidado para não expor limitações. Não saber das limitações é uma vantagem competitiva.
É chocante. Quem quiser entender dos assuntos tem que tomar cuidado para não expor limitações. Não saber das limitações é uma vantagem competitiva.
Estratégia anti-retórica
Uma estratégia anti-retórica é dizer que uma argumentação que não é bem vinda é nervosismo. Inclusives médicos usam essa estratégia por se considerarem a única fonte de discurso legítimo.
Após o fracasso de todas as tentativas
Eu penso que é mais fácil acreditar em soluções não biomédicas em saúde mental quando todas as tentativas biomédicas fracassaram. A pessoa em sofrimento é muito suscetível a esperar uma solução do médico e ela precisa passar pelo processo de anos sem melhorar para abrir a cabeça.
Soluções biomédicas
Parece que não há nada que possa convencer a pessoa comum de que a solução para a saúde mental não é biomédica. Precisaria estudar os assuntos e há muita preguiça mental. Acredita-se mais em alta tecnologia do que em boa formação de conceitos. Boa formação de conceitos é economicamente mais barata. Mas a pessoa comum é incapaz de acompanhar.
Expectativa de Felicidade
Atualmente as pessoas tem a expectativa de ser feliz. Se elas não forem felizes acham que tem algo errado com elas. É provável que o problema não seja o aumento da depressão, mas o aumento da expectativa de felicidade. Antigamente as pessoas aceitavam que a condição humana envolve sofrimento e pode ser complicada. A felicidade virou um padrão de normalidade. O que não deixa de ser uma engenharia social para silenciar possíveis descontentamentos sociais.
Pedir ajuda e sistema monstruoso
Antes de falar para os seus pais que você não está feliz saiba que o sistema de saúde mental é monstruoso no sentido de prejudicar e cronificar. Você nunca mais vai se livrar do rótulo.
Allen Frances e o desequilíbrio químico
Lembro a reação do Allen Frances no Brain Science Podcast ao ouvir comentário sobre a hipótese do desequilíbrio químico. A entrevistadora disse que a hipótese do desequilíbrio químico era bogus (falsa mas feita parecer real). A única reação dele foi: "é importante que as pessoas tomem seus remédios". Mostrando que não importa tanto o fundamento mas a parte mercadológica.
Farmacogenética como subterfúgio teórico
A farmacogenética é um subterfúgio teórico para o fracasso dos psicofármacos em reduzir sintomas. Quando algo não funciona basta criar novos subtipos teóricos.
terça-feira, 10 de setembro de 2019
Farmacogenética
Pagar caríssimo para usar farmacogenética e para acreditar cegamente no resultado e deixar de ouvir a experiência do paciente não parece um avanço. Já que os psiquiatras biológicos (farmacológicos) têm um histórico forte de não ouvir os pacientes. Por mais que se fale em fazer uma boa história médica o modelo biomédico não favorece uma boa escuta. Ainda vendendo a ideia equivocada de que a solução na área de saúde mental é a alta tecnologia.
Hipócrates cura
Antes de curar alguém, pergunta-lhe se está disposto a desistir das coisas que o fizeram adoecer”
Hipócrates.
Hipócrates.
domingo, 8 de setembro de 2019
Internamento e reprodução social
O trabalho pedagógico (isso inclui os campos psi) é um substituto da coerção física; a repressão física (o internamento numa prisão ou num asilo) vem com efeito sancionar os reveses da interiorização de um arbitrário cultural.
P. 48
Reprodução. bourdieu
Reprodução. bourdieu
sábado, 7 de setembro de 2019
Psicologia e regulação do pensamento
A psicologia é uma área de regulação e arregimentação do pensamento.
sexta-feira, 6 de setembro de 2019
Viva a sociedade normativa [Ironia]
Uma boa paródia/sátira é fazer uma letra alternativa para sociedade alternativa de Raul Seixas com o tema viva a sociedade normativa.
Paródia de Sociedade Alternativa aplicada a era Bolsonaro
Viva a sociedade normativa
Viva a sociedade normativa (Viva o número 1)
Viva a sociedade normativa
Viva a sociedade normativa
Se eu quero que você faça algo (Se eu quero o que você quer)
Você tem que fazer (Tomar banho de Chapéu)
Fazer compras no shopping center (esperar Papai Noel)
Discutir Novela das 8 (no lugar de discutir Carlos Gardel)
Então vá
Faça o que eu quero pois é tudo lei. É lei.
Berros:(Todo homem e toda mulher é igual/comum)
(O número 777 chama-se Deus)
(Faça o que eu quero. É tudo lei)
(Viva o homem comum)
(A lei do forte. Essa é a nossa lei e a lei do mundo)
domingo, 1 de setembro de 2019
Psiquiatria cultural e psicofarmacologia
Um psiquiatra pode até se interessar em psiquiatria cultural mas o que realmente traz renda é psicofarmacos.
Felicidade descontextualizada
Rumo 11 Felicidade (Luiz Tatit)
https://www.youtube.com/watch?v=29T0YuTSyqk
A felicidade interna e descontextualizada que os psiquiatras biológicos defendem e o seu lado negativo na depressão é absurda como mostra a música.
Neurolépticos e envelhecimento cerebral precoce
Os médicos psiquiatras acreditam que os neurolépticos protegem o cérebro de degeneração cerebral. Isso só mostra que eles não leem nada que não seja propaganda da indústria farmacêutica. Pois a literatura científica não mostra isso. Isso é apenas um jogo de pressupostos teóricos.
O prejuízo cognitivo que os neurolépticos causam pode ser encarado não como incapacitação mas como envelhecimento precoce do cérebro pois no envelhecimento e perda de saúde em geral o cérebro também encolhe.
Problema interno e injustiças
Como a pergunta da psiquiatria biológica é o que há de errado dentro das pessoas isso justifica todo tipo de absurdos e injustiças. Só quem faz outras perguntas sobre o que acontece pode perceber isso.
sábado, 31 de agosto de 2019
O primeiro mentiroso e o conhecimento médico
A influência que alguns tipos de conhecimento tem sobre a sociedade é semelhante ao que ocorre no filme o primeiro mentiroso. É muito difícil desmontar a credulidade. A influência do conhecimento psiquiátrico na sociedade é semelhante.
quinta-feira, 29 de agosto de 2019
Limitações modelo biomédico
Apesar do impacto positivo do Modelo Biomédico ao campo da saúde como um todo, outros problemas estavam se desenvolvendo que contribuíram para o crescimento das doenças crônicas, como: problemas cardiovasculares, câncer e depressão. Nestas condições, o Modelo Biomédico já não se aplica com tanta eficiência, pois o curso das doenças costuma ser longo (diferentemente das doenças agudas), a etiologia é multifatorial (ex. genética, hábitos alimentares, sedentarismo, tabagismo, etilismo, entre outros), o tratamento é multidisciplinar (ex. medicina, psicologia, nutrição, educação física, fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, biomedicina, assistência social, entre outros).
Medicina Comportamental
Armando Ribeiro das Neves Neto
terça-feira, 27 de agosto de 2019
Desresponsabilização penal das empresas e indústria farmacêutica
https://www.youtube.com/watch?v=Vu_axvaktIo
Ladislau Dowbor Aula 4 – Quem é responsável? PEDAGOGIA DA ECONOMIA: educando para o mundo real
Ladislau Dowbor Aula 4 – Quem é responsável? PEDAGOGIA DA ECONOMIA: educando para o mundo real
segunda-feira, 26 de agosto de 2019
Relativismo cultural e normalidade
Tende-se a assumir uma postura etnocêntrica em relação ao mundo, onde o
indivíduo vê sua própria cultura como uma verdade absoluta, uma norma, algo que é
correto e deve ser seguido, e por conta disso, despreza e considera anormais as
práticas culturais diferentes das suas. O etnocentrismo julga os outros povos e
culturas, tomando como base de normalidade os padrões da sua própria sociedade,
esses padrões servem para verificar até que ponto são normais os costumes
culturais alheios (MENESES, 1999).
O conceito de relatividade cultural vai afirmar que os padrões de certo e
errado são relativos à cultura da qual fazem parte. Assim, cada costume seria válido
nos termos do seu próprio ambiente cultural. Na prática seria suspender o
julgamento, procurar entender o que se passa e respeitar os hábitos de diferentes
culturas (HOEBEL e FROST, 2006).
A diversidade cultural é o que torna uma sociedade única, e ao adentrar em
uma determinada cultura, deve-se despir de pré-conceitos e buscar lançar um novo
olhar ao que lhe parece estranho, pois é esta estranheza que mostrará qual o
conceito de normalidade para tal cultura, e somente desta forma pode-se
compreender o funcionamento das diferentes sociedades.
Sob a ótica do relativismo cultural, faz-se necessária uma reflexão perante as diferentes
culturas existentes. A postura relativista é algo complexo, e dependerá do quanto o
indivíduo está rígido e centrado nas suas próprias crenças, pois se o mesmo tomar
os seus costumes e práticas como referência para julgamento indiscriminado, estará
assumindo uma postura etnocêntrica. É perceptível na sociedade contemporânea a
execução da postura etnocêntrica, julgando outras práticas tendo apenas sua
realidade como parâmetro de referência. Uma postura relativista exige um esforço
maior, ao requerer que o indivíduo se desvencilhe dos seus preconceitos ao entrar
no mundo alheio, e esteja realmente disposto a entender e respeitar as diferentes
práticas culturais.
NORMALIDADE X ANORMALIDADE: A RELATIVIDADE DOS TERMOS
Raquel Arruda CARNAÚBA
Cláudia Camargo Arthou Sant ́anna PELIZZARI
Jorge Ubiratan de Almeida SILVA JÚNIOR
indivíduo vê sua própria cultura como uma verdade absoluta, uma norma, algo que é
correto e deve ser seguido, e por conta disso, despreza e considera anormais as
práticas culturais diferentes das suas. O etnocentrismo julga os outros povos e
culturas, tomando como base de normalidade os padrões da sua própria sociedade,
esses padrões servem para verificar até que ponto são normais os costumes
culturais alheios (MENESES, 1999).
O conceito de relatividade cultural vai afirmar que os padrões de certo e
errado são relativos à cultura da qual fazem parte. Assim, cada costume seria válido
nos termos do seu próprio ambiente cultural. Na prática seria suspender o
julgamento, procurar entender o que se passa e respeitar os hábitos de diferentes
culturas (HOEBEL e FROST, 2006).
A diversidade cultural é o que torna uma sociedade única, e ao adentrar em
uma determinada cultura, deve-se despir de pré-conceitos e buscar lançar um novo
olhar ao que lhe parece estranho, pois é esta estranheza que mostrará qual o
conceito de normalidade para tal cultura, e somente desta forma pode-se
compreender o funcionamento das diferentes sociedades.
Sob a ótica do relativismo cultural, faz-se necessária uma reflexão perante as diferentes
culturas existentes. A postura relativista é algo complexo, e dependerá do quanto o
indivíduo está rígido e centrado nas suas próprias crenças, pois se o mesmo tomar
os seus costumes e práticas como referência para julgamento indiscriminado, estará
assumindo uma postura etnocêntrica. É perceptível na sociedade contemporânea a
execução da postura etnocêntrica, julgando outras práticas tendo apenas sua
realidade como parâmetro de referência. Uma postura relativista exige um esforço
maior, ao requerer que o indivíduo se desvencilhe dos seus preconceitos ao entrar
no mundo alheio, e esteja realmente disposto a entender e respeitar as diferentes
práticas culturais.
NORMALIDADE X ANORMALIDADE: A RELATIVIDADE DOS TERMOS
Raquel Arruda CARNAÚBA
Cláudia Camargo Arthou Sant ́anna PELIZZARI
Jorge Ubiratan de Almeida SILVA JÚNIOR
domingo, 25 de agosto de 2019
Comportamento anormal, modelo médico e behaviorismo
A abordagem alternativa proposta por Ullmann e Krasner (1969), se contrapõe ao modelo médico na medida que propõe que o comportamento anormal não é patológico. Ela muda o papel do conteúdo da queixa em relação ao terapeuta. Mesmo que a verbalização do cliente descreva o que ele acredita ser patológico, para o terapeuta não se trata de descrições que venham a desvendar algo patológico que esteja dentro dele. Sant ’Anna,1994a, 1994b, 1995) propõe que a descrição de algo problemático pode merecer a mesma atenção do terapeuta do que a descrição de algo não problemático.
Uma prática clínica voltada prioritariamente à normalidade
Claúdia Barbosa
Evidência Anedótica
Evidência Anedótica
Evidência anedótica é o tipo de prova irreprodutível, intestável, de amostra pequena, muitas vezes aquirida na terceira pessoa (“diz que disse”, mas pode ser na primeira também) e de modo não sistemático. É considerado cientificamente a forma mais fraca de evidência que há, embora seja a forma mais forte de evidencia que há num tribunal (e até à pouco tempo a única). Testemunhos individuais estão nesta categoria.
[Não é diferente atribuir condições psicossociais a alterações no regime de prescrição de drogas psicoativas na clínica psiquiátrica]
[Não é diferente atribuir condições psicossociais a alterações no regime de prescrição de drogas psicoativas na clínica psiquiátrica]
sábado, 24 de agosto de 2019
Dinheiro louco
Se houvesse mais dinheiro na mão de loucos ou pacientes psiquiátricos estes seriam mais defendidos. O dinheiro está principalmente com as famílias e os psiquiatras acabam trabalhando para as famílias. O psicólogo que quiser ver o lado do paciente psiquiátrico tem que fazer isso sem incomodar a família. Nisso entra o conceito de doença mental como algo que está dentro da pessoa.
O pink money ou black money leva esses grupos a ter muitos defensores. Já o movimento da reforma psiquiátrica é frágil pois depende somente de argumentos.
quarta-feira, 21 de agosto de 2019
Exclusividade de mercado e preços
https://documentcloud.adobe.com/link/track?uri=urn:aaid:scds:US:361a4129-0333-45b3-a5ac-806273f09e96
Price Declines after Branded Medicines Lose Exclusivity in the U.S
Os preços declinam de 44% a 90% após a perda de exclusividade de mercado de fármacos. Quanto mais tempo após o fim da exclusividade de mercado maior o declínio de preço. Os fármacos injetáveis alcançam o mesmo declínio que os fármacos orais após 6 anos.
Price Declines after Branded Medicines Lose Exclusivity in the U.S
Os preços declinam de 44% a 90% após a perda de exclusividade de mercado de fármacos. Quanto mais tempo após o fim da exclusividade de mercado maior o declínio de preço. Os fármacos injetáveis alcançam o mesmo declínio que os fármacos orais após 6 anos.
terça-feira, 20 de agosto de 2019
The Dopaminergic Mind
http://93.174.95.29/_ads/6E070E067EE93740D2F2612DA863198C
The Dopaminergic Mind in Human Evolution and History
Publisher: Cambridge University Press, Year: 2009
Mamãe disse - Metallica
A son's heart's owned to mother
But I must find my way
Let your son grow
But you gave me your emptiness
I now take to my grave
O coração de um filho pertence à mãe
Mas eu devo encontrar meu caminho
Deixe seu filho crescer
Mas você me deu seu vazio
Eu agora levo para o meu túmulo
https://www.letras.mus.br/metallica/25886/
But I must find my way
Let your son grow
But you gave me your emptiness
I now take to my grave
O coração de um filho pertence à mãe
Mas eu devo encontrar meu caminho
Deixe seu filho crescer
Mas você me deu seu vazio
Eu agora levo para o meu túmulo
https://www.letras.mus.br/metallica/25886/
Critérios de sucesso terapêutico
Os critérios de sucesso terapêutico quantidade de recaídas e tempo de estabilidade só fazem sentido pressupondo-se a validade do modelo biomédico em saúde mental. É necessário fazer a avaliação descontextualizada da causa biomédica subjacente e fazer um cálculo estatístico entre grupos.
Uma recaída, se contextualizada, pode ser apenas uma situação de mudança. Uma recaída pode ser uma época de situações decisivas para o futuro.
A estabilidade de uma vida vazia também não é interessante. A estabilidade pode significar somente uma vida submetido à família (silenciado) sem outras alternativas.
Há outros critérios de sucesso terapêutico que entram em conflito com os critérios tempo de estabilidade e quantidade de recaídas (que são convenientes somente para a pesquisa farmacológica e para manter a continuidade da prescrição). É preciso considerar outros critérios mais globais de sucesso terapêutico como sucesso profissional, vivacidade, disposição, emagrecimento, autorelato, etc. A disputa entre o tratamento forçado ou o desmame é entre critérios de saúde diferentes. A pesquisa farmacológica é estreita pois tendo em conta as dimensões de análise possíveis leva em conta apenas uma pequena parcela conveniente.
sábado, 17 de agosto de 2019
Medicamentos em xeque
Cientistas, médicos e observadores da área de saúde, principalmente na Europa e nos Estados Unidos, estão pressionando a indústria farmacêutica e as agências de vigilância sanitária para que elas tornem públicos os relatórios dos testes dos medicamentos.
A preocupação tem procedência: é a indústria farmacêutica que financia e coordena os estudos clínicos, o que causa conflitos de interesse.
Link da matéria:
Cura da Homossexualidade
https://oglobo.globo.com/sociedade/saude/psiquiatra-que-dizia-ter-cura-para-homossexualidade-se-desculpa-4970503
Psiquiatra que dizia ter a ‘cura’ para homossexualidade se desculpa
Em carta para a publicação que divulgou o estudo, em 2003, ele diz não
ter como comprovar a mudança da orientação sexual dos entrevistados
sexta-feira, 16 de agosto de 2019
Cobaias para o Invega Trinza
A injeção de três meses ainda não passou pela fase de testes após entrada no mercado. Que é a última fase. Os mesmos médicos que dão a cartada do risco quando se fala em reduzir a dose ou retirar o fármaco desprezam os riscos possíveis dos testes após entrada no mercado por interesse próprio de participar de testes clínicos.
Fase IV: após um medicamento ou procedimento diagnóstico ou terapêutico ser aprovado e levado ao mercado, testes de acompanhamento de seu uso são elaborados e implementados em milhares de pessoas, possibilitando o conhecimento de detalhes adicionais sobre a segurança e a eficácia do produto. Um dos objetivos importantes dos estudos fase IV é detectar e definir efeitos colaterais previamente desconhecidos ou incompletamente qualificados, assim como os fatores de risco relacionados. Esta fase é conhecida como Farmacovigilância.
quinta-feira, 15 de agosto de 2019
Esquizofrenia, cérebro e comportamento
Tais resultados são sustentados por algumas pesquisas feitas com imagens de exames de tomografia por emissão de pósitrons (PET) e imagens de ressonância magnética (MRI) que demonstraram alterações do fluxo sanguíneo em algumas áreas específicas do cérebro em pessoas diagnosticadas como esquizofrênicas. Porém, essas alterações não evidenciam serem a causa do transtorno, mas sim a consequência do mesmo. Ainda assim, a medicina psiquiátrica os considera e os trata como ‘doenças mentais’ (Britto, 2004, 2005). Ainda mais, se a esquizofrenia afetasse o cérebro, ela não seria descrita como ‘doença mental’, mas cerebral (Britto, 2004).
Falta de inibição e Dopamina
Ignorar um estímulo que não tem conseqüências é um procedimento econômico, e tem provavelmente uma origem filogenética. No paradigma da LI, o estímulo antes irrelevante passa a ser importante, e o esquizofrênico é capaz de detectar essa mudança e agir de acordo, enquanto o indivíduo normal continua tratando o estímulo como irrelevante. Nesse modelo, portanto, o esquizofrênico acaba mostrando um comportamento mais adaptativo do que o indivíduo normal, numa reprodução de paradoxos observados na realidade da vida psicótica (Alves etal., 1999; Gray et al., 1991).
Inibição Latente: contribuição como modelo animal de esquizofria Cilene Rejdtie Ramos Alves'
María Teresa Araújo Silva
[Comentário: Na verdade considerando-se o ambiente, este pode exigir muita inibição, autocontrole e estratégias de adaptação. Nos trechos anteriores de artigos de antropologia isso fica claro.]
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Mães e filhos
Os anos críticos e formativos da existência de cada criança são dominados pela presença feminina e pela vontade feminina, que muitas vezes é egoísta, insalubre e, para os meninos, emocionalmente incestuosa. Os pais, ausentes ou presentes, contribuem para o problema.
Onde não há influência masculina, a mãe muitas vezes não é regulada. Ela ensina a seus filhos que é melhor eles a agradarem ou ela os punirá com rejeição, dor física e muitas vezes humilhações psicológicas. Para os garotos que já perderam um dos pais, esse é um pesadelo para o desenvolvimento que mata a alma e você pode apostar que as mentes deles se ajustam com obediência.
Medicalização e corrupção científica
Medicalização e corrupção científica
https://www.youtube.com/watch?v=ZTtrfQjiRAI&feature=youtu.be
Paulo Amarante no 4º Fórum de Direitos Humanos e Saúde Mental ABRASMEInvega sustenna e exclusividade de mercado
Generic Invega Sustenna Availability
See also: Generic Invega, Generic Invega TrinzaInvega Sustenna is a brand name of paliperidone, approved by the FDA in the following formulation(s):
INVEGA SUSTENNA (paliperidone palmitate - suspension, extended release;intramuscular)
-
Manufacturer: JANSSEN PHARMS
Approval date: July 31, 2009
Strength(s): 39MG/0.25ML (39MG/0.25ML) [RLD], 78MG/0.5ML (78MG/0.5ML) [RLD], 117MG/0.75ML (117MG/0.75ML) [RLD], 156MG/ML (156MG/ML) [RLD], 234MG/1.5ML (156MG/ML) [RLD]
Exclusivity is exclusive marketing rights granted by the FDA upon approval of a drug and can run concurrently with a patent or not. Exclusivity is a statutory provision and is granted to an NDA applicant if statutory requirements are met.
Exclusivity expiration dates:
December 20, 2020
https://www.drugs.com/availability/generic-invega-sustenna.html
Rigidez do neuroléptico
“Tá, aí eu vim pra casa, mas aqui eu não tomava mais os remédios, eu guardava assim atrás da língua e não tomava e na ala psiquiátrica também não tomava, quando ia tomar o café eu fazia de conta, mas jogava fora”. Por que? “Porque fica tudo duro assim (gesticula para me mostrar a rigidez dos braços e das pernas), a pessoa não consegue fazer nada. Eu cheguei em casa e não conseguia fazer nada, queria lavar uma louça não dava, queria caminhar não dava...”
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
Ansiedade do médico
Tal como argumentou o autor: Os medicamentos exercem uma ação indiscutível, da qual pudemos apreciar os resultados em nossos asilos e na redução do número dos doentes “sócios” do hospital. Mas a posteriori pode-se começar a ver como funciona essa ação, tanto a nível do doente como do médico, pois os medicamentos agem simultaneamente sobre a ansiedade enferma e a ansiedade daquele que a cura, evidenciando um quadro paradoxal da situação: através dos medicamentos que administra, o médico acalma sua ansiedade diante de um doente com o qual não sabe relacionar-se nem encontrar uma linguagem comum. Compensa, portanto, usando uma nova forma de violência, sua incapacidade para conduzir uma situação que ainda considera incompreensível, continuando a aplicar a ideologia médica da objetivação através do perfeccionismo da mesma. (p.128)
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
As crises continuam
Silveira 14 também faz referência ao uso dos benzodiazepínicos como terapêutica para mulheres nervosas, e mostra que “ao menos na perspectiva das pacientes e seus familiares, a medicalização de problemas sociais tem funcionado como solução para o médico, pois as pacientes, a despeito do uso
de calmantes, continuam a ter crises” (p.80).
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
de calmantes, continuam a ter crises” (p.80).
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
Efeitos psicofámacos
No que se refere ao uso dos psicofármacos entre as mulheres (f) , as queixas
que ouvimos quanto ao uso dos mesmos giravam em torno: do enrijecimento
do corpo, da diminuição da capacidade de articular as palavras, muitas vezes,
em função da lentificação do pensamento, e ganhavam apoio da maioria no que
diz respeito às modificações corporais advindas do uso da medicação. Em geral,
as mulheres reclamam do ganho de peso, como fez Mariana, uma interlocutora,
sobre o fato de ter aumentado 62 quilos durante uma de suas internações
psiquiátricas.
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
que ouvimos quanto ao uso dos mesmos giravam em torno: do enrijecimento
do corpo, da diminuição da capacidade de articular as palavras, muitas vezes,
em função da lentificação do pensamento, e ganhavam apoio da maioria no que
diz respeito às modificações corporais advindas do uso da medicação. Em geral,
as mulheres reclamam do ganho de peso, como fez Mariana, uma interlocutora,
sobre o fato de ter aumentado 62 quilos durante uma de suas internações
psiquiátricas.
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
Mordaça química
A partir da perspectiva de gênero, ocupar tal posição no ranking do
uso dos mesmos é ‘justificada’ pelos prescritores (obviamente), considerando
o favorecimento de um equilíbrio para as mulheres que, tendo suas angústias
aliviadas, manteriam suas funções no contexto em que vivem, ainda que tais
prescrições possam significar uma mordaça química que as impossibilita de
descobrir outras formas de lidar com tais sofrimentos.
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
uso dos mesmos é ‘justificada’ pelos prescritores (obviamente), considerando
o favorecimento de um equilíbrio para as mulheres que, tendo suas angústias
aliviadas, manteriam suas funções no contexto em que vivem, ainda que tais
prescrições possam significar uma mordaça química que as impossibilita de
descobrir outras formas de lidar com tais sofrimentos.
Experiências de desinstitucionalização na reforma psiquiátrica brasileira: uma abordagem de gênero
Jogos de poder econômicos e políticos
Foucault (2009) . Ao apresentar uma história das prá-
ticas coercitivas como dimensão política,
o autor mostra que as mesmas, agenciadas
por uma micropolítica constituída na ma-
quinaria institucional, além de produzirem
relações de submissão, fabricam corpos
dóceis e corpos/máquinas que interessam
aos jogos de poder da sociedade, tal qual se
inscreve no ponto de vista da economia e da
política.
Loucos/as, pacientes, usuários/as, experientes: o estatuto dos sujeitos no contexto da reforma psiquiátrica brasileira
ticas coercitivas como dimensão política,
o autor mostra que as mesmas, agenciadas
por uma micropolítica constituída na ma-
quinaria institucional, além de produzirem
relações de submissão, fabricam corpos
dóceis e corpos/máquinas que interessam
aos jogos de poder da sociedade, tal qual se
inscreve no ponto de vista da economia e da
política.
Loucos/as, pacientes, usuários/as, experientes: o estatuto dos sujeitos no contexto da reforma psiquiátrica brasileira
Experimentação com drogas psicoativas
Diante de suas experiências, Mateus en-
tendia que a prescrição e a gestão do uso
dos medicamentos era uma experimentação,
tanto para os/as usuários/as como para os/
as prescritores/as. Nesse sentido, ambos es-
tariam no mesmo patamar de experimenta-
ção, distintos apenas na especificidade e na
hierarquia de seus saberes. Ele disse:
O médico ainda tem um poder muito grande, e eu
acho que, em psiquiatria, por mais que ele saiba,
ele também não sabe muita coisa. Eles fazem um
laboratório com a gente, eles vão dando esse re-
médio, esse remédio... Ah, se funciona, tudo bem!
Se não, eles tentam...
O argumento de Mateus indica uma
problematização do saber psiquiátrico
(FOUCAULT, 1997) . Ele reconhece que ‘o médico
tem um poder muito grande’, mesmo que
esteja no mesmo patamar de experimenta-
ção que os/as usuários/as, uma vez que ‘ele
também não sabe muita coisa’. Seu argu-
mento também aponta que, tal como propôs
Foucault (1997) , o saber psiquiátrico, ao insti-
tuir, em determinado momento histórico, a
doença mental como seu objeto, pressupôs
que ela deveria ser submetida a um trata-
mento que lhe correspondesse. Entretanto,
para Mateus, tanto o saber psiquiátrico
quanto a terapêutica medicamentosa se
ocupam de objetos imprecisos e, por isso,
demandam um exercício de experimenta-
ção. Neste sentido, usuário/a e profissional
partilham experiências e experimentações,
a partir de diferentes discursos, modelos
interpretativos e em processos relacionais.
Loucos/as, pacientes, usuários/as, experientes: o estatuto dos sujeitos no contexto da reforma psiquiátrica brasileira
tendia que a prescrição e a gestão do uso
dos medicamentos era uma experimentação,
tanto para os/as usuários/as como para os/
as prescritores/as. Nesse sentido, ambos es-
tariam no mesmo patamar de experimenta-
ção, distintos apenas na especificidade e na
hierarquia de seus saberes. Ele disse:
O médico ainda tem um poder muito grande, e eu
acho que, em psiquiatria, por mais que ele saiba,
ele também não sabe muita coisa. Eles fazem um
laboratório com a gente, eles vão dando esse re-
médio, esse remédio... Ah, se funciona, tudo bem!
Se não, eles tentam...
O argumento de Mateus indica uma
problematização do saber psiquiátrico
(FOUCAULT, 1997) . Ele reconhece que ‘o médico
tem um poder muito grande’, mesmo que
esteja no mesmo patamar de experimenta-
ção que os/as usuários/as, uma vez que ‘ele
também não sabe muita coisa’. Seu argu-
mento também aponta que, tal como propôs
Foucault (1997) , o saber psiquiátrico, ao insti-
tuir, em determinado momento histórico, a
doença mental como seu objeto, pressupôs
que ela deveria ser submetida a um trata-
mento que lhe correspondesse. Entretanto,
para Mateus, tanto o saber psiquiátrico
quanto a terapêutica medicamentosa se
ocupam de objetos imprecisos e, por isso,
demandam um exercício de experimenta-
ção. Neste sentido, usuário/a e profissional
partilham experiências e experimentações,
a partir de diferentes discursos, modelos
interpretativos e em processos relacionais.
Loucos/as, pacientes, usuários/as, experientes: o estatuto dos sujeitos no contexto da reforma psiquiátrica brasileira
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