Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

quarta-feira, 30 de setembro de 2020

Testes projetivos: evidências muitos fracas

Acabo de saber que morreu Scott Lilienfeld. Scott era um dos melhores críticos que conheço das bobagens que passam por psicoterapia.
Na minha época de estudante de psicologia na PUC-RS, haviam várias cadeiras sobre os chamados testes projetivos. Sabe aquele clássico Rorschach? Pois é, mas esse é só um dos tantos que existem. Outros exemplos são o TAT e o desenho da figura humana. O nome “projetivo” vem da premissa de que a personalidade se expressa—projeta—nesses desenhos. Não preciso dizer que essa é uma suposição bastante forte que precisa de evidências igualmente fortes para se sustentar. Nessa meta-análise (tipo de estudo com grau mais alto de confiabilidade científica) de 2000 [https://journals.sagepub.com/doi/10.1111/1529-1006.002] Scott mostra que a evidência disso é muito fraca, pelo menos nesses três testes que citei acima. De fato, me surpreende que ele ainda conseguiu encontrar alguma. Apesar disso, esses testes são usados rotineiramente pra decidir quem pode ou não portar armas, que crianças precisam ou não de terapia, que criminoso precisa ou não ser internado em hospital psiquiátrico, etc.
E esse monte de psicoterapia que existe por aí? Psicanálise, terapia cognitivo-comportamental, humanista, psicodrama, EMDR, etc. A maioria delas, senão todas, são mais prováveis de convencer o terapeuta e paciente de que funcionam do que de funcionar de verdade. Nesse paper de 2014 [https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1745691614535216] Scott mostra as tantas razões espúrias que levam psicoterapeutas a enganar-se e acreditar na eficácia de suas técnicas.
A página da wikipedia sobre ele é uma boa introdução ao seu trabalho, que vai muito além desses dois papers que citei.
-André

segunda-feira, 28 de setembro de 2020

Comportamento politicamente indesejável

O conceito da análise comportamental do direito de que o comportamento indesejável é decidido politicamente me parece ser a base de toda a problemática da loucura. Um indivíduo é considerado louco para ser fragilizado politicamente, não poder mais defender os próprios interesses ou perspectivas de forma legitimada. A partir disso, se entende como e porque se usa a loucura como argumento: favorecer a perspectiva ou interesse particular e situacional de uma pessoa em detrimento da perspectiva ou interesse da outra pessoa fragilizada. É possível concluir que a reforma psiquiátrica é a problematização dessa política de fragilização de pessoas. Também torna possível entender porque a família, os psiquiatras e sociedade tende a não jogar contra a própria perspectiva para defender direitos, perspectivas e interesses dos chamados "loucos". Inclusive permite perceber como a palavra loucura e os rótulos de diagnósticos psiquiátricos são um instrumento social de fragilização que deveria ser evitado porque deixa de problematizar de forma legítima os embates sociais e os fecha/finaliza em uma relação de poder assimétrica. Também permite entender as razões políticas do sucesso dos "normais" ou a alta preferência por imitar os comuns e majoritários. Ou o fracasso social dos chamados "loucos", inclusive por meio de sabotagem e competição com os "normais". Quando alguém é diagnosticado ou chamado de louco isso é uma tentativa de ganhar ou finalizar um embate social e ensurdecer-se contra os argumentos do outro lado. A autocrítica que falta aos "normais" e psiquiatras/profissionais psi se origina da defesa das próprias perspectivas e interesses. A sociedade majoritária se une com as profissões psi para fragilizar aquilo que considera indesejável e isso é decidido politicamente. Se é decidido politicamente há um embate aberto e legítimo a ser feito.

quarta-feira, 23 de setembro de 2020

Capacidades humanas, medicalização e estimulação

 O que a psiquiatria chama de sintomas são exacerbações de características humanas ou capacidades humanas. O que a medicalização tenta fazer é reduzir a capacidade para sentir ansiedade por exemplo. Também é possível atuar na estimulação que ativa essa capacidade. Quando a medicina não se mostra eficaz para reduzir uma capacidade biológica se tenta vender uma tecnologia mais avançada como a farmacogenética. A insistência numa solução médica é grande da parte de médicos, pacientes e familiares. Já trabalhar a estimulação que ativa a capacidade mesmo que seja aumentada geneticamente e que mantém a ativação corporal é desconsiderada ou menos conhecida. É preciso uma boa dose de trabalho conceitual para levar em conta essa outra alternativa. O problema do entendimento estritamente médico é desconsiderar a estimulação e considerar a capacidade um mero lixo biológico. Se fosse apenas um lixo biológico para ser trabalhado as intervenções biomédicas solucionariam tais "sintomas". Mas a dificuldade continua e continua a fé nas soluções biomédicas transpondo a fé para o futuro que nunca chega.



sábado, 19 de setembro de 2020

A babaquice normopata: você representa um louco

A maneira mais fácil de identificar um normopata: ele comenta do nada que você é louco porque ele ouviu falar que você recebeu um diagnóstico e você não fez nada inapropriado. Tudo o que ele enxerga é que você representa um louco. Ele não consegue ver você como uma pessoa e nem como uma pessoa que merece respeito ou que tem alguma humanidade. Para ele você merece ser depreciado toda vez que ele entra em contato com você. Ele faz questão de se dirigir a você apenas para chamar você de louco. A única resposta apropriada a isso é ignorar a pessoa. Já que você não tem moral nenhuma para rebater pois vai faltar respaldo social.

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

setembro amarelo

Algumas reflexões sobre o setembro amarelo (nos limites do facebook)...
Há um grande desejo, manifesto em parte da sociedade, de que as pessoas não tirem suas vidas. Uma expressão disso é o crescimento, ano após ano, do interesse em estudar, discutir, divulgar e principalmente prevenir o suicídio, que no mês de setembro torna-se ainda mais evidente, por conta de uma campanha internacional que ficou conhecida como setembro amarelo.
Ano após ano o setembro amarelo vem ganhando força e expressividade, mais e mais pessoas vêm aderindo às propostas desenvolvidas por entidades diversas, como o CVV (Centro de Valorização è Vida), grupos de caráter mais acadêmico e/ou vinculados à universidade, organizações não governamentais e, principalmente, a ABP (Associação Brasileira de Psiquiatria), que se arroga a responsabilidade de ter trazido a campanha para o Brasil (o que parece dizer-nos algo sobre o caráter dessa campanha).
É certo que dar visibilidade ao fenômeno é necessário, todavia, de que maneira e qual visibilidade se pretende dar?
Sempre que se fala em suicídio (termo que para a grande parte das pessoas já traz, em si, uma conotação negativa, pejorativa), isso é feito a partir de uma determinada perspectiva, de uma certa concepção, que muitas vezes – principalmente quando estamos falando da popularização de um tema – não fica explícita, o que tem implicações para a própria compreensão desse tema.
Há várias formas de se compreender o suicídio, todas elas marcadas por momentos históricos e características sociais distintas, ou seja, todas elas produtos de uma cultura, numa dada sociedade, em um certo momento histórico, defendendo determinados interesses, queiram ou não, saibam ou não, explicitem ou não; aqueles que manifestam essas compreensões.
O que é mais visível nessas manifestações referentes ao setembro amarelo é que há, em grande parte das pessoas, principalmente aquelas que são leigas (ou quase) sobre o assunto, uma profunda boa vontade e intenção de ajudar, de forma voluntária e espontânea, partindo de suas crenças e concepções de mundo, de humano, de vida e de morte; sem pararem para pensar, muitas vezes, o que significa aquilo que estão defendendo e outras tantas vezes, fazendo coro com ideias que sequer sabem de onde vieram e a quais interesses compõem.
Vivemos em uma sociedade em que a morte em geral (e não só o suicídio) é um fenômeno do qual uma parte considerável das pessoas quer manter distância. Apesar de sua inevitabilidade, as pessoas querem que ela seja o mais tarde possível, para si e para seus próximos. Nessa sociedade, em que se quer ter distância da morte, busca-se, ao mesmo tempo, a manutenção da saúde e da vida a qualquer custo. Em uma sociedade em que a grande maioria quer viver o máximo possível e ser saudável, o que significa alguém tirar a própria vida? A interdição do suicídio aparece como algo premente, a valorização da vida deve ser a qualquer custo, agora, de qual vida!?
Deseja-se que as pessoas permaneçam vivas, não que elas possam ter uma vida que não lhes faça desejar a morte, a preocupação está muito mais em que elas não se matem do que nelas terem uma vida que seja digna de ser vivida.
O suicídio é historicamente um tabu porque ele faz emergir um conjunto de informações sobre a sociedade que não se deseja que venha à tona, já que explicita os melindres daquela sociedade. Assim, para se falar abertamente sobre o suicídio, sem expor esse conjunto de informações, é necessário atribuir-lhe determinadas características, que costumam reforçar um conjunto de concepções ideológicas acerca desse fenômeno, em geral aquelas que costumam encontrar nos próprios indivíduos as causas e os determinantes para que busquem suas próprias mortes, seja por conta de transtornos psíquicos (em geral explicados a partir de determinantes biológicos) ou de características psicológicas, reforçando assim o caráter individual desse fenômeno e velando o que nas relações que esses sujeitos estabelecem lhes produz o desejo de tirar suas próprias vidas.
Ao aparecer, ideologicamente, como uma questão de ordem individual (como uma parte considerável dos fenômenos sociais costumam aparecer), frequentemente patologizada, a forma de se lidar com o fato também toma esse mesmo caráter, assim, a questão deve ser resolvida no próprio indivíduo, por ele ou por quem possa impedi-lo, entretanto, as condições que lhe fazem desejar e buscar a própria morte permanecem intactas e ocultas.
Utilizam-se a terapia, os remédios e até mesmo as internações, produzem-se cartilhas para a prevenção, busca-se das mais diversas formas impedir que os sujeitos atentem contra si mesmos, mas a vida, as relações, as condições de existência, de saúde, de educação, afetivas,... Todas elas permanecem não apenas intocadas, como ocultas, causando naquele mesmo indivíduo e em um conjunto de outros indivíduos os mesmos desejos de não quererem vivê-las.
Nesse ano de 2016 a discussão tem tomado grandes proporções (significativamente maiores que nos anos anteriores), muitas matérias de jornal, muitas atividades nos mais diversos locais, muita gente envolvida, participando dessas atividades e compartilhando nas redes sociais o conjunto dessas iniciativas, muito apelo, tudo isso, na maior parte das vezes, motivado por um voluntarismo espontaneísta de fazer com que as pessoas permaneçam vivas, mas sem refletir criticamente sobre isso e sem se colocarem as questões acima expostas. São reproduzidas as visões hegemônicas sem qualquer questionamento, algumas vezes um tanto de informações que sequer são convergentes, mas o importante é dar visibilidade, é falar sobre, é fazer algo, não importa exatamente o quê, chegando ao ponto de um enorme conjunto de pessoas começar a disponibilizar seus celulares, whatsapp’s, chats privados e afins para escutarem e acolherem aqueles que estão sofrendo de alguma maneira, como se isso fosse, de fato, resolver alguma coisa. Essas concepções e compreensões acríticas, voluntaristas e espontaneístas, no final das contas, apenas contribuem para que a sociedade se mantenha como é, para que tudo permaneça como está, para que os problemas sigam sendo localizados nos indivíduos.
Na medida em que a mídia assumisse um papel crítico e parasse de reproduzir as concepções hegemônicas, em que os profissionais da saúde avançassem aos determinismos (principalmente biológico e psicológico) e explicitassem as contradições dessa sociedade, que as pessoas começassem a refletir sobre essas mortes para além dos indivíduos, que houvesse uma disposição em mudar radicalmente as condições de saúde e de vida das pessoas, então começaríamos a dar alguma visibilidade de fato a essa questão tão delicada e importante, não mais no sentido de ideologizar a realidade, mas no sentido de explicitá-la, para explicitar a necessidade de superação dessa sociedade em que a imensa maioria das pessoas vive em condições miseráveis para que uma ínfima quantidade tenha uma vida desejável. Entretanto, esperar que isso ocorra me parece um tanto ingênuo, a mídia está cumprindo seu papel, as ciências particulares estão cumprindo seus papéis, a ideologia está cumprindo seu papel... O setembro amarelo é isso, uma estratégia de visibilidade para ocultar onde de fato os problemas se encontram, com ampla participação das pessoas, para que todas se sintam colaborando... e estão... só não sabem exatamente para quê!
Não deve nos bastar manter as pessoas vivas, vivendo uma vida indesejável, que para se tornar suportável exige que, muitas vezes, lancem mão de vitaminas, fármacos e outras drogas, lícitas ou ilícitas. Ou nós extinguimos o capitalismo, ou ele seguirá nos matando, das mais diversas formas, entre as quais o suicídio.

Setembro amarelo: lembre-se que a vida muda

https://danjosua.blogosfera.uol.com.br/2018/09/06/setembro-amarelo-e-o-mes-da-prevencao-ao-suicidio-espere-a-vida-mudar/

Setembro amarelo: lembre-se que a vida muda... - Veja mais em https://danjosua.blogosfera.uol.com.br/2018/09/06/setembro-amarelo-e-o-mes-da-prevencao-ao-suicidio-espere-a-vida-mudar/?cmpid=copiaecola
Setembro amarelo: lembre-se que a vida muda... - Veja mais em https://danjosua.blogosfera.uol.com.br/2018/09/06/setembro-amarelo-e-o-mes-da-prevencao-ao-suicidio-espere-a-vida-mudar/?cmpid=copiaecola

quinta-feira, 17 de setembro de 2020

Restrição química como crueldade

Este raciocínio eqüivale a justificar o uso de drogas no lugar

das camisas de força, cordas ou correntes para imobilizar um pa-

ciente rebelde. A crueldade encontra-se menos no método do que no

resultado. O isolamento, a restrição física e a restrição química (com 

neurolépticos)  tiram as vítimas do contato com todos os reforçadores 

que tornam a vida significativa e preciosa; as drogas os transformam 

em zumbis e as celas acolchoadas os transformam em maníacos selvagens. 

Os dois tipos de punição colocam um fim a toda a aprendizagem, exceto

por várias formas de fuga e esquiva que servem como mecanismos

de contracontrole. Quando o poder das autoridades é grande demais

para represália ou fraude, a depressão assume o lugar.


Coerção e suas implicações - Sidman

terça-feira, 15 de setembro de 2020

A estética da degeneração mental

Juntando-se a avaliação estética de atitudes sociais com o modelo médico é comum socialmente se julgar uma pessoa mentalmente degenerada (doente mental) por não adotar atitudes esteticamente bonitas. Tamanho o grau de medicalização que ninguém mais pode desagradar, ser desaprovado, ir contra a corrente, adotar atitudes socialmente feias sem isso ser considerado o sintoma de algum defeito no cérebro. Uma atitude feia socialmente é apenas uma atitude feia socialmente. Não é necessário uma avaliação nazista da estética da degeneração mental no pacote. O grau de normalização exigido é altíssimo. Isso é resultado da cultura psi e de engenharia social.

segunda-feira, 14 de setembro de 2020

Scientific Breakthrough, or Broad-Based Delusion?

http://www.pnmedycznych.pl/wp-content/uploads/2014/08/pnm_2013_010-021.pdf

Scientific Breakthrough, or Broad-Based Delusion?

Medicalization of Depression, Anxiety, Schizophrenia, ADHD, Childhood Bipolar Disorder and Tantrums: Scientific Breakthrough, or Broad-Based Delusion?


Department of Psychology, Marshall University, USA Head of Department: Steven P. Mewaldt, PhDSummary

Clearly, a number of psychological and behavioral disorders arise within our biology. These include autism, Down’s syn-drome, those due to toxin exposure, metabolic and endocrine difficulties, and several others. In contrast, there is minimal re-search evidence to support biological origins of the vast number of common disorders such as depression, anxiety disorders, schizophrenia or child problems such as conduct disorders, attention deficit hyperactivity disorder (ADHD), childhood bipolar disorder, oppositional behaviors or tantrums. These disorders have been medicalized when, in the absence of supportive research evidence, they are said to be caused by genetic defects, chemical imbalances or other biological phenomena.The roots of contemporary medicalization in the U.S. are traced to two primary factors – psychiatry’s efforts to re-gain lost sta-tus, and profit motive in the pharmaceutical industry. Given that both psychiatry and the drug industry are global enterprises, medicalization threatens to escape the boundaries of the U.S. and spread to other nations. There are a number of unfortunate by-products of medicalization including patients’ feelings that there is less hope for improvement and increased community prejudice, when disorders are thought to be rooted in biology. Another by-product is that validated behavioral treatments may be overlooked, as drugs with unfortunate side effects become the treatment of choice. Research in support of biological causa-tion is discussed and found to be relatively weak. Efforts at pushback against medicalization are discussed.

Key words: medicalization, psychiatry, pharmaceutical industry, drug industry

Psychopathology According to Behaviorism: A Radical Restatement

 Psychopathology According to Behaviorism: A Radical Restatement

 https://revistas.ucm.es/index.php/SJOP/article/download/SJOP0404220171A/29234

Abstract

This article is a radical restatement of the predominant psychopathology, which is characterized by nosological systems and by its approach towards a neurobiological conception of the so-called mental disorders. The “radical” sense of this restatement is that of radical behaviorism itself. As readers will recall, “radical” applied to behaviorism means total (not ignoring anything that interests psychology), pragmatic (referring to the practical sense of knowledge), and it also derives from the Latin word for “root” (and thus implies change beginning at a system's roots or getting to the root of things, in this case, of psychological disorders). Based on this, I introduce the Aristotelian distinction of material and form, which, besides being behaviorist avant la lettre, is used here as a critical instrument to unmask the hoax of psychopathology as it is presented. The implications of this restatement are discussed, some of them already prepared for clinical practice.

[Artigo incrível]

domingo, 13 de setembro de 2020

The Marketing of the New Bipolar Disorder

The concept of bipolar disorder has undergone a transformation over the last two decades. Once considered a rare and serious mental disorder, bipolar disorder is being diagnosed with increasing frequency in Europe and North America, and is suggested to replace many other diagnoses. The current article shows how the modern concept of bipolar disorder has been created in the course of efforts to market new antipsychotics and other drugs for bipolar disorder, to enable these drugs to migrate out of the arena of serious mental disorder and into the more profitable realm of everyday emotional problems. A new and flexible notion of the condition has been created that bears little resemblance to the classical condition, and that can easily be applied to ordinary variations in temperament. The assertion that bipolar disorder is a brain disease arising from a biochemical imbalance helps justify this expansion by portraying drug treatment as targeted and specific, and by diverting attention from the adverse effects and mind-altering properties of the drugs themselves. Childhood behavioural problems have also been metamorphosed into “paediatric bipolar disorder,” under the leadership of academic psychiatry, with the assistance of drug company financing. The expansion of bipolar disorder, like depression before it, medicalises personal and social difficulties, and profoundly affects the way people in Western nations conceive of what it means to be human.

https://journals.sagepub.com/doi/10.1177/1363461514530024?url_ver=Z39.88-2003&rfr_id=ori%3Arid%3Acrossref.org&rfr_dat=cr_pub++0pubmed&

 

quinta-feira, 10 de setembro de 2020

A reforma psiquiátrica e seus críticos: doença mental

A reforma psiquiátrica e seus críticos:considerações sobre a noção de doença mental e seus efeitos assistenciais
[Artigo incrível resumido]

Além de desqualificar serviços sem prova empírica, essa afirmação se baseia na ideia de que os profissionais dos serviços de base comunitária pensam que o padecimento do paciente é apenas uma situação social. Os CAPS, de fato, levam muito em conta os aspectos sociais implicados no adoecimento psíquico, como os laços sociais e familiares, a relação com a vizinhança, os vínculos de trabalho e cooperação, as trocas amistosas e amorosas. A razão disso, ao lado da defesa da cidadania devida a todos, é que os laços sociais podem ser foco de tensão e desestabilização, mas também podem se tornar fatores protetores, evitando o agravamento, ajudando na recuperação e no cuidado. Entretanto, esse entendimento não desconsidera os aspectos individuais, sejam eles biológicos ou psicológicos do adoecimento.

Acreditamos que o debate sobre política de cuidados psiquiátricos no Brasil possui pressupostos sobre a noção de patologia mental que não estão explicitados. 

Uma das questões centrais da crítica à reforma no Brasil baseia-se na ideia de que os hospitais psiquiátricos são imprescindíveis na composição da rede de saúde mental. Como o processo de reforma contesta essa ideia e vem gradativamente reduzindo o tamanho e o número de hospitais (BRASIL, 2011, p. 16), logo estaria havendo desassistência e “despsiquiatrização” (ABP, 2006, p. 21-23). Esse argumento é, por assim dizer, defensivo. Pretende defender uma estrutura de tratamento, visto como local privilegiado da terapêutica e do ensino. Essa defesa, em geral, se segue uma estratégia de ataque. O alvo desse ataque são os serviços que estão ocupando o posto estratégico na organização da rede assistencial e atendimento a casos graves, que antes da reforma seguiam para hospitais psiquiátricos, os centros de atenção psicossocial (CAPS). 

A diferença fundamental com relação ao modelo centrado no hospital psiquiátrico é que a gravidade sintomática não é considerada um fator impeditivo para o uso de um serviço comunitário aberto, visando à reinserção social possível ao lado do tratamento farmacológico e psicológico disponível. 

Estruturas hospitalares com grande número de leitos tendem a gerar exclusão, estigma, exposição à violência, longo tempo de internação e baixo potencial terapêutico (CFP; OAB, 2004). O foco da assistência concentra-se quase que exclusivamente na medicação, muitas vezes de forma excessiva, além do uso errático de estratégicas psicossociais e ausência de projetos terapêuticos individualizados e consistentes.2 

Entretanto, a defesa do hospital psiquiátrico como local de atendimento, ensino e pesquisa é desprovida de justificativas científicas. Embora não haja estudos profundos sobre o tema, nada impede que os serviços de base comunitária possam suprir a demanda por formação, pesquisa e treinamento, e com maior capilaridade no território nacional. Mais importante que o hospital especializado é a equipe de trabalho coesa, a complexidade do ambiente terapêutico, a disponibilidade de medicamentos, a prontidão do acolhimento e o respeito integral aos direitos de cidadania que definirão a qualidade da assistência e do ensino. 

Hoje, um dos principais problemas da psiquiatria concerne à validade de determinadas categorias diagnósticas, sendo um tópico discutido intensamente pelos profissionais sem obtenção de consenso. A acalorada discussão sobre o DSM-V demonstra a dificuldade. Associado a isso, estudos indicam a probabilidade muito grande de diagnósticos falso-positivos em testes de screening (rastreamento de diagnósticos), principalmente em crianças (HORWITZ; WAKEFIELD, 2009). O risco apontado é que muitos diagnósticos seriam equivocados, gerando estigma e medicalização sem nenhuma garantia de benefícios cientificamente reconhecidos. Esse risco seria ainda maior com questionários simplificados e padronizados na atenção primária. Em resumo, as propostas de mudanças do modelo assistencial preconizadas pela ABP mostram-se redundantes ou inconsistentes. Defende-se a manutenção de um local de tratamento que mostrou seu esgotamento, enquanto se aponta para a criação de serviços alternativos já existentes. Criticam-se equipes e serviços sem conhecer seu funcionamento efetivo. E afirmam-se pontos de vista sem justificá-los científica ou filosoficamente.

Os avanços nas pesquisas em neurociências são importantes para o conhecimento de aspectos fundamentais dos transtornos mentais e tem avançado rapidamente. Entretanto, a afirmação acima, defendida como um princípio contém problemas que necessitam ser explicitados, pois, caso contrário, corremos o risco de começarmos a fazer afirmações ideológicas, chamando-as inapropriadamente de científicas.

[Neurociências] É um campo de pesquisa novo, multiforme e ainda não coeso (MALABOU, 2004). Mesmo assim, os autores se referem às neurociências como um campo homogêneo, passando ao largo das dificuldades próprias dos pesquisadores da área.

Um dos princípios contido em “Diretrizes” afirma que a prática psiquiátrica deriva de “conhecimentos científicos que foram se construindo na base de estudos científicos rigorosos”, sendo que esses estudos “contrastam e se opõem às interpretações discursivas e impressionistas dos fenômenos psíquicos e dos problemas do funcionamento mental” (ABP, 2006, p. 7). Embora se afirme também que “é tarefa da Psiquiatria Científica e da sua pesquisa, bem como de outras especialidades médicas e de outras ciências da saúde e do homem, investigar suas causas, diagnósticos e tratamentos mais efetivos e seguros” (ABP, 2006, p. 7), as ciências do homem, contraditoriamente, estão excluídas do processo, pois seus estudos científicos são baseados em narrativas e interpretações discursivas. Não poderia ser de outro modo.

Da mesma forma, o que seria uma psiquiatria científica? Ela se oporia a uma psiquiatria discursiva? As pesquisas de causas de doenças mentais e seus tratamentos estariam restritas a uma única descrição dos fatos mentais? Os autores das “Diretrizes” não explicitam até que ponto a investigação da rede causal dos problemas psíquicos está sendo levada em conta. Se a causalidade considerada válida se concentra apenas no nível biológico ou se a rede causal deve ser ampliada a uma gama mais ampla de causalidades possíveis. Em resumo, os autores não deixam claro quais são suas próprias redes de crenças sobre o mental.

Existem duas questões embutidas na afirmação acima. A primeira diz respeito aos fatores determinantes dos transtornos mentais. A segunda questão é sobre a relação entre cérebro e psiquismo. Observemos melhor cada um desses pontos. Com respeito à primeira questão, quando falamos em doença, quando a descrevemos, catalogamos, explicamos suas origens e propomos tratamentos, estamos falando de uma experiência antropológica. Dentro dessa perspectiva, a doença é sempre uma produção humana, ela só existe sob descrição, como narrativa que visa a determinados fins em uma dada comunidade e em determinado contexto histórico.

A doença mental, nessa concepção (de Canguillhem), seria uma variação biológica e comportamental na experiência com o mundo e consigo mesmo que, sendo pouco normativa, impede o sujeito de variar suas respostas, empobrecendo seu repertório de ações e constrangendo a subjetividade na sua capacidade de ação. A experiência do adoecimento mental é, por assim dizer, o fiel da balança. É essa experiência que aponta para o pathos, em que a narrativa do paciente sobre seu adoecimento possibilita que a clínica se construa. Toda explicação científica repousa sobre essa experiência e sobre a relação clínica. É em função dessa experiência que as descrições psiquiátricas e as teorias causais se fundamentam. A enfermidade psíquica só é identificada como doença após a percepção da dificuldade normativa ter se estabelecido na consciência de quem sofre e devido à incapacidade de variar suas respostas comportamentais em decorrência da infidelidade do meio. Ela não é, portanto, nem uma entidade prévia à experiência de constrangimento vital de um indivíduo, nem um dado bruto da realidade independente da descrição realizada, descrição essa informada por valores e crenças.
 
O problema central, entretanto, repousa na concepção subjacente de que os únicos estudos válidos para a prática psiquiátrica são os que advêm da biologia molecular, da neuroimagem e da genética. Está implícita nessa ideia a crença de que podemos dispensar abordagens discursivas do sofrimento mental sem perdas significativas. Esse é um princípio propriamente fisicalista e reducionista, que defende que a única teoria psiquiátrica válida é aquela que descreve as patologias mentais como alterações cerebrais. Há nessa vertente um enfoque exclusivo no cérebro, não apenas como órgão privilegiado de estudos e intervenção, mas como entidade que explicaria todo e qualquer evento mental normal ou patológico. Está implicada nessa posição a crença de que podemos abrir mão da aproximação do sofrimento mental através da linguagem psicológica, fenomenológica, psicanalítica ou sociológica da causalidade baseada em narrativas, em prol de descrições puramente fisicalistas. Essa maneira de abordar o adoecimento mental caracteriza-se pela busca de explicações causais dos problemas mentais exclusivamente através da descrição de alterações neuronais e genéticas. Seu pressuposto é o de um materialismo ontológico e reducionista (Cf. SERPA JR, 1998; BRENDEL, 2006; GHAEMI, 2003; RAMBERG, 2008). Vejamos melhor por que diversos autores criticam essa abordagem.

O materialismo ontológico-reducionista na psiquiatria pressupõe que possamos reduzir a mente ao cérebro, isto é, preconiza que tudo o que podemos dizer sobre a subjetividade através do vocabulário psicológico-narrativo pode ser formulado através do vocabulário neuronal-científico, o único que realmente tem a chave explicativa para os fenômenos mentais. As abordagens baseadas em narrativas são consideradas descrições subalternas porque o que está em jogo, de fato, é o constituinte físico do comportamento. Nesse tipo de descrição fisicalista, se buscaria uma identidade tipo a tipo (identidade type-type) entre a descrição neuronal e a mental, isto é, eventos mentais se relacionariam a eventos cerebrais de maneira específica, circunscrita e unicausal. A mente, nas suas diferentes expressões, seria um efeito do cérebro. Portanto, as teorias sobre fenômenos psíquicos descritas no vocabulário subjetivo errariam o alvo, porque buscariam nessas expressões imprecisas e superficiais as causas patológicas que, na verdade, estariam no nível mais profundo, o nível neuronal, genético ou molecular.

Entretanto, para pensamentos, sentimentos, sensações e afetos tais como o prazer, dor, angústia, delírio ou depressão faltam eventos cerebrais delimitados correspondentes (BRENDEL, 2006, p. 87). Mesmo que observemos áreas cerebrais ativadas com determinada emoção ou cognição, não podemos afirmar que a causalidade é sempre cerebral, mas apenas que ela é concomitante ao evento. Existem evidências de eventos cerebrais alterando a subjetividade, assim como eventos interpessoais alterando padrões neuronais (FUCHS, 2012). Mas, em geral, o surgimento de emoções, sentimentos e pensamentos é contextual e relacional, ocorre com um indivíduo na relação com um meio que é específico, marcado por sua biografia (KIRMAYER; GOLD, 2012). Com isso podemos dizer que o cérebro é necessário e concomitante ao evento, mas não que ele explica ou causa o evento.

Como mostra Ramberg (2008), os vocabulários utilizados nas descrições da subjetividade e do cérebro são muito diferentes. Vocabulários são construídos diferentemente porque possuem propósitos diversos, suas proposições lidam com problemas que são descritos com mais eficácia naqueles termos e não em outros. Embora seja logicamente aceitável, e até provável, que eventos mentais sejam concomitantes a eventos cerebrais e vice-versa, descrever exclusivamente os problemas mentais como alterações cerebrais pode ser uma maneira de enfatizar o lado errado da equação. Pode ser apenas uma maneira de interromper o diálogo clínico, sendo que esse diálogo só poderá ser adequadamente construído sobre um contexto que se baseia em narrativas, interpretações e abordagens “impressionistas”.

É toda essa estrutura contextual e relacional que se perde ao reduzir a descrição mental à descrição neuronal. E essa perda implica uma psiquiatria amputada de suas características humanistas e uma equiparação indevida do indivíduo ao seu cérebro. Além disso, a abordagem fisicalista-reducionista dispensa a possibilidade de níveis hierárquicos de organização do mental, pelos quais diferentes estratos de organização possuiriam regras de causalidade próprias. Como mostram Kirmayer e Gold (2012) e Fuchs (2012), a base neuronal serve de apoio e precede cronológica e logicamente organizações mentais fenomenológicas, simbólicas e linguísticas, que por sua vez organizam formas de sociabilidade complexas. Os autores defendem, portanto, que a melhor maneira de compreender os fenômenos mentais deve englobar sistemas hierárquicos que envolvem o cérebro, a linguagem e a sociedade. Cada sistema emergindo com a complexificação do sistema anterior, com funcionamentos específicos e influenciando-os reciprocamente (KIRMAYER; GOLD, 2012; SERPA JR, 2011).

Essa maneira de estudar o fenômeno mental e a doença psiquiátrica leva em conta os vários níveis de complexidade e a forma como eles interagem. As dimensões genéticas e neuronais produzem a abertura para o simbólico e o social. Cada sistema opera num nível ontológico próprio, que descrevemos com mais ou menos acurácia pragmática. E cada sistema afeta o outro em algum nível de profundidade. Os processos epigenéticos, pelos quais o ambiente modula e altera a expressão dos genes, e os fatores sociais, culturais, familiares e simbólicos que expõem vulnerabilidades herdadas disparando processos psicopatológicos, são exemplos dessa inter-relação. Embora, evidentemente, existam processos que são descritos e manejados dentro de determinado nível com grau importante de clareza e perícia, de maneira suficiente e independente (KIRMAYER; GOLD, 2012). As patologias mentais envolveriam processos neurobiológicos (genes, moléculas e neurônios), corporais (fenomenológico-intencionais) e simbólicos (interpessoais e sociais) numa interação complexa e circular.

Nosso ponto de vista é que estudos neurobiológicos não se opõem às interpretações discursivas. É aceitável um materialismo metodológico, isto é, a redução, para estudo empírico e circunstancial, do sujeito humano a uma descrição fisicalista com vistas à produção de um discurso que vise estudar e manejar comportamentos com alto grau de sofrimento. A abordagem biológica, na perspectiva do materialismo metodológico, é uma possibilidade descritiva como qualquer outra. É um procedimento útil e interessante, mas que não elimina outras abordagens do fenômeno psíquico.

O materialismo não-reducionista pressupõe que sem a narratividade, sem a descrição do sofrimento em termos psicológicos, ocorreria uma indesejável restrição descritiva. Termos como “desejos”, “crenças” e “fantasias” são constitutivos da rede linguística que nos estrutura, mas são fundamentais não apenas porque sua eliminação levaria ao empobrecimento subjetivo, mas porque impossibilitaria fazer uma boa clínica.

No início deste trabalho, ressaltamos a frase crítica das “Diretrizes” dirigida à atual política de saúde mental, em que a palavra “realmente” era colocada no contexto de que alguns profissionais tratam mais do que outros, isto é, aqueles que “realmente” tratam. Esse, digamos, é um implícito não pensado, e pernicioso. Se tivermos seriedade na discussão sobre a rede causal dos problemas mentais, portanto, de influências complexas e circulares na produção dos transtornos mentais, deixa de fazer sentido a prioridade de um ramo de conhecimento e de investigação sobre outro. Quem trata? Todos que se inserem nas relações de um paciente com seu mundo subjetivo e objetivo produzindo alterações na ampla rede causal: neuronal, fenomenal, simbólica e social.

Finalmente, é fundamental considerar que, historicamente, a psiquiatria se constituiu como uma tentativa de nunca pronunciar a incurabilidade de um paciente (GAUCHET; SWAIN, 1999), de nunca renunciar ao potencial saudável da mente de cada indivíduo. A psiquiatria nasceu como um produto das melhores esperanças utópicas. Portanto, os serviços postos em marcha pela reforma, dentro dessa perspectiva, devem ser considerados os legítimos herdeiros da melhor tradição pineliana.

segunda-feira, 7 de setembro de 2020

O que seleciona a psiquiatria biológica?

Algumas reflexões tentando relacionar as práticas da psiquiatria biológica com o conceito de metacontingências:

Conceito de metacontingência: (contingências entrelaçadas recorrentes + produto agregado) -> Seleção

Contingências entrelaçadas recorrentes: práticas da indústria farmacêutica, dos hospitais psiquiátricos e da indústria de equipamentos médicos.

Produto agregado: serviços médicos, medicalização, ingestão de drogas psiquiátricas, internações psiquiátricas e sessões de eletroconvulsoterapia.

[Seria preciso uma análise muito mais minuciosa das relações contingentes entre eventos]

Acredito que as intervenções relacionadas à psiquiatria biológica ou modelo biomédico na saúde mental são práticas sociais selecionadas (consumida por pessoas) porque os problemas de sofrimento psicológico ou de comportamento não são resolvidos de outras maneiras e no desespero as pessoas fazem qualquer coisa para tentar resolver seus problemas. A assimetria de informação (conceito da economia) sobre os possíveis riscos de medicalizar o sofrimento psicológico ou comportamentos e da ineficácia das drogas psiquiátricas também é um fator importante no consumo de serviços médicos psiquiátricos.

Mesmo quando os problemas são resolvidos o discurso psiquiátrico ainda ameaça de ruína quem não seguir cegamente os conselhos dos médicos psiquiatras (ameaça de cronificação, morte e marginalização). Essa prática social é organizada devido à renda previsível e estável fornecida pelo cliente a longo prazo e é selecionada porque há assimetria de informação (conceito da economia) sobre a necessidade de uso contínuo do serviço médico.

Aquilo que leva a ganhar dinheiro tem forte impacto selecionador de práticas sociais. Logo, práticas sociais são organizadas visando o lucro em primeiro lugar em detrimento de práticas mais sóbrias e éticas. 

A organização de práticas sociais sociais visando o lucro por parte dos psiquiatras biológicos é demonstrada no livro Psiquiatria sob influência do autor Robert Whitaker. 

A prática de medicar ao invés de fazer psicoterapia é selecionada pois é possível fazer consultas mais curtas e em maior quantidade e também cobrar mais pelas consultas. Também porque com a prática privativa de prescrever medicamentos, internações psiquiátricas e eletroconvulsoterapia sendo uma atribuição somente do médico é possível fortalecer e manter a assimetria de informação (conceito da economia).

A prática de banalizar internações psiquiátricas é selecionada devido ao alto custo do procedimento. Também a prática da eletroconvulsoterapia é selecionada devido ao alto custo do procedimento e do equipamento.

A corrupção envolvida na organização dessas práticas e o resultado ineficaz/prejudicial está sendo atualmente bastante denunciado por profissionais e pessoas prejudicadas. Esses resultados ineficazes e prejudiciais constituem uma ferida social não resolvida. Profissionais ou pessoas afetadas buscam justiça e trabalham para que essas práticas sejam menos consumidas ou para que a organização das práticas sejam mais éticas. A tendência histórica é fazer o mesmo que foi feito com a indústria do tabaco (fumo).

Observação:

As práticas psi (psiquiátricas e psicológicas) de controle social são selecionadas (consumidas) porque é do interesse de pessoas envolvidas (os pacientes, os familiares ou outra subcategoria da classe pessoas) ajam de maneira socialmente esperada segundo os critérios dessas pessoas ou critérios gerais da sociedade.

As práticas psi (psiquiátricas e psicológicas) também são selecionadas (consumidas) visando eficiência e competência no manejo de situações e emoções.

domingo, 6 de setembro de 2020

Possíveis usos do blogue

- Formação de profissionais e diálogo entre profissionais de diferentes áreas

- Superar assimetria de informação entre profissionais e clientes; melhor escolha de profissionais

- Faça você mesmo: entender os assuntos por si mesmo para resolver problemas sozinho; lidar com familiares e profissionais

- Aumento de influência política e social desse tipo de conhecimento; formação de usuários e ex-usuários

terça-feira, 1 de setembro de 2020

O reforçamento positivo em instituições

Aqueles que representam ameaças para si mesmos ou para a

sociedade em geral, freqüentemente, são entregues às instituições.

Ali, permitimos a eles apenas relações sociais limitadas, privamos os

mesmos de liberdade de movimento e de oportunidades de tomar

decisões; proibimos, ainda, a maioria das comodidades que eles

desfrutariam no mundo exterior. Freqüentemente justificamos estas

instituições como instrumentos para mudanças benéficas: "escolas"

para deficientes supostamente ensinam a seus alunos novas habili-

dades para ajudá-los a superar suas limitações, "hospitais" para

doentes mentais supostamente curam-nos, "instituições" correcio-

nais supostamente reabilitam infratores.

Entretanto, a localização destas instalações em áreas relati-

vamente despovoadas e de difícil acesso (pelo menos inicialmente,

antes que as cidades ou subúrbios tenham crescido à sua volta)

indicam o que realmente pretendemos com elas. Espera-se que elas

mantenham o retardado, o louco e o criminoso fora de circulação.

Entregamos estas instalações "humanas" a membros de profissões

assistenciais — médicos, enfermeiros, psicólogos, analistas do com-

portamento, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, professores, assistentes

sociais e funcionários penitenciários — e lavamos nossas mãos dos

problemas.

Seu isolamento geográfico, seus muros, grades, portões e

torres de segurança e a tendência pública de ignorar o simples fato

de sua existência deixam essas instituições quase que completamen-

te sem controle externo. Sejam quais forem os impulsos humanitá-

rios que possam de início ter gerado seu estabelecimento, sua isen-

ção da obrigatoriedade de prestar contas ao público transforma a256

Murray Sidrrvan

maioria delas em um pouco mais dos que depósitos para os social-

mente desajustados. As prioridades imediatas das equipes de fun-

cionários, a conveniência administrativa, a docilidade do interno e a

obediência às normas e regulamentos substituem os objetivos edu-

cacionais, terapêuticos ou correcionais de longo prazo. A coerção

torna-se a técnica preferida para fazer os internos "se comportarem".

Uma instituição que funciona principalmente para o benefí-

cio do corpo de funcionários dá pouca importância aos nocivos efei-

tos colaterais da coerção. Desta forma, encontramos a predominân-

cia da coerção no tratamento de pessoas retardadas, dos doentes

mentais e de criminosos de todos os tipos. Quando a pressão públi-

ca ou judicial por reforma surge efetivamente, ela é efêmera e geral-

mente ineficaz, já que concentra a atenção nas instalações físicas e

nos procedimentos administrativos. Raramente uma investigação

avalia de fato a racionalidade e a aplicação das técnicas de controle

do comportamento. Por causa da incompreensão e da incompetên-

cia, alguns dirigentes institucionais e membros das profissões assis-

tenciais deturpam e alteram o conceito de reforçamento, tornando-o

irreconhecível, tentando transformar até mesmo o reforçamento po-

sitivo em um instrumento de coerção.


Coerção e suas implicações - Sidman

segunda-feira, 31 de agosto de 2020

Mídia e corporações

 A imagem pode conter: texto que diz "0 propósito da mídia não é de informar o que acontece... ...mas sim de moldar a opinião publica de acordo com a vontade do poder corporativo dominante. NOAM CHOMSKY"

Caridade prejudicial / incapacidade / socialismo

Caridade. A inerente coercitividade da competição está sufi-

cientemente clara. Um resultado de competitividade desenfreada é o

nosso mundo partido em possuidores e despossuídos, uma estrutu-

ra que agora se prova instável. A caridade institucionalizada e priva-

da e as "redes de segurança" governamentais tentam prover níveis

mínimos de apoio para os mais severamente privados, mas eles nem

impediram o alargamento da lacuna econômica nem reduziram a

ameaça de instabilidade social.

Uma solução muito defendida para o problema de uma socie-

dade dividida em dois é impor a igualdade por meio da redistribui-

ção de toda a riqueza e recursos. Esta proposta toma uma de duas

formas, ambas coercitivas: uma é simplesmente tomar todas as pos-

ses das duas metades e dividi-las entre os despossuídos; a outra é a

pesada taxação pelo governo, o suficiente para prover estabilidade

para todos. Aqueles que exigem uma destas soluções não as pensa-

ram até seus resultados finais.

Redirecionar o desequilíbrio atual confiscando e redistribuin-

do, embora possa apelar para o sentido de justiça de alguns, não

produzirá estabilidade. Dada a continuidade da competitividade,

apenas veríamos ciclos repetitivos de concentração e subseqüente

redistribuição forçada de riqueza. Quais são as contingências aqui?

Vencer, embora seja recompensado de início, é finalmente punido;

perder, embora punido de início, é finalmente recompensado. Uma

conseqüência destas contingências serão ondas crescentes de opressão severa

crescente por parte daqueles que ganharam tudo e desejam mantê-lo e

contramedidas crescentemente violentas por parte daqueles que nada têm a

perder.

Tais ciclos de ganho e perda, perda e ganho simplesmente manteriam

eternamente os grupos em disputa, primeiro um dominando e, então, o outro.

Quão freqüentemente vimos este processo se repetindo no terreno da

propriedade? O governo se apropria de toda a terra e a devolve para "o

povo" — os pequenos agricultores. Não demora muito e alguns agricultores

ganharam tudo para si e mais uma vez o governo e os ricos experienciam

ataques violentos de proponentes revolucionários da reforma agrária.

Podemos ver um processo semelhante se iniciando em nossas cidades, onde

a falta de moradia popular está levando governos locais a impor pressões

confiscatórias contra proprietários de terra. A ferramenta coercitiva produzirá

apenas uma nova geração de monopolistas, aqueles que pegaram as menores

parcelas e a juntam novamente para seu próprio beneficio.

A política governamental de bem-estar, que pretende eliminar pelo

menos os extremos de riqueza e pobreza, acabará em uma sociedade dividida

em dois de um outro tipo, não mais satisfatória e produtiva e provavelmente

não mais estável que a atual. Já podemos ver os primeiros resultados da

segurança econômica, habitacional e de saúde que é provida

independentemente de qualquer coisa que o indivíduo faça ou deixe de fazer

— o que quer dizer, sem relação contingente entre conduta e conseqüência.

O que se supõe vir a ser uma sociedade sem classes está a meio caminho de

tornar-se uma nova estrutura de dois níveis, hospedeiro e parasita,

freqüentemente visto na natureza, mas raro, em grande escala, entre humanos.

Isto não é um julgamento de valor, nem um ataque ao liberalismo (nome do esquerdismo nos EUA). 

É uma conclusão que a análise do comportamento torna inevitável. Um estado

de bem-estar viola a primeira lei da conduta: o que as pessoas fazem é ditado

pêlo que acontece. Naturalmente, outros fatores modulam esta primeira lei;

conseqüências não agem isoladamente. Mas, é freqüentemente revelador

examinar projeções que não reconhecem como fontes de interferência os

processos básicos de reforçamento. Tais análises podem ser úteis por nos

mostrar para onde nos dirigimos se não modificarmos as contingências.

N o futuro , sem intervenção , quais são os dois níveis a serem

esperados do compartilhar não-contingente de todos os recursos da

comunidade e como surairão estes dois níveis? Um lado da socieda

de do bem-estar conterá produtores, ou outro, parasitas. Pessoas da

classe trabalhadora irão se engajar interativamente em seu ambien-

te, mudando-o, deixando nele sua marca, construindo repertórios de

conduta variados em resposta às contingências naturais e sociais;

os trabalhadores levarão vidas produtivas e potencialmente satisfa-

tórias. Aqueles da classe de parasitas receberão tudo em troca de

nada, recostados com suas bocas abertas à espera de alimento, não

interagindo com e, até mesmo, alienados de seus ambientes; os

parasitas permanecerão infantis e não-produtivos. Este bem conhe-

cido problema familiar, a criança mimada, há de se generalizar para

toda uma sociedade.

Parasitas, com suas necessidades básicas satisfeitas, têm

pouco incentivo para mudar. Por que ser um produtor quando ou-

tros estão dispostos a fazê-lo por você? Por quanto tempo os produ-

tores vão se manter produtivos nestas circunstâncias? Por quanto

tempo vão se manter dispostos a dividir, quando virem os frutos de

seu trabalho desviado para aqueles que os obtêm simplesmente pa-

rando e esperando? A relação é inerentemente instável.

Problemas que se originam de acesso desigual aos recursos

do mundo não serão resolvidos aplicando-se medidas cada vez mais

severas para manter os despossuídos em seu lugar ou, simplesmen-

te, entregando-lhes uma parte. Ambas as soluções abordam o pro-

blema ao contrário, tentando impedir contra-reações, seja eliminan-

do os despossuídos, seja reforçando a passividade. Vimos que tenta-

tivas para eliminar comportamento são finalmente autoderrotadas.

Caridade não-contingente pode ser igualmente devastadora, tornan-

do doadores em hipócritas e recebedores em seres vegetativos.

A satisfação de nossas necessidades independentemente do

que quer que seja que façamos ou deixemos de fazer tornar-nos-á

essencialmente sem comportamento. Contingências ambientais ge-

ram novo comportamento; quando nossos atos produzem conse-

qüências, nós aprendemos. Quando essas conseqüências vêm inde-

pendentemente do que quer que seja que façamos ou deixemos de

fazer, nós ou não conseguimos aprender ou aprendemos, na realida-

de, a fazer nada.

Embora seja sensato e, freqüentemente, satisfatório compar-

tilhar os frutos do sucesso com os menos afortunados, está longe de

ser càritativo tornar este compartilhar não-contingente. Doar cega-

mente, em nome do humanitarismo, garante que aqueles que preci-

sam de caridade porque não têm capacidades produtivas manter-se-

ão incapazes. Não importa quão desagradável consideremos a noção

de controlar os outros por meio de doação contingente, nós os con-

trolamos de qualquer modo—inadvertidamente, mas da mesma forma efetivamente

—por meio de caridade que não está relacionada a qualquer coisa que eles aprendam

ou consigam fazer. A caridade não-contingente produz e perpetua a pobreza.

Portanto, a caridade em si mesma não prove solução para os problemas

que a coerção competitiva coloca. Manter as pessoas sem comportamento não é

um favor para elas, as destrói. Uma classe social definida por incompetência e

ignorância, com a conseqüente inabilidade de seus membros para deixar essa classe

ou mesmo para se sustentarem a si mesmos dentro dela, finalmente tornará o

restante da sociedade ressentido. Tendo sido forçados, em nome da humanidade, a

se manterem no mesmo estado que os torna objetos de caridade, eles finalmente se

tornam alvo de hostilidade e repressão.


Coerção e suas implicações - Sidman

Drogas psiquiátricas e restrição química (coerção)

 A sociedade também pratica ou sustenta outras formas de contracon-

trole, nem todas elas justificáveis como medidas protetoras. Nas

instituições, onde a pressão pública reduziu enormemente o uso de

restrição física para controlar o retardado ou o psicótico, restrição

química é ainda praticada extensivamente. Drogas têm substituído a

camisa de força como uma maneira de controlar pacientes que não

colaboram.

Pacientes institucionalizados que mostram distúrbio visível

— talvez justificado — com relação à alimentação, a programas

terapêuticos ou à dignidade de suas interações com a equipe prova-

velmente receberão drogas "para acalmá-los". E uma vez que uma

droga se demonstre bem-sucedida em tornar o paciente cooperativo

é improvável que alguém faça mais tarde um teste para determinar

se a dose é muito alta ou se a droga ainda é, de todo, necessária.

Drogas psiquiátricas são, elas mesmas, uma técnica de contracon-

trole particularmente útil para terapeutas que são incapazes de ou

que não estão dispostos a identificar as causas ambientais da con-

duta que supostamente devem tratar.


Não-cientes de que técnicas comportamentais estão

disponíveis, médicos desesperados recorrem à restrição química

como uma última medida de contracontrole.


Coerção e suas implicações - Sidman

domingo, 30 de agosto de 2020

Consciência forte, conservadorismo e rejeição da singularidade/criatividade

Assim como o animal de laboratório, que gasta todo seu tem-
po esquivando-se de choques, pessoas que têm uma consciência forte
podem andar em um curso estreito. Elas obedientemente fazem o
que é esperado, raramente tentando algo novo. Elas são confiáveis,
corajosas, transparentes e reverentes. Junto com estas inquestioná-
veis virtudes pessoais, entretanto, elas freqüentemente consideram
criatividade uma coisa perigosa, desaprovando-a em si mesmas e nos
outros. Elas freqüentemente consideram a singularidade perturbadora;
ação, crença ou aparência não-convencionais ameaçam sua seguran-
ça. E quando as condições mudam, quando a sociedade relaxa algu-
mas contingências e estreita outras, elas freqüentemente são incapa-
zes de adaptar-se; mudanças as ultrapassam. Estes subprodutos
infelizes de coerção "efetiva" também devem ser esperados quando a
comunidade constrói consciências individuais por meio de punição.

Se frutos proibidos continuam a nos atrair, a comunidade
haverá de nos considerar como tendo consciência fraca e sendo,
portanto, perigosos. Mesmo sem burlar a lei, podemos nos descobrir
com problemas. Simplesmente adotar um estilo de vida incomum
pode nos colocar em conflito com a comunidade mais ampla; ela
considera o diferente como não-confiável. Também podemos nos
sentir em guerra conosco quando somos fortemente tentados a fazer
coisas que aprendemos a chamar de "ruins" ou "perigosas", ou
quando nos descobrimos realmente "indo contra nossa consciência".
Não apenas a comunidade deixa de confiar em nós porque não
podemos nos controlar, mas é provável que não confiemos ou que
desprezemos a nós mesmos. Estas características distintivas de de-
sordens de personalidade e de neuroses são subprodutos adicionais
das práticas coercitivas que a comunidade usa para estabelecer a
consciência individual.

Coerção e suas implicações - Sidman

Loucura dos não loucos (Foucault)

 "Os homens são tão necessariamente loucos que não ser louco significaria ser louco de um outro tipo de loucura." Pascal, Pensamentos, apud Foucault, História da loucura.

sexta-feira, 28 de agosto de 2020

Ajustar relógio biológico com exercício

 https://www.runnersworld.com/news/a26590745/exercise-body-clock/

Eles descobriram que o exercício é às 7h ou entre 13h e 16h00 avançou o relógio biológico o suficiente para que as pessoas pudessem iniciar as atividades no dia seguinte. Isso significa que eles se sentiram mais revigorados e prontos para malhar mais cedo depois de acordar. Em contraste, exercitar-se à noite entre 19h00 e 22:00 atrasou o relógio biológico, o que significa que eles tiveram mais dificuldade em chegar ao modo de desempenho máximo até mais tarde no dia seguinte. Então, eles se sentiram mais lentos e propensos à soneca ao acordar pela primeira vez, mas tiveram energia depois.

quinta-feira, 27 de agosto de 2020

O que é "anormal"?

O que é "anormal"?


Já deveria ser evidente que a crise comportamental é um

resultado direto de processos de controle normais; conduta anormal,

também, é regida por leis. Assim como a pesquisa sobre reações

corporais normais a ataques virais levou à possibilidade de prevenir

a influenza, a pesquisa sobre ajustamentos comportamentais nor-

mais ao controle coercitivo tem levado à possibilidade de melhorar

algumas formas de doença mental.

Claramente, muitos fatores podem contribuir para a doença

mental e qualquer caso particular requer a consideração de todas as

possibilidades: sociais e individuais, internas e externas. Mas no

final, vemos doença mental na conduta. Compreender e fazer algo

sobre a anormalidade requer análise comportamental. Quando efe-

tuamos essa análise, freqüentemente descobrimos que as leis do

controle coercitivo, atuando por meio de contingências de punição,

fuga e esquiva, fornecem bases efetivas para tratamento.

Embora uma compreensão do caráter ordenado do comporta-

mento possa trazer a prevenção e a cura de muitas doenças men-

tais, muitos psiquiatras e psicólogos agem como se tal compreensão

não fosse possível. Para definir anormalidade eles não especificam

processos comportamentais mas, em vez disso, usam grosseiros cri-

térios estatísticos. Eles vêem com suspeita e tentam curar qualquer

ação que se desvie do usual.

Para onde nos teria trazido a medicina científica se tivesse

considerado a influenza anormal apenas porque era relativamente

rara? A lógica teria nos dito, então, que o problema da influenza

poderia ter sido resolvido do modo mais duro — livrando-se dela —

ou do modo mais fácil — passando-a para todo mundo e, assim,

tornando-a "normal". A doença mental, também, definida estatistica-

mente, poderia logicamente ser eliminada como um problema tor-

nando todo mundo mentalmente doente.

A definição estatística de anormalidade levanta mais do que

um problema simplesmente lógico. Vivemos em uma sociedade com-

plexa e o que uma comunidade admira ou tolera, uma outra conde-

na ou proíbe. Conduta que seria ricamente recompensada em Los

Angeles, envia os cidadãos de Boston para terapia. Sob a capa do

cuidado acadêmico, encontros universitários encorajam detalhismo

e sofisticação que não seriam tolerados em qualquer reunião de

negócios entre executivos; universidades e empresas atraem pessoas

que não poderiam aceitar ou sobreviver aos costumes uns dos ou-

tros. Quem deve dizer que ambiente, que grupo, é anormal — se

algum o é? Na prisão a sociedade releva e até mesmo encoraja a

mesma violência — pelos que a guardam e a habitam, igualmente —

que condena em todos os outros lugares; ações que são anormais

fora da prisão são normais dentro dela.

Porque não conseguimos nos conformar aos costumes de um

segmento particular da sociedade, isto torna nosso comportamento

doente? Precisamos de tratamento? Seguir estritamente este critério

eliminaria toda criatividade; por definição, criatividade é a produção

do não-usual. Infelizmente, a rotulação da criatividade como anor-

mal realmente ocorre mais freqüentemente na arte, literatura e ciên-

cias do que é comumente assumido. Isto também rotularia todo

desempenho superior como anormal. Mais uma vez, infelizmente, os

mais competentes são freqüentemente rotulados como anormais:

atletas excepcionais freqüentemente são vistos como estranhos, per-

formers para nosso divertimento; os mais capazes dentre os alunos

de segundo grau são colocados no ostracismo e até mesmo persegui-

dos por seus colegas menos intelectualizados; o gênio científico é

estereotipado como superespecializado, limitado na sua adaptabili-

dade geral — um tipo de sábio desligado e idiota.

Tentativas de quebrar o raciocínio circular não-produtivo.

que rotula qualquer coisa não-usual como anormal, têm levado a

outras definições de anormalidade. Algumas organizações profissio-

nais listam critérios absolutos para o que é normal. Usando seus

critérios, elas estabelecem padrões de saúde mental. Estes padrões

absolütos de normalidade, embora baseados nos vocabulários da

medicina e da psicologia, não são, freqüentemente, menos arbitrá-

rios que os critérios estatísticos. Eles quase sempre requerem con-

formidade a crenças que são pouco mais que preconceitos pessoais

sobre o que é e o que não é saudável. Embora banhados em respei-

tabilidade profissional, eles raramente têm validade científica ou

clínica.

Muitos psiquiatras estão descobrindo que suas teorias sobre

relações "normais" entre sexos, estão sendo desafiadas por mulheres

que se recusam a desempenhar papéis tradicionais. E assim, eles

rotulam o feminismo moderno como não-saudável, necessitando de

tratamento, precisando ser curado. A própria coerção que a socieda-

de coloca sobre as mulheres que seguem caminhos diferentes da-

queles que foram mapeados para elas é citada como prova da anor-

malidade feminista: "Elas estão apenas procurando problemas." Os

padrões absolutos de normalidade feminina são baseados em tradi-

ção cultural, não em análise científica.

Uma situação semelhante existe com relação à preferência

sexual. Muitos psicólogos, refletindo a hostilidade pública em rela-

ção à homossexualidade, a pronunciam como desviante e oferecem

curas. Tentativas de impor critérios absolutos de normalidade se-

xual não consideram que muitos homossexuais se sentem perfeita-

mente bem consigo mesmos e que muitos outros iriam se sentir bem

se não fosse pelas pressões coercitivas que são exercidas sobre eles.

Dizer que as fontes de todo comportamento, normal ou anor-

mal, são elas mesmas normais, não é negar a existência da anorma-

lidade. Algumas condutas chamadas de anormais, ou doentes, po-

dem ser valiosas para a comunidade, ou podem simplesmente ser

diferentes. Nesses casos, o rótulo "doença" mais provavelmente cau-

sará sofrimento, do que curará sofrimento. No entanto, muitas for-

mas incomuns de comportamento nos incomodam não apenas por-

que são diferentes, mas porque realmente causam sofrimento. Ainda

que elas sejam freqüentemente difíceis de classificar, não podemos

negar a realidade da depressão, das fobias e de outros "mecanismos

de defesa" e de vários tipos de esquizofrenia; todas elas precisam ser

tratadas tão efetivamente quanto saibamos.

E, algumas vezes, a segurança da comunidade está em jogo.

Assassinos de massa, espancadores de mulheres, molestadores de

crianças, criminosos sexuais e outros casos de violência patológica

são seguramente anormais com bases outras do que sua relativa

raridade. Também precisamos tratá-los, mesmo que eles não dese-

jem aceitar tratamento. Se não sabemos como chegar às fontes de

suas anormalidades, apenas podemos admitir nossa ignorância e

colocá-los onde eles não possam nos machucar.

Mas se uma anormalidade é desejável ou não, e se deveria

ser tratada, sempre envolve julgamentos de valor. E o mais efetivo

dos tratamentos sempre surgirá de uma compreensão do estado

normal. Na medicina, a definição de uma doença requer a identifica-

ção de processos internos que estão produzindo os sintomas exter-

nos. Na análise do comportamento, a definição de doença requer a

identificação de processos que estão produzindo e mantendo quais-

quer ações que consideremos como nos incomodando. Identificando

as contingências normais que sustentam o que decidimos ser um

comportamento-problema, abrimos a possibilidade de ir além de

nossos julgamentos de valor.


Coerção e suas implicações - Sidman

quarta-feira, 26 de agosto de 2020

Vida alternativa como esquiva da vida normal

 Permanecendo fora do mundo


Uma vez que desistentes tenham fugido de suas famílias,

escolas, ou comunidades coercitivas, eles mantêm sua distância.

Tendo se libertado de um ambiente aversivo, eles então fazem tudo

que estiver ao seu alcance para impedir que esse ambiente restabe-

leça seu domínio. Manter-se sem envolvimento é um ato de esquiva.

Jovens desistentes podem adotar um estilo de vida tão dife-

rente daquele do qual fugiram que sua comunidade original os julga

como tendo se tornado indesejáveis e até mesmo perigosos. Ambien-

tes pobremente mantidos e insalubres trazem perigos para os fugiti-

vos mas servem para uma importante função; eles mantêm o resto

da sociedade a uma certa distância. Famílias, considerando a nova

filosofia, os novos costumes, o novo ambiente e a aparência física de

seus filhos objetáveis e assustadores, abandonam tentativas de tra-

zer de volta a ovelha desgarrada.

Tendo fugido de indivíduos e instituições sociais coercitivos,

desistentes freqüentemente são atraídos para comunidades "margi-

nais" que afirmam que reforçadores mundanos, como pagamento

por trabalho ou talento, são incompatíveis com reforçadores como o

amor, a afeição e o compartilhar que se originam de relações pes-

soais não-egoístas. Juntando-se a uma comunidade com estilo de

vida alternativo, eles se oferecem a um líder carismático para explo-

ração, em troca de proteção contra a sociedade que rejeitaram. Toda

a renda vai para o guru que é, presumivelmente, incorruptível por

dinheiro e pelos confortos que ele torna disponíveis.

O que isto significa é que a sua abdicação de responsabilida-

de e de tomada de decisões permite aos membros de cultos ignorar

e, portanto, se esquivar de pressões para voltar à cena da qual eles

desistiram. Uma atração importante de comunidades e seitas margi-

nais é seu sucesso em proteger membros daquele outro mundo onde

suas vidas foram dominadas por fuga e esquiva. Pode levar tempo

pafa que eles descubram que seus novos reforçadores também são,

na sua maioria, negativos.

Quando a dor de um choque é atrasada, a aprendizagem da

esquiva será lenta; podemos ter de aceitar muitos choques antes de

aprender a evitá-los. Com drogas, também, um longo tempo pode se

passar entre causa e efeito. Drogas que causam adição têm compo-

nentes reforçadores que tornam ainda mais difícil aprender a se

esquivar delas. Também relações pessoais destrutivas freqüente-

mente contêm elementos positivos que por algum tempo sobrepujam

nossas inclinações de nos esquivarmos de situações aversivas. Viver

utria vida de isolamento social ou intelectual pode impor privações,168

Murray Sidrnan

desconfortos físicos e estresses biológicos que terminam em doença

e inabilidade para manter nossa independência. Desistentes do veio

central da sociedade freqüentemente sofrem desses resultados atra-

sados. Eles descobrem que seu novo ambiente desaprova curiosida-

de intelectual, faz com que se sintam culpados por qualquer sinal de

individualidade e considera desconforto e doença como formas de

distinção. Aquilo que primeiro pareceu afetuoso paternalismo torna-

se uma outra forma de exploração. Quando os elementos destrutivos

de seus novos estilos de vida se tornam óbvios o suficiente para

gerar um novo ciclo de esquiva, jovens desistentes podem já ter se

prejudicado irrecuperavelmente.

Mesmo que se mantenham saudáveis, portas terão se fecha-

do para eles, fechando seu acesso à oportunidade para inde-

pendência intelectual, econômica ou política mais convencionais,

ainda assim mais construtivas. Os componentes aversivos de suas

novas vidas podem finalmente tomar-se suficientemente fortes para

sobrepujar os atrativos originais, mas freqüentemente é muito tarde

para ação efetiva.

O reconhecimento dos componentes de esquiva na conduta

dos desistentes da sociedade torna-se mais importante quando que-

remos trazê-los de volta. Tendemos a colocar a culpa nas comunida-

des ou contraculturas que atraem os desistentes, ou em seus estilos

de vida alternativos. Mas a falha está na coerção que permeia as

interações sociais "normais". Ainda que um observador não-envolvido

possa ver as novas formas de coerção a que muitos desistentes se

submetem, permanece o fato de que eles consideram a nova coerção,

pelo menos temporariamente, menos aversiva que a antiga.

Se a sociedade pretender ter uma abordagem construtiva

para o problema de ganhar de volta seus membros perdidos, parti-

cularmente seus jovens, um primeiro passo necessário é admitir que

o comportamento de desistir é esquiva. Compreender as origens da

esquiva iria nos levar a examinar nosso próprio ambiente. Então,

poderemos identificar os choques que tornam as barrar de "desistir"

efetivas. A falha corrigível não está na aparente atratividade dos

alternativos, mas na relativa coercitividade da linha de base "nor-

mal". Em vez de perguntar "para onde foram os desistentes?", deve-

mos perguntar: "De onde eles vieram?"


Coerção e suas implicações - Sidman

Saúde mental, direitos humanos e modelo biomédico

 Os sistemas de saúde mental no mundo todo são dominados por um modelo biomédico reducionista que usa a medicalização para justificar a coerção como uma prática sistêmica e qualifica as diversas respostas humanas a determinantes sociais prejudiciais (tais como desigualdades, discriminação e violência) como sendo “transtornos psiquiátricos” que precisam de tratamento. Neste contexto, os mais importantes princípios da Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência são ativamente minados e negligenciados. Esta abordagem ignora as evidências de que investimentos efetivos devem visar populações, relacionamentos e outros determinantes, em vez de indivíduos e seus cérebros.

A combinação de um modelo biomédico dominante, assimetrias de poder e o amplo uso de práticas coercitivas mantêm não apenas as pessoas com problemas de saúde mental, mas também todo o campo da saúde mental, reféns de sistemas desatualizados e ineficazes. Os Estados e outras partes interessadas, especificamente o grupo profissional da psiquiatria, devem refletir criticamente sobre esta situação e unir forças no caminho para o abandono da herança de sistemas baseados na discriminação, exclusão e coerção.
O RS adverte contra o “excesso de medicalização” que é refletida nos rótulos que são atribuídos com base em “fronteiras impostas em torno de comportamentos e experiências normais ou aceitáveis.” Ele afirma que as respostas medicalizadas à exclusão social e à discriminação “muitas vezes podem afetar desproporcionalmente os indivíduos que enfrentam a marginalização social, econômica ou racial”.
A medicalização pode mascarar a capacidade de localizar a si mesmo e as experiências dentro de um contexto social, alimentando a falta de reconhecimento das fontes legítimas do sofrimento (determinantes da saúde, trauma coletivo) e produzindo alienação. Na prática, quando as experiências e problemas são vistos como médicos ao invés de sociais, políticos ou existenciais, as respostas são centradas em torno de intervenções em nível individual que visam retornar um indivíduo a um nível de funcionamento dentro de um sistema social, em vez de abordar os legados de sofrimento e a mudança necessária para enfrentar esse sofrimento no nível social. Além disso, a medicalização corre o risco de legitimar práticas coercitivas que violam os direitos humanos e pode consolidar ainda mais a discriminação contra grupos já em situação marginalizada ao longo de suas vidas e através de gerações.
Ele, portanto, faz um apelo para que se afaste das “intervenções individuais”, refletindo criticamente sobre as estruturas sociais excludentes e discriminatórias que causam o sofrimento. Este é um ponto importante, que nos impele a parar de olhar para os indivíduos através de uma lente de doença, de uma lente sobre o que está errado com você (que individualiza) para uma lente da sociedade – o que pode ter acontecido para fazer este indivíduo sentir ou reagir desta maneira?

Modelo integrativo da deficiência (na saúde mental)

Nota-se, ainda, segundo Sassaki (2002, p.35), ao caracterizar as condições de integração das pessoas com deficiência: 

No modelo integrativo, a sociedade, praticamente de braços cruzados, aceita receber portadores de deficiência desde que estes sejam capazes de: 

- moldar-se aos requisitos dos serviços especiais separados (classe especial, escola especial, etc.); 43 

- acompanhar os procedimentos tradicionais (de trabalho, escolarização, convivência social, etc.); 

- lidar com as atitudes discriminatórias da sociedade, resultantes de estereótipos, preconceitos e estigmas,  

- desempenhar papéis sociais individuais (aluno, trabalhador, usuário, pai, mãe, consumidor, etc.) com autonomia, mas não necessariamente com independência.

https://repositorio.ufba.br/ri/bitstream/ri/12971/1/Pr%C3%A9-textuais%20revisados%20final.pdf 

[Comentário: O modelo integrativo se define pela responsabilidade de a pessoa com deficiência parecer o mais normal possível e pelos esforços exagerados que isso acarreta. Na saúde mental o modelo integrativo é muito usado. O paciente é visto como o problema, o doente mental, que precisa se desdobrar e fazer esforços especiais que uma pessoa "normal" não precisaria fazer para se adaptar/se ajustar às barreiras atitudinais na sociedade (na psiquiatria tradicional, família e sociedade). A sociedade não quer se implicar nos problemas do paciente pois julga que é natural que as coisas sejam assim, tem seus interesses e acredita que o problema de quem não se ajusta está dentro da própria pessoa (modelo médico em saúde mental). Essas exigências especiais podem desanimar o paciente de querer participar da sociedade e podem gerar a impressão de deficiência psicossocial. A deficiência psicossocial é uma percepção social de que um indivíduo é deficiente em termos mentais e no modelo integrativo vai lá o paciente humilhado servir as pessoas normais por mais que elas façam absurdos. Essas pessoas "normais" podem impor tantas barreiras atitudinais que o diagnóstico psiquiátrico pode ter sido feito totalmente por conta dessas barreiras e a sociedade e psiquiatria tradicional culpa a lesão cerebral ou o organismo dessa pessoa.]

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Adolescência e cuidado dos pais

 Atenção, por exemplo, usualmente um reforçador positivo para uma criança, pode

colocar problemas delicados depois que a criança tornou-se um

adolescente. Pais que cuidam demais, ou muito intensamente, podem 

ser vistos como intrometidos e controladores. Atenção, então,

funcionará como um reforçador negativo; é provável que os pais

notem que sua filha de 16 anos não parece mais querer falar com

eles, fica fora de casa tanto quanto possível e, quando em casa,

permanece calada.


Tendemos a ver o que queremos ver. Portanto, os pais podem precisar

da ajuda de um observador não-envolvido.

O observador pode recomendar que eles respondam às confidencias

de sua filha com afetuoso interesse, mas sem bisbilhotar; que eles

mostrem não apenas seus temores em relação ao seu bem-estar,

mas sua confiança em sua integridade e capacidade de julgar. Se

modular sua atenção a transformar um reforçador negativo em um

reforçador positivo, eles descobrirão que a conduta de sua filha

muda. Desligar-se de seus pais, afastar-se deles e evitar comunicação 

não mais será reforçador. Em vez disso, ela interagirá mais

freqüentemente, compartilhando experiências, confidenciando, confiando, 

mudando de fuga e esquiva para aproximação.


Coerção e suas implicações - Sidman