A aderência a rotinas na "bipolaridade" é causa ou correlação com "estabilidade"? A identificação de uma causa fisiológica supostamente presente em todos os casos de acordo com um construto diagnóstico válido e confiável não é explicação suficiente uma vez que a base fisiológica do diagnóstico tem validade apenas relativamente a um modelo clínico de definição de tratamento padrão por diagnósticos psiquiátricos. Esmiuçar as implicações da aderência a rotinas na "bipolaridade" em termos de componentes comortamentais e contingências de reforçamento leva ao questionamento de se aderir ou não aderir ocorrem conjuntamente com a motivação para desistir ou "usufruir" do lado "bom" de comportamentos e se a fisiologia é isolável da motivação para aderir ou não aderir. A hierarquia organicista irá sempre privilegiar o nível fisiológico e orgânico em detrimento de condições de relações com o mundo e portanto é consequência de modelo científico cuja relatividade conceitual deve ser considerada.
Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
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terça-feira, 8 de setembro de 2026
Rotina para bipolar: causa ou correlação?
segunda-feira, 7 de setembro de 2026
Doença mental como mente limítrofe
O entendimento organicista e mentalista da doença mental como uma característica de mente/cérebro limítrofe, conceito presente também nas crenças e percepções populares, no escopo do intelecto geral ou delimitado a escopos do entendimento, ao partir de uma concepção inatista (genética) de inteligência, de doença mental e da mente como origem do comportamento, é desfavorável ao desenvolvimento de aprendizado e comportamento inteligente uma vez que não reconhece as interações do organismo com o meio como um fator de desenvolvimento. Por outro lado, uma concepção de inteligência, de doença mental e de aprendizagem como comportamento operante relativo à identificação exata/inexata de contingências de reforçamento e comportamento operante bem-sucedido ou mal-sucedido abre possibilidades de promoção de condições de desenvolvimento de comportamentos e/ou mudança de contingências de reforçamento. Portanto, o entendimento de que o doente mental é limítrofe no entendimento de forma geral ou delimitada possivelmente é o resultado de concepções de desconsideração de fenômenos de aprendizagem operante (interações com o meio ao longo do desenvolvimento) e práticas de restrição, dessa forma descritas como processo genérico e impreciso, das interações da pessoa caracterizada como deficitária com o meio.
domingo, 6 de setembro de 2026
O determinismo popular e o comportamento
O conceito de determinismo perde o sentido epistemológico e ontológico na cultura popular e adquire sentido de determinação de comportamentos através de coerção de pessoas com poder e de manipulação de comportamentos através de incentivos, uma vez que se identifique que há algo determinando o comportamento, de pessoas caracterizadas como maquiavélicas. O determinismo adquire também o sentido popular a partir da perspectiva individual de pessoas que gostariam de determinar o comportamento individual tanto na vida cotidiana como através de práticas sociais institucionais. A rejeição conceitual e emocional desses eventos implica em preferência por um comportamento conceitual de liberdade e livre-arbítrio. A liberdade e o livre-arbítrio adquire e mantém o sentido popular por percepção de que ao fazer algo que se quer não há necessidade ou não há razão para alguém ou algo determinar o comportamento individual.
A leitura cultural e popular da análise experimental do comportamento e do behaviorismo radical possivelmente parte desses conceitos adquiridos na experiência cotidiana.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
As restrições do respeito (controle) à natureza
Uma vez que se queira manejar o comportamento funcionalmente, e geralmente há um sentimento de inconveniência em fazer isso, há necessidade de respeito aos constrangimentos de variáveis biológicas. O esforço contínuo ou a identificação sutil de variáveis (controle de estímulos) e repertórios necessários correspondentes não é compatível com a atitude geral a respeito da saúde de usufruto despreocupado e passivo de produtos de saúde que fariam o trabalho quase que automático de controle da saúde. Há o trabalho lento de desenvolver aprendizagens e repertórios comportamentais de acordo com necessidades individualizadas e também a escassez de profissionais que façam o trabalho de forma resolutiva conforme as promoções de condições de ensino necessárias. O uso de medicamentos que façam o trabalho de controle do comportamento e da fisiologia de forma mais perto de um efeito imediato e visível demonstra impacto não mediado por aquisição de predicados conceituais. O baixo custo de resposta, o efeito visível não mediado conceitualmente, a atitude geral a respeito da saúde, a ausência de acesso a conhecimento pré-requisito para identificação de possibilidade de intervenção, de profissionais em quantidade e a propaganda biomédica que identifica e fomenta oportunidades de negócios oriundas dessas condições de restrição aumentam a frequência de uso de medicamentos para a intervenção sobre o comportamento.
segunda-feira, 31 de agosto de 2026
Saúde mental: maturacionismo vs aprendizagem
O ajuste simples, fácil e neutro à sociedade é geralmente o curso natural da saúde mental. Essas características de ajuste são favoráveis ao entendimento de desenvolvimento do maturacionismo segundo o qual o desenvolvimento é um processo interno que ocorre naturalmente. Por outro lado, o desenvolvimento em termos de aprendizagem por interações com o meio (fenômeno do comportamento operante) é compatível com o ajuste não simples, não fácil e não neutro à sociedade em que o planejamento de condições de aprendizagem visto como desnecessário e desconsiderado tem efeitos demonstráveis no desenvolvimento de repertório de comportamentos operantes, sendo esse um processo necessariamente com manejo de eventos externos. O fato de que o desenvolvimento possa não ocorrer naturalmente como um processo de maturação interna, ao não ser reconhecido pela sociedade, tem consequências para a qualidade da promoção de condições de aprendizagem em geral e impacto nas possibilidades de reversibilidade de desenvolvimento e condições de vida insatisfatórios, sendo tais condições institucionalmente legitimadas como padrão típico de desenvolvimento de pessoas com transtornos mentais pela psiquiatria biológica e neurociências.
sábado, 22 de agosto de 2026
Reforço positivo: objetivo e problema
Para a terapia comportamental o reforço positivo geralmente é visto como um objetivo e como uma condição de promoção de desenvolvimento saudável. Por outro lado, na perspectiva médica e em contingências de reforçamento comuns e leigas a respeito de comportamento operante, o reforço positivo é uma fonte potencial de problemas e complicações. O reforço positivo como objetivo é de difícil alcance em circunstâncias de necessidade de contrafactualidade. Já a contrafactualidade mais simples e utilizável sem curva de aprendizagem relevante, embora com efeitos contraproducentes, é o controle aversivo/coerção. O significado desse problema é de interesse para a superação da medicalização como única solução viável ofertada e superação do uso do controle aversivo.
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Circunstâncias e adesão à medicação
Ident. soc. do us.: proxy vs critério
A identidade social do usuário de saúde mental marcada pelo diagnóstico psiquiátrico funciona como variável proxy (substituta) de propriedades disposicionais (propriedades potenciais) implicadas por uma categoria diagnóstica. Como contraposição é possível utilizar uma variável critério que realiza a verificação dos desempenhos implicados na identidade social em relação ao universo de dados amplo do que poderia acontecer sem distinção entre pessoas entendidas como normais e como anormais. Logo, percepções relacionadas ao diagnóstico e à identidade social teriam por um lado uma base em conceitos abstratos relacionados a experiências prévias formadoras de equivalência de estímulos (comportamento simbólico) e outro lado um critério objetivo de desempenho.
Diagnósticos: predição ou seletividade retrospectiva?
quinta-feira, 20 de agosto de 2026
Fármacos, trat. biológicos e "sequestro de função"
Intervenções farmacológicas ou tratamentos biológicos em psiquiatria biológica tem propriedades análogas, se formos considerar a linguagem de máquinas computacionais da neurociência cognitiva, a "forceful biological execution or override function" ("execução biológica forçosa" ou "sobre-escrever função"), ou seja, uma forma de "highjack of functions" (sequestro de funções). A internação psiquiátrica também tem tal propriedade análoga. O efeito visível é tão grande que explicações sobre causalidade etiológica específica são formuladas e tomadas popularmente como única possibilidade evidente de fato causal a respeito da saúde. A saúde em termos funcionais como estabelecimento, manutenção e reversão de condições de saúde (ou relativa reversibilidade) tem outro fundamento.
terça-feira, 18 de agosto de 2026
Seguimento de regras e saúde
A questão da confiança rígida em recomendações farmacológicas de tratamento principalmente por médicos em detrimento de consideração de relações funcionais entre variáveis é formulável enquanto o fenômeno operante de força de seguimento de regras. A história passada de sucesso com seguimento de regras de recomendações médicas estabelece força da classe operante de seguimento de regras de recomendações médicas. Uma vez estabelecida a força da classe de seguimento de regras de recomendações médicas, a classe verbal operante é aplicada para ocasiões em que o seguimento de regras acarreta em danos ou cuidados de saúde inferiores embora socialmente adaptados. A ausência de repertório de entendimento conceitual de relações funcionais entre variáveis, cuja complexidade e dificuldade de acesso e de execução é maior do que apenas a confiança e obediência sem entendimento mantém a força da classe verbal de seguimento de regras de recomendações médicas. A força da classe verbal de seguimento de regras de recomendações médicas também é mantida por alegações de riscos de ruína pelo não seguimento de regras de recomendações médicas. Por outro lado, a confiança em recomendações médicas é reduzida por experiências de insucesso com tratamentos médicos ou formação conceitual no entendimento de relações funcionais entre variáveis, e em alguns casos, formando a classe de não seguimento generalizado de regras de recomendações médicas através de repertório conceitual concorrente. Situações de diferença entre seguimento rígido de regras de recomendações médicas e não seguimento de regras através de repertório conceitual concorrente potencialmente propiciam preconceitos com repertórios conceituais concorrentes até mesmo em casos de exatidão conceitual, aumentando bastante o custo de domínio conceitual necessário para manejo social e de saúde.
segunda-feira, 17 de agosto de 2026
O direito e o mundo natural
A regulação jurídica de relações sociais através do Estado utiliza consequências artificiais e exteriores ao funcionamento natural do comportamento, o qual ocorre por consequências naturais. Logo, existem dois caminhos: garantir boas condições dentro do mundo natural ou criar regras de consequenciação de comportamentos esperando que isso seja condição para modificação ou inibição de comportamentos. O poder de alterar comportamentos através do Estado tem efetividade parcial enquanto as condições do mundo natural são omitidas como relevantes. As condições do mundo natural para o comportamento são capazes de reduzir a necessidade de regulação jurídica através do Estado ao mesmo tempo em que garantem boas condições de vida. Por outro lado, o próprio direito é capaz de ser naturalizado como formulação em comportamentos.
sábado, 15 de agosto de 2026
Discriminação e generalização organicista vs aprendizagem
Tese implícita na avaliação médica e de senso comum: a pessoa com cérebro saudável acerta maior parte das situações de discriminação e generalização.
Tradução teórica organicista da tese implícita: situações de discriminação e generalização são testes da saúde cerebral já que o comportamento é subconjunto restrito do cérebro.
Implicação das duas versões da tese implícita para a aprendizagem operante: situações de discriminação e generalização não são processos de interação com o ambiente e de formação de repertório a partir de histórico de contato com contingências de reforçamento.
sábado, 8 de agosto de 2026
Medicalização e treino da "mente"
A tese implícita de que "a mente não pode ser treinada" é um postulado básico da medicalização e da medicamentalização como único caminho pensável para intervenção sobre problemas de comportamento. Esse postulado é consequência dedutiva do modelo organicista segundo o qual as expressões externas da mente/comportamento são um subconjunto restrito e secundário de estados orgânicos entendidos como fenômenos primários e autônomos diante do ambiente. O conceito de mente como equivalente imaterial de estados orgânicos é outra formulação da mesma tese. Por outro lado, no modelo comportamentalista não há inviabilidade de treino da "mente" e logo não há um caminho único de medicalização e medicamentalização uma vez que a "mente" e suas supostas consequências são descritas como comportamento material tangível em interação organizada com o meio ambiente tangível. Logo, ao invés de dizer que o comportamentalismo é parte do modelo médico entendido por viés crítico, é mais correto dizer que a tangibilidade de descrição de variáveis no comportamentalismo fornece possibilidades de explicações substitutivas para o organicismo e suas consequências nos tratamentos biológicos em saúde mental.
domingo, 2 de agosto de 2026
Aprendizagem: ativação neural versus reforço
A neurociência cognitiva explica a aprendizagem como repetição de ativação neuronal que cria um hábito. Isso é correto para informações e hábitos físicos. No entanto, a partir da biologia do reforço positivo não há meramente uma repetição de ativação neuronal mas uma ativação neuronal associada a reforço, preferencialmente positivo, o que realmente cria o caminho neuronal com o sucesso e repetição do sucesso. Logo, produzir efeito de aprendizagem é mais efetivo através de princípios biológicos do comportamento operante do que a mera repetição de ativação neuronal.
sexta-feira, 31 de julho de 2026
Instituição trabalho: corretiva ou seletiva?
segunda-feira, 27 de julho de 2026
Observação natural e teórica de conceitos
sábado, 25 de julho de 2026
Lugar social e aptidão biológica
A interpretação de aptidão biológica em termos de descrição de comportamentos e identidades sociais passa por um filtro de participação em contingências sociais vigentes, ou inserção em "lugares sociais" que fornecem boa condição social, e por isso provavelmente não tem correlação boa com a aptidão biológica inata já que é possível uma diversidade de valores independentes entre variáveis de aptidão biológica e variáveis de participação em contingências de reforçamento vigentes que não refletem de forma alguma uma satisfação uniforme de desafios ambientais de aptidão biológica.
quarta-feira, 22 de julho de 2026
Crises e exasperação com manicômios
O quanto as crises de saúde mental que envolvem sofrimento grave são análogas conceitualmente à exasperação com as rotinas dos manicômios clássicos? Uma leitura conceitual transversal é possível de ser feita.
Ler mais:
Definição cpto. de manicomialização
https://crisedapsiquiatria.blogspot.com/2026/01/definicao-cpto-de-manicomializacao.html
segunda-feira, 20 de julho de 2026
A autonomia do orgânico vs. comportamento
A discussão feita anteriormente sobre no modelo biomédico o comportamento operante ser um subconjunto restrito de estados orgânicos diz respeito o quanto o comportamento operante é um fenômeno primário autônomo diante da fisiologia e do orgânico. No modelo biomédico, o comportamento operante é fenômeno secundário e derivado. Logo, nessa perspectiva a análise experimental do comportamento seria um campo auxiliar da paramedicina. Apesar de ser mercadologicamente adaptativa, como afirmado anteriormente, essa caracterização não utiliza o conhecimento e capacidade de previsão e controle da análise experimental do comportamento em toda a sua extensão. A questão da autonomia dos fenômenos do comportamento operante tem relevância para o quanto a análise experimental do comportamento tem reconhecimento para desenvolver explicações e aplicações além de apenas prática subordinada a outras áreas de conhecimento. A autonomia de fenômenos de áreas de conhecimento implica em questões de epistemologia e ontologia. A compreensão profissional e popular da neurociência como hierarquicamente determinista de manifestações do comportamento tem implícita questões de epistemologia e ontologia. Uma forma mais simples e popular de descrição é o entendimento de que o comportamento observável é apenas a expressão externa de fisiologia e estados orgânicos internos caracterizados como fenômenos autônomos diante do ambiente, isto é, a correção neurobiológica.