Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Aviso!
quarta-feira, 23 de setembro de 2026
A fenomenologia do transtorno mental
sábado, 19 de setembro de 2026
Definições de bases de relacionamentos
Definições estruturalistas (relações fixas entre variáveis), predeterminadas, tradicionais, estereotipadas, típicas, conhecidas ou representativas de variáveis base para relacionamentos afetivo-sexuais implicam em restrições de percepções de possibilidades e percepção de viabilidade de valor de reforço positivo que estão em desacordo com os princípios biológicos do funcionalismo em análise experimental do comportamento em que as funções dos estímulos não ocorrem por natureza física nem são fenômenos livre de variação funcional. Logo, definições funcionais possibilitariam percepções de bases variáveis para formação e manutenção de relacionamentos afetivo-sexuais.
domingo, 6 de setembro de 2026
O determinismo popular e o comportamento
O conceito de determinismo perde o sentido epistemológico e ontológico na cultura popular e adquire sentido de determinação de comportamentos através de coerção de pessoas com poder e de manipulação de comportamentos através de incentivos, uma vez que se identifique que há algo determinando o comportamento, de pessoas caracterizadas como maquiavélicas. O determinismo adquire também o sentido popular a partir da perspectiva individual de pessoas que gostariam de determinar o comportamento individual tanto na vida cotidiana como através de práticas sociais institucionais. A rejeição conceitual e emocional desses eventos implica em preferência por um comportamento conceitual de liberdade e livre-arbítrio. A liberdade e o livre-arbítrio adquire e mantém o sentido popular por percepção de que ao fazer algo que se quer não há necessidade ou não há razão para alguém ou algo determinar o comportamento individual.
A leitura cultural e popular da análise experimental do comportamento e do behaviorismo radical possivelmente parte desses conceitos adquiridos na experiência cotidiana.
quarta-feira, 2 de setembro de 2026
As restrições do respeito (controle) à natureza
Uma vez que se queira manejar o comportamento funcionalmente, e geralmente há um sentimento de inconveniência em fazer isso, há necessidade de respeito aos constrangimentos de variáveis biológicas. O esforço contínuo ou a identificação sutil de variáveis (controle de estímulos) e repertórios necessários correspondentes não é compatível com a atitude geral a respeito da saúde de usufruto despreocupado e passivo de produtos de saúde que fariam o trabalho quase que automático de controle da saúde. Há o trabalho lento de desenvolver aprendizagens e repertórios comportamentais de acordo com necessidades individualizadas e também a escassez de profissionais que façam o trabalho de forma resolutiva conforme as promoções de condições de ensino necessárias. O uso de medicamentos que façam o trabalho de controle do comportamento e da fisiologia de forma mais perto de um efeito imediato e visível demonstra impacto não mediado por aquisição de predicados conceituais. O baixo custo de resposta, o efeito visível não mediado conceitualmente, a atitude geral a respeito da saúde, a ausência de acesso a conhecimento pré-requisito para identificação de possibilidade de intervenção, de profissionais em quantidade e a propaganda biomédica que identifica e fomenta oportunidades de negócios oriundas dessas condições de restrição aumentam a frequência de uso de medicamentos para a intervenção sobre o comportamento.
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Ident. soc. do us.: proxy vs critério
A identidade social do usuário de saúde mental marcada pelo diagnóstico psiquiátrico funciona como variável proxy (substituta) de propriedades disposicionais (propriedades potenciais) implicadas por uma categoria diagnóstica. Como contraposição é possível utilizar uma variável critério que realiza a verificação dos desempenhos implicados na identidade social em relação ao universo de dados amplo do que poderia acontecer sem distinção entre pessoas entendidas como normais e como anormais. Logo, percepções relacionadas ao diagnóstico e à identidade social teriam por um lado uma base em conceitos abstratos relacionados a experiências prévias formadoras de equivalência de estímulos (comportamento simbólico) e outro lado um critério objetivo de desempenho.
sábado, 18 de julho de 2026
Definição auxiliar de conceito
Um conceito é uma relação com o mundo estabilizada, é observável e descritível por discriminação e generalização e é um resultado final de fenômenos de aprendizagem e não apenas determinante de comportamento. A intervenção em conceitos deve partir de fenômenos operantes e suas relações com os conceitos estáveis e não necessariamente nos conteúdos conceituais estáveis.
segunda-feira, 22 de junho de 2026
Medicina pragmática, neutra e imparcial
Apesar de se apresentar como um campo de atuação profissional e científico pragmático e não teórico, um entendimento de que o conhecimento sempre possui pressupostos teóricos como ponto de partida é útil para que o senso crítico a respeito de estruturas conceituais subjacentes a práticas de manipulação biológica sejam pensáveis. Pressupostos teóricos incluem não apenas valores cognitivos de neutralidade e imparcialidade, capacidade preditiva, parcimônia, fecundidade, expediência entre outros, mas também valores sociais, políticos e econômicos constitutivos da produção de ciência. Ao se apresentar como núcleo teórico de neutralidade e imparcialidade, a medicina não transparece seus constituintes nem admite pensar o direcionamento de produção de conhecimento e intervenções de forma crítica. Basta uma apresentação de alternativas teóricas e sociais, e um conhecimento das reações das pessoas implicadas no conhecimento pragmático para ver que há escolhas de valores tanto na circulação como na produção de conhecimento mesmo que seja apenas por escrúpulos e restrição de possibilidades de comportamentos epistêmicos alternativos ou opção pela reprodução social conformista.
quinta-feira, 23 de abril de 2026
Capacitismo, eugenia, habitat e arbitrariedade
domingo, 29 de março de 2026
Discursos estabelecidos de (i)legitimidade
A estrutura de regras discursivas de críticas à noção (ou fenômeno se preferir) de reforço e condicionamento.
É feita uma equivalência de autonomia com determinação voluntária de condições e comportamento e uma equivalência de "condicionamento" com ter condições e comportamento alienadamente determinados. Uma leitura de legitimidade ideológica ou condições de legitimidade conceitual definem qual fato do comportamento será classificado como equivalente a autonomia ou equivalente a ser determinado. A visibilidade de condições de determinação do comportamento é uma das formas de deslegitimação de fatos do comportamento. O dinheiro é um exemplo estereotipado de conceito social estabelecido de ter comportamento determinado de forma ilegítima.
domingo, 22 de março de 2026
A base cultural do tratamento usual em SM
O tratamento usual em saúde mental é constituído, para fins dessa análise, de componentes culturais e técnicos. A discussão técnica não é resolvida cientificamente apenas, uma vez que há preferências políticas e divergência entre posicionamentos conflitantes e tais fatores levam a um impasse estável a respeito de tratamentos em saúde mental. Já o componente cultural é a base de conceitos, sentimentos e comportamentos distribuídos na cultura como uma compreensão pública e interpretação cultural das questões de saúde mental, comportamento, cérebro e sociedade. Essa base cultural do tratamento usual tem uma qualidade conceitual discutível e possivelmente frágil a partir de uma perspectiva de rigor metodológico de exame conceitual e de práticas de saúde. No entanto, a base cultural do tratamento é bastante arraigada na cultura e na mentalidade social. O fato da base cultural estar arraigada é caracterizado de acordo com condicionantes políticos e socioculturais como uma necessidade natural por um grupo e como práticas historicamente constituídas, logo contingentes, por outro grupo.
terça-feira, 10 de fevereiro de 2026
Heteronomia e adaptação social
A heteronomia é uma estratégia de adaptação social que funciona em muitas situações. Pelo menos para seguir o modo de funcionamento social sem atritos. Uma vez que a heteronomia não resolva os desafios, a autonomia exige habilidades de entendimento em grau difícil de efeitos eficazes, implicando em riscos decisórios. Por isso, a autonomia geralmente é restringida ou vista como um problema.
Histórico da discussão:
1) Immanuel Kant: O Que é o Esclarecimento?
https://ppgfil.propesp.ufpa.br/ARQUIVOS/Processo%20Seletivo/2019.2/KANT,%20Immanuel.%20Que%20%C3%A9%20Esclarecimento.pdf
2) Declarações de Thomas Szasz sobre autonomia.
quarta-feira, 7 de janeiro de 2026
Etnocentrismos de valores rígidos ou flexíveis
Parte relevante das dificuldades de relacionamento medicalizadas ou não medicalizadas possivelmente tem origem em etnocentrismos (estranhamentos sem relativização metodológica) a respeito de rigidez ou flexibilidade, sem polarização positiva e negativa atrelada a cada tipo respectivamente, em relação a valores que contribuem para manter comportamentos.
domingo, 23 de novembro de 2025
Capacidade preditiva da psiquiatria biológica
segunda-feira, 7 de julho de 2025
Discurso anti-ABA e mudança de ênfase
O discurso político e clínico contra a análise do comportamento aplicada considera que condições ótimas de aprendizagem que a área implementa são compensações para condições sociais adversas. Um fato da análise experimental do comportamento é que quanto mais adversa uma circunstância maior é a probabilidade de surgirem "comportamentos-problema". Em sociedades de pensamento biomédico em saúde mental hegemônico a primeira reação e primeira linha de tratamento são a medicação psiquiátrica. Então o discurso crítico é uma defesa da mudança de ênfase explicativa de forma semelhante a defesa da mudança epistemológica para as ciências humanas e sociais segundo o tradicional em reforma psiquiátrica. O que parece ser uma crítica a análise experimental do comportamento, e essa crítica é feita por pessoas que desconhecem a área, é uma defesa de outras áreas que promoveriam condições sociais menos adversas. Nada impediria que, dadas as condições sociais sejam favoráveis para uso da análise experimental do comportamento, essa fosse utilizada também para reduzir condições sociais adversas. A área é associada erroneamente a um subproduto da neurociência de base para a psiquiatra biológica ou modelo médico em saúde mental. No entanto, essa associação é um estereótipo pois a base mais tradicionalmente correta da análise experimental do comportamento é a crítica ao modelo médico (ver em Ullman e Krasner e textos de medicina comportamental).
A natureza político-ideológica desse discurso é a defesa de uma mudança política da organização da sociedade. O discurso anti-ABA seria na verdade uma crítica ideológica à sociedade de mercado e ao potencial de uso que a área tem para a adaptação ideológica. Então a área de conhecimento não é, mais uma vez, a foco da crítica. Para fins de defesa antecipada, essa análise não é uma defesa da neutralidade ideológica e política da sociedade de mercado e da ciência.
sábado, 21 de junho de 2025
Assimetria de sensibilidade e tolerância a padrões
As categorias nosológicas da psiquiatria tornam a sociedade altamente sensível a "desvios" de padrões almejados ou impositivos. Pessoas com características de comportamentos e fenômenos de aprendizagem diferentes dos padrões pré-estabelecidos de desvio tem um âmbito de liberdade que escapa ao escopo de avaliação. Por isso, a sociedade se torna altamente intolerante e reguladora de alguns padrões impositivos, por motivos e condições sociais não examinados, e são tolerantes e garantem a baixa regulação para pessoas para qual a sociedade não tem sistemas culturais de classificação sensíveis ou estereotipados a suas características de comportamento. A impositividade de certos padrões é determinante do grau de avaliação, controle, regulação, crítica, intolerância, discriminação, hostilidade, condições desfavoráveis, pressões sociais, exigência, etc.
segunda-feira, 16 de junho de 2025
Verossimilhança do discurso sobre realidade
O discurso com pretensões de realidade, assim como na ficção, precisa ter verossimilhança.
sexta-feira, 9 de maio de 2025
Anomalias e sistemas de classificação
"Está claro então que somos capazes de nos confrontarmos com anomalias. Quando algo é firmemente classificado como anômalo, o esboço do conjunto no qual ele não é considerado como membro se torna claro.
(p. 53)
Há várias maneiras de tratar as anomalias. Negativamente, podemos ignorá-las, não percebê-las, ou, percebendo-as, condená-las. Positivamente, podemos, deliberadamente, confrontar as anomalias, e tentar criar um novo padrão de realidade onde elas tenham lugar. Não é impossível um indivíduo rever seu próprio esquema pessoal de classificações. Mas nenhum indivíduo vive isoladamente e seu esquema terá sido parcialmente recebido de outros indivíduos.
(p.54)
A cultura, no senso comum, padronizou os valores de uma comunidade, serve de mediadora da experiência dos indivíduos Prove, adiantadamente, algumas categorias básicas, um padrão positivo no qual as ideias e valores são cuidadosamente ordenados. E, acima de tudo, ela tem autoridade, uma vez que cada pessoa é levada a consentir porque outras assim o fazem. Mas seu caráter público torna suas categorias mais rígidas. Uma pessoa pode ou não rever seu padrão de pressupostos. É um assunto particular. Mas categorias culturais são assuntos públicos. Não podem ser tão facilmente sujeitas à revisão. Mas não podem negligenciar o desafio de formas aberrantes. Qualquer sistema dado de classificações deve dar origem a anomalias, e qualquer cultura dada deve confrontar os eventos que parecem desafiar seus pressupostos. Não pode ignorar as anomalias que seu esquema produz, a não ser com o risco de perder sua confiança. Suponho que seja por isso que encontramos em qualquer cultura, digna do nome, várias providências para lidar com eventos ambíguos ou anômalos.
Primeiro, decidindo-se por uma ou outra interpretação, a ambiguidade é frequentemente reduzida.
(p.54)
Segundo, a existência da anomalia pode ser fisicamente controlada. Ou tomemos os gaios que cantam à noite. Se seus pescoços forem prontamente torcidos, eles não viverão para contradizer a definição de galo como uma ave que canta ao alvorecer.
Terceiro, a regra de se evitar coisas anômalas confirma e reforça as definições às quais elas não se ajustam. Logo, onde o Levítico abomina coisas rastejantes, deveríamos ver a abominação como o lado negativo de um padrão de coisas aprovadas.
Quarto, eventos anômalos podem ser classificados como perigosos. Admite-se que os indivíduos sentem-se ansiosos quando confrontados com anomalias. Mas, seria um erro tratar as instituições como se elas evoluíssem da mesma maneira que as reações espontâneas de uma pessoa. É mais provável que semelhantes crenças públicas sejam produzidas no decurso da redução da dissonância entre as interpretações individuais e as interpretações gerais. Conforme o trabalho de Festinger, é óbvio que uma pessoa, quando suas convicções diferem das de seus amigos, ou hesita ou tenta convencê-los de que estão errados. Atribuir perigo é uma maneira de se colocar um assunto acima da discussão. Também ajuda a reforçar a conformidade, como mostraremos no capítulo sobre moral (Cap. 8).
Quinto, os símbolos ambíguos podem ser usados em ritual para os mesmos fins que são usados na poesia ou na mitologia, para enriquecer o significado ou para chamar a atenção a outros níveis de existência. Veremos no último capítulo de que maneira o ritual, utilizando símbolos de anomalias, pode incorporar maldade e morte ao mesmo tempo que vida e bondade, num modelo único, grandioso e unificante. (p. 56)
Concluindo, se impureza é um assunto inoportuno, devemos investigá-lo através da ordem. Impureza ou sujeira é aquilo que não pode ser incluído, se se quiser manter um padrão."
Referência
Mary Douglas. Pureza e perigo.
sexta-feira, 7 de março de 2025
O conformismo e a necessidade de alternativas
Um dos estágios do conformismo é defender que o comum e habitual está correto pela facilidade ou pela implicação de ausência de conhecimento e habilidades. Em um segundo estágio há o contato com demonstrações de que há opções superiores ao comum e habitual e nessa ocasião ocorre a defesa do erro por ser comum e habitual. O conformismo transmite a imagem de que não há responsabilidade na defesa do comum e habitual e que destoar implica em maior responsabilidade. Possivelmente por esses motivos há o medo de destoar do comum e habitual.
quinta-feira, 6 de março de 2025
Conhecimento organizacional e livre conhecimento
Para um conhecimento ser utilizado habitualmente pela sociedade é necessário que seja instituído formal e burocraticamente em organizações profissionais e de conhecimento. Alguns tipos de conhecimento não são facilmente organizáveis dessa forma ou não tem meios sociais de serem instituídos em organizações. É comum pensar que esse outro tipo de conhecimento provavelmente tenha uma validade duvidosa. No entanto, é possível que o conhecimento de qualidade exista sem estarem concentrados em organizações pois o conhecimento é a relação aperfeiçoada com o mundo e para a produção de conhecimento basta a formulação com qualidade da noção de determinantes de eventos, fenômenos e processos assim como a argumentação e o procedimento de qualidade. É possível também que a restrição ao perfil do conhecimento produzido em organizações tradicionais centralizadas e burocráticas tornem subaproveitados os potenciais de outras formas de produção de conhecimento em condições sociais diversas. Para que haja profissionalização e mercado, é comum que somente o conhecimento tradicional seja considerado válido. No entanto, o aperfeiçoamento das relações com o mundo é viável uma vez que haja uma formação de qualidade.
domingo, 3 de novembro de 2024
Noções intuitivas de reforço e comportamento
Há no senso comum entendimentos intuitivos do que sejam a definição de comportamento e de reforço. As noções formadas são que topografia equivale a comportamento operante e que reforço artificial equivale a reforço positivo. Como tais noções são imprecisas, outras formas de intervenção sobre o comportamento são utilizadas no repertório comportamental como complementos adicionais para obtenção de influência sobre a frequência de comportamentos.