Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
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quinta-feira, 17 de setembro de 2026

A ideologia psiquiátrica e a inconveniência

A defesa de práticas tradicionais em psiquiatria biológica é comparável a discurso ideológico no sentido de defesa de interesses de grupo como estratégias discursivas com função semelhante ao discurso ideológico descrito na análise do discurso com características de defesa comercial. Uma vez que fatos, informações, conhecimentos e posicionamentos sejam incompatíveis com a defesa de um recorte de imagem positiva da área de conhecimento e suas práticas, reações defensivas costumam ser empregadas sistematicamente contra os posicionamentos inconvenientes. Isso inclui conhecimento e práticas com função defensiva.

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Observação natural e teórica de conceitos

Os métodos de observação de comportamentos nas ciências naturais utilizam o treino de comportamentos de observação direta e treino de discriminação e generalização de relações entre variáveis por conhecimento experimental. As ciências humanas e sociais utilizam o método de disciplinamento conceitual do olhar e formação em conceitos como conteúdos. Esses métodos tem resultados diferentes no que concerne a identificação de relações com o mundo que seriam o objeto de interesse de observação de conceitos. As definições respectivas de conceito são 1) formação de classes de estímulos por discriminação e generalização e, 2) conteúdos teóricos opacos (intensionalidade) distribuídos como perspectivas proposicionais na mente de indivíduos. A observação de conceitos por método natural tem como proposta a identificação parcimônica de relações com o mundo e sua produção ou reversão experimental através de manejo de variáveis. Esse método identifica relações com o mundo básicas a partir de conhecimento biológico que se concatenados com o olhar teórico sobre os fatos sociais e culturais indicam erros de discriminação e generalização a partir de conteúdos conceituais, conceitos inconsistentemente estabelecidos entre indivíduos, erros de discriminação e generalização a respeito de evocação ou produção de relações com o mundo, repertórios comportamentais diferentes associados aos mesmos conceitos, extensão de classe geral diferentes com componentes de subclasses diferentes, classes de equivalências de estímulos com variação de estímulos equiparados, função de estímulos diferentes, esquemas/programas de reforço diferentes ligados a cada classe conceitual, estímulos condicionais diferentes, etc. No entanto, o descarte do olhar teórico para a observação de fatos sociais e culturais em favor da observação natural por afinidade con o rigor experimental implica em ingenuidade a respeito de características do mundo sobrepostas às relações naturais com o mundo.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

AEC, reforma psiquiátrica e trabalho

Um ponto de incompatibilidade do behaviorismo e análise experimental do comportamento com a reforma psiquiátrica antimanicomial é não presumir inviabilidade de trabalho na sociedade capitalista, o que implica em adaptação ideológica, e não assumir que o único caminho para o trabalho é mediação institucional com formas de trabalho não competitivas. Como há necessidade de adaptação ideológica e comportamental para inserção na sociedade de mercado, não há porque direcionar esforços para modificar "estruturas sociais" manicomiais.

domingo, 29 de março de 2026

Discursos estabelecidos de (i)legitimidade

A estrutura de regras discursivas de críticas à noção (ou fenômeno se preferir) de reforço e condicionamento.

É feita uma equivalência de autonomia com determinação voluntária de condições e comportamento e uma equivalência de "condicionamento" com ter condições e comportamento alienadamente determinados. Uma leitura de legitimidade ideológica ou condições de legitimidade conceitual definem qual fato do comportamento será classificado como equivalente a autonomia ou equivalente a ser determinado. A visibilidade de condições de determinação do comportamento é uma das formas de deslegitimação de fatos do comportamento. O dinheiro é um exemplo estereotipado de conceito social estabelecido de ter comportamento determinado de forma ilegítima.

terça-feira, 14 de outubro de 2025

Crítica econômica e autismo

A crítica econômica à circulação de dinheiro no tratamento do autismo em parte tem relação com o financiamento público. No entanto, discutir o que deve ser subsidiado não é mera questão político-ideológica e de interesse de grupos. Além disso, discutir a ciência no tratamento do autismo a partir de economia não isenta grupos de interesse de estarem "seguindo o dinheiro" e de provar que suas práticas tem resultados demonstrados inequivocamente e não apenas pela defesa de discursos políticos populares, bonitos e convenientes. Esse tipo de procedimento de avaliação de teorias e práticas em saúde expõe o público a prejuízos advindos de grupos cujo objetivo principal é conquistar espaço dentro do Estado.

sexta-feira, 3 de maio de 2024

Psiquiatria como área pró-social

Um dos motivos pelo qual a psiquiatria é comumente vista como área pró-social é pela equiparação com a medicina física e a percepção social de heroísmo angelical a respeito dos médicos em geral. O contraste de identidades sociais entre psiquiatras, pessoas bem ajustadas e pessoas estigmatizadas e marginalizadas é um fator talvez mais profundo. O prestígio pela sua relação com o externo e o outro (ver Em defesa da Sociedade de Foucault) é mantido pelo desconhecimento das práticas internas da psiquiatria que não são facilmente analisáveis. Mesmo que sejam analisadas as práticas, as emoções frente ao contraste identitário mencionado acima não favorece o reconhecimento de limitações das práticas. Por isso, uma área que se propõe a ser realmente pró-social mantendo o distanciamento crítico em relação à sociedade (reforma psiquiátrica antimanicomial e perspectiva crítica) é mal-vista como área pró louco e contra a sociedade.

quarta-feira, 3 de abril de 2024

Estabilidade como negação da vida

Por vezes, a imposição da estabilidade retira o resto de vida que o paciente psiquiátrico tinha e isso é potencialmente fatal. A noção de estabilidade implica em negação da vida, isto é, ter um vida com acontecimentos e emoções.

Um dos fundamentos desse termo é a equiparação do estado orgânico "disfuncional" com um estado semelhante ao "estado orgânico normal" na medicina física. A analogia da medicina mental com a medicina física implica em certas distorções.

sexta-feira, 23 de fevereiro de 2024

Estabilidade como sucesso terapêutico

Definir sucesso terapêutico como estabilidade tem boas chances de ter origem na psicofarmacologia já que é o mesmo que afirmar que é preciso manter estados orgânicos constantes ou doses constantes de drogas psiquiátricas. Em linguagem experimental isso se chama condição controle e significa manter um valor de variável igual ou constante e que você está suprimindo estados de transição e permitindo observar fatores adicionais introduzidos ou retirados. Dessa forma, a necessidade do tratamento psiquiátrico para a maioria dos casos é justificada pois a preocupação com o orgânico estará nessa perspectiva resolvida.  Ao definir sucesso terapêutico como estabilidade, a implicação é que é preciso manter a droga psiquiátrica por toda a vida e que o término do tratamento é indesejável ou impossível.

quinta-feira, 15 de setembro de 2022

O cultural e o natural

Os fatos do fenômeno comportamental biológico de aprendizagem ou suas condições determinantes de comportamentos pode ser transformado em interpretações holísticas sobre a cultura ou sobre o discurso se o ponto de partida for a perspectiva de ciências humanas ou sociais. As duas perspectivas de conhecimento podem ser semelhantes em suas descrições e é bom que seja assim. Por outro lado, se a perspectiva for de ciências humanas e sociais as intervenções provavelmente serão linguísticas ou argumentações. Já a perspectiva do fenômeno biológico da aprendizagem permite descrever e manejar acontecimentos com precisão, alterando individualmente algo que seria visto como compartilhado culturalmente. Uma interpretação holística pode ser o resultado de muitas variáveis inclusive de natureza diferentes. Interpretações holísticas também podem ser traduzidas para acontecimentos materiais, aumentando as chances de ser possível manejar os acontecimentos determinantes. É preciso tomar cuidado no entanto com o método de conhecimento que usa de procedimentos de inferências abstratas relacionadas e coerentes. A ênfase desse método de conhecimento é mais na coerência a partir de alguns pontos fundamentais e menos na verificação empírica. Um ponto de partida epistemológico sempre é necessário e pontos de partidas equivocados também acontecem em ciências duras consideradas apenas empíricas. Nas ciências naturais (biológicas) também acontece de um fenômeno de outra natureza (social ou cultural) ser interpretado a partir da perspectiva biológica, isto é, erro semelhante à interpretação holística de fenômenos nas ciências humanas ou sociais. É importante que psiquiatras estudem epistemologia pois se estiverem totalmente convertidos somente às ciências naturais e com posicionamento realista a respeito do conhecimento da própria área (esquecendo-se do processo de produção de conhecimento como uma construção) podem cometer muitos erros de interpretação com prejuízos sociais como consequência. A discussão de ontologia e epistemologia precisaria pelo menos ser levantada. Mas a própria caracterização da natureza de um fenômeno também depende de perspectivas sobre as suas propriedades e a epistemológica de perspectivas sobre como conhecer. A relação entre teoria e fatos (nexo lógico) vai ser formulada apenas a partir de uma perspectiva epistemológica e ontológica. Uma conversão teórica pouco pluralista não permitiria considerar ou observar acontecendo outros níveis da "realidade", que muitas vezes também é resultado de conhecimento.

sábado, 9 de julho de 2022

Perdas funcionais e tratamento psiquiátrico (reformulado 2)

Perdas funcionais e tratamento psiquiátrico (reformulado)

A linguagem psiquiátrica se refere à "perdas funcionais" quando os usuários param suas drogas psiquiátricas ou se envolvem em situações nomeadas como crise. 
 
A noção de "perdas funcionais" supõe uma etiologia conhecida (origem) e uma inferência a partir dessa etiologia. Se as evidências dessa etiologia tiverem baixa evidência, as inferências sobre "perdas funcionais" progressivas devido à duração do tempo sem tratamento psiquiátrico devem ser revistas.

Uma etiologia conhecida também é suposta para se propor uma definição operacional das perdas funcionais de um transtorno mental específico. A definição operacional de perdas funcionais envolveria a definição de um instrumento de observação e uma escala de mensuração para os componentes do conceito: estruturas cerebrais que são inferidas ou "observadas" (nem sempre de forma rigorosa ou correta) e que afetariam as realizações sociais (produto das estruturas). As realizações sociais seriam o componente de consequência desses comportamentos. Uma forma de evidência de produto. O componente de repertório comportamental aprendido, implícito em realizações sociais, seria um aspecto chave para reverter o que a psiquiatria chama de "perdas funcionais" decorrentes de alterações orgânicas, isto é, modificando comportamentos para obter consequências socialmente valorizadas. No momento de escrever a primeira versão do texto optei por não falar em estruturas pois isso é mentalismo orgânico (fazer inferências não observadas de estruturas orgânicas como uma explicação a partir dos comportamentos) e também porque duvido da etiologia suposta. A definição de "perdas funcionais" na área de psiquiatria envolveria apenas o impacto de estruturas orgânicas na qualidade do repertório comportamental, avaliado com estatísticas. Mas a aprendizagem de repertório comportamental e sua qualidade envolve muito mais variáveis, com destaque para variáveis ambientais. Além disso, o objetivo não era a coerência com o pensamento teórico sistemático da psiquiatria.

Uma alteração cerebral ou biológica alteraria o padrão dos parâmetros da aprendizagem de comportamentos. Um princípio pouco aceito da análise do comportamento é tomar como funcional todos os comportamentos (análise funcional sistemática). É possível que haja um ambiente hostil. Além disso, parece inverossímil tomar como funcional descrições de pessoas que estão longe das expectativas sociais ou dos gabaritos sociais e não atribuir disfuncionalidade orgânica (modelo sócio-científico com metodologia estatística). É possível que os padrões dos parâmetros de aprendizagem de comportamento estejam alterados. A análise funcional na biologia (função do comportamento) não permite afirmar algo sobre a estruturas biológicas, apesar de ser possível aumentar o peso do fator ambiental. É possível que seja necessário uma complementação com uma análise etiológica. Mas tomar os comportamentos como funcionais (modelo naturalista com metodologia que toma o indivíduo como própria referência) é assumir a responsabilidade em compreender comportamentos e promover a aprendizagem.
 
A descrição da realidade concreta dos usuários a partir de observação e relatos sem recorrer à expressão "perdas funcionais"  leva à delimitação de que são circunstâncias de perdas de realizações sociais nas áreas educacional, afetiva, profissional e social, isto é, perder emprego, interromper cursos e perder matrícula, terminar relacionamentos afetivos e a qualidade das interações sociais. Essa é a base de fatos da alegação de que a doença progride a cada crise e a aplicação de um cálculo aritmético a priori (não empírico) de progressão de doença. A consequência do modelo de "perdas funcionais" é uma dedução teórica e contrafactual de afirmar que o paciente poderia ter sido mais saudável e tido a vida melhor e mais bem sucedida.

Estudos demonstraram que drogas psiquiátricas são danosas para a saúde física, cerebral e comportamental e para a funcionalidade global. Também demonstraram que a melhora da funcionalidade global sem as drogas psiquiátricas é possível e que os transtornos mentais não são tóxicos para o cérebro. Mas sem entrar nessas pesquisas, fazendo uma leitura do componente social, pode-se descrever essas "perdas funcionais" ou perdas de realizações sociais como a quebra de expectativas sociais ou de contratualidade social que podem não ser reversíveis.

Uma leitura social das perdas funcionais a descreve como desacreditação social que acontece após um diagnóstico que usa linguagem psiquiátrica (estigma), as instituições sociais que produzem falta de acesso a direitos sociais e civis e produção de vida para a circunstância de histórico de usuária da psiquiatria mas não somente (o que é institucionalização) e a perda de funcionalidade global resultante dos efeitos das drogas psiquiátricas ou outros tratamentos psiquiátricos. A palavra saúde pode sugerir outro significado, o de saúde biológica, e não ficarem claro os aspectos circunstanciais ou sociais.

Os comportamentos e situações conflituosas ou não esperadas não são necessariamente degenerativas no sentido médico (etiológico), embora a aprendizagem de comportamentos altere o cérebro no sentido positivo e negativo.

domingo, 2 de janeiro de 2022

Psiquiatria preventiva e periculosidade (Análise do discurso)


Notícias de jornal apresentam notícias sobre crimes praticados por pacientes psiquiátricos estruturados como fatos indiscutíveis e ateóricos sobre as características manicomiais dos pacientes psiquiátricos e a psiquiatria preventiva de Caplan. Fatos estruturados como se não houvesse discursos, conceitos ou teorias determinando essa estruturação de apresentação dos fatos.

A partir de conceitos manicomiais que na verdade são teorias antigas que se tornaram senso comum ou conceitos da psiquiatria atual conclui-se que a psiquiatria preventiva de Caplan é uma explicação necessária. Esse discurso é ingênuo pois uma explicação não deve ser necessária mas deve ser correta e eficaz. Dizer que essa explicação é necessária é presumir sem discussão que ela é correta anteriormente. Uma explicação boa é capaz de manipular com sucesso as variáveis. Esse discurso sobre a necessidade da psiquiatria preventiva de Caplan supõe com possível má-fé que se não houvesse nenhum crítico dessa perspectiva e nem da psiquiatria biológica/farmacológica tudo correria bem. O que é uma forma de aniquilação simbólica ou hipótese ad hoc, isto é, um bode expiatório para as limitações dessa perspectiva.

A psiquiatria preventiva de Caplan afirma que o que nomeia como doença mental é um fenômeno puramente interno ao organismo que ocorre independentemente de espaço e tempo (não situado no mundo) e que evolui linearmente e progressivamente a cada situação que chama de crise. Nessa perspectiva o paciente psiquiátrico é um suspeito de potencialmente causar mal social e portanto as mínimas manifestações do que chama de desvio social devem ser tratadas farmacologicamente à força ou involuntariamente por toda a vida.

A partir dessa descrição da psiquiatria preventiva de Caplan é fácil perceber sua base manicomial. O paciente psiquiátrico possui dentro dele a característica da periculosidade. E o que acontece situado no mundo que depende de tempo espaço é desconsiderado como irrelevante para a evolução de comportamentos que nomeia como doença mental.

Pressuposições implícitas na psiquiatria preventiva de Caplan só podem ser desconstruídas com pesquisas articuladas entre si e não serão escopo dessa análise do discurso.

O objetivo desse texto portanto é realizar uma análise do discurso com escopo de dados de notícias de jornais sobre crimes de pacientes psiquiátricos e sua relação com a psiquiatria preventiva de Caplan, isto é, discursos ocultos estruturados e apresentados como fatos neutros.

O segundo objetivo é ser um estudo exploratório sobre os discursos sociais da periculosidade da doença mental.

Resultados esperados: 

- Indicar a relevância do espaço e tempo (história ambiental ou ambiente atual) numa explicação bem sucedida. 

- Sugestão do paciente psiquiátrico como puro mal ou mal do mundo. 

- Sugestão de que o crime surgiu do nada.

- Sugestão de que o tratamento psiquiátrico não foi realizado e que por isso a doença mental progrediu linearmente.

- Sugestão de que o que nomeiam como doença mental é condição necessária e suficiente para a prática de crimes graves.

Corpo de dados:

[Os trechos não serão apresentados com análise em conjunto pois são repetitivos e apenas esboçam uma estratégia discursiva em comum descrita na conclusão geral]

Conclusão geral:

Os textos cometem erro elementar de lógica ao usar ilustrações (exemplos) como se fossem argumentos. Os efeitos discursivos dessa estratégia são provavelmente confirmar um modelo científico naturalizado no senso comum que não precisa nem ser enunciado. O discurso implícito é presumido e apresentando como fatos estruturados. A psiquiatria preventiva de Caplan é bastante presente nos textos mas de forma implícita. Poucos textos descrevem as situações dos crimes e muitos enfatizam que a crise é sinônimo de periculosidade e que esquizofrenia é condição necessária e suficiente para a periculosidade. Enquanto alguns textos enfatizam a interrupção do tratamento outros não mencionam isso e apenas mencionam o histórico psiquiátrico. Essa ausência provavelmente é sinal de que o tratamento estava em dia pois caso contrário isso seria mencionado e que o histórico psiquiátrico seria considerado condição suficiente para a periculosidade. Um dos textos tem discurso de um psiquiatra como especialista que é apenas uma versão mais elaborada do discurso do resto dos textos. Alguns dos perfis retratados tem características redentoras como ter tido família própria e filhos (divórcio), estar seguindo o tratamento, não estar em crise há muito tempo, ser considerado normal em outros contextos, ser considerado uma pessoal afável, ser estudante de medicina / estudante universitário e estar em tratamento com médicos qualificados. O que de certa forma são contraexemplos que não se alinham com a estratégia discursiva de caracterizar um desviante. Uma implicação desse modelo científico é que as injeções de longa duração solucionariam o problema da interrupção de tratamento e portanto da progressão linear da doença mental e da periculosidade. Estamos esperando para ver isso acontecer. Houve sugestão de que os atos aconteceram do nada. A ênfase em contextos inteligíveis foi fraca ou pouco frequente nos textos (relevância do espaço e tempo ou das contingências de reforço). Quando os fatos não estão claros se sentem seguros em inferir um possível surto.

O discurso médico é presumido como única verdade impositiva e infalível. Seria possível com um senso comum mais favorável fazer a mesma coisa com as contingências de reforçamento, isto é, se as pessoas soubessem o que é isso esses problemas não ocorreriam. Significando isso que contextos aversivos e coercitivos ou outras formas de contingências de reforçamento como reforço livre ou estilos parentais pouco favoráveis a comportamentos desejáveis podem gerar comportamentos criminosos.  Senso comum naturalizado permite adotar discursos prepotentes de infalibilidade do modelo psiquiátrico já que esse não poderia ser colocado em cheque. Usar ilustrações ou exemplos como casos paradigmáticos é pular a discussão científica anterior e partir direto para implicações que só podem ser previstas a partir de hipóteses solidamente comprovadas.

domingo, 26 de setembro de 2021

Violação de expectativas culturais e saúde

 É importante fazer engenharia reversa do que se tornou "sintomas psiquiátricos" explicitando quais expectativas culturais foram violadas quando se atribui um diagnóstico psiquiátrico a alguém. Exemplos de expectativas culturais podem ser obediência aos superiores ou aos pais, respeito ao senso comum, compostura, comedimento, etc. A real origem do diagnóstico psiquiátrico é a violação dessas expectativas culturais e se comportar de forma a respeitar essas expectativas deveria ser considerado uma reversão do problema sem precisar de inventar uma estrutura dentro do organismo que possibilita isso (mentalismo orgânico).

quarta-feira, 12 de maio de 2021

Discurso hippie em termos analítico-comportamentais

Uma tradução do discurso hippie em termos analítico-comportamentais


Working Class Hero - John Lennon

Herói da classe trabalhadora - John Lennon


As soon as you're born, they make you feel small

Tão cedo quanto você nasceu, eles fazem você se sentir pequeno

By giving you no time instead of it all

Ao te dar pouco tempo, ao invés disso tudo

[A sociedade educa membros novos através de ameaças com a finalidade de fazer se comportar como o sistema espera, o que toma todo o tempo, ao invés de fornecer repertório de empoderamento]

Till the pain is so big you feel nothing at all

Até a dor ficar tão grande que você não sente nada

[Até você sentir os efeitos colaterais das contingências aversivas]

A working class hero is something to be

Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]

A working class hero is something to be

Um herói da classe trabalhadora é algo para ser


They hurt you at home and they hit you at school

Eles te machucaram em casa e eles te bateram na escola

[Eles usam contingências aversivas em casa e na escola]

They hate you if you're clever and they despise a fool

Eles te odeiam se você é esperto e eles desprezam um tolo

[Eles te punem se você é mais ou menos esperto que a média]

Till you're so fucking crazy you can't follow their rules

Até você ficar tão maluco que você não pode seguir as regras deles

[Até começar a reagir às contingências aversivas]

A working class hero is something to be

Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]

A working class hero is something to be

Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]


When they've tortured and scared you for twenty odd years

Quando eles te torturam e te amedrontaram por 20 anos estranhos

[Eles usaram contingências aversivas por toda a sua vida até agora]

Then they expect you to pick a career

Então eles esperam que você escolha uma carreira

When you can't really function, you're so full of fear

Quando você não está realmente funcional, você está cheio de medo

[Você escolhe uma carreira sob contingências aversivas, sofrendo os efeitos colaterais emocionais e déficit de repertório]

A working class hero is something to be

Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]

A working class hero is something to be

Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]


Keep you doped with religion and sex and TV

Mantendo você dopado com religião, sexo e televisão

[O aspecto agradável do reforço pode te alienar]

And you think you're so clever and classless and free

E você pensa que é tão esperto, sem classe e livre

[Você se sente livre pelo reforço positivo mas está seguindo estratégias de controle do sistema social e sente que isso é um comportamento inteligente]

[Numa sociedade sem classe a motivação para se destacar sendo mais produtivo economicamente não era considerada uma virtude.]

But you're still fucking peasants, as far as I can see

Mas você continua sendo um merda de um camponês, até onde consigo ver

[Mas você é só uma peça no sistema que está recebendo pouco]

A working class hero is something to be

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]


A working class hero is something to be

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]

There's room at the top, they are telling you still

Há espaço no topo, ele estão te dizendo ainda

[Os reforçadores são alcançáveis]

But first you must learn how to smile as you kill

Mas primeiro você deve aprender a sorrir enquanto mata

[Mas você deve obedecer sem pensar nas consequências sociais dos seus atos]

If you want to be like the folks on the hill

Se você quiser ser como o pessoal da colina

[Se você quiser ser uma pessoal com distinção]

A working class hero is something to be

Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]

A working class hero is something to be

Um herói da classe trabalhadora é algo para ser

[É esperado que você seja um herói da classe trabalhadora]

If you want to be a hero, well just follow me

Se quiser ser um herói, bem apenas me siga

[Você está recebendo incentivos do sistema social para cumprir interesses escusos]

If you want to be a hero, well just follow me

Se quiser ser um herói, bem apenas me siga

quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021

Loucos desaparecidos - Análise do discurso

Rapper de São José, Leonardo Irian é encontrado após cinco dias desaparecido

Trechos:

Sofre de esquizofrenia

(linguagem passiva)

está bem de saúde, em casa e medicado

(É preciso medicar para evitar a progressão da doença. Deve estar com a família sem autonomia. Só pode estar bem seguindo o tratamento psiquiátrico.)

Ele teria se perdido na volta.

(Ele se perdeu por estar desorientado)

Análise: A linguagem da matéria toda é na linguagem passiva, com o paciente psiquiátrico sofrendo de algo passivamente, sem capacidade de decisão e sem agência. Outras pessoas fazem algo ativamente mas  o paciente não. Ele precisa que algo seja feito a ele. Ele é basicamente um objeto em deterioração e desorientado.


Paciente com esquizofrenia desaparece após fugir de hospital na Serra

Trechos:

Fugiu e desapareceu. 

já que, em função do transtorno psiquiátrico, caracterizado principalmente por alucinações visuais e auditivas, Marcos tornou-se muito agressivo. Por isso, ele pode representar um risco não só para si próprio como também para outras pessoas. 

Ela mostrou que ele era incapaz. Ou seja, todos ali corriam perigo. Eu falei pra médica que eles foram irresponsáveis porque todos estavam correndo perigo, porque ele é capaz de matar. Isso é um perigo para a população

Eu tenho medo de ficar com ele. Ele vive em uma casa gradeada e, quando ele está bem, com a medicação, a gente solta ele, então ele circula pelo quintal, dentro da casa dele, faz o que ele quer

Análise: família com linguagem completamente manicomial (“incapaz e perigoso”) e a família é tão manicomial que até faz cárcere privado. A única razão para agressividade é a entidade patológica e a  única razão para ele ficar bem e ter um pouco de liberdade é a medicação. Quem não segue tratamento é um grande risco para si e para os outros. 

Linguagem na voz ativa mas agressivo. Não tem condições de ser autônomo por ser incapaz e perigoso (linguagem manicomial). Afirmar a própria autonomia é uma afronta agressiva. É possuído passivamente por uma entidade patológica que desorienta. A família lida com a entidade patológica e não com a pessoa por inteiro enquanto humana (desumanização). Com essa linguagem a família parece estar invalidando as necessidades do paciente enquanto ser humano pois não respeita os direitos humanos do paciente como mostra a linguagem manicomial e o cárcere privado.


Mulher está desaparecida em Marcelino Ramos

Trechos:

Senhora com esquizofrenia (A senhora tem uma entidade patológica externa a ela que a possui).

já saiu outras vezes, devido sua doenças (A moradora de residência terapêutica só usufrui da própria autonomia sem avisar outras pessoas por conta de uma entidade patológica).

Fugiu (Então devia estar muito bom na residência terapêutica mas como ela tem uma entidade patológica externa a ela não conseguiu perceber isso. A linguagem desresponsabiliza os responsáveis pela qualidade de vida na residência terapêutica.)


Marcos Alexandre Cruz, de 38 anos, saiu de casa no sábado (9) e não voltou mais; segundo a família, homem tem esquizofrenia

Trechos:

Ainda segundo Leila, essa não é a primeira vez que Marcos sai de casa. Em outros episódios ele chegou a ir para as cidades de Valinhos e Porto Feliz. No entanto, diferente desta vez, Marcos sempre retornava para a casa no mesmo dia. 

Ainda de acordo com ela, os desaparecimentos acontecem em virtude da esquizofrenia. "Ele tem que tomar remédio, mas nega o tratamento. Foi diagnosticado ainda na adolescência. Ele está há 4 meses sem tomar a injeção", disse. 

Análise: Sem seguir o tratamento psiquiátrico não é seguro sair de casa e ter autonomia.

Jovem com esquizofrenia que estava desaparecido é encontrado em Alumínio

Trechos:

"Ele estava muito confuso e só soube responder falando da clínica aonde ele estava em tratamento. Foi o que morador fez, pesquisou nas redes sociais e encontrou o telefone da clínica, eles já estavam ciente do desaparecimento dele", explicou. 

O rapaz foi resgatado pelos funcionários da clínica e, segundo a irmã, vai retomar o tratamento. 

Análise: A única razão pela qual ele fugiu da clinica (a palavra fugiu nem é usada) é porque ele estava confuso. A qualidade da clínica não tem relação nenhuma com os pacientes fugirem. A internação também foi apenas devido a confusão e a família não tem relação nenhuma com isso.

Os heróis da clínica resgataram o rapaz e ele voltou a fazer tratamento involuntário/forçado. O que é irregular segundo a Convenção da ONU de pessoas com deficiência.


Jovem com esquizofrenia é encontrada após desaparecer por oito dias

Trechos:

Ela teria fugido de casa após sofrer um surto.

Em casa, Érica deixou uma carta para a família, dizendo que estava indo para o interior, à procura de emprego, e que voltaria quando estivesse estabilizada.

Análise: A única razão pela qual ela fugiu de casa foi a entidade patológica. A entidade patológica mesmo que seja duvidosa na pesquisa psiquiátrica possui realidade social. Aparentemente tentar ser independente é sinal de surto psicótico para a família (paciente psiquiátrica desacreditada socialmente).


Família procura por mulher com esquizofrenia que desapareceu em Belo Horizonte

Trechos:

Estudante, Mariana é portadora de esquizofrenia e recebe tratamento psiquiátrico no Hospital Espírita André Luiz na região Oeste de Belo Horizonte, como conta a tia dela, Vânia de Freitas Drumond. “Ela ficou internada por dois meses no André Luiz e recebeu alta uma semana antes de desaparecer, no dia 17. No dia em que ela desapareceu, ela estava falando coisas desconexas com o pai e com a mãe. Saiu e não voltou mais, era o dia do atendimento com o psiquiatra”. À data em que desapareceu, Mariana chegou a dizer à família que iria até a polícia e saiu sem levar quaisquer documentos e até mesmo o celular.

Análise: Por ter falado que ia na polícia e ter sido internada provavelmente estava ruim a situação com a família. Mencionar coisas desconexas é relativo à interpretação da família. Alguém que sabe escutar consegue encontrar algum significado contextual. Provavelmente estava insatisfeita com o tratamento psiquiátrico involuntário – o que é irregular segundo a Convenção da ONU sobre pessoas com deficiência.


Família procura por idosa desaparecida há 12 dias em Sorocaba

Trecho:

Sem os remédios, se comporta de forma agressiva.

Análise: A única razão possível para ela ficar agressiva é a falta de remédios, isto é, o desequilíbrio químico. Desequilíbrio químico é uma hipótese que nunca foi provada.


Conclusão geral

Poucas reportagens se referem à perspectiva do paciente e todas enfatizam o discurso médico e da família. Portanto, isso indica o silenciamento da perspectiva do paciente psiquiátrico. Conclui-se que seria necessário fazer reportagens com foco em discurso psicossocial e que o discurso psiquiátrico empregado torna uma questão sensível e potencialmente constrangedora num assunto aparentemente impessoal: a condição médica da pessoa. É tanto possível ter um repertório inapropriado generalizado quanto melhorar de saúde mental em um contexto menos complicado. Mas as reportagens assumem que os comportamentos inapropriados nomeados como a entidade esquizofrenia tem origem dentro da pessoa (internalismo). Isso é modelo médico em saúde mental. Jornalistas comprometidos com a reforma psiquiátrica enfatizariam o lado humano e contextual/cultural.


terça-feira, 14 de julho de 2020

Normalidade como discurso ideológico

O discurso da normalidade é um discurso ideológico no sentido de favorecer interesses de grupos dominantes ou que querem tirar alguma vantagem. Se ajustar à ideologia traz muitas vantagens, não é algo de consequências ruins. Mas é preciso levar em consideração que o discurso da normalidade não necessariamente serve à própria pessoa à quem se exige que adote posturas adequadas (às exigências de um grupo de pessoas).

quarta-feira, 20 de maio de 2020

Série de análise conceitual de manual de psiquiatria e neurociências

A psiquiatria não sabe as causas do transtornos

Na medicina, o entendimento de uma doença e, portanto, de seu diagnóstico baseiam-se fundamentalmente na identificação de (1) fatores etiológicos, como microorganismos, toxinas ou riscos genéticos, e (2) patogênese, ou seja, os mecanismos pelos quais os agentes etiológicos produzem a doença. Infelizmente, a etiologia e patogênese de muitos transtornos mentais não foram determinadas. Por isso, os diagnóstico psiquiátricos ainda têm como base a descrição dos sintomas do paciente, as observações do examinador, uma história natural detalhada (o curso da doença no decorrer do tempo) e a resposta ao tratamento.

É claro, a apresentação de único sinal ou sintoma não é em si evidência de doença, podendo ocorrer em pessoas saudáveis.

Livro: Princípios de neurociência (Manual de psiquiatria e neurociência)
Autor: 1) Kandel

Comentário: 

1) A psiquiatria organicista ainda não sabe as causas dos transtornos mentais. Mas quase todas as pessoas acreditam que sim. 

2) O diagnóstico é feito com base em comportamentos e por isso não necessariamente indica uma causa orgânica subjacente mas uma correlação. A não ser que haja o desejo e interesse nesse raciocínio. 

3) "O diagnóstico se baseia em observações do examinador". Portanto, o diagnóstico se baseia em interpretação subjetiva do examinador. Pelo menos a filosofia da ciência acredita ser ingênuo defender que observações são feitas sem modelo conceitual prévio. Apenas pela naturalização cultural de um construto baseado no modelo médico como socialmente evidente em si mesmo é que se pode falar em observação de fatos sem modelo conceitual prévio.

4) O diagnóstico se baseia na resposta ao tratamento. No final do capítulo os autores admitem que a resposta ao tratamento ainda deixa bastante a desejar.

"Encontradas alterações cerebrais" (não sistemáticas)

Nos manuais de psiquiatria e neurociências se afirma ao mesmo tempo que não se sabe os determinantes fisiopatológicos e etiológicos e também que não há um exame objetivo, e nem que a lista de sintomas permita definições de estados de doença que permitam uma verificação científica.

Mas ao mesmo tempo apresenta "alterações cerebrais encontradas" dentro de uma classificação diagnóstica sem mencionar que estas não podem ser consideradas sistemáticas e universais dentro de uma classe diagnóstica pois não foram encontradas em todos os casos e nem apenas dentro de uma classe específica.

Livro: Princípios de neurociência (Manual de psiquiatria e neurociências)
Autor: 1) Kandel

Promessa eterna (e frustrada) da psiquiatria


Livro: Princípios de neurociência
Autor: Kandel 

Outras formas de excitação fisiológica na psicose (crítica)


Comentário: 

1) Parece que há margem dizer que eles chamam a excitação psicofisiológica excessiva de psicose.
2) Não há necessariamente uma relação direta com a dopamina pois o efeito da redução ou aumento de outros neurotransmissores também pode excitar excessivamente a psicofisiologia.
3) O tratamento psiquiátrico poderia ser feito com outras formas de redução da excitação da psicofisiologia e não necessariamente usando a a alegada redução da dopamina como um antídoto à psicose. Inclusive maneiras não farmacológicas como alterar o ambiente e o comportamento, ou o biofeedback.

Livro: Princípios de neurociência (Manual de neurociência e psiquiatira)
Autor: 1) Kandel

Neurolépticos ainda deixam seriamente sintomáticos [Fracasso]

"Apesar desse progresso, os fármacos existentes para tratar a esquizofrenia, tão úteis quanto possam ser, ainda deixam os pacientes seriamente sintomáticos aguardando novas descobertas da neurociência."

[Comentário: Admitindo o fracasso do tratamento psiquiátrico e esperando por um futuro que nunca chega mas fomenta pesquisas infinitas]

Livro: Princípios de neurociências (Manual de psiquiatria e neurociências)
Autores: 1) Kandel

Reações de parkinson ao iniciar neurolépticos

No início do "tratamento" com neurolépticos se produz sintomas de parkinson (deficiência de dopamina). Não dá nem para imaginar porque... talvez seja porque se está produzindo uma deficiência real e artificial de dopamina e não uma regulação do desequilíbrio químico para um nível "ótimo".

"b) Reações parkinsonóides
Após a primeira semana de uso de antipsicótico. Há um tremor de extremidades,
discreta hipertonia com rigidez muscular, hipercinesia e facies inexpressiva. Pode
haver desaparecimento dos sintomas após 3 meses de utilização do neuroléptico,
como por tolerância ao uso."

Síndromes tóxicas por neurolépticos

Outras formas de excitação fisiológica na psicose (crítica)



Comentário: 

1) Parece que há margem dizer que eles chamam a excitação psicofisiológica excessiva de psicose.
2) Não há necessariamente uma relação direta com a dopamina pois o efeito da redução ou aumento de outros neurotransmissores também pode excitar excessivamente a psicofisiologia.
3) O tratamento psiquiátrico poderia ser feito com outras formas de redução da excitação da psicofisiologia e não necessariamente usando a a alegada redução da dopamina como um antídoto à psicose. Inclusive maneiras não farmacológicas como alterar o ambiente e o comportamento, ou o biofeedback.

Livro: Princípios de neurociência (Manual de neurociência e psiquiatira)
Autor: 1) Kandel

sábado, 25 de abril de 2020

Ideologia, análise do discurso e reforma psiquiátrica

Segundo a análise do discurso e a sociologia do conhecimento todo grupo é ideológico, isto é, adota discursos que defendem interesses de grupo. A diferença é se essa defesa do interesse de grupo também beneficia a sociedade de verdade ou se usa de estratégias discursivas de defesa do próprio interesse como se fosse a defesa do interesse da sociedade.

A partir disso é possível refletir se os interesses financeiros ligado à Associação Brasileira de Psiquiatria (indústria farmacêutica, hospitais, serviços médicos e equipamentos) também se reflete em benefícios sociais ou se a defesa da reforma psiquiátrica como política pública beneficia só os funcionários públicos da saúde e os políticos de esquerda ou se defende também o interesse público.

sábado, 14 de dezembro de 2019

Regras de transformação e generalizações exageradas nos diagnósticos

As regras de transformação para classificação diagnóstica levam a generalizações exageradas nas implicações de certos comportamentos apresentados pela pessoa diagnosticada.

O que começa como uns poucos comportamentos num contexto específico se transformam na essência biológica da pessoa. Com mais uma regra de transformação a pessoa é levada a sofrer com os efeitos negativos das drogas psiquiátricas. Com mais outra regra de transformação a pessoa passa a ser uma incapacitada e a ser tratada diferente pela família, sociedade e mercado de trabalho.

Sem aplicar essas regras de transformação da psiquiatria biológica e descrevendo apenas o que acontece em contextos específicos é possível encontrar o escopo real ou domínio de fatos reais do diagnóstico. É muito mais demilitado descrever cada comportamento sem aplicar regras de transformação de comportamentos em sintomas de um diagnóstico.

O diagnóstico não existe por si só (é uma inferência), os comportamentos sim (são fatos descritos).

quinta-feira, 24 de outubro de 2019

Discurso dos anúncios farmacêuticos

Engraçado o discurso dos anúncios farmacêuticos: sabemos que você acha inconveniente cuidar da saúde, portanto cuide através de drogas farmacêuticas.