Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
Mostrando postagens com marcador Pais e filhos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Pais e filhos. Mostrar todas as postagens

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Respeito: pais e filhos / rua e casa

rua: descontrole e massificação
casa: controle e autoritarismo.

 E, realmente, a oposição entre rua e casa é básica, podendo servir como instrumento poderoso na análise do mundo social brasileiro, sobretudo quando se deseja estudar sua ritualização.

 De fato, a categoria rua indica basicamente o mundo, com seus imprevistos, acidentes e paixões, ao passo que casa remete a um universo controlado, onde as coisas estão nos seus devidos lugares. Por outro lado, a rua implica movimento, novidade, ação, ao passo que a casa subentende harmonia e calma: local de calor (como revela a palavra de origem latina lar, utilizada em português para casa) e afeto. E mais, na rua se trabalha, em casa se descansa. Assim, os grupos sociais que ocupam a casa são radicalmente diversos daqueles da rua. Na casa, temos associações regidas e formadas pelo parentesco e relações de sangue; na rua, as relações têm um caráter indelével de escolha, ou implicam essa possibilidade. Assim, em casa as relações são regidas naturalmente pelas hierarquias do sexo e das idades, com os homens e mais velhos tendo a precedência; ao passo que na rua é preciso muitas vezes algum esforço para se localizar e descobrir essas hierarquias, fundadas que estão em outros eixos. Desse modo, embora ambos os domínios devam ser governados pela hierarquia fundada no respeito, conceito relacional básico do universo social brasileiro (cf. Viveiros de Castro, 1974), o local básico do respeito se situa nas relações entre pais e filhos, sobretudo no eixo que, em muitos contextos, parece reproduzir nitidamente a relação patrão-empregado.

terça-feira, 14 de fevereiro de 2023

Boa gente no Brasil

O mesmo ocorre nas passeatas (esses desfiles de protesto), pois o proposito da marcha é uma demonstração contra alguma atitude tomada como injusta pelos desfilantes, agora chamados de "manifestantes", palavra com conotações negativas no Brasil. esse reino do conformismo. Como nas procissões e nas paradas, o alvo do desfile é claro: comemora-se, protesta-se. Sabe-se, numa palavra, o sentido da festividade, da marcha, da reunião. É precisamente isso que provoca a congregação, a aglutinação e, finalmente, a incorporação. Pois, é preciso haver um alvo comum para que os individuos possam transformar-se num conjunto, numa associação. Ora, quando o rito tem um sujeito, ou um dono, é isso que forma o ponto focal da festa e da marcha. É o ponto-chave, o simbolo focal da reunião, o que lhe dá, ao mesmo tempo, um motivo, um sentido e uma unidade. Mas, no carnaval, quem é o dono da festa? Respondendo a essa questão, falamos que "cada qual brinca como pode", pois "o carnaval é de todos". 
Realmente, essa talvez seja a única festa nacional sem um dono. Destaco que na inocência das expressões acima existe um alto conteúdo distributivo e, naturalmente, compensatório. Isso numa sociedade tão centrada na imposição de formas e fórmulas fixas, na sua maioria com um formato jurídico definitivo, nos modos de fazer, reproduzir, comemorar, ritualizar. Seja na "rua" ou em "casa", o brasileiro está normalmente sujeito a regras fixas sque demandam um relacionamento constante entre ele e o seu grupo. De fato, essas regras (e modos de fazer) atrelam o individuo ao grupo (ou a grupos), impedindo sua ação atomizada (como indivíduo) que sempre fica situada fora das normas e tende, como conseqüência, a ser vista e interpretada como ilegítima. Desse modo, o projeto da sociedade brasileira, com suas regras e ritos, é fazer dissolver e desaparecer o individuo. Entre sua vontade individual e um curso de ação ditado pelas normas e ritos, o brasileiro oscila, concilia e interpreta. Nunca é dono de si mesmo, mas, ao contrário, é possuido pelas leis, normas e portarias. Assim, em casa, o individuo está sujeito ao rigido código de amor e respeito à sua família, grupo visto como inevitavel e inescapável, do qual ele é um perpétuo dependente e no qual dissolve sua individualidade em muitas ocasiões. A esse grupo, conforme quer nossa ética social, "tudo se deve" pois e nele que se aprende a ser "alguém", a tornar-se uma pessoa. O mundo da "rua" porém, é o oposto. Nele, vemos o individuo desgarrado de seu grupo moral e, por isso mesmo, sujeito aos códigos impessoais do trânsito, da oferta e da procura, do municipio e do Estado . Não é, pois, por acaso que é precisanente nesse meio hostil e quase sempre carente de hierarquias e complementaridade que o brasileiro utiliza os ritos de afastamento e de reforço, como aquele implicado na expressão "sabe com quem está falando?", todas as vezes em que se sente esmagado pelas normas impessoais e deseja mostrar que, afinal, "é alguém", como veremos mais adiante, no Capitulo IV. No Brasil, então, a passagem da casa para a rua é sempre ritualizada. Preparar-se para sair de casa é não só uma expressao corrente, mas um modo de tomar consciência (ou seja, ritualizar ou dramatizar) essa passagem de um lugar seguro onde reina a complementaridade e a hierarquia, para outro muito mais individualizado, onde se é anônimo. Nessa passagem é preciso "arrumar o corpo", tornando-o publicamente apresentável. A roupa e a aparência (que inclui o modo de andar, falar e gesticular) ajudam a manter uma posição de membro de uma "casa", mesmo quando se está em plena "rua" ajudam a revelar que o interlocutor é "gente que se lava", "gente de berço", que obviamente tem "onde cair morto" pois isso é sinal indicativo de ter uma casa como propriedade permanente e estar sempre num mesmo local, onde pode ser encontrado e todos se conhecem. Inconcebível essa mobilidade extrema dos americanos, que nunca estão preocupados em ter uma casa e vivem, às vezes, em casas móveis! A roupa e a preocupação com a aparência, sobretudo no ato de ir (ou estar) na rua, demonstram que se deseja vestir um etiqueta social no corpo, como um sinal contra o anonimato. Tudo isso serve como instrumento para permitir - no universo individualizado da rua - o estabelecimento de hierarquias e
criar os espaços onde cada um possa perceber e saber "com quem está falando". Diríamos então que no Brasil todas as situações sociais têm algum "dono". Se este não é uma pessoa concreta, é um santo. Se não é um herói, é algum domínio. Sempre, e este é o ponto-chave, existe uma necessidade de impor um código qualquer, de modo que a situação possa ser hierarquizada. Mas no carnaval as leis são mínimas. É como se tivesse sido criado um espaço especial, fora da casa e acima da rua, onde todos pudessem estar sem essas preocupações de relacionamento ou filiação a seus grupos de nascimento, casamento e ocupação. Estando, de fato, acima e fora da rua e da casa, o carnaval cria uma festa do mundo social cotidiano, sem sujeição às duras regras de pertencer a alguém ou de ser alguém. Por causa disso, todos podem mudar de grupos e todos podem se entrecortar e criar novas relações de insuspeitada solidariedade. No carnaval, se o leitor me permite um paradoxo, a lei é não ter lei.

sexta-feira, 27 de janeiro de 2023

Motivações inconscientes / contingências de reforço

O uso da noção de motivações inconscientes na psicanálise é semelhante ao uso da noção de contingências de reforço. Ambos descrevem motivações e ambos não precisam ser conscientes.

terça-feira, 24 de janeiro de 2023

Relações familiares esquizofrenogênicas

Em fabricação da loucura de Szasz há uma nota de rodapé sobre a hipótese da mãe esquizofrenogênica. Ele afirma que as relações familiares são o aspecto mais claro mas que o exame do papel da psiquiatria e do Estado é confortavelmente deixado de lado.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2022

Poder econômico, status e consequências de comportamentos

 Não é algo que se restringe à relações de produção e consumo. O custo de produzir (nem sempre em jogo) e o custo de pagar leva a desejar obter comodidades em troca.

Uma das comodidades que o dinheiro traz é não se preocupar tanto com as consequências dos próprios comportamentos nas pessoas que não tem condições de fazer o mesmo (filhos ou outros dependentes).

Um dos problemas da "loucura" é não ter condições de fazer isso, desequilibrando bastante as relações de poder. Um exemplo era a condição de indigentes que eram submetidos as pessoas internadas em manicômios.

É interessante pensar nessa continuidade de um mesmo processo. É por isso que algumas pessoas são obrigadas a ir no psiquiatra, psicólogo, ir internado. Ou inversamente, o status econômico ou outras formas de status protegem a pessoa. Por exemplo, quem consegue pagar uma internação, um psiquiatra, etc.

terça-feira, 21 de dezembro de 2021

O híbrido marido-filho

Existe uma classe de homens na sociedade. Eles podem parecer homens normais, eles podem agir como homens normais; em certos aspectos, eles podem ser bastante normais. No entanto, se você cavar um pouco mais fundo, verá que esses homens vivem em circunstâncias muito peculiares em casa com suas famílias.

Tradução:


Síndrome de filho-marido mãe-esposa

Quando um filho, consciente ou inconscientemente, assume o papel de marido da mãe, excluindo o sexo. A mãe costuma ser superprotetora e ciumenta dos relacionamentos sérios do filho. Este é um distúrbio comum em mães solteiras.

Um exemplo da Síndrome de filho-marido mãe-esposa é; Mama Dee e Scrappy em "Love and Hip Hop" da VH1; Tasha Mack e Malik no "The Game" da BET.

quarta-feira, 27 de outubro de 2021

Filhos e sentido na vida (Szasz)

Crianças não pedem para nascer. Os pais criam filhos para dar sentido às suas vidas, não vidas aos filhos.

Thomas Szasz - Palavras para os sábios. Dicionário médico-filosófico

sexta-feira, 19 de fevereiro de 2021

Repertório especial de pais e parceiros e psiquiatria

Pais e parceiros apresentam repertório especial com filhos e parceiros. Nesse sentido, um psiquiatra pode julgar que se o filho está incomodado ou sofrendo deve haver algo errado com o organismo do filho. Pois os pais vão parecer bem ajustados e adaptados à sociedade enquanto o filho vai parecer mal ajustado e mal adaptado. Mesmo se os pais apresentarem comportamentos complicados em outras situações isso dificilmente vai ser levado em consideração.

Inspirado em Skinner - Notebooks (1980). (Seria melhor colocar essa citação)

Obs: A maior chance é que o psiquiatra fique do lado de quem paga a consulta e contra a pessoa com menos poder.

domingo, 30 de agosto de 2020

Consciência forte, conservadorismo e rejeição da singularidade/criatividade

Assim como o animal de laboratório, que gasta todo seu tem-
po esquivando-se de choques, pessoas que têm uma consciência forte
podem andar em um curso estreito. Elas obedientemente fazem o
que é esperado, raramente tentando algo novo. Elas são confiáveis,
corajosas, transparentes e reverentes. Junto com estas inquestioná-
veis virtudes pessoais, entretanto, elas freqüentemente consideram
criatividade uma coisa perigosa, desaprovando-a em si mesmas e nos
outros. Elas freqüentemente consideram a singularidade perturbadora;
ação, crença ou aparência não-convencionais ameaçam sua seguran-
ça. E quando as condições mudam, quando a sociedade relaxa algu-
mas contingências e estreita outras, elas freqüentemente são incapa-
zes de adaptar-se; mudanças as ultrapassam. Estes subprodutos
infelizes de coerção "efetiva" também devem ser esperados quando a
comunidade constrói consciências individuais por meio de punição.

Se frutos proibidos continuam a nos atrair, a comunidade
haverá de nos considerar como tendo consciência fraca e sendo,
portanto, perigosos. Mesmo sem burlar a lei, podemos nos descobrir
com problemas. Simplesmente adotar um estilo de vida incomum
pode nos colocar em conflito com a comunidade mais ampla; ela
considera o diferente como não-confiável. Também podemos nos
sentir em guerra conosco quando somos fortemente tentados a fazer
coisas que aprendemos a chamar de "ruins" ou "perigosas", ou
quando nos descobrimos realmente "indo contra nossa consciência".
Não apenas a comunidade deixa de confiar em nós porque não
podemos nos controlar, mas é provável que não confiemos ou que
desprezemos a nós mesmos. Estas características distintivas de de-
sordens de personalidade e de neuroses são subprodutos adicionais
das práticas coercitivas que a comunidade usa para estabelecer a
consciência individual.

Coerção e suas implicações - Sidman

terça-feira, 25 de agosto de 2020

Adolescência e cuidado dos pais

 Atenção, por exemplo, usualmente um reforçador positivo para uma criança, pode

colocar problemas delicados depois que a criança tornou-se um

adolescente. Pais que cuidam demais, ou muito intensamente, podem 

ser vistos como intrometidos e controladores. Atenção, então,

funcionará como um reforçador negativo; é provável que os pais

notem que sua filha de 16 anos não parece mais querer falar com

eles, fica fora de casa tanto quanto possível e, quando em casa,

permanece calada.


Tendemos a ver o que queremos ver. Portanto, os pais podem precisar

da ajuda de um observador não-envolvido.

O observador pode recomendar que eles respondam às confidencias

de sua filha com afetuoso interesse, mas sem bisbilhotar; que eles

mostrem não apenas seus temores em relação ao seu bem-estar,

mas sua confiança em sua integridade e capacidade de julgar. Se

modular sua atenção a transformar um reforçador negativo em um

reforçador positivo, eles descobrirão que a conduta de sua filha

muda. Desligar-se de seus pais, afastar-se deles e evitar comunicação 

não mais será reforçador. Em vez disso, ela interagirá mais

freqüentemente, compartilhando experiências, confidenciando, confiando, 

mudando de fuga e esquiva para aproximação.


Coerção e suas implicações - Sidman

segunda-feira, 17 de agosto de 2020

Desistindo da família

 Desistindo da família. Um outro fugitivo trágico é o que desis-

te da família. Muitos jovens vivem com punição freqüente em casa.

Se a maior parte da atenção que obtêm vem na forma de punição,

com pouco reforçamento positivo compensatório, é provável que eles

deixem a velha casa paterna assim que surja uma oportunidade.

Eles podem começar prestando pouca atenção ao que é dito a eles e

ainda menos ao que é dito à sua volta em casa; eles não assumem

maiores responsabilidades na casa além das que são forçados; eles

nem dão nem solicitam afeto. Eles primeiro se desligam da vida

familiar e, então, quando se torna possível desistir, eles se vão.

A sociedade provê um conjunto de desculpas aceitáveis para

deixar a família. Ir para escola longe de casa é uma técnica de fuga

aprovada, assim como encontrar um bom emprego muito distante.

Gravidez é um modo tradicional para adolescentes conseguirem per-

missão para se casarem, até mesmo dos pais mais relutantes. Casa-

mento, possibilitado por gravidez precoce, ou por atingir a idade

legal, é uma rota de fuga da família socialmente aceita. Em muitos

estados, ser mãe solteira permite a uma garota fugir de sua família

para os braços da previdência pública, que a sustenta em seu pró-

prio domicílio.

Sair de casa para a escola, o trabalho, o casamento ou a

previdência pode, naturalmente, produzir reforçadores positivos e

nem sempre é o resultado de controle coercitivo. Mesmo quando o é,

tal rota de fuga pode tornar possível uma vida melhor para o fugiti-

vo. Entretanto, não podemos deixar de nos entristecer quando ve-

125

mos jovens terem de fugir para as responsabilidades da vida adulta,

freqüentemente muito cedo e despreparados, em vez de serem capa-

zes de aproveitar aquele estágio da vida como uma fonte de novas

satisfações.

Um dos problemas mais difíceis da paternidade é segurar os

filhotes até que eles estejam prontos para voar, nem forçando-os a

ir-se cedo demais, nem fazendo-os ficar tempo demais. Como pais,

sempre temos que estabelecer limites para nossos filhos e esta ne-

cessidade pode facilmente nos jogar na armadilha do controle coerci-

tivo. Mas não precisamos tornar o "Não" um punidor; podemos ensi-

nar nossos filhos a aceitar ambos, "Sim" e "Não", como um conselho

de alguém querido sobre o que funcionará e o que não funcionará,

como um auxílio na aprendizagem das regras pelas quais o mundo

opera. Algumas vezes, entretanto, eles insistem em descobrir coisas

por si mesmos, especialmente quando amigos os convenceram de

que os pais não podem em qualquer hipótese compreender suas

necessidades. Nada podemos fazer quando isso acontece, a não ser

esperar e observar; se já não os tivermos desligado por tentar coagi-

los a fazer as coisas à nossa maneira, então, se eles cometerem um

erro, não hesitarão em vir a nós para ajuda.

O problema se estabelece quando pais desistem da família.

Intuitivamente reconhecendo divórcio e separação como fuga, as

crianças freqüentemente se culpam pela partida de um dos pais.

Mas, mesmo que um dos pais fuja apenas em espírito — por meio de

doenças psiquiátricas incapacitadoras, alcoolismo, excesso de traba-

lho ou excesso de televisão — o modelo de fuga está ali para as

crianças imitarem quando elas criarem suas próprias famílias. Fuga

da família tem um modo de se perpetuar. Podemos fugir do ambien-

te coercitivo de nossa família, mas, a menos que tenhamos um outro

modelo para seguir, criamos nossa própria cópia. E então, nossos

filhos mantêm a tradição coercitiva viva.


Murray Sidman - Coerção e suas implicações

quarta-feira, 15 de julho de 2020

Proibição de argumentar: armadilha

Se você é colocado numa situação ruim e mesmo assim é proibido de argumentar e pode sofrer sanções por isso, está aí a descrição de uma armadilha.

sábado, 11 de julho de 2020

Liberdade e família: questão complicada

https://www.libertarianism.org/topics/family

A questão dos direitos dos pais é particularmente irritante para os libertários. Claramente, a doutrina libertária sugere que os pais devem ter o direito de tomar decisões sobre seus filhos, em vez de outros adultos ou o estado. Nos Estados Unidos, a jurisprudência constitucional tem, desde a década de 1920 (em Meyer vs. Nebraska e Pierce vs. Society of Sisters), amplamente sustentado esse princípio como uma questão de devido processo legal sob a 14ª Emenda. Ao mesmo tempo, também reconheceu argumentos centrados no "melhor interesse da criança" em 1944 em Prince v. Massachusetts. Reconhecer a primazia dos direitos dos pais, no entanto, levanta mais perguntas do que respostas; não nos diz em que ponto as crianças são "adultas o suficiente" para começar a tomar suas próprias decisões, independentemente das preferências dos pais, nem em que momento o exercício dos direitos dos pais transborda em abusos e negligências que podem justificar a intervenção do Estado ou de outros. .

Com relação à primeira pergunta, uma minoria de libertários defende fortemente os direitos das crianças e acredita que elas devem poder tomar mais decisões mais cedo do que se pensa. Se essa perspectiva é simplesmente parte de uma filosofia de criação de filhos ou de uma declaração política sobre os direitos individuais das crianças nem sempre é claro. Os libertários não têm uma resposta clara à questão da negligência. No entanto, na medida em que libertários adotam a visão de que o ônus da prova para a intervenção nos assuntos dos indivíduos recai sobre o Estado, segue-se que há uma presunção de que os pais têm tanto conhecimento quanto incentivo para fazer o que é certo para seus filhos. Além disso, o Estado deve demonstrar que, ao submeter as crianças a suas ações, não trará uma situação pior do que a obtida em casa. Assim como a existência de imperfeições no mercado não significa ipso facto, a intervenção estatal melhorará sobre elas, nem uma família imperfeita significa que a interferência nos direitos dos pais, especialmente removendo os filhos de uma casa, levará a uma melhoria na vida das pessoas. crianças. Também deve ficar claro que as reivindicações de "privacidade da família" (distintas dos "direitos dos pais") que nas gerações anteriores permitiram que os homens usassem a violência, incluindo o estupro, como uma maneira de "controlar" suas esposas, são totalmente contraditórias ao libertarianismo, na medida em que nenhum entendimento razoável do contrato de casamento possa anular a proibição libertária de iniciar a força física ou a ameaça dela contra adultos competentes.

O libertarianismo baseia-se na premissa de que o comportamento consensual entre adultos deve estar livre de interferências de outros. No entanto, essa visão é complicada pelo que constitui “consentimento” e “idade adulta”, que são desafiados pela presença de crianças e pela natureza dos entendimentos tácitos que compõem os relacionamentos familiares. Essas perguntas não se prestam a soluções simples e fornecem áreas contínuas de debate entre os libertários que as abordam. Dito isso, os libertários geralmente concordam que o estado deve permanecer ausente ou neutro no tratamento da multiplicidade de formas familiares que os humanos podem desenvolver e manter e que, quando se trata de questões de abuso e negligência, o ônus da prova está no estado. mostrar que a interferência nos direitos dos pais é justificada e que a solução alternativa é superior ao status quo.


sábado, 4 de julho de 2020

Estresse feminino: modo cuidado e amizade

Melhorando a comunicação - 5 formas de lidar com o estresse
https://youtu.be/7CyT4H7RDs0?t=223

Está mais pra frente do vídeo.

Sobre maneira feminina de lidar com o estresse através do cuidado e amizade. Seria uma estratégia típica das mulheres análoga à luta ou fuga dos homens.

Relacionável com os cuidados maternos excessivos e os diagnósticos psiquiátricos nos filhos.

segunda-feira, 13 de abril de 2020

CRIANÇAS COMO REFÉNS

CRIANÇAS COMO REFÉNS 

[Polêmico, mas interessante]

O fato das crianças serem imensamente encantadoras está longe de ser uma justificação para as dar à luz: quem faz crianças faz também adultos – portanto, homens e mulheres. A maioria dos homens, porém, vive como adultos, no inferno. E a felicidade das mulheres é de tal forma primitiva e é conseguida de tal modo à custa de outrem que também não há para fazer mulheres. Não corresponderia à verdade afirmar-se que só as mulheres estão interessadas em gerar crianças. Também os homens as desejam, pois estas integram-se nas duas ou três desculpas com que podem justificar a sua submissão à mulher. A mulher, ao contrário, justifica com elas a sua preguiça, a estupidez e a falta de responsabilidade. Desse modo, abusam os dois da criatura para conseguir seus respectivos fins. Embora o mundo esteja repleto de órfãos meio esfomeados, cada casal procura sempre a sua própria descendência. Pois o homem tem que possuir um motivo para, mesmo mais tarde, quando o seu apetite sexual tiver diminuído, se escravizar a determinada mulher (à mãe dos seus filhos) e não a outra qualquer. Como a mulher é para ele, sobretudo, um álibi para a submissão, só pode utilizar num dado momento uma única (em todas as sociedades industriais o homem é monoteísta – quer dizer, monógamo), vários deuses (mulheres) torna-lo-iam inseguro, dificultariam a sua identificação consigo próprio e repeli-lo-iam para aquela liberdade da qual ele está continuamente em fuga. Semelhantes motivos não significam nada para a mulher. Como não pensa em abstrato, não tem, como já vimos, nenhum medo existencial e nenhuma necessidade de um deus que dê ao seu mundo um sentido superior. Basta-lhe um pretexto para justificar que seja precisamente esse homem (que já não vai muito interessado para a cama com ela) que deva trabalhar para ela, e, para isso, necessita de filhos desse mesmo homem. Admitindo que no nosso planeta existisse excesso de homens e a cada mulher coubessem, por exemplo, três homens, a mulher não teria nesse caso, evidentemente, quaisquer inibições em arranjar filhos de cada um desses três machos e fazê-los trabalhar a todos para as respectivas crianças (quer dizer, para si própria). Poderia, então, aproveitar-se da rivalidade entre esses homens e assim aumentar enormemente a sua capacidade de trabalho – e consequentemente o seu próprio conforto. Ao contrário da opinião corrente, ela seria mais predestinada para a poligamia do que o homem. Um homem que tem filhos de uma mulher, dá-lhe reféns para a mão e espera que ela o pressione com eles até a eternidade. Só assim é que ele terá um apoio no seu destino absurdo, e, a escravidão sem sentido, para a qual foi domado, uma justificação. Quando trabalha para a mulher e filho não trabalha só para dois seres humanos, um dos quais não quer fazer nada por ser feminino e o outro nada sabe fazer, por ser demasiado pequeno. Ele trabalha também para algo que é mais do que essa mulher e esse filho, trabalha para um sistema que abrange tudo que ao cimo da terra é pobre, desamparado e necessitado de proteção (a pobreza, o desamparo e a falta de proteção em si mesmo consideradas), sistema que – segundo crê – precisa dele. Com a mulher e o filho arranja um álibi para a sua escravatura, uma justificação artificial para a sua desconsolada existência, e chama a esse sistema, a esse grupo sagrado que voluntariamente originou, a sua “família”. A mulher aceita com alegria os seus serviços em nome da “família”. Ela aceita os reféns que ele lhe confia, e faz com eles o que ele deseja (amarra-o a si cada vez com mais força e submete-o até o fim da sua vida) –, tirando daí todo o proveito. Ambos (homem e mulher) só têm, pois, vantagem em ter filhos (caso contrário, não os procriariam). O homem tem a vantagem de dar, retroativamente, à sua vida um sentido mais elevado e de poder escravizar-se para sempre, e a mulher aufere todas as vantagens restantes. Essas vantagens devem ser enormes para ela, pois praticamente todas podem escolher entre a vida profissional e filhos e quase todas decidem-se pelos filhos. Poder-se-ia aqui objetar que as mulheres só se decidem por filhos e não pela profissão porque adoram crianças. A isso responder-se-ia que uma mulher nem é capaz de tão elevados sentimentos como os exigiria um amor puro por crianças. A prova é que quase todas as mulheres só se preocupam com os seus próprios filhos e nunca com os alheios. Só cuidam de uma criança alheia, quando, por motivos médicos, não podem ter as suas (e mesmo nesse caso quando falharam todas as tentativas, inclusiva fecundação com sêmen de um homem estranho). Embora orfanatos de todo o mundo estejam cheios de crianças encantadoras e necessitadas e embora a televisão e os jornais publiquem quase todos os dias números referentes a pequenos africanos, indianos e sul-americanos que morreram de fome, é mais fácil as mulheres levarem para casa um cão ou gato vadios – elas que pretendem amar as crianças – do que uma criança abandonada. [O próximo parágrafo (destacado em itálico) está disponível na edição de 1972, mas foi aparentemente removido em edições posteriores]: E embora todas as revistas possa ler-se a taxa elevada de monstros que são gerados todos os anos (crianças hidrocéfalas, com falta de membros, cegas, surdas, idiotas), elas não se deixam impressionar por isso e continuam pondo-os neste mundo, uns após outros, como se tivesse condenados a nascer por bruxedo. Quando acontece a uma delas dar, então, à luz uma dessas criaturas monstruosas, não se sente desmascarada no seu egoísmo e chamada à responsabilidade: – como a mãe de um monstro é venerada na nossa sociedade como uma mártir. Fala-se com o maior dos respeitos de uma mãe que deu à luz um filho idiota e se ainda não tiver um filho saudável, tratará de o obter o mais depressa possível, um “normal”, igual aos filhos das outras mulheres, para provar que é saudável (e obrigado assim esse filho normal a passar toda a sua juventude, toda a sua vida, na companhia dum idiota). É difícil desmascarar as mulheres, revelando que elas não amam as crianças e só abusam delas em seu proveito, porque a gravidez, o nascimento e os cuidados a ter um filho pequeno estão, de fato, ligados a alguns inconvenientes. Mas que insignificantes eles são comparados com aquilo que obtém em troca: segurança vitalícia, conforto e isenção de responsabilidade. O que teria um homem de suportar para alcançar para si algo de igualmente valioso? Já começou até a circular entre os homens que uma gravidez não é de longe tão desagradável como parece. Há mulheres que se sentem particularmente bem durante esse período e tornou-se recentemente moda confessá-lo abertamente. Escusam de se incomodar muito com o fato de todas ficarem feias e mal apresentadas, com uma figura maciça, rosto inchado, pele com manchas, cabelo áspero e pernas com varizes. Durante esse tempo não procuram homem, já tem um, e se ele é obrigado a assistir à transformação da sua mulher borboleta em lagarta só tem que se queixar de si próprio. É o seu filho que ela aguarda, é ele que a desfigurou tanto – que direito teria ele de achá-la pesadona e repugnante (além disso, ela está precisamente nessa altura a “oferecer-lhe a sua juventude”)? Acerca do processo do parto propriamente dito grassam ainda boatos atemorizantes, que o homem jamais poderá chegar à conclusão de que a mulher recebe filhos para sua própria vantagem e não para a dele. É certo que a expressão “ela deu-lhe um filho”, que aparecia antigamente nos romances, vai desaparecendo lentamente da literatura, mas, na consciência do homem ela ainda está suficientemente radicada para provocar neles, quando do nascimento da sua descendência, apenas sentimentos de culpa (sentimentos esses em relação à mulher, bem entendido, não ao recém-nascido!). Se um homem imaginasse que poderia ganhar uma pequena renda vitalícia graças a uma consulta no dentista que demorasse seis horas não o faria? Claro que, de vez em quando, também há partos difíceis (graças à anestesia são consideravelmente menos dolorosos), mas, em geral, o parto não é mais doloroso para uma mulher que uma demorada consulta no dentista. O que os homens sabem através das mulheres acerca do desenrolar do parto são, na maioria, exageros desavergonhados. Os gritos estridentes que, frequentemente, chegam até eles atravessando a porta das salas de parto, explicam-se melhor por falta de orgulho e deficiente auto-domínio (ambos foram explicados pormenorizadamente noutro capítulo). Há anos que existe o parto sem dor em que as mulheres dão à luz os seus filhos depois de um período de preparação, com ginástica e treino próprio, sem anestesia e sem se queixarem. As mulheres fariam bem em combinar umas com as outras se o parto faz ou não faz doer. Enquanto umas contarem isto e as outras aquilo, caem em descrédito e prejudicam a causa comum. Claro que a mulher tem mais algumas razões para gerar pequenos seres humanos além de dar-se ares de desamparo e passar assim os dias com trabalho fácil e sem obedecer a chefes. Ela descobre, por exemplo, um belo dia, que o seu corpo funciona como uma máquina automática na qual basta introduzir algo de modesta aparência para dele sair algo de fantástico. É natural que se entusiasme a experimentar um dia esse jogo maravilhoso. E depois de o ter jogado uma vez, gostaria de o continuar a jogar muitas e muitas vezes (quase sempre bate certo: – precisamente ao cabo de nove meses vem um ser humano), fica louca de entusiasmo e acha-se magnífica. É evidente que a utilização do autômato é, no fundo, tão natural como um homem partir a cabeça a outro (caindo este automaticamente), só porque isso é biologicamente possível. – Se cada um desses jogos com o seu corpo-autômato não significasse posteriormente um pequeno incômodo para si, ela seria insaciável. Assim, é forçada a estabelecer uma fronteira: aquela onde uma criança a mais significaria para ela apenas um aumento do programa de trabalho e não um acréscimo de segurança ou conforto. A fronteira é geralmente muito fácil de estabelecer e é condicionada, principalmente, pelo estágio de automatização do respectivo trabalho doméstico: em países altamente industrializados a mulher deseja dois ou três filhos. Para a norte-americana cujo trabalho doméstico está plenamente automatizado, o ótimo serão três; a europeia ocidental (a quem faltam ainda alguns aparelhos domésticos), preferirá dois. Raramente se deseja um filho único e mais que três filhos é considerado associal por causa do barulho e do cheiro da roupa suada. Um filho único não traz vantagens, apenas desvantagens. Uma mulher com um filho único nunca parece tão desamparada ou agrilhoada ao lar como devia ser. E podia também vir a acontecer qualquer coisa a esse filho – talvez até numa idade em que a mulher já não pudesse mais conceber – e deixaria de haver pretexto para levar uma vida mais cômoda que a do seu marido e ele já não teria pretexto para trabalhar precisamente para ela. Além disso, o filho único não teria companheiros de brincadeiras, a mulher teria talvez até de brincar com ele – e se alguma coisa existe que as mulheres detestam é brincar com os filhos. Enquanto que as crianças se interessam por tudo e perguntam tudo, a mulher fundamentalmente não se interessa por nada (além das imbecis possibilidades de divertimento que lhe proporcionam o governo do lar e o seu corpo). Por isso, é manifestamente difícil à mulher – mesmo quando tem a melhor boa vontade, – penetrar no mundo fantástico das crianças. É certo que ela possui um repertório de expressões pueris para entretenimento de crianças muito pequenas (“Ai, ai, ai, quem é que vem aí?”) mas logo que elas ultrapassam os dois anos e começam a pensar por si, acabou-se. Não existe a propósito da mãe e do filho, nem sequer a propósito da mãe e da filha, o proverbial “clichê” dos interesses comuns de pai e filho “o pai que não pode deixar de brincar com o trem elétrico do filho). Quando, porém, uma mulher consegue dominar-se e brincar meia hora por dia com seu filho (...mais do que isso também seria prejudicial para o desenvolvimento do seu espírito), conta isso em toda parte como se fosse uma façanha (e com razão, porque autodomínio em tal grau é de fato, no caso dela, uma façanha). Só dois ou três filhos é que garantem segurança material: fazem com que a mulher pareça desamparada e incapaz de angariar o seu sustento e diminui o risco de ficar na velhice sem filhos (sem netos), sem ninguém que lhe possa manifestar a sua reverência pelo cuidado maternal. Permite, além disso, que as crianças brinquem umas com as outras, enquanto a mulher se dedica aos seus prazeres “mais elevados”, tais como coser ou fazer bolos. A assistência maternal consiste, nesse caso, em fechar os filhos todos num quarto e voltar a entrar nele apenas quando algum se feriu ou berrou muito alto. Acresce que a educação e amestração de dois ou mais filhos é muito mais fácil de conseguir que de um filho único. Para conquistar a obediência de um filho único tem de fazer-se uma complicada propaganda, têm de inventar-se métodos para o enganar (“persuadir”, “levá-lo ao bom caminho”) ou é preciso castigá-lo (o que só maça a mulher, por isso deixa este trabalho para o marido). Pelo contrário, vários filhos educam-se por chantagem. Como todos dependem do elogio da respectiva mãe, basta favorecer ligeiramente um deles para que os outros façam imediatamente o que lhes é exigido. Cada filho vive num medo constante de que a mãe o possa privar do seu “amor” para o dedicar a outro, e se é certo que esse medo não permite, em regra, que haja simpatia entre irmãos (como se a mulher estivesse interessada nisso!), a verdade é que estimula a concorrência e, portanto, o rendimento do trabalho. E mais tarde também, quando esses filhos forem adultos, mais não desejarão, no fundo, que supervalorizarem-se mutuamente para mostrar essa eficiência aos olhos da mãe. Os filhos satisfazem a sua ambição na profissão, as filhas rivalizam mutuamente na acumulação de bens. E de tempos a tempos juntam-se todos à volta da mãe (que tem isso na conta de demonstração de simpatia e apoda o interesse de uns irmãos pelos outros de “sentido de família”) para mostrar a ela os seus últimos feitos. Todas essas vantagens, porém, só existem no caso de haver dois ou três filhos. Uma mulher com mais de três filhos (hoje em dia, na maioria dos casos, devido a um descuido ou a compromissos religiosos do homem) tem, é certo, durante alguns anos, bastante que fazer – se bem que podendo dividir o tempo à sua vontade, sem responsabilidade pelo sustento de sua vida (de resto, a responsabilidade por crianças é desconhecida da maioria das mulheres) e sem superiores hierárquicos. Mas essa atividade aumentada dura apenas até o filho mais novo atingir a idade do jardim de infância, e ainda lhe proporciona uma pequena vantagem: pode estar certa de que o seu marido, enquanto os filhos não forem crescidos, nunca a deixará. Sim, porque um homem que abandona uma mulher com quatro ou mais filhos (mesmo que seja, simplesmente para não a poder aturar mais) é considerado na nossa sociedade, praticamente como um criminoso. Seja como for, quando os filhos atingem a idade escolar ou pré-escolar, termina, mesmo para a mãe de muitos filhos, a maior parte do trabalho da sua vida. De novo passa a ter tempo – e já agora com mais dinheiro – para gozar a vida. Vai ao cabeleireiro, dispõe em jarras, pinta os móveis de cores seguindo as sugestões das revistas femininas e cuida do seu precioso corpo. Na maioria dos países ocidentais o ensino nas escolas dura quase todo o dia e nos poucos em eu ainda não existem escolas dessas, estão os homens construindo-as com o entusiasmo habitual. A partir das suas investigações, verificam que as crianças não submetidas à influência das respectivas mães durante meio dia, podem desenvolver melhor as suas faculdades intelectuais e por conseguinte serão mais produtivas posteriormente. A utilização prática desse conhecimento, que de forma alguma consideram humilhante (como não conhecem a “honra” dos homens, não podem ser atingidas dessa maneira) é feita, pois, duplamente, no interesse das mulheres.  

O HOMEM Domado (1971) Esther Vilar

quinta-feira, 20 de fevereiro de 2020

CASA DE MÃE FILHOS SE VÃO

https://www.youtube.com/watch?v=iB51g9I_gAA

Programa Papo de Almoço com Fernanda Gentil- Rádio Globo, em 27/11/2018 Texto: Miryan Lucy Rezende - Educadora e Escritora- Uberlândia Mg Email miryanlu@hotmail.com

segunda-feira, 10 de fevereiro de 2020

Filhos (Khalil Gibran)

Vossos filhos não são vossos filhos.
São os filhos e as filhas da ânsia da vida por si mesma.
Vêm através de vós, mas não de vós.
E embora vivam convosco, não vos pertencem.
Podeis outorgar-lhes vosso amor, mas não vossos pensamentos,
Porque eles têm seus próprios pensamentos.
Podeis abrigar seus corpos, mas não suas almas;
Pois suas almas moram na mansão do amanhã,
Que vós não podeis visitar nem mesmo em sonho.
Podeis esforçar-vos por ser como eles, mas não procureis fazê-los como vós,
Porque a vida não anda para trás e não se demora com os dias passados.
Vós sois os arcos dos quais vossos filhos são arremessados como flechas vivas.
O arqueiro mira o alvo na senda do infinito e vos estica com toda a sua força
Para que suas flechas se projetem, rápidas e para longe.
Que vosso encurvamento na mão do arqueiro seja vossa alegria:
Pois assim como ele ama a flecha que voa,
Ama também o arco que permanece estável.

domingo, 8 de dezembro de 2019

Excesso de zelo e Psiquiatria

excesso de zelo • Comportamento ou atitude que revela cuidado desnecessário ou que prejudica em vez de ser útil.

https://dicionario.priberam.org/excesso%20de%20zelo

Excesso de zelo de um dos pais na mão de um psiquiatra pode virar esquizofrenia do filho.

http://edicaodobrasil.com.br/2018/09/28/excesso-de-zelo-pode-dificultar-o-amadurecimento-dos-filhos/

Querer proteger os filhos dos perigos e riscos do mundo é da natureza dos pais, afinal eles possuem um amor incondicional. No entanto, o excesso de zelo pode atrapalhar o desenvolvimento e aprendizado da criança e impedir que ela esteja preparada para as diversas etapas da vida. Essa superproteção também é ruim para as mães, podendo desencadear grande ansiedade e a síndrome do ninho vazio. Mas, então, qual seria o limite da proteção?

Para a psicopedagoga Tatiana Lopes, muitas vezes, os pais não percebem que estão exagerando nos cuidados e acreditam que estão tornando a vida dos filhos mais fácil. “Ter zelo é fundamental, mas é bom a criança desenvolver sua própria autonomia. Essa proteção exagerada cria um estresse e dificulta a lidar com os fracassos. Isso causa um amadurecimento tardio e gera reflexos na fase adulta”.

Ela diz ainda que a superproteção dos pais pode indicar um pouco de insegurança deles em relação aos filhos. “Eles não confiam no potencial da criança e não as deixa realizar as tarefas. O problema é que se os pais não acreditam nessa capacidade, como que o filho pode colocar fé em si mesmo? Tende a criar um certo medo de encarar situações novas, bem como um distanciamento da realidade”.

Esse excesso de zelo é negativo, não somente nas crianças, como também nas mães, alerta a psicopedagoga. “Elas sofrem com uma carga de ansiedade, pois vivem em função da criança, ainda mais se for filho único. Mais tarde, quando eles atingem a vida adulta e independência, podem vir a sofrer com a síndrome do ninho vazio”.

Outro sinal é a mania de achar que só você sabe o que é melhor para seu filho, sem nem ao menos ouvir a opinião dele”.
excesso de zelo• Comportamento ou atitude que revela cuidado desnecessário ou que prejudica em vez de ser útil.

"excesso de zelo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/excesso%20de%20zelo [consultado em 09-12-2019].
excesso de zelo• Comportamento ou atitude que revela cuidado desnecessário ou que prejudica em vez de ser útil.

"excesso de zelo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/excesso%20de%20zelo [consultado em 09-12-2019].
excesso de zelo• Comportamento ou atitude que revela cuidado desnecessário ou que prejudica em vez de ser útil.

"excesso de zelo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/excesso%20de%20zelo [consultado em 09-12-2019].
excesso de zelo• Comportamento ou atitude que revela cuidado desnecessário ou que prejudica em vez de ser útil.

"excesso de zelo", in Dicionário Priberam da Língua Portuguesa [em linha], 2008-2013, https://dicionario.priberam.org/excesso%20de%20zelo [consultado em 09-12-2019].