Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Aviso!
sexta-feira, 21 de agosto de 2026
Circunstâncias e adesão à medicação
quinta-feira, 18 de junho de 2026
Coerção, organicismo e aprendizagem
A coerção prescinde de aprendizagem em extensão. O fato da psiquiatria biológica usar coerção demonstra poder institucional para adesão conforme o organicismo. O organicismo não reconhece a aprendizagem como fenômeno não subordinado. As possibilidades contrafactuais de aprendizagem não subordinadas ao organicismo prescindem de coerção.
sábado, 18 de abril de 2026
Autonomia: organicismo vs aprendizagem
A seletividade de fatos de programas de pesquisa, nesse caso o organicismo, produz a forma de tratamento segundo o qual estar num estabelecimento fechado tomando medicação é a forma mais apropriada para tratamento em saúde mental. Para realizar isso, a autonomia da pessoa em tratamento psiquiátrico é restringida já que estabelecimentos fechados são a configuração mais favorável a manter controle sobre tratamento farmacológico.
Em contraste, um programa de pesquisa com base em seleção de fatos de aprendizagem produz uma forma de tratamento com potencial de autonomia respeitada já que o tratamento visa o treinamento para o ambiente natural de vida da pessoa sob interesse de tratamento psiquiátrico ou de saúde mental.
quinta-feira, 7 de agosto de 2025
O sucesso psiquiátrico por coerção
A partir dos conceitos de análise experimental do comportamento, o fato de o tratamento psiquiátrico tradicional e manicomial utilizar coerção como meio de obtenção do que entende como sucesso terapêutico implica que processos de aprendizagem operante são desconsiderados e desrespeitados para de forma substitutiva criar através da conformidade uma negação de consequências das maneiras de impor os tratamentos biológicos e negação das consequências do tratamento biológico e social. Do ponto de vista do fenômeno do comportamento operante é uma falsa imagem de sucesso. O uso em larga escala de internação psiquiátrica e em estabelecimentos de características análogas segue o mesmo padrão.
quarta-feira, 11 de dezembro de 2024
Discriminação de efeitos de injeções depot
Comprimidos tem grau de discriminabilidade de efeitos maior já que a percepção de introdução e de efeito ocorre rapidamente e diariamente. Injeções de depósito, principalmente as mais prolongadas, tem grau de discriminabilidade menor de efeitos já que as variações da curva de dosagem ao longo de 1 mês, 3 meses e 6 meses são mais facilmente confundidas como cognições sobre efeitos de condições de vida. Isso tem implicações para adesão de tratamento farmacológico que estão além da praticidade de administração.
Para aumentar a discriminação dos efeitos das injeções de depósito é possível mensurar o nível basal de variabilidade da frequência cardíaca todo dia pela manhã após acordar, ir no banheiro e esperar alguns minutos para passar o efeito de exercício de ter ido ao banheiro. O aplicativo HRV4Training tem um preço acessível e utiliza a câmera do celular e o dedo como sensor. O aplicativo tem uma seção de análise de gráficos e tags. Sabendo o valor basal de VFC/HRV no início do dia a discriminação dos efeitos das injeções de depósito é facilitada.
sexta-feira, 6 de dezembro de 2024
A redução da coerção e o conceito de controle
A prática de coerção é facilmente perceptível, causando impressão óbvia, como um controle indesejável. A coerção é a forma mais rudimentar de controle no sentido técnico em ciência de produção de um fenômeno. A coerção também é duvidosa do ponto de vista ético. Para que a prática de coerção seja reduzida ou extinta, é necessário pensar na produção de aprendizagem como controle rigoroso de variáveis no sentido de classe ampla que inclui diversos fenômenos de aprendizagem de comportamento operante. A proibição da coerção contribui para a exigência de aprendizagem, mas exigência de aprendizagem não é suficiente para promover aprendizagem efetiva.
quinta-feira, 28 de outubro de 2021
Contenção, tratamento involuntário e concepções sociais
sexta-feira, 2 de abril de 2021
Estabilidade de dose: grande avanço terapêutico?
quinta-feira, 4 de fevereiro de 2021
Loucos desaparecidos - Análise do discurso
Rapper de São José, Leonardo Irian é encontrado após cinco dias desaparecido
Trechos:
Sofre de esquizofrenia
(linguagem passiva)
está bem de saúde, em casa e medicado
(É preciso medicar para evitar a progressão da doença. Deve estar com a família sem autonomia. Só pode estar bem seguindo o tratamento psiquiátrico.)
Ele teria se perdido na volta.
(Ele se perdeu por estar desorientado)
Análise: A linguagem da matéria toda é na linguagem passiva, com o paciente psiquiátrico sofrendo de algo passivamente, sem capacidade de decisão e sem agência. Outras pessoas fazem algo ativamente mas o paciente não. Ele precisa que algo seja feito a ele. Ele é basicamente um objeto em deterioração e desorientado.
Paciente com esquizofrenia desaparece após fugir de hospital na Serra
Trechos:
Fugiu e desapareceu.
já que, em função do transtorno psiquiátrico, caracterizado principalmente por alucinações visuais e auditivas, Marcos tornou-se muito agressivo. Por isso, ele pode representar um risco não só para si próprio como também para outras pessoas.
Ela mostrou que ele era incapaz. Ou seja, todos ali corriam perigo. Eu falei pra médica que eles foram irresponsáveis porque todos estavam correndo perigo, porque ele é capaz de matar. Isso é um perigo para a população
Eu tenho medo de ficar com ele. Ele vive em uma casa gradeada e, quando ele está bem, com a medicação, a gente solta ele, então ele circula pelo quintal, dentro da casa dele, faz o que ele quer
Análise: família com linguagem completamente manicomial (“incapaz e perigoso”) e a família é tão manicomial que até faz cárcere privado. A única razão para agressividade é a entidade patológica e a única razão para ele ficar bem e ter um pouco de liberdade é a medicação. Quem não segue tratamento é um grande risco para si e para os outros.
Linguagem na voz ativa mas agressivo. Não tem condições de ser autônomo por ser incapaz e perigoso (linguagem manicomial). Afirmar a própria autonomia é uma afronta agressiva. É possuído passivamente por uma entidade patológica que desorienta. A família lida com a entidade patológica e não com a pessoa por inteiro enquanto humana (desumanização). Com essa linguagem a família parece estar invalidando as necessidades do paciente enquanto ser humano pois não respeita os direitos humanos do paciente como mostra a linguagem manicomial e o cárcere privado.
Mulher está desaparecida em Marcelino Ramos
Trechos:
Senhora com esquizofrenia (A senhora tem uma entidade patológica externa a ela que a possui).
já saiu outras vezes, devido sua doenças (A moradora de residência terapêutica só usufrui da própria autonomia sem avisar outras pessoas por conta de uma entidade patológica).
Fugiu (Então devia estar muito bom na residência terapêutica mas como ela tem uma entidade patológica externa a ela não conseguiu perceber isso. A linguagem desresponsabiliza os responsáveis pela qualidade de vida na residência terapêutica.)
Marcos Alexandre Cruz, de 38 anos, saiu de casa no sábado (9) e não voltou mais; segundo a família, homem tem esquizofrenia
Trechos:
Ainda segundo Leila, essa não é a primeira vez que Marcos sai de casa. Em outros episódios ele chegou a ir para as cidades de Valinhos e Porto Feliz. No entanto, diferente desta vez, Marcos sempre retornava para a casa no mesmo dia.
Ainda de acordo com ela, os desaparecimentos acontecem em virtude da esquizofrenia. "Ele tem que tomar remédio, mas nega o tratamento. Foi diagnosticado ainda na adolescência. Ele está há 4 meses sem tomar a injeção", disse.
Análise: Sem seguir o tratamento psiquiátrico não é seguro sair de casa e ter autonomia.
Jovem com esquizofrenia que estava desaparecido é encontrado em Alumínio
Trechos:
"Ele estava muito confuso e só soube responder falando da clínica aonde ele estava em tratamento. Foi o que morador fez, pesquisou nas redes sociais e encontrou o telefone da clínica, eles já estavam ciente do desaparecimento dele", explicou.
O rapaz foi resgatado pelos funcionários da clínica e, segundo a irmã, vai retomar o tratamento.
Análise: A única razão pela qual ele fugiu da clinica (a palavra fugiu nem é usada) é porque ele estava confuso. A qualidade da clínica não tem relação nenhuma com os pacientes fugirem. A internação também foi apenas devido a confusão e a família não tem relação nenhuma com isso.
Os heróis da clínica resgataram o rapaz e ele voltou a fazer tratamento involuntário/forçado. O que é irregular segundo a Convenção da ONU de pessoas com deficiência.
Jovem com esquizofrenia é encontrada após desaparecer por oito dias
Trechos:
Ela teria fugido de casa após sofrer um surto.
Em casa, Érica deixou uma carta para a família, dizendo que estava indo para o interior, à procura de emprego, e que voltaria quando estivesse estabilizada.
Análise: A única razão pela qual ela fugiu de casa foi a entidade patológica. A entidade patológica mesmo que seja duvidosa na pesquisa psiquiátrica possui realidade social. Aparentemente tentar ser independente é sinal de surto psicótico para a família (paciente psiquiátrica desacreditada socialmente).
Família procura por mulher com esquizofrenia que desapareceu em Belo Horizonte
Trechos:
Estudante, Mariana é portadora de esquizofrenia e recebe tratamento psiquiátrico no Hospital Espírita André Luiz na região Oeste de Belo Horizonte, como conta a tia dela, Vânia de Freitas Drumond. “Ela ficou internada por dois meses no André Luiz e recebeu alta uma semana antes de desaparecer, no dia 17. No dia em que ela desapareceu, ela estava falando coisas desconexas com o pai e com a mãe. Saiu e não voltou mais, era o dia do atendimento com o psiquiatra”. À data em que desapareceu, Mariana chegou a dizer à família que iria até a polícia e saiu sem levar quaisquer documentos e até mesmo o celular.
Análise: Por ter falado que ia na polícia e ter sido internada provavelmente estava ruim a situação com a família. Mencionar coisas desconexas é relativo à interpretação da família. Alguém que sabe escutar consegue encontrar algum significado contextual. Provavelmente estava insatisfeita com o tratamento psiquiátrico involuntário – o que é irregular segundo a Convenção da ONU sobre pessoas com deficiência.
Família procura por idosa desaparecida há 12 dias em Sorocaba
Trecho:
Sem os remédios, se comporta de forma agressiva.
Análise: A única razão possível para ela ficar agressiva é a falta de remédios, isto é, o desequilíbrio químico. Desequilíbrio químico é uma hipótese que nunca foi provada.
Conclusão geral
Poucas reportagens se referem à perspectiva do paciente e todas enfatizam o discurso médico e da família. Portanto, isso indica o silenciamento da perspectiva do paciente psiquiátrico. Conclui-se que seria necessário fazer reportagens com foco em discurso psicossocial e que o discurso psiquiátrico empregado torna uma questão sensível e potencialmente constrangedora num assunto aparentemente impessoal: a condição médica da pessoa. É tanto possível ter um repertório inapropriado generalizado quanto melhorar de saúde mental em um contexto menos complicado. Mas as reportagens assumem que os comportamentos inapropriados nomeados como a entidade esquizofrenia tem origem dentro da pessoa (internalismo). Isso é modelo médico em saúde mental. Jornalistas comprometidos com a reforma psiquiátrica enfatizariam o lado humano e contextual/cultural.
sexta-feira, 10 de julho de 2020
Drogar pacientes psiquiátricos involuntários
Jim Gottstein, The Zyprexa Papers (2020)
Imagina isto. Alguém em sua vida o acha excessivamente excêntrico, irritante ou alarmante e decide que você tem uma "doença mental", seja o que for. Em breve, você estará sendo preso, às vezes violentamente, e trancado em uma ala psiquiátrica, apesar de suas declarações claras de que não concorda em ser detido ou em ser medicado contra sua vontade. Você pode ser injetado com drogas que tenham um histórico comprovado de dano aos pacientes, amarradas à sua cama com restrições e abusadas fisicamente. Você pode ser morto, enojado ou entorpecido pelas drogas impostas a você. Claramente, a psiquiatria modelo coercitiva e médica pode ser perigosa para sua saúde.

domingo, 21 de outubro de 2018
Palestra Abolição tratamento forçado (legendado)
Link:
https://youtu.be/YH9-Es7LHu8
Seminário Internacional de Capacidade Jurídica e Tomada de Decisão Apoiada (15 segundos de tela preta no início por erro de edição) A tradução está um pouco esquisita: chama transtorno ou problema de doença no final. O que é o contrário da perspectiva da palestrante. Título da palestra: Abolição das intervenções coercitivas paternalistas do Estado nas vidas das pessoas com deficiência (psicossocial) Palestrante: Tina Minkowitz O restante do evento está disponível no facebook e youtube da APAE São Paulo. Recursos da palestrante e-mail: tminkowitz@earthlink.net Sites: http://www.chrusp.org http://absoluteprohibition.org http://crpdcourse.org
quarta-feira, 10 de outubro de 2018
Tratamento forçado Fiocruz
sábado, 9 de setembro de 2017
sobre tratamento forçado na ONU
Involuntary hospitalization and treatment of persons with psychosocial disabilities
75. The Working Group received information on mental health laws in several jurisdictions, including Washington, D.C., and California, which authorize involuntary hospitalization based on an actual or perceived psychosocial disability, and mental health treatment without obtaining the free and informed consent of the persons concerned or providing the appropriate support to enable them to exercise their legal capacity. This form of confinement is justified using criteria such as danger to the confined person or others and/or the need for care and treatment, which is inherently discriminatory since it is based on the person’s actual or perceived impairment. The Working Group received testimony from individuals who had been subjected to prolonged periods of detention in psychiatric institutions in violation of their human rights. In some cases, individuals were subjected to “voluntary hospitalization”, but without their informed consent to treatment and without the ability to leave at any time.
76. The voluntary institutionalization of persons with psychosocial disabilities needs to take into account their vulnerable position and their likely diminished capability to challenge their detention. If such persons do not have legal assistance of their own or of their family’s choosing, effective legal assistance through a defence lawyer is to be assigned to act on their behalf and the necessity of continued institutionalization is to be reviewed regularly at reasonable intervals by a court or a competent independent body in adversarial proceedings and without automatically following the expert opinion of the institution where the persons are held. The persons are to be released if the grounds for hospitalization no longer exist. Involuntary institutionalization of persons with psychosocial disabilities and forced treatment is prohibited.
Earlier this year, as you may know, the WGAD issued an urgent appeal in a case of forced psychiatry in Norway - https://spcommreports.ohchr.org/…/DownLoadPublicCommunicati… . If the link does not work, you can search for the case here https://spcommreports.ohchr.org, by searching for Norway in the country field.
I hope that these good results from the WGAD keep coming, and encourage everyone to engage with them in country visits and to submit cases of detention and forced treatment of people with psychosocial disabilities.
All the best,
Tina
Marcella O Sullivan
see more about WGAD http://www.gicj.org/…/174-the-united-nations-working-group-…
quinta-feira, 31 de agosto de 2017
Falta de insight (atualizado)
Crenças causais de pessoas diagnosticadas 'esquizofrênicas'
Num estudo internacional 297 de 306 'esquizofrênicos típicos' (97%) não acreditava que tinham uma doença.
Descartado como 'falta de insight', um 'sintoma' da doença 'esquizofrenia'
(Murray e Dean 2008: 285)
Agora chamado de 'Anosognosia':
"Anosognosia, ou falta de consciência da doença, tem uma base anatômica e é causada por dano no cérebro pelo processo da doença"
http://www.treatmentadvocacycenter.org/key-issues/anosognosia
(sem crítica da doença psiquiátrica)
quinta-feira, 13 de julho de 2017
Do patients who hear voices have the right to refuse psychiatric medicine? A growing movement says yes
Do patients who hear voices have the right to refuse psychiatric medicine? A growing movement says yes
quarta-feira, 21 de junho de 2017
Resumo ONU critica psiquiatria biomédica
- “O consentimento informado é um elemento central do direito à saúde, tanto como uma liberdade e uma salvaguarda integral para o seu gozo. O direito de consentimento para tratamento e hospitalização inclui o direito de recusar o tratamento. A proliferação da legislação paternalista em saúde mental e a falta de alternativas tornaram a coerção médica comum. “
- A justificação para o uso da coerção baseia-se geralmente em “necessidade médica” e “periculosidade”. Esses princípios subjetivos não são suportados pela pesquisa e sua aplicação está aberta a ampla interpretação, levantando questões de arbitrariedade (…) O ‘Perigo’ é muitas vezes baseado em preconceitos inapropriados, e não em evidências científicas. Existem também argumentos convincentes de que o tratamento forçado, inclusive com medicamentos psicotrópicos, não é efetivo, apesar do uso generalizado. “
- As decisões de usar coerção são exclusivas aos psiquiatras, que trabalham em sistemas que não possuem ferramentas clínicas para tentar opções não coercitivas. A realidade em muitos países é que as alternativas não existem e a dependência do uso da coerção é o resultado de uma falha sistêmica para proteger os direitos dos indivíduos.”

