Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

sábado, 10 de setembro de 2016

Por que as crianças francesas não tem Déficit de Atenção?

http://patriciaspessi.blogspot.com.br/2016/04/por-que-as-criancas-francesas-nao-tem.html?spref=fb

Por que as crianças francesas não tem Déficit de Atenção? 

 

Por: Marilyn Wedge, Ph.D


Nos Estados Unidos, pelo menos 9% das crianças em idade escolar foram diagnosticadas com TDAH (Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade), e estão sendo tratadas com medicamentos. Na França, a percentagem de crianças diagnosticadas e medicadas para o TDAH é inferior a 0,5%. Como é que a epidemia de TDAH, que tornou-se firmemente estabelecida nos Estados Unidos, foi quase completamente desconsiderada com relação a crianças na França?
TDAH é um transtorno biológico-neurológico? Surpreendentemente, a resposta a esta pergunta depende do fato de você morar na França ou nos Estados Unidos. Nos Estados Unidos, os psiquiatras pediátricos consideram o TDAH como um distúrbio biológico, com causas biológicas. O tratamento de escolha também é biológico – medicamentos estimulantes psíquicos, tais como Ritalina e Adderall.
Os psiquiatras infantis franceses, por outro lado, vêem o TDAH como uma condição médica que tem causas psico-sociais e situacionais. Em vez de tratar os problemas de concentração e de comportamento com drogas, os médicos franceses preferem avaliar o problema subjacente que está causando o sofrimento da criança; não o cérebro da criança, mas o contexto social da criança. Eles, então, optam por tratar o problema do contexto social subjacente com psicoterapia ou aconselhamento familiar. Esta é uma maneira muito diferente de ver as coisas, comparada à tendência americana de atribuir todos os sintomas de uma disfunção biológica a um desequilíbrio químico no cérebro da criança.
Os psiquiatras infantis franceses não usam o mesmo sistema de classificação de problemas emocionais infantis utilizado pelos psiquiatras americanos. Eles não usam o Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders ou DSM. De acordo com o sociólogo Manuel Vallee, a Federação Francesa de Psiquiatria desenvolveu um sistema de classificação alternativa, como uma resistência à influência do DSM-3. Esta alternativa foi a CFTMEA (Classification Française des Troubles Mentaux de L’Enfant et de L’Adolescent), lançado pela primeira vez em 1983, e atualizado em 1988 e 2000. O foco do CFTMEA está em identificar e tratar as causas psicossociais subjacentes aos sintomas das crianças, e não em encontrar os melhores bandaids farmacológicos para mascarar os sintomas.
Na medida em que os médicos franceses são bem sucedidos em encontrar e reparar o que estava errado no contexto social da criança, menos crianças se enquadram no diagnóstico de TDAH. Além disso, a definição de TDAH não é tão ampla quanto no sistema americano, que na minha opinião, tende a “patologizar” muito do que seria um comportamento normal da infância. O DSM não considera causas subjacentes. Dessa forma, leva os médicos a diagnosticarem como TDAH um número muito maior de crianças sintomáticas, e também os incentiva a tratar as crianças com produtos farmacêuticos.
A abordagem psico-social holística francesa também permite considerar causas nutricionais para sintomas do TDAH, especificamente o fato de o comportamento de algumas crianças se agravar após a ingestão de alimentos com corantes, certos conservantes, e / ou alérgenos. Os médicos que trabalham com crianças com problemas, para não mencionar os pais de muitas crianças com TDAH, estão bem conscientes de que as intervenções dietéticas às vezes podem ajudar. Nos Estados Unidos, o foco estrito no tratamento farmacológico do TDAH, no entanto, incentiva os médicos a ignorarem a influência dos fatores dietéticos sobre o comportamento das crianças.
E depois, claro, há muitas diferentes filosofias de educação infantil nos Estados Unidos e na França. Estas filosofias divergentes poderiam explicar por que as crianças francesas são geralmente mais bem comportadas do que as americanas. Pamela Druckerman destaca os estilos parentais divergentes em seu recente livro, Bringing up Bébé. Acredito que suas idéias são relevantes para a discussão, por que o número de crianças francesas diagnosticadas com TDAH, em nada parecem com os números que estamos vendo nos Estados Unidos.
A partir do momento que seus filhos nascem, os pais franceses oferecem um firme cadre –que significa “matriz” ou “estrutura”. Não é permitido, por exemplo, que as crianças tomem um lanche quando quiserem. As refeições são em quatro momentos específicos do dia. Crianças francesas aprendem a esperar pacientemente pelas refeições, em vez de comer salgadinhos, sempre que lhes apetecer. Os bebês franceses também se adequam aos limites estabelecidos pelos pais. Pais franceses deixam seus bebês chorando se não dormirem durante a noite, com a idade de quatro meses.
Os pais franceses, destaca Druckerman, amam seus filhos tanto quanto os pais americanos. Eles os levam às aulas de piano, à prática esportiva, e os incentivam a tirar o máximo de seus talentos. Mas os pais franceses têm uma filosofia diferente de disciplina. Limites aplicados de forma coerente, na visão francesa, fazem as crianças se sentirem seguras e protegidas. Limites claros, eles acreditam, fazem a criança se sentir mais feliz e mais segura, algo que é congruente com a minha própria experiência, como terapeuta e como mãe. Finalmente, os pais franceses acreditam que ouvir a palavra “não” resgata as crianças da “tirania de seus próprios desejos”. E a palmada, quando usada criteriosamente, não é considerada abuso na França.
Como terapeuta que trabalha com as crianças, faz todo o sentido para mim que as crianças francesas não precisem de medicamentos para controlar o seu comportamento, porque aprendem o auto-controle no início de suas vidas. As crianças crescem em famílias em que as regras são bem compreendidas, e a hierarquia familiar é clara e firme. Em famílias francesas, como descreve Druckerman, os pais estão firmemente no comando de seus filhos, enquanto que no estilo de família americana, a situação é muitas vezes o inverso.
 Texto original em Psychology Today
fonte: https://equilibrando.me/2013/05/16/por-que-as-criancas-francesas-nao-tem-deficit-de-atencao/

 

quinta-feira, 8 de setembro de 2016

Dois direitos



Withdrawal Benzos and antidepressants

Ian Singleton - Withdrawal adviser Bristol Tranquilizer Project
Withdrawal from Benzodiazepines and Antidepressant can last 5 to 10 years , he says Doctors do not recognize this and prescribe more harming drugs living patient devastating and extremely hard to get off -

https://vimeo.com/84225476

quarta-feira, 7 de setembro de 2016

Antidepressivos: cura ou causa?

http://www.brasilpost.com.br/michele-muller/antidepressivos-cura-ou-causa_b_5635010.html







Antidepressivos: cura ou causa?

 

Vários estudos relacionam o uso de psicotrópicos ao desenvolvimento crônico da depressão
Fluoxetina está ficando quase tão popular quanto a aspirina. Quem nunca tomou pode apostar que convive com muitos que não vivem sem. A fama de droga inofensiva abriu sua passagem para diversas áreas da medicina. É receitada aos deprimidos e também aos que sofrem de dores crônicas, aos que apresentam qualquer queixa que possa ter origem emocional e aos que confundem tristeza com depressão.
E declarações como a que Chico Anysio fez em sua última entrevista - concedida à Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) pouco antes de sua morte, em 2012 - são usadas para reforçar a necessidade que a sociedade está criando de buscar seu bem estar mental nas farmácias. Com a intenção de desmistificar a depressão e o uso antidepressivos, chegou a afirmar que não teria feito 20% do que fez sem os remédios.
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Resta saber se, assim como o comediante, tantos brasileiros estariam com sua capacidade de produção tão baixa caso não tivessem buscado auxílio químico. O fato é que depressão não é uma doença nova, mas sua cura por meio de drogas é. Com a popularização do Prozac na década de 90, as pessoas ganharam o conforto de resolver de forma prática e relativamente rápida o que aprenderam ser um "desequilíbrio químico" no cérebro.
E o mercado de psicotrópicos não para de crescer desde então. A venda de estabilizadores de humor e antidepressivos aumentou 8,4% nos últimos quatro anos no país. Mas o verdadeiro salto foi nos quatro anos anteriores - entre 2005 e 2009 - quando cresceu 44,8%, de acordo com dados do IMS Health, instituto que faz auditoria para a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
Foi também depois do surgimento do Prozac que o número de depressivos começou a crescer em proporções epidêmicas. Em 2007, uma década depois de aprovada a comercialização da fluoxetina pelo Food and Drugs Administration (FDA), o número de americanos incapacitados pela doença era de 1 em 76, seis vezes mais que a taxa registrada em 1955, conforme cita Robert Whitaker no livro "Anatomy Of An Epidemic" (sem edição no Brasil). Esse índice contribui de forma proporcional ao aumento do uso de antidepressivos em todos os países. Na Inglaterra, segundo o autor, o número de dias de incapacidade relacionados à depressão triplicou logo na primeira década de comercialização do Prozac. Com tantos medicamentos acessíveis, não deveriam essas taxas estarem caindo?
O fato é que se Chico Anysio tivesse vivido seu período produtivo na primeira metade do século 20, ele teria uma chance grande de ter se livrado da depressão para sempre depois de superada a primeira crise. Em um estudo com 2,7 mil internados com depressão no estado de Nova York entre os anos de 1909 e 1920, o New York Department of Mental Hygiene registrou que apenas 17% dos pacientes tiveram mais de três crises subsequentes, enquanto mais da metade dos depressivos não tiveram recorrência. Atenção para o fato e se tratar de depressão severa, com necessidade de internação.
O Instituto Nacional de Saúde Mental dos Estados Unidos (NIMF) considerava, na época, a depressão uma condição com os melhores prognósticos de recuperação. Com o uso da medicação até mesmo em casos leves - ou, para muitos, como recurso para se sentirem "melhor que bem" - hoje uma parcela cada vez maior da população depende dessas drogas sob o risco de relapsos constantes. De problema relativamente incomum se transformou em uma condição crônica, quarta principal causa de incapacitação no mundo. Dados da Organização Mundial da Saúde (ONU) mostram que no Brasil 18,4% da população já teve um episódio de depressão, o maior índice entre os países emergentes.
Ataque de pânico, irritabilidade, insônia, agressividade e alteração de humor são alguns dos sintomas mais comuns observados em quem deixa de usar os remédios. A síndrome da descontinuação faz com que os pacientes acreditem que não podem viver sem o medicamento. Afinal, foram convencidos de que sua depressão seria resultado de um desequilíbrio de neurotransmissores.
Essa teoria, no entanto, já foi derrubada por inúmeras pesquisas. Não existe comprovação de que níveis baixos de serotonina levem à depressão. O número de não depressivos com níveis baixos de serotonina é semelhante ao de depressivos, o que mostra que variações são normais. O que provoca desequilíbrio químico é, na verdade, a própria medicação - assim como outras drogas que agem alterando os níveis de neurotransmissores.
Ainda não se sabe por que medicamentos como fluoxetina e outros inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) apresentam melhora da depressão, ao menos em um primeiro momento. Há teorias ainda não comprovadas de que o acúmulo de serotonina promoveria a neurogênese (nascimento de células nervosas) no hipocampo, enquanto fatores como o stress provocam efeito oposto - a morte de neurônios nessa área, associada à memória e ao aprendizado. O tempo de amadurecimento dessas novas células é de três a seis semanas, o mesmo período necessário para se perceber o efeito dessas medicações.
O problema é que esse efeito tende a desaparecer em aproximadamente um ano de uso. Estudo comandado pelo professor de psiquiatria e pesquisador da Universidade de Massachusetts, Maurizio Fava, concluiu que esse é o tempo de tolerância ao medicamento para cerca de um terço dos pacientes. Além disso, já está comprovado em amplos e sólidos estudos que esses psicotrópicos só funcionam melhor que placebos em casos de depressão severa. "Entretanto, até mesmo essa evidência estaria relacionada a uma redução na resposta ao placebo nesses pacientes e não a um aumento na eficácia de antidepressivos", citaram os autores do STAR*D (The Sequenced Treatment Alternatives to Relieve Depression), o maior estudo sobre a eficácia dos antidepressivos já realizado. O poder de acreditar na eficácia do tratamento da depressão é inquestionável e certamente provoca importantes alterações no cérebro.
Há recursos para combater a depressão e promover neurogênese sem os efeitos colaterais dos remédios. Exercícios aeróbicos e terapia são os mais comuns e não vêm acompanhados de problemas como disfunção sexual, insônia, apatia, fatiga e espasmos musculares - causados pela queda compensatória de dopamina ao se elevar os níveis de serotonina - sem falar nos possíveis e ainda desconhecidos efeitos de longo prazo.
Infelizmente, com o fácil acesso a formas mais práticas de lidar com o problema - os comprimidos - a psicoterapia vem deixando de ser a opção mais razoável. Segundo pesquisadores da Universidade de Columbia, no início da década de 1990, a terapia era a primeira opção no tratamento da depressão para 71,1% das pessoas. Quase duas décadas depois, em 2007, apenas 43% dos deprimidos optaram por esse tratamento, enquanto remédios eram a opção de 75,3%.

 

terça-feira, 6 de setembro de 2016

Marijuana Compound Could Replace Need For Antipsychotics

http://www.leafscience.com/2014/01/14/marijuana-compound-replace-need-antipsychotics/



Marijuana Compound Could Replace Need For Antipsychotics

Scientists say a chemical in marijuana could be more effective than leading medications for psychotic disorders such as schizophrenia.Marijuana’s active ingredient is a chemical called THC, which is thought to trigger psychosis in certain individuals. However, research shows that another compound in marijuana called CBD (cannabidiol) may counteract THC’s effect, and could even have antipsychotic properties of its own.
In the latest study, published in the journal Neuropsychopharmacology, Dutch and British researchers reviewed more than 66 past studies on CBD and psychosis, and concluded that the compound offers a number of advantages over current drugs.
“Given the high tolerability and superior cost-effectiveness, CBD may prove to be an attractive alternative to current antipsychotic treatment.”
The authors point out that CBD, unlike a vast majority of medicines, appears to have no noticeable side effects and no lethal dose. Several lines of evidence, including animal and human studies, also support its effectiveness as an antipsychotic medicine.
One of the most promising studies was published in 2012. The study involved 39 people with schizophrenia, 20 who were given CBD and 19 who were given the antipsychotic drug amisulpride.
At the end of the four-week trial, those who received CBD showed the same levels of improvement as those who received amisulpride. But more importantly, CBD did not cause the hormonal and weight imbalances that amisulpride did.
“The results were amazing,” said Daniel Piomelli, Ph.D., a professor of pharmacology at the University of California-Irvine who co-authored the study.
“Not only was (CBD) as effective as standard antipsychotics, but it was also essentially free of the typical side effects seen with antipsychotic drugs.”
Unfortunately, despite raising excitement among others in the field, Dr. Piomelli’s findings have yet to be followed up. According to PsychCentral, barriers include CBD’s relationship to marijuana and the fact that it is a naturally-occurring compound, which makes it harder to patent as a new drug.
The authors of the latest study say that larger trials are necessary in order to bring the medicine to patients.
On the other hand, to get around the patenting issue, they note that identifying the source of CBD’s antipsychotic properties “could also lead to the design of new synthetic agents” that mimic its benefits.
The study received funding from the Netherlands Organization for Scientific Research

Frase John lennon realidade

John Lennon - Quanto mais real conseguires ser mais irreal o mundo te vai parecer

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Challenging the ADHD consensus

Int J Qual Stud Health Well-being. 2016; 11: 10.3402/qhw.v11.31124.
Published online 2016 Apr 5. doi:  10.3402/qhw.v11.31124
PMCID: PMC4823629

Challenging the ADHD consensus

Soly Erlandsson, Professor1,* and Elisabeth Punzi, PhDcorresponding author2
Psychiatric diagnoses are based on a classification system, which not only builds on biomedical facts but which is also influenced by a wide array of political, economic, and professional interests (see, e.g., Frances & Widiger, 2012; Leo & Lacasse, 2015). In the case of Attention-Deficit Hyperactivity Disorder (ADHD), the vast majority of resources financially and professionally support the biomedical model for diagnosing children and adults with ADHD-like behavior. It is also easier for researchers to receive financial support for studies on ADHD if they engage in the neurobiological field (Goldfried, 2015), which is conducive for the pharmacological industry to develop new medical compounds for the treatment of ADHD. In today's complex and multicultural society, however, we believe it is not enough to embrace one model—the biomedical—to understand aberrant human behaviors.
Criteria for an ADHD diagnosis as well as names of pharmaceuticals to remedy the disorder are readily available on the Internet (Pedersen, 2015; Vrecko, 2015). However, researchers as well as clinicians have raised concern that stimulant prescription to children is on the increase although long-term risks and benefits are unknown at the present time (see, e.g., LeFever Watson, Arcona, Antonuccio, & Healy, 2014). At the same time, vulnerable young people might look for solutions to their hardships on chat rooms full of naïve ideas about the advantages of being diagnosed with ADHD. Acknowledging those risks it is our duty, as researchers and clinicians, to also reflect on the ways in which social dilemmas and an insecure life situation caused, for instance, by the loss of a close family member, parents’ divorce or economic hardship, might influence the child's well-being and behavior. But not only reflect—we need to take those aggravating circumstances into consideration when trying to comprehend and care for a child who suffers. Children may behave hyperactively as a response to basic emotional needs not being filled or as a reaction to overstimulation, and their aberrant behavior should thus be seen as a form of communication and not as a mere symptom of a biomedical disease. By choosing one single biomedical code, the “true” story will never be heard.
Diagnoses such as depression and substance use disorders are increasingly classified as neurological disorders or conditions, implying that there is a known neurobiological dysfunction (Leo & Lacasse, 2008; Vrecko, 2010). Even though researchers from various disciplines have shown that it is inadequate to view ADHD as a neurobiological disorder, surprisingly little criticism has been directed toward the biomedical explanation in clinical practice or in the media. In popular media, for example, so-called neuropsychiatric diagnoses have been presented as severe threats to public health (Börjesson, 1999). The hegemonic status of the current medical discourse on ADHD reflects some kind of social consensus. In line with this hegemony, even teachers are encouraged to “discover” children who might suffer from ADHD. Human suffering, however, tends to be complex, and a purely neurobiological discourse focused on diagnostic criteria downgrades the importance of contextual factors such as socioeconomic impact and exposure to mistreatment. Thereby, the complex needs and interests of the individuals concerned are not taken into consideration. Instead, according to Laclau and Mouffe (1985), peoples’ interests and needs are masked in a discourse where social consensus is prevalent.
So, we need to ask ourselves: Can we, by interrogation and observation, approach the masked needs and interests of children that are now diagnosed with ADHD? It might well be the case that the parent of “the problem child” is the one who foremost needs help and support. Francoise Dolto, the French child psychiatrist and psychoanalyst (1908–1988) once said that the parent who is deeply bothered by his/her child's behavior is the one who needs treatment. Today, shifting the focus from the child to the parents is, however, almost perceived as a threat not only to the parents but—ironically—also to the experts on ADHD. It is not the parents’ fault that their child is acting divergently. Such behavior problems in the child can, however, be linked to an unbalanced situation in the family and to the family history. Instead of examining the family dynamics and masked dysfunctions in parents, it is of course less complicated to put the blame on the child. The tendency to diagnose human suffering as a biomedical disorder might also lead to the marginalization of certain groups of people. Frances and Widiger (2012) argue that “the greater the number of health clinicians, the greater the number of life conditions that work their way into becoming disorders” (p. 111). The window to “normality” might reach a point where it becomes hard for anyone to squeeze in.
It is remarkable that researchers and practitioners from various professions so easily seem to accept the biomedical model of ADHD and perceive pharmacological solutions as appropriate. When complicated human conditions are presented as defined categories, and when questionnaires and diagnostic criteria are perceived as appropriate responses to human suffering, it is necessary to reflect on alternative models and interventions. Qualitative studies have the capacity to acknowledge complexities and paradoxes as well as contextual factors, and thereby challenge hegemonic systems of classification. Qualitative studies may also provide insight into the complex processes and experiences that underlie aberrant behaviors. We therefore look forward to alternative perspectives and critical investigations of the current hegemonic view on children who are perceived as restless, inattentive, and/or impulsive. You are welcome to submit your work to International Journal of Qualitative Studies on Health and Well-being.
Soly Erlandsson, Professor
Department of Social and Behavioral Studies
University West
Trollhättan, Sweden
Email: soly.erlandsson@hv.se
Elisabeth Punzi, PhD
Department of Psychology
Gothenburg University
Gothenburg, Sweden

References

1. Börjesson M. A newspaper campaigns tells. Scandinavian Journal of Disability Research. 1999;1:3–25.
2. Frances A, Widiger T. Psychiatric diagnosis: Lessons from the DSM-IV past and cautions for the DSM-5 future. Annual Review of Clinical Psychology. 2012;8:109–130. [PubMed]
3. Goldfried M. R. On possible consequences of National Institute of Mental Health funding for psychotherapy research and training. Professional Psychology: Research and Practice. 2015 http://dx.doi.org/10.1037/pro0000034. [Epub ahead of print]
10. Laclau E, Mouffe C. Hegemony and socialist strategy. London: Verso; 1985.
4. LeFever Watson G, Arcona A. P, Antonuccio D. O, Healy D. Shooting the messenger: The case of ADHD. Journal of Contemporary Psychotherapy. 2014;44:43–52. [PMC free article] [PubMed]
9. Leo J, Lacasse J. R. The media and the chemical imbalance theory of depression. Society. 2008;45:35–45.
5. Leo J, Lacasse J. R. The New York Times and the ADHD epidemic. Society. 2015;52:3–8.
6. Pedersen W. From badness to illness: Medical cannabis and self-diagnosed attention deficit hyperactivity disorder. Addiction Research and Theory. 2015;23:177–186.
7. Vrecko S. Birth of a brain disease: science, the state and addiction neuropolitics. History of the Human Sciences. 2010;23:52–67. [PubMed]
8. Vrecko S. Everyday drug diversions: A qualitative study of the illicit exchange and non-medical use of prescription stimulants on a university campus. Social Science & Medicine. 2015;131:297–304. [PMC free article] [PubMed]

http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC4823629/#!po=1.78571

Pseudodeterminação hereditária

Artigo importante atualizando o debate sobre a pseudodeterminação hereditária dos ditos transtornos mentais. O artigo atualiza aquelas posições que se levantaram contra "Not in our genes" de Richard Lewontin, Steven Rose e Leon Kamin e as demole como fizeram os primeiros.
- Resumindo: não serve para identificar doenças (a menos naqueles casos sindrômicos onde a relação é inequívoca), não serve como terapêutica individual nem tampouco para o planejamento da saúde pública. Em tese, de que vale?
" In all cases, they refuse to consider that a very plausible interpretation of the “striking” (non) finding is that genes “for” common disorders phenotypes have not been found because they do not exist"

De Bruno Carvalho.

https://www.independentsciencenews.org/wp-content/uploads/2013/05/chaufanjoseph-missing-heritability.pdf

In Some Cultures People with Schizophrenia Actually Like the Voices They Hear

https://braindecoder.com/post/voice-hearing-experience-in-schizophrenia-may-vary-from-one-culture-to-1381850145?utm_source=facebook

In Some Cultures People with Schizophrenia Actually Like the Voices They Hear

Author: Agata Blaszczak Boxe

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Hearing voices of non-existent interlocutors is a common symptom of schizophrenia. But it seems that the voice-hearing experience among people with the disorder may vary depending on where they are from, according to a new study.
In the study, published recently in Topics in Cognitive Science, researchers looked at how people with schizophrenia from three different societies experienced hearing voices. They found that people from the US tended to describe the voices as intrusive unreal thoughts they hated. In contrast, people from South India were more likely to describe them as providing useful guidance, and people from Ghana were more likely to think of them as morally good.
"I was actually surprised that they were so different," study author Tanya M. Luhrmann of Stanford University told Braindecoder.
While exact brain mechanisms of voice hearing in schizophrenia are not clear, previous research has found that, during such auditory hallucinations, people with the disorder show increased flow to Broca's area in the brain, which is involved in speech production.
To see whether cultural differences can affect the content of these auditory hallucinations, Lurmann and her colleagues looked at 20 patients with schizophrenia in San Mateo, California, 20 patients in Chennai, South India, and 20 patients in Accra, Ghana. The researchers asked the participants how many voices they heard and how often, as well as whether they had experienced hallucinations with any other sensory elements. They also asked them what relationship they had with the voices and what the qualities of the voices were, among other questions.
They found that voices the Americans heard were often violent. "The screaming, fighting ... [they say] jump in front of the train," one US participant said. They tended to describe their voice-hearing experience as a war: "The warfare of everyone just yelling," another American patient said.
Although some of the people from India and Ghana also experienced violent voices, fewer of them reported violence and gave it less prominence in the interviews.
It was also very clear to the researchers that people from the US did not like the voices they heard. "Not one person told us that their predominant experience was positive," the researchers said. The Americans tended to describe the experience of hearing voices as a sign of insanity and they felt assaulted by them.
But in Ghana, half of the participants said that they mostly heard good voices that were actually helpful. "They just tell me to do the right thing. If I hadn't had these voices, I would have been dead long ago," one of them said.
"I was really struck by how insistent the subjects in Accra were that they had positive experiences," Luhrmann said.
In the group from South India, more than half of the people heard the voices of their family members like their parents, parents-in-law and siblings. While some of the voices were bad, others were good. For example, one man heard the voices of his sisters telling him off, but he also experienced voices of his ancestors who expressed their support of him and were his companions. "I like them," he said. He described them as useful, as they reminded him to take his bath, brush his teeth and drink his coffee.
At least eight people from the South Indian group said the voices were a positive experience. "I have a companion to talk (laughs). I need not go out and speak. I can talk within myself," one person said. The voices tended to provide guidance on everyday tasks to people, telling them to cook, clean and eat. They also told them not to smoke and drink.
The researchers think these differences in the voice-hearing experience stem from different cultural expectations about the mind and people. For example, unlike people in the other two countries, Americans tend to perceive the mind as a separate, private place. The voices upset them because they violate their sense of personal control, the researchers said.
Along the same lines, society in Chennai is "a world of kin in which seniors are presumed to know what juniors should be thinking and in which seniors are expected to give juniors advice," the researchers said. It may therefore explain why people in the South Indian group experienced the voices as those of their kin so frequently.
Such local cultural expectations about minds, people and spirits, coupled with culturally driven patterns of attention to auditory phenomena seem to actually to shape the voices that people with the condition hear, the researchers said.
"We think that, as people pay attention in culturally varied ways, there are small but important cognitive biases in the way that they identify, respond to, and remember auditory experiences," they said.

sábado, 27 de agosto de 2016

Rótulos

Just because a word is created to explain certain human behaviors, it does not mean the word or the description is helpful or accurate - enter psychiatric word-salads

- Daniel Carter

quarta-feira, 24 de agosto de 2016

Anti State, Anti Capitalism, Anti Psychiatry 2

Anti-psychiatry is the belief that the psychiatric system is, at its core, a system of social control masquerading behind made-up science.

https://apsych.wordpress.com/2015/12/16/anti-psychiatry-an-anarchist-view/

esquizofrenia

“The behaviour that gets labelled ‘schizophenic’ is a special strategy that a person invents in order to live in an unliveable situation.” –R.D Laing

https://apsych.wordpress.com/2015/12/16/anti-psychiatry-an-anarchist-view/

Study Finds ADHD Drugs Alter Developing Brain

http://www.madinamerica.com/2016/08/study-finds-adhd-drugs-alter-developing-brain/?utm_campaign=shareaholic&utm_medium=facebook&utm_source=socialnetwork



Study Finds ADHD Drugs Alter Developing Brain

Altering brain development can lead to lasting and even permanent changes


A new study, published in the JAMA Psychiatry, investigates the effect of stimulant ‘ADHD’ drugs on the brains of children and young adults. The results of the randomized, double-blind, placebo-controlled trial, the ‘gold standard’ for evidence in academic medicine, indicate that methylphenidate (Ritalin) has a distinct effect on children that may lead to lasting neurological changes.
“Because maturation of several brain regions is not complete until adolescence, drugs given during the sensitive early phases of life may affect neurodevelopmental trajectories that can have more profound effects later in life,” write the researchers, led by Liesbeth Reneman, a physician and researcher at the University of Amsterdam.
ritalin bobbleheadsEven as methylphenidate hydrochloride (Ritalin) is the most frequently prescribed treatments for attention-deficit/ hyperactivity disorder (ADHD), and is increasingly being used by a greater percentage of children in the US, little research has been done on the effects of the drug on the developing brain. Up to this point, the effects of this particular drug on the development of the brain in children and young adults have only been studied in animals.
“The adolescent brain is a rapidly developing system that maintains high levels of plasticity. As such, the brain may be particularly vulnerable to drugs that interfere with these processes or modify the specific transmitter systems involved,” the researchers write.
The animal studies we do have point to a worrying result. In adult animals, the long-term exposure to stimulant medications appears to induce a temporary adaptation in the brain, which can be reversed. In juvenile animals, however, where the dopaminergic system is still developing, long-term exposure to ‘ADHD’ drugs leads to lasting and sometimes permanent changes. This process is referred to as “neurochemical imprinting.”
“Safety investigations on the effects of methylphenidate on DA function in the developing brain are scarce in children. Regardless of this alarming paucity of findings, increasingly greater numbers of children and young adolescents are exposed to methylphenidate, many of whom likely do not meet the criteria for ADHD,” Reneman and her colleagues note.
“This heightened use has led to considerable debate and concern (eg, among parents) about the long-term consequences or possible adverse effects of methylphenidate use in children.”
In the first attempt to investigate “neurochemical imprinting,” and age-dependent brain changes, in humans, the researchers designed the Effects of Psychotropic Drugs on Developing Brain–Methylphenidate study.  The multicenter trial randomly assigned 99 male patients diagnosed with ‘ADHD’ to either treatment with placebo or methylphenidate. After sixteen weeks and a one-week washout period, the researchers observed the dopaminergic function in children and adults using fMRI technology.
After four months of treatment with methylphenidate, they found significant changes in the brains of children that were not present in adults. It was hypothesized that the changes induced by the drugs in children might have a positive effect on the symptoms associated with ‘ADHD,’ but this was not the case for the children in this study.
“Because maturation of several brain regions is not complete until adolescence, drugs given during the sensitive early phases of life may affect neurodevelopmental trajectories that can have more profound effects later in life,” the study authors warn. “Indeed, the most comprehensive trial on the long-term effects of ADHD, the Multimodal Treatment Study of Children With ADHD (Full Text), reported that six years after enrollment, medication management was associated with a transient increase in the prevalence of anxiety and depression.”
This study provides the first evidence that the use of ‘ADHD’ drugs in children can alter the brain's development in significant and potentially lasting ways. While these changes did not appear to be connected with significant benefits or harms that were measurable in the short-term period of this study, the authors note that “the long-term consequences remain to be established.”

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Schrantee, A., Tamminga, H.G., Bouziane, C., Bottelier, M.A., Bron, E.E., Mutsaerts, H.J.M., Zwinderman, A.H., Groote, I.R., Rombouts, S.A., Lindauer, R.J. and Klein, S., 2016. Age-Dependent Effects of Methylphenidate on the Human Dopaminergic System in Young vs Adult Patients With Attention-Deficit/Hyperactivity Disorder: A Randomized Clinical Trial. JAMA psychiatry. (Abstract)

Brasil Trocou os Manicômios Pelos Remédios Psiquiátricos?

http://www.vice.com/pt_br/read/o-brasil-trocou-os-manicomios-pelos-remedios-psiquiatricos

Brasil Trocou os Manicômios Pelos Remédios Psiquiátricos?

Repórter
abril 30, 2015


Mesmo com um dos sistemas públicos mais progressistas na saúde mental, os brasileiros dependem cada vez mais de medicamentos psicotrópicos. O país iniciou sua reforma psiquiátrica no fim dos anos 70, a partir do processo de redemocratização, substituindo a atuação dos hospitais psiquiátricos por outras formas de atendimento a pacientes com transtornos, mas, ainda assim, o uso de substâncias controladas segue crescendo entre a população – e não são apenas os adultos.
Um fenômeno que exemplifica essa hipermedicação brasileira pode ser facilmente identificado ao analisarmos o aumento considerável do consumo de Ritalina por crianças. Segundo Walter Oliveira, médico com prática em psiquiatria, professor na UFSC e vice-presidente da Abrasme (Associação Brasileira de Saúde Mental), houve um crescimento considerável nos últimos cinco anos dos diagnósticos de déficit de atenção. "Com isso, começamos a prestar mais atenção e entender por que isso está acontecendo. Será que existe mesmo uma epidemia de transtorno de atenção? Acontece que, quando começamos a olhar o que está acontecendo nas escolas, percebe-se uma pressão muito grande para pegar uma criança mais agitada e que não se conforma com as regras da escola, diagnosticá-la e medicá-la com um remédio psiquiátrico", explica.
De fato, o brasileiro toma muito remedinho. Em 2013, nós gastamos R$ 1,8 bilhão com antidepressivos e estabilizadores de humor. E isso pode vir de maneiras diversas: do lobby de indústrias farmacêuticas, da glamourização de doenças psiquiátricas e também porque viver nas metrópoles deixa a gente mais infeliz e abre mais possibilidades de incidências de transtornos psiquiátricos. Um artigo publicado em 2014 concluiu que, nas cidades analisadas, o aparecimento de transtornos mentais são de 51,9% no Rio de Janeiro, 53,3% em São Paulo, 64,3% em Fortaleza e 57,7% em Porto Alegre.
Se você considerar de maneira geral, ainda estamos considerando o atendimento psicossocial em segmentos do vasto território brasileiro. Há ainda lugares em que amarram os pacientes no pé da cama, que o cara é mandado para um hospital psiquiátrico, porque o CAPS não dá conta.
"Não estou dizendo de maneira alguma que não existem pessoas com depressão ou ansiedade, mas sim que há um exagero de diagnóstico para pessoas que não possuem transtornos graves e que estão tomando medicação controlada", frisa Walter. "Hoje, a pessoa passa seis meses tomando um remédio após ter passado por apenas uma consulta."
Assim como no resto do Ocidente, o Brasil participa do boom de diagnósticos e do acesso a remédios controlados para se tratar de problemas da vida cotidiana. "Isso começou na década de 50 com os barbitúricos, ansiolíticos, e muita gente começou a tomar medicamentos para tudo." Silvio acrescenta que a crescente procura por esse tipo de remédios também se deve a uma tendência contemporânea de procurarmos respostas mais rápidas para o que nos aflige.
O cenário da loucura no Brasil dos anos 50 ainda era tomado pela única solução possível: internação e medicação por parte da psiquiatria. O louco era um pária e, por isso, era internado em manicômios onde os maus-tratos e tratamentos duvidosos eram alguns dos meios que o Brasil da época encontrava para retirar de circulação cidadãos indesejados. Um dos maiores exemplos do tratamento manicomial do país é o Hospital Colônia de Barbacena, onde ocorreu o Holocausto Brasileiro, e também o Hospital Psiquiátrico Juquery, localizado na cidade de Franco da Rocha . Tudo isso começou a ser percebido após o lento e gradativo processo de redemocratização nos anos 1970.
"Na época, o Brasil era, aos olhos dos estudiosos do mundo, um país interessante de ser observado, pois tinha acabado de sair de uma ditadura", relembra Silvio Yasui, psicólogo e professor da Unesp que também atuou na área da saúde mental pública. Foram dois intelectuais que deram força para a reforma da saúde mental no país: Foucault e, o mais importante, o italiano Franco Basaglia. "Basaglia tinha a experiência de mudar o sistema de saúde mental. Quando ele chegou aqui em 1977/78, tinha acabado de aprovar uma lei italiana que determinava o encerramento de hospitais psiquiátricos. A presença dele aqui falando que é possível fazer algo do tipo foi bastante determinante para a reforma psiquiátrica no Brasil", explica.
As visões de Basaglia deram espaço para a criação de uma nova rede de saúde mental com mecanismos mais progressistas e fundamentalmente contra a internação em manicômios como primeira opção. Com isso, foi criada a primeira unidade do CAPS (Centro de Atenção Psicossocial) em 1987, na Rua Itapeva, no município de São Paulo, onde inicia-se na prática a nova postura do país com a saúde mental. O CAPS é uma das soluções da rede de saúde mental (formalizada com a lei nº 10.216/2001) oferecidas pelo SUS.
Sofremos o preço de sermos jovens enquanto política.
Segundo o Ministério da Saúde, são 2.209 CAPS espalhados pelo país, dos quais 201 são especializados em crianças e adolescentes. As unidades fazem cerca de 44,9 milhões de atendimentos por ano que visam ao "atendimento próximo da família, assistência médica e cuidado terapêutico conforme o quadro de saúde do paciente". Para Silvio, a qualidade do atendimento nos CAPS depende da região onde a pessoa está. "Você tem alguns lugares com ofertas interessantes para a reinserção do sujeito na sociedade. Se você considerar de maneira geral, ainda estamos considerando o atendimento psicossocial em segmentos do vasto território brasileiro. Há ainda lugares em que amarram os pacientes no pé da cama, que o cara é mandado para um hospital psiquiátrico, porque o CAPS não dá conta."
O psicólogo continua: "Atenção psicossocial é um cuidado que se faz em rede e em território. O CAPS em Perdizes vai ser diferente do de Itaquera, que vai ser diferente do CAPS de Parelheiros. Se for pensar em outras regiões e em outras culturas, a abordagem terá a cara do seu território. Cada lugar vai ter um jeito de lidar com a loucura e com o sofrimento".
Já Walter Oliveira destaca que a função do CAPS acabou se perdendo e se tornando um meio prioritário de atendimento. "O Brasil não investe em uma rede de saúde mental no geral: o CAPS foi a solução mais viável de se implantar, mas ainda não atende todas as necessidades da população. Aqui em Florianópolis existe apenas uma unidade que atende cerca de 1 milhão de pessoas."
É muito difícil falar em números de diagnósticos por conta do envolvimento do médico, do remédio com a indústria farmacêutica.
Os dois especialistas frisam que a própria contratação de profissionais do CAPS é problemática, pois muitos carregam ainda a mentalidade manicomial. Isso se deve principalmente pela política de saúde mental ainda ser uma novidade e também pela formação acadêmica continuar focada numa corrente mais tradicional. "Sofremos o preço de sermos jovens enquanto política", conta Silvio.
Enquanto a rede de saúde mental brasileira pena para se adaptar às novas tendências da psiquiatria, resta saber se estamos mesmo mais infelizes e doentes, ou se realmente usamos os medicamentos como válvula de escape para os problemas que não queremos enfrentar.
"É muito difícil falar em números de diagnósticos por conta do envolvimento do médico, do remédio com a indústria farmacêutica. Há também uma ausência de posição por parte do governo sobre essa questão", explica Walter. Por isso, o psiquiatra destaca que sempre é preciso olhar para os números com muita cautela, justamente por muitas pesquisas no campo serem patrocinadas por indústrias farmacêuticas .
"Temos um excesso de diagnósticos que patologizam a vida cotidiana. Hoje, não existe mais uma criança arteira, existe uma criança com DDA; da mesma forma que não há mais pessoas tristes, mas sim depressivas", finaliza Silvio.
Resta saber se é pior ficar preso em um hospício ou preso em nós mesmos por conta do excesso de medicamentos psiquiátricos.

Antidepressivos e suicídio

http://www.revistavidaesaude.com.br/sala-de-espera/antidepressivos-e-suicidio/

Antidepressivos e suicídio

Pasme! Mas os antidepressivos, além de não prevenirem o suicídio, podem acabar aumentando as chances de que ele ocorra. A informação parece estranha, por isso pesquisadores da Universidade de Colônia, na Alemanha, explicam que ainda não há consenso se os antidepressivos podem prevenir suicídios ou tentativas dele, especialmente durante uso em longo prazo desses medicamentos.
Pode ser que o medicamento não cause o suicídio, mas o problema é que ele também não evita o mesmo. Após a revisão de mais de 800 artigos científicos sobre o tema e uma pesquisa que abrangeu alguns anos dos pesquisados, verificou-se que sete de cada oito suicídios e 13 de cada 14 tentativas de suicídio ocorreram entre os pacientes que estavam tomando antidepressivos, resultando em índices de incidência de 5,03 para os suicídios e de 9,02 para as tentativas de suicídio.
Apesar de ainda não haver um estudo conclusivo, é preciso ficar atento à suspeita. Além disso, não se deve abrir mão da psicoterapia, especialmente porque os antidepressivos não podem resolver todos os problemas.
A análise foi publicada na revista médica Psychotherapy and Psychosomatics.

segunda-feira, 22 de agosto de 2016

Desamparo Aprendido (Modelo comportamental da depressão)


Distinguindo dos teóricos do “stress” entendo que o “burnout”, depressão mais recorrente no trabalho docente não se constitui numa reação crônica de “stress”, pois essa síndrome insere-se no conceito de depressão reativa por situações aprendidas de desamparo diante dos acontecimentos. De acordo Seligman (1977), é desmedida a confusão existente na bibliografia médica sobre a depressão; no entanto, a maneira melhor e mais útil de verificar as tipologias de depressão é classificá-las em depressões endógenas e depressões reativas.
Para o autor, as depressões endógenas se constituem em resposta a um processo interno ou endógeno desconhecido. Essas depressões não são desencadeadas por algum processo externo, simplesmente tomam conta do sujeito, são cíclicas e se repetem regularmente. Elas respondem a tratamentos com drogas, e suas causas são de natureza orgânica, como a hormonal, podendo também, ser predispostas geneticamente. As depressões reativas, por sua vez, são as mais comuns e são causadas por acontecimentos externos aos sujeitos, não apresentam ciclos regulares, não respondem a tratamentos com drogas, não têm caráter genético e seus sintomas são mais leves do que o das depressões endógenas.

O dia-a-dia do professor – ensinando a amparar e apreendendo o desamparo
Na obra “Desamparo: sobre depressão, desenvolvimento e morte” (1977), Seligman desenvolve a intrigante tese de que as depressões reativas podem ser explicadas a partir do desamparo aprendido. Segundo o autor, o desamparo aprendido se caracteriza pela lentidão do indivíduo em dar início a respostas voluntárias, acreditando-se impotente e desesperançado, situação que se inicia como uma reação à perda de controle sobre gratificações e sobre a minoração do sofrimento. Não é um pessimismo generalizado; é antes um pessimismo dirigido para as suas próprias ações. O indivíduo aprende que responder é independente de reforço; assim, o modelo sugere que a causa da depressão decorre da constatação de que toda a ação é inútil.
Sendo assim, não é a perda de reforçadores gratificantes que causa depressão nos indivíduos, mas a perda do controle sobre os reforçadores. Essa perda é um fenômeno que decorre de fatores externos ao sujeito; desse modo, quando este é submetido a situações constantes de estímulos incontroláveis, aprende que responder se torna inútil, desencadeando-se a sensação de desamparo.

http://www.ambientelegal.com.br/a-loucura-no-trabalho-docente/

domingo, 21 de agosto de 2016

Drogas DOC

Primeiro documentário brasileiro que levantou a discussão da política de drogas no Brasil e no mundo, com participação de vários profissionais das mais diversas áreas de autuação.
O filme, gravado em diversos paíse do mundo, discute a relação histórica da humanidade com as drogas, o uso industrial e medicinal da maconha e a política de guerra nas grandes cidades, em particular no Rio de Janeiro.
O documentário teve papel fundamental no movimento político brasileiro relacionado ao tema e viajou o mundo em dezenas de festivais de cinema. Foi eleito, ao lado de Food Inc, Ilha das Flores e The Corporation, como um dos 11 documentários que podem mudar a sua visão de mundo.
https://www.youtube.com/watch?v=K_N1q5DAri4

sábado, 20 de agosto de 2016

A indústria do mal-estar



http://www.extraclasse.org.br/edicoes/2016/08/a-industria-do-mal-estar/

A indústria do mal-estar

Por Grazieli Gotardo
ENTREVISTA | ROBERT WHITAKER

A indústria do mal-estar

Por Grazieli Gotardo
Foto: Reprodução
Há mais de 25 anos, o jornalista norte-americano Robert Whitaker escreve sobre medicina e ciência para diversas publicações. Em 1998, ao fazer uma série investigativa para o Boston Globe (o mesmo jornal da série de reportagens que deu origem ao roteiro do filme Spotlight), observou que alguns estudos sobre a utilização de medicamentos psiquiátricos apresentavam resultados que não condiziam com o entendimento que se cristalizava na sociedade: de que doenças como depressão, ansiedade e esquizofrenia seriam causadas por desequilíbrios químicos no cérebro, que poderiam ser corrigidos pelas novas drogas. A série de reportagens foi finalista do prêmio Pulitzer de Serviço Público. Depois disso, ele mergulhou na investigação de estudos científicos e constatou várias contradições e interesses de um mercado bilionário, a indústria farmacêutica de drogas psiquiátricas. Seu livro mais comentado Anatomy of an Epidemic – ainda sem tradução para o português, a ser publicado no Brasil em 2017, pela Editora Fiocruz – foi premiado como o melhor livro investigativo de 2010 por editores e jornalistas norte-americanos. Desde então, ele vem sendo convidado para apresentar seus dados em faculdades de Medicina, bem como tem sido confrontado por psiquiatras. Nesta entrevista concedida por e-mail, o jornalista detalha suas descobertas.
Extra Classe – Como teve início a sua pesquisa sobre as drogas psiquiátricas?
Robert Whitaker – Em 1998, fui coautor de uma série para o jornal Boston Globe sobre abusos contra pacientes psiquiátricos em ambientes de pesquisa. Naquela época, tive uma compreensão completamente convencional das drogas psiquiátricas, de que elas corrigiam os desequilíbrios químicos no cérebro e que seu uso contínuo era essencial para as pessoas com diagnóstico de esquizofrenia e outros transtornos mentais graves. Após isso, eu comecei a observar que a ciência não sustentava esse entendimento convencional. Foi isso que guiou minha curiosidade para investigar.

Foto: reprodução
EC – O que o motivou a escrever contra essas drogas?
Whitaker – Ao pesquisar essa história para o Boston Globe, deparei-me com dois estudos que me fizeram questionar esse entendimento convencional. A primeira foi a pesquisa pela Organização Mundial de Saúde (OMS), que, por duas vezes, relatou que os resultados de longo prazo para as pessoas diagnosticadas com esquizofrenia eram muito melhores em “países em desenvolvimento” do que nos países “desenvolvidos”. De fato, os pesquisadores da OMS concluíram que quem vive em um país desenvolvido era um forte candidato a não ter um bom resultado se diagnosticado com esquizofrenia. Isso me surpreendeu, e depois eu descobri que, nos países pobres, onde os resultados foram muito melhores, eram usados antipsicóticos muito diferentes. Mantinham-se as pessoas com esses medicamentos no curto prazo, e não por longos períodos. Apenas 16% dos pacientes eram regularmente mantidos com os medicamentos. E assim eu me perguntei: por que os resultados do tratamento da esquizofrenia seriam melhores em países que não mantêm regularmente seus pacientes com as drogas que eu entendi que seriam essenciais para a doença? Outro estudo, feito por pesquisadores da Harvard, relatou, em 1994, que os resultados dos tratamentos para pacientes com esquizofrenia estavam se reduzindo nos últimos anos, estando inclusive abaixo dos índices de resultados do primeiro terço do século 20, muito antes da chegada dos medicamentos antipsicóticos. Isso desmentia o entendimento convencional de que a chegada de antipsicóticos na medicina representou um grande avanço. Isso me motivou a olhar mais a fundo sobre a literatura científica em relação aos méritos dos medicamentos psiquiátricos. Eu não estava motivado a favor ou contra as drogas. Só queria investigar mais sobre seus efeitos, se as histórias que haviam sido divulgadas sobre esses medicamentos, de que eles corrigiam desequilíbrios químicos no cérebro, eram verdadeiras. E quando descobri que a literatura científica realmente contou uma história diferente do que o que nós acreditamos convencionalmente, me motivei a escrever sobre o assunto. EC – Em que momento de suas pesquisas você percebeu que as drogas psiquiátricas faziam parte de um mercado rentável e quem são os interessados nesse mercado? Essa realidade se mantém nos dias de hoje?
Whitaker – Eu já sabia há algum tempo que as drogas psiquiátricas eram parte de um mercado rentável. Em 1994, cofundei uma editora, que publicou sobre o desenvolvimento da indústria de novas drogas e o mercado crescente. Esta foi uma época em que antidepressivos ISRS (Inibidores Seletivos da Recaptação da Serotonina) estavam se popularizando e os novos antipsicóticos atípicos (segunda geração) estavam chegando ao mercado. Escrevi sobre essa comercialização na investigação do Boston Globe em 1998. A indústria farmacêutica continua muito interessada em vender drogas psiquiátricas, uma vez que foi um mercado em franco crescimento nos últimos 30 anos.
EC – Como ocorreu esse crescimento da indústria farmacêutica de remédios psiquiátricos nos últimos anos?
Whitaker – Em 1987, os Estados Unidos gastaram cerca de US$ 800 milhões com drogas psiquiátricas. Os EUA agora gastam mais de US$ 35 bilhões em drogas psiquiátricas a cada ano. Isso é um aumento de 40 vezes nos gastos. Não sei os números para o crescimento no mercado global, mas o mercado tem se expandido drasticamente nos últimos 30 anos.
EC – O senhor diz que as pesquisas comprovam que doenças como a depressão e esquizofrenia não são causadas por desequilíbrios químicos, como sustentam a indústria farmacêutica e a classe médica. O que comprova isso?
Whitaker – A teoria do desequilíbrio químico surgiu a partir de um entendimento de como as drogas psiquiátricas agem no cérebro, e não a partir de investigações de pessoas diagnosticadas com um determinado distúrbio. Por exemplo, os pesquisadores passaram a entender que os antidepressivos aumentam a atividade serotoninérgica no cérebro. Isso os levou à hipótese de que a depressão é devido à pouca atividade serotoninérgica (pouca serotonina no cérebro). Mas quando os pesquisadores estudaram se pacientes diagnosticados com depressão antes de serem submetidos à medicação sofriam com baixos níveis de serotonina, não encontraram nada. Os sistemas serotoninérgicos estavam normais. Essa é a prova. Quando os pesquisadores analisaram se os pacientes diagnosticados com depressão ou algum outro transtorno mental tinham um desequilíbrio químico específico, eles não encontraram nada. Em relação à saúde dos pacientes, isso significa que muitos tomam antidepressivos e outras drogas psiquiátricas com base em uma falsa compreensão. Eles acreditam que têm um desequilíbrio químico que está sendo corrigido pela droga, e, assim, a droga é tal como a insulina para o diabetes. Mas isso não é verdade. Na verdade, a biologia dos distúrbios psiquiátricos permanece desconhecida, e psicofármacos “trabalham” para perturbar o funcionamento normal dos neurotransmissores no cérebro. As drogas são agentes que alteram as funções do cérebro, em vez de agentes normalizadores. Assim, a “medicalização” significa que a prescrição dessas drogas está sendo feita em um contexto que dá às pessoas uma falsa compreensão de seus próprios cérebros. Elas são levadas a acreditar que as suas lutas contra a depressão, ansiedade ou algum outro problema são devido a um problema químico conhecido, quando isso não é verdade. Na realidade, o cérebro humano é incrivelmente complexo e muito do seu funcionamento é um mistério. E quando ingerimos agentes que alteram a função do cérebro, que é o que as drogas psicotrópicas fazem, isso pode ser um problema para nossa saúde física e mental a longo prazo.
Foto: Acervo pessoal
“A indústria farmacêutica quer convencer as pessoas de que é melhor viver com drogas, já que isso constrói grandes mercados para os seus medicamentos. E a psiquiatria é sua aliada: a especialidade médica tem motivos para promover ouso das drogas de curto e de longo prazo”
EC – O que está por trás do interesse em convencer as pessoas de que é melhor viver com drogas de uso contínuo?
Whitaker – Dois interesses: a indústria farmacêutica quer convencer as pessoas de que é assim, já que isso constrói grandes mercados para os seus medicamentos. E a psiquiatria é sua aliada. Pelo menos nos Estados Unidos, grande parte dos psiquiatras deixa de lado a terapia da conversa e manda seus pacientes para psicólogos e outros terapeutas. Seu “produto” no mercado são as drogas. E assim a especialidade médica tem motivos para promover o uso das drogas de curto prazo e de longo prazo.
EC – O que comprova que as doenças mentais estão se tornando muito mais crônicas atualmente do que na era pré-drogas psiquiátricas?
Whitaker – Esta evidência é demonstrada em vários estudos e eles estão todos no meu livro Anatomy of an Epidemic (em tradução livre: anatomia de uma epidemia). Mas, por exemplo, na era pré-antidepressivos, a depressão costumava ocorrer em episódios, e uma alta porcentagem de pessoas que sofriam um primeiro episódio de depressão grave o suficiente para ser hospitalizada jamais teria outro. Apenas algumas poucas pessoas diagnosticadas com um episódio depressivo inicial iriam se tornar cronicamente doentes. Hoje, pelo menos nos Estados Unidos, um elevado número de pessoas diagnosticadas com depressão torna-se depressivo crônico. É possível ver esta mudança no curso da depressão na era moderna das drogas no livro da Associação Psiquiátrica Americana (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – DSM). O livro diz que os estudos apontavam que a depressão ocorria por episódios e que a maioria das pessoas se recuperava desse episódio inicial. Agora, a publicação afirma que a depressão segue um curso crônico. E hoje, se você estudar o curso da depressão em pacientes não medicados e pacientes medicados, o grupo de não medicados tem melhores resultados a longo prazo. Eles são muito menos propensos a acabar cronicamente deprimidos.
EC – Por que é um mito que todas as pessoas com esquizofrenia precisam de medicação para toda a vida?
Whitaker – Estudos após estudos comprovam que uma porcentagem significativa de pacientes com diagnóstico de esquizofrenia pode ficar muito bem, a longo prazo, sem antipsicóticos, e é este grupo sem medicação que tem os melhores resultados no longo prazo. Isso foi mostrado no estudo de Martin Harrow (PhD em Psiquiatria na Universidade de Illinois) com pacientes esquizofrênicos nos Estados Unidos e em um estudo de Courtenay Harding (PhD em Psiquiatria, especialista em esquizofrenia, com passagem pelas principais universidades norte-americanas e hoje consultora internacional para programas de reabilitação mental). Ambos concluíram em suas pesquisas que era um “mito” que todas as pessoas com diagnóstico de esquizofrenia precisavam estar em uso de antipsicóticos por toda a vida e que, aparentemente, apenas uma minoria necessita usar medicamentos no longo prazo.
EC – Qual é a relação entre o uso de drogas ilícitas e antidepressivos e o aumento dos casos de bipolaridade?
Whitaker – É bastante claro que os estimulantes e antidepressivos aumentam o risco de uma pessoa sofrer um episódio maníaco e ser diagnosticada com transtorno bipolar. Com pessoas deprimidas, verifica-se que, quando se dá um antidepressivo, duplica o risco de a pessoa se tornar bipolar. E existem drogas ilícitas que aumentam o risco de uma pessoa ser diagnosticada como bipolar. Por exemplo, adolescentes que fumam maconha regularmente aumentam consideravelmente o risco de desenvolverem a bipolaridade. O problema pode ser resumido da seguinte maneira: drogas psicotrópicas, particularmente quando usadas de forma contínua, podem induzir problemas de humor que levam a um diagnóstico bipolar.
EC – O que concluem os estudos sobre o uso de medicação para depressão ou déficit de atenção em crianças e jovens por longos períodos?
Whitaker – Estudos de longo prazo de jovens diagnosticados com TDAH e tratados têm apontado que os medicamentos não fornecem benefício em nenhuma área. O único resultado é que o uso prolongado pode conduzir a problemas físicos e aumentar o risco de desenvolver bipolaridade.
EC – Ao longo de suas pesquisas e matérias publicadas, você sofreu algum tipo de pressão ou represália?
Whitaker – Houve algumas coisas bastante negativas escritas sobre mim por psiquiatras que são líderes em seu campo. O meu comentário favorito foi o de Jeffrey Lieberman, ex-presidente da Associação Americana de Psiquiatria, que disse a uma estação de rádio canadense que eu era uma “ameaça para a sociedade”. Mas eu, realmente, não tenho enfrentado retaliações, apenas críticas.
EC – Como vem sendo a inserção da sua investigação nas faculdades de Medicina?
Whitaker – Tenho sido chamado por um bom número de escolas médicas para dar palestras e apresentar minhas pesquisas. Ao mesmo tempo, acho que a maioria das escolas médicas simplesmente ignora meus livros e investigações.
EC – Depois dessas constatações, você é contra a utilização de drogas para doenças mentais? Por quê?
Whitaker – Não sou nem a favor nem contra o uso de drogas para transtornos mentais. Sou a favor de serem prescritas dentro de um contexto, o que significa que a sociedade deve compreender que a biologia das perturbações mentais permanece desconhecida, que as drogas não corrigem desequilíbrios químicos no cérebro; que, em geral, a sua eficácia a curto prazo é baixa; que estas drogas vão induzir alterações no cérebro que podem provocar dependência do medicamento e que existem evidências consideráveis de que, a longo prazo, os medicamentos aumentam a cronicidade de distúrbios mentais e o risco de uma pessoa se tornar funcionalmente prejudicada. Se as pessoas tiverem essa informação, então a sociedade e os indivíduos podem usar esses agentes com conhecimento, que, creio eu, envolveria muito mais cautela, e, em geral, por curtos períodos de tempo.

http://www.extraclasse.org.br/edicoes/2016/08/a-industria-do-mal-estar/

Vendedores de (neuro)ilusões

Vendedores de (neuro)ilusões

Existem duas coisas que nunca deixam de me surpreender: 1) como é fácil enganar as pessoas e 2) como as pessoas se deixam enganar tão facilmente. Por toda parte onde olho, vejo picaretas e charlatões vendendo todos os tipos de ilusões e fantasias que se puder imaginar. E vejo também pessoas, muitas pessoas, comprando tais ilusões - e o pior: ficando contentes e satisfeitas de estarem sendo iludidas. Não digo que estou imune a isso. De forma alguma! Todos estamos sujeitos, em alguma medida, a sermos enganados. Mas o que me impressiona de fato é a facilidade com que algumas pessoas são seduzidas por discursos atraentes porém absurdamente inconsistentes e até ridículos. Desde minha adolescência observo, sempre com muita curiosidade e espanto, o bizarro mundo dos vendedores (e compradores) de ilusão. Vários anos mais tarde, no mestrado, pude me aproximar de um tipo específico de bobagens, as neurobobagens, e pude confirmar a visão de que é realmente muito fácil enganar as pessoas - o que me faz pensar que as pessoas, em alguma medida, desejam ser enganadas.

No caso das neurobobagens, a receita para enganar é simples - e extremamente eficaz. Em primeiro lugar, coloque a expressão "neuro" em tudo o que você disser - assim, vai parecer que o que você diz é baseado em estudos científicos (mesmo que você nunca tenha lido um artigo neurocientífico sequer e no máximo algum livro de divulgação da Suzana Herculano-Houzel ou do neurocirurgião do programa da Fátima Bernardes). Assim, se for falar em liderança, diga "neuroliderança"; se o assunto for inovação, diga "neuroinovação"; ao invés de educação prefira "neuroeducação" - ou "neuropedagogia" ou "neuropsicopedagogia". Da mesma forma diga "neuromarketing", "neurobusiness" e "neurocoaching"; se for dar uma dica, dê uma "neurodica"; no intervalo sirva "neurodrinks"; na despedida dê um "neurotchau" mandando "neurobeijinhos" para a "neuroplateia". As neuropessoas que assistirem sua neuroapresentação sairão neuroencantadas - e neuroconvencidas de que o que você diz é "verdadeiramente" neurocientífico - quando, de fato, tudo não passou de uma grade neurobobagem. Enfim, o segredo é dizer as mesmas coisas que você sempre diz ou que os vendedores de ilusão sempre disseram (faça exercícios físicos, se alimente de forma equilibrada, não se estresse, cultive amizades, tenha sempre pensamentos positivos, etc.) com uma roupagem "neuro". Não importa se o que você disser não tiver qualquer embasamento científico (e esqueça o fato de que a ciência, e, no caso, as neurociências, estão recheadas de controvérsias e dissensos). O que importa, no fundo, é que as pessoas acreditem que você passou horas e horas lendo complexos artigos e livros de neurociências quando, de fato, você "aprendeu" sobre o cérebro lendo livros ou vendo videos produzidos por outros neuropicaretas como você.

Em segundo lugar, em qualquer apresentação que você fizer, use e abuse de imagens coloridas do cérebro. As pessoas vão ficar simplesmente deslumbradas! Ignore o fato de que as imagens produzidas pelas ressonâncias magnéticas e tomografias computadorizadas não são, nem de longe, fotografias do cérebro, mas sim o resultado de complexo processo que envolve desde decisões técnicas e metodológicas, convenções visuais até cálculos matemáticos e testes estatísticos. Ignore tudo isso e aponte para as belas e pretensamente esclarecedoras "fotografias do cérebro" em seu slide do Power Point - ou, se você quiser parecer mais moderno, do Prezi. Se puder acrescente também tabelas e gráficos coloridos (que nem você nem sua neuroplateia precisam entender) e muitas, muitas muitas, imagens de cérebros e neurônios humanizados - de preferência escolha imagens animadas do tipo gif que retratem cérebros e neurônios dançando, andando de skate ou malhando. As pessoas vão rir e se divertir! (e, é claro, também vão esquecer da total falta de embasamento e coerência de sua apresentação, o que é absolutamente imprescindível). 

Não se esqueça também acrescentar as clássicas imagens do cérebro dividido em dois hemisférios (de preferência com o lado esquerdo colorido de azul e o direito de rosa). Então traga à tona a famosa teoria dos dois cérebros (ou teoria do cérebro duplo) segundo a qual o hemisfério direito corresponde ao cérebro emocional, criativo e visual, enquanto que o esquerdo ao cérebro racional, lógico e verbal. Ignore o fato de que grande parte dos neurocientistas contemporâneos considera esta teoria uma completa bobagem, e prossiga sua neuroapresentação extrapolando esta teoria para explicar o motivo de homens serem de marte e mulheres de vênus. Ignore a construção social dos papeis de gênero e a fundamental importância das expectativas na produção das masculinidades e feminilidades, e vomite para sua neuroplateia pseudoexplicações como a de que as mulheres são piores do que os homens em matemática em função de terem o lado esquerdo do cérebro menos desenvolvido ou em decorrência da atuação de hormônios "femininos". Enfim, sempre que puder, naturalize as diferenças entre homens e mulheres dizendo que possuem cérebros essencialmente diferentes. 
Finalmente, durante toda a sua neuroapresentação, exalte as neurociências como se elas já tivessem as respostas para todas as perguntas. Simplesmente desconsidere toda a enorme ignorância que ainda persiste sobre o funcionamento do cérebro humano, fingindo que todo o conhecimento almejado já está disponível. Além disso, faça continuamente afirmações pomposas e filosoficamente controversas como "entender o cérebro é entender a nós mesmos" ou "você é o seu cérebro". Ignore todas as reflexões do campo da filosofia da mente que problematizam sobre a relação entre a mente e o cérebro, e simplesmente reduza a mente ao cérebro. Na verdade, reduza tudo ao cérebro. Se puder, e isto aumentará consideravelmente sua credibilidade perante a neuroplateia, cite a famosa frase do Prêmio Nobel Francis Crick (aliás, é sempre bom, citar um prêmio Nobel, mesmo que você não tenha lido nada dele), segundo o qual "você, suas alegrias e tristezas, suas lembranças e ambições, seu senso de identidade pessoal e livre-arbítrio, não são mais do que o comportamento de um imenso conjunto de células nervosas e suas moléculas associadas". Ignore o imenso e controverso reducionismo explícito nesta frase e siga adiante vomitando todo tipo de palavras "neuro", expressões pseudocientíficas e discurso de auto-ajuda. E pronto! Seguindo todas, ou pelo menos algumas, destas etapas você estará mais do que preparado para se tornar, oficialmente, um neuropicareta - para alegria dos neuroentusiastas ingênuos. Neuroabraços para você.

quinta-feira, 18 de agosto de 2016

Nós (poesia Laing)

Os outros disseram que ela era estúpida. então ela
se fez a si própria estúpido para não ver como
estúpido
eles estavam a pensar que ela era estúpida,
porque era ruim pensar que eles eram
estúpido.
Ela preferiu ser estúpido e bom,
em vez de ruim e inteligente.
É ruim ser estúpido: ela precisa ser
inteligente
para ser tão bom e estúpido.
É ruim ser inteligente, porque isso mostra
como eles eram estúpidos
para lhe dizer como ela era estúpida.

Ronald Laing. Nós.