Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)

Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação. Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes. Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica. Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco. Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica. Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro

Aviso!

Aviso! A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las. Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias. Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente. Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente. A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível. https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/

quinta-feira, 6 de junho de 2019

Esquizofrenia: perspectiva crítica


REVISÃO

ATUAL

OPINIÃO
Esquizofrenia: uma perspectiva crítica em psiquiatria

Joanna Moncrieff a e Hugh Middleton b
a Divisão de Psiquiatria da Universidade College London, Londres
b Universidade de Nottingham, Nottingham, Reino Unido
Correspondência para Joanna Moncrieff, Divisão de Psiquiatria, Universidade
Faculdade, londres, charles, sino, casa, dirigindo, casa, rua, londres
W1W 7EJ, Reino Unido. Tel: +44 3005551201 x 65714; e-mail: j.moncrieff@ucl.ac.uk
Curr Opin Psychiatry 2015, 28: 264-268
DOI: 10.1097 / YCO.0000000000000151
Volume 28 # Número 3 # maio 2015
Copyright © 2015 Wolters Kluwer Health, Inc. Todos os direitos reservados.

Objetivo da revisão

O termo "esquizofrenia" tem sido muito contestado nos últimos anos. A revisão atual explora os significados do termo, se é válido e útil e como concepções alternativas de distúrbio mental grave moldariam a prática clínica.

Descobertas recentes

A esquizofrenia é um rótulo que implica a presença de uma doença biológica, mas nenhum distúrbio corporal específico foi demonstrado, e a linguagem da "disease" e "illness"1 é inadequada para as complexidades dos problemas de saúde mental. O conceito de esquizofrenia também não delineia um grupo de pessoas com padrões semelhantes de comportamento e trajetórias de resultado. Isso não é negar que algumas pessoas apresentam fala e comportamento desordenados e sofrimento mental associado, mas termos mais genéricos, como 'psicose' ou apenas 'loucura', seriam preferíveis porque estão menos fortemente associados ao modelo de doença, e permitem a singularidade da situação de cada indivíduo a ser reconhecida. 

Resumo

O modelo de doença implícito nas atuais concepções de esquizofrenia obscurece as funções subjacentes do sistema de saúde mental: o cuidado e a contenção de pessoas que se comportam de maneira angustiante e perturbadora. É necessário um novo quadro social que torne os serviços de saúde mental transparentes, justos e abertos ao escrutínio democrático.

Palavras-chave

Modelo de doença, modelo de doença dos transtornos, esquizofrenia, diagnóstico de esquizofrenia

INTRODUÇÃO

Nas últimas décadas, vários comentaristas desafiaram o conceito de esquizofrenia, e argumentaram
para diferentes maneiras de enquadrar a variedade de problemas que o termo designa atualmente. Uma perspectiva de psiquiatria crítica tenta esclarecer essas visões e explorar suas implicações para a prática, clínica e gestão destes problemas.

ESQUIZOFRENIA COMO DOENÇA

Szasz [1] referiu-se à esquizofrenia como o ‘sagrado símbolo da psiquiatria moderna. Como todos os outros diagnósticos psiquiátricos que carecem de uma base histopatológica confirmada, a esquizofrenia, para Szasz, é um termo inventado aplicado a uma variedade de comportamentos que a sociedade considerou anormal e indesejável.
Szasz é bem conhecido por suas críticas à ideia que aquilo a que nos referimos como "doença mental [mental illness]" [percepção subjetiva de mal-estar] é uma "doença" (disease) [biológica] como qualquer outra ', e por seus pontos de vista que o medicalização dos 'problemas de vida' age como um mecanismo para o controle social de comportamento [2]. Muitas pessoas podem concordar que a psiquiatria tem mostrado uma tendência, exagerada nos últimos anos, pela inadequada medicalização de comportamentos e emoções normais, como tristeza, tristeza, timidez e problemas de comportamento na infância, mas o discurso comum e o consenso acadêmico continuam a se referir à esquizofrenia como uma "doença" genuína no sentido de que Szasz usa o termo "doença" (um condição que surge de uma anormalidade confirmada da função corporal) [2]. De fato, Kraeplin formulou o conceito de demência praecox (demência precoce) com o objetivo de delinear algo cujas origens biológicas poderia então ser descoberta [1]. Da mesma forma, as versões modernas do Manual Diagnóstico e Estatístico, a partir da terceira edição de 1980, objetivaram produzir um diagnóstico confiável que ajudaria a identificar a pesquisa a patologia subjacente. Nesse sentido, portanto, a ideia de que a esquizofrenia é uma doença é inerente ao conceito.

PONTOS CHAVE

# O modelo de doença da esquizofrenia não é apoiado por evidência e obscurece a verdadeira função do cuidado em psiquiatria
# O rótulo 'esquizofrenia' não está associado a um padrão consistente de comportamento desviante ou resultados.
# Historicamente, o cuidado e a contenção de pessoas com problemas mentais e comportamentais foram abordados sem recorrer ao quadro da doença.
# Precisamos abandonar o modelo da doença para desenvolver serviços de saúde mental mais transparentes e democráticos.

Como outros críticos apontaram, no entanto, 100 anos de pesquisa não conseguiram produzir evidências de qualquer defeito na estrutura ou função do cérebro, ou qualquer outra parte do corpo, que seja específica para esquizofrenia [3]. A evidência mais consistente apresentado como discriminando pessoas diagnosticadas com esquizofrenia vem de estudos mostrando redução tamanho do cérebro e cavidades cerebrais maiores em comparação com ' controles normais'. Essas diferenças começaram a ser identificado em exames cerebrais quando a tomografia computadorizada foi desenvolvida na década de 1980 e replicado usando a tecnologia MRI na década de 1990. Entretanto, como em outras áreas da pesquisa bioquímica e fisiológica, diferenças importantes entre pessoas com esquizofrenia e controles foram não adequadamente contabilizado. Em particular, a maioria estudos não levaram em consideração o fato de que pessoas com esquizofrenia têm um quociente de inteligência menor, que é conhecido por estar associado a tamanho menor do cérebro [4]. Além disso, os efeitos do tratamento com antipsicóticos e outras drogas foram ignoradas, até recentemente, quando foi confirmado em animais e estudos em humanos que a exposição a drogas antipsicóticas pode reduzir o tamanho do cérebro [5,6].
Apesar das repetidas afirmações de que a esquizofrenia é uma doença neurológica, não há evidências de particular característica biológica que distingue pessoas diagnosticadas com esquizofrenia. Esquizofrenia assim continua a ser uma condição que é definida por conversa e comportamento incomuns. Embora Szasz fosse amplamente criticado durante sua vida porque sua posição foi entendida como uma negação das realidades do sofrimento, angústia e agravamento que podem acompanhar a ocorrência de fenômenos que geralmente identificar como 'esquizofrenia', ele, de fato, reconhecer que 'essas diferenças de comportamento e discurso pode, além disso, ser gravemente perturbador para as chamadas pessoa esquizofrênica, ou para aqueles ao seu redor, ou para todos os interessados »([1], p. 191).
O fato de algumas pessoas desenvolverem interpretações injustificadas de suas próprias experiências e mostram e comportamentos preocupantes e bizarros associados é inegável. A posição ocupada por muitos que se identificariam com psiquiatria 'não é uma negação da' realidade 'de preocupantes estados mentais, mas a adequação de identificá-los, quando ocorrem, com terminologia médica. Os termos 'illness' e 'disease'2 tem significados e implicações bem desenvolvidas, que pode não ser útil aplicar-se a estados de espírito problemáticos [7] Quando usado em seu habitat nativo, isso é medicina física, 'illness', por exemplo, refere-se a um estado de incapacidade e desconforto geralmente atribuídos a causas do mundo natural além do controle da vítima; 'disease' refere-se a uma explicação do doença empregando conhecimentos derivados de ciências, que permite que a doença seja entendida como resultado de anatomia ou fisiologia perturbada [8,9].
A suposição de que os transtornos mentais representam entidades de doenças atrai os arranjos específicos do papel de doente tanto para quem sofre como para quem ajuda. A pessoa que sofre é justificada como responsável suas ações, mas obrigados a renunciar a agência [senso de agência ou responsabilidade] e submeter-se ao paternalismo [10]. Embora isso possa ser um resposta útil a uma doença corporal, especialmente se agudas e com risco de vida, as obrigações e consequências do papel de doente são menos adequadas para as dificuldades de saúde mental [11].

ESQUIZOFRENIA COMO DESVIO COMPORTAMENTAL

Alternativamente, o termo “esquizofrenia” poderia derivar sua legitimidade, não por referência à seu presumido status de doença, mas encapsulando um padrão reconhecível padrão de comportamento desviante. Vários estudiosos têm, no entanto, salientado que não há padrão de anormalidades entre pessoas rotuladas como tendo esquizofrenia que os distingue pessoas com outros problemas de saúde mental ou pessoas sem. Notavelmente Bentall [3] descreve a esquizofrenia como uma condição com "nenhum sintoma em particular, nenhum curso particular, nenhum resultado particular e que não responde a nenhum tratamento em particular "([3], p. 33).
O conceito original de 'dementia praecox' (demência precoce) de Kraeplin consistia, por definição, em uma condição que um curso progressivamente deteriorante. Uma situação que resolvida, ou resolvida e recidivada, era uma condição diferente, mesmo que fosse caracterizada pelos mesmos recursos [12]. Em contraste, o conceito de Bleuler de ' esquizofrenia' foi definida não pela sua trajetória, mas por sua fenomenologia, e foi associado, como Bleuler apontou, com resultados amplamente diferentes. [13] A fenomenologia Bleuler considerou como característica da esquizofrenia ser vaga e subjetiva e, com foco no que faríamos agora chamamos de 'sintomas negativos', excluiria a maioria das pessoas que atualmente desenvolvem sintomas psicóticos. Tentativas subseqüentes de refinar a fenomenologia da esquizofrenia para delinear um conjunto distinto de pessoas ou resultou em critérios tão estreitos que eles excluem todas, mas uma pequena minoria daqueles com perturbação mental grave (sintomas de primeiro grau de Schneider), ou tão amplos que incluam todos as as situações que enfrentam os serviços de saúde mental e que não pode ser categoricamente definido como algo diferente. Apesar de décadas de esforço para produzir critérios replicáveis para a sua aplicação, o diagnóstico da esquizofrenia é tão um saco de trapos hoje como nos anos 70, quando variações nas taxas de diagnóstico em todo o mundo causaram preocupação.
Critérios diagnósticos para esquizofrenia explicitamente descartam o padrão de sintomas identificados separadamente como transtorno bipolar clássico ou depressão maníaca, com períodos de excitação severamente aumentada (mania) ou depressão grave seguida de remissão e situações em que a psicose é um resposta direta e previsível à ingestão de substâncias psicoativas, como cannabis ou anfetaminas. O diagnóstico de "transtorno esquizoafetivo", no entanto, incorpora pessoas com sintomas associados a tanto depressão maníaca e esquizofrenia. Isso foi necessário inventar este diagnóstico por causa da não especificidade destes sintomas. Os diagnósticos de esquizofrenia e transtorno esquizoafetivo combinado, portanto, designar mais ou menos todos que mostra um distúrbio psicótico, além de um pequena minoria que pode ser rotulada categoricamente como com transtorno bipolar ou episódio discreto de indução por drogas.
Apesar da heterogeneidade dos problemas abraçados pelo diagnóstico de esquizofrenia, continua a transmitir uma mensagem de que a condição é vitalícia, e implica uma necessidade contínua de tratamento e supervisão. Um "episódio psicótico" pode ou não ocorrer, mas uma vez decidido que alguém tem ' esquizofrenia', a expectativa é de certa forma de comprometimento contínuo ou recorrente. Este tem sido um fonte de reclamação para o movimento dos usuários dos serviços, entre outros, que sentem que o diagnóstico, por consigna as pessoas a uma vida inteira de déficit e dependência [14].
Não é claro, portanto, que o termo "esquizofrenia" acrescente alguma coisa ao uso de termos que descrevem comportamento não inteligível como "psicose" e termos anteriores, incluindo loucura e insanidade. Tais conceitos podem incorporar variedade de sintomas, e não exclui uma diversidade dos resultados. Na lei medieval, por exemplo, o conceito de "insanidade" distinguia situações que foram pensados para envolver a possibilidade de recuperação, da "imbecilidade", que foi reconhecida como um condição para a vida toda [15].

IMPLICAÇÕES E ALTERNATIVAS

Aceitando as críticas ao conceito de “esquizofrenia”, mas reconhecendo que algumas pessoas às vezes agem de maneira bizarra, irracional e por vezes perigosas e perturbadoras, os defensores da psiquiatria crítica estão tentando explorar o significado de chamar essas situações de uma doença, e considerar maneiras menos prejudiciais em que uma sociedade civilizada pode responder a eles.
Por um lado, a orientação médica tem acarretado alguns avanços humanitários no cuidado do louco. Assim, é geralmente entendido como humano e caridade para desculpar suas ações uma pessoa profundamente confusa ou angustiada, da mesma forma que uma condição médica séria desculpa as pessoas afetadas de suas responsabilidades normais. No entanto, como Szasz freqüentemente protestou, o modelo médico que sustenta o moderno mental sistema de saúde também disfarça o verdadeiro grau em que continua a funcionar como uma instituição de controle, fornecendo “métodos socialmente aceitáveis para lidar com certas questões econômicas, políticas e problemas pessoais que teriam de ser tratado em maneiras inexperientes e desconhecidas ”([1], p. 141).
A autoridade da medicina, que deriva de acesso privilegiado ao conhecimento científico, produz desequilíbrio de poder inevitável entre médico e paciente. Na psiquiatria, no entanto, falta a justificativa usual para esse desequilíbrio, já que conhecimento científico não amplia a compreensão das dificuldades que uma pessoa apresenta, mas apenas fornece uma descrição alternativa daqueles dificuldades expressas em linguagem aparentemente técnica.
Desta forma, o enquadramento médico da perturbação mental e seu manejo funciona como uma cortina de fumaça atrás da qual o controle e manipulação de algumas pessoas por outros pode acontecer sem escrutínio. Intervenções destinadas a controlar comportamento, incluindo os numerosos sedativos e drogas tranqüilizantes que são prescritos nos serviços de saúde mental, pode ser renomeado como endossado por especialistas médicos, que podem ser aplicados em destinatários involuntários com impunidade. Mesmo aqueles pessoas que não são abertamente coagidas a aceitar 'tratamento' muitas vezes percebem-se a não ter escolha por causa da possibilidade sempre presente de medidas obrigatórias aplicadas [16]. Além disso, a abordagem pseudo-médica pode fomentar frustradas expectativas de sucesso terapêutico, dependência e outras características da agência pessoal [senso de agência ou responsabilidade] prejudicada, estigmatização e reclamações questionáveis por responsabilidade mitigada.
Arranjos sociais para o cuidado e contenção da desordem mental são muito anteriores ao paradigma médico. Platão propôs que 'se algum fosse um louco, ele não aparecerá abertamente na cidade; a parentes dessas pessoas devem mantê-los dentro de casa, empregando os métodos que saibam...' ([17], p. 443, citado em [18]). Na Inglaterra do século 17, funcionários locais foram autorizados a garantir que um indivíduo mentalmente perturbado e que se sentisse perigoso fosse trancado até que ele ou ela se recuperasse. Eles poderiam exigir que a família fizesse isso, eles poderiam fazer arranjos para outra pessoa local fazer isso, ou eles poderiam ordenar que a pessoa fosse encarcerada na prisão local ou a Casa da Correção [18].
Os mesmos funcionários que supervisionavam a segurança e segurança da comunidade também administraram impostos (recolhidos nos termos da Lei dos Pobres) e distribuíram comida, roupas e dinheiro para aqueles que precisam urgentemente de assistência, incluindo as pessoas afetadas por desordem e suas famílias. Mais uma vez, os vizinhos foram ocasionalmente alistados para prestar cuidados onde a família era incapaz de fazê-lo [19]. Famílias mais ricas fizeram seus próprios arranjos privados para o cuidado de seus parentes, recorrendo cada vez mais a asilos privados do século XVIII.
Claramente muitos desses arranjos eram duros e não estamos recomendando que os formuladores de políticas abraçar um retorno às condições pré-século XIX. Eles indicam, no entanto, que existem outras formas de fornecer apoio em momentos difíceis do que aplicando o papel de doente.
Além de assistência financeira, cuidados pessoais e instituições bloqueadas, hoje temos drogas que podem suprimir e reduzir as manifestações mais dramáticas de distúrbios mentais para a maioria das pessoas, embora com algum custo em termos de conforto pessoal, saúde física, qualidade de vida e possivelmente funcionamento [20]. Nenhuma dessas medidas requer esse distúrbio mental ser considerado como um doença. De fato, muitas instituições de caridade contemporâneas que trabalham neste campo tentam fornecer apoio de formas que evitam o paternalismo opressivo dos serviços médicos compulsoriamente [statutory] orientados.

CONCLUSÃO

O atual conceito de esquizofrenia não é nem válido nem útil, pois não mapeia para um condição corporal identificada (doença) e não não descreve um padrão previsível de comportamento. Sugerimos um retorno a um termo mais genérico, como como "loucura" ou "psicose", que não tem o implicação de que a condição que rotula é uma doença, e que permite a natureza única de cada dificuldades do indivíduo para ser reconhecido. Apesar certos padrões podem ser reconhecidos dentro deste grupo, como um quadro psicótico paranóide em idosos, mulheres isoladas (aquela que costumava ser referida como paraphrenia), e uma pequena minoria de casos onde as pessoas mostram sintomas negativos proeminentes e comprometimento cognitivo em linha com a imagem de Kraeplin de demência precoce, estas seriam reconhecidas meramente como padrões, sem poder de previsão preditiva definitiva, e sem implicações etiológicas.
Divorciando o conceito de loucura da ideia que é uma doença exigiria legislação que seja transparente sobre seus motivos. O controle social de comportamento indesejado teria que ser abertamente e democraticamente debatido, ao invés de escondido embora atrás da linguagem da medicina e 'tratamento'. Seria necessário um maior escrutínio do uso de drogas e outras intervenções, pois estas não seriam automaticamente justificadas como tratamento para doenças. Até que ponto os medicamentos são usados para modificar comportamento indesejado no interesse de outras pessoas que não o paciente teria que ser reconhecido, e cuidadosamente circunscrito/[limitado].
As sociedades modernas tornaram-se dependentes usando uma estrutura médica para gerenciar os problemas decorrentes do comportamento irracional e perturbador, mas outros arranjos são possíveis. Abandonando o conceito de esquizofrenia e a teoria da doença incorporada dentro dele, permitiria à sociedade desenvolver uma abordagem mais honesta, mais justa e mais transparente.

Agradecimentos
Nenhum.

Suporte financeiro e patrocínio
Nenhum.

Conflitos de interesse
Os autores não têm conflitos financeiros de interesse. Ambos
autores são membros da Rede de Psiquiatria Crítica.

REFERÊNCIAS E LEITURA RECOMENDADA

Os trabalhos de interesse particular, publicados no período anual de revisão,
destacado como:
& de interesse especial
&& de interesse extraordinário
1. Szasz T. Schizophrenia: o símbolo sagrado da psiquiatria. Nova Iorque: Siracusa
Jornal universitário; 1988.
2. Szasz T. Insanity: a idéia e suas conseqüências. Nova Iorque: Siracusa
Jornal universitário; 1997.
3. Bentall RP. As síndromes e sintomas da psicose. Em: Bentall RP, editor.
Reconstruindo esquizofrenia. Londres: Routledge; 1990. pp. 23-60.
4. Deary IJ, Penke L, Johnson W. A neurociência da inteligência humana
diferenças. Nat Rev Neurosci 2010; 11: 201–211
5. Dor-Petersen KA, Pierri JN, Perel JM, et al. A influência da crônica
exposição a medicamentos antipsicóticos no tamanho do cérebro antes e depois do tecido
fixação: uma comparação de haloperidol e olanzapina em macacos.
Neuropsicofarmacologia 2005; 30: 1649–1661.
& 6. Fusar-Poli P, Smieskova R, Kempton MJ, e outros. Alterações cerebrais progressivas
esquizofrenia relacionada ao tratamento antipsicótico? Uma meta-análise de longo
estudos de ressonância magnética Neurosci Biobehav Rev 2013; 37: 1680-1691.
Uma metanálise que demonstra uma associação entre a exposição ao tratamento medicamentoso com antipsicoticos e menor tamanho do cérebro em estudos em humanos.
7. Eisenberg L. Doença e doença. Distinções entre profissional e
idéias populares de doença. Cult Med Psychiatry 1977; 1: 9–23.
8. Campbell EJ, Scadding JG, Roberts RS. O conceito de doença. Br Med J
1979; 2: 757-762.
9. Tikkinen KA, Leinonen JS, Guyatt GH, et al. O que é uma doença? Perspectivas
do público, profissionais de saúde e legisladores. BMJ Open 2012;
2: e001632.
10. Parsons T. O sistema social. Londres: Routledge e Keegan Paul; 1951
11. Middleton H. Psychiatry reconsiderada: do tratamento médico ao apoio
compreensão. Londres: Palgrave; 2015.
12. Kraeplin E. Psychiatrie. 5ª ed. Leipzig: Barth; 1896
13. Bleuler E. Dementia praecox oder gruppe der schizophrenie. Em: Aschaffen
burg G, editor. Manual de Psiquiatria. Leipzig: Franz Deuticke; 1911
14. Deegan PE. O movimento de vida independente e pessoas com psiquiatria
deficiências: retomar o controle sobre nossas vidas. Psychosoc Rehabil J 1992;
15: 3–19.
15. Roffe D, Roffe C. Loucura e cuidado na comunidade: uma perspectiva medieval
tiva. BMJ 1995; 311: 1708–1712.
16. Rogers A, JC JC, Williams B, et al. O significado e gestão de
medicação neuroléptica: um estudo de pacientes com diagnóstico de esquizofrenia.
Soc Sci Med 1998; 47: 1313–1323.
17. Platão. As Leis, Livro XI. Londres: Penguin Books, 2005.
18. Dershowitz A. As origens do confinamento preventivo na legislação anglo-americana
Parte 1: a experiência inglesa. Lei de Cincinnati da universidade Rev 1974; 43: 1–60.
19. Rushton P. Lunáticos e Idiotas: deficiência mental, a comunidade e
a Lei dos Pobres no nordeste da Inglaterra, 1600-1800. Med Hist 1988;
32: 34–50
&& 20. Moncrieff J. As pílulas mais amargas: a história perturbadora das drogas antipsicóticas.
Londres: Palgrave Macmillan; 2013. Uma análise que sugere que os fármacos antipsicóticos não são tratamentos direcionados para a doença, mas sedativos em geral com propriedades particulares e por vezes úteis.

1[Nota do tradutor] “Dois termos ganharam destaque nas discussões sociais sobre doença: Disease e Illness. Significa dizer: A primeira refere-se usualmente à doença como um processo patológico concebido por um determinado modelo institucionalizado ou profissional da medicina. Enquanto illness, doença diz respeito à percepção subjetiva dos indivíduos e, nesse sentido, envolve questões morais, sociais, psicológicas e físicas (ALVES, 2006).” http://revistas.cesmac.edu.br/index.php/psicologia/article/view/43/22


2[Nota do tradutor] “Dois termos ganharam destaque nas discussões sociais sobre doença: Disease e Illness. Significa dizer: A primeira refere-se usualmente à doença como um processo patológico concebido por um determinado modelo institucionalizado ou profissional da medicina. Enquanto illness, doença diz respeito à percepção subjetiva dos indivíduos e, nesse sentido, envolve questões morais, sociais, psicológicas e físicas (ALVES, 2006).” http://revistas.cesmac.edu.br/index.php/psicologia/article/view/43/22

quarta-feira, 5 de junho de 2019

Palavras difíceis - Modest Mouse


Bem, vou pra faculdade aprender umas palavras difíceis
E vou falar bem alto, pode ter certeza que serei ouvido
Você se lembrará do cara que disse aquelas palavras difíceis
Ele provavelmente aprendeu na faculdade

https://www.youtube.com/watch?v=f43WbnN2tBU

https://www.letras.mus.br/modest-mouse/184796/traducao.html

terça-feira, 4 de junho de 2019

Abstinência dos antidepressivos


Os antidepressivos causam "dependência química".
Uma dependência que é tão ou mais grave do que a maioria das chamadas drogas ilícitas.
Porque é difícil conseguir deixar de ser dependente dos antidepressivos.
Os psiquiatras e a medicina em geral costumam dizer que os "sintomas" - quando alguém reduz ou interrompe o antidepressivo - são sintomas da "depressão".
No Reino Unido, pela primeira vez, o Royal College of Psychiatry, o equivalente no Brasil à Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP), reconhece que os "sintomas de abstinência" são reais, e que os médicos devem aprender como dizer aos seus pacientes dos riscos dos antidepressivos, mas também como ajudar os seus pacientes a enfrentar os "sintomas de abstinência". A organização dos psiquiatras britânicos pede para que o NICE (o equivalente ao nosso SUS), tome as devidas providências.
Você que está lendo essa matéria, ajude a divulgar. É um problema de saúde pública, que é cada vez mais grave, em particular aqui no Brasil.
A matéria tem links importantes, seja ao documento oficial do Royal College of Psychiatry, seja ao que foi publicado entre os mais destacados órgãos de imprensa do Reino Unido.

Quem define padrões

O problema do desajuste envolve quem tem o poder de impor os padrões. O "desajustado" pode querer definir e impor padrões sem ser permitido.

segunda-feira, 3 de junho de 2019

Desajuste e sobresocialização

O que é nomeado desajuste pode ser apenas a resistência a ser sobresocializado segundo padrões impostos e estritos. O que é bastante desnecessário, rígido ou gratuito. Há muita intolerância com as diferentes maneiras de existir. Os pais acham que os filhos devem se espelhar totalmente neles.

domingo, 2 de junho de 2019

Esquizofrenia e trigo

O glúten é o componente do trigo associado decisivamente à deflagração de fenômenos imunológicos destrutivos, quer estes se expressem como doença celíaca, como ataxia cerebelar ou como demência. Contudo, muitos efeitos do trigo sobre a saúde, entre eles os exercidos sobre o cérebro e outros órgãos do sistema nervoso, não têm nada que ver com fenômenos imunológicos desencadeados pelo glúten. As propriedades do trigo de gerar dependência, por exemplo, que se expressam como obsessão e tentação avassaladora e podem ser obstruídas por medicação de bloqueio de opiáceos, não decorrem diretamente  do glúten, mas das exorfinas, produto da digestão do glúten. Embora ainda não tenha sido identificado o componente do trigo responsável por desvios comportamentais em portadores de esquizofrenia e em crianças que sofrem de autismo ou TDA/H, é provável que esses fenômenos também sejam decorrentes das exorfinas do trigo, e não de uma resposta imunológica deflagrada pelo glúten. Diferentemente da sensibilidade ao glúten, que em geral pode ser diagnosticada por meio de exames para detectação de anticorpos, ainda não se conhece nenhum marcador que possa ser medido para avaliação dos efeitos das exorfinas.

Do livro Barriga de Trigo

sexta-feira, 31 de maio de 2019

Limitações cognitivas pessoas normais

As pessoas normais tem limitações cognitivas que não são pequenas. Para superar essas limitações da "pessoa normal" a outra pessoa em terapia (a "doente mental" que ainda aprende) precisa de muito mais habilidades.

Adequação e doença mental

Se todo paciente psiquiátrico usasse as máscaras exigidas pela pressões sociais daria para ser considerado ajustado e talvez prevenir prescrição de drogas ou polifarmácia.

Falta o reconhecimento claro que vivem numa cultura que exige adequação mesmo que não seja isso o que a pessoa quer ou ache que seja o melhor.

É um embate entre padrões culturais em que um dos padrões tenta dominar o outro.

O problema de argumentar é quebrar com outro padrão cultural naturalizado. E a atribuição de defeitos vêm de não seguir os padrões culturais esperados. Entre esses defeitos está a doença mental.

A normalidade e a cultura amish são análogas nesse sentido.

As pessoas normais simplesmente assume que ser igual a maioria é sinônimo de virtude. Seguir padrões culturais que concedem prestígio em um grupo.

Ser disfuncional na sociedade e ser disfuncional biologicamente não deve ser confundido. A psiquiatria biológica confunde os dois tipos de disfunção.

(Inspirado no programa De volta ao mundo Amish no canal TLC)

quinta-feira, 30 de maio de 2019

Capacidade de decisão (bioética)


Um problema que não pode ser omitido e que, de certo modo, incomoda e constrange, é o fato de que, no final das contas, é o médico quem define se o paciente é competente ou não para decidir se o que ele faz deve ser considerado sensato, racional, ou não. A propósito, Abernethy (10) chama a atenção para a possibilidade de o paciente ser considerado incapaz de decidir simplesmente porque recusa o tratamento. Alerta para o fato de que o paciente pode ter uma atitude considerada inadequada em relação ao tratamento, não por ser incompetente para decidir, mas por mobilizar sentimentos de raiva e hostilidade em virtude de se sentir coagido a aceitar um tratamento com o qual não concorda. Tal situação pode, por sua vez, despertar hostilidade e contra-transferência do médico assistente, que podem influir negativamente na avaliação da competência do paciente.



Em outras palavras, que seja estabelecida uma parceria entre o médico e o paciente em que o médico não tente apenas corrigir erros do paciente, mas seja capaz de aceitar conclusões do paciente diferentes das suas e de compartilhar com ele os objetivos do tratamento. Ademais, propõem que as avaliações e decisões sejam revistas periodicamente, sempre que a mudança das circunstâncias assim o recomende. Mahler e Perry (13) asseveram que nem a psicose nem o internamento em hospital psiquiátrico tornam o paciente incompetente para tomar decisõesacerca do seu tratamento.

Do texto Doença mental e autonomia.

Citações loucura


Já Unamuno, em Ensaios: Evolução Crítica, pontifica: "Cada um tem o seu método, como cada um tem sua loucura; apenas estimamos cordato aquele cuja loucura coincide com a da maioria".

Erasmo de Roterdam, em seu notável Elogio da Loucura (1509), chega a afirmar ser a loucura o estado natural do homem. Diz que não há sábio, filósofo ou cientista que não tenha tido seu momento de loucura.

E para não nos estendermos em citações, faremos a oposição entre a atitude daquele que afirma que "o louco é o outro" e que trata de ampliar cada vez mais a distância entre ele e o louco. Nosso compositor, Caetano Veloso, foi extremamente percuciente ao afirmar em uma de suas canções: "De perto, ninguém é normal".

Do texto Doença mental e autonomia

Ivan de Araújo Moura Fé

Médico psiquiatra em Fortaleza-CE; ex-presidente do Conselho Federal de Medicina

quarta-feira, 29 de maio de 2019

Doença Mental e Autonomia - CFM


http://www.revistabioetica.cfm.org.br/index.php/revista_bioetica/article/download/327/395

Ivan de Araújo Moura Fé

Médico psiquiatra em Fortaleza-CE; ex-presidente do Conselho Federal de Medicina

A partir de uma reflexão sobre o significado da loucura, da perda da razão, é feita uma discussão sobre os limites da autonomia dos pacientes psiquiátricos. A seguir, é abordada a complexa questão do tratamento psiquiátrico involuntário. É enfatizado que o consentimento informado é fundamental na relação médico-paciente e deve crescer em importância no âmbito da psiquiatria, uma vez que se tornou inaceitável negar ao doente mental, a priori, o direito de tomar decisões acerca do próprio tratamento. É feita uma crítica ao modelo de atenção à saúde mental baseado na hegemonia do hospital. Em conclusão, é afirmado que a psiquiatria deve contribuir para o crescimento emocional e a superação das dificuldades de relacionamento interpessoal dos pacientes, e condenada sua utilização para cercear a liberdade ou restringir direitos.

UNITERMOS _ Autonomia, consentimento informado, doença mental, psiquiatria

Poucas clínicas seguem rigorosamente a lei

https://www.conjur.com.br/2010-jan-23/clinicas-seguem-lei-internacao-doente-usuario-droga

Grupos vulneráveis (Skinner)

A questão é ilustrada por cinco campos em que o controle não
é compensado por contracontrole e que se tornaram, por isso, exem-
plos clássicos de maus tratos. Essem campos são a custódia das crian-
ças, dos velhos, dos prisioneiros, dos psicóticos e dos retardados.
Frequentemente se diz que as pessoas encarregadas dessa gente ca-
recem de compaixão ou de sentido moral, mas o fato evidente é que
não estão sujeitas a um contracontrole vigoroso. As crianças e os
velhos são fracos demais para protestar, os prisioneiros são controla-
dos pela força policial, e os psicóticos e retardados não podem orga-
nizar-se ou agir de forma eficaz. Muito pouco ou nada é feito no
tocante a maus tratos, a menos que o contra-controle, usualmente ne-
gativo, seja introduzido de fora.

Do livro Sobre o behaviorismo

Intervenções por interesse próprio (Skinner)


"Órgãos ou instituições organizados, tais como governos, religiões
e sistemas econômicos e, em grau menor, educadores e psicoterapeutas,
 exercem um controle poderoso e muitas vezes molesto. Tal controle 
é exercido de maneiras que reforçam de forma muito eficaz
aqueles que o exercem e, infelizmente, isto via de regra significa maneiras
que são ou imediatamente adversativas para aqueles que sejam
controlados ou os exploram a longo prazo."


Do livro Sobre o behaviorismo

segunda-feira, 27 de maio de 2019

Scientific censorship in psychiatry, Robert Whitaker

https://www.youtube.com/watch?v=4vK2ViYYrrM

Robert Whitaker at the Symposium about Scientific Freedom, Copenhagen, 9 March 2019. Lecture: "Scientific censorship in psychiatry." Robert Whitaker is an American journalist and author who has won numerous awards as a journalist covering medicine and science, including the George Polk Award for Medical Writing and a National Association for Science Writers’ Award for best magazine article. In 1998, he co-wrote a series on psychiatric research for the Boston Globe that was a finalist for the Pulitzer Prize for Public Service. His first book, Mad in America, was named by Discover magazine as one of the best science books of 2002. Anatomy of an Epidemic won the 2010 Investigative Reporters and Editors book award for best investigative journalism. He is the publisher of madinamerica.com. This lecture is part of the Symposium about Scientific Freedom and the inauguration of the Institute for Scientific Freedom, which took place in Copenhagen, Denmark, 9 March 2019. World renowned Danish scientist Peter C Gøtzsche is the founder of the institute. The Institute’s primary area of focus is healthcare and the institute has three main visions: - All science should strive to be free from financial conflicts of interest. - All science should be published as soon as possible, and made freely accessible. - All scientific data, including study protocols, should be freely accessible, allowing others to do their own analyses.

domingo, 26 de maio de 2019

Medição mental (skinner)

"A chamada medição mental tem-se preocupado com o tratamento estatístico de algumas dessas propriedades internas. Pode-se fazer amostragem de repertórios e uma pessoa pode ser avaliada quantitativamente com relação a outras pessoas de um grupo. Certos traços podem ser reduzidos a fatores ou vetores da mente e é então fácil supor que se descobriu algo mais do que uma causa inventada. Mas muitos especialistas nessa área reconheceram que fatores são antes esquemas classificatórios do que causas e aquilo que se possa prever acerca do comportamento por mensuração de um traço mental é previsto a partir de outro comportamento, presumivelmente porque tem causas semelhantes."

Do livro Sobre o behaviorismo. Capítulo O MUNDO INTERIOR DA MOTIVAÇÃO
E DA EMOÇÃO

sexta-feira, 24 de maio de 2019

Posse exclusiva do conhecimento

É apenas a crença social e popular na posse exclusiva do conhecimento pelo psiquiatra biológico que mantém o poder financeiro da psiquiatria e a difusão do modelo pela sociedade.

A psiquiatria biológica não é nada que não possa ser compreendido pelo público. A crença na psiquiatria biológica se apoia na confiança cega que se deposita no médico. Ninguém precisa saber de nada para acreditar no modelo médico em saúde mental.

Enquanto a reforma psiquiátrica e a psiquiatria crítica necessita que se compreenda o assunto para desconstruí-lo. É uma tarefa mais difícil.

Capacidade de exploração econômica

Vender drogas psicoativas é muito mais explorável economicamente do que psiquiatria crítica. É muito mais difícil ganhar dinheiro com psiquiatria crítica. Tudo o que se pode vender nesse caso seria informação e conhecimento. E isso é transmissível gratuitamente também.

As drogas psicoativas e tratamentos biológicos em psiquiatria são populares também porque as alternativas substitutivas não são suficientemente difundidas e eficazes.

Comparação de gastos por cobertura

Existem estatísticas que demonstrem as taxas de reabilitação de um modelo comparado a outro?
Vamos usar um termo mais geral: indicador de sucesso. A primeira questão, se formos comparar, é literalmente quantitativa. Qual a demonstração da experiência brasileira de reforma psiquiátrica brasileira de 2002 para cá? Basicamente, com o mesmo percentual do orçamento federal, na média 2% do orçamento do Ministério da Saúde – que se manteve mais ou menos estável nesses anos todos – você atende 50 vezes mais pessoas do que antes. Porque se gastava muito dinheiro com poucos hospitais. E esse dinheiro não se revertia em benefícios para o conjunto da população. Proporcionalmente, poucas pessoas eram atendidas com muito dinheiro. O que aconteceu ao longo do tempo? Os recursos do governo federal passaram a ser destinados aos CAPS. Foi havendo cada vez mais recursos para a rede CAPS e cada vez menos para os hospitais. E acompanha essa curva descendente de recursos para os hospitais o aumento do número de pessoas da população atendidas. Essa é a primeira questão. Hoje, muito mais pessoas são atendidas e custa o mesmo X.
Isso não tem a ver com o sucesso do ponto de vista clínico, mas tem a ver com o sucesso do ponto de vista de administração. Do ponto de vista clínico, existe uma geração inteira que nunca passou por um manicômio. Nunca passou por internações prolongadas em hospitais psiquiátricos. O quadro clínico desses pacientes hoje é muito diferente do quadro clínico, digamos caricato, de quem passou por manicômios. Não é que nós encontramos a cura dos doentes mentais, é que eles se encaixam hoje em outro contexto. Tende a haver mais pessoas que mantêm minimamente suas capacidades, muita gente trabalhando, alguma atividade produtiva, mantêm suas articulações e suas relações. Então, qualitativamente, é bem claro: as pessoas têm uma vida melhor. Elas adquirem algum grau de respeito e conseguem respeitar.


quarta-feira, 22 de maio de 2019

Respeitar o conhecimento médico

Não há porque respeitar o conhecimento médico se isso significa desconhecer controvérsias.

Se há controvérsias na psiquiatria biológica, é preciso conhecer as controvérsias e se posicionar.

Me refiro a psicólogos e outros profissionais.

sábado, 18 de maio de 2019

Relevância dos efeitos negativos

Criar drogas psicoativas com menos efeitos negativos torna a discussão sobre efeitos negativos menos relevante. Dessa forma, o psiquiatra biológico pode silenciar o dissidente.

sexta-feira, 17 de maio de 2019

Dimensões de análise modelo médico

O modelo médico em saúde mental não oferece as dimensões de análise mais úteis para intervenção. Existem opções psicossociais mais frutíferas e otimistas.

[A ideia de dimensões de análise foi inspirada por texto de Skinner]

Wittgenstein Doença mental

"Embora a doença cerebral possa causar mudança de personalidade, sugiro que a maioria das situações que rotulamos como transtornos mentais não é resultado de uma doença cerebral. Wittgenstein viu isso quando sugeriu que “a loucura não precisa ser considerada uma doença. Por que não uma súbita – mais ou menos – mudança de caráter? ” [9] (p. 62)"

https://madinbrasil.org/2019/05/sobre-a-natureza-humana-e-suas-implicacoes-para-o-problema-mente-corpo/

Engenharia social

"Isso tem levado a um enorme programa de engenharia social com disfarce médico, no qual as pessoas são encorajadas a mudar a maneira como pensam e se comportam, ao serem persuadidas de que têm uma condição médica que precisa ser eliminada. Os antidepressivos e os medicamentos antiansiedade são prescritos ​​sem qualquer atenção sobre como eles alteram as capacidades intelectuais e emocionais normais, com base na justificativa de que estão retificando um déficit neuroquímico subjacente."

Subterfúgios psicoterapia

"Até mesmo a psicoterapia é apresentada, às vezes, como se fosse um remédio para uma doença médica. Embora possa ser desejável, ocasionalmente, que as pessoas mudem seu comportamento, seja para o próprio bem, seja para as outras pessoas, isso não deve ser algo que seja alcançado por meio de subterfúgios, mesmo que a maioria da população esteja comprometida com tais subterfúgios."

https://madinbrasil.org/2019/05/sobre-a-natureza-humana-e-suas-implicacoes-para-o-problema-mente-corpo/

quinta-feira, 16 de maio de 2019

quarta-feira, 15 de maio de 2019

Revolução científica na medicina

"Para os pacientes, a revolução científica insufla esperanças de cura instantânea, qualquer que seja o mal. Cresce a preocupação com a saúde. Para muitos, são o tópico mais importante e o assunto de todas as conversas. Os meios de comunicação estão recheados de noticiário médico e dispõem de redatores exclusivos, especializados em questões de saúde. O complexo médico-industrial tornou-se a maior atividade do país e, ao mesmo tempo, o maior sangradouro de recursos sociais. Apesar de os indivíduos serem hoje mais saudáveis e viverem muito mais tempo, a sua tolerância ao mal-estar minguou ao passo que se agiganta seu pavor à doença. 
Isso se correlaciona, em grande proporção, com o bombardeio de assuntos médicos que chove sobre os americanos, dia e noite. No presente quadro cultural, sintomas insignificantes amiúde são tidos como prenúncios de males fatais. O escritor Norman Cousins capturou a cena nesses termos: 
"A maioria acha que vai viver para sempre, até que um dia pega um resfriado e então acredita que vai morrer dali a uma hora".
Outro aspecto do novo clima cultural é o crescente desencanto com a medicina científica." (p. 140-141)

A arte perdida de curar - Bernard Lown