Em seu trabalho, Alves (2010,
p. 47) argumenta que:
Nos discursos na terceira pessoa, ou seja sobre os outros, os nervos [categoria cul-
tural do pensamento leigo utilizada para designar o sofrimento mental] aparecem
associados a pessoas consideradas fracas (categoria humana altamente desvalorizada
e rejeitada porque interfere com a identidade). Nos discursos na primeira pessoa,
quando o próprio se declara nervoso, os nervos referem-se a um fenômeno diferente,
quase sempre a situações menos graves e justificadas pelos contextos que despoletam
os nervos – aqui a pessoa não é nervosa, mas apenas reagiu com nervos perante de-
terminada situação.
No contexto da nossa pesquisa, os discursos que se referem ao outro na terceira
pessoa, não apenas invisibilizaram os sujeitos, mas os retiravam da posição de
sujeito, colocando-os fora da possibilidade de uma concepção hegemônica de
sujeito presente na nossa sociedade. Ao mesmo tempo evidenciavam o quanto
as relações estabelecidas são também relações de poder.
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
Limitações da psiquiatria biomédica Controvérsias entre psiquiatras conservadores e reforma psiquiátrica Psiquiatria não comercial e íntegra Suporte para desmame de drogas psiquiátricas Concepções psicossociais Gerenciamento de benefícios/riscos dos psicoativos Acessibilidade para Deficiência psicossocial Psiquiatria com senso crítico Temas em Saúde Mental Prevenção quaternária Consumo informado Decisão compartilhada Autonomia "Movimento" de ex-usuários Alta psiquiátrica Justiça epistêmica
Pacientes produtores ativos de saúde (prosumo)
Essa avalanche de informações e conhecimento relacionada à saúde e despejada todos os dias sobre os indivíduos sem a menor cerimônia varia muito em termos de objetividade e credibilidade. Porém, é preciso admitir que ela consegue atrair cada vez mais a atenção pública para assuntos de saúde - e muda o relacionamento tradicional entre médicos e pacientes, encorajando os últimos a exercer uma atitude mais participativa na relação.
Ironicamente, enquanto os pacientes conquistam mais acesso às informações sobre saúde, os médicos têm cada vez menos tempo para estudar as últimas descobertas científicas ou para ler publicações da área - on-line ou não -, e mesmo para se comunicar adequadamente com especialistas de áreas relevantes e/ou com os próprios pacientes.
Além disso, enquanto os médicos precisam dominar conhecimentos sobre as diferentes condições de saúde de um grande número de pacientes cujos rostos eles mal conseguem lembrar, um paciente instruído, com acesso à internet, pode, na verdade, ter lido uma pesquisa mais recente do que o médico sobre sua doença específica.
Os pacientes chegam ao consultório com paginas impressas contendo o material que pesquisaram na internet, fotocópias de artigos da Physician's Desk Reference, ou recorte de outras revistas e anuários médicos. Eles fazem perguntas e não ficam mais reverenciando a figura do médico, com seu imaculado avental branco.
Aqui as mudanças no relacionamento com os fundamentos profundos do tempo e conhecimento alteraram completamente a realidade médica.
Livro: Riqueza Revolucionária - O significado da riqueza no futuro
Aviso!
Aviso!
A maioria das drogas psiquiátricas pode causar reações de abstinência, incluindo reações emocionais e físicas com risco de vida. Portanto, não é apenas perigoso iniciar drogas psiquiátricas, também pode ser perigoso pará-las.
Retirada de drogas psiquiátricas deve ser feita cuidadosamente sob supervisão clínica experiente. [Se possível] Os métodos para retirar-se com segurança das drogas psiquiátricas são discutidos no livro do Dr. Breggin: A abstinência de drogas psiquiátricas: um guia para prescritores, terapeutas, pacientes e suas famílias.
Observação: Esse site pode aumentar bastante as chances do seu psiquiatra biológico piorar o seu prognóstico, sua família recorrer a internação psiquiátrica e serem prescritas injeções de depósito (duração maior). É mais indicado descontinuar drogas psicoativas com apoio da família e psiquiatra biológico ou pelo menos consentir a ingestão de cápsulas para não aumentar o custo do tratamento desnecessariamente.
Observação 2: Esse blogue pode alimentar esperanças de que os familiares ou psiquiatras biológicos podem mudar e começar a ouvir os pacientes e se relacionarem de igual para igual e racionalmente.
A mudança de familiares e psiquiatras biológicos é uma tarefa ingrata e provavelmente impossível.
https://breggin.com/the-reform-work-of-peter-gotzsche-md/
quarta-feira, 14 de agosto de 2019
Sujeito e ocultação de discursos
Como argumentou Deleuze (1996), a partir da ideia de Foucault, o sujeito
é uma variável, ou melhor, um conjunto de variáveis de enunciado. O sujeito é
um dos lugares possíveis no contexto da enunciação. Para Deleuze (1996, p. 63):
“Objetar que existem enunciados ocultos é, apenas, constatar que há locutores e
destinatários variáveis segundo os regimes ou as condições.”
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
é uma variável, ou melhor, um conjunto de variáveis de enunciado. O sujeito é
um dos lugares possíveis no contexto da enunciação. Para Deleuze (1996, p. 63):
“Objetar que existem enunciados ocultos é, apenas, constatar que há locutores e
destinatários variáveis segundo os regimes ou as condições.”
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
Impertinência e surto
Esse alerta sobre não estar em surto antecipa o que seria uma reação esperada
diante de uma pessoa diagnosticada como esquizofrênica que resolve falar no
“momento errado” – está em surto. Se qualquer pessoa pode ser apenas impertinente
quando interrompe uma reunião já em curso, no caso de um “paciente mental”,
ele está sendo mais do que impertinente, está agindo conforme sua doença, está
surtado – e por isso, não por sua impertinência, não mereceria ser escutado.
Impertinente ou não, ele precisava posicionar sua fala, esclarecer que não
estava em surto. Tal como percebemos, o sujeito capaz de falar e ser escutado é
aquele que, não estando em surto, tem o domínio de suas faculdades mentais,
sabe quem é e o que faz enfim, é dono de sua razão, sendo assim admitido na
comunidade dos que falam e são escutados.
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
diante de uma pessoa diagnosticada como esquizofrênica que resolve falar no
“momento errado” – está em surto. Se qualquer pessoa pode ser apenas impertinente
quando interrompe uma reunião já em curso, no caso de um “paciente mental”,
ele está sendo mais do que impertinente, está agindo conforme sua doença, está
surtado – e por isso, não por sua impertinência, não mereceria ser escutado.
Impertinente ou não, ele precisava posicionar sua fala, esclarecer que não
estava em surto. Tal como percebemos, o sujeito capaz de falar e ser escutado é
aquele que, não estando em surto, tem o domínio de suas faculdades mentais,
sabe quem é e o que faz enfim, é dono de sua razão, sendo assim admitido na
comunidade dos que falam e são escutados.
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
Maneiras lidar com diagnóstico
Tal como percebemos, apesar de tal enunciado ter muita importância na
constituição dos sujeitos e na fixação de seus lugares na hierarquia própria do
modelo biomédico, há várias maneiras de lidar com ele. Conforme apontaram
os dados da pesquisa realizada, os sujeitos sobre os quais se instituem tais
enunciados utilizam estratégias diversas. Estas vão desde a utilização do
diagnóstico para negociar com o mundo; o uso do mesmo para sobreviver
economicamente em um mundo marcado por desigualdades de todo tipo,
bem como a sua relativização, como fez Nilza. As pessoas entendem por que
foram diagnosticadas desta ou daquela maneira e não acatam passivamente os
diagnósticos que lhe são conferidos.
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
constituição dos sujeitos e na fixação de seus lugares na hierarquia própria do
modelo biomédico, há várias maneiras de lidar com ele. Conforme apontaram
os dados da pesquisa realizada, os sujeitos sobre os quais se instituem tais
enunciados utilizam estratégias diversas. Estas vão desde a utilização do
diagnóstico para negociar com o mundo; o uso do mesmo para sobreviver
economicamente em um mundo marcado por desigualdades de todo tipo,
bem como a sua relativização, como fez Nilza. As pessoas entendem por que
foram diagnosticadas desta ou daquela maneira e não acatam passivamente os
diagnósticos que lhe são conferidos.
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
Aprendizagem da doença
“[...] a gente fica com os problemas que o médico põe na cabeça da gente” disse
Roger, referindo-se à sua experiência num serviço de saúde mental, quando, em
uma consulta psiquiátrica, recebeu o diagnóstico de depressão. Frase precisa e
clara para se referir à captura da subjetividade pelo poder biomédico que ocupa
um lugar relevante na configuração e constituição dos sujeitos no processo
da reforma psiquiátrica. Roger era um homem branco, casado, pertencente às
classes populares, que enfrentava problemas conjugais e de relacionamento no
trabalho, tão comuns na atualidade. Percebeu-se incomodado e procurou ajuda.
Entretanto, sua experiência em tal serviço acabou por gerar outro problema,
aquele que o médico colocou na sua cabeça, a depressão.
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
Roger, referindo-se à sua experiência num serviço de saúde mental, quando, em
uma consulta psiquiátrica, recebeu o diagnóstico de depressão. Frase precisa e
clara para se referir à captura da subjetividade pelo poder biomédico que ocupa
um lugar relevante na configuração e constituição dos sujeitos no processo
da reforma psiquiátrica. Roger era um homem branco, casado, pertencente às
classes populares, que enfrentava problemas conjugais e de relacionamento no
trabalho, tão comuns na atualidade. Percebeu-se incomodado e procurou ajuda.
Entretanto, sua experiência em tal serviço acabou por gerar outro problema,
aquele que o médico colocou na sua cabeça, a depressão.
Sujeitos e(m) experiências: estratégias micropolíticas no contexto da reforma psiquiátrica no Brasil
Enredo da doença
Na sua discussão de emplotment, Mattingly (1994, 1998) aprofunda a
relação entre a experiência e a doença, argumentando que as narrativas sobre
doenças têm um papel na relação com a experiência vivida que vai além de
um relato a posteriori dos fatos ou um guia cultural para interpretá-los. Ela
demonstra que, em contextos clínicos, os terapeutas não só contam narrativas
mas também criam estruturas narrativas através de sua interação com os
pacientes. Assim, há uma relação entre a narração de histórias e a tomada de
decisões práticas (Mattingly 1998: 3). Ela chama a esta relação emplotment
terapêutica. Traduzindo emplotment como “a construção do enredo”, este
conceito chama a atenção para a homologia entre as estruturas da narrativa
e da ação. No decorrer da doença e de sua terapia, as pessoas estruturam suas
ações e decisões de uma maneira que homologa as estruturas das narrativas
contadas e que lhes permite obter uma sensação de controle da situação difícil.
Apesar da análise de Mattingly tratar de situações clínicas, penso que este
processo de construção de enredo faz parte de experiências e nos ajuda a
entender melhor o processo terapêutico tomado pelo doente ou sua família.
A DOENÇA COMO EXPERIÊNCIA: O PAPEL DA NARRATIVA NA CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL DA DOENÇA
relação entre a experiência e a doença, argumentando que as narrativas sobre
doenças têm um papel na relação com a experiência vivida que vai além de
um relato a posteriori dos fatos ou um guia cultural para interpretá-los. Ela
demonstra que, em contextos clínicos, os terapeutas não só contam narrativas
mas também criam estruturas narrativas através de sua interação com os
pacientes. Assim, há uma relação entre a narração de histórias e a tomada de
decisões práticas (Mattingly 1998: 3). Ela chama a esta relação emplotment
terapêutica. Traduzindo emplotment como “a construção do enredo”, este
conceito chama a atenção para a homologia entre as estruturas da narrativa
e da ação. No decorrer da doença e de sua terapia, as pessoas estruturam suas
ações e decisões de uma maneira que homologa as estruturas das narrativas
contadas e que lhes permite obter uma sensação de controle da situação difícil.
Apesar da análise de Mattingly tratar de situações clínicas, penso que este
processo de construção de enredo faz parte de experiências e nos ajuda a
entender melhor o processo terapêutico tomado pelo doente ou sua família.
A DOENÇA COMO EXPERIÊNCIA: O PAPEL DA NARRATIVA NA CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL DA DOENÇA
Tradição
O termo “tradicional” é empregado para referir as narrativas não-
pessoais que são compartilhadas pelo grupo. Não quero afirmar que existe
uma coleção fixa de narrativas compartilhadas por todos. Há diferenças
nas narrativas contadas por indivíduos, dependendo de sua idade, sexo,
experiências e afiliações sociais. Porém, existe uma tradição de narrativa
coletiva que é caracterizada por aspectos estruturais, simbólicos e poéticos,
e temas comuns. É esta tradição que guia a geração de narrativas novas e
pessoais que explicam os casos atuais de doenças sérias, ajudando na
explicação das rupturas na vida cotidiana e na tentativa de atribuir uma
coerência e um encerramento aos eventos. As narrativas pessoais seguem a
estrutura e códigos simbólicos comuns nas narrativas tradicionais e, com o
tempo, podem ser incorporadas no repertório das narrativas comuns ao
grupo. Assim, a coleção de narrativas siona deve ser concebida como uma
coleção dinâmica e fluída de textos criados e recriados ao longo do tempo.
A DOENÇA COMO EXPERIÊNCIA: O PAPEL DA NARRATIVA NA CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL DA DOENÇA
pessoais que são compartilhadas pelo grupo. Não quero afirmar que existe
uma coleção fixa de narrativas compartilhadas por todos. Há diferenças
nas narrativas contadas por indivíduos, dependendo de sua idade, sexo,
experiências e afiliações sociais. Porém, existe uma tradição de narrativa
coletiva que é caracterizada por aspectos estruturais, simbólicos e poéticos,
e temas comuns. É esta tradição que guia a geração de narrativas novas e
pessoais que explicam os casos atuais de doenças sérias, ajudando na
explicação das rupturas na vida cotidiana e na tentativa de atribuir uma
coerência e um encerramento aos eventos. As narrativas pessoais seguem a
estrutura e códigos simbólicos comuns nas narrativas tradicionais e, com o
tempo, podem ser incorporadas no repertório das narrativas comuns ao
grupo. Assim, a coleção de narrativas siona deve ser concebida como uma
coleção dinâmica e fluída de textos criados e recriados ao longo do tempo.
A DOENÇA COMO EXPERIÊNCIA: O PAPEL DA NARRATIVA NA CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL DA DOENÇA
Drama social e doença
No caso das narrativas siona ligadas à doença, a noção de drama so-
cial de Turner (1981) e sua relação com a narrativa é particularmente útil para
se pensar na maneira como a narrativa apresenta uma estrutura para entender
episódios de doença. A vida social é um processo dinâmico e não uma
estrutura fixa, e este processo é melhor visto como um drama, ou seja, como
composto de seqüências de dramas sociais que são resultado de uma contínua
tensão entre conflito e harmonia. A vida é como um drama, cheio de situações
desarmônicas ou de crises cujas resoluções desafiam os atores, envolvendo
conflito, volição, reflexão e escolha (Burke 1989). As doenças, como outras
formas de ruptura, tomam formas dramáticas e os atores tentam demonstrar
o que têm feito, o que estão fazendo e também tentam impor suas soluções
ou idéias aos outros (Turner 1981).
Os dramas sociais da vida cotidiana são unidades de seqüências de
ação que analiticamente podem ser separadas do fluxo contínuo do processo
social. São marcados pelas fases de ruptura da ordem normal, crise, tentativas
de compensação, e resolução –– quando a ruptura é resolvida ou a divisão do
grupo se torna permanente e reconhecida. A fase de compensação, como o
rito, tem qualidades quase imperceptíveis. São momentos da vida social de
negociações entre os atores que tentam impor ou convencer os outros de sua
visão ou “paradigma”. Fazem parte do aspecto indeterminado e o modo
subjuntivo na interação humana. A vida social está em jogo; há desejos,
esperanças e poderes diferentes; o resultado não é determinado. Vista assim,
a interação social é uma contínua negociação entre atores; é um processo
dramatúrgico (Goffman 1983) em que os atores realizam seus papéis para os
outros na platéia, tentando persuadi-los de sua posição.
A DOENÇA COMO EXPERIÊNCIA: O PAPEL DA NARRATIVA NA CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL DA DOENÇA
cial de Turner (1981) e sua relação com a narrativa é particularmente útil para
se pensar na maneira como a narrativa apresenta uma estrutura para entender
episódios de doença. A vida social é um processo dinâmico e não uma
estrutura fixa, e este processo é melhor visto como um drama, ou seja, como
composto de seqüências de dramas sociais que são resultado de uma contínua
tensão entre conflito e harmonia. A vida é como um drama, cheio de situações
desarmônicas ou de crises cujas resoluções desafiam os atores, envolvendo
conflito, volição, reflexão e escolha (Burke 1989). As doenças, como outras
formas de ruptura, tomam formas dramáticas e os atores tentam demonstrar
o que têm feito, o que estão fazendo e também tentam impor suas soluções
ou idéias aos outros (Turner 1981).
Os dramas sociais da vida cotidiana são unidades de seqüências de
ação que analiticamente podem ser separadas do fluxo contínuo do processo
social. São marcados pelas fases de ruptura da ordem normal, crise, tentativas
de compensação, e resolução –– quando a ruptura é resolvida ou a divisão do
grupo se torna permanente e reconhecida. A fase de compensação, como o
rito, tem qualidades quase imperceptíveis. São momentos da vida social de
negociações entre os atores que tentam impor ou convencer os outros de sua
visão ou “paradigma”. Fazem parte do aspecto indeterminado e o modo
subjuntivo na interação humana. A vida social está em jogo; há desejos,
esperanças e poderes diferentes; o resultado não é determinado. Vista assim,
a interação social é uma contínua negociação entre atores; é um processo
dramatúrgico (Goffman 1983) em que os atores realizam seus papéis para os
outros na platéia, tentando persuadi-los de sua posição.
A DOENÇA COMO EXPERIÊNCIA: O PAPEL DA NARRATIVA NA CONSTRUÇÃO SOCIOCULTURAL DA DOENÇA
terça-feira, 13 de agosto de 2019
Cosmologia de grupo e saúde
O contexto sociocultural é relevante para compreender tanto a definição da doença em si quanto a escolha das práticas de cura empregadas. Desta maneira, a cosmologia de um grupo é também um fator na constituição dos itinerários de diagnóstico/tratamento [incluindo a etiologia do grupo]. Meus argumentos apontam para como nos itinerários dos sujeitos constroem-se negociações entre elementos provenientes de distintos sistemas terapêuticos e de diferentes cosmologias.
[Os diálogos da antropologia com a saúde: contribuições para as políticas públicas]
É também cósmica, pois são importantes o sentido e a fluência de nossa existência no mundo, e as convicções e interrogações sobre as forças visíveis e invisíveis que a sustenta.
[Interlocuções e interlocutores no campo da saúde: considerações sobre noções, prescrições e estatutos]
É também cósmica, pois são importantes o sentido e a fluência de nossa existência no mundo, e as convicções e interrogações sobre as forças visíveis e invisíveis que a sustenta.
[Interlocuções e interlocutores no campo da saúde: considerações sobre noções, prescrições e estatutos]
segunda-feira, 12 de agosto de 2019
Saúde sóciocultural
Rivers e Ackerknecht, ambos pioneiros na definição do campo de antropologia de saúde, observavam que não é possível separar as noções e práticas de saúde dos outros aspectos da cultura. A visão do mundo, os valores, as fontes de subsistência, as práticas de sociabilidade, no primeiro momento, não parecem ter uma relação com a saúde, mas, reconhecendo que a saúde é mais ampla que processos biológicos individuais, esses aspectos culturais têm uma relação estreita com o das representações de saúde e com a manutenção do bem-estar coletivo e individual. Essas normalmente são as práticas que os profissionais de saúde ignoram como sendo parte da saúde preventiva e curativa.
Dialogando sobre o processo saúde/doença com a Antropologia: processo Antropologia: entrevista com Esther Jean L Langdon
Full Interview of Dr. Breggin
The Minds of Men - Full Interview of Dr. Breggin
https://www.youtube.com/watch?v=FDiQIYFVwtEThis is Peter R. Breggin's interview with film makers Aaron and Melissa Dykes in the making of The Minds of Men, a documentary in which Dr. Breggin is featured. This is the whole unedited interview, presenting some of Peter Breggin's most inspired and engaging discussions about his life’s work and shows what motivated him to become such an avid lifetime reformer. You will know him and understand his work much better after viewing this. The film examines government-supported mind and behavioral control experimentation, including psychosurgery, electroshock treatment, and sensory deprivation. The film makers generously gave permission for Dr. Breggin to publish his entire uncut interview, most of which is being seen for the first time. The film is an extraordinary success, quickly reaching nearly one million viewers, and rising. Dr. Breggin shares his feelings, thoughts and actions surrounding one of the most important accomplishments of his career: his successful international campaign to stop the world-wide resurgence of brain-mutilating lobotomy and psychosurgery. In the several segments, he describes his response to learning the truth about the hidden, devastating impact on children and adults and his discovery of the racist and political ambitions of leading psychiatrists and neurosurgeons. Dr. Breggin describes harrowing and sometimes triumphant confrontations with powerful professional and political leaders, including Senator Ted Kennedy and top officials at the American Psychiatric Association, who did their best to stop his reform work. He describes how the experience made him into a lifelong reformer. For detailed descriptions of Peter and Ginger Breggin's successful campaigns to stop federally-funded psychosurgical, eugenic and racist programs of behavioral control, see Psychiatry as an Instrument of Social and Political Control @ https://breggin.com/social-page See also the full documentary for which this interview was conducted: The Minds of Men @ https://youtu.be/LQucESRF3Sg
domingo, 11 de agosto de 2019
Normalidade e grupos
Ao defender os pressupostos da teoria da aprendizagem, em oposição ao modelo médico5, Ullmann & Krasner (1965) apontaram que o comportamento não é patológico em si, mas é considerado inapropriado por pessoas-chave na vida do sujeito (colegas, família, empregadores, vizinhos), que controlariam a maioria dos reforçadores a ele dispensados. O indivíduo cujo comportamento foge aos padrões do grupo com o qual convive está sujeito à retirada de reforçadores importantes ou à apresentação de estímulos aversivos, e é este mesmo grupo social que será responsável pela classificação do seu comportamento como normal ou anormal.
Esquizofrenia: a Análise do Comportamento tem o que dizer?
Ricardo Corrêa Martone'
Denis Roberto Zamignani
Loucura Fernando Pessoa
A loucura, longe de ser uma anomalia, é a condição normal humana. Não ter consciência dela, e ela não ser grande, é ser homem normal. Não ter consciência dela e ela ser grande, é ser louco. Ter consciência dela e ela ser pequena é ser desiludido. Ter consciência dela e ela ser grande é ser gênio.
Fernando Pessoa
Fernando Pessoa
Bolsonaro e o contraditório
A ascensão de Bolsonaro e a direita é uma chance dos psicólogos e as ciências humanas começarem a lidar com o contraditório (pluralidade de pensamento). O conteúdo da disputa política boa parte envolve escolher categorias de análise que são próprias da própria profissão. O que é deformação profissional e um certo corporativismo. É um diálogo de surdos (como dizia Kuhn).
sábado, 10 de agosto de 2019
Pouca imaginação e normalidade
Há muito mais chances de a pessoa sem imaginação e sem capacidade de distanciamento crítico seja mais normal. Imitar cegamente e delegar pensamento é muito fácil. Quem não é assim corre riscos.
Bolsonaro é um enforcer
Bolsonaro é um enforcer (agente da lei, fiscal, fazem valer ou cumprir) de costumes. Isso explica muito das ações e mentalidade dele. Por isso, a associação com a Associação Brasileira de Psiquiatria na contrareforma psiquiátrica e a intolerância com a reforma psiquiátrica. Também a indisposição com a psicologia e ciências humanas. Por isso a escolha pela direita e a intolerância com a esquerda. Tudo isso com apoio da "ciência". Mas ciência com desvios devido a interesses econômicos. Chega um ponto que não dá mais para ter ilusão: as pessoas se interessam ou gostam daquilo que traz dinheiro, poder e carreiras profissionais.
Para quem gosta das regras está tudo ótimo. Para quem discorda está fogo.
quarta-feira, 7 de agosto de 2019
Perenização
Perenização.
“Quando o psiquiatra enquadra, classifica e diagnostica, distancia-se inevitavelmente de uma postura terapêutica aberta, prospectiva e amorosa. Seu olhar é retrógrado e petrificador – petrifica o paciente num estigma, e congela o próprio olhar do psiquiatra no diagnóstico realizado num determinado momento, dificultando-lhe a percepção da evolução ou variação da sintomatologia do mesmo paciente ao longo do tempo, centrando-se no que já está posto, ou seja, atua no sentido de capturar o paciente numa classificação nosológica”. (A Tragicomédia da Medicalização: a Psiquiatria e a Morte do Sujeito, Natal (RN), Sapiens: 2012. Segundo Ato, Das Classificações).
Violência simbólica, exclusão social e campos psi (atualizado)
isto também significa o fato de que esta teoria geral das ações simbólicas violentas (exercida pelo curador, pelo feiticeiro, pelo padre, pelo profeta, o propagandista, o professor, o psiquiatra ou o psicanalista) pertence a uma teoria geral da violência e da legitimidade da violência, como é atestado diretamente pela intercambiabilidade dos diferentes formas de violência social e indiretamente pela homologia entre os monopólio do sistema escolar de violência simbólica legítima e monopólio do uso legítimo da violência física do Estado.
36. O sistema educacional francês que, em sua forma tradicional, exigia e obteve o reconhecimento de veredictos incontestáveis que expressam um hierarquia vocal (mesmo quando escondida sob um conjunto de hierarquias interligadas) contrasta a este respeito com sistemas como a universidade americana, que fornece para a resolução institucional das tensões resultantes da disparidade entre as aspirações que ajuda a instilar e os meios sociais de realizá-las. E se considera-se o caso limitante, imagina-se universidades que, aceitando quase explicitamente o seu papel como instituições do governo simbólico, equipá-los-Dependência através da Independência com todos os instrumentos institucionalizados (testes. mais um sistema de ramo linhas e desvios que compõem uma universidade sutilmente hierarquizada sob o pretexto de diversidade) e pessoal especializado (psicólogos, psiquiatras, conselhos de orientação, psicanalistas) necessários para a manipulação amigável e discreta daqueles quem a instituição condena, exclui ou relega. Essa utopia permite que ser visto que a "racionalização" das ferramentas técnicas e institucionais para a exclusão, canalização, e incutir a aquiescência na canalização e exclusão, permitir que o sistema escolar cumpra de forma mais eficiente, porque mais irrepreensível, as funções que desempenha hoje quando seleciona e, ao ocultar os princípios de sua seleção, ganha a equivalência nessa seleção e nos princípios subjacentes.
[Comentário: O diagnóstico psiquiátrico tem portanto uma função implícita e dissimulada de exclusão social ao reforçar uma seleção de características sociais por meio da seleção técnica no sistema de ensino e no mercado de trabalho. Também o diagnóstico psiquiátrico ao reduzir as expectativas de sucesso social e aspirações também produz exclusão. Exclusão que parece muito natural e correlacionada com a natureza biológica da pessoa diagnosticada.]
No livro Reprodução. Do autor Bourdieu.
A CRUELDADE SIMBÓLICA DO DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO (E SIMILARES).
A CRUELDADE SIMBÓLICA DO DIAGNÓSTICO PSIQUIÁTRICO (E SIMILARES).
Drogas neurolépticas e reforço positivo
A relação entre comportamento operante e drogas neurolépticas, ou antipsicóticas, tem sido amplamente estudada. De uma maneira geral, o efeito dessas drogas tem sido o de suprimir, ou diminuir, comportamentos mantidos por reforço positivo. Duas hipóteses principais foram levantadas para explicar essa relação. A primeira é a de que neurolépticos, na sua maioria, drogas antagonistas (efeito na direção contrária) do sistema dopaminérgico, afetam o sistema motor, no sentido de diminuir, ou dificultar, qualquer atividade motora. Na segunda hipótese (chamada de Hipótese da Anedonia (ausência de prazer)), neurolépticos estariam impedindo a aquisição e manutenção do comportamento por estímulos reforçadores, via interferência direta nos circuitos cerebrais ligados ao reforço (Wise, 1982). Alguns dados nos levam a favorecer a segunda hipótese.
O primeiro dado é que antagonistas dopaminérgicos em dose baixa retardam a aquisição de um comportamento operante. Ou seja, animais que receberam doses baixas de neurolépticos atingem a mesma taxa de respostas que animais que não receberam a droga; mas há uma diferença no tempo de aquisição do operante: enquanto os animais em condição controle atingiram um desempenho assintótico na segunda sessão, animais que receberam neurolépticos só atingiram a assíntota na quinta sessão.
Outro dado interessante ó o chamado efeito semelhante à extinção. Animais bem treinados para emitir um determinado operante em um procedimento de ICSS (auto-estimulação intracraniana), quando recebem uma dose de um neuroléptico, por exemplo, pimozida, apresentam um padrão de respostas semelhante a animais colocados sob extinção, ou seja, inicialmente a taxa de respostas se mantém, passando a cair com o decorrer do tempo.
Conclusão
De uma maneira geral, a partir dos dados apresentados, podemos concluir que é
razoável pensar na existência de um mecanismo dopaminérgico anatomicamente específico que parece estar subjacente ao processo de reforço do comportamento.
A segunda implicação é quanto ao uso de neurolépticos que, interferindo diretamente nos mecanismos fisiológicos do reforço, poderiam estar dificultando a manutenção e aquisição de comportamentos, fato que deve ser levado em conta em um contexto clínico.
Conclusão
De uma maneira geral, a partir dos dados apresentados, podemos concluir que é
razoável pensar na existência de um mecanismo dopaminérgico anatomicamente específico que parece estar subjacente ao processo de reforço do comportamento.
A segunda implicação é quanto ao uso de neurolépticos que, interferindo diretamente nos mecanismos fisiológicos do reforço, poderiam estar dificultando a manutenção e aquisição de comportamentos, fato que deve ser levado em conta em um contexto clínico.
Engenharia social e neurolépticos
Em termos de engenharia social o uso de neurolépticos visa suprimir ou punir repertório que uma parte da sociedade considera inadequado ou não legítimo. Também é uma forma de legitimar à força o repertório de quem está exigindo prescrição ou prescrevendo.
Contextualizando melhor, a sociedade busca se reproduzir e se legitimar perseguindo as pessoas que mostram limitações e inadequações na sociedade ou que relativizam ou desnaturalizam sua cultura arraigada. Ou a família busca impor sua legitimidade e suprimir e punir repertório incompatível com a família. Contextualizando também o paciente, se seu repertório é diferente da maioria há maior chances de ser considerado inadequado por mera comparação de quantidade. O que não necessariamente seria inadequado em outros grupos da sociedade que são origem desse repertório cultural legítimo.
O que basicamente é violência simbólica ou cultural. Conseguir convencer que a família está equivocada ao impor medicalização seria ameaçar o modo de vida deles e a indústria psiquiátrica. Parece que um modo se vida só pode se legitimar através do dinheiro.
segunda-feira, 5 de agosto de 2019
Reações adversas
A literatura sobre reações adversas na medicina psiquiátrica é um show de horrores. Não sei como conseguem ter orgulho de ser psiquiatras biológicos insistindo em tratamentos desnecessários. Só o orgulho do dinheiro mesmo.
domingo, 4 de agosto de 2019
RACIOCÍNIO MOTIVADO
RACIOCÍNIO MOTIVADO
Algumas
das nossas crenças incorretas mais teimosas surgem não de intuições
infantis primitivas nem de erros descuidados de categoria, mas dos
próprios valores e mundivisões que definem quem somos como indivíduos.
Cada um de nós tem determinadas crenças fundamentais—narrativas sobre o
eu, ideias sobre a ordem social—que essencialmente não podem ser
violadas: contradizê-las seria pôr em questão nosso próprio valor. Como
tal, essas concepções exigem fidelidade de outras opiniões, e toda
informação que recolhemos do mundo é corrigida, distorcida, diminuída ou
esquecida de modo que garanta que essas crenças sacrossantas permaneçam
inteiras e incólumes.
Uma crença sacrossanta muito comum, por exemplo, é alguma coisa assim: sou uma pessoa capaz, boa e atenciosa.
Toda informação que contradiga essa premissa está sujeita a encontrar
uma resistência mental séria. Também crenças políticas e crenças
ideológicas com frequência migram para o reino do sacrossanto. A teoria
antropológica da cognição cultural sugere que as pessoas em toda parte
tendem a se classificar ideologicamente em concepções culturais
divergentes ao longo de um par de eixos: são individualistas (favorecem a
autonomia, a liberdade e a autossuficiência) ou são comunitaristas (dão
mais peso aos benefícios e aos custos arcados por toda a comunidade); e
são hierarquistas (favorecem a distribuição de deveres sociais e de
recursos ao longo de hierarquistas (favorecem a distribuição de deveres
sociais e de recursos ao longo de uma classificação fixa de posição
social) ou são igualitários (rejeitam a ideia mesma de classificação de
pessoas de acordo com a posição social). De acordo com a teoria da
cognição cultural, os humanos processam informações de uma maneira que
não somente reflete esses princípios organizadores, mas que também os
reforça. Esses pontos de ancoragem ideológicos podem ter um impacto
profundo e abrangente no que as pessoas creem, e até no que elas “sabem”
que é verdadeiro.
https://universoracionalista.org/somos-todos-idiotas-confiantes/?fbclid=IwAR1fSZ_iBCchwKYcRPWuEAB5E3xM5eKh38AM5dLyLkB-R5x8H90bPWAUu2g
O modelo médico e o modelo psicológico
[Esse tema foi a primeira inspiração para o blogue]
O modelo médico e o modelo psicológico
O modelo médico e o modelo psicológico
Maria Luiza Marinho
1. O modelo médico
O modelo médico é a mais amplamente aceita formulação do comportamento maladaptativo, e o ponto de vista da modificação do comportamento tem se desenvolvido como uma abordagem alternativa dentro deste contexto.
Modelo médico ou de doença significa que o comportamento do indivíduo é considerado anormal ou doente devido a causas subjacentes. A analogia ó feita da medicina física em termos de germes, vírus, lesões e outros que tiram o organismo de seu trabalho normal e o levam à produção de sintomas. Essa abordagem representou o maior avanço da medicina física no século XIX. Isso permitiu tratamentos específicos efetivos ao estar doente, nos quais, antes, a história da medicina tinha estado completamente intervindo com placebo ou com a prescrição de remédios não específicos que dependiam de sugestão ou remissão espontânea.
2. O modelo médico na área do comportamento humano: noção de enfermidade
Este ponto de vista considera que o comportamento do indivíduo é anormal ou doente devido a causas subjacentes que tiram o organismo de um trabalho normal e levam à produção de sintomas. O comportamento dito "anormal" é considerado, então, sintoma de um problema interno (físico ou intrapsíquico). Segundo Szasz apud Ullmann & Krasner, 1965, os problemas psicológicos são considerados, sob o ponto de vista do modelo médico, como enfermidades essencialmente semelhantes a todas as outras (ou seja, as do corpo). A única diferença entre as enfermidades mentais e corporais é que as primeiras, ao afetarem o cérebro, manifestam-se mediante sintomas mentais; enquanto as últimas, que afetam outros sintomas orgânicos (por exemplo, a pele, o fígado, etc.), manifestam-se através de sintomas relacio-nados com estas partes do corpo." Dessa forma, os transtornos do comportamento são considerados enfermidades para as quais deve-se encontrar uma etiologia, que conduzirá a alguma forma especifica de tratamento. Dai a ênfase no diagnóstico e a crença de que existem causas especificas das enfermidades mentais.
2.1. Problemas metodológicos no modelo explicativo
Pesquisas não conseguem revelar qualquer patologia orgânica na maioria dos indivíduos com ‘problemas’ comportamentais;
Determinados "pacientes" podem apresentar pequena anomalia na química do corpo, mas isto ocorre com grande número de pessoas "normais”;
Indivíduos com os mesmos sintomas não apresentam a mesma disfunção orgânica, ou ás vezes não apresentam nenhuma disfunção orgânica detectável;
Dúvida em relação a se as alterações de funcionamento do corpo são causas ou conseqüências da alteração no comportamento.
2.2. Algumas conseqüências do modelo aplicado à “saúde mental” :
Hospitalização para tratamento.
Uso maciço de medicamentos.
Ênfase no diagnóstico.
Crença que existem similaridades entre as “enfermidades".
Noção de substituição de sintomas.
3. Modelo psicológico: uma abordagem alternativa ao modelo médico
Se o comportamento dito “anormal" não é o sintoma de causas subjacentes, como explicá-lo então?
(a Análise do Comportamento como modelo explicativo) “O comportamento anormal não é diferente do normal em seu desenvolvimento, em sua manutenção ou na maneira em que ele pode ser mudado. A diferença entro comportamento normal e anormal nâo é intrínseca: a diferença está na reação (julgamento) social." (Ullmann & Krasner, 1965) "Os estímulos do meio, ao invés de “doença" subjacente ou conflito intrapsíquico, determinam e mantêm o que é rotulado como comportamento desajustado, inadequado, desvantajoso ou disruptivo. A "anormalidade" não é um problema que se localiza dentro do indivíduo (...) mas é o resultado da Interação da pessoa com o meio social e representa o resultado compreensível da história do reforçamento do Indivíduo." (Ferster, 1972)
"O ambiente modela o repertório comportamental do indivíduo, e as diferenças entre comportamento dito "normal" e “anormal" resultam de diferenças nos esquemas de reforçamento a que os indivíduos foram expostos.” (Ullmann & Krasner, 1973) "A principal técnica empregada no controle do indivíduo por qualquer grupo de pessoas é a seguinte: o comportamento do indivíduo é classificado como ‘bom’ ou 'mau', ou, com o mesmo efeito, como 'certo'e 'errado'e reforçado e punido de acordo com isso, (...) Geralmente se denomina o comportamento de um indivíduo bom ou certo na medida em que reforça outros membros do grupo, e mau ou errado na medida em que é aversivo, “ (Skinner, 1981)
"Ensinar as pessoas a considerarem certos tipos de problemas ou comportamentos extravagantes como doenças em vez de reações normais às tensões da vida, excentricidades inofensivas ou pequenos episódios de desânimo, pode causar alarme e aumentar a procura por psicoterapia. (...) Quanto maior o número de oportunidades para tratamento e mais ampla a informação a esse respeito, tanto maior o número de pessoas que procuram ajuda. " (Ulimann & Krasner, 1973)
3.1. Questões referentes ao diagnóstico
O que é comportamento certo e quem o define?
Quem classifica (diagnostica)?
Quais as conseqüências de se classificar?
Por que classificar?
Efetividade do diagnóstico (DSM)
Bibliografia
Ferster, C. B. (1972). Classificação da Patologia do Comportamento. In: L. Krasner e L. P
Ulimann. Pesquisas sobre modificação do comportamento. Sâo Paulo. Herder, p. 2-33
Kanfer, F. H. & Schefft, B. K. (1988). Guiding theprocess oftherapeuticchange. Illinois: Research
p. 7-31.
Skinner, B. F. (1981). Ciência e Comportamento Humano. São Paulo: Martins Fontes.
Tharp, R. G. & Wetzel, R. J. (1969). Behavior modifícation in the natural environment. New York
Academic Press. Cap. 1.
Ullmann, L. P. & Krasner, L. (1965). Case studies in behavior modification. Holt. New York:
Rinehart & Winston. p. 1-63.
Yates, A. J. (1975). Terapia dei comportamiento. Trillas: México.
sábado, 3 de agosto de 2019
Neurocentrismo
https://www.theguardian.com/science/2013/jun/30/brain-mind-behaviour-neuroscience-neuroimaging
O cérebro é dito ser a fronteira científica final, e com razão, na nossa opinião. No entanto, em muitos lugares, as explicações baseadas no cérebro parecem receber uma espécie de superioridade inerente a todas as outras formas de explicar o comportamento humano. Chamamos essa suposição de "neurocentrismo" - a visão de que a experiência e o comportamento humano podem ser melhor explicados a partir da perspectiva predominante ou até mesmo exclusiva do cérebro. Deste ponto de vista popular, o estudo do cérebro é de algum modo mais "científico" do que o estudo de motivos, pensamentos, sentimentos e ações humanas. Ao tornar visível o oculto, a imagiologia cerebral tem sido um benefício espetacular para o neurocentrismo.
O principal problema do neurocentrismo é que desvaloriza a importância das explicações psicológicas e fatores ambientais, como o caos familiar, estresse e acesso generalizado às drogas na manutenção da dependência.
Ele promete produzir descobertas objetivas que endurecerão até mesmo a ciência mais branda, ou pelo menos é o caso da lógica duvidosa. Pais e professores são marcas fáceis para "academias de cérebro", "educação compatível com o cérebro" e "criação de filhos baseada no cérebro", sem mencionar dezenas de outras técnicas. Mas, na maioria das vezes, essas empresas enxutas simplesmente encenam bons conselhos ou reembalam brometos com descobertas neurocientíficas que não acrescentam nada ao programa geral. Como um psicólogo cognitivo brincou: "Incapaz de persuadir os outros sobre o seu ponto de vista? Tome um Neuro-Prefixo - a influência aumenta ou o seu dinheiro volta".
O domínio neurobiológico é um dos cérebros e causas físicas; o domínio psicológico é uma das pessoas e seus motivos. Ambos são essenciais para uma compreensão completa do porquê agimos como nós. Mas o cérebro e a mente são estruturas diferentes para explicar a experiência humana. E a distinção entre eles dificilmente é um assunto acadêmico: tem implicações cruciais para a maneira como pensamos sobre a natureza humana, bem como a melhor forma de aliviar o sofrimento humano.
Comportamento humano: tudo está no cérebro - ou na mente?
O cérebro é dito ser a fronteira científica final, e com razão, na nossa opinião. No entanto, em muitos lugares, as explicações baseadas no cérebro parecem receber uma espécie de superioridade inerente a todas as outras formas de explicar o comportamento humano. Chamamos essa suposição de "neurocentrismo" - a visão de que a experiência e o comportamento humano podem ser melhor explicados a partir da perspectiva predominante ou até mesmo exclusiva do cérebro. Deste ponto de vista popular, o estudo do cérebro é de algum modo mais "científico" do que o estudo de motivos, pensamentos, sentimentos e ações humanas. Ao tornar visível o oculto, a imagiologia cerebral tem sido um benefício espetacular para o neurocentrismo.
O principal problema do neurocentrismo é que desvaloriza a importância das explicações psicológicas e fatores ambientais, como o caos familiar, estresse e acesso generalizado às drogas na manutenção da dependência.
Ele promete produzir descobertas objetivas que endurecerão até mesmo a ciência mais branda, ou pelo menos é o caso da lógica duvidosa. Pais e professores são marcas fáceis para "academias de cérebro", "educação compatível com o cérebro" e "criação de filhos baseada no cérebro", sem mencionar dezenas de outras técnicas. Mas, na maioria das vezes, essas empresas enxutas simplesmente encenam bons conselhos ou reembalam brometos com descobertas neurocientíficas que não acrescentam nada ao programa geral. Como um psicólogo cognitivo brincou: "Incapaz de persuadir os outros sobre o seu ponto de vista? Tome um Neuro-Prefixo - a influência aumenta ou o seu dinheiro volta".
O domínio neurobiológico é um dos cérebros e causas físicas; o domínio psicológico é uma das pessoas e seus motivos. Ambos são essenciais para uma compreensão completa do porquê agimos como nós. Mas o cérebro e a mente são estruturas diferentes para explicar a experiência humana. E a distinção entre eles dificilmente é um assunto acadêmico: tem implicações cruciais para a maneira como pensamos sobre a natureza humana, bem como a melhor forma de aliviar o sofrimento humano.
Caretice e loucura
Quanto mais as sociedades tem indivíduos caretas, incultos, fechados e rígidos mais ela desqualificam o resto das pessoas que não se encaixam nisso. Na psiquiatria biológica e na psicologia patologizante há a suposição de uma sociedade perfeita que não faz mal para as pessoas. A psiquiatria biológica apenas contribui para deixar pior ou complicar esses problemas anteriormente citados. O conceito de incapacidade social não existe para essas pessoas.
sexta-feira, 2 de agosto de 2019
Viver sem pensar
A pessoa normal tenta viver evitando pensar. O pensamento é pensado para ela pela rotina social. Apenas quando aparece um problema é levada a pensar. Mesmo assim delega o pensamento para especialistas. E é incapaz de ver problema no que é comum e convencional.
Só tem um probleminha. A realidade social é construída e definida pelo conhecimento.
quinta-feira, 1 de agosto de 2019
Seguir convenções e ética
Como o nazista que se achava inocente porque só seguia ordens, os familiares e psiquiatras biológicos não se consideram responsáveis por nada pois apenas seguem convenções.
O excepcional e o prejuízo
Se os familiares não fazem nada excepcional supostamente não tem como estar prejudicando. Pois a sociedade e a psiquiatria biológica apoiam. Mas é justamente a equiparação de toda diferença com o excepcional e anômalo que está na origem dos problemas.
Os familiares e psiquiatras biológicos se protegem ou se escondem atrás de uma prática social adotada por convenção.
Os familiares e psiquiatras biológicos se protegem ou se escondem atrás de uma prática social adotada por convenção.
terça-feira, 30 de julho de 2019
segunda-feira, 29 de julho de 2019
Internação usuários de drogas
Outra conseqüência direta desse condicionamento é no tratamento dos usuários.
Um tratamento que retire o indivíduo do seu meio, afastando-o da visão da droga ou injeção, etc (tipo internação em clínicas especializadas), não coloca em extinção os estímulos condicionados: eles só deixariam de ter controle sobre as respostas condicionadas, opostas às produzidas pela droga, se fossem apresentados repetidamente sem paramento com a droga (extinção operante). Assim, após um longo e penoso tratamento numa clínica para eliminar a síndrome de abstinência (ou seja, a dependência lísica), o indivíduo volta ao seu meio, onde possivelmente vai se defrontar com alguns daqueles estímulos condicionados (local e pessoas associadas ao uso da droga, etc). Estes eliciarão as respostas condicionadas uma vez que elas não foram submetidas à extinção. Como tais respostas são opostas às eliciadas pela droga, elas produzem os mesmos sintomas da síndrome de abstinência cujo término, a curto prazo, depende da administração da droga. Ou seja, essas respostas condicionadas aumentam, e muito, a probabilidade do indivíduo a recorrer novamente à droga (comportamento que será reforçado negativamente). Sabe-se hoje, graças a esses estudos, que o efeito de produzir síndrome de abstinência também pode ser esperado de fotos ou outdoors que mostrem seringas, ironicamente utilizados nas campanhas contra as drogas (Siegel, 1979)
Capítulo 32
O mundo dentro e fora do laboratório: duas faces de uma mesma realidade 1
Hunziker
quinta-feira, 25 de julho de 2019
Refém econômico
Os pais tem satisfação em manter os filhos como reféns econômicos. Não admitem nem diálogo e escuta. Acham que tem o direito de subjugar, calar e dominar porque têm dinheiro.
Curva normal e modelo médico
Chiesa (1994), no entanto, aponta para o fato de que por mais sofisticadas que sejam as técnicas estatísticas, elas esquecem algo fundamental: a curva normal [modelo médico] e o caso da média simplesmente documentam que a variação é a regra na natureza, não algo indesejável a ser evitado.
Variabilidade Comportamental e Adaptabilidade: da Pesquisa à Análise Comportamental Clínica
Joâo Vicenle de Sousa Marçal1
Paula Carvalho Natalino*
Variabilidade Comportamental e Adaptabilidade: da Pesquisa à Análise Comportamental Clínica
Joâo Vicenle de Sousa Marçal1
Paula Carvalho Natalino*
quarta-feira, 24 de julho de 2019
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO | EUA x Brasil
HOSPITAL PSIQUIÁTRICO | EUA x Brasil
https://www.youtube.com/watch?v=wAFBl89Kdlc
Progresso e piora no tratamento
O psiquiatra biológico tem controle sobre a regressão e a progressão no tratamento. Não percebem. Mas o paciente piora por conta do excesso de drogas psicoativas e atitude social frente a um diagnóstico. Quando a dose é reduzida o paciente melhora. O problema é leva anos para o psiquiatra sentir que a pessoa está mais estável. Ou está mais acostumada e conformada com a parte desagradável do tratamento médico e da sociedade.
terça-feira, 23 de julho de 2019
A instituição inventada
Para nós, o objeto sempre foi a “existência-sofrimento dos pacientes e sua relação com o corpo social1. O mal obscuro da Psiquiatria está em haver constituído instituições sobre a separação de um objeto fictício - a doença - da existência global, complexa e concreta do paciente e do corpo da sociedade
http://www.oriundi.net/files/istituz.invent_po.pdf
http://www.oriundi.net/files/istituz.invent_po.pdf
segunda-feira, 22 de julho de 2019
Aceite seu lugar
Algumas ideias são inovadoras e incômodas demais.
Que um louco se torne saudável. Isso é inadmissível.
Ou que tenha se tornado louco por conta de um ambiente insalubre.
Simplesmente está além da capacidade de imaginação de certas pessoas.
Que um médico desça do pedestal. Inadmissível.
Que um bosta de um louco esteja mais certo que um médico. Inadmissível.
Que um bosta de um psicólogo esteja mais certo que um médico. Inadmissível.
Que um louco não aceite seu lugar inferior na sociedade. Inadmissível.
Pare de incomodar.
Por mais que alguém desenvolva 20 vezes mais habilidades para lidar com isso.
O desafio é desproporcional.
A incapacidade da sociedade é muito grande.
Cabe ao louco aceitar ter uma saúde inferior.
Cabe ao louco ser inválido e aposentado.
Cabe ao louco não opinar no tratamento.
Cabe ao psicólogo ser ajudante de médico.
Cabe ao louco aceitar ser humilhado.
Que um louco se torne saudável. Isso é inadmissível.
Ou que tenha se tornado louco por conta de um ambiente insalubre.
Simplesmente está além da capacidade de imaginação de certas pessoas.
Que um médico desça do pedestal. Inadmissível.
Que um bosta de um louco esteja mais certo que um médico. Inadmissível.
Que um bosta de um psicólogo esteja mais certo que um médico. Inadmissível.
Que um louco não aceite seu lugar inferior na sociedade. Inadmissível.
Pare de incomodar.
Por mais que alguém desenvolva 20 vezes mais habilidades para lidar com isso.
O desafio é desproporcional.
A incapacidade da sociedade é muito grande.
Cabe ao louco aceitar ter uma saúde inferior.
Cabe ao louco ser inválido e aposentado.
Cabe ao louco não opinar no tratamento.
Cabe ao psicólogo ser ajudante de médico.
Cabe ao louco aceitar ser humilhado.
Crises e degeneração cerebral
Crises são apenas comportamentos operantes indesejados evocados por circunstâncias.
Dizer que a cada crise o cérebro se degenera é apenas uma meritocracia negativa do tratamento psiquiátrico.
Dizer que a cada crise o cérebro se degenera é apenas uma meritocracia negativa do tratamento psiquiátrico.
Doses equivalentes neurolépticos
RESULTADOS:
Foram incluídos 75 estudos com 16 555 participantes. As doses equivalentes a 1 mg / d de olanzapina foram: amisulprida 38,3 mg / d, aripiprazole 1,4 mg / d, asenapina 0,9 mg / d, clorpromazina 38,9 mg / d, clozapina 30,6 mg / d, haloperidol 0,7 mg / d, quetiapina 32,3 mg / D, risperidona 0,4 mg / d, serindol 1,1 mg / d, ziprasidona 7,9 mg / d, zotepina 13,2 mg / d. Para a iloperidona, lurasidona e paliperidona, não havia dados disponíveis.https://www.epistemonikos.org/pt/documents/e3125ddf050a2f26554bc4262d08f9fefc3c577e
quinta-feira, 18 de julho de 2019
Observação e teoria
Popper destaca que “todo o nosso conhecimento é impregnado de teoria, inclusive nossas observações” (Popper, 1975, p. 75). Não existem dados puros, fatos neutros (livres de teoria).
https://www.ebah.com.br/content/ABAAAANkAAC/karl-popper?part=2
https://www.ebah.com.br/content/ABAAAANkAAC/karl-popper?part=2
quarta-feira, 17 de julho de 2019
Eugenia e Sloterdijk
Nesta peça filosófica, Sloterdijk dizia que o projeto eugênico ocidental é filho de Platão ("A República", por exemplo), e que se ele não deu certo nas engenharias político-sociais utópicas modernas, nem na educação formal propriamente, estava dando certo na biotecnologia e nas tecnologias de otimização da saúde.
Esta palavra feia era sua recusa em negar nossa natureza eugênica e a opção contemporânea pós-nazismo por realizar a eugenia no silêncio de uma razão cínica que nega suas motivações morais: tornar a vida perfeita sem dizer que está fazendo isso.
Sua intenção é trazer à luz aquilo que não se quer trazer à luz, ou seja, que nossa cultura e nossa ciência são eugênicas apesar de dizer que não são. A palavra feia aqui é um grito contra o cinismo dos que negam a intenção eugênica.
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/40077-a-palavra-feia.shtml
Esta palavra feia era sua recusa em negar nossa natureza eugênica e a opção contemporânea pós-nazismo por realizar a eugenia no silêncio de uma razão cínica que nega suas motivações morais: tornar a vida perfeita sem dizer que está fazendo isso.
Sua intenção é trazer à luz aquilo que não se quer trazer à luz, ou seja, que nossa cultura e nossa ciência são eugênicas apesar de dizer que não são. A palavra feia aqui é um grito contra o cinismo dos que negam a intenção eugênica.
https://www1.folha.uol.com.br/fsp/ilustrada/40077-a-palavra-feia.shtml
segunda-feira, 15 de julho de 2019
Descontinuação de Antipsicóticos e Funcionamento Cognitivo
Descontinuação de Antipsicóticos Melhora o Funcionamento Cognitivo
Em pessoas com esquizofrenia, interromper os antipsicóticos não piora o funcionamento cognitivo; em vez disso, pode realmente melhorar a cognição.
https://translate.google.com.br/translate?hl=pt-BR&sl=auto&tl=pt&u=https%3A%2F%2Fwww.madinamerica.com%2F2019%2F07%2Fdiscontinuation-antipsychotics-improves-cognitive-functioning%2F
“Os resultados sugerem que o uso de antipsicóticos de dose prolongada ou mais alta está associado a resultados cognitivos adversos. Isso poderia, pelo menos em parte, ser explicado por confundimento por indicação, o que significa que os pacientes tratados com antipsicóticos de alta dose por um longo período provavelmente também têm a pior trajetória de doença ”.
Neste estudo, aqueles que descontinuaram o antipsicótico apresentaram melhores escores cognitivos no início do estudo e no acompanhamento do que aqueles que continuaram o uso do antipsicótico. O grupo de descontinuidade viu uma melhoria ao longo do tempo, enquanto o grupo de continuação piorou ao longo do tempo.
“Os resultados sugerem que o uso de antipsicóticos de dose prolongada ou mais alta está associado a resultados cognitivos adversos. Isso poderia, pelo menos em parte, ser explicado por confundimento por indicação, o que significa que os pacientes tratados com antipsicóticos de alta dose por um longo período provavelmente também têm a pior trajetória de doença ”.
Neste estudo, aqueles que descontinuaram o antipsicótico apresentaram melhores escores cognitivos no início do estudo e no acompanhamento do que aqueles que continuaram o uso do antipsicótico. O grupo de descontinuidade viu uma melhoria ao longo do tempo, enquanto o grupo de continuação piorou ao longo do tempo.
quinta-feira, 11 de julho de 2019
Calma e neurolépticos
O que deixa calmo não é neuroleptico.
É descobrir que a conversa com a família é impossível.
É descobrir que a conversa com a família é impossível.
quarta-feira, 10 de julho de 2019
Sociologia da psicologia
Vale a pena ler sobre teorias psicológicas e sociologia no livro A construção social da realidade. Nas seções Teorias da identidade / organismo e identidade. (p. 228 até 241)
O livro está em pdf na internet.
https://cristianorodriguesdotcom.files.wordpress.com/2013/06/bergerluckman.pdf
O livro está em pdf na internet.
https://cristianorodriguesdotcom.files.wordpress.com/2013/06/bergerluckman.pdf
Orientação na realidade
Se o psiquiatra for sensível ao contexto sócio-cultural das condições psicológicas chegará a diagnósticos diferentes do indivíduo que conversa com os mortos, dependendo desse indivíduo vir, por exemplo da cidade de Nova Iorque ou de uma zona rural do Haiti. Dito diferentemente, as perguntas relativas ao estados psicológico não podem ser decididas sem o reconhecimento das definições da realidade admitidas como verdadeiras na situação social do indivíduo. Expressando-nos de maneira mais precisa, o estado psicológico é relativo às definições sociais da realidade em geral, sendo ele próprio socialmente definido.
Do livro A construção social da realidade (p.231)
terça-feira, 9 de julho de 2019
sábado, 6 de julho de 2019
Realidade, psiquiatria biológica e sociologia do conhecimento
A realidade é socialmente definida segundo a sociologia do conhecimento. Estar dentro da realidade consiste em seguir prescrições de conduta dessa sociedade. Esses padrões variam segundo grupos, sociedade e contextos.
Falar em capacidade biológica de apreender imediatamente a realidade como faz a psiquiatria não faz sentido. O conceito de realidade da psiquiatria biológica é ingênuo. Não resiste a um confronto com a sociologia do conhecimento.
Estar dentro da realidade é seguir conduta socialmente definida.
quinta-feira, 4 de julho de 2019
Terapêutica/aniquilação da dissidência
Mas há duas
aplicações do mecanismo conceitual de conservação do
universo que ainda resta discutir no contexto da teoria
geral: a terapêutica e a aniquilação.
A terapêutica acarreta a aplicação do mecanismo conceitual a fim de assegurar que os discordantes atuais
ou potenciais se conservem dentro das definições institucionalizadas da realidade, ou, em outras palavras, Impedir que os "habitantes" de um dado universo "emigrem". Realiza isso aplicando o aparelho legitimador aos
"casos" individuais. Desde que, conforme Vimos, toda sociedade enfrenta o perigo de dissidência individual, podemos admitir que a terapêutica, de uma forma ou de
outra é um fenômeno social global. Seus dispositivos
institucionais específicos, do exorcismo à psicanálise, da
assistência pastoral aos programas de aconselhamento
pessoal, pertencem naturalmente à categoria do controle
social. Aqui interessa-nos, porém, o aspecto conceitual
da terapêutica. Tendo a terapêutica de ocupar-se com
os desvios das definições "oficiais" da realidade, deve
criar um mecanismo conceitual para explicar esses desvios e conservar as realidades assim ameaçadas. Isto requer um corpo de conhecimento que inclui uma teoria
da dissidência, um aparelho de diagnóstico e um sistema conceitual para a "cura das almas".
Por exemplo, numa coletividade que institucionalizou
a homossexualidade militar, o indivíduo obstinadamente
heterossexual é um candidato seguro à terapêutica, não
somente porque seus interesses sexuais constituem evidente ameaça à eficiência de combate de sua unidade
de guerreiros-amantes, mas também porque seu desvio
é psicologicamente subversivo para a virilidade espontânea dos outros. Afinal de contas, alguns destes, talvez
"subconscientemente", podem ser tentados a seguir seu
exemplo num nível mais fundamental, a conduta do
dissidente desafia a realidade social como tal, pondo em
questão seus procedimentos operatórios cognoscitivos admitidos como certos ("os homens viris por natureza
amam uns aos outros"), e os procedimentos normativos "os homens viris devem amar uns aos outros"). De fato
,
o dissidente provavelmente representa um insulto vivo aos deuses, que amam
uns aos outros no
céu, assim como seus devotos na terra. Este desvio radical requer uma prática terapêutica solidamente fundada numa
teoria terapêutica. É preciso haver uma teoria do desvio (uma "patologia") que explica esta condição chocante (digamos, postulando a possessão demoníaca). É preciso haver um corpo de conceitos diagnósticos
(digamos, uma sintomatologia, com práticas apropriadas para aplicá-Ia em julgamentos por ordálio), que
não somente permita de maneira ótima
a precisa especificação das condições agudas mas também descobre a heterossexualidade latente"
e
a rápida tomada de medidas preventivas. Finalmente, deve haver uma conceituação do processo curativo (digamos, um catálogo de
técnicas de exorcismos, cada qual com adequada fundamentação teórica).
Este mecanismo conceitual permite sua aplicação terapêutica pelos especialistas adequados e pode também
ser interiorizado pelo indivíduo que sofre da condição
dissidente.
A interiorização em si mesmo terá eficácia
terapêutica. Em nosso exemplo, o mecanismo conceitual
pode ser organizado de tal maneira que desperte
a culpa
no indivíduo (digamos, um "pânico heterossexual"), façanha não demasiado difícil se sua socialização primária teve ao menos um êxito mínimo. Sob a pressão
desta culpa,
o indivíduo chegará
a aceitar subjetivamente a conceitualização. de sua condição com a qual
os profissionais terapêuticas·
o fazem defrontar-se. Cria
uma "visão interior", e'
o diagnóstico torna-se subjetivamente real para ele. O mecanismo conceitual pode ser
ainda mais desenvolvido
a fim de permitir
a conceitualização (e assim
a liquidação conceitual) de quaisquer
dúvidas
a respeito da terapêutica sentida ou pelo terapeuta ou pelo "paciente". Por exemplo, pode haver uma
teoria da "resistência" para explicar as dúvidas deste
último,
e uma teoria da "contra-transferência", para explicar as dúvidas do primeiro. A terapêutica eficaz estabelece uma simetria entre
o mecanismo conceitual
e sua
apropriação subjetiva pela consciência do indivíduo. Ressocializa o transviado, reintroduzindo-o na realidade objetiva do universo simbólico da sociedade. Evidentemente
existe uma grande satisfação subjetiva por motivo deste.
retorno
à "normalidade".
O indivíduo pode agora retornar ao amoroso abraço do comandante de seu pelotão com o feliz conhecimento de se ter "encontrado a si mesmo", c de mais uma vez estar certo aos olhos
dos deuses.
A terapêutica usa
o mecanismo conceitual para manter todos dentro do universo em questão. A aniquilação
por sua vez usa um mecanismo semelhante para liquidar conceitualmente tudo que está situado fora deste
mesmo universo. Este procedimento pode também ser
considerado uma espécie de legitimação negativa.
A legitimação conserva a realidade do universo socialmente
construído;
a aniquilação nega
a realidade de qualquer
fenômeno ou interpretação de fenômenos que não se
ajustam nesse universo. Isto pode ser realizado de duas
maneiras. Primeiramente,
é possível dar um status ontológico negativo aos fenômenos de desvio, com ou sem
intenção terapêutica.
A aplicação aniquiladora realizada pelo mecanismo conceitual é em geral mais usada
com indivíduos ou grupos estranhos
à sociedade em
questão
e por isso inelegíveis para
a terapêutica.
A
operação conceitual nesse caso
é bastante simples.
A
ameaça às definições sociais da realidade
é neutralizada
atribuindo-se um status ontológico inferior,
e com isso
um status cognoscitivo que não deve ser levado
a sério,
a todas as definições existentes fora do universo simbólico. Assim, a ameaça da vizinhança de grupos anti-homossexuais pode ser conceitualmente liquidada por
nossa sociedade homossexual considerando esses vizinhos
como seres inferiores aos homens, inatamente desnorteados a respeito da correia ordem das coisas, vivendo
em uma insanável obscuridade cognoscitiva.
O silogismo
fundamental
é
o seguinte: os vizinhos são uma tribo de
bárbaros. Os vizinhos são anti-homossexuais. Por conseguinte, sua anti-homossexualidade é um absurdo bárbaro, que não deve, ser tomado a sério por homens.
razoáveis. O mesmo procedimento conceitual pode sem
dúvida ser também aplicado aos transviados dentro da
sociedade. Quer se passe da aniquilação à terapêutica,
quer se empreenda a liquidação física do que se liquidou
conceitualmente, isto é apenas uma questão de política
prática. O poder material do grupo conceitualmente liquidado na maioria dos casos não será um fator insignificante. Às vezes, infelizmente, as circunstâncias nos..
forçam a manter relações cordiais com bárbaros.
Em segundo lugar, a aniquilação implica a tentativa
mais ambiciosa de explicar todas as definições dissidentes da realidade em termos, de conceitos pertencentes
ao nosso próprio universo. Num quadro de referência
teológico isto acarreta a transição da heresiologia à apologética. As concepções transviadas não recebem simplesmente um status negativo, são atacadas teoricamente
em detalhes. O objetivo final deste procedimento é incorporar as concepções dissidentes ao nosso próprio
universo, e com isso em última análise liquidá-Ias. As
concepções dissidentes devem portanto ser traduzidas em
conceitos derivados de nosso próprio universo. Desta maneira, a negação de nosso universo transmuta-se sutilmente na afirmação dele. Há sempre a pressuposição de
que o negador não sabe realmente o que está dizendo.
Suas afirmações só adquirem sentido quando são traduzidas em termos mais "corretos", isto é, em termos derivados do universo por ele negado. Por exemplo, nossos
teóricos homossexuais podem argumentar que todos os
homens são por natureza homossexuais. Os que negam
isto, em virtude de estarem possuídos por demônios ou
simplesmente por serem bárbaros, estão negando sua
própria natureza. Bem no fundo de si mesmos, sabem
que isto é assim. Basta, portanto, investigar cuidadosamente seus enunciados para descobrir o caráter defensivo e a má fé da posição deles. Seja lá o que for que
digam neste assunto, isso pode assim ser traduzido em
uma afirmação do universo homossexual, que eles ostensivamente negam. Num quadro de referência teológico
o mesmo procedimento demonstra que o demônio involuntariamente glorifica Deus, que toda descrença é apenas desonestidade inconsciente, até mesmo que o ateu é
realmente um crente.
As aplicações terapêutica e aniquiladora dos mecanismos conceituais são inerentes ao universo simbólico enquanto tal. Se o universo simbólico tem de abranger a
realidade, não é possível deixar que alguma coisa fique
fora de seu âmbito conceitual. Em princípio, de qualquer maneira suas definições da realidade devem abranger a totalidade do ser. Os mecanismos conceituais com os quais se tenta fazer esta totalização variam historicamente em grau de complexidade. In nuce aparecem logo que o universo simbólico cristalizou-se.
Do livro A construção social da realidade
Do livro A construção social da realidade
Rotinas sociais e soluções de problemas
A realidade social do cotidiano é construída a partir de
objetivações de percepções subjetivas em produtos de atividades.
A realidade é construída socialmente de acordo com o acervo social
de conhecimento de senso comum e técnico/intelectual. O senso comum
da vida cotidiana é o acervo comum de conhecimento necessário para
lidar com a rotina da vida cotidiana. Algo que apresenta como
problemático quando sai da rotina da vida cotidiana e é preciso
colocar o conhecimento do senso comum em dúvida e procurar
conhecimento mais sofisticado. Os acontecimentos e as pessoas são
tipificadas em classificações relacionadas ao acervo social de
conhecimento.
Os
problemas de saúde mental surgem ao se sair da rotina da vida
cotidiana (quando a diferença se apresenta). Nos casos de problemas
de saúde mental a diferença se apresenta como problemática devido
à ausência de capacidade do acervo social de conhecimento do senso
comum de lidar com essa diferença de forma rotineira. As
tipificações ou classificações para entender acontecimentos
sociais, naturais e pessoas estabelecem interações sociais de
acordo ou podem também estabelecer acontecimentos e características
das pessoas. As construções sociais podem ocasionar problemas de
saúde mental ao classificar certas pessoas e acontecimentos como
problemáticos a partir da intolerância à diferença ou estabelecer
interações sociais que não são positivas para todos apesar de
serem entendimentos rotineiros para um dos lados.
Nisso
entra o entendimento médico/manicomial da diferença ou o
entendimento psicossocial da diferença e como essas classificações
das diferenças produzem realidades melhores ou piores. O
entendimento do modelo médico em saúde mental envolve
responsabilizar a suposta doença biológica pelas incapacidades
construídas por esse entendimento. O entendimento médico/manicomial
da diferença se mantém pelo autoritarismo de não permitir as
pessoas escaparem a esse entendimento na prática. Com isso, impede
de estabelecer um acervo social de conhecimento no senso comum que
lidaria com a diferença de maneira rotineira (Reforma Psiquiátrica) e não problemática ou
que dispensaria a psiquiatria biomédica em favor de intervenções
psicossociais.
Resenha do começo do livro A construção social da realidade.
quarta-feira, 3 de julho de 2019
Dúvida sobre os genéricos
Raramente um psiquiatra passa a dose mínima "necessária". Quase sempre o paciente psiquiátrico toma mais do que o necessário. Portanto, não faz sentido dizer que tomar 70% da dose anterior ao trocar para um genérico provoque crises.
Além disso, há uma descontextualização da vida do paciente. Está sempre fazendo ajustes no medicamento. Então quando acontece algo diferente na vida atribui a alguma mudança na prescrição (dose, retirada, princípio ativo).
O paciente não deveria acreditar apenas no medicamento como solução para tudo. Esse negócio de ficar eternamente ajustando prescrição é um lixo.
O paciente não deveria acreditar apenas no medicamento como solução para tudo. Esse negócio de ficar eternamente ajustando prescrição é um lixo.
A ideia do genérico é algo bacana, seguro e eficaz.
Intimidação médica e conhecimento exclusivo
O crescente número de complexidade dos subuniversos fazem com que se tornem cada vez mais inacessíveis aos estranhos. Passam a ser enclaves esotéricos, "hermeticamente vedados" (no sentido de classicamente ligado ao corpo hermético o conhecimento secreto) a todos exceto àqueles que foram devidamente iniciados em seus mistérios. A crescente autonomia dos subuniversos contribui para criar problemas especiais de legitimação tanto para os estranhos quanto para os íntimos. Os estranhos tem de ser impedidos de entrar, e mesmo conservados na ignorância da existência do subuniverso. Se, porém, não chegam a ignorá-lo e se o subuniverso requer vários privilégios e reconhecimentos especiais da sociedade mais ampla, existe o problema de manter de fora os estranhos e ao mesmo tempo fazer com que admitam a legitimidade deste procedimento. Isto é realizado por meio de várias técnicas de intimidação, propaganda racional e irracional (apelando para os interesses dos estranhos e para suas emoções), mistificação e, em geral, a manipulação dos símbolos de prestígio. Os íntimos, por outro lado, têm de ser mantidos dentro. Isto exige a criação de procedimentos práticos e teóricos pelos quais é possível reprimir a tentação de escapar do sub-universo. Examinaremos mais adiante com alguns detalhes este duplo problema da legitimação. De momento, basta-nos dar uma ilustração. Não é suficiente instituir um subuniverso esotérico na medicina. É preciso convencer o público leigo de que isto é correto e benéfico e a fraternidade médica deve ser conservada nos padrões deste subuniverso. Assim a população geral é intimidada pelas imagens da ruína física que se segue à atitude de "opor-se aos conselhos do médico". É persuadida a não fazer isso pelos benefícios práticos da obediência e pelo seu próprio horror da doença e da morte. Para sublinhar sua autoridade, a profissão médica recobre-se com os velhos símbolos de poder e mistério, das vestimentas à linguagem incompreensível, tudo isso naturalmente legitimado para o público e para ela própria em termos práticos. Enquanto isso, os habitantes devidamente credenciados do mundo médico são preservados do "charlatanismo" (isto é, pisarem fora do subuniverso médico em pensamento ou na ação) não só pelos poderosos controles externos de que a profissão dispõe, mas também por todo um corpo de conhecimento profissional que lhes oferece a "prova científica" de loucura, e até da maldade, deste desvio. Em outras palavras, entra em ação uma maquinaria inteira de legitimação, como o fim de manter os leigos como leigos e os médicos como médicos, e (se possível) que ambos assim procedam com satisfação.
Do livro: A construção social da realidade. (p. 121)
Loucura e sociologia do conhecimento
A partir da sociologia do conhecimento é simples o problema da doença mental. A realidade é construída pelo conhecimento social. Logo, negar ou apresentar discurso incompatível com o que o conhecimento define como real é considerado loucura. Mesmo que o conhecimento seja relativo e natural a grupos específicos. O prestígio ou benefícios concedidos a quem reproduz o conhecimento é suficiente para motivar as pessoas a serem típicas dentro de um grupo.
O conhecimento adotado para produzir a realidade no entanto nem sempre é da melhor qualidade disponível.
O conhecimento adotado para produzir a realidade no entanto nem sempre é da melhor qualidade disponível.
Inteligência socialmente descomprometida
e (aqui, segundo pensou Manheim, indo além de Marx) a ideologia caracterizando não somente o pensamento do adversário mas também o do próprio pensador. Com o conceito geral de ideologia alcança-se o nível da sociologia do conhecimento, a compreensão de que não há pensamento humano (apenas com exceções antes mencionadas) que seja imune às influências ideologizantes de seu contexto social.
Manheim acreditava que os diferentes grupos sociais variam enormemente sua capacidade de transcender deste modo sua própria estreita posição. Depositava a maior esperança na "inteligência socialmente descomprometida", uma espécie de estrato intersticial que acreditava estar relativamente livre de interesse de classe.
No livro A construção social da realidade (p. 22-23)
segunda-feira, 1 de julho de 2019
Conhecimento institucional e "doença mental"
O conhecimento primário relativo à ordem institucional é o conhecimento situado no nível pré-teórico. É a soma de tudo aquilo que "todos sabem", a respeito do mundo social, um conjunto de máximas, princípios morais, frases proverbiais de sabedoria, valores e crenças, mitos, etc., cuja integração teórica exige considerável força intelectual, conforme comprova a longa linha de heróicos integradores, de Homero aos últimos construtores de sistemas sociológicos. No nível pré-teórico, porém, toda instituição tem um corpo de conhecimento transmitido como receita, isto é, conhecimento que fornece as regras de conduta institucionalmente adequadas.
Este conhecimento constitui a dinâmica motivadora da conduta institucionalizada. Define as áreas institucionalizadas da conduta e designa todas as situações que se localizam dentro destas áreas. Define e constrói os papéis que devem ser desempenhados no contexto das instituições em questão. Ipso facto, controla e prediz todas estas condutas. Sendo este conhecimento socialmente objetivado como conhecimento, isto é, um corpo de verdades universalmente válidas sobre a realidade, qualquer desvio radical da ordem institucional toma caráter de um afastamento da realidade. Este desvio pode ser designado como depravação moral, doença mental ou simplesmente ignorância crassa. Emboras essas delicadas distinções tenham consequências óbvias para o tratamento do indivíduo que se desviou, todas elas participam de um status cognoscitivo inferior no particular mundo social. [Entendi que essas distinções são subprodutos do conhecimento institucional e sua violação]
Do livro A construção social da realidade (p. 93)
Injeção de depósito: apenas propaganda
Um Guia para os Neurolépticos de Longa Duração: Educação ou Promoção?
Mas nós sabemos o que aconteceu depois que o decanoato de flufenazina [Injeção] foi comercializado. Continuamos a observar a “porta giratória”, onde as pessoas dispensadas do hospital retornavam com frequência. Embora haja divergências profundas sobre como consertar o sistema comunitário de saúde mental, parece claro que as drogas neurolépticas de ação prolongada não oferecem o tipo de benefícios que foram previstos na década de 1960. Ao contrário da crença popular, há uma falta de evidências em apoio à hipótese central de que essas drogas melhoram a adesão ( Leucht 2011 ). Uma vez que a adesão melhorada é presumida como o mecanismo pelo qual eles melhoram o resultado, isso levanta um sério desafio para as vantagens dessas drogas. Em 2015, Castillo e Stroup publicaram um artigo em Saúde Mental Baseada em Evidência, revisando este tópico. Eles admitem que “as evidências [a favor de formulações de longa duração] são conflitantes e mais fracas do que o esperado”. É importante ressaltar que não parece haver nenhuma vantagem para as drogas mais novas do que para as mais antigas. Assim, enquanto o panfleto do Conselho Nacional promove “O que a ciência nos diz”, os autores parecem seletivos no que parecem ouvir.
No entanto, há uma implicação mais ampla desse tipo de panfleto que vai além de minhas conclusões diferentes sobre o papel dos neurolépticos de ação prolongada no tratamento clínico. Em Psychiatry Under the Influence , Cosgrove e Whitaker ofereceram um modelo, chamado economias de influência, para entender as forças complexas que poderiam levar as instituições acadêmicas e de associações da psiquiatria a agir de maneiras que não são consistentes com suas missões declaradas. Eu acredito que essas influências estão em jogo aqui.
No entanto, há uma implicação mais ampla desse tipo de panfleto que vai além de minhas conclusões diferentes sobre o papel dos neurolépticos de ação prolongada no tratamento clínico. Em Psychiatry Under the Influence , Cosgrove e Whitaker ofereceram um modelo, chamado economias de influência, para entender as forças complexas que poderiam levar as instituições acadêmicas e de associações da psiquiatria a agir de maneiras que não são consistentes com suas missões declaradas. Eu acredito que essas influências estão em jogo aqui.
Nos anos 90 e início dos anos 2000, vários novos medicamentos antipsicóticos foram introduzidos e altamente promovidos. Eles rapidamente se tornaram tratamentos de primeira linha baseados na crença de que eles tinham menos efeitos colaterais. O marketing desta época é o que me levou ao caminho da psiquiatria crítica. Ficou claro para mim que a promoção não correspondia aos dados. Por exemplo, a principal conclusão dos estudos de pré-marketing que levaram à aprovação deles foi que os novos medicamentos causaram menos sintomas de parkinsonismo do que os mais antigos. No entanto, nesses estudos iniciais, as drogas foram comparadas ao haloperidol prescrito em doses muito altas. Havia outras alegações de que as novas drogas tinham benefícios para problemas cognitivos e motivação, mas essas alegações eram geralmente desprovidas de apoio probatório substancial e, na medida em que havia apoio, provavelmente secundário às altas doses de haloperidol usadas nos estudos (altas doses). Espera-se que o haloperidol cause problemas cognitivos e apatia, para que as novas drogas pareçam ser melhores em comparação). Os efeitos que as novas drogas tiveram sobre o ganho de peso foram óbvios para mim depois de alguns anos e agora são amplamente reconhecidos, mas esses efeitos foram subestimados nos círculos acadêmicos e de marketing por muitos anos. De fato, o que foi desconcertante é que a separação entre marketing e academia tornou-se tão próxima a ponto de ser indetectável.
Nos anos posteriores - muitas vezes coincidentes com os medicamentos que não têm mais proteção de patente - há um recuo; as drogas são consideradas não tão efetivas quanto se pensava inicialmente. Problemas com as drogas ganham maior atenção. Nesse ponto, entretanto, as drogas estão entrincheiradas na prática clínica. Apesar das evidências emergentes questionarem sua eficácia e destacarem os efeitos colaterais preocupantes, elas continuam sendo amplamente prescritas.
Tudo isso aconteceu com os neurolépticos. Em 2005, um estudo financiado pelo Instituto Nacional de Saúde Mental foi publicado. Chamado de estudo do CATIE , ele comparou a maioria dos neurolépticos mais recentes com a perphenazine, um medicamento mais antigo. Não encontrou vantagem para as novas drogas. No entanto, a prática clínica muda lentamente ou a promoção [de mercado] é difícil de ignorar; Quando o CATIE foi publicado, os medicamentos mais antigos raramente eram usados como tratamento de primeira linha.Isso não mudou.
O estudo constatou que, em média, 3,5 mg foi tão eficaz quanto doses mais altas; as doses mais altas só produziram mais sintomas neurológicos, mas não conferiram vantagem clínica. Muitos dos piores problemas associados ao haloperidol são moderados pela dose - parkinsonismo, discinesia tardia. Se usado em doses baixas, um forte argumento poderia ser feito de que ele tem menos toxicidade - particularmente no que diz respeito à obesidade e problemas metabólicos - do que as novas drogas.
No entanto, em sua conclusão, eles apontam as desvantagens das drogas mais novas por razões que mencionei acima: “nós advertimos que essa [psicose de início recente] também é um tempo para usar medicações judiciosamente. . . como as dosagens dos antipsicóticos de IAF não são imediatamente alteráveis, são menos convenientes.
"Estranhamente, apesar deste artigo deixar claro que há poucas evidências sugerindo que as novas drogas têm alguma vantagem sobre as mais antigas, os autores não apontam que o haloperidol permite a dosagem flexível.
"Estranhamente, apesar deste artigo deixar claro que há poucas evidências sugerindo que as novas drogas têm alguma vantagem sobre as mais antigas, os autores não apontam que o haloperidol permite a dosagem flexível.
Ignorar o problema implicitamente favorece a prática como de costume, que é uma prática que favorece os interesses financeiros das empresas farmacêuticas em detrimento dos interesses de nossos pacientes.
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